30 de set de 2008

Liturgia Diária!!!

Terça-feira, dia 30 de Setembro de 2008
S. Jerónimo, presbítero, cardeal, Doutor da Igreja, séc. IV



Comentário ao Evangelho do dia feito por
Santo Agostinho : «Recusaram-se a acolhê-lo, porque se dirigia para Jerusalém»

Leituras

Job 3,1-3.11-17.20-23.
Por fim, Job abriu a boca e amaldiçoou o dia do seu nascimento.
Tomou a palavra e disse:
«Desapareça o dia em que nasci e a noite em que foi dito: 'Foi concebido um
varão!'
Porque não morri no seio da minha mãe ou não pereci ao sair das suas
entranhas?
Porque encontrei joelhos que me acolheram e seios que me amamentaram?
Estaria agora deitado em paz, dormiria e teria repouso
com os reis e os grandes da terra, que constroem mausoléus para si;
com os príncipes que amontoam ouro e enchem de dinheiro as suas casas.
Ou como um aborto escondido, eu não teria existido, como um feto que não
viu a luz do dia.
Ali, os maus cessam as suas perversidades, ali, repousam os que esgotaram
as suas forças.
Por que razão foi dada luz ao infeliz, e vida àqueles para quem só há
amargura?
Esses esperam a morte que não vem e a procuram mais do que um tesouro;
esses saltariam de júbilo e se alegrariam por chegar ao sepulcro.
Porque vive um homem cujo caminho foi barrado e a quem Deus cerca por todos
os lados?


Salmos 88(87),2-3.4-5.6.7-8.
SENHOR, meu Deus e salvador, eu clamo em tua presença, dia e noite.
Chegue junto de ti a minha oração, inclina o teu ouvido à minha súplica.
minha alma está saturada de males e a minha vida chegou às portas da morte.

Estou no rol dos que descem à sepultura, sou um homem já sem forças.
Estou abandonado entre os mortos, como os defuntos que jazem no sepulcro,
de quem Tu já não te lembras, uma vez sacudidos da tua mão.
Lançaste-me na cova mais profunda, na escuridão do abismo.
Pesa sobre mim a tua indignação, humilhas-me com tantas aflições.


Lucas 9,51-56.
Como estavam a chegar os dias de ser levado deste mundo, Jesus dirigiu-se
resolutamente para Jerusalém
e enviou mensageiros à sua frente. Estes puseram-se a caminho e entraram
numa povoação de samaritanos, a fim de lhe prepararem hospedagem.
Mas não o receberam, porque ia a caminho de Jerusalém.
Vendo isto, os discípulos Tiago e João disseram: «Senhor, queres que
digamos que desça fogo do céu e os consuma?»
Mas Ele, voltando-se, repreendeu-os.
E foram para outra povoação.


Da Bíblia Sagrada



Comentário ao Evangelho do dia feito por

Santo Agostinho (354-430), bispo de Hippone (Norte de África) e doutor da Igreja
Sermão sobre o Salmo 64

«Recusaram-se a acolhê-lo, porque se dirigia para Jerusalém»

Há duas cidades; uma chama-se Babilónia, a outra Jerusalém. O nome de
Babilónia significa «confusão»; Jerusalém significa «visão de paz». Olhem
verdadeiramente a cidade de confusão para melhor conhecerem a visão de paz;
suportem a primeira, aspirem à segunda.

O que é que permite distinguir estas duas cidades? Podemos desde já separar
uma da outra? Elas estão mescladas uma na outra e, desde o aparecimento do
género humano, encaminham-se assim até ao fim dos tempos. Jerusalém nasceu
com Abel, Babilónia com Caim... As duas cidades materiais foram construídas
mais tarde, mas elas representam simbolicamente as duas cidades imateriais
cujas origens remontam ao início dos tempos e que devem durar aqui em baixo
até ao fim dos séculos. O Senhor então separá-las-á, quando puser uns à sua
direita e outros à sua esquerda (Mt 25,33)...

Mas há qualquer coisa que distingue, mesmo agora, os cidadãos de Jerusalém
dos cidadãos de Babilónia: são dois amores. O amor a Deus faz Jerusalém; o
amor ao mundo faz Babilónia. Perguntem quem amam e saberão de onde são. Se
acharem que são cidadãos de Babilónia, arranquem da vossa vida a cobiça,
plantai em vós a caridade; se acharem que são cidadãos de Jerusalém,
suportai pacientemente o cativeiro, tende esperança na vossa libertação.
Com efeito, muito cidadãos da nossa santa mãe Jerusalém (Ga 4,26) estavam
de início cativos de Babilónia...

Como pode despertar-se em nós o amor a Jerusalém, nossa pátria, da qual a
duração do exílio nos fez perder a lembrança? É o próprio Pai quem, a
partir de lá, nos escreve e reaviva em nós pelas suas cartas, que são as
Santas Escrituras, a nostalgia do regresso.




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