"Despojemo-nos das ações das trevas e vistamos as armas da Luz" Rm 13,12

26 de dez de 2008

A pureza do olhar

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É olhar com carinho para o outro

Ter olhos puros é ter uma conexão direta com nosso coração. Quando Deus transforma o nosso jeito de pensar, modifica também o nosso jeito de olhar as coisas e as pessoas. Vemos as coisas com os olhos da pureza, sem preconceito. Olhar as pessoas com pureza significa permitir que elas sejam vistas por nós como se estivessem sendo vistas por Jesus.

É muito bonito descobrirmos que, na oportunidade de encontrar o outro, também encontramos um pouquinho daquilo que somos. Há duas formas da fazermos isso: nos alegrando quando vemos, refletido no outro, um pouco daquilo que temos de bom. Mas também podemos nos entristecer, quando vemos o que o outro tem de ruim e descobrimos que somos ruins também daquele jeito.

Por isso é natural que, muitas vezes, aquilo que eu escuto de ruim do outro eu acabo não gostando, porque, na verdade, ele me mostra o que eu sou.

Ter a pureza no olhar significa você se despir de tudo e começar a olhar com carinho e liberdade para aquilo que o outro é, permitindo que esse seja o encontro frutuoso, tanto para nos mostrar o que temos de bom e para nos indicar no que precisamos ser melhor.

Neste dia de Santa Luzia, desejo que todos nós tenhamos os olhos puros.

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Padre Fábio de Melo

Padre Fábio de Melo é professor no curso de teologia, cantor, compositor, escritor e apresentador do programa "Direção espiritual" na TV Canção Nova.

A Avareza

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O apego desordenado que faz a pessoa buscar o dinheiro como um fim

Outro pecado capital é a ganância ou avareza.

São Paulo classifica a avareza como idolatria: “Mortificai, pois, os vossos membros terrenos: fornicação, impureza, paixões, desejos maus, cupidez e a avareza, que é idolatria” (Cl 3,5). A razão do Apóstolo ver como idolatria o apego aos bens materiais, sobretudo ao dinheiro, é que isto faz a pessoa amá-lo como a um deus.

Desde o princípio Jesus alertou os discípulos para este perigo, já no Sermão da Montanha: “Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou odiará a um e amará o outro, ou dedica-se a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e à riqueza” (Mt 6,24).

O que importa é que a pessoa não seja escrava do dinheiro e dos bens. É claro que todos nós precisamos do dinheiro; o próprio Jesus tinha um “tesoureiro” no grupo dos Apóstolos. São Paulo afirma que “a raiz de todos os males é o amor ao dinheiro” (1Tm 6,10). Veja que, portanto, o mal não é o dinheiro em si, mas o “amor” ao dinheiro; isto é, o apego desordenado que faz a pessoa buscar o dinheiro como um fim, e não como um meio.

“Porque sabei-o bem: nenhum dissoluto, ou impuro, ou avarento – verdadeiros idólatras! - terão herança no reino de Cristo e de Deus” (Ef 5,5).

É importante notar aqui que não são apenas os ricos que podem se tornar avarentos, embora sejam mais levados a isto. Não é raro encontrar também o pobre avarento. Por isso, no mesmo Sermão da Montanha, Jesus alerta: “Não ajunteis para vós tesouros na terra, onde a ferrugem e as traças corroem, onde os ladrões furtam e roubam. Ajuntai para vós tesouros no céu, onde não os consomem nem as traças nem a ferrugem, e os ladrões não furtam nem roubam” (Mt 6,19-20). Se Jesus recomenda “não ajuntar tesouros na terra”, é porque esta riqueza e segurança são ilusórias e não podem satisfazer-nos, por mais que o mundo nos diga que sim.

Por causa do amor ao dinheiro muitos aceitam praticar a mentira, a falsidade, o crime e a fraude. Quantos produtos falsificados!

Quantos quilos que só possuem 900 gramas! Quanta enganação e trapaça nos negócios! Podemos constatar que toda a corrupção, tráfico de drogas, armas, crimes, etc., têm por trás a sede do dinheiro. Jesus recomendou ao povo: “Guardai-vos escrupulosamente de toda avareza, porque a vida de um homem, ainda que ele esteja na abundância, não depende de suas riquezas” (Lc 12,15).

O apego aos bens desse mundo é algo muito forte em nós, quase que uma “segunda natureza”, e portanto, só com o auxílio da graça de Deus poderemos vencer esta tentação forte. Desde pequenos fomos educados para “ganhar a vida”. Será preciso a força do Espírito Santo em nossa alma para nos “convencer” da necessidade de uma vida de desprendimento e pobreza.

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Felipe Aquino
felipeaquino@cancaonova.com
Prof. Felipe Aquino, casado, 5 fihos, doutor em Física pela UNESP. É membro do Conselho Diretor da Fundação João Paulo II. Participa de Aprofundamentos no país e no exterior, já escreveu 60 livros e apresenta dois programas semanais na TV Canção Nova: "Escola da Fé" e "Trocando Idéias". Conheça mais em www.cleofas.com.br

Maria, Mulher Contemplativa!


Maria, Mulher Contemplativa!

Nossa Mãe Maria deve ser modelo de vida cristã para nós, que vivemos tão dispersos e confusos nos dias de hoje!

Deus proporcionou a Maria uma experiência única. Ela como ninguém, pôde ver com seus olhos e tocar com suas mãos o Verbo da Vida. Uma experiência que foi vivida de modo extremamente íntima e profunda. Naquela noite que o nosso Salvador veio ao mundo, Maria O tomou em seus braços e adorou Aquele que dela nasceu. Com o nascimento do Menino Jesus em Belém, Maria contemplou a paz e a libertação para toda a humanidade.

Maria, exemplo de meditação constante, nos mostra a figura da "Mulher Sábia", que sabe agradecer e confiar em Deus em qualquer momento da sua vida. Em Lucas, podemos notar o fruto da sua meditação constante. O Magnificat, taduz os sentimentos de Maria: "Minha alma proclama a grandeza do Senhor, meu espírito se alegra em Deus meu salvador, porque olhou para a humilhação da sua serva. Doravante todas as gerações me felicitarão, porque o Todo-poderoso realizou grandes obras em meu favor: seu nome é santo." Lc 1, 46-49.

Essas palavras que saíram dos lábios e do coração da Virgem servem para a nossa vida. Servem para reconhecermos que Deus cumpre as suas promessas e jamais nos abandona.

A nossa Mãe contemplativa soube conservar e meditar todas as coisas e acontecimentos em seu coração. Maria não contemplou apenas a infância de Jesus, pelo contrário, ela foi contemplativa também na vida pública de Cristo, em sua Paixão, sob a cruz, depois da Páscoa e também após a Ascensão, quando começaram a vida e a missão da primeira comunidade cristã.

Maria olhava para seu Filho, para o que Ele fazia e dizia e se perguntava sobre o que tudo aquilo podia significar no Plano de Deus. Próximo à cruz, compartilhou o sofrimento de seu Filho em agonia e dor de tantas mães que enfrentam situações semelhantes. Nós podemos até nos perguntar: quando viu Jesus pendendo na cruz, o que ela contemplou?

Certamente, Maria no seu ver profundo e penetrante, viu o mistério que vai além das aparências. Ela foi a primeira a enxergar o que todos fiéis buscam quando olham em direção da cruz.

Maria serve de exemplo para todos nós que buscamos nos encontrar a cada dia com o Nosso Senhor Jesus Cristo. A partir da sua vida, precisamos aprender com ela a procurar "o que é Deus", deixando de lado nossos projetos que não coincidem, tantas vezes, com o plano do Senhor sobre nossas vidas. É em Maria que encontramos estímulo para seguir firme na nossa missão.

Como a Virgem Maria todos nós jovens ou adultos, somos chamados a cultivar a mesma postura de meditação para podermos assimilar melhor o Plano que Deus tem guardado para cada um de nós!

Vanessa Aparecida Sola
vanessa.sola@hotmail.com
22/12/2008 - Bariri⁄SP