17 de out de 2017

HMC 4 - O #OUTONO DA IDADE MÉDIA

HMC = História da Música Católica






O #OUTONO DA IDADE MÉDIA

"A primeira grande época da música ocidental, a da polifonia vocal, costuma ser chamada "medieval”. Mas esse adjetivo não é exato. Medieval é a Ars Antiqua. Medieval é a Ars Nova. Mas as obras fundamentais sobre aquela grande época tratam também e sobretudo de Josquin Des Près e de Orlandus Lassus, de Palestrina, Victoria e dos dois Gabrieli, um pouco indistintamente: toda a música dos séculos XV e XVI é chamada, desde os começos da historiografia musical na época do romantismo, de "música antiga”, em relação à “nova”, isto é, desde o início do século XVIII. Nessa perspectiva confundem-se a Idade Média, a Renascença e parte do Barroco. Mas, na verdade, a Idade Média propriamente dita já não faz parte da grande época na qual predomina a polifonia vocal.

(...)

A música da Borgonha do século XV corresponde à pintura dos Van Eyck, Roger van der Weyden, Hugo van der Goes e Memling; à poesia de Eustache Deschamps e Villon ; à arquitetura flamboyante, último produto do espírito gótico já em decomposição.

É a época à qual o grande historiador holandês Jan Huizinga deu o apelido inesquecível de “Outono da Idade Média”.

É uma civilização caracterizada pelas requintadas formas de vida de uma corte, a da Borgonha, na qual o feudalismo já perdeu sua função política, social e militar, fornecendo apenas regras de jogo como num grande espetáculo pitoresco. O fundo é menos requintado: a grosseria popular invade os costumes aristocráticos; na arte, ela aparece como espécie de folclorismo sabiamente estilizado, na poesia de Villon. Os costumes são brutais. Mas por esses pecadores rezam e cantam os monges e as beguinas, vozes da angústia religiosa de uma época de agonia espiritual. As formas musicais dessa civilização são a Missa e o Motete cantados, a capela, isto é, sem acompanhamento instrumental.

Parecem-se com as construções do gótico flamboyant, os paços municipais de Louvain e Audenarde, feitos como de rendas de pedra: arabescos e ornamentos infinitamente complexos. A ciência contrapontística dos mestres “flamengos” constrói catedrais sonoras, de complexidade sem-par em qualquer época posterior. A escritura é rigorosamente “linear”, "horizontal”, isto é, as vozes procedem com independência (enquanto na música “moderna” se sucedem acordes, "colunas verticais” de sons). É essa independência das vozes que, quando coincidem eufonicamente, produz a impressão de coros angélicos. Mas como temas musicais, que dão os nomes às Missas dos compositores, servem canções populares da época: Uhomme arme, Malheur me bat, Fortuna desperata... Se la face..., canções eróticas e até obscenas. Esse “populismo” não ilude. Não se trata de arte popular. Nas cidades flamengas e francesas está em plena decomposição o corporativismo medieval. Os mestres "flamengos” não são artesãos. São cientistas da música, exercendo uma arte que só o músico profissional é capaz de executar e compreender. As incríveis artes contrapontísticas de escrever até em 36 e mais vozes independentes, de inversão e reversão de temas, em “escritura de espelho” em “passo de caranguejo”, nem sempre parecem destinadas ao ouvido; a complexidade da construção só se revela na leitura. É música que menos se dirige aos sensos do que à inteligência. É arte abstrata.

O mar que banha aquela região franco-flamenga é o canal da Mancha. Do outro lado da Mancha, do país do cânon e "Sumer is i-cumen in", veio o primeiro grande contrapontista, o inglês John Dunstable (c. 1370-1453), ao qual já se atribui maior liberdade de invenção melódica que aos mestres da Ars Nova; que os leitores julguem conforme seu motete Quam pulchra es, que foi gravado em disco. Dunstable esteve esquecido durante séculos. Mas em seu tempo passava por compositor de grande categoria e mestre dos mestres “flamengos”. O primeiro verdadeiro ‘‘flamengo” é GuiNaume Dufay (c. 1400-1474) natural de Chimay, que esteve na Itália, como membro da capela papal; sua música corresponde, ao Norte dos Alpes, à Renascença do Quattrocento italiano. É contemporâneo dos Van Eyck; e certas obras recentemente reeditadas, como a Missa Se la face, seriam—pode-se imaginar— a música que os anjos cantam na parte superior do altar dos Van Eyck, na catedral de St. Bavo em Gent. Mas é uma ilusão.

Aqueles quadros ainda hoje têm o mesmo brilho de cores como no tempo em que foram pintados; sua importância não é só histórica, porque são de uma infinita riqueza espiritual. A música de Dufay é "mais rica” só em comparação com a dos seus predecessores; mas dá impressão de estranho, às vezes de bizarro. O mestre já domina as regras todas; ainda não sabe aproveitá-las para comunicar-nos sua emoção religiosa; ou então, nós outros já não sabemos apreciar-lhe os modos de expressão.

O mestre de todos os “flamengos” posteriores foi Johannes Ockeghem (c. 1430-1495), maestro da capela da catedral de Antuérpia e, depois, na corte do rei da França. Parece ter sido um grande professor; depois da sua morte, todos os músicos em posições de responsabilidade, na Bélgica, França e Itália, dedicaram elegias à sua memória; famosa é a Déploration d’Ockeghem, de Josquin Des Près. Elogiaram-lhe, sobretudo, a Missa cuiusvis toni, que pode ser transposta para todas as tonalidades, e o motete Deo gratias, para nada menos que 36 vozes. Foi um mestre de artifícios eruditos, de irregularidades inesperadas, de soluções novas. Sua música nos impressiona como sendo ainda mais arcaica que a dos Dunstable e Dufay, dir-se-ia mais gótica; afinal, foi ele que regia o coro naquele milagre de arquitetura gótica que é a Saint-Chapelle em Paris.

Chegamos a sentir mais vivamente com a arte de Jakob Obrecht (c. 1430-1505), regente de coro na catedral de Utrecht e, depois, na corte do Duque Ercole d’Este, em Ferrara. Sua Missa Fortuna desperata é obra que realmente lembra os Van Eyck; à arquitetura em torno do altar corresponderia seu gigantesco motete Salve crux, arbor vitae, uma catedral sonora em gótico flamboyant. Mas não convém exagerar. Toda essa música dos Dufay, Ockeghem, Obrecht só tem interesse histórico. Não poderá ser revivificada. O primeiro mestre ainda “vivo” na história da música ocidental é Josquin.

Josquin Des Près (c. 1450-1521) é, na música, o representante do Quattrocento. A historiografia romântica, confundindo as diversas fases da Renascença, gostava de compará-lo a Rafaelo, a Andrea dei Sarto, a Correggio, comparações que se encontram em escritos musicológicos da primeira metade do século XIX, em Fétis e em Ambros. Mas Josquin não tem nada de italiano; sua Renascença é nórdica, a das cidades de Flandres, Gent, Bruges; região de tão intensa vida estética como a Florença e Veneza do Quattrocento, mas inspirada por mais profunda religiosidade. A propósito da Ave Maria de Josquin, a 4 vozes, não nos ocorrem Rafaelo nem Correggio, mas as virgens humildes e secretamente extáticas de Memling; o De Projundis e o sombrio e incomparavelmente poderoso Grande Miserere nos lembram os anjos pretos que, nos quadros de Roger van der Weyden, voam como grandes aves da morte em torno da Cruz erigida em Gólgota. No entanto, Josquin esteve na Itália; mas não para aprender e, sim, para ensinar.

Ali, assim como na França, foi chamado de “Princeps musicae”; sua posição, no fim do século XV, parece ter sido a de Beethoven em nosso tempo. Mas comparações dessas nunca se referem ao estilo nem sequer ao valor. Pois este último não nos é completamente acessível. Essa música, com suas requintadíssimas artes contrapontísticas, com seus artifícios audaciosos na inversão e imitação das vozes por outras vozes, com as suas complexidades que não podem ser ouvidas, mas que só se percebem na leitura, essa música nos é permanentemente estranha. Já se aventuraram hipóteses: de que parte dessas obras não estaria destinada à execução, mas ao ensino; ou então, de que só poderiam ser executadas com acompanhamento do órgão, porque sem isso, os coros ficariam desorientados, caindo na confusão. Podemos admirar infinitamente obras como a complicadíssima Missa L’Homme armé, o salmo In exitu Israel, os grandiosos motetes Praeter rerum seriem (6 vozes), Hic in sidereo e Qui habitat in adjutório (24 vozes), que parecem dizer de um outro mundo, inefável. Mas para a nossa vida musical, na igreja ou na sala de concertos, só poucas obras de Josquin ainda têm atualidade: aqueles De Profundis e Ave Marta; a Missa Pange lingua, provavelmente a obra-prima de Josquin, de beleza angélica; a gloriosa Missa Une musique de Biscaye já ressuscitada em disco (Renaissance Chorus de Nova Iorque); e o sereno Stabat Mater (5 vozes), que está definitivamente reincorporado ao repertório das grandes associações corais. São obras de complexidade algo menor, que os coros modernos podem executar em puro estilo a capela, isto é, sem qualquer apoio das vozes humanas por instrumentos; e que revelam melhor o elemento novo da arte de Josquin: sua música comunica emoção religiosa, talvez já um pouco subjetiva. Mas não exageremos. O compositor não pode nem pretende exprimir musicalmente o conteúdo todo das palavras litúrgicas; pois as muitas vozes cantam, ao mesmo tempo, textos diferentes, dos quais um é quase sempre profano; e todas as palavras ficam incompreensíveis, como devoradas pelas colossais ondas sonoras. Na verdade, as palavras não significam nada para o compositor; são apenas o fundamento da arquitetura, construída com vozes humanas. É arte abstrata.

Muitos outros “flamengos” poder-se-iam citar, entre os contemporâneos e sucessores de Josquin; Fevin, La Rue, Gombcrt, Clemens non papa, Vaet, Hollander. Mas não adiantaria. Fora do círculo limitado dos musicólogos, são apenas nomes. Pelo menos, não será esquecido o do inglês Thomas Tallis (c. 1505-1585), compositor insular que ainda cultiva o estilo de Josquin quando já o tinham abandonado no continente europeu. Mas já são palestrinianas suas imponentes Lamentationes Jeremiae. Seu niotete Spem in alium e o Miserere (40 vozes) são imensas construções góticas, pedras de toque, até hoje, para a arte de cantar a capela dos coros ingleses".


As músicas estão lá no Telegram, no nosso canal específico sobre a História da Música.

15 de out de 2017

História da Música Católica (HMC) 3 - Origens - Século XIV




Para falar da maioria dos fatos da música cristã católica, pelo menos até por volta do século XX, vamos utilizar o livro "Uma nova história da música" de Otto Maria Carpeaux. Abaixo trago trechos do capítulo inicial com o nome de 'ORIGENS':



UMA NOVA HISTÓRIA DA MÚSICA - Otto Maria Carpeaux

ORIGENS

"Nossa literatura, nossas artes plásticas, nossa filosofia seriam incompreensíveis sem o conhecimento dos seus fundamentos greco-romanos. Mas não acontece o mesmo com a nossa música. Esse produto autônomo da civilização ocidental moderna não tem suas origens na Antiguidade que se costuma chamar clássica.

Quando muito, alguns germes da evolução posterior ficam escondidos num outro fenômeno musical, à maneira de documentos sepultados nos fundamentos de uma catedral ou outra construção multissecular. Esse fenômeno, de importância realmente fundamental, é o Coral Gregoriano, o cantochão, o canto Litúrgico da Igreja Romana. (P. Wagner, Emfuehrureindie Gregorianischen Melodien, 3 vols., Freibure, 1911-1921; J. P. Schmit, Geschichte des gregorianischen Choralgesanges, T rier, 1952).

Sem dúvida, escondem-se nas melodias do cantochão fragmentos dos hinos cantados nos templos gregos e dos salmos que acompanhavam o culto no Templo de Jerusalém. Não podemos, porém, apreciar a proporção em que esses elementos entraram no cantochão. Tampouco nos ajuda, para tanto, o estudo das liturgias que precederam a reforma do canto eclesiástico pelo Papa Gregório I: das liturgias da Igreja oriental; da liturgia galicana, já desaparecida; da liturgia ambrosiana, que se canta até hoje na arquidiocese de Milão; e da liturgia visigótica ou mozárabe que, por privilégio especial, sobrevive em algumas igrejas da cidade de Toledo. A única música litúrgica católica que conta para o Ocidente, é o Coral Gregoriano, a liturgia à qual Gregório I o Grande (590-604) concedeu espécie de monopólio na Igreja Romana.

O Coral Gregoriano não é obra do grande Papa. A atribuição a ele só data de 873 (Johannes Diaconus). Então, o que se cantava na Schola Cantorum de Roma já não era exatamente o mesmo como no fim do século VI. O cantochão sofreu, durante os muitos séculos de sua existência, numerosas modificações, quase sempre para o pior. Aos monges do mosteiro de Solesmes e a outros beneméritos da Ordem de São Bento deve-se, porém, em nosso tempo, o restabelecimento dos textos originais. São estas as melodias litúrgicas que se cantam, diariamente, em Solesmes e em Beuron, em Maria Laach e em Clervaux e em todos os conventos beneditinos do Velho Mundo e do Novo; e se cantarão, esperamos, até a consumação dos séculos. É a mais antiga música ainda em uso.

As. qualidades características do Coral Gregoriano são a inesgotável riqueza melódica, o ritmo puramente prosódico, subordinado ao texto, dispensando a separação dos compassos pelo risco, e a rigorosa homofonia: o cantochão, por mais numeroso que seja o coro que o executa, sempre é cantado em uníssono, a uma voz.

Nossa música, porém, é muito menos rica em matéria melódica; procede rigorosamente conforme o ritmo prescrito; e, a não ser a música mais simples para uso popular ou das crianças, sempre se caracteriza pela diversidade das vozes, sejam linhas melódicas polifonicamente coordenadas, sejam acordes que acompanham uma voz principal. Nossa música é, em todos os seus elementos, fundamente diferente do cantochão, que parece pertencer a um outro mundo. Realmente pertence, histórica como teologicamente, a um outro mundo; é a música dos céus e de um passado imensamente remoto.

Outra força “subversiva” foi a presença da música profana: a poesia lírica aristocrática dos Troubadours, cantada nos castelos, e a poesia lírica popular, cantada nas aldeias. Uma canção popular inglesa, guardada num manuscrito do começo do século XIII, o Cuckoo-Song ("Sumer is i-cumen in...”), é um cânone a 6 vozes, isto é, as 6 vozes entram sucessivamente, à distância de poucos compassos, com a mesma melodia. Evidentemente havia mais outras canções assim: ao cantochão Gregoriano, rigorosamente homófono, opõe o povo a polifonia; e esta entrará nas igrejas.

Aquele cânone é, não por acaso, uma canção de verão. Assim como nos célebres murais do Campo Santo de Pisa os eremitas e ascetas saem dos seus cubículos para respirar um ar diferente, assim começa também na música contemporânea o verão da alta Idade Média.

Essa música foi, mais tarde, chamada de Ars Antiqua. Mas "antiga” ela só é em relação a outra, posterior: a Ars Nova. No século XIII, Ars Antiqua era nova; é a arte que pertence à chamada "Renascença do século XIII”, florescimento das cidades e construção das catedrais, vida nova nas Universidades, tradução de Aristóteles e de escritos árabes para o latim e elaboração da grande síntese filosófica de São Tomás de Aquino.

Houve, dentro do Coral Gregoriano, o germe de uma evolução: a contradição entre a obrigação de acompanhar fielmente o texto litúrgico, à maneira de recitativo, e, por outro lado, a presença de tão rica matéria melódica, os “melismos” que se estendem longamente quase como coloraturas, sem consideração do valor da palavra. Essa contradição levaria à divisão das vozes: uma, recitando o texto: outra, ornando-o melodicamente. São essas as origens das primeiras tentativas de música polifônica, do Organum e do Discantus, detidamente estudados e descritos pelos historiadores; mas não nos preocuparão.

Os primeiros textos da Ars Antiqua foram encontrados na biblioteca da igreja de Saint-Martial, em Limoges. Mas o desenvolvimento dessa nova arte realizou-se na Schola Cantorum da catedral Notre-Dame de Paris. Registra-se a atividade de um magister Leoninus. Mas o grande nome da Ars Antiqua é seu discípulo e sucessor na direção daquela escola parisiense por volta de 1200, o magister Perotinus; na história da nossa música, é o primeiro compositor que sai da obscuridade do anonimato.

Várias obras de Perotinus encontram-se no manuscrito H196 da biblioteca da Faculdade de Medicina de Montpellier e no Antiphonarium Mediceum da Biblioteca Laurenziana em Florença. São obras de uma polifonia rudimentar, blocos sonoros rudes como as pedras nas fachadas românicas de catedrais que mais tarde foram continuadas em estilo gótico. A impressão pode ser descrita como “majestosamente oca”. A ligação rigorosa da segunda voz à melodia gregoriana não permite a diversidade rítmica. Algumas dessas peças curtas, Quis tibi, Christe e Sederunt príncipes, foram modernamente gravadas em discos.

O "imobilismo” da Ars Antiqua explica-se pela insuficiência do sistema de notação, atribuído ao monge Guido (ou Guittone) de Arezzo: todas as notas tinham o mesmo valor, a mesma duração, sem possibilidade de distinguir breves e longas. O primeiro grande progresso da Ars Nova, dos séculos XII e XIV, é o sistema mensurai, que já se parece com o nosso sistema de notação: permite distinguir notas longas e menos longas, breves e mais breves; permitiu maior e, enfim, infinita diversidade do movimento melódico nas diferentes vozes. É um progresso que lembra as descobertas, naquela mesma época, da ciência matemática, pelas quais são responsáveis eruditos como Oresmius e outros grandes representantes do nominalismo, dessa última e já meio herética forma da filosofia escolástica.

A Ars Nova não é, simplesmente, o equivalente do estilo gótico na arquitetura. Precisava-se de séculos para construir as grandes catedrais. Quando estavam prontas (ou quando as construções foram, incompletas, abandonadas), já tinha mudado muito o estilo de pensar e o estilo de construir. A Ars Nova já corresponde à elaboração cada vez mais sutil do pensamento filosófico e das formas góticas. Os grandes teóricos da Ars Nova, o Bispo Philippus de Vitry e os outros, elaboram com precisão matemática as regras da arte de coordenar várias vozes diferentes sem ferir as exigências do ouvido por dissonâncias mais ásperas. São as regras do contraponto.

Eis a teoria. Na prática da Ars Nova influiu muito a música profana, inclusive a italiana do Trecento, de interesse histórico, mas sem possibilidades de ser hoje revivificada. O grande compositor da Ars Nova é Guillaume de Machaut (c. 1310-1377), que foi dignitário eclesiástico em Verdun e Reims, enfim na corte do Rei Charles V da França. Seu nome só figurava, durante séculos, na história literária da França: como poeta fecundo, autor de ballades, rondeaux e outras peças profanas. Machaut também escreveu para essas poesias a música: a 3 ou 4 vozes, da mesma maneira e no mesmo estilo em que escreveu inotetes para 3 ou 4 vozes sobre textos litúrgicos. Uma obra de vulto e importância excepcionais é sua Messe du Sacre, escrita em 1367 para a coroação daquele rei na catedral de Reims. É uma data histórica. Machaut foi, parece, o primeiro que escolheu cinco partes fixas do texto da missa para pô-las em música: Kyrie, Gloria, Credo, Sanctus (com Benedictus) e Agnus Dei. Criou, dessa maneira, um esquema, uma forma musical de que os compositores se servirão, durante séculos, com a mesma assiduidade com que os músicos do século XIX escreverão sinfonias e quartetos. A Missa, naquele sentido musical, é a primeira grande criação da música ocidental; e a Messe du Sacre de Machaut é o primeiro exemplo do gênero. É a obra exemplar da Ars Nova, empregando as regras complicadas da arte contrapontística, sem evitar, porém, certas discordâncias sonoras que nos parecem, hoje, arcaicas ou então estranhamente modernas. É uma arte medieval, na qual se descobrem, porém, os germes de arte renascentista: é uma música que será autônoma. E o começo do ciclo de criação que em nossos dias acaba".

Para baixar e escutar as músicas relacionadas entre no nosso canal já citado nos posts anteriores relativos a este estudo da história da música católica.

14 de out de 2017

História da Música Católica 2 - Idade Antiga (Patrística)



Em continuação ao post anterior sobre a música nas Escrituras, trazemos agora a música no período Patrístico:

Os primeiros cristãos, como vimos, tinham o costume de cantar nas reuniões. Assim se seguiu em toda a história da Igreja. No período da Patrística também tivemos este aspecto marcante na vida dos cristãos primitivos. Vários relatos mostram que os mártires cantavam enquanto eram martirizados. Após o Edito de Milão em 313, que trouxe maior liberdade de culto aos cristãos, houve maior organização litúrgica e desenvolvimento da música entre os cristãos.

As influências da cultura grega resulta no oriente, o canto bizantino (grego), e no ocidente, o canto gregoriano (latim). Entre os padres da Igreja marcados pela música temos Santo Ambrósio de Milão, Santo Agostinho, São Gregório de Nazianzeno, São Basílio, São João Crisóstomo, entre outros.

Santo Agostinho reconhece a importância da música. Lembra das lágrimas que lhe caíam na catedral de Milão por causa dos cantos “não pelos seus acentos mas pelas palavras moduladas, pela sua justa expressão, pela pureza da voz”. Em outro momento ele diz que “cantar é próprio de quem ama”.

São Basílio ao falar do canto dos Salmos bíblicos, diz que a melodia é uma espécie de mel que Deus uniu ao medicamento (escritos bíblicos) para tornar mais fácil tomá-lo. Ele também fala que o ensinamento que se aprende de má vontade dificilmente permanece e o que se aprendeu com gozo e suavidade dura com mais firmeza em nosso espírito. E que o gozo melódico une-se à força da Palavra de Deus para fortalecer o cristão e levantar o homem caído. A música cristã neutraliza a força da música pagã. A música só traz benefícios à propagação do conhecimento da Palavra de Deus. A comunhão com o próximo é um dos frutos dos cantos na comunidade em oração: “o canto do salmo restabelece a amizade, reúne os que estavam desavindos, converte em amigos os que mutuamente se hostilizavam. Quem será ainda capaz de considerar como inimigo aquele com quem elevou uma só voz para Deus?

São João Crisóstomo em seus sermões diz que “os cantos são um grande atrativo para a nossa natureza, a ponto de secarem as lágrimas e calarem o pranto dos meninos de peito”. A respeito do poder da música ele diz que “Deus, vendo a indiferença de grande número de homens, que não têm afeição alguma à leitura das coisas espirituais e não podem suportar o trabalho sério do espírito que elas requerem, quis tornar-lhes este esforço mais agradável e tirar-lhes, inclusive, a sensação de fadiga”. O canto também imita e participa do louvor dos anjos na corte Divina. O canto coral gera comunhão e harmoniza diferenças sociais. São João Crisóstomo diz: “não há escravo, nem livre, nem rico, nem pobre, nem príncipe, nem súdito. Longe de nós essas desigualdades sociais: formamos todos um só coro, todos tomamos igualmente parte nos cânticos sagrados e a terra imita o céu”. Sobre o Salmo ele nos diz: "Cada verso dos salmos é suficiente para nos elevar a uma sabedoria eminente, reformar as nossas ideias e adquirir os maiores bens e, se meditamos atentamente sobre cada uma das palavras que o compõem, recolheremos disso frutos mais abundantes". "Tomai as palavras deste salmo como outras tantas pérolas para as conservar e meditá-las cuidadosamente em vossas casas. Repeti-o aos vossos amigos e às vossas esposas e, se a tribulação se apoderar da vossa alma, se sentis despertar em vós outro sentimento condenado pela razão, tende na vossa boca as palavras deste cântico divino".

Santo Atanásio também escreveu sobre a ação do Salmo no leitor orante: "a recitação repetida do salmo opera uma estruturação profunda do espírito do cantor, que contempla nas palavras dos salmos refletidos, como em espelho, os desejos e sentimentos do seu espírito".

Pseudo-Dionísio escreveu que “os cantos põem-nos em sintonia, primeiro como o nosso eu mais profundo; depois entre nós mesmos, e com os participantes na assembleia litúrgica; e desse modo, constituídos em um coro único de homens santificados, abrimo-nos aos mistérios sagrados”. No “uníssono dos cantos divinos, estamos em sintonia, não só com as realidades divinas, mas também conosco próprios, de tal modo que já não formamos senão um único e homogêneo corpo de homens santos”.

São Clemente de Alexandria escreveu que Deus "ordenou o próprio universo por medida e submeteu a dissonância dos elementos à disciplina do acorde, para se fazer do mundo inteiro uma harmonia". Também disse que Deus criou o homem e fez "entrar o seu sopro neste belo instrumento". Em outro momento escreveu que "toda a nossa vida cristã é sempre um dia de festa e por esse motivo trabalhamos nos campos cantando hinos e entoamos cantos de louvor ao Senhor enquanto navegamos".

O canto nas assembleias deve ter o sentido de comunhão, ressaltando o conhecimento das Escrituras e influenciando nos comportamentos morais, isto é, na vida de santidade e conversão. Os santos Padres corrigem desvios e dão orientações. Denunciam ritualismos exagerados, falta de entusiasmo celebrativo e ensinam que não se pode juntar ao belo e santo canto a estridente vivência dos maus costumes.

São Basílio diz que os fornicadores, ladrões, etc, “estes, parece que cantam, mas na realidade não cantam”. Antônio José Ferreira no seu artigo complementa: “O verdadeiro canto é o interior: o canto exterior é o seu rosto”. E cita São Basílio que diz: “Sem voz também é possível cantar desde que, internamente, vibre o espírito. Cantamos, não para os homens, mas para Deus que pode escutar os nossos corações e penetrar na intimidade da nossa alma”. Ao explicar a passagem de Efésios 5,19, São João Crisóstomo diz “O que significa ‘em vossos corações’? Significa com a inteligência. Não suceda que, enquanto a boca está a dizer as palavras, a mente divague por qualquer parte: para que a língua seja escutada pela alma”. Sobre a agitação ele diz que alguns “vêem-se num estado de contínua agitação, dir-se-ia com acessos de loucura; pelo menos, pode dizer-se que mostram costumes impróprios de um lugar sagrado (...). O vosso espírito está preocupado com o que ouvis e vedes nos teatros e trazeis para os ritos da Igreja o que lá se pratica. Esta é a origem desses gritos exagerados que nada significam... Será que as vossas mãos concorrem para a vossa súplica, quando as agitais em todos os sentidos, sem descanso? A que propósito vêm esses gritos violentos, que bem podem mostrar a força dos vossos pulmões mas nada significam? Ousais misturar as diversões demoníacas com os hinos dos anjos que glorificam a Deus?”.

São Basílio diz em outro momento: “A língua cante e a mente trate de conhecer o sentido das palavras cantadas, para cantares com o espírito e também com a tua mente". Há uma prioridade da palavra e do canto interior sobre a melodia e a voz. Santo Agostinho disse: "A voz que se dirige aos homens é o som; a voz que se dirige a Deus é a piedade". Em outro momento escreveu: "não podereis experimentar a verdade do que cantais, se não começardes a praticar o que cantais".

Os Santos Padres denunciam o poder sedutor da música idolátrica e a imoralidade dos cantos pagãos. Antônio José Ferreira no seu artigo 'As fontes bíblico-patrísticas da música litúrgica' escreve: "Embora muitos cristãos frequentassem os espetáculos e teatros pagãos, contra a vontade dos pastores, recebendo uma influência prejudicial que se repercutia na vida cristã e na própria liturgia, não se pede aos cristãos que abandonem o canto, mas que o acolham como eco existencial da Palavra de Deus. São João Crisóstomo convida os pais e as mães a ensinarem os salmos aos filhos e a utilizá-los em casa. O canto como que permite ruminar a Palavra, prolongando a celebração nas diferentes situações da vida, tornando-se um 'estímulo eficaz para o culto existencial do cristão'. Os Padres fazem recomendações aos cantores e insistem nas atitudes pessoais de atenção e assimilação. Salientam 'com expressões musicais de grande beleza a existência como lugar primordial do culto cristão, assim como a necessária conexão entre liturgia e vida'. Canto interior e canto exterior exigem-se mutuamente".

Segundo Basurko, Santo Ambrósio de Milão e São Gregório de Naianzeno dizem que "são precisamente os salmos cantados entusiasticamente por toda a assembleia que convertem as largas horas das vigílias noturnas em momentos de verdadeiro prazer espiritual".

Diante de tudo isso vemos a importância do canto do povo, um canto que sai da alma para melhor mergulho nos mistérios divinos. Terminamos com uma frase de Santo Ambrósio que diz que o canto litúrgico é "bênção do povo, louvor de Deus, celebração da assembleia, harmonia universal, expressão de todos, profissão harmoniosa da fé, devoção magnífica, alegria da liberdade, grito de festa, explosão de alegria".

13 de out de 2017

História da Música Católica 1 - A Música nas Escrituras


Irmãos, vou começar aqui a publicar uma seção somente sobre a história da música católica. Somente alguns textos principais. Porém quem quiser acompanhar mais de perto entre no nosso canal no Telegram criado especificamente para isso que lá vamos publicar bem mais coisas junto com áudios das músicas, vídeos e outros materiais que julgarmos necessário. Para entrar no canal no Telegram, esse é o link: https://t.me/joinchat/AAAAAEQ6bx2TPo2AIkdvYA. Qualquer problema com esse link, me contata no Telegram pelo @alessandroger. Vamos ao texto inicial:

O ser humano é intrinsecamente religioso. Não existiu na história dos povos antigos nenhum registro de algum povo “ateu”. Todos tinham seus mitos e religião. Deus colocou no coração do homem o desejo de buscá-lo.

A música sempre cumpriu um papel importantíssima no culto, na religião, na adoração. Todo cristão verdadeiro busca crescer espiritualmente. Se ama a Deus sinceramente busca conhece-lo, saber quem é esse Deus, como ele pensa, como agradá-lo. Quem ama sai do seu egoísmo e busca servir o amado. Para isso, o cristão tem que iniciar sua aventura em busca de subir o monte da contemplação para alcançar graus altos de espiritualidade e contemplação mística. É a busca do humilde. O soberbo põe desculpas e isola-se na sua mediocridade. O humilde busca transcender-se e alcançar o Deus que o chama. A música sempre teve parte na busca de um verdadeiro culto a Deus na história.

Encontramos indícios do uso da música desde mais ou menos 3.500 anos antes de Cristo (a.C.) em países como a China, Palestina, Pérsia, Egito e Babilônia. Pranchas de argila encontradas em tumbas antigas revelam um pouco da história da música. Se houvessem nos restado documentos antigos, que infelizmente são destruídos pela ação do tempo, talvez constataríamos que a música tem a mesma idade da raça humana. O mais antigo instrumento musical encontrado até o momento é a Flauta de Hohle Fels com datação aproximada de 35.000 anos atrás.

Na bíblia temos mais de 600 referências musicais. Listo aqui somente algumas observações mais importantes sobre a música na bíblia:


  • O relato da criação que abre o Gênesis é um texto de uma música sagrada cantada na sinagoga judaica.
  • No livro de Gênesis, capítulo 4, versículo 21 lemos que Jubal era o pai de todos aqueles que tocavam a cítara e os instrumentos de sopro.
  • Houveram músicas quando Moisés, Arão e Miriã conduziram o povo hebreu em sua saída do Egito (Êxodo 15).
  • Débora e Baraque cantaram a vitória que o Senhor os havia concedido (Juízes 5).
  • Em Samuel e seu discipulado profético havia o cultivo da música (1 Samuel 10,4).
  • Em 1 Crônicas há pormenores que revelam a função primordial da música no serviço no templo.
  • Com o Rei Davi, chamado de “o suave cantor de Israel”, a música alcança grande prestígio. O livro dos Salmos são cânticos bíblicos expressando toda a alma do povo de Deus e a ação de Deus na história.
  • Há vários cânticos espirituais no antigo e no novo. Os mais conhecidos são o Magnificat da Virgem Maria e o Benedicto do pai de São João Batista.
  • Os anjos ao anunciarem o nascimento de Cristo entoaram cantos.
  • Jesus e os discípulos entoavam cantos. Cantaram ao sair do Monte das Oliveiras. Paulo e Silas cantaram na prisão.
  • São Paulo nos deixou escrito: “É o que se dá com os instrumentos inanimados de música, por exemplo a flauta ou a harpa: se não produzirem sons distintos, como se poderá reconhecer a música tocada? Se a trombeta só der sons confusos, quem se preparará para a batalha? Assim também vós: se vossa língua só profere palavras ininteligíveis, como se compreenderá o que dizeis? Sereis como quem fala ao vento. (...) Então que fazer? Orarei com o espírito, mas orarei também com o entendimento; cantarei com o espírito, mas cantarei também com o entendimento. (...) Em suma, que dizer, irmãos? Quando vos reunis, quem dentre vós tem um cântico, um ensinamento, uma revelação, um discurso em línguas, uma interpretação a fazer - que isto se faça de modo a edificar" (1Cor 14,7-9.15); "Recitai entre vós salmos, hinos e cânticos espirituais. Cantai e celebrai de todo o coração os louvores do Senhor. Rendei graças, sem cessar e por todas as coisas, a Deus Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo!” (Ef 5,19-20); “A palavra de Cristo permaneça entre vós em toda a sua riqueza, de sorte que com toda a sabedoria vos possais instruir e exortar mutuamente. Sob a inspiração da graça cantai a Deus de todo o coração salmos, hinos e cânticos espirituais. Tudo quanto fizerdes, por palavra ou por obra, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai.” (Col 3,16-17).
  • São Tiago em sua carta nos exorta: “Alguém entre vós está triste? Reze! Está alegre? Cante.” (Tg 5,13).
  • No Apocalipse temos o relato de grandiosos cânticos na glória celestial: Harpas, trombetas, vários instrumentos, coros celestiais de anjos e santos (Apocalipse capítulos 5, 14, 19, e outros). O silêncio algumas vezes é visto como sinal de luto, tristeza, justiça divina e destruição (Ap 18, 21-22). Vários textos apocalípticos do antigo testamento e dos evangelhos também falam de sinais sonoros e música no Dia do Senhor ou Volta de Cristo.


No próximo post traremos a música na visão dos Santos Padres da Igreja. E no nosso canal no Telegram já vamos publicar várias músicas. Grande abraço.

9 de out de 2017

Ciclo Temporal Católico



Irmãos, poucos sabem mas o católico possui um ciclo temporal de meditação, vivência e oração. Esse ciclo varia entre ciclos anuais, mensais, semanais e até em horas do dia. O tempo da Graça, o Kairós, deve ser vivido de forma atenta. Descuidar do tempo é enterrar o principal talento que Deus nos deu. O tempo é o talento que deve ser posto em ação para gerar mais frutos e é dele que prestaremos contas no julgamento particular.

Devido a essa importância, venho listar aqui algumas informações sobre o ciclo temporal de vivência de um católico.



ANUAL/MENSAL

A primeira observação é com relação ao ciclo de três anos em que nossa liturgia percorre para leitura de todos os livros da Bíblia: ANO A, ANO B e ANO C. 2017 é um ano predominantemente no ciclo ANO A, 2018 ANO B, 2019 ANO C, 2020 volta para o ANO A e assim sucessivamente...

Temos os tempos litúrgicos que são tempos fortes de mergulho nos mistérios da nossa salvação. Abaixo segue uma figura que resume de forma bem simples o ano litúrgico:


Junto ao ano litúrgico, popularmente, foi-se construindo temáticas mensais para meditação e reflexão popular. Abaixo eu listo algumas temáticas que reuni e que será muito útil para quem deseja viver tempos fortes de reflexão e oração nos principais temas cristãos:






SEMANAL/DIÁRIO

Também popularmente houve uma certa cultura popular que unida à algumas recomendações da Igreja, definiu-se temáticas semanais para sua devoção particular. Abaixo segue um quadro sobre os dias da semana:




HORAS DO DIA

Durante ao longo do dia também nos é proposto algumas horas específicas para oração. A liturgia das horas é uma fonte rica de oração baseada em textos oriundos da Sagrada Tradição e das Sagradas Escrituras, especialmente os Salmos. Abaixo segue uma descrição dos horários e o nome específico de cada:


  • Ofício das Leituras: Pode ser rezado em qualquer horário do dia, mas geralmente faz-se de manhã junto com a Laudes. Aqui temos leituras bíblicas e da Tradição, salmodia e algumas orações.
  • Laudes: É a primeira oração do dia. Geralmente ao nascer do sol. Oração de louvor agradecendo a Deus mais um dia e começo do trabalho.
  • Horas Médias: As horas médias são compostas de três horários distintos com seus nomes específicos: 1)Hora Terça que é rezada às 09:00h; 2) Hora Sexta que é rezada às 12:00h; e 3)Hora Nona ou Noa que é rezada às 15:00h, costumeiramente chamada hora da paixão.
  • Vésperas: São as orações do fim da tarde e início da noite, geralmente recomendada para o pôr do sol. Agradecimento pelo fim do dia.
  • Completas: Para ser rezada à noite em preparação para dormir. Faz-se o ato de contrição entre outras orações.



Temos alguns sites e aplicativos de celular que disponibilizam a liturgia das horas para consulta os quais vou colocar os links no final deste post. Quero focar aqui em dois canais que te será muito útil para te notificar para as horas de oração, lembretes para os temas da semana e os temas mensais:



  • Twitter Liturgia das Horas: https://twitter.com/OficiodasHoras; Perfil no Twitter onde você pode seguir e acionar o sininho das notificações para ser avisado em cada publicação para não perder as horas de oração, as principais orações das horas em mp3, liturgia do dia, santo do dia e lembretes dos temas diários e mensais para meditação.

  • Bot "Orações Diárias" no Telegram: https://telegram.me/orar_bot; Ferramenta privada no Telegram para você receber as mesmas notificações do perfil do Twitter mencionado acima e ainda você pode solicitar o terço em latim e outras coisas mais que vamos implementando devagar.



Pessoal, estes dois canais que citei acima é uma evolução do caminho que estamos trilhando para viver a vida de oração que a Igreja e os santos recomendam e compartilhar isso com vocês. Qualquer dúvida, crítica ou sugestão podem entrar em contato comigo no Telegram: https://telegram.me/alessandroger.

Deus te abençoe! Shalom!







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Obs.: Segue abaixo alguns canais para a liturgia das horas:
Ibreviary
Arquivos em pdf
Comunidade Liturgia das Horas
Festas Litúrgicas
Oração de Hora fixa
Sobre o Ofício Divino
O tempo de uma vida em pedaços





6 de out de 2017

Brevíssima história do Rosário




Dia 7 de Outubro é o dia de Nossa Senhora do Rosário. Por isso fiz um levantamento para quem desejar conhecer a história desta santa devoção. Abaixo trago um texto com um brevíssimo resumo da história e no final indico alguns links e livros para quem deseja aprofundar. O Rosário foi construído ao longo de anos de tradição mística, não nasceu completo como o conhecemos hoje num dia só, por uma única pessoa. Conhecer sua história é valorizar a riqueza da nossa Santa Tradição.




Por João César das Neves (Professor UCP):

"O Nascimento do Rosário O Rosário é uma oração cuja origem se perde nos tempos. A tradição diz que foi revelado a S. Domingos de Gusmão (1170-1221), numa aparição de Nossa Senhora, quando ele se preparava para enfrentar a heresia albigense. Parece não haver muitas dúvidas de que o Rosário nasceu para resolver um problema importante dos novos frades mendicantes. De facto, os franciscanos e dominicanos estavam a introduzir um novo tipo de ordem religiosa no século XII, em alternativa aos antigos monges, sobretudo Beneditinos e Agostinhos. Estes, nos seus mosteiros, rezavam todos os dias os 150 salmos do Saltério. Mas os mendicantes não o podiam fazer, não só por causa da sua pobreza e estilo de vida, mas também porque em grande parte eram analfabetos. Assim nasceu, nos dominicanos, o Rosário, o “saltério de Nossa Senhora”, a “Bíblia dos pobres”, com 150 Avé-Marias.

Mas é preciso dizer que, nessa altura, não havia ainda a Ave Maria. Já desde o século IV se usava a saudação do arcanjo S. Gabriel (Lc 1, 28) como forma de oração, mas só no século VII ela aparece na liturgia da festa da Anunciação como antífona do Ofertório. No século XII, precisamente com o Rosário, juntam-se as duas saudações a Maria, a de S. Gabriel e a de S. Isabel (Lc 1, 42), tornando-se uma forma habitual de rezar. Em 1262 o Papa Urbano IV (papa de 1261-1264) acrescenta-lhes a palavra “Jesus” no fim, criando assim a primeira parte da nossa Ave Maria. Só no século XV se acrescenta a segunda parte de súplica, tirada de uma antífona medieval. Esta fórmula, que é a actual, torna-se oficial com o Papa Pio V (1566-1572). Grande reformador no espírito do concílio de Trento (1545-1563), S. Pio V é o responsável pela publicação do Catecismo, Missal e Breviário Romanos surgidos do Concílio, que renovam toda a vida a Igreja. Foi precisamente no Breviário Romano, em 1568, que aparece pela primeira vez na oração oficial da Igreja a Avé-Maria.

A Batalha de Lepanto e a festa de Nossa Senhora do Rosário O contributo de S. Pio V, um antigo dominicano, para a história do Rosário não se fica por aqui. O grande reformador criou também o último grande momento da antiga Cristandade, a unidade dos reinos cristãos à volta do Papa. Os turcos otomanos, depois do cerco e queda de Constantinopla em 1453, o fim oficial da Idade Média, e das conquistas de Suleiman, o Magnífico (1494-1566, sultão desde 1520), estavam às portas da Europa. Dividida nas terríveis guerras entre católicos e protestantes, a velha Europa não estava em condições de resistir. O perigo era enorme. Além de apelar às nações católicas para defender a Cristandade, o Papa estabeleceu que o Santo Rosário fosse rezado por todos os cristãos, pedindo a ajuda da Mãe de Deus, nessa hora decisiva. Em resposta, houve um intenso movimento de oração por toda a Europa. Finalmente, a 7 de Outubro de 1571 a frota ocidental, comandada por D. João de Áustria (1545-1578), teve uma retumbante vitória na batalha naval de Lepanto, ao largo da Grécia. Conta-se que nesse mesmo dia, a meio de uma reunião com os cardeais, o Papa levantou-se, abriu a janela e disse “Interrompamos o nosso trabalho; a nossa grande tarefa neste momento é a de agradecer a Deus pela vitória que ele acabou de dar ao exército cristão”. A ameaça fora vencida. Este foi o último grande feito da Cristandade. Mas o Papa sabia bem quem tinha ganho a batalha. Para louvar a Vitoriosa, ele instituiu a festa litúrgica de acção de graças a Nossa Senhora das Vitórias no primeiro domingo de Outubro. Hoje ainda se celebra essa festa, com o nome de Nossa Senhora do Rosário, no memorável dia de 7 de Outubro.

A partir de então, o Rosário aparece em múltiplos momentos da vida da Igreja. Já no fresco do Juízo Final, pintado por Miguel Ângelo (1475-1564) na Capela Sistina do Vaticano de 1536 a 1541, estão representadas duas almas a serem puxada para o céu por um Terço. São as almas de um africano e de um asiático, mostrando a universalidade missionária da oração".

A Imaculada Conceição rezou o Terço com Bernadette Soubirous (1844-1879) nas aparições de Lourdes em 1858. O Papa Leão XIII, “Papa do Rosário”, (como lhe chama a recente Carta Apostólica Rosarium Virginis Mariae do Papa São João Paulo II, n.º 8) dedicou mais de 20 documentos só ao estudo desta oração, incluindo 11 encíclicas.

O Beato Bártolo Longo (1841-1926) é um os grandes divulgadores do Rosário, como o refere a recente Carta Apostólica (n.º 8, 15, 16, 36, 43). Antigo ateu, espírita e sacerdote satânico, depois da sua conversão viu na intercessão de Nossa Senhora a sua única hipótese de salvação. Sendo advogado, em 1872 deslocou-se à região de Pompeia por motivos profissionais e ficou chocado com a pobreza, ignorância, superstição e imoralidade dos habitantes dos pântanos. Entregou-se a eles para o resto da vida. Arranjou um quadro da Senhora do Rosário, que fez vários milagres e criou em 1873 a festa anual do Rosário, com música, corridas, fogo de artifício. Construiu uma igreja para essa imagem, que se veio a tornar no Santuário de Nossa Senhora do Rosário de Pompeia. Fundou uma congregação de freiras dominicanas para educar os órfãos da cidade, escreveu livros sobre o Rosário e divulgou a devoção dos «Quinze Sábados» de meditação dos mistérios.

Outro grande momento da divulgação do Terço é, sem dúvida, Fátima. “Rezar o Terço todos os dias” é a única coisa que a Senhora referiu em todas as suas seis aparições. A frase repete-se sucessivamente, quase como uma ladainha, manifestando bem a sua urgência e importância. Na carta do Dr. Carlos de Azevedo Mendes, num dos primeiros documentos escritos sobre Fátima, afirma-se “Como te disse examinei ou antes interroguei os três em separado. Todos dizem o mesmo sem a mais pequena alteração. A base principal que de tudo, o que me dizem, deduzi é «que a aparição quer que se espalhe a devoção do Terço»”

A história do Rosário não pode terminar sem referir um momento decisivo desta evolução. A escolha do Papa João Paulo II de celebrar as suas bodas de prata pontifícias com o Rosário, acrescentando-lhe os cinco mistérios luminosos, é um marco importante na devoção. Mas a ligação do Papa a esta oração não é de hoje, como ele mesmo diz na Carta: “Vinte e quatro anos atrás, no dia 29 de Outubro de 1978, apenas duas semanas depois da minha eleição para a Sé de Pedro, quase numa confidência, assim me exprimia: «O Rosário é a minha oração predilecta. Oração maravilhosa! Maravilhosa na simplicidade e na profundidade.»”(n.º 2)"


(Fonte: http://www.agencia.ecclesia.pt/noticias/dossier/uma-breve-historia-do-rosario-da-virgem-maria/)



Para um maior aprofundamento recomendo:

O Rosário - A sua origem e a sua intenção primordial - Site dos monges Cartuxos

Livro "A História do Rosário" - Anne Vail - Edições Loyola

Livro "História do Rosário" - Emanuele Giulietti - Editora Paulus

Capítulo sobre uma breve história do Rosário do livro "O Rosário de Nossa Senhora" do Padre João Medeiros Filho

Carta Apostólica Rosrium Virginis Mariae





30 de ago de 2017

A verdade em ser Igreja





PAPA SÃO JOÃO PAULO II


São João Paulo II: “Devemos defender a verdade a todo custo, mesmo que voltemos a ser somente doze.”




PAPA BENTO XVI


Jornalista: "O senhor está preocupado com a perda de fiéis pela Igreja nos últimos anos?”

Papa Bento XVI: “A Igreja não perdeu nenhum fiel. Aqueles que se foram nunca foram fiéis católicos realmente. Não se pode perder o que nunca se teve. Os que deixaram a Igreja eram indecisos, curiosos ou pessoas que estavam apenas ‘cumprindo uma obrigação’ passada por seus pais ou avós. Os que vêm e vão não pertencem ao Corpo Místico de Cristo, que é a Igreja na Terra. Da mesma maneira, os que são católicos mas ainda não estão na Igreja, infalivelmente chegarão ou retornarão a ela no devido tempo. A Igreja, Casa e Família de Deus, surgiu como um pequeno grupo; não importa a quantidade, e sim a qualidade dos seus filhos, como cristãos conscientes e santificados.”







"Despojemo-nos das ações das trevas e vistamos as armas da Luz" Rm 13,12
CEFAS, oriundo do nome de São Pedro apóstolo, significa também um Acróstico: Comunhão para Evangelização, Formação e Anúncio do Senhor. É um humilde projeto de evangelização através da internet, buscando levar formação católica doutrinal e espiritual.