14 de mar de 2009

Liturgia Diária!!!

Sabado, dia 14 de Março de 2009
Sábado da 2ª semana da Quaresma

Santa Matilde, rainha da Prússia, +968



Comentário ao Evangelho do dia feito por
Cardeal Joseph Ratzinger [Papa Bento XVI] : «Um homem tinha dois filhos»

Leituras

Miqueias 7,14-15.18-20.
Apascenta com o cajado o teu povo, o rebanho da tua herança, os que habitam
isolados nas florestas no meio dos prados. Sejam eles apascentados em Basan
e Guilead, como nos dias antigos.
Mostra-nos os teus prodígios, como nos dias em que nos tiraste do Egipto.
Qual é o Deus que, como Tu, apaga a iniquidade e perdoa o pecado do resto
da sua herança? Não se obstina na sua cólera, porque prefere a bondade.
Uma vez mais, terá compaixão de nós, apagará as nossas iniquidades e
lançará os nossos pecados ao fundo do mar.
Mostrarás a tua fidelidade a Jacob, e a tua bondade a Abraão, como juraste
a nossos pais, desde os tempos antigos.


Salmos 103(102),1-2.3-4.9-10.11-12.
Bendiz, ó minha alma, o SENHOR, e todo o meu ser louve o seu nome santo.
Bendiz, ó minha alma, o SENHOR, e não esqueças nenhum dos seus benefícios.
Ele quem perdoa as tuas culpas e cura todas as tuas enfermidades.
Ele quem resgata a tua vida do túmulo e te enche de graça e de ternura.
Não está sempre a repreender-nos, nem a sua ira dura para sempre.
Não nos tratou segundo os nossos pecados, nem nos castigou segundo as
nossas culpas.
Como é grande a distância dos céus à terra, assim são grandes os seus
favores para os que o temem.
Como o Oriente está afastado do Ocidente, assim Ele afasta de nós os nossos
pecados.


Lucas 15,1-3.11-32.
Aproximavam-se dele todos os cobradores de impostos e pecadores para o
ouvirem.
Mas os fariseus e os doutores da Lei murmuravam entre si, dizendo: «Este
acolhe os pecadores e come com eles.»
Jesus propôs-lhes, então, esta parábola:
Disse ainda: «Um homem tinha dois filhos.
O mais novo disse ao pai: 'Pai, dá-me a parte dos bens que me corresponde.'
E o pai repartiu os bens entre os dois.
Poucos dias depois, o filho mais novo, juntando tudo, partiu para uma terra
longínqua e por lá esbanjou tudo quanto possuía, numa vida desregrada.
Depois de gastar tudo, houve grande fome nesse país e ele começou a passar
privações.
Então, foi colocar-se ao serviço de um dos habitantes daquela terra, o qual
o mandou para os seus campos guardar porcos.
Bem desejava ele encher o estômago com as alfarrobas que os porcos comiam,
mas ninguém lhas dava.
E, caindo em si, disse: 'Quantos jornaleiros de meu pai têm pão em
abundância, e eu aqui a morrer de fome!
Levantar-me-ei, irei ter com meu pai e vou dizer-lhe: Pai, pequei contra o
Céu e contra ti;
já não sou digno de ser chamado teu filho; trata-me como um dos teus
jornaleiros.'
E, levantando-se, foi ter com o pai. Quando ainda estava longe, o pai viu-o
e, enchendo-se de compaixão, correu a lançar-se-lhe ao pescoço e cobriu-o
de beijos.
O filho disse-lhe: 'Pai, pequei contra o Céu e contra ti; já não mereço ser
chamado teu filho.'
Mas o pai disse aos seus servos: 'Trazei depressa a melhor túnica e
vesti-lha; dai-lhe um anel para o dedo e sandálias para os pés.
Trazei o vitelo gordo e matai-o; vamos fazer um banquete e alegrar-nos,
porque este meu filho estava morto e reviveu, estava perdido e foi
encontrado.' E a festa principiou.
Ora, o filho mais velho estava no campo. Quando regressou, ao aproximar-se
de casa ouviu a música e as danças.
Chamou um dos servos e perguntou-lhe o que era aquilo.
Disse-lhe ele: 'O teu irmão voltou e o teu pai matou o vitelo gordo, porque
chegou são e salvo.'
Encolerizado, não queria entrar; mas o seu pai, saindo, suplicava-lhe que
entrasse.
Respondendo ao pai, disse-lhe: 'Há já tantos anos que te sirvo sem nunca
transgredir uma ordem tua, e nunca me deste um cabrito para fazer uma festa
com os meus amigos;
e agora, ao chegar esse teu filho, que gastou os teus bens com meretrizes,
mataste-lhe o vitelo gordo.'
O pai respondeu-lhe: 'Filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é
teu.
Mas tínhamos de fazer uma festa e alegrar-nos, porque este teu irmão estava
morto e reviveu; estava perdido e foi encontrado.'»


Da Bíblia Sagrada



Comentário ao Evangelho do dia feito por

Cardeal Joseph Ratzinger [Papa Bento XVI]
Retiro pregado no Vaticano, 1983

«Um homem tinha dois filhos»

Meditando nesta parábola, não se deve esquecer a figura do filho mais
velho. Num certo sentido, ele não é menos importante que o mais novo, a
ponto de esta história poder ter também o título, que talvez fosse mais
adequado, de parábola dos dois irmãos. Com a figura dos dois irmãos, o
texto situa-se no coração de uma longa história bíblica, começada com a
história de Caim e Abel, retomada com os irmãos Isaac e Ismael, Jacob e
Esaú, e interpretada em diferentes parábolas de Jesus. Na pregação de
Jesus, as figuras dos dois irmãos reflectem sobretudo o problema da relação
Israel-Pagãos. [...] Ao descobrir que os pagãos são chamados sem estarem
submetidos às obrigações da Lei, Israel exprime a sua amargura: «Há já
tantos anos que te sirvo sem nunca transgredir uma ordem tua.» Com as
palavras: «Filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu», a
misericórdia de Deus convida Israel a festejar.

Mas o significado deste irmão mais velho é ainda mais abrangente. Em certo
sentido, ele representa o homem devoto, ou seja todos os que permaneceram
com o Pai sem desobedecer às suas ordens. O momento do regresso do pecador
desperta o ciúme, esse veneno até então oculto no fundo da sua alma. Por
quê este ciúme? Ele mostra que muito «devotos» também escondem no seu
coração o desejo do país longínquo e das suas seduções. A inveja revela que
estas pessoas não compreenderam realmente a beleza da pátria, a felicidade
de «tudo o que é meu é teu», a liberdade de ser filho e proprietário.
Assim, parece que também elas desejam secretamente a felicidade do país
longínquo. [...] E, no fim, não entram na festa; no fim, permanecem de
fora. [...]

A figura do irmão mais velho obriga-nos a um exame de consciência; esta
figura permite-nos compreender a reinterpretação dos dez mandamentos que é
feita no Sermão da Montanha (Mt 5,28). Não é não somente o adultério
exterior, mas também o interior que nos afasta de Deus: é possível
permanecer em casa e ao mesmo tempo partir. Deste modo, devemos também
compreender a «abundância», a estrutura da justiça cristã: ela traduz-se
por um «não» à inveja e um «sim» à misericórdia divina.




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