6 de out de 2008

Entrevista com Ziza Fernandes

Musicoterapia, uma ciência dedicada a tratar a psique do ser humano usando a música como instrumento.

Há 10 anos formada em musicoterapia, a cantora e missionária Ziza Fernandes fala sobre sua experiência nesta área e explica como esta profissão auxilia no trabalho que realiza, hoje, parelelo à sua carreira de cantora.

Profissionalmente, Ziza não atua nesta área, mas, indiretamente, utiliza algumas ferramentas da musicoterapia quando auxilia cantores, locutores e outros profissionais da voz a aperferçoar o trabalho que exercem. Ainda baseada em sua formação, a missionária escreveu um livro que se chama "Voz, expressão da vida".

Para explicar um pouco mais sobre esta forma de tratamento, Fernandes diz que, Cada pessoa tem uma coisa que se chama iso sonoro, ou seja, uma "caixinha preta" que tem no cérebro da pessoa com todos os sons que ela já ouviu durante toda a vida dela. É um histórico sonoro.

“Assim como na psicologia existe a linha junguiana, freudiana e a logoterapia; da mesma forma, a musicoterapia se adequa às linhas psicológicas. O musicoterapeuta precisa de uma base intelectual para o seu trabalho; mais do que isso, uma linha filosófica para aquilo que vai fazer”, salientou a cantora.
cancaonova.com: Ter vocação para cantar é suficiente para cantar bem?


Ziza Fernandes: Depende. Uma pessoa pode cantar muito bem tecnicamente, mas você vai ouvi-la como um apito de trem. Existem muitos cantores, mas eu acho que a vocação para cantar faz uma diferença enorme para o cantor, porque ele transmite mais do que uma voz bonita, há algo muito maior dentro dele. Eu acredito, realmente, que uma voz boa tem que vir vinculada a uma vida vocacional.

cancaonova.com: Além de cantora, você é musicoterapeuta. O que é musicoterapia e qual a importância dela?

Ziza Fernandes: A musicoterapia é uma ciência dedicada a tratar a psique do ser humano usando a música como instrumento. Quando fazemos terapia, passamos por um processo verbal, ou seja, conversamos sob as direções que o psicólogo nos dá verbalmente. Na musicoterapia, isso acontece da mesma forma, mas as consignas dadas pelo terapeuta são musicais, sonoras, rítmicas. A musicoterapia é muito voltada, especialmente no Brasil, para os deficientes que não têm comunicação verbal, não conseguem falar direito ou têm paralisia cerebral. Enfim, há inúmeros casos de problemas psicológicos e físicos que deterioram a capacidade de comunicação do ser humano e essas pessoas precisam de tratamento, de terapia para organizar os seus afetos e a sua realidade interior.

cancaonova.com: Você ainda se dedica a este trabalho?

Ziza Fernandes: Indiretamente, porque eu trabalho com voz e escrevi um livro que se chama "Voz, expressão da vida". Gosto muito de trabalhar com cantor, com locutor e outros profissionais da voz. Neste trabalho, eu uso algumas ferramentas da musicoterapia, mas não atuo profissionalmente, porque, para ter um consultório e trabalhar como terapeuta, é preciso ter uma vida muito mais estável na sua própria cidade. Esse não é o meu caso, porque eu viajo demais e a minha prioridade é cantar. Eu adoro cantar, vou morrer velhinha e cantando.

cancaonova.com: No tratamento com musicoterapia, apenas músicas de evangelização são utilizadas?

Ziza Fernandes: Não. Cada pessoa tem uma coisa que se chama iso sonoro, é como uma "caixinha preta" que tem no cérebro da pessoa com todos os sons que ela já ouviu durante toda a vida dela. É um histórico sonoro; nele, está tudo o que essa pessoa já experimentou musicalmente. Por isso, quando fazemos alguém passar por um processo musicoterapêutico, precisamos respeitar a história dela, que pode ter sertanejo, forró, samba, música clássica... depende muito de cada um.

A música em si, neste momento, é vista como um dado científico, uma informação para tratamento do paciente.

O musicoterapeuta não tem direito a preconceito musical; ele precisa ter acesso a toda musicalidade possível, porque ele não pode garantir que tipo de paciente vai entrar no consultório dele. Nesse momento, o histórico da pessoa é o que ele tem para trabalhar.



cancaonova.com: Apenas profissionais podem explicar esta técnica ou pessoas comuns podem faze-las por si só?

Ziza Fernandes: Não, só o profissional mesmo, porque há um objetivo específico. Eu, por exemplo, trabalhei com crianças – de 0 a 6 anos – hiperativas, surdas ou violentadas pelos pais. Não é qualquer pessoa que pode trabalhar com uma criança dessa. Não é um trabalho que alivia emocionalmente a pessoa, mas organiza a psique dela; é diferente.

cancaonova.com: Existem tipos diferentes de terapias com músicas?

Ziza Fernandes: Existem linhas diferentes. Assim como na psicologia existe a linha junguiana, freudiana e a logoterapia; da mesma forma, a musicoterapia se adequa às linhas psicológicas, porque você precisa de uma base intelectual para o seu trabalho; mais do que isso, uma linha filosófica daquilo que você vai fazer. É preciso ter um caminho traçado e, por causa dessas linhas terapêuticas diferentes, existe uma abordagem diferente, mas as ferramentas musicoterapeutas são as mesmas.

cancaonova.com: Pacientes portadores de deficiências físicas, sensoriais e síndromes genéticas podem ser beneficiadas com a musicoterapia?

Ziza Fernandes: Todas as deficiências e normalidades podem ser beneficiadas com um tratamento musicoterapêutico, porque você se coloca à disposição de um profissional que quer fazer bem para você, quer ajudá-lo a se organizar por dentro. Um paralisado cerebral, por exemplo, em estado grave, é uma pessoa que não consegue se comunicar e dizer se está se sentindo bem ou não, consciente ou não; mas, às vezes, pela música, ele consegue reagir muito mais e se comunicar. É o caso do Hebert Viana [vocalista do Paralamas do Sucesso], por exemplo, que, depois do acidente, no qual a esposa dele faleceu, ele não se lembrava de nada. Ele não se recordava do nome dos filhos, da família, nada da história dele; mas, se você colocasse uma guitarra na mão dele, o Hebert cantava todas as músicas dos Paralamas de cor, fazia os solos, tudo. Então, percebeu-se que havia um lugar no cérebro dele que não havia sido danificado, porque a música passa a ser inconsciente na pessoa. Não é preciso pensar para ouvir música; quando se percebe, já ouviu. É diferente de outros sentidos que colocamos em ação.




Um comentário:

  1. Gostei. É bom que todos saibam i poder da musicalização, principalmente quando é voltada para o Cristo.

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