07 abril 2022

09 Resumo do 1º Módulo

 



Os três primeiros posts foram sobre o módulo de introdução. O restante deles foram o primeiro módulo que focou principalmente na mudança do nosso ser em Cristo.


A moral do novo testamento não quer só nos transformar de forma ética, muito mais que isso, quer nos fazer criaturas novas em Cristo.


A vida espiritual é a base de tudo. Sem essa vivência é impensável conhecer ou começar a viver a moral cristã. 


Vimos que o Ágape é o fundamento da prática moral cristã. É algo muito maior e mais profundo do que filantropia. É um mergulho no Amor de Deus, por Deus, um amor impregnado de sentimento e atos. Ao conviver com os maus, não podemos permitir que nosso amor seja eclipsado.


Em Tito 3,5 vimos que Cristo nos salvou pelo banho da regeneração e a renovação do Espírito Santo por pura misericórdia e não por causa dos nossos atos.


Em 2 Coríntios 4,16 vimos que, ainda que o nosso exterior se arruíne, nosso interior se renova dia a dia. Estamos num processo contínuo de rejuvenescimento espiritual. Um tipo de juventude interior, espiritual, conferindo cada vez maior garra e vitalidade à vida cristã.


Em Mateus 18,3 vemos que quem não se converter e se tornar como uma criança não pode entrar no Reino. Essa 'infância espiritual' não é uma opção para o Cristão, mas condição básica para entrar e viver no Reino de Deus.


Em 1 Pedro 2 vimos a exortação de despojar das nossas práticas más e como crianças desejar o leite puro de Deus. Devemos crescer em pureza, simplicidade, inocência, candura, alegria, etc. Esse 'ser criança' não é uma regressão. Pode parecer ao mundo um tipo de retrocesso, mas para Deus é um crescimento, uma grandeza espiritual. Essa condição inversa sempre há entre as coisas de Deus e do mundo.


Em 1 Coríntios 2,6 vemos que entre os perfeitos se fala sobre a sabedoria de Deus, um mistério escondido pelos séculos e revelado à nós que verdadeiramente o buscamos e oculto a todos os outros que estão fora dessa comunhão divina.


Em Hebreus 5 vemos a exortação do autor de que pelo tempo de conversão e pelo que nos foi revelado, já devíamos ser mestres. Mas infelizmente ainda temos necessidade de 'leite espiritual', quando já deveríamos ter esse crescimento espiritual e estarmos nos alimentando de 'sólidos espirituais'. Ele fala aqui do perigo da infantilidade de maturidade humana no crescimento espiritual. Essa infantilidade humana e psicológica é danosa e por vezes um obstáculo à infância espiritual. Pode gerar uma soberba que nos distanciará cada vez mais do coração de criança de que Jesus falava de forma espiritual.


Em 1 Coríntios 3,1 vemos que quem é carnal é infantil humanamente, ou seja, é imaturo. Porque vive no mundo dos sentidos, refém das suas paixões e ainda não é senhor de si para submetê-lo a Deus, como uma criança se submete ao pai. Torna-se como uma criança desobediente e birrenta. A quem é carnal não é possível uma comunicação no nível espiritual.


Em 1 Coríntios 2,4 e 14 vemos que a pregação de Paulo não se fundamenta na sabedoria humana. O homem carnal não consegue entender as coisas do espírito. O espiritual é superior, julga tudo e não pode ser julgado por ninguém. Lembremos que os cristãos julgarão o mundo.


Em Efésios 4,13 aprendemos que devemos buscar o estado de adulto espiritual no sentido do amadurecimento em assumir Cristo em plenitude em nossa vida. De forma espiritual esse amadurecimento não retira as virtudes da infância espiritual, mas as sublima.


Na realidade de Deus, o humilde é que é o grande, o soberbo é que é o medíocre. Sem buscar essa grandiosa pequenez que Deus quer de nós, nossa moral se tornará uma ética pagã, falsa, hipócrita e medíocre.


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06 abril 2022

08 Filiação Divina

 



Em Cristo nós somos elevados à condição de Filhos de Deus, nos ensina São Paulo em Gálatas 4,4.


Em Romanos, o mesmo São Paulo nos revela que todos os que se deixam conduzir pelo Espírito Santo são filhos de Deus. Que recebemos o espírito de adoção filial do qual nos faz clamar "Abba, Pai". O Espírito Santo se une ao nosso espírito, atestando que somos filhos de Deus. Testifica no nosso espírito esse estado de filiação divina, de herdeiros de Deus e co-herdeiros em Cristo.


A herança que Jesus merece, nós também recebemos por participação. No direito greco-selêucida, somente os parentes legítimos poderiam receber herança. Só o fato de Deus nos tratar como filhos já seria fantástico, mas não só nos trata, como realmente nos faz filhos, de fato. Somos filhos em sentido real, não é um termo metafórico. Os pais adotivos não conseguem infundir seu sangue nos adotados, o que Deus faz conosco é muito mais profundo que isso. É na dimensão espiritual que é superior à do sangue.


Em João 1,11 nos diz o evangelista que a quantos receberam o Verbo, receberam o poder de se tornarem filhos de Deus. Essa filiação divina é maior que a filiação de sangue. Deus coloca o mesmo Espírito do seu Filho em nós. Somos filhos no Filho, por natureza. Ele é o Primogênito de muitos irmãos, nos diz a Escritura. Uma vez que Jesus se encarnou, nós somos pertença dele e só por Ele temos a salvação, a evolução do nosso estado humano para o divino.


Em Hebreu 12 somos exortados a não vender, como Esaú, nossa filiação divina por causa de pecados torpes. Como animais, pagãos que não conhecem o evangelho. O filho do rei não pode se comportar como um mendigo. Devemos, como Jacó, buscar, querer, desejar ardentemente, sem cessar, a bênção do Pai que nos faz abençoados e herdeiros do seu reino.


Na carta de São Tiago 1,18 nos é esclarecido que essa graça de filiação divina não é uma espécie de novo título ou condecoração. Ele realmente nos recria, nos refaz, realiza em nós uma obra nova, somos Nele, nova criatura, gerados em Cristo. Em 1,21 vemos que a Palavra, o Verbo, Cristo, uma vez implantado como semente em nós é capaz de nos salvar.


Em 1 Pedro 1,23 o primeiro papa nos diz que nascemos de novo mediante a Palavra de Deus para sempre. Essa palavra é o próprio Cristo, como lhe foi ensinado por Jesus na parábola do semeador.


Confirma a nós a 1ª carta de São João 3,9 quando diz que a semente de Deus em nós não nos deixa pecar, Cristo e seu Espírito.


E principalmente a segunda carta de Pedro, capítulo 1 onde nos revela que essa graça em Cristo nos torna participantes da natureza divina. Tudo isso por graça.


No discurso de São Paulo no Areópago relatado no livro dos Atos dos Apóstolos vemos que ele diz que somos da 'raça de Deus'.


Na sua carta aos Efésios aprendemos que somos familiares de Deus. Tudo através de Cristo. É nele que fomos resgatados de carne podre para filiação divina.


No evangelho de João, capítulo 3, Jesus diz que quem não nascer de novo não poderá ver o reino de Deus. Que devemos nascer da água e do espírito. Que é preciso nascer de novo pelo Espírito de Cristo. O termo grego refere-se à gestação. É preciso passar por um novo processo de transformação. Passar pelo novo nascimento é a base de tudo. É preciso viver essa novidade na vida concreta. 


Quem experimenta essa vida nova não deve mais conseguir conviver como um pagão novamente, voltando ao pecado. Principalmente o grave. O batismo ritual só não basta. É preciso vivê-lo, torná-lo vivo por atos e em verdade, viver num tipo de sinergismo. No monergismo, somente Deus opera e o homem não faz nada. O movimento é em uma via só, mono. Se assim fosse, bastava batizar Herodes para torná-lo um 'São Paulo'. Sabemos que não é assim que funciona. Por isso falamos em sinergismo. No sinergismo há uma ação divina, mas há uma cooperação com a graça da nossa parte, uma busca por viver dignamente como batizado.


Todo ano litúrgico passamos por uma quaresma, para, na páscoa, renovarmos nossas promessas batismais. É preciso se converter verdadeira e constantemente. Rememorar a ação de Deus na história e em nossas vidas e colocar nossas ações à luz de sua santa vontade. Um exame de consciência constante e necessário.


A maioria das pessoas se comportam como Esaú, vendendo sua filiação divina por prazeres efêmeros para ser escravo do pecado novamente, uma escravidão que nos faz escravos diretamente do diabo. É preciso ter essa chave de mudança de vida. Mudança de mentalidade, mudança espiritual, mudança comportamental.


O porco lavado volta à sujeira, o cão ao vomitar, volta a comer o seu  vômito, mas o gato uma vez, sujo, vai limpar-se. Fica incomodado até ver-se limpo novamente. O cristão nascido de novo busca a santidade e foge do pecado. Essa é a sua nova natureza. É preciso uma mudança de mentalidade. Tem muita gente precisando nascer de novo dentro e fora da igreja, até padres e bispos... Não há exclusivismo. Todos estamos debaixo das mesmas condições. Assim como o judeu por ser judeu não lhe faz ser filho de Abraão, assim o católico deve fazer por onde para ser fiel ao estado a que é chamado e consagrado.


É preciso comportar-se como recebedor dessa graça extraordinária que nos salva: nascer da água e do Espírito.


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05 abril 2022

07 Recebereis o Dom do Espírito Santo

 


Em Atos dos Apóstolos, capítulo 2, São Pedro diz aos que perguntavam o que se deveria fazer para mudarem de vida, se converterem:

"Arrependei-vos, sejam batizados e recebereis o Dom do Espírito Santo".

Esse Dom do Espírito Santo pode significar duas coisas:

  • Uma dádiva do Espírito Santo, um dom, uma graça oriunda dele; ou
  • A própria pessoa do Espírito Santo como Dom excelso dado a nós.
Em Romanos 8,9 São Paulo nos diz que quem não tem o Espírito de Cristo, não pertence a Ele. Só podemos receber o Espírito Santo em Cristo. Pelo santo batismo nós pertencemos a Jesus e por isso possuímos o Espírito Santo, pela promessa de Cristo.

Em 1 Coríntios 6,17 aprendemos que quem se une a Cristo, se torna um só espírito com Ele. É uma união a nível espiritual com a participação de uma terceira pessoa: Deus Espírito Santo, que se une a Cristo Deus e à nossa alma.

Em João 14 Jesus diz que se o amarmos, seremos capazes de guardar seus mandamentos (que é a fé e a caridade) e que Ele pedirá ao Pai, que nos dará outro Paráclito (aquele que está junto, ao lado, protegendo, guardando, advogando).

Precisamos nos tornar homens dominados pelo Espírito Santo. 

O Espírito Santo é o sopro de vida e energia vital da moral na Igreja. Ele é a fonte da moralidade. É Ele que nos inspira, motiva, exorta, guia, corrige e orienta. Ele é o impulso da nossa conduta, se nos tornarmos homens espirituais.

Aprendemos em 1 Coríntios 15,45 que o primeiro Adão recebeu vida. Cristo, o segundo Adão, dá a vida, pelo Espírito Santo.

Somos chamados a ser pneumáticos, homens espirituais.

Em 1 Coríntios 2,14 São Paulo nos diz que o que é psíquico (almático, com princípios humanos) não aceita o que é do Espírito de Deus, pois lhe parece loucura. São coisas que só podem ser avaliadas espiritualmente.

O homem espiritual avalia tudo e não é avaliado por ninguém. Ele tem o pensamento de Cristo, porque está dentro dele.

O homem natural não consegue perdoar. 

O homem espiritual não consegue guardar mágoa e às vezes nem nota as ofensas.

O homem natural não consegue ficar parado na oração.

O homem espiritual tem dificuldade de ser retirado da oração.

O homem natural busca a vida toda satisfazer a carne.

O homem espiritual mortifica a carne com alegria. Seu prazer está em algo superior, pois busca a amizade divina, as coisas celestiais.

Somos batizados para termos o Espírito de Cristo, para ser uma força transformadora em nossa vida.

A Tito, São Paulo ensina que Cristo nos salvou por sua misericórdia mediante o banho da regeneração (batismo) e pela renovação do Espírito Santo. As misericórdias do Senhor são a renovação contínua do Espírito Santo em nossa vida.

Ainda em Tito, em 2,11-12, São Paulo nos diz que somos tirados do mundo profano, da impiedade e das paixões carnais. A igreja é a comunidade daqueles que foram resgatados do mundo.


Em Efésios 4,13 está que o batismo nos insere no corpo de Cristo, a Igreja. Cristo está nos cristãos. O próprio Senhor diz isso à Paulo perseguidor, na queda que gerou sua conversão. E os cristãos estão em Cristo. Os cristãos foram incorporados nele por sua Igreja que é o seu corpo. Eklesia, do grego, significa convocação. Igreja não é povo que se organiza, é o Corpo de Cristo, convocado por Deus, um chamado divino para reunir-se preparando-se para o céu.


Em Gálatas 3 vemos que quem foi batizado se revestiu de Cristo e se tornam todos juntos uma só coisa.


Em 1 Coríntios 12,13 compreendemos que fomos batizados num só Espírito para formar um só corpo. Não existe cristianismo isolado, individualista. Tem que ser membro da Igreja. Servir a Deus 'do meu jeito', não é o que o Evangelho nos ensina. Assim com para fazer parte de um país é preciso ser repatriado, na igreja é preciso do batismo.


Aprendemos em Efésios 2,19 que já não somos estrangeiros, nem forasteiros, mas concidadãos dos santos, e familiares de Deus. Membros da família de Deus, A Igreja é a família de Deus.


Em Hebreus 12,22-24 lemos que nós nos aproximamos do céu, dos santos, de Cristo, dos anjos, da cidade celeste, de Deus mesmo. Não dá pra pensar no evangelho sem pensar na Igreja. Jesus não deixou nenhum livro, deixou uma igreja. A igreja é a coluna e o fundamento da verdade.


O projeto de Deus na terra passa por sua igreja. A igreja tem problemas sim, mas tem um caráter sobrenatural. Jesus quis a igreja. As desilusões com o falso testemunho de muitos cristãos leva muitas pessoas a se afastarem da igreja buscando uma vida espiritual isolada, mas essa vida espiritual não é possível viver de forma isolada, segundo nos ensina todo o novo testamento.


Não existe moral no novo testamento ou salvação sem considerar a igreja. O que nos vincula historicamente a Cristo é a igreja. 


Que tenhamos um verdadeiro amor à Igreja impulsionados pelo Espírito Santo com a mente de Cristo em nós.


Falar do Espírito Santo é falar da Igreja. Os dois são unidos por definição de Cristo. A missão do Espírito Santo é habitar na Igreja. Por isso dizemos: "Creio no Espírito Santo, na Santa Igreja Católica, na comunhão dos santos, na vida eterna, amém."


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27 março 2022

06 Batismo

 



Continuação do post 05


Em Atos 2,38 temos os judeus perguntando "o que devemos fazer?" a Pedro, sobre o que deveriam fazer de concreto para assumir essa vida nova. A resposta é simples: batismo e arrependimento.


Ser batizado no nome de Jesus significa passar para a autoridade de Jesus Cristo (como se passava um terreno no nome de alguém). É uma definição de posse por Jesus Cristo, de pertença a Ele.


Fomos transferidos, em Cristo, para o Reino do Amor de Deus. Há uma transformação total. Somos chamados de cristãos porque pertencemos a Jesus Cristo. 


No capítulo 1 da carta aos Coríntios, Paulo corrige a comunidade confirmando nossa posse por Cristo. Ser batizado significa pertencer a Cristo. A partir do batismo nós compartilhamos a mesma vida e a morte de Cristo.


Devemos assumir essa vida nova dos filhos de Deus. Onde assumimos um tipo de morte para o mundo e o pecado. O batismo impõe para nós uma novidade de vida. O pecado não pode nos dominar. Somos inimigos do pecado. Jesus é o nosso Senhor. Não podemos mais servir a dois senhores. Não pode haver comunhão entre a luz e as trevas, entre Cristo e Belial.


Não é necessário gastarmos tempo em justificações detalhadas para mostrar a imoralidade de um pecado a uma pessoa. Um cristão só precisa de Cristo, e tudo que não persiste debaixo do senhorio de Cristo não deve ser aceito. Se Jesus não aprova, eu não aprovo. Se Jesus não aprova tal procedimento, eu não aprovo. Não podemos viver uma vida dupla, senão nos auto excluímos do estado de graça da vida cristã.


Com Jesus ou é tudo, ou nada. O evangelho não é distração, não é brincadeira. Nós somos salvos à medida que nos entregamos a essa salvação. Ou ela nos abraça por inteiro ou não flui em nossa vida. Se isso não é uma realidade concreta na nossa vida, precisamos urgente de arrependimento, de metanoiá.



Continua no post 07

26 março 2022

05 Metanoiá e Arrependimento

 


Continuação do post 04


Jesus não promoveu uma reforma do judaísmo. Jesus promoveu um movimento totalmente novo (remendo novo em roupa velha...). O cristianismo, a boa nova, o evangelho pregado por Cristo (vinho ou remendo novo) deve ser assumido por um cristão que assume uma vida nova (odres novos, roupa nova). Não se deve adequar a vida velha ao evangelho de Cristo, mas deve haver uma verdadeira conversão, mudança, metanoiá de vida.


A lei do Antigo Testamento não pode nos salvar. Só Cristo nos salva. É preciso entender os princípios fundamentais da fé cristã. 


O anúncio de Jesus "arrependei-vos e crede no evangelho", é essa metanoiá, que somos chamados a vivenciar concretamente em nossa vida. Literalmente significa 'pensar depois', ou seja, uma mudança de pensamento. Uma mudança que ultrapassa o modo antigo de pensar, com novos 'paradigmas'. Um arrependimento da velha forma de pensar assumindo uma nova mentalidade. 


Sem esse arrependimento concreto não há conversão, não há vida nova, não há cristianismo. Na segunda carta de Coríntios 7,9 nos diz sobre uma tristeza gerada pelo arrependimento, uma tristeza que gera vida. É preciso haver essa tristeza pelos pecados em nós. Se não houver isso, não há um verdadeiro arrependimento. É diferente da tristeza do mundo que gera morte. A tristeza do mundo, do demônio, gera morte, gera desespero. A tristeza do Espírito Santo gera vida, gera arrependimento e esperança. 


Há uma moda atual de 'paparicar' o pecador. De forma a macular o evangelho para tentar satisfazer gostos pagãos. O início do cristianismo nos mostra um movimento totalmente inverso a isso. Hoje se procura apresentar um evangelho 'açucarado', com a desculpa de atrair almas para a conversão. Podemos dizer que realmente atrai, mas não gera uma verdadeira conversão, já que se deformou o evangelho que deveria ser apresentado intacto como é, para que esse remendo novo gerasse uma transformação no indivíduo. Sabemos que nem todos se deixam fazer-se 'roupa nova'. Isso faz parte do processo. Mas hoje se quer multidão, preocupam-se demasiadamente com números e não com qualidade. Isso é o inverso do que vemos no Novo Testamento. Um fato inegável.


O arrependimento profundo e sincero é essencial para uma verdadeira conversão. Veja o discurso memorável de São Pedro em Pentecostes (Atos 2). Esse método açucarado não exige arrependimento, mas tenta apresentar o evangelho como uma novidade mais vantajosa que o mundo, usando como critérios de comparação, os mesmos prazeres e misérias do mundo. Onde está a vida nova nisso tudo?


O sacramento do batismo é intrinsecamente ligado ao arrependimento. Não é apenas um ritual ou um símbolo. Ele é necessário para a salvação segundo as palavras do próprio Cristo.


O cristão é alguém que produz frutos de acordo com a nova mentalidade cristã assumida. Não é uma vida de conforto e segurança. Deve-se mudar de pensamento com foco na vida eterna, que busca juntar tesouros no céu. Minha prioridade agora é conhecer cada vez mais a Jesus, buscar vivê-lo, servir o próximo, testemunhar o evangelho. Quer-se dar a vida por Cristo, quer-se salvar almas por amor a Jesus. 


A metanoiá tem que se manifestar externamente. Deve gerar frutos. Temos que ter a coragem de confrontar a carne, o mundo e o demônio. Não podemos fugir do arrependimento, do confronto.


O nosso objetivo não é ser feliz nessa terra. Um dos slogans atuais da turminha do evangelho açucarado é: 'se te faz feliz não é pecado'. É um pensamento sem vergonha. É preciso arrependimento. Não basta 'amar' com o amor mundano. É preciso amar com o amor de Cristo que é dar a vida por Deus e sua Igreja.


O rito do batismo de João Batista era um rito de arrependimento somente, cujo símbolo era a lavagem nas águas do Jordão. O próprio João Batista diz que Jesus é quem nos batizaria no Espírito Santo e no fogo (juízo). Esse fogo significa o juízo. A Palavra de Deus nos diz que todos seremos salvos passando pelo fogo. O batismo de Jesus confere uma vida nova. Veja Romanos 6. O batismo é em Cristo, no Espírito Santo. A água utilizada é um meio, um instrumento visível para sinalizar as ações sobrenaturais que ali estão acontecendo.




Continua no post 06



25 março 2022

04 Metanoiá e o Batismo

 



Continuação do post 3


A disciplina da Teologia Moral sempre foi mais direcionada aos confessores. É uma ciência complexa. Se divide em três partes:

  1. Moral Fundamental (fim último, virtudes, consciência, atos humanos, hábitos, vícios, lei moral, pecado, potências operativas, graça, etc)
  2. Moral Especial (Tipo 1: Mandamentos de Deus e da Igreja e/ou Tipo 2: Virtudes teologais e cardeais)
  3. Moral Casuística (que estuda a aplicação da moral em casos concretos).
A proposta deste estudo é analisar os fundamentos essenciais da moral fundamental a partir do Novo Testamento, já que a Sagrada Escritura é a fonte primária da revelação, da teologia.

Duas dificuldades nós encontramos na leitura bíblica: 
  1. Dificuldade vocabular. Dificuldade dos autores usarem as palavras adequadas para descreverem as revelações sagradas. É um trabalho difícil. A inspiração do Espírito Santo não cancela a necessidade dos autores em aplicar as palavras humanas adequadas para explicar as graças, verdades e revelações que estão além dos termos linguísticos limitados. Tentar explicar, às vezes, o inexplicável.
  2. Dificuldade de entender o espírito por trás da letra. Não basta ter acesso aos dados dicionarizados das palavras. A análise etimológica dos termos não é suficiente para explicar adequadamente a revelação. É necessário ter acesso à realidade que permeia o texto. E esse acesso à realidade não é uma realidade qualquer. É uma revelação divina. Que age somente nos que se entregam a Ele. Não basta o estudo crítico, é preciso uma profunda vivência cristã.
Vamos citar como exemplo, a palavra 'Ágape'. Somente analisar os termos da literatura profana para entendimento correto do termo não vai ser suficiente, não vai explicar o uso profundo do termo pela experiência dos apóstolos. Eles trouxeram um recheio teológico novo em tudo o que diziam e faziam, baseado na realidade do Novo Testamento, à realidade espiritual que está acontecendo no coração, na vida de cada cristão e na comunidade, na igreja primitiva.
Somente é o Cordeiro quem abre os selos do livro da vida, segundo nos diz o Apocalipse. Sem Cristo não entendemos nada. 

Temos que considerar também a complexidade de estilo de escrita de cada livro bíblico. Diferentes palavras e termos foram usados para falar da mesma realidade, às vezes, muito difícil de ser explicada. 

Algumas normas no Antigo Testamento caíram e outras não. Porque isso? Não é tão simples responder a essa pergunta, mas não há relativismo nessa questão. Há vários tipos de normas no Antigo Testamentos. Há normas, preceitos rituais e judiciais que caíram de obrigação no cristianismo (mulher com fluxo de sangue considerada impura, preceitos sociais locais direcionados àquele povo específico, etc). Mas os preceitos morais não caíram. Há quem possa pensar que alguns preceitos morais caíram por abolição, mas na verdade sofreram um aperfeiçoamento. O próprio Senhor deixou claro isso no sermão da montanha em Mateus.

Um apontamento importante a se fazer, é que não foi Moisés quem libertou o povo da escravidão. Foi Deus quem substituiu a servidão do povo ao ditador Faraó, para que eles servissem ao Deus vivo. Houve uma troca de servidão. Com uma diferença: o povo seria de Deus e Deus seria do seu povo. Uma relação de mútua doação, posse e entrega.

Nessa relação Deus pede ao israelita para meditar sem cessar o amor a Deus com toda a sua alma, com toda a sua força, de todo o coração. É preciso fazer lembrança contínua e levar aos filhos e toda a geração desse pacto, dessa aliança de amor. Para isso a oração, a declaração diária. É um povo que pertence a Deus e que precisa lembrar constantemente para não esquecer isso.

Após o exílio, o estudo da lei fica reservado apenas a algumas pessoas, autoridades e especialistas. Isso leva a um judaísmo com um moralismo insano. Jesus vai denunciar essa hipocrisia dos fariseus que são fruto direto do monopólio da palavra de Deus na época. Daí nascem as tradições humanas do Talmude e da Cabala.

Jesus não foca nas práticas externas, mas na excelência da prática a partir de dentro. Tem que começar dentro e transbordar fora, e não o contrário. É de dentro que vêm os males. Deve-se começar a tratar de dentro.

A lei, segundo a carta aos Gálatas, foi um educador que nos trouxe até Cristo. A partir de Cristo, quando fomos renovados por sua Graça, a fé imprime a lei em nossa alma, conforme promessa em Jeremias 31,33; Deus gravará sua lei em nossos corações, nossas entranhas. A fé infunde em nós os princípios dessa lei. Em Gálatas 2, 19-20 temos um texto marcante onde nos revela que Cristo é a nossa nova lei, Jesus é a norma, a nova Torá. Ou seja, Cristo é a medida, meu princípio moral.

Em Filipenses 1,27 temos São Paulo nos dizendo que a partir de agora temos que nos comportar de acordo com o evangelho de Cristo. É uma nova vida, uma nova mentalidade, um novo comportamento, uma nova cultura a ser vivida. Isso começa de dentro de cada um e faz uma revolução na sociedade. Em Efésios 1,10 temos também São Paulo nos afirmando que devemos resumir todas as coisas em Cristo, restaurar todas as coisas Nele. 

Cristo é o Ágape em pessoa. Ele capitula a moral e os mandamentos (Rm 13,9). A Eucaristia era chamada de Ágape, ou seja, Cristo é o Amor. Em Hebreus 10,29 temos o alerta de que há um castigo severo a quem der as costas à Cristo, a quem renegar esse amor incrível, gratuito e generoso. Tal ingratidão é algo imperdoável.

A moral do novo testamento é centrada mais nas virtudes do que nos mandamentos. O homem do velho testamento tinha que reprimir suas paixões para cumprir uma lei. O homem do novo testamento tem que libertar-se das amarras desse mundo para exprimir Cristo em sua nova vida.




Continua no post 05


24 março 2022

03 O que o Espírito diz às Igrejas

 



Continuação do post 2



A restauração


Ao perder a conexão com a fonte que é Jesus Cristo e seu evangelho, corremos o risco de viver uma religião moralista. O que caracteriza fundamentalmente a nossa religião não é a moral, mas o kerigma. O que nos salva é o que Jesus realizou por nós. 


O esoterismo é uma Mística sem moral. O cristianismo é uma Mística com moral. A moral tem sua posição importantíssima.


O decreto do Concílio Vaticano II sobre a formação sacerdotal nos remete a beber das fontes do cristianismo, o essencial para a vida cristã. Aperfeiçoar a Teologia Moral com a Teologia das Escrituras.


Ensinar a moral, a lei, sem a conectar profundamente com Cristo não gera verdadeiro compromisso com os mandamentos no povo, principalmente na situação catastrófica em que estamos com essa revolução cultural.


A Teologia precisa estar mais "banhada" das escrituras, não só para voltar às raízes, mas para as pessoas reconhecerem profundamente o grandioso chamado universal à santidade.


O Concílio deixou claro que a evolução Mística é para todos, e não só a alguns vocacionados. Há uma relação profunda entre a Teologia Moral e a Teologia Mística.


A Teologia Moral foi muito marcada por um jurisdicismo e individualismo. É preciso voltar às raízes. E encontrar nelas os fundamentos para soluções dos complexos problemas modernos.


Abaixo listo o resumo das temáticas que serão estudadas por mês:

Módulo 1 - março 

O novo nascimento. O que é a conversão, a metanoia e a importância do batismo. 


Módulo 2 - abril

Graça e Glória. 


Módulo 3 - maio

Pecado e justificação. 


Módulo 4 - junho

A fé e a fidelidade. 


Módulo 5 - julho

Esperança e escatologia


Módulo 6 - agosto

Ágape, caridade


Módulo 7 - setembro

Formação da consciência


Módulo 8 - outubro

Liberdade


Módulo 9 - novembro

Nossa transformação em Cristo. Imitar Jesus pelos santos. 


Módulo 10 - dezembro

Síntese moral do novo tratamento que nos projeta para uma vida de santidade.


Continua no post 4


"Despojemo-nos das ações das trevas e vistamos as armas da Luz" Rm 13,12
CEFAS, oriundo do nome de São Pedro apóstolo, significa também um Acróstico: Comunhão para Evangelização, Formação e Anúncio do Senhor. É um humilde projeto de evangelização através da internet, buscando levar formação católica doutrinal e espiritual.