27 de ago de 2016

O pecado dos Anjos




Segundo o Catecismo da Igreja Católica (CIC)1, "os anjos e os homens, criaturas inteligentes e livres, devem caminhar para seu destino último por opção livre e amor preferencial. Podem, no entanto, desviar-se. E, de fato, pecaram. Foi assim que entrou no mundo o mal moral,"1(311) que é "essencialmente a violação voluntária e livre da ordem desejada por Deus"2(245).

Esse pecado do anjo "foi-lhe obra posterior" à sua criação3. O diabo "pecou imediatamente depois do primeiro instante da sua criação."4, pois como diz a Escritura. "E viu Deus todas as coisas que tinha feito e eram muito boas. Ora, entre esses seres estavam também os demônios. Logo estes, algum tempo, foram bons."3.



" A Igreja no Concílio de Latrão (1215), ensina que o diabo (Satanás) e os outros demônios " foram criados bons por Deus, mas tornaram-se maus por sua própria vontade."6.

Ao serem criados os anjos, Deus lhes concedeu inteligência, vontade, livre-arbítrio, características que vimos anteriormente. E, por maior inclinação que o mais elevado de todos os anjos tivesse para o bem, ele podia escolher outro destino por vontade livre. Assim, o anjo pecador preferiu não se guiar pela ordem instituída por Deus. Seu pecado "não pressupõe a ignorância, mas somente a ausência de consideração das coisas que deviam ser consideradas."5


O pecado do diabo foi a soberba. Ele desejou "a semelhança com Deus"7. "Quis tê-la pela virtude da sua natureza, e não pelo auxílio divino"7, como também "desejou ter um certo principado sobre todos os outros seres."7

"Ao pecado da soberba seguiu-se no anjo pecador o mal da inveja, pela qual sofre, não só com o bem do homem, mas ainda com a excelência divina"14. "Sto. Agostinho via na inveja "o pecado diabólico por excelência""15

"Na inveja e soberba dos demônios se compreendem todos os pecados delas derivados."14. "Da inveja nascem o ódio, a maledicência, a calúnia, a alegria causada pela desgraça do próximo e o desprazer causado por sua prosperidade."(apud 15). "É por inveja do demônio que a morte entrou no mundo" (Sabedoria 2,24).

São Tomás de Aquino explica que "somente a soberba e a inveja são pecados puramente espirituais, que podem competir aos demônios."14, isto é, não pode existir nos anjos caídos pecados ligados à materialidade, ao corpo, pois eles são seres puramente espirituais. Assim, "os demônios não se deleitam com as obscenidades dos pecados carnais, como se as desejassem; mas tudo da inveja procede"14.

Assim, "Satanás, ou seja, o anjo caído, o espírito maligno, chamado também diabo ou demônio"6 "o espírito rebelde"8quis " o próprio reino, não o de Deus, e erige-se em "primeiro" adversário do Criador, em opositor da providência, em antagonista da sabedoria amorosa de Deus."8. Torna-se ""mentiroso", cósmico e "pai da mentira" (Jo. 8,44)
"6.

Por esse ato de vontade livre, de caráter radical e irrevogável, rejeitava Deus e seu Reino, usurpando-Lhe "os seus direitos soberanos e tentando subverter a economia da salvação e a própria ordem da criação inteira."6.



O pecado do diabo "foi causa de os outros pecarem, não os obrigando, mas os induzindo por uma quase exortação. E a prova disto resulta de se submeterem todos os demônios ao demônio supremo, como se vê manifestamente do que diz o Senhor, na Escritura: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, que foi preparado para o diabo e para os seus anjos. Pois, a ordem da divina justiça determina que quem consentiu na culpa, sugestionado por outrem, a este deve submeter-se, na pena, segundo a Escritura: Todos aquele que é vencido, é escravo daquele que o venceu."9.

Esse pecado "foi tanto maior quanto maior era a perfeição espiritual e a perspicácia cognoscitiva do intelecto angélico, quanto maior era a sua liberdade e a proximidade de Deus."6

"A Sagrada Escritura, contudo, não atribui aos demônios os nomes de certas ordens, como os dos Serafins e dos Tronos; porque esses nomes provém do ardor da caridade e da habitação com Deus, que não podem coexistir com o pecado. Atribuem-se-lhes, porém, os nomes de Querubins, Potestades e Principados, nomes derivados da ciência e do poder, comuns tanto aos bons como aos maus."10.

Devido a isso, Como já vimos na postagem da primeira hierarquia dos anjos, São Tomás de Aquino afirma que o "o primeiro anjo pecador não era denominado Serafim, mas Querubim."11.

A queda do querubim é descrita em Ezequiel 28, 12-19:

"Eras um selo de perfeição, cheio de sabedoria, de uma beleza acabada. Estavas no Éden, jardim de Deus, estavas coberto de gemas diversas: sardônica, topázio e diamante, crisólito, ônix e jaspe, safira, carbúnculo e esmeralda; trabalhados em ouro. Tamborins e flautas, estavam a teu serviço, prontos desde o dia em que foste criado.
Eras um querubim protetor colocado sobre a montanha santa de Deus; passeavas entre as pedras de fogo. Foste irrepreensível em teu proceder desde o dia em que foste criado, até que a iniqüidade apareceu em ti.
No desenvolvimento do teu comércio, encheram-se as tuas entranhas de violência e pecado; por isso eu te bani da montanha de Deus, e te fiz perecer, ó querubim protetor, em meio às pedras de fogo.
Teu coração se inflou de orgulho devido à tua beleza, arruinaste a tua sabedoria, por causa do teu esplendor; precipitei-te em terra, e dei com isso um espetáculo aos reis.
À força de iniqüidade e de desonestidade no teu comércio, profanaste os teus santuários; assim, de ti fiz jorrar o fogo que te devorou e te reduzi a cinza sobre a terra aos olhos dos espectadores.
Todos aqueles que te conheciam entre os povos ficaram estupefatos com o teu destino; acabaste sendo um objeto de espanto; foste banido para sempre!"
Assim, no uso do livre-arbítrio, esses espíritos criados "rejeitaram Deus e o seu Reino."6 E "Deus não poupou os anjos que pecaram, mas os precipitou nos abismos tenebrosos do inferno onde os reserva para o julgamento"(2 Pedro 2,4). "Os anjos que não tinham guardado a dignidade de sua classe, mas abandonado os seus tronos, ele os guardou com laços eternos nas trevas para o julgamento do Grande Dia"(Jd 1,6).



O pecado dos anjos não tem perdão, não porque haja falha na infinita misericórdia de Deus. Não é isso. Deus ama todas as suas criaturas, inclusive os anjos caídos. O que impede que o pecado dos anjos seja perdoado "é o carácter irrevogável da sua opção""1(393). Não há arrependimento por parte do deles. Eles permanecem "no seu pecado, porque estão eternamente "nas prisões" daquela escolha que fizeram no início, rejeitando Deus, sendo contra a verdade do Bem supremo e definitivo que é Deus mesmo."6.



Assim, dividiu-se o mundo dos espíritos puros em bons e maus, como foi citado na primeira postagem da série dos anjosOs anjos bons "escolheram Deus como Bem supremo e definitivo”. Os maus, “em vez de uma aceitação de Deus cheia de amor, opuseram-Lhe uma rejeição inspirada por um falso sentido de auto-suficiência, de aversão e até de ódio“8

"O grande Dragão, a primitiva Serpente, chamado Demônio e Satanás, o sedutor do mundo inteiro"13 foi "precipitado na terra, e com ele os seus anjos."13

O mundo "está todo sob o poder do Maligno"(1 Jo 5, 19). "O demônio é príncipe deste mundo, quero dizer, da parte mortal e ínfima da criação, isto é, ele é o chefe de todos os pecados e senhor da morte."2(184). "É o inimigo oculto que semeia erros e infortúnios na história humana."12 


E "embora Satanás exerça no mundo a sua ação, por ódio contra Deus e o seu reinado em Jesus Cristo, e embora a sua ação cause graves prejuízos – de natureza espiritual e indirectamente, também, de natureza física – a cada homem e à sociedade, essa ação é permitida pela divina Providência, que com força e suavidade dirige a história do homem e do mundo. A permissão divina da atividade diabólica é um grande mistério. Mas «nós sabemos que tudo concorre para o bem daqueles que amam a Deus» (Rm8, 28)."1(395). 


"O poder de Satanás não é infinito. Satanás é uma simples criatura, poderosa pelo facto de ser puro espírito, mas, de qualquer modo, criatura: impotente para impedir a edificação do Reino de Deus."1(395). 

Notas

1. Catecismo da Igreja Católica, parágrafo 311. Disponível em: http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p1s2c1_198-421_po.html
2. Santo Agostinho, O Livre Arbítrio. SP, Paulus, 1995. 2ª edição. Página 245.
3. São Tomas de Aquino, Suma Teológica, Parte I, Tratado dos Anjos, questão 63, artigo 5. Disponível em: http://permanencia.org.br/drupal/node/2464
4. São Tomas de Aquino, Suma Teológica, Parte I, Tratado dos Anjos, questão 63, artigo 6. Disponível em: http://permanencia.org.br/drupal/node/2475
5. São Tomas de Aquino, Suma Teológica, Parte I, Tratado dos Anjos, questão 63, artigo 1. Disponível em: http://permanencia.org.br/drupal/node/2368 
6. Papa João Paulo II, Audiência: "A queda dos anjos rebeldes" (13 de agosto de 1986). Disponível em: http://w2.vatican.va/content/john-paul-ii/es/audiences/1986/documents/hf_jp-ii_aud_19860813.html
7.  São Tomas de Aquino, Suma Teológica, Parte I, Tratado dos Anjos, questão 63, artigo 3. Disponível em: http://permanencia.org.br/drupal/node/2392 
8. Papa João Paulo II, Audiência Geral: "Criador de anjos, seres livres" (23 de julho de 1986). Disponível em: http://w2.vatican.va/content/john-paul-ii/es/audiences/1986/documents/hf_jp-ii_aud_19860723.html
9. São Tomas de Aquino, Suma Teológica, Parte I, Tratado dos Anjos, questão 63, artigo 8. Disponível em: http://permanencia.org.br/drupal/node/2486
10. São Tomas de Aquino, Suma Teológica, Parte I, Tratado dos Anjos, questão 63, artigo 9. disponível em: http://permanencia.org.br/drupal/node/2496
11. São Tomás de Aquino, Suma Teológica, Primeira Parte, Tratado dos Anjos, questão 63, artigo 7. Disponível em:http://permanencia.org.br/drupal/node/2485
12. Papa Paulo VI, Audiência Geral (15 de novembro de 1972). Disponível em: http://w2.vatican.va/content/paul-vi/es/audiences/1972/documents/hf_p-vi_aud_19721115.html 
13. Bíblia Católica Ave Maria, Apocalipse 12,9. Disponível em: http://www.bibliacatolica.com.br/biblia-ave-maria/apocalipse/12/
14. São Tomás de Aquino, Suma Teológica, Primeira Parte, Tratado dos Anjos, questão 63, artigo2. Disponível em: http://permanencia.org.br/drupal/node/2374
15. Catecismo da Igreja Católica, índice analítico I.54: inveja, parágrafo 2539. Disponível em: http://catecismo-az.tripod.com/conteudo/a-z/h/inveja.html


Autoria: Betania Tavares
Desconheço o autor da imagem.

24 de ago de 2016

Missão dos Anjos




Como vimos na postagem das Características dos anjos, eles são criaturas puramente espirituais, incorpóreas, invisíveis e imortais. Dotados de inteligência e de vontade. E submetem-se à vontade de Deus, exercendo "função de mediação e de ministério nas relações mantidas entre Deus e os homens."1

Assim, há duas missões angélicas3
  • interior - relativa à comunicação entre as instancias, pela qual um anjo ilumina outro. Nessa, todos os anjos são enviados.
  • exterior - em que os anjos fazem algo em relação a alguma criatura corpórea, por ordem divina. E, "para tal missão nem todos os anjos são enviados".
Quando algum dos anjos executa uma missão exterior, sua ação procede de Deus. E essa é a razão de ele ser um "ministro", isto é, um "instrumento inteligente" que, como tal, "é movido por outro e a sua ação se ordena para outro."2. Sendo ministro, suas ações se chamam ministérios. Por isso, se diz que os anjos são "enviados em ministério."2.

A partir dessa distinção, São Tomás de Aquino divide os anjos em assistentes e ministrantes, "à semelhança dos que servem a um rei, dos quais uns sempre lhe assistem e lhe ouvem imediatamente as ordens; outros porém recebem dos assistentes o enunciado das ordens reais. "4

Assim, há três ordens de assistentes e seis ordens de ministrantes no mundo celestial. 

Os assistentes são os Serafins, Querubins e Tronos. Somente dessas três ordens se diz que assistem, pois elas formam a primeira hierarquia, a qual recebe "a iluminação imediatamente de Deus."4. "Todos os assistentes vêm, imediatamente, certas cousas, na claridade da divina essência". Contudo, como vimos anteriormente, " os superiores alcançam mais que os inferiores, e isso lhes transmitem a estes, iluminando-os". Assim como o que acontece com os assessores de um rei, em que uns assessores conhecem mais do que outros os segredos do rei.4.

Quanto aos ministrantes, eles pertencem à segunda e terceira hierarquia. Eles podem sempre assistir ou contemplar a face de Deus, mas não podem "alcançar os segredos dos divinos mistérios, na claridade mesma da divina essência"4 que os da primeira hierarquia podem. São eles:
  • Potestades - ordena "o que deve ser feito pelos súditos"5 e "de que modo"6 o que foi definido deve ser cumprido. Esta ordem, também, afasta "os maus espíritos."6. 
  • Principados - são os primeiros na execução dos ministérios divinos, "por presidirem ao governo dos povos e dos rei­nos."6. Eles comandam e dirigem os outros 6. " São eles que governam os bons espíritos"6
  • Virtudes - Têm poder sobre a "natureza corpórea."6. Nela se compreende a fortaleza, que dá "eficácia aos espíritos inferiores para executarem os divinos ministérios."6. Também opera mila­gres, "pois, o primei­ro dos ministérios divinos é fazer milagres, pre­parando-se, por aí, a via para a anunciação dos Arcanjos e dos Anjos."6
  • Arcanjos - anunciam aos homens grandes acontecimentos, superiores à razão humana. 
  • Anjos - acompanham e protegem as criaturas humanas e anunciam pequenas coisas, "que a razão pode alcançar."6
"É próprio a essas cinco ordens serem mandadas em ministério exterior"7. Eles são enviados em ministério por vontade e autoridade de Deus, em favor daqueles que hão de receber a herança da salvação (Hb 1,13). Eles servem principalmente a Deus e, secundariamente às criaturas humanas. 

As Dominações contam-se entre os anjos ministrantes, não porque executem o ministério, mas porque dispõem e mandam o que deve ser feito pelos outros. Assim como nas construções os arquitetos não fazem nada manualmente, mas só dispõem e ordenam o que os outros devem fazer."7 

O exer­cício das funções angélicas, depois do dia do juízo, "permanecerá de certo modo e, de ou­tro, cessará. Cessará, quanto à condução de certos homens ao fim; permanecerá, porém, no que diz respeito à consecução última do fim. Assim, umas são as funções das ordens militares, na luta, e, outras, no triunfo."8 " Os Principados e as Potestades deixarão de exis­tir, na referida consumação final, no atinente à condução dos fiéis ao fim; pois, conseguido este, já não é necessário tender para ele. " Embora depois do dia do juízo, os homens não precisem mais ser levados à salvação pelo ministério dos anjos, con­tudo, aqueles que já o conseguiram terão algu­ma iluminação por ofício deles."8


Notas
1. Papa João Paulo II, Audiência Geral: "Criador das coisas "invisíveis": os anjos" (30 de julho de 1986). Disponível em: http://w2.vatican.va/content/john-paul-ii/es/audiences/1986/documents/hf_jp-ii_aud_19860730.html
2. Tomás de Aquino, Suma Teológica, 1ª parte, Tratado sobre a conservação e o governo das coisas, questão 112, artigo 1, solução. Disponível em:  http://permanencia.org.br/drupal/node/2129
3. Tomás de Aquino, Suma Teológica, 1ª parte, Tratado sobre a conservação e o governo das coisas, questão 112, artigo 2. Disponível em: http://permanencia.org.br/drupal/node/2130
4. Tomás de Aquino, Suma Teológica, 1ª parte, Tratado sobre a conservação e o governo das coisas, questão 112, artigo 3. Disponível em: http://permanencia.org.br/drupal/node/2131
5. Tomás de Aquino, Suma Teológica, 1ª parte, Tratado sobre a conservação e o governo das coisas, questão 108, artigo 5. Disponível em: http://permanencia.org.br/drupal/node/2048
6.  Tomás de Aquino, Suma Teológica, 1ª parte, Tratado sobre a conservação e o governo das coisas, questão 108, artigo 6. Disponível em: http://permanencia.org.br/drupal/node/2049
7. Tomás de Aquino, Suma Teológica, 1ª parte, Tratado sobre a conservação e o governo das coisas, questão 112 artigo 4. Disponível em: http://permanencia.org.br/drupal/node/2132
8. Tomás de Aquino, Suma Teológica, 1ª parte, Tratado sobre a conservação e o governo das coisas, questão108, artigo 7. Disponível em: http://permanencia.org.br/drupal/node/2050

Autoria: Betania Tavares
Desconheço a autoria da imagem.

23 de ago de 2016

Hierarquia dos anjos III


A terceira hierarquia é formada pelos Principados, Arcanjos e Anjos. Eles são iluminados, purificados e aperfeiçoados pela segunda hierarquia e têm a função de  executar a obra divina. É por intermédio deles que o mistério divino do amor de Deus chega até nós.

Segundo Pseudo Dionísio, esta hierarquia "preside as hierarquias humanas"(Cap IX)1. E, faz isso por duas vias: ascendente e descendente. "A primeira, produz " de modo ordenado a elevação para Deus, a conversão, a comunhão, a união"1 e a segunda produz "o movimento que provem de Deus que gratifica liberalmente todas as hierarquias e dons e as ilumina"(Cap IX)1

Vejamos separadamente cada uma das três ordens dessa  3ª hierarquia:

1ª Ordem: Principados 

"O nome de Principados significa condutor, com ordem sagrada"3. Por serem os primeiros a conduzir são chamados de príncipes, "conforme a Escritura (Sl 67, 26): "Foram adiante os príncipes; juntamente com os que can­tavam salmos."3

Os Principados estão citados na Bíblia em:
  • Colossenses 1, 16: "Nele foram criadas todas as coisas nos céus e na terra, as criaturas visíveis e as invisíveis. Tronos, dominações, principados, potestades: tudo foi criado por ele e para ele." 
  • Efésios 1,21: "acima de todo principado, potestade, virtude, dominação e de todo nome que possa haver neste mundo como no futuro." 
  • Colossenses 2,10: "Tendes tudo plenamente nele, que é a cabeça de todo principado e potestade."

2ª Ordem: Arcanjos



Esta ordem chama-se Arcan­jos porque preside só a ordem dos Anjos. Por isso, também são chamados como que "Príncipes dos Anjos"3. Eles anunciam as coisas mais elevadas, "as grandes coisas"3, aquelas que pertencem à salvação de todos.4


Em Tobias 12,15, o Arcanjo Rafael diz que ele é "um dos sete" que assiste "na presença do Senhor." Contudo, a Igreja Católica honra "com culto litúrgico"5 somente a três arcanjos: Gabriel, Miguel e Rafael. Vejamos cada um deles em particular:



Arcanjo Gabriel

Gabri-El "significa "o meu poder é Deus" ou "Poder de Deus ", quase como que a dizer que, no auge da criação, a encarnação é o sinal supremo do Pai onipotente."5 

Ele "anuncia o nascimento do Precursor e o do próprio Jesus."6 Em Lc 1, 11-20, "ensinou ao grande sacerdote Zacarias que o filho que iria ter contra toda a sua esperança, mas pela graça de Deus, seria o profeta da obra divino-humana, através do qual Jesus operaria para bem do mundo e para a sua salvação." e em Lc 1, 26-38, "ensinou à Santíssima Virgem Maria que nela se cumpriria o mistério da Encarnação."(Cap IV).1

O Arcanjo Gabriel também aparece na Bíblia, por duas vezes, no livro de Daniel: Em Dan 8,16 explica a visão de Daniel e em Dan 9,23-27, faz a revelação sobre as setenta semanas de duração do exílio de Jerusalém.

Esse santo Arcanjo deixa a mensagem de que "a Deus nenhuma coisa é impossível" (Lc 1,37) e que Deus ouve as preces dos seus filhos amados: "Apenas havias iniciado a tua oração e uma palavra foi pronunciada; eu venho desvendá-la a ti, porque és um homem de predileção."(Dan 9,23) e "o anjo disse-lhe: Não temas, Zacarias, porque foi ouvida a tua oração: Isabel, tua mulher, dar-te-á um filho, e chamá-lo-ás João." (Lc 1,13).
Na oração da Ave-Maria, temos a saudação do anjo Gabriel, que é "o próprio Deus que, por intermédio de seu anjo, saúda Maria."6


Arcanjo Miguel

"Mica´El' significa:´Quem como Deus?' " e Papa João Paulo II explica o porquê dessa denominação: 
"Lemos no Apocalipse: "Travou-se, então, uma batalha no Céu: Miguel e os seus Anjos pelejavam contra o Dragão e este pelejava também juntamente com seus anjos. Mas não prevaleceram e não houve mais lugar no Céu para eles. O grande Dragão foi precipitado, a antiga serpente, o Diabo, ou Satanás, como lhe chamou, sedutor do mundo inteiro, foi precipitado na terra, juntamente com os seus anjos" (Ap. 12,7´9). O autor sagrado apresenta-nos nesta dramática descrição o fato da queda do primeiro Anjo, que foi seduzido pela ambição de se tornar "como Deus". Daqui a reação do Arcanjo Miguel, cujo nome hebraico "Quem como Deus?"7

E Papa Bento XVI 8 cita duas funções desse Santo Arcanjo:
"Encontramo-lo na Sagrada Escritura sobretudo no Livro de Daniel, na Carta do Apóstolo São Judas Tadeu e no Apocalipse. Deste Arcanjo tornam-se evidentes nestes textos duas funções. Ele defende a causa da unicidade de Deus contra a soberba do dragão, da "serpente antiga", como diz João. (...) A outra função de Miguel, segundo a Escritura, é a de protetor do Povo de Deus (cf. Dn 10, 21; 12, 1)".
Dessa segunda função, João Paulo II nos diz que:
"É um dos príncipes do Céu posto como guarda do povo eleito (cf. Dn. 12,1), de onde virá o Salvador. Ora, o novo povo de Deus é a Igreja. Eis a razão pela qual ela o considera como próprio protetor e defensor em todas as suas lutas pela defesa e a difusão do reino de Deus na terra. É verdade que ´as portas do inferno nada poderão contra ela´, segundo a afirmação do Senhor (Mt. 16,18), mas isto não significa que estamos isentos das provas e das batalhas contra as insídias do maligno. Nesta luta o Arcanjo Miguel está ao lado da Igreja para a defender contra as iniqüidade do século, para ajudar os crentes a resistir ao Demônio que ´anda ao redor, como um leão que ruge, buscando a quem devorar´ (l Pd. 5,8). (...) o apóstolo das gentes põe os cristãos de sobreaviso, quanto às insídias do Demônio e dos seus inúmeros sectários, quando exorta os habitantes de Éfeso a revestirem-se da armadura de Deus para que possam resistir às ciladas do Demônio. Porque nós não temos de lutar contra a carne e o sangue, mas contra os principados e potestades, contra os Dominadores deste mundo tenebroso, contra os Espíritos malignos espalhados pelos ares" (Ef. 6,11´12). A esta luta nos chama a figura do Arcanjo são Miguel, a quem a Igreja, tanto no Oriente como no Ocidente, jamais cessou de tributar um culto especial."7

Arcanjo Rafael

"Rafa-EL" significa: "Deus cura".7  E o Papa Bento XVI 8 nos dá uma magnifica explicação do poder de cura de Rafael, nas passagens do livro de Tobias:
"Do Arcanjo Rafael são referidas no Livro de Tobias duas tarefas emblemáticas de cura. Ele cura a comunhão importunada entre homem e mulher. Cura o seu amor. Afasta os demônios que, sempre de novo, rasgam e destroem o seu amor. Purifica a atmosfera entre os dois e confere-lhes a capacidade de se receberem reciprocamente para sempre. Na narração de Tobias esta cura é referida com imagens legendárias. (...) Em segundo lugar, o Livro de Tobias fala da cura dos olhos cegos. Todos sabemos quanto estamos hoje ameaçados pela cegueira para Deus. Como é grande o perigo de que, perante tudo o que sabemos sobre as coisas materiais e que somos capazes de fazer com elas, nos tornamos cegos para a luz de Deus. Curar esta cegueira mediante a mensagem da fé e o testemunho do amor, é o serviço de Rafael." 
Semelhantemente ao arcanjo Gabriel, as Escrituras mostram que Deus manda anjos em resposta às preces de seus filhos amados: " um santo anjo do Senhor, Rafael, foi enviado para curar Tobit e Sara, cujas preces tinham sido simultaneamente dirigidas ao Senhor."(Tb 3,25).


3ª Ordem: Anjos

"A criatura corpórea é administrada pelos anjos"14. Contudo, quando alguma coisa é feita por algum dos anjos, em relação a alguma criatura corpórea, isso procede de ordem divina. Por isso, se diz que o "anjo é enviado por Deus"14.

"Seguindo o livro de Daniel, podemos dizer que as funções de anjos como embaixadores do Deus vivo abrangem não só a cada um dos homens e aqueles com funções especiais, mas nações inteiras (Dan 10,13-21)"9, nos ensina João Paulo II. 

"A palavra anunciada por intermédio dos anjos era a tal ponto válida, que toda transgressão ou desobediência recebeu o justo castigo"(Hebreus 2,2).

Nas Escrituras, há inúmeras passagens em que estão presentes os anjos. Desde a criação, eles são "postos ao serviço do plano divino da sua realização"10 e os Salmos mostram o seu valor Sl 34,5; 88,6; 90,11; 102,20),

No Antigo Testamento, eles "protegem Lot (Cf. Gn 19,1), salvam Agar e seu filho (Cf. Gn 21, 17), pelo seu ministério é comunicada a Lei (cf Atos 7,53), são eles que conduzem o povo de Deus (Cf. Ex 23, 20-23), anunciam nascimentos (Cf. Jz 13) e vocações (Cf. Jz 6, 11-24; Is 6, 6) assistem os profetas (Cf. 1 Rs 19, 5) – para não citar senão alguns exemplos".10

"Entre os livros do Novo Testamento, são especialmente os Atos dos Apóstolos que nos dão a conhecer alguns fatos que atestam a solicitude dos anjos pelo homem e pela sua salvação. Assim é quando o Anjo de Deus liberta os Apóstolos da prisão (cf. At. 5,18´20) e antes de tudo Pedro, que estava ameaçado de morte por parte de Herodes (cf. At. 12, 15´10). Ou quando guia a atividade de Pedro a respeito do centurião Cornélio, o primeiro pagão convertido (At. 10,3´8. 12´13), e de modo análogo a atividade do diácono Filipe no caminho de Jerusalém para Gaza (At. 8,26´29)."- nos explica João Paulo II5

O Catecismo da Igreja Católica mostra que os anjos estão presentes durante toda a vida de Jesus. "Da Encarnação à Ascensão, a vida do Verbo Encarnado é rodeada da adoração e serviço dos anjos"10"Eles protegem a infância de Jesus (Cf. Mt 1, 20; 2, 13.19), servem-n'O no deserto (Cf. Mc 1, 13; Mt 4, 11) e confortam-n'O na agonia (Cf. Lc 22, 43) no momento em que por eles poderia ter sido salvo das mãos dos inimigos"10(Cf. Mt 26, 53)  "São ainda os anjos que «evangelizam» (Cf. Lc 2, 10), anunciando a Boa-Nova da Encarnação (Cf. Lc 2, 8-14) e da Ressurreição (Cf. Mc 16, 5-7) de Cristo. E estarão presentes aquando da segunda vinda de Cristo, que anunciam (Cf. Act 1, 10-1)"10.

Jesus "atribui também aos anjos a função de testemunhas no supremo juízo divino sobre a sorte de quem reconheceu ou negou Cristo: "Todo aquele que se declarar por Mim diante dos homens, também o Filho do Homem se declarara por ele diante dos anjos de Deus. Aquele, porém, que Me tiver negado diante dos homens será negado diante dos anjos de Deus" (Lc. 12,8´9; cf. Ap 3,5). Estas palavras são significativas porque, se os anjos tomam parte no juízo de Deus, estão interessados pela vida do homem. Interesse e participação que parecem receber uma acentuação no discurso escatológico, em que Jesus faz intervir os anjos na Parusia, ou seja, na vinda definitiva de Cristo no fim da história (cf. Mt 24,31; 25,31´41)", observa João Paulo II5.

Além das Escrituras, temos a ação dos anjos descritas em várias aparições, reconhecidas como manifestação da vontade divina, pela Igreja Católica. Um exemplo é o dos anjos das aparições em Fátima, Portugal:

"um jovem dos seus 14 a 15 anos, mais branco que se fora de neve, que o sol tornava transparente como se fora de cristal e duma grande beleza. Ao chegar junto de nós, disse: - Não temais! Sou o Anjo da Paz. Orai comigo. E, ajoelhando em terra, curvou a fronte até ao chão e fez-nos repetir três vezes estas palavras: - Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos. Peço-Vos perdão para os que não crêem, não adoram, não esperam e não Vos amam. Depois, erguendo-se, disse: - Orai assim. Os Corações de Jesus e de Maria estão atentos à voz das vossas súplicas."11
"De repente, vemos junto de nós a mesma figura ou Anjo, como me parece que era, e diz: - Que fazeis? Orai, orai muito. Os Corações de Jesus e de Maria têm sobre vós desígnios de misericórdia. Oferecei constantemente, ao Altíssimo, orações e sacrifícios.- Como nos havemos de sacrificar? - De tudo que puderdes, oferecei a Deus sacrifício em acto de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido e súplica pela conversão dos pecadores. Atraí, assim, sobre a vossa Pátria, a paz. Eu sou o Anjo da sua guarda, o Anjo de Portugal. Sobretudo, aceitai e suportai, com submissão, os sofrimentos que o Senhor vos enviar."11
"Erguemo-nos para ver o que se passava e vemos o Anjo, tendo na mão esquerda um cálix, sobre o qual está suspensa uma Hóstia, da qual caem algumas gotas de Sangue dentro do cálix. O Anjo deixa suspenso no ar o Cálix, ajoelha junto de nós, e faz-nos repetir três vezes: Santíssima Trindade, Padre, Filho, Espírito Santo, (adoro-Vos profundamente e) ofereço-Vos o preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, presente em todos os sacrários da terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido. E, pelos méritos infinitos do Seu Santíssimo Coração e do Coração Imaculado de Maria, peço-Vos a conversão dos pobres pecadores. Depois levanta-se, toma em suas mãos o cálix e a hóstia. Dá-me a sagrada Hóstia a mim e o Sangue do Cálix divide-o pela Jacinta e o Francisco, dizendo ao mesmo tempo: Tomai e bebei o Corpo e Sangue de Jesus Cristo, horrivelmente ultrajado pelos homens ingratos. Reparai os seus crimes e consolai o vosso Deus. E, prostrando-se de novo em terra, repetiu connosco, outras três vezes, a mesma oração: Santíssima Trindade... etc., e desapareceu."11
"um Anjo com uma espada de fôgo em a mão esquerda; ao centilar, despedia chamas que parecia iam incendiar o mundo; mas apagavam-se com o contacto do brilho que da mão direita expedia Nossa Senhora ao seu encontro: O Anjo apontando com a mão direita para a terra, com voz forte disse: Penitência, Penitência, Penitência!"12 
Finalizando a Hierarquia celeste, posto aqui uma observação importante feita por São Tomás de Aquino:
"é ordem da divina providência, não só quanto aos anjos, mas quanto a todo o universo, que os seres inferiores sejam governados pelos superiores. Mas para a manifestação da graça, que é de ordem mais alta, o princípio agora referido sofre transgressão, por dispensa divina, quanto aos seres corpóreos. Assim, Deus iluminou o cego e ressuscitou Lázaro, imediatamente, sem a ação dos corpos celestes. Mas, também os anjos bons e maus podem exercer influência nos corpos, fora da ação dos corpos celestes, condensando as nuvens em chuvas, ou cousas semelhantes. Nem deve ninguém duvidar que Deus possa imediatamente revelar certas cousas aos homens, sem a mediação dos anjos; bem como os anjos superiores, sem a mediação dos inferiores."13
Na próxima postagem, veremos as missões dos anjos.

Notas:

1.Pseudo Dionísio, Da Hierarquia Celeste, Disponível em: http://www.fatheralexander.org/booklets/portuguese/hier_celeste_s_dinis.htm
2. São Tomás de Aquino, Suma Teológica, Primeira Parte, Tratado sobre a conservação e o governo das coisas, questão 108, artigo 6. Disponível em: http://permanencia.org.br/drupal/node/2049
3. São Tomás de Aquino, Suma Teológica, Primeira Parte, Tratado sobre a conservação e o governo das coisas, questão 108, artigo 5. Disponível em: http://permanencia.org.br/drupal/node/2048
4. São Tomás e Aquino, Compêndio de Teologia. RJ, Presença, 1977. Capítulo CXXVI, página 141
5. Papa João Paulo II, Audiência: "A participação dos anjos na história da salvação" (06 de agosto de 1986). Disponível em: http://w2.vatican.va/content/john-paul-ii/es/audiences/1986/documents/hf_jp-ii_aud_19860806.html
6. Catecismo da Igreja Católica, índice analítico, letra A(anjo), parágrafo 2676. Disponível em: http://catecismo-az.tripod.com/conteudo/a-z/a/anjo.html
7. Papa João Paulo II, discurso  para a população de Monte Sant'Angelo (24 de maio de 1987), como parte da Visita Pastoral à Região de Apúlia (Itália). Disponível em: http://w2.vatican.va/content/john-paul-ii/it/speeches/1987/may/documents/hf_jp-ii_spe_19870524_monte-sant-angelo.html
8. Papa Bento XVI, homilia (29 de setembro de 2007). Disponível em: https://w2.vatican.va/content/benedict-xvi/pt/homilies/2007/documents/hf_ben-xvi_hom_20070929_episc-ordinations.html
9. Papa João Paulo II, Audiência: "Criador das coisas invisíveis: os anjos" (30 de julho de 1986). Disponível em:http://w2.vatican.va/content/john-paul-ii/es/audiences/1986/documents/hf_jp-ii_aud_19860730.html
10. Catecismo da Igreja Católica, parágrafo 332. Disponível em: http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p1s2c1_198-421_po.html
11. Santuário de Fátima (página oficial): Ciclo Angélico: aparições do Anjo no ano de 1916. Disponível em:
http://www.fatima.pt/pt/pages/narrativa-das-aparicoes
12. Congregação para a Doutrina da Fé, "A Mensagem de Fátima". Disponível em:http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/documents/rc_con_cfaith_doc_20000626_message-fatima_po.html
13. São Tomás de Aquino, Suma Teológica, Primeira Parte, Tratado sobre a conservação e o governo das coisas, questão 112, artigo 2. Disponível em: http://permanencia.org.br/drupal/node/2130
14. São Tomás de Aquino, Suma Teológica, Primeira Parte, Tratado sobre a conservação e o governo das coisas, questão 112, artigo 1. Disponível em: http://permanencia.org.br/drupal/node/2129


Autoria: Betania Tavares

Desconheço a autoria das imagens.

Hierarquia dos anjos II

Na postagem anterior, vimos a primeira hierarquia. Aquela que, segundo Pseudo Dionísio, é "a ordem superior (Tronos, Querubins e Serafins) mais próxima — pela sua dignidade — do Santuário Secreto"1, e que "inicia misteriosamente a segunda ordem, aquela que se compõe das Dominações, Potestades e Virtudes, que por outro lado comanda os Principados, Arcanjos e Anjos."(Cap IX)1

Repare que a segunda ordem ou hierarquia, formada por Do­minações, Potestades e Virtudes, diz respeito "ao governo"2Ela "comanda os Principados, Arcanjos e Anjos."1. Entretanto, o papel dela é o de representar Deus na sua Soberania pois só a Deus pertence "preceituar sobre o que se deve fazer"2.

Essa segunda hierarquia "se purifica, se ilumina e se aperfeiçoa graças às iluminações divinas que lhe são transmitidas pelos membros da primeira ordem hierárquica."(Cap VIII)1

Vejamos cada uma dessas ordens separadamente:


1ª Ordem: Dominações


Dominações estão citados na Bíblia em:
  • Efésios 1,20-21:"ele manifestou na pessoa de Cristo, ressuscitando-o dos mortos e fazendo-o sentar à sua direita no céu, acima de todo principado, potestade, virtude, dominação e de todo nome que possa haver neste mundo como no futuro."; 
  • Colossenses 1,16: "Nele foram criadas todas as coisas nos céus e na terra, as criaturas visíveis e as invisíveis. Tronos, dominações, principados, potestades: tudo foi criado por ele e para ele."
São Tomás de Aquino 2 apresenta três significados do nome Dominações, dados por Dionísio: 

  1. "a liberdade, que isenta da condição servil e da sujeição ple­béia, a que a plebe está submetida; e da opressão tirânica a que, às vezes, até mesmo os maiores estão sujeitos." 
  2. "governo rígido e inflexível, que não se inclina a nenhum ato servil, nem a nenhum ato próprio aos que são sujeitos e oprimidos pelos tiranos." 
  3. "desejo e a partici­pação do verdadeiro domínio, que está em Deus".

Assim, "O nome das santas Dominações significa a elevação espiritual livre de qualquer compromisso terreno, tal como convém a uma entidade incorruptível e verdadeiramente livre, tendendo com um firme vigor para o verdadeiro princípio"(Cap VIII)1.

"Pertence ao senhor(Dominus) mandar e pré-ordenar."4 É ela quem dirige os planos de Deus, isto é, quem dispõe "o que se deve fazer"3 "às ordens que lhe estão sujeitas"2.

2ª Ordem: Virtudes




Esta ordem é citada na Bíblia em:

  • Efésios 1,20-21:"ele manifestou na pessoa de Cristo, ressuscitando-o dos mortos e fazendo-o sentar à sua direita no céu, acima de todo principado, potestade, virtude, dominação e de todo nome que possa haver neste mundo como no futuro."
  • Efésios 3, 10: "Assim, de ora em diante, as dominações e as potestades celestes podem conhecer, pela Igreja, a infinita diversidade da sabedoria divina."
Segundo Dionisio (apud2), "o nome de Virtudes significa uma força viril e incon­cussa"[=firme, sólida, incorruptível, imaculada]; "primeiro, em relação a todas as operações divinas que lhes são convenientes; e segundo, para receber os dons divinos. E assim, significa que, sem nenhum temor, acercam-se das coisas divinas que lhes dizem respeito."

Em relação aos anjos, a ordem das Virtudes dá capacidade "aos espíritos inferiores para executarem os divinos ministérios". 

Em relação às naturezas corpóreas, essa ordem exerce, juntamente com outras ordens, a "guarda universal"5,  isto é, a guarda "sobre todas as naturezas corpóreas"5, diferentemente da ordem dos anjos, na qual "a cada homem é delegado um anjo da guarda"5.

Virtudes tem também o poder de operar "mila­gres"3 sobre as naturezas corpóreas. Esses milagres preparam o caminho "para a anunciação dos Arcanjos e dos Anjos"3.


3ª Ordem: Potestades


Potestades estão citados na Bíblia em:
  • Efésios 1,20-21:"ele manifestou na pessoa de Cristo, ressuscitando-o dos mortos e fazendo-o sentar à sua direita no céu, acima de todo principado, potestade, virtude, dominação e de todo nome que possa haver neste mundo como no futuro."; 
  • Efésios 3,10: "Assim, de ora em diante, as dominações e as potestades celestes podem conhecer, pela Igreja, a infinita diversidade da sabedoria divina".
  • Colossenses 1,16: "Nele foram criadas todas as coisas nos céus e na terra, as criaturas visíveis e as invisíveis. Tronos, dominações, principados, potestades: tudo foi criado por ele e para ele."
  • 1 Pedro 3, 22: 'Esse Jesus Cristo, tendo subido ao céu, está assentado à direita de Deus, depois de ter recebido a submissão dos anjos, dos principados e das potestades."
"À ordem das Potestades pertence ordenar o que deve ser feito pelos súditos"2, determinando de que modo o que foi definido deve ser cumprido.
Também pelas Potestades "são debeladas as potestades adversas"5. Esta ordem tem a função de "afastar tudo o que possa impedir a execução do império divino. Diz-se, pois, que as Potestades afastam os demônios."4. Por ela "são afastados os maus espíritos assim como pelas potestades terrenas são afastados os malfeitores, segundo a Escri­tura."3 


Vemos, assim, que existe a ordem das "potestades adversas". Da mesma forma que existe Potestades a serviço do Bem, existe ordem de potestades a serviço do mal. Essa última faz parte dos anjos que pecaram. E não faz parte da hierarquia dos anjos bem-aventurados que estamos vendo. É como diz Santo Agostinho: "há duas cidades, isto é, duas sociedades; uma a dos anjos bons e dos homens; outra, a dos maus."6 A sociedade do maligno tem também sua hierarquia, a qual é citada por São Paulo em Efésios 6,12:“Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas sim contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade”. E sobre estas ordens a serviço do mal, Cristo tem poder, como diz São Paulo: "Espoliou os principados e potestades, e os expôs ao ridículo, triunfando deles pela cruz. (Colossenses 2, 15)"

Finalizando esta segunda hierarquia, é importante realçar que Dominações Virtudes e Potestades, iluminam, purificam e aperfeiçoam os espíritos inferiores a ela, da terceira hierarquia (Principados, Arcanjos e Anjos), para remover-lhes a ignorância, para que atinjam conhecimentos mais altos, para os levarem à perfeição da ciência superior; como é próprio dos anjos superiores atuarem sobre os inferiores.4

Na próxima postagem, veremos a terceira hierarquia. Até lá!

Notas
1 Pseudo Dionísio, Da Hierarquia Celeste, Disponível emhttp://www.fatheralexander.org/booklets/portuguese/hier_celeste_s_dinis.htm
2. São Tomás de Aquino, Suma Teológica, Primeira Parte, Tratado sobre a conservação e o governo das coisas, questão 108, artigo 5. Disponível em: http://permanencia.org.br/drupal/node/2048
3.  São Tomás de Aquino, Suma Teológica, Primeira Parte, Tratado sobre a conservação e o governo das coisas, questão 108, artigo 6. Disponível em: http://permanencia.org.br/drupal/node/2049
4. São Tomás e Aquino, Compêndio de Teologia. RJ, Presença, 1977. Capítulo CXXVI, página 140,141.
5. São Tomás de Aquino, Suma Teológica, Primeira Parte, Tratado sobre a conservação e o governo das coisas, questão 113, artigo 3. disponível em: http://permanencia.org.br/drupal/node/2166

Autoria: Betania Tavares
Desconheço o autor das imagens.



"Despojemo-nos das ações das trevas e vistamos as armas da Luz" Rm 13,12