10 de nov de 2008

Bento XVI: diálogo entre culturas e religiões é «dever sagrado»


Recebeu uma delegação judaica em 30/10/08


CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 30 de outubro de 2008 (ZENIT.org).- No complexo mundo atual, o diálogo entre as culturas e as religiões é um dever sagrado, declarou Bento XVI nesta quinta-feira, ao receber em audiência os membros de uma delegação do International Jewish Committee on Interreligious Consultations.

Recordando que há mais de 30 anos este Comitê e a Santa Sé mantiveram «contatos regulares e frutíferos, que contribuíram para uma maior compreensão e aceitação entre católicos e judeus», o Papa quis aproveitar esta ocasião para reafirmar «o compromisso da Igreja de levar a cabo os princípios expressados na histórica Declaração Nostra Aetate, do Concílio Vaticano II».

O documento, explicou, «condenava firmemente toda forma de anti-semitismo e representava um marco na história das relações entre judeus e católicos; e também convidava a uma renovada compreensão teológica das relações entre a Igreja e o Povo de Israel».

Hoje, afirmou Bento XVI, os cristãos são «cada vez mais conscientes do patrimônio espiritual que compartilham com o povo da Torá, o povo eleito por Deus em sua graça inefável, um patrimônio que requer mais apreço recíproco, estima e amor».

Da mesma forma, os judeus estão chamados a «descobrir o que têm em comum com todos aqueles que crêem no Senhor, o Deus de Israel, que se revelou através de sua palavra poderosa e geradora de vida».

Esta Palavra, observou o pontífice, «nos exorta a oferecer um testemunho comum do amor, da misericórdia e da verdade de Deus», «um serviço vital em nossa época, ameaçada pela perda dos valores morais e espirituais que garantem a dignidade humana, a solidariedade, a justiça e a paz».

No mundo atual, caracterizado freqüentemente pela pobreza, pela violência e pela exploração, o diálogo entre as culturas e as religiões deve ser visto cada vez mais como «um dever sagrado que compete a todos aqueles que estão comprometidos na construção de um mundo mais digno do homem», constatou o Papa.

A capacidade de aceitar uns aos outros e de dizer a verdade no amor é «essencial para superar as diferenças, prevenir os mal-entendidos e evitar confrontos inúteis».

O diálogo, acrescentou, é «sério e honrado» só quando «respeita as diferenças e reconhece o outro em sua alteridade».

Um diálogo sincero também «precisa de abertura e de um sólido senso de identidade por ambas as partes, para que cada uma se enriqueça com os dons da outra».

Agradecendo ao Senhor pelos «progressos nas relações entre judeus e católicos», que se refletem em seus encontros com as comunidades judaicas em Nova York, Paris e no Vaticano, o Papa animou os presentes a «levarem adiante seu trabalho com paciência e renovado compromisso».

«Com estes sentimentos, queridos amigos, peço ao Todo-Poderoso que continue velando sobre vós e sobre vossas famílias, e guie vossos passos pelo caminho da paz», concluiu.

No mês que vem, o International Jewish Committee Consultations terá um encontro com uma delegação da comissão vaticana para as relações religiosas com o Judaísmo para discutir sobre o tema «Religião e sociedade civil», em Budapeste (Hungria).

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