21 de nov de 2008

COMO NÃO PERDER A FÉ DIANTE DOS ESCÂNDALOS ECLESIÁSTICOS?

Por Marcos Monteiro Grillo

[Leitor NÃO autorizou a publicação de seu nome no site]

Nome do leitor:

Cidade/UF: Patos de Minas - MG

Religião: Católica

Mensagem
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A Paz de Cristo aos irmãos do Apostolado VS!

Desde o escândalo das CDD fazendo sua propaganda abortista no DVD da CF 2008, sem que a CNBB desse a mínima importância ao caso, senão após a intervenção da Santa Sé no mesmo em vista do pedido do VS, vejo a CNBB como uma instituição completamente degenerada, decadente! Essa impressão corroborou-se ainda mais depois que vi no artigo da Rádio Vaticana "África do Sul quer 'importar' modelo da CPT brasileira", de 17-06-08, onde se mostram explícitos os vínculos da CNBB com a Teologia da Libertação e movimentos esquerdistas!

Fatos como esses têm golpeado duramente a minha fé católcia, ao ponto que penso que a perderei!
Contudo, lendo o artigo do VS de autoria de Dom Fernando Rifan "A quem devemos seguir?", em que o prelado adverte que sempre existiram crises na Igreja e que os grandes santos sempre souberam vivenciá-las com sabedoria e em comunhão com a Igreja, gostaria que o VS me desse uma resposta ou orientação de como permanecer firme na fé católica diante dos escândalos eclesiásticos? Gostaria também de um comentário do VS a respeito da degeneração ou decadência da CNBB? Não seria o caso da Santa Sé fazer uma limpeza geral na CNBB ou punir seus membros rebeldes, cismáticos?!

No desejo ardente de perseverar na fé católica e na comunhão da Igreja, vosso irmão em Cristo!

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Estimado irmão,

A paz de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo!

Como você sabe, a Igreja, enquanto instituição divina, é santa, mas isso não impede que, dentro dela, o joio cresça junto com o trigo (leia Mt 13,25-43). Relembremos o ensinamento do Catecismo da Igreja Católica a esse respeito:

“827. «Enquanto que Cristo, santo e inocente, sem mancha, não conheceu o pecado, mas veio somente expiar os pecados do povo, a Igreja, que no seu próprio seio encerra pecadores, é simultaneamente santa e chamada a purificar-se, prosseguindo constantemente no seu esforço de penitência e renovação» (304). Todos os membros da Igreja, inclusive os seus ministros, devem reconhecer-se pecadores (305). Em todos eles, o joio do pecado encontra-se ainda misturado com a boa semente do Evangelho até ao fim dos tempos (306). A Igreja reúne, pois, em si, pecadores abrangidos pela salvação de Cristo, mas ainda a caminho da santificação:

A Igreja «é santa, não obstante compreender no seu seio pecadores, porque ela não possui em si outra vida senão a da graça: é vivendo da sua vida que os seus membros se santificam; e é subtraindo-se à sua vida que eles caem em pecado e nas desordens que impedem a irradiação da sua santidade. É por isso que ela sofre e faz penitência por estas faltas, tendo o poder de curar delas os seus filhos, pelo Sangue de Cristo e pelo dom do Espírito Santo» (307).”

De fato, temos visto padres e Bispos muitas vezes darem péssimos exemplos, distorcendo e adulterando a sã doutrina, ignorando os ensinamentos e as diretrizes do Magistério, aderindo a idéias reprovadas pela Igreja (como é o caso do socialismo e da teologia da libertação), desfigurando a liturgia, enfim, fazendo uma série de coisas que têm trazido sérios prejuízos para as almas dos fiéis. Não obstante, é preciso lembrar que a Igreja, nossa amada Igreja Católica Apostólica Romana, é muito maior do que os erros e pecados dos seus filhos. Nossa Igreja tem uma história de 2.000 anos de fidelidade e de amor ao seu Fundador, Nosso Senhor Jesus Cristo. Ao longo desses dois milênios, crises e provações se sucederam, e assim há de ser até o fim dos tempos. Contudo, também vimos (e continuamos a ver) florescer grandes santos e santos, homens e mulheres que doaram (e têm doado) suas vidas em prol da Igreja, que têm sido verdadeiros exemplos de fé, de piedade, de coragem e de amor. Ademais, encontramos em nossa Igreja um inestimável tesouro espiritual preservado na Tradição e pelo Magistério da Igreja, tesouro esse que herdamos de Cristo, dos Apóstolos e dos primeiros cristãos, do qual podemos haurir riquezas insondáveis. E finalmente, temos o Papa, legítimo sucessor do Apóstolo São Pedro (a quem o próprio Cristo incumbiu da tarefa de apascentar o rebanho, conforme Jo 21,15-17), a nos guiar no caminho que devemos trilhar. Particularmente nos dias de hoje temos um Papa magnífico, um homem que, além do sublime cargo que ocupa, é um verdadeiro gênio da teologia e da filosofia, um intelectual de primeira grandeza, mas também um homem de oração e de profunda fé. O pontificado de Papa Bento XVI, por si só, já constitui um motivo mais que suficiente para louvarmos a Deus, pois em Bento XVI vemos personificada a fortaleza da fé católica em meio às intempéries do relativismo, do subjetivismo e do laicismo que grassam nos dias de hoje.

Em suma, prezado irmão, temos muitas e fortes razões para amar a Igreja, a veneranda Barca de Pedro, contra a qual as portas do inferno jamais prevalecerão (Mt 16,18).

Com relação à CNBB, embora dela façam parte muitos Bispos dedicados e tementes a Deus, é inegável que se encontra hoje sob influências maléficas, notadamente por adeptos do progressismo, do modernismo e da teologia da libertação (esse verdadeiro cadáver insepulto!). Também temos visto Bispos deixando muito a desejar na direção de suas respectivas dioceses, permitindo que verdadeiras aberrações tanto litúrgicas quanto doutrinárias se alastrem por obra de padres e leigos mal preparados e/ou mal intencionados. Negar esse lamentável estado de coisas seria o mesmo que se recusar a enxergar o que é evidente. No entanto, essa grave crise (ou provação) não deve nos desanimar, muito pelo contrário, deve nos servir como ocasião para fervorosa oração e piedosa penitência. Devemos sempre lembrar que a Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica, a gloriosa Noiva de Cristo, está muito acima dessas mazelas, e ninguém poderá mudar isso. Ademais, uma intervenção da Santa Sé na CNBB (e na Igreja brasileira como um todo) seria algo bastante complexo (ainda que necessário), de modo que, mais do que esperarmos por tal medida, convém-nos fazer a nossa parte, a saber, orar muito, fazer penitência, estudar a doutrina e buscar a obediência e a fidelidade à Igreja, ao Magistério e ao Papa. Sem esquecermos de viver uma vida santa, sendo sal e luz (leia Mt 5,13-16) em nosso trabalho, na escola, na universidade, junto aos nossos familiares e amigos, enfim, onde quer que estejamos. A esse respeito, vale pena ler o que escreveu o padre Leo Trese em sua obra A fé explicada:

“Se cada católico que o nosso inquiridor imaginário encontrasse fosse uma pessoa de eminentes virtudes cristãs — amável, paciente, abnegado e amistoso; casto, delicado e referente na palavra; honrado, sincero e simples; generoso, sóbrio, leal e puro na conduta —, com que impressão você pensa que ele ficaria? Que testemunho arrasador daríamos da santidade de Igreja de Cristo!”[1]

Para concluir, permita-me dar um testemunho pessoal. Não sei se o irmão sabe, mas eu, assim como vários dos meus colegas neste apostolado, vim do protestantismo (veja aqui o meu testemunho de conversão), e por isso lhe asseguro: a Igreja Católica Apostólica Romana é o mais seguro refúgio para aqueles que queiram ser salvos da crise moral e espiritual que assola não só o Brasil como o mundo todo (e que, ao que tudo indica, só tende a se agravar). É claro que há pessoas sérias e tementes a Deus no protestantismo (assim como em outras religiões), mas só na Igreja Católica podemos encontrar um verdadeiro porto seguro, que não depende da nossa própria opinião ou gosto pessoal, que não está sujeito a variadas interpretações, que verdadeiramente remonta a Cristo e aos Apóstolos, que se mantém fiel a uma Tradição de 2.000 anos afiançada pelo Magistério e pelo Papa, e que há de permanecer até o fim dos tempos, conforme nos prometeu Nosso Senhor Jesus Cristo. Se você sempre foi católico, louve a Deus por essa maravilhosa bênção de ter sempre pertencido a essa bendita Igreja. Não se deixe desanimar por causa do joio que cresce junto com o trigo. Ame a Igreja, ore e trabalhe pelo Corpo de Cristo. Fazendo assim, não tenho dúvida de que o desânimo dará lugar ao zelo e a um fervoroso amor pela Igreja fundada por Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. E não se esqueça de que você sempre encontrará amparo nos braços ternos da Santíssima Virgem Maria, Mãe de Deus, nossa Mãe e Mãe da Igreja, que jamais nos abandonará e sofrerá junto conosco até a gloriosa Parusia.

Que o Senhor Jesus Cristo e a Virgem Maria lhe abençoem!

Fraternalmente,

Marcos M. Grillo



[1] TRESE, Leo. A fé explicada. 7. ed. São Paulo: Quadrante, 1999, p. 149.




GRILLO, Marcos Monteiro. Apostolado Veritatis Splendor: COMO NÃO PERDER A FÉ DIANTE DOS ESCÂNDALOS ECLESIÁSTICOS? . Disponível em http://www.veritatis.com.br/article/5321. Desde 05/11/2008.

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