26 de out de 2008

Viagem espiritual do povo de Deus, convite do Sínodo

Apresentação do arcebispo Gianfranco Ravasi

CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 24 de outubro de 2008 (ZENIT.org).- O Sínodo sobre a Palavra de Deus, que será encerrado neste domingo, apresentou uma mensagem ao Povo de Deus na qual convida a empreender uma «viagem espiritual». A carta, redigida pelo arcebispo Gianfranco Ravasi, presidente do Conselho Pontifício para a Cultura, que na assembléia sinodal desempenhou o cargo de presidente da Comissão para a Mensagem, desenvolve-se «em quatro etapas», para descobrir, viver e anunciar a Palavra.

A viagem, entretecida de figuras bíblicas e literárias, começa com a primeira etapa, «A voz da Palavra: a Revelação»; apresenta depois «O rosto da Palavra: Jesus Cristo»; ilustra depois «A casa da Palavra: a Igreja»; assinala, por último, «Os caminhos da Palavra: a missão».

O projeto da mensagem havia sido apresentado por Dom Ravasi em 18 de outubro. O texto suscitou acordo imediatamente em dois pontos: é um dos textos mais belos redigidos por um Sínodo e é muito longo.

Segundo o próprio Dom Ravasi explicou antes de ler a versão definitiva nesta sexta-feira, nestes dias recebeu 52 mensagens de padres sinodais que lhe pediram que mantesse a redação da mensagem, com pequenos retoques.

Os prelados, em suas notas, explicam que querem utilizar esta mensagem para escrever sua carta pastoral, para retiros a sacerdotes e para cursos de catequistas.

Mas para que a mensagem possa ser lida mais facilmente, a assembléia sinodal sugeriu publicar uma versão mais breve, redigida por Dom Ravasi em duas páginas, que não tem caráter oficial, ainda que seja distribuída pela secretaria geral do Sínodo dos Bispos.

«É um texto com paixão, com pathos», reconheceu Dom Ravasi, justificando este estilo por seu gênero literário – mensagem ao povo de Deus – e porque «a aproximação da Palavra de Deus deve ser calorosa, não só exegética ou teológica».

Aos padres sinodais, antes da leitura definitiva, o prelado italiano deixou esta chave de leitura, citando Søren Kierkegaard: «Como um enamorado lê uma carta de sua amada, assim tendes de ler a Escritura... A Bíblia foi escrita para mim».

A mensagem foi acolhida por um aplauso compartilhado, que sancionou a aprovação por parte da assembléia.

Entre as citações bíblicas, a mensagem recolhe os grandes temas que foram constantemente abordados nesta assembléia e que terão um impacto direto na Igreja dos próximos anos.

«Nossa fé não tem só um livro no centro, mas uma história de salvação e, como veremos, uma pessoa, Jesus Cristo, Palavra de Deus feita carne, homem, história», começa explicando.

O texto supera o dualismo entre exegese e teologia, assim como entre exegese e magistério, constatando que «o conhecimento exegético tem de entrelaçar-se indissoluvelmente com a tradição espiritual e teológica, para que não se quebre a unidade divina e humana de Jesus Cristo e das Escrituras».

O texto impulsiona com energia a catequese, a homilia – que deve ter uma «linguagem nítida, incisiva e substancial» –, o laço íntimo entre a Palavra e a Eucaristia, assim como a Lectio Divina, leitura orante da Bíblia no Espírito Santo.

A última etapa da mensagem sobre a missão quer fazer de cada batizado um missionário da Palavra, em seus ambientes, no diálogo com os crentes de outras religiões, e em particular no mundo da cultura e da arte, onde a Bíblia foi «o grande código».

A mensagem conclui transmitindo o agradecimento do Sínodo aos «estudiosos, aos catequistas e outros servidores da Palavra de Deus», assim como aos «perseguidos ou assassinados por causa da Palavra».

Um comentário:

  1. Desde muito cedo, se fizeram traduções da Bíblia, ou partes dela (sem o consentimento papal), mas isso só vingou a partir do monge católico Martinho Lutero.

    Porquê?!
    É que antes de Lutero, só era permitido ler ou consultar a tradução da Bíblia chamada de Vulgata Latina, da autoria de Jerónimo.
    Nessa altura, practimente só clero é que entendia o latim.
    Foi movida um autentica perseguição (como que caça às bruxas) a todos os que se atreviam a traduzir a Bíblia. O mesmo aconteceu a todos os possuiam uma tradução da Bíblia que não fosse a Vulgata Latina de Jerónimo.
    As pessoas apanhadas em flagrante eram mortas, queimadas, tortoradas até à morte.
    Este martírio prolongou-se durante vários séculos de catolicismo. O prémio que as pessoas recebiam da igreja católica por traduzirem a biblia ou mesmo por a ler, numa tradução diferente da estapurada Vulgata (ela não teve culpa, mas o hipocritamente respeitado clero) eram condenados a um tipo de morte tão dura e sofrida para que isso servisse de emenda aos que se atreviam a desobedecer aos decretos ditatoriais do papado.

    Com Lutero surgiu algo de novo.
    O PAPA, como sempre tinha o apoio dos reis e até nobres, mas no tempo de Lutero havia uma questão politica entre o rei da Alemanha e os nobres.
    Por isso, enquanto que os que estavam do lado do rei apoiavam o papa, os que estavam do lado dos nobres rebeldes ao rei ficaram do lado de Lutero.

    Enfim, foi tudo uma questão de jogo de forças.
    A força da espada.

    Curioso! A Biblia, isto é a Palavra de Deus tembém é comparada com uma espada ! (Efésios 6,17) A espada do Espirito!

    Esta espada não mata as pessoas, mas a ignorância das pessoas.

    O curso da HISTÓRIA da humanidade começou a mudar a passo de caracol!

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