"Despojemo-nos das ações das trevas e vistamos as armas da Luz" Rm 13,12

12/11/2008

Uma praga chamada fundamentalismo (parte 1)


O fundamentalismo: a Bíblia como receita de bolo – I

Já há alguns anos temos presenciado no seio dos cristãos um amor renovado à Palavra de Deus; uma verdadeira sede de conhecer as Escrituras Sagradas. Deus seja louvado por tudo isso! O problema é o modo que muitas vezes se tem de ler e interpretar a Escritura; modo este que termina mais atrapalhando que ajudando, mais afastando que aproximando da verdade, mais confundindo que esclarecendo. É este o caso da leitura fundamentalista da Escritura, que vamos abordar no presente artigo.

O fundamentalismo é um modo literal de ler a Bíblia: lê-la ao pé da letra, como está lá! Para os fundamentalistas as Sagradas Escrituras, por serem inspiradas por Deus, não contêm erros ou evoluções de modo algum. Tudo nela deve ser interpretado de modo estritamente literal! Assim, o mundo foi criado em seis dias, a humanidade toda veio de um casal só – Adão e Eva, o dilúvio aconteceu tal e qual o Gênesis afirma, Sodoma e Gomorra pereceram tal qual está na Escritura, o sol e a lua pararam por ordem de Josué, Jonas permaneceu três dias no ventre de um peixe... e por aí a fora.

A mentalidade fundamentalista surgiu entre grupos protestantes norte-americanos do início deste século, seguidos por alguns grupos europeus. Entre nós tal mentalidade encontra-se sobretudo na grande maioria das denominações protestantes. Estes grupos sentem-se muito seguros de si porque lêem a Bíblia assim, literalmente! Só que tal segurança é absolutamente falsa. E isto por vários motivos:

1) A Bíblia interpretada de modo literal torna-se completamente contrária a muitas das descobertas da ciência atual, levando o crente a negar a ciência e a ciência a zombar da fé. Ora, o Deus que se revelou e nos convida à fé é o mesmo Deus que deu ao homem a inteligência para descobrir e pesquisar cientificamente! Como ignorar hoje a teoria de Charles Darwin, segundo a qual as espécies – inclusive a humana – evoluem? Como negar as descobertas arqueológicas que corrigem com razão muitas das afirmações da Bíblia? Como ignorar as descobertas dos astrofísicos sobre a origem e evolução do universo? Seria loucura e pura insensatez meter a cabeça no buraco e ignorar solenemente tudo isto. É como se religião fosse coisa para analfabeto e ignorante! Esta atitude fundamentalista é um assassinato à fé cristã: seria afirmar que num mundo científico não haveria lugar para Deus: ou um ou outro, ou Deus ou a ciência! Ora, tal visão nega e afronta a própria Bíblia: “Façamos o homem... que ele domine sobre os peixes do mar e as aves do céu...” (Gn 1,26); “O Senhor Deus colocou o homem no jardim do Éden para cultivá-lo e guardá-lo” (Gn 2,15). A ciência não é obra do diabo, mas fruto da inteligência que Deus deu ao homem para progredir e cuidar do mundo por ele criado!

2) A Escritura, se tomada literalmente, sem o auxílio da exegese, apresenta contradições insuperáveis, que terminam por desmoralizá-la completamente. Basta citar alguns exemplos: em Gn 1,26-27 Deus criou o homem e a mulher de uma só vez, e isso depois de ter criado todos os animais; já em Gn 2,7-8.18-23 Deus criou primeiro o varão, depois as plantas, depois os animais e, somente depois, a mulher, da costela do homem! Outro exemplo: em Gn 1,26-27 Deus cria o homem pela sua palavra; em Gn 2,7 Deus cria o homem plasmando-o da argila da terra! E agora? Outro exemplo: na história de José está dito que os mercadores a quem José foi vendido eram ismaelitas (cf. Gn 37, 25); mais adiante, está dito que eram madianitas (cf. Gn 37,28). Em Gn 6,6 está dito que Deus se arrependeu de ter criado o homem; em 1Sm 15,29 diz-se que Deus não se arrepende nunca! Mateus diz que Jesus pronunciou as bem-aventuranças numa montanha (cf. Mt 5,1); Lucas diz o contrário: Jesus pronunciou as bem-aventuranças numa planície (cf. Lc 6,17-23); Mateus afirma que Jesus subiu aos céus na Galiléia (cf. Mt 28,16ss); Lucas garante que foi nos arredores de Jerusalém, em Betânia e, portanto, na Judéia (cf. Lc 24,50ss). Marcos afirma que era um só o cego de Jericó (cf. Mc 10,46ss); Mt 20,29ss afirma que eram dois. Estou citando apenas alguns exemplos. Poderia citar muitíssimos, no Antigo e no Novo Testamento, que mostram contradições entre vários textos bíblicos. Estaria a Bíblia errada? Não! Errados estão os que a lêem literalmente, como se ela fosse uma crônica histórica! A Bíblia não mente: ela traz a verdade de nossa salvação!

3) De acordo com a própria Escritura, Deus nunca age sufocando o ser humano. Isto vale também para a inspiração. Os autores dos livros sagrados não eram simples instrumentos passivos nas mãos de Deus. Não se deve pensar a inspiração como uma psicografia, na qual o escritor simplesmente copia o que lhe foi ditado. Nada disso! Quando o autor sagrado escreve, muitas vezes nem sabe que está escrevendo um livro inspirado, livro que fará parte da Bíblia. Assim, ele escreve com sua mentalidade, seu estilo literário, suas características. Por exemplo: o estilo do Evangelho de Marcos é grosseiro e o seu modo de escrever o grego é muito feio e ruim. Já o estilo de São Lucas e São João é muito belo. Cada autor tem suas idéias próprias, seu modo de ver e avaliar a situação em que viveu. Além do mais, ninguém escreve um livro (nem os livros da Bíblia) a toa. Para compreender bem um livro da Escritura é necessário saber ao menos um pouco quem escreveu, para quem e com que intenção. Repito: quem escreveu o livro não sabia que estava escrevendo um livro inspirado! Então, quem é que diz que tal livro é inspirado? Lembre-se do artigo sobre o cânon! A única instância que pode afirmar se um livro é ou não inspirado por Deus é a Igreja, sob a guia dos seus legítimos pastores!

4) O fundamentalismo toma o texto bíblico sem observar como cada livro se formou. O resultado é uma leitura totalmente deturpada! Por exemplo: a revelação não foi feita de uma só vez, mas foi acontecendo aos poucos, na história do povo de Israel. Assim, há na própria Bíblia uma evolução. Eis alguns exemplos: (a) a questão da vida após a morte: no começo Israel pensava que, com a morte, todos ficariam para sempre no sheol, num sono eterno e sem nenhuma esperança (cf. Is 38,9-11.18; Sl 6,6; Sl 88,11-13); somente a partir do século IV antes de Cristo, Israel começou a esperar na ressurreição (cf. 2Mc 7,8-9.11.14.22-23.27-29; Dn 12,2-3). Então, há livros na Bíblia que esperam na ressurreição e livros que não esperam! (b) A própria questão do Deus único evoluiu na Bíblia: no começo Israel pensava que existiam muitos deuses, mas somente Javé era o Deus de Israel; Javé era maior do que os outros deuses (pensava-se assim: esses deuses existiam, mas Israel somente servirá a Javé). Os livros mais antigos da Bíblia têm essa mentalidade (cf. Ex 20,1-3; Sl 95,3; Gn 31,53; Nm 21,29; Jz 11,23s; 1Sm 26,19; Sl 89,6-9); já os livros escritos pela época do Exílio de Babilônia deixam claro que não há outros deuses: só existe Javé (cf. Is 44,6-8; Jr 2,10s). (c) Mudou também o modo de a Bíblia ver a monarquia: primeiro era contra (cf. 1Sm 8,1-9; 10,17-24), depois passou a ser a favor (cf. 9,1 – 10,16; Sl 21,1-2). Bastam estes exemplos para fazer compreender que não se pode entender bem a Escritura simplesmente interpretando tudo ao pé da letra, sem olhar o contexto em que cada livro foi escrito!

5) Outro problema sério é o do gênero literário: ninguém lê uma poesia como quem lê um jornal; ninguém lê um romance como quem lê um manual de eletrodoméstico. Em outras palavras: cada livro tem um gênero literário e se não se estiver atento a isto pode-se cometer erros grosseiros. Assim, por exemplo, os salmos são poesia; Gn 1-12 são como parábolas sapienciais; Jó é um longo poema como a nossa literatura de cordel; Êxodo é uma epopéia; Isaías é uma coleção de oráculos; Cântico dos Cânticos é uma coleção de poemas de amor; Ester e Jonas são pequenas novelas; Daniel é um livretinho apocalíptico; Romanos é uma carta. Para ser bem interpretada, cada obra desta deve ser lida dentro do seu estilo literário... senão o leitor vai trair a intenção do autor do livro, traindo, assim, a revelação de Deus!

6) Uma outra coisa: estes fundamentalistas pensam que estão interpretando a Bíblia ao pé da letra mas, na verdade, a estão interpretando de acordo com suas pré-compreensões, seus “pré-conceitos”. Estão fazendo a Bíblia dizer o que eles querem que ela diga e não o que ela quer dizer! Eis alguns exemplos: por que os protestantes não aceitam a afirmação de Jesus: “Isto é o meu corpo; isto é o meu sangue” (Mt 26,26-28; Mc 14,22-24; Lc 22,19-20)? Jesus foi tão claro: “A minha carne é verdadeiramente comida e o meu sangue e verdadeiramente bebida”(Jo 6,55)! Por que não aceitam Pedro como chefe da Igreja, se Jesus diz claramente: “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja” (Mt 16,18)? A resposta é simples: quando eles lêem e interpretam a Bíblia já levam o preconceito, isto é uma pré-compreensão, que faz com que eles entendam a Bíblia como eles acham que devem entender! Então, cuidado: é somente na aparência que os fundamentalistas parecem ser mais fiéis à Bíblia: na verdade, apegando-se à letra, traem o espírito!

Bom, por agora basta! No próximo artigo vou explicar como fazer para ler e interpretar a Bíblia corretamente, sem cair nos erros dos fundamentalistas! A Bíblia é para todos, não somente para especialistas; mas há um modo inteligente e um modo bobo de ler a Palavra de Deus! O modo fundamentalista é bobo!...


Côn. Henrique Soares da Costa
fonte: www.padrehenrique.com

Fonte: Palavra da Verdade

Mês de Novembro com Santa Faustina


O Pe. Milton Kenan Jr, da Arquidiocese de Jaboticabal, preparou-nos um belíssimo presente: Mês de Novembro com Santa Faustina

1 – “Vive na minha presença, pede o auxílio da Minha Mãe e dos Santos.” (Jesus a Santa faustina, V, 1560)

2 – “Eterno Pai, olha com olhos de Misericórdia às almas que sofrem no purgatório, e que estão encerradas no piedosíssimo Coração de Jesus.” (Santa Faustina, III, 1227)

3 – “ Tenho sentido na alma uma fome tão grande de Deus que me parecia morrer de desejo de unir-me a Ele; compreendi o que é a saudades que provam as almas do purgatório.” (Reflexão de S. Faustina, III, 1186)

4 – “Enquanto vivemos o amor de Deus aumenta em nós. Até a morte devemos empenhar-nos pelo amor de Deus.” (Reflexão de S. Faustina, III, 1191)

5 – “Quando a alma se sente fraca como uma criança então se agarra com toda força em Deus.” (Reflexão de S. Faustina, II, 944)

6 – “A paciência, a oração e o silêncio fortalecem a alma.” (Reflexão de S. Faustina, II, 944)

7 – “Ó meu Jesus, te suplico, fica comigo a cada momento.” (Santa Faustina a Jesus, II, 954)

8 – “Não cessa de rezar pelos pecadores. Tu sabes o quanto eles estão no meu Coração.” (Jesus a Santa Faustina, II, 975)

9 – “Sinto que nada me separará do Senhor, nem o céu, nem a terra, nem o presente, nem o futuro. Tudo pode mudar, mas o amor jamais, jamais: ele é sempre o mesmo.” (Reflexão de S. Faustina, II, 947)

10 – “A existência do mundo é sustentada pelas almas eleitas.” (Reflexão de S. Faustina, III, 1434)

11 – “Os momentos livres, mesmos se breves, utiliza-os para rezar pelos agonizantes.” (Reflexão de S. Faustina, III, 861)

12 – “Não é grande coisa amar Deus na prosperidade e agradecer-lhe quando tudo vai bem, mas adora-o entre as mais graves adversidades e põe nele a confiança.” (Reflexão de S. Faustina, II, 995)

13 – “O amor se esconde sob a aparência do pão...o amor ardente o esconde sob estas espécies.” (Reflexão de S. Faustina, III, 1002)

14 – “O Senhor tem uma predileção pelas almas pequenas e humildes. Quanto mais profundamente uma alma se humilha, tanto mais amávelmente o Senhor se aproxima dela.” (Reflexão de S. Faustina, III, 1092)

15 – “Ó Jesus, guiai-me vós mesmo, porque vós sabeis o que eu posso suportar. Creio firmemente que Deus não pode confiar-me mais do que posso suportar.” (Santa Faustina a Jesus, III, 1118)

16 – “Filha minha, saiba que às almas soberbas não concedo as Minhas graças, ma tiro mesmo aquelas que lhes concedi.” (Jesus a Santa Faustina, III, 1170)

17 – “O meu olhar nesta imagem é tal qual o meu olhar na cruz.” (Jesus a Santa Faustina, I, 326)

18 – “Ó Jesus, dai-nos sacerdotes santos e zelosos.” (Santa Faustina a Jesus, II, 940)

19 – “A tua Misericórdia, ó Jesus, esteja impressa no meu coração e na minha alma como um selo e isto será o meu sinal distintivo nesta e na outra vida.” (Santa Faustina a Jesus, III, 1242)

20 – “Sou o Rei da Misericórdia.” (Jesus a Santa Faustina, I, 88)

21 – “A Virgem Santa, qual lírio branco, por primeiro adora a onipotência da Tua Misericórdia.” (Santa Faustina a Jesus, IV, 1746)

22 – “Ó Jesus, ó Deus eterno, Te agradeço pelos teus inúmeros benefícios e tuas graças. Cada batida do meu coração seja um hino de agradecimento a Ti, ó Deus.” (Santa Faustina a Jesus, VI, 1794)

23 – “ Ò fonte de vida, insondável Misericórdia de Deus, envolvei o mundo inteiro e derramai-vos sobre nós!” (Santa Faustina a Jesus, VI, 1319)

24 – “Mesmo se os teus sofrimentos fossem os maiores, não perde a serenidade do espírito e não deixa-te vencer pelo desconforto.” (Jesus a Santa Faustina, V, 1487)

25 – “Conta-me tudo, revela-me todas as feridas do teu coração. Eu as curarei e o teu sofrimento tornar-se-á fonte da tua santificação.” (Jesus a Santa Faustina, V, 1487)

26 – “A causa das tuas quedas depende do fato que contas demasiadamente contigo mesma e te apóias muito pouco em Mim.” (Jesus a Santa Faustina, V, 1488)

27 – “Saiba que a força que tens para suportar os sofrimentos, deves à Santa Comunhão freqüente.” (Jesus a Santa Faustina, V, 1487)

28 – “Quando é recitada o coroinha [da Misericórdia] junto aos agonizantes, me colocarei entre o Pai e alma agonizante não como justo Juiz, mas como Salvador Misericordioso.” (Jesus a Santa Faustina, V, 1541)

29 – “Minha criança, a vida sobre esta terra é uma luta e uma grande luta pelo o Meu Reino, mas não temas, pois não estás só. Eu te sustento sempre.” (Jesus a Santa Faustina, V, 1488)

30 – “Ó Jesus, Misericórdia, abraça o mundo inteiro e estreita-o ao Teu Coração. Permiti à minha alma, ó Senhor, de repousar no mar da Tua insondável Misericórdia.” (Santa Faustina, II, 869)

Fonte:http://www.pastoralis.com.br/pastoralis/html/modules/smartsection/item.php?itemid=171

Liturgia Diária!!!

Quarta-feira, dia 12 de Novembro de 2008


S. Josafá Kuncevicz, monge, bispo, mártir, +1623



Comentário ao Evangelho do dia feito por
S. Bernardo : «Os outros nove, onde estão?»

Leituras

Tito 3,1-7.
Recorda-lhes que sejam submissos e obedientes aos governantes e
autoridades, que estejam prontos para qualquer boa obra,
que não digam mal de ninguém, nem sejam conflituosos, mas sejam afáveis,
mostrando sempre amabilidade para com todos os homens.
Pois também nós éramos outrora insensatos, rebeldes, extraviados, escravos
de toda a espécie de paixões e prazeres, vivendo na maldade e na inveja,
odiados e odiando-nos uns aos outros.
Mas, quando se manifestou a bondade de Deus, nosso Salvador, e o seu amor
para com os homens,
Ele salvou-nos, não em virtude de obras de justiça que tivéssemos
praticado, mas da sua misericórdia, mediante um novo nascimento e renovação
do Espírito Santo,
que Ele derramou abundantemente sobre nós por Jesus Cristo, nosso Salvador,

a fim de que, justificados pela sua graça, nos tornemos, segundo a nossa
esperança, herdeiros da vida eterna.


Salmos 23(22),1-3.3-4.5.6.
SENHOR é meu pastor: nada me falta.
Em verdes prados me faz descansar e conduz-me às águas refrescantes.
Reconforta a minha alma e guia-me por caminhos rectos, por amor do seu
nome.
Reconforta a minha alma e guia-me por caminhos rectos, por amor do seu
nome.
Ainda que atravesse vales tenebrosos, de nenhum mal terei medo porque Tu
estás comigo. A tua vara e o teu cajado dão-me confiança.
Preparas a mesa para mim à vista dos meus inimigos; ungiste com óleo a
minha cabeça; a minha taça transbordou.
Na verdade, a tua bondade e o teu amor hão-de acompanhar-me todos os dias
da minha vida, e habitarei na casa do SENHOR para todo o sempre.


Lucas 17,11-19.
Quando caminhava para Jerusalém, Jesus passou através da Samaria e da
Galileia.
Ao entrar numa aldeia, dez homens leprosos vieram ao seu encontro;
mantendo-se à distância,
gritaram, dizendo: «Jesus, Mestre, tem misericórdia de nós!»
Ao vê-los, disse-lhes: «Ide e mostrai-vos aos sacerdotes.» Ora, enquanto
iam a caminho, ficaram purificados.
Um deles, vendo-se curado, voltou, glorificando a Deus em voz alta;
caiu aos pés de Jesus com a face em terra e agradeceu-lhe. Era um
samaritano.
Tomando a palavra, Jesus disse: «Não foram dez os que ficaram purificados?
Onde estão os outros nove?
Não houve quem voltasse para dar glória a Deus, senão este estrangeiro?»
E disse-lhe: «Levanta-te e vai. A tua fé te salvou.»


Da Bíblia Sagrada



Comentário ao Evangelho do dia feito por

S. Bernardo (1091-1153), monge cisterciense e doutor da Igreja
Sermões diversos, n.º 27

«Os outros nove, onde estão?»

Vemos, hoje em dia, muitas pessoas que rezam, mas, afinal, não as vemos a
voltar atrás para dar graças a Deus [...] «Não foram os dez curados? Onde
estão pois os outros nove?» Estais a lembrar-vos, penso eu, que foi nestes
termos que o Salvador se lamentou acerca da ingratidão dos outros nove
leprosos. Podemos ler que eles sabiam «rezar, suplicar e pedir», pois
tinham levantado a voz para exclamar: «Jesus, Filho de David, tende piedade
de nós». Mas faltou-lhes uma quarta coisa que o apóstolo Paulo reclama: «a
acção de graças» (1Tm2,1), porque não voltaram para dar graças a Deus.

Nos nossos dias é ainda frequente ver um considerável número de pessoas
pedir a Deus com insistência o que lhes falta, mas são em pequeno número as
que parecem ficar reconhecidas com os dons recebidos. Não há mal em pedir
com insistência, mas o que faz que Deus não nos atenda é considerar que nos
falta gratidão. Afinal, talvez seja até um acto de clemência da sua parte
recusar aos ingratos o que estes pedem, para que não venham a ser julgados
com rigor por causa da sua ingratidão [...]. É pois por misericórdia que
Deus retém por vezes a sua misericórdia [...]

Vede portanto como todos os que estão curados da lepra do mundo, quero
dizer, das desordens evidentes, não aproveitam a sua cura. Alguns, com
efeito, foram atingidos por uma chaga bem pior do que a lepra, tanto mais
perigosa por ser uma chaga mais interior. É por isso com razão que o Senhor
do mundo pergunta onde estão os outros nove leprosos, porque os pecadores
se afastam da salvação. É por isso que, depois de o primeiro homem ter
pecado, Deus lhe perguntou: «Onde estás?» (Gn 3,9).




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