13 de nov de 2008

Uma praga chamada fundamentalismo (parte 2)


No artigo passado escrevemos sobre a interpretação fundamentalista, isto é, literal da Escritura. Vimos então que interpretar a Palavra de Deus ao pé da letra é um erro, uma ilusão e uma traição ao que o Senhor nos quer revelar. Os motivos foram apresentados de modo bastante detalhado! No presente artigo gostaríamos de explicar como se deve proceder para uma leitura correta e frutuosa da Palavra santa de Deus, sem cair no erro grosseiro dos fundamentalistas. Para tanto é necessário levar em conta os seguintes pontos:

1) O centro de toda a Escritura é Jesus Cristo; foi para ele que os livros santos foram escritos: tudo leva ao Cristo e somente nele encontra sentido! Este fato nos deve recordar duas coisas: (1) No Antigo Testamento é importante, é normativo (obrigatório) para nós cristãos somente aquilo que conduz a Cristo, aquilo que se relaciona diretamente com ele. Eis alguns exemplos: preceitos como não comer carne de porco, guardar o sábado, não usar imagens, a circuncisão... nada disso tem mais importância alguma para nós! E por quê? Porque Cristo cumpriu a lei, quer dizer, realizou tudo isso que era apenas figura do que deveria vir! Já São Paulo alertava os cristãos para isso: “Ninguém vos julgue por questões de comida e de bebida, ou a respeito de festas anuais ou de lua nova ou de sábados, que são apenas sombra de coisas que haviam de vir, mas a realidade é o corpo de Cristo” (Cl 2,16s); (2) O Antigo Testamento é preparação para o Novo, de modo que é um grave erro interpretá-lo em si mesmo, sem observar como os primeiros cristãos reinterpretaram as Escrituras de Israel à luz de Cristo. Por exemplo: é desconhecer a ressurreição de Cristo afirmar que os mortos ficam dormindo: se o Antigo Testamento afirma isto é porque os judeus esperavam o Messias; ora, nós cristãos sabemos que o Messias já veio! É também uma leitura errada um cristão falar em “batismo nas águas”. Este era o batismo de João Batista; com a ressurreição do Senhor, o batismo com água é batismo no Espírito do Ressuscitado: no Novo Testamento, a água é símbolo do Espírito (cf. Jo 7,37-39; 4,13-14; 19,34)

2) Nas Escrituras Sagradas existe uma coisa chamada “analogia da fé”, quer dizer um fio condutor, uma idéia de fundo que atravessa todos os livros. Que idéia é essa? É que Deus deseja salvar toda a humanidade através do seu Filho Jesus, fazendo-lhe o dom do Espírito. Ora, não se pode, então, ler corretamente algum texto da Bíblia esquecendo isso! Por exemplo: os textos nos quais se fala da salvação são mais importantes que aqueles que falam em condenação. A Bíblia fala na possibilidade de condenação por um motivo só: para nos recordar que nós podemos, com nossa liberdade, dizer “não” a Deus, fechando-nos para ele, que é a Vida! Então, colocar todos os textos num mesmo pé de igualdade e fazer da Escritura um livro carrancudo que se compraz em ameaçar com o inferno seria uma gravíssima traição a Deus e ao Evangelho (= feliz notícia!) de Cristo! Pense-se naqueles pregadores que só falam em ira, condenação, inferno... que “Boa notícia”, que Evangelho é esse? Mais uma coisa: ter consciência da “analogia de fé” evita dar importância ao que é secundário na Palavra de Deus, caindo em erros graves. Por exemplo: lembro-me de dois mórmons que, certa vez, em minha casa, vieram com um texto de Amós 3,7: “Pois o Senhor Deus não faz coisa alguma sem revelar o seu segredo a seus servos, os profetas”. Partindo deste texto eles queriam afirmar que o fundador de sua religião, Joseph Smith, era um verdadeiro profeta de Deus e fundara uma religião verdadeira por ordem de Deus! Ora, tal texto de Amós está muito, mas muito longe de ser um texto central ou importante para a mensagem da Escritura! Em outras palavras: coam o mosquito e deixam passar o camelo: apegam-se a um texto sem importância e esquecem textos centrais como a fé na Igreja que Cristo confiou a Pedro e seus sucessores, o fato de Jesus ser o centro da revelação e não mais se poder inventar outras revelações (como o Livro de Mórmon, que Joseph Smith inventou...). Um outro exemplo interessante são as Testemunhas de Jeová: apegam-se a duas ou três frases soltas de Isaías: “As minhas testemunhas sois vós!”(43,10) e “Vós sois as minhas testemunhas” (43,12) e, partindo daí, consideram-se as testemunhas de Jeová (o nome correto é Javé!). Ora, a Testemunha Fiel e verdadeira é uma só: Cristo Jesus, o Filho eterno do Pai: quem não aceita Jesus como Senhor e Deus, não aceita o testemunho de Deus (cf. 1Jo 4,3; 1Cor 12,3; Rm 9,5). Assim, as Testemunhas de Jeová, apegando-se a uma frase solta e sem grande importância do Antigo Testamento, traíram a mensagem central do Novo Testamento! Apegando-se à letra mal lida, sufocaram o Espírito de Deus no qual confessamos que Jesus é Senhor e Deus! Ainda mais dois exemplos simples de interpretação fundamentalista por não se ter em mente a “analogia da fé”: os líderes da Igreja Universal levarem orações dos fiéis para colocar no Muro das Lamentações em Jerusalém... Nem se recordam que o Templo não tem mais valor algum e que o verdadeiro templo é o Cristo ressuscitado (cf. Jo 2,19-21; 4,21)! Assim, enfatizam o Antigo, obscurecendo o Novo Testamento; trocam o vinho novo pela água da purificação dos judeus! O último exemplo a ser dado é de um grupo de católicos que, em suas reuniões, estava ungindo com o “óleo da alegria”, baseando-se em uma frase solta de Isaías (cf. Is 61,3). Ora, primeiramente o profeta está usando uma imagem e, depois, o único óleo da alegria que o cristão conhece é o Espírito Santo, com o qual fomos ungindos no Batismo e na Crisma! O fundamentalismo é venenoso sempre, leva sempre ao erro e a deturpar a Palavra de Deus, mutilando-a! É necessário, então, não tomar tudo na Bíblia como se se tratasse de afirmações absolutas e desligadas umas das outras! Toda frase, todo texto, deve ser interpretado no seu contexto... e o contexto da Escritura é a salvação que o Pai nos dá em Cristo!

3) A Escritura não pode ser interpretada de modo privado (cf. 2Pd 1,20-21)! O Antigo Testamento nasceu no seio do Povo de Israel e era interpretado no seio da Comunidade. Do mesmo modo o Novo Testamento nasceu no seio da Igreja católica: foi escrito por católicos e para a Comunidade cristã, que era toda católica. O Novo Testamento nada mais é que o essencial da Tradição oral da Igreja (quer dizer, da pregação apostólica e da vida dos primeiros cristãos) colocada por escrito. O próprio Jesus não mandou escrever nada, mas sim pregar (oralmente e pela vida) o Evangelho. Basta pensar nisto: Cristo morreu e ressuscitou no ano 30 da nossa era; o livro mais antigo do Novo Testamento, o primeiro a ser escrito, foi a Primeira Carta aos Tessalonicenses, no ano 51; o primeiro evangelho a ser escrito foi o de Marcos, lá pelo ano 64. O cânon definitivo do Novo Testamento somente foi definido pela Igreja lá pelo século II-III. Tudo isto significa que a Igreja existe antes do Novo Testamento e o Novo Testamento nasceu na Igreja, quer dizer, na Comunidade sob a liderança de seus pastores legítimos, de modo que os escritos neotestamentários nada mais são que expressão da fé da Comunidade. Assim sendo, somente em comunhão com a Comunidade, que é a Igreja, pode-se interpretar corretamente a Escritura. Interpretada de modo individual e individualista, a Palavra vira confusão. Basta ver a multidão de seitas em que se esfacelou e continua esfacelando-se o cristianismo. Estamos como no tempo dos juízes de Israel, quando cada um fazia como queria (cf. Jz 17,6; 21,25); hoje cada um pensa que pode interpretar a Bíblia como quer... e fundar sua igrejinha, baseando-se na sua “sábia” interpretação. Ao invés, se olharmos bem o Novo Testamento, veremos que Cristo e os Apóstolos recomendam que a Igreja viva da Tradição recebida oralmente (quer dizer naquelas coisas que vêm dos Apóstolos) ou por escrito (ou seja, a Tradição atestada nos livros do Novo Testamento) – cf. At 2,42; 1Tm 6,20; 2Tm 1,12-14; 1Cor 11,23s). O Catecismo da Igreja Católica exprime isso de modo muito preciso: “Para que o Evangelho sempre se conservasse inalterado e vivo na Igreja, os Apóstolos deixaram como sucessores os bispos, a eles transmitindo seu próprio encargo de Magistério. Com efeito, a pregação apostólica, que é expressa de modo especial nos livros inspirados, devia conservar-se por uma sucessão contínua até a consumação dos tempos” (n.77). Ler a Escritura fora ou contra a Comunidade eclesial na qual ela nasceu é como querer compreender e saborear as emoções de um álbum de família sem pertencer àquela família e sem ter participado de sua história... Esse ficará sempre por fora! Infelizmente é isso que vemos hoje: tantos e tanto, coitados, lendo a Bíblia como se fosse uma receita de bolo: uma pitadinha de oração; um bocadinho de culto de louvor, alguns exorcismos, meia dúzia de aleluias, tantos gramas de orações pela paz de Jerusalém, meio quilo de observâncias arcaicas do Antigo Testamento... e pensa-se que se está cumprindo as Escrituras! Ledo engano! Não podemos interpretar corretamente a Bíblia a não ser que a interpretemos com a Igreja. Portanto, é necessário perguntar: como as primeiras gerações, inspiradas pelo Espírito, interpretaram e viveram as Santas Escrituras? O que ensinaram os Santos Doutores da Igreja antiga sobre elas? Como os cristãos, guiados pelo Espírito foram interpretando estes livros santos, vivendo e morrendo por eles? Como os legítimos pastores da Igreja os ensinaram? Aí sim, teremos a estupenda alegria de ver o Espírito do Senhor, sempre presente na Igreja, conduzindo o rebanho de Cristo à verdade plena (cf. Jo 14, 16-17; 16,13-14; Mt 28,20; 16,16-18).

Teremos ainda um terceiro artigo sobre este tema. Aí vamos continuar a apresentar os critérios para uma interpretação correta da Escritura Sagrada. Até lá!

Côn. Henrique Soares da Costa
fonte: www.padrehenrique.com

11 comentários:

  1. Citacão:
    «3) A Escritura não pode ser interpretada de modo privado (cf. 2Pd 1,20-21)!»

    O texto nem diz «privado» nem «colectivo» (isto é, de acordo com os interesses individuais nem congregacionais).

    O que diz? :

    http://www.paroquias.org/biblia/index.php?c=2+Pe+1
    20*Mas, antes de tudo, tende presente que ninguém pode interpretar por si mesmo uma profecia da Escritura, 21porque jamais uma profecia foi proferida pela vontade de um homem; mas, sendo movidos pelo Espírito Santo é que certos homens falaram da parte de Deus.


    Diz que «homens movidos pelo Espírito Santo falaram da parte de Deus.»

    Muitos homens (profetas) falaram contra a instituição em vigor, como em especial o profeta Jeremias conta o seu soberano REI.

    Afinal de contas não é a instituição legalmente constituída que tem a posse do Espírito Santo, mas como disse Jesus o vento sopra donde quer e ouvimos a sua voz sem sabermos donde vem e para onde vai.
    Assim é aquele que nasce do Espírito. (João 3,8)
    http://www.paroquias.org/biblia/index.php?c=Jo+3,8

    É preferível aprender errando como fazem as criancinhas que nos deixarmos enganar por poderosos espertalhões que nos querem dominar em vez de nos ajudar.

    ResponderExcluir
  2. Citação
    «...Igreja que Cristo confiou a Pedro e seus sucessores,»

    Será que Pedro ou algum dos Apóstolos teve sucessores?! ...

    Apenas um dos apóstolos teve um sucessor.
    Apenas «Judas» teve que ter um sucessor. Esse sucessor foi Matias.
    (Actos 1,15-26)
    http://www.paroquias.org/biblia/index.php?c=Act+1,15-26

    E quais as condições para ser sucessor de um Apóstolo?!
    Leia os versos 21 e 22 que transcrevo:
    «21Portanto, de entre os homens que nos acompanharam durante todo o tempo em que o Senhor Jesus viveu no meio de nós, 22*a partir do baptismo de João até ao dia em que nos foi arrebatado para o Alto, é indispensável que um deles se torne, connosco, testemunha da sua ressurreição.»

    Ora os Bispos não são nem foram nunca sucessores dos Apóstolos, porque «não acompanharam Jesus como testemunhas d'Ele desde o seu Baptismo até ao dia em que foi arrebatado para o Alto».

    No tempo dos apóstolos não havia BISPOS DIOCESANOS, mas cada igreja (e podia haver mais que uma em cada localidade, que reunia, numa casa particular) tinha o seu grupo de bispos (ou presbíteros).
    Presbítero quer dizer ancião e Bispo queria dizer superintendente.
    Nem sempre o corpo de bispos (ou anciãos) da congregação (igreja) era um Apóstolo, mesmo que ele ou eles fizessem parte da mesma.
    Temos o caso da igreja de Jerusalém (a primeira a ser constituida. Pricisamente Pedro e João que eram Apóstolos faziam parte dessa Igreja, mas o que presidia era Tiago (irmão do Senhor).
    Também em Roma, se Pedro chegou lá ir (não se tem a certeza) não foi o 1º Bispo de Roma, nem talvez Pedro, mesmo que chegasse a ser um dos vários bispos de Roma, nunca tivesse presidido ao corpo dos bispos (anciãos ou presbíteros.
    A igreja católica com os seus Bispos diocesanos só foi criada e estruturada após Constantino.

    Não sejamos, fundamentalistas como é o clero católico-romano, mas tolerantes.

    ResponderExcluir
  3. Citação:

    «... é desconhecer a ressurreição de Cristo afirmar que os mortos ficam dormindo...»

    O que isto tem de verdade é que se Cristo Ressuscitou também nós devemos ressuscitar. (1 Cor 15)

    http://www.paroquias.org/biblia/index.php?c=1+Cor+15

    Ao morrermos continuamos a ir para o HADES(grego) ou XEOL (hebraico) ou INFERUS (latim) e aí ficamos ignorantes como diz a escritura em Eclesiastes 9


    «5 Os que estão vivos sabem que hão-de morrer,
    mas os mortos não sabem nada,
    nem para eles há ainda retribuição,
    pois a sua lembrança foi esquecida.
    6O seu amor, ódio e inveja pereceram juntamente com eles;
    e nunca mais terão parte
    em tudo quanto se faz debaixo do céu.»

    A mudança só se dá com a nossa ressurreição prometida por Cristo.

    Mas para isso teremos que esperar pelo tempo designado pelo PAI.

    Não sabemos nada do mundo do além.
    Não sabemos se já alguém ressuscitou além de Jesus nem quando é que se dá essa ressurreição. Teremos que esperar para ver.
    Uma coisa temos certa: UMA PROMESSA.
    Essa promessa é o cerne da BOA NOVA: do Evangelho.

    Resta-nos esperar, pois ninguém sabe nem o dia nem a hora. O mais que podemos fazer é especulações.
    Temos o direito a especular. É justo e razoável, mas não temos o direito de impôr as nossas especulações aos outros, por mais razoáveis que sejam.


    «Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora.» (Mt 25, 13)

    «Quanto a esse dia ou a essa hora, ninguém os conhece: nem os anjos do Céu, nem o Filho; só o Pai.» (Mc.13, 32)

    Portanto, se nos disserem que já há «santos» no céu temos o direito de acreditar ou de desconfiar no que os outros nos dizem, mesmo que essa santa seja a mãe de Jesus.

    Eu, admito mais a ideia que nem sequer «Miriam» a mãe de »Yeshua» (Maria a mãe de Jesus) ainda esteja à espera da sua Ressurreição, porque os rumores afirmativos não me merecem credibilidade suficiente, já que são motivados por interesses materiais que se querem aproveitar de mentes débeis e ignorantes.

    ResponderExcluir
  4. Pequena correcção:

    Eu, admito mais a ideia que nem sequer «Miriam» a mãe de »Yeshua» (Maria a mãe de Jesus) já tenha Ressuscitado mas que ainda esteja à espera da sua Ressurreição, porque os rumores afirmativos não me merecem credibilidade suficiente, já que são motivados por interesses materiais que se querem aproveitar de mentes débeis e ignorantes.

    ResponderExcluir
  5. Manuel, desculpe, mas estas palavras suas são desprovidas de fundamento. Com licensa, nos deixe evangelizar. E se você quiser investir seu tempo, evangelize pessoas que não crêem no Cristo. Quero perder meu tempo com quem quer viver melhor o evangelho do amor. Deus te abençoe!

    ResponderExcluir
  6. Pois é, Alessandro está a «perder» o seu tempo dizendo coisas que ignora completamente, baseando-se apenas em TRADIÇÕES ROMANO-PAGÃS do chamado cristianismo.

    Como nunca viu Yeshua (Jesus), nem o conhece, dedique um pouco de tempo à procura da verdade, analisando todas as fontes, em especial a bíblia sagrada, libertado da pérfida influencia dos que o têm e querem continuar a escravisar.

    Seja um candidato a viver no mundo onde habita a justiça. (2Pedro 3,13) Este mundo está carregado de injustiças.

    Desafio-vos perante o Tribunal de YHWH (DEUS), no juizo final, acerca da veracidade das minhas e das vossas palavras.

    Manuel Portugal Pires

    ResponderExcluir
  7. Quereis envagelizar?

    Então perguntai a Yeshua (Jesus) o que é evangelizar.

    Não vos pregueis a VÓS mesmos (quer individual quer colectivamente).

    A BOA NOVA (Evangelho) consiste na libertação do PECADO através da RESSURREIÇÃO.

    Evangelho não é castigo, inferno, escrevidão a uma classe sacerdotal etc. etc...., mas libertação.

    «Foste comprados por um alto preço, não vos torneis escravos de homens.» (1ª Corintios 7,23)

    (Manuel Portugal Pires)

    ResponderExcluir
  8. O NOVO TESTAMENTO foi todo escrito antes da existência da «Igreja Católica Apostólica Romana» (IURD), portanto não foi escito por nenhum Católico nem no seio da Igreja Católica.

    A Igreja Católica só teve inicio depois do Imperador Constantino (século IV).

    ResponderExcluir
  9. Jesus disse « não fui enviado senão às ovelhas perdidas da Casa de Israel» (Mateus 15,24).
    Também mandou aos seus Apóstolos a pregar primeiramente apenas aos Israelitas (Mateus 10,6).

    A religião de Jesus (Yeshua) de todos os Apóstolos e seguidores Israelitas era o judaísmo.
    Não havia nenhuma religião cristã, e muito menos católica.

    Os não israelitas (os não judeus) eram chamados de pagãos ou gentios. Muitos deles aderiram ao CAMINHO ou VIA (era assim que era chamado o cristianismo) sem terem que se converter à religião judaica. Esses cristãos não pertenciam a nenhuma religião, pois seguir a VIA tinham que pôr de parte as suas tradições pagãs.

    Após Constantino, sim formou-se uma religião, inspirada em parte no cristianismo e que passou a dominar-se de Católica (que quer dizer UNIVERSAL: isto é, para todo o Império).
    Na verdade até se tornou OBRIGATÓRIA para todos os do Império Romano.

    De inicio, nas igrejas cristãs formadas por pagãos, que aceitaram a VIA cristã, havia vários superintendentes (bispos) em cada uma delas. Não havia bispos de diocese nem dioceses.
    As dioceses e os seus bispos diocesanos apareceram mais tarde.

    Os princípios de Yeshua que constituíam a VIA foram-se adaptando às necessidades imperiais a às teorias especulativas de teólogos. Enfim, foram-se modificando até se corromperem gradual e completamente quase sem as pessoas darem por isso. O meio pagão, convertido obrigatoriamente e em massa ao catolicismo também era propício a que tudo isto acontecesse.

    ResponderExcluir
  10. Todas as religiões do CRISTIANISMO cometem o mesmo ERRO.

    Vão buscar à bíblia uma frase ou versículo com a qual querem legitimar espiritualmente a sua religião e organização religiosa em detrimento das demais.

    Isto acontece não apenas com as que querem ser conhecidas como Testemunhas de Jeová, como os que são chamados por Mórmons, como os Adventistas, como os Baptistas etc. etc. etc. e sem podermos esquecer acima de tudo os velhos Católicos, nascidos do Romanismo.

    Estes consideram os seus bispos como sucessores dos Apóstolos. Como todos podem verificar só um Apóstolo teve sucessor. Foi Judas. Como morreu antes de começar o seu ministério teve que ser substituido (Actos 1). Para se ser sucessor de Apóstolo era preciso ter acompanhado Yeshua (Jesus) desde o seu Baptismo, por João, no rio Jordão, até à sua subida aos céus, alguns dias antes da festa judaica de Pentecostes do ano da sua morte.

    Os bispos não são sucessores dos Apóstolos.
    Na origem pertenciam ao corpo de superintendentes de uma igreja local.

    Só muito depois, é que passaram a aparecer dioceses com um bispo diocesano, que mandava em várias igrejas da sua diocese.

    Quanto a «Pedro» não teve sucessor nem como Apóstolo, nem como um dos vários Superintendentes de uma igreja local.

    Se, por acaso, Pedro foi um dos Superintendentes da igreja de Roma, nem foi o 1º, nem sucedeu a ninguém como bispo (superintendente) nem teve sucessor. Era apenas um entre vários.

    Para além do mais nem sequer temos a certeza absoluta de que Pedro esteve em ROMA. Há apenas alguma hipóteses viáveis, mas não conclusivas se quisermos ser sérios.

    Lino, (um dos considerados como o sucessor de Pedro) esse sim, foi um dos bispos (superintendentes) da igreja de Roma, mas também era um entre vários.

    Portanto, a igreja católica que se penitencie acerca do seu fundamentalismo religioso, que a fez pactuar com muitos crimes praticados pelas cruzadas, pela santa Inquisição, e pela morte de muitos cristãos que não se sujeitaram à escravidão das doutrinas do PAPA (SUMO PONTÍFICE).

    Para curiosidade, devo lembrar que antes do «PAPA» era o «IMPERADOR ROMANO» que usava o título de «SUMO PONTÍFICE», pelo que podemos considerá-lo seu legitimo sucessor.

    ResponderExcluir
  11. Afinal de contas, quais são as palavras desprovidas de fundamento:

    As minhas, quando procuro a verdade quer na Bíblia que na história, sem tirar disso qualquer proveito material.

    Ou as do «clero» que querem defender o seu posto adquirido a partir de CONSTANTINO, que se pregam a si mesmos ou à sua «classe» a que também chama de IGREJA e vivem à custa das doutrinas, muitas delas enganadoras, que querem impingir aos IGNORANTES que não se querem dar ao trabalho de procurar a Verdade.

    Embora não me queira compara a Jesus (melhor Yeshua) procuro seguir o seu exemplo.
    Não sou um mercenário que se agarra às tetas das ovelhas quando ainda dão «leite», mas que as abandona ao menor perigo. (João 10,12)

    ResponderExcluir

Irmão, deixe uma mensagem!!!


"Despojemo-nos das ações das trevas e vistamos as armas da Luz" Rm 13,12
CEFAS, oriundo do nome de São Pedro apóstolo, significa também um Acróstico: Comunhão para Evangelização, Formação e Anúncio do Senhor. É um humilde projeto de evangelização através da internet, buscando levar formação católica doutrinal e espiritual.