24 de mar de 2009

São Clemente Maria Hofbauer

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Considerado o fundador dos redentoristas, perseguido pelo mau clero, destacou-se por seu amor ardente à Igreja e ao Papado e pela argúcia em detectar erros contra a fé.

O futuro apóstolo de Viena nasceu em Tasswitz, na Morávia, então pertencente ao Império Austríaco, no dia 26 de dezembro de 1751. Seus pais, Pedro Paulo e Maria Steer, eram camponeses, cujas riquezas eram a fé em Deus e uma grande família. João, que depois mudou seu nome para Clemente Maria, era o quinto dos doze filhos do casal.

Quando contava seis anos, perdeu seu pai. Sua mãe levou-o diante de um Crucifixo e lhe disse: “De agora em diante, este será teu único pai; procura seguir seus passos e levar uma vida conforme à sua vontade santíssima”.

Ele tinha recebido de Deus um coração extraordinariamente propenso para o bem, reto e sincero. Votava um amor entranhado ao Sacramento da Eucaristia e à Santíssima Virgem, sendo o rosário sua oração predileta. Completou o curso primário na escola local, enquanto ajudava a mãe no campo. Embora sentisse verdadeira vocação para o sacerdócio, a pobreza da mãe não permitiu que continuasse os estudos.

As inúmeras voltas do “rio chinês”

A vida para João, até ordenar-se sacerdote, foi como os rios chineses, que normalmente só chegam ao mar depois de darem muitas voltas. Aos catorze anos tornou-se aprendiz de padeiro. Depois disso, sempre à espera de uma oportunidade para estudar, foi encarregado do refeitório dos padres premonstratenses de Bruck, onde conseguiu fazer o ginásio. Tornou-se eremita perto de Mulfrauen, voltando depois à profissão de padeiro, para retornar à vida eremítica, desta vez em Tivoli, na Itália. De volta à Áustria aos 32 anos de idade, quando parecia que nunca mais realizaria seu sonho, benfeitoras pagaram-lhe o estudo na Universidade de Viena. Mas, devido às leis anticatólicas do “déspota esclarecido” Imperador José II, não podendo ordenar-se na Áustria, voltou para a Itália, ingressando na recém-fundada Congregação do Santíssimo Redentor, ou dos redentoristas, onde por fim recebeu em 1786 a ordenação sacerdotal.

Apostolado na Polônia e luta contra a corrupção

São Clemente, que deveria introduzir a Ordem Redentorista nos países de língua alemã, não podia entretanto exercer seu apostolado na Áustria. O imperador José II, instigado por alguns ministros, baixara vários decretos em detrimento da verdadeira Religião, suprimindo conventos, perseguindo religiosos e impedindo o exercício livre do culto divino. Por isso, atendendo a um pedido do Núncio Apostólico em Varsóvia, São Clemente foi para a Polônia.

O estado social e religioso desse país, afligido por contínuas guerras, era desastroso. A fé estava abalada, os costumes dissolutos, a pobreza reinava. O santo escreveu nessa ocasião: “Escândalos e vícios atingiram seu auge, e é difícil encontrar o caminho mais seguro e o modo mais eficaz de melhorar a situação. Desde o clero até o mais miserável mendigo, tudo encontra-se corrompido. Temo muito que Deus descarregue algum golpe terrível sobre esta nação, que assim despreza suas graças e favores; roguemos para que meus temores não se cumpram”. Mas eles se cumpriram à risca: em 1795 a Rússia, a Áustria e a Prússia repartiram entre si a desventurada Polônia. Em meio ao caos reinante, a Religião quase desapareceu.

São Clemente recebeu o encargo de cuidar da igreja de São Beno, dos alemães, e iniciou seu apostolado. A pobreza em que vivia a população era tão grande que, às vezes, faltava o necessário para a própria subsistência. Nessas horas dirigia-se ele à igreja e batia na porta do sacrário, dizendo: “Senhor, agora é tempo de nos socorrer”. E geralmente, depois desse ato de confiança, vinha o auxílio desejado.

Grande conhecedor da psicologia humana, São Clemente, para atrair os fiéis, empenhou-se sobretudo em exercer as funções litúrgicas com muita pompa. Apesar da dificuldade financeira, mandou fazer paramentos belos e ricos, recorrendo muito freqüentemente à exposição solene do Santíssimo Sacramento, às procissões, novenas e tríduos, para atrair o povo. Dizia ele: “As solenidades públicas atraem por seu esplendor e aos poucos cativam o povo, que ouve mais com os olhos do que com os ouvidos”. Ressuscitou também, ou criou, associações tradicionais de piedade, tanto para homens quanto para mulheres e crianças. Fundou uma espécie de Ordem Terceira dos redentoristas, os “oblatos”, entre os quais figuravam sacerdotes e pessoas de ambos os sexos e de todas as classes sociais.

Apostolado em meio a grandes perseguições

Em pouco tempo, as funções religiosas passaram a ser tão concorridas que, aos domingos, não cabendo na igreja, os fiéis postavam-se no cemitério e ao longo das ruas para, ao menos de longe, assistirem à Missa.

Mas não se detinha nisso o zelo do apóstolo: fundou também escolas para crianças, colocando-as em mãos de hábeis e virtuosos mestres formados sob sua vigilância. Promoveu a boa imprensa, difundindo principalmente as obras de Santo Afonso de Ligório, para o que utilizava os congregados marianos. Em seus fogosos sermões, combatia o jansenismo, o protestantismo e os franco-maçons.

Seu exemplo começou a ser imitado em outras igrejas de Varsóvia, de modo que se pôde afirmar mais tarde que a cidade transformara-se completamente por seu influxo. As pessoas que freqüentavam a igreja de São Beno pareciam viver num convento: faziam todos os dias o exame de consciência e a meditação; por ocasião da quaresma e advento, recolhiam-se à solidão para o retiro espiritual.

Mas os maus – tanto nas fileiras do clero como na sociedade civil – não suportam que o bem se expanda. Uma campanha orquestrada de detração dos redentoristas atingiu seu auge em 1800. Sobre isso escreveu São Clemente: “Os jacobinos espalham contra nós toda sorte de invencionices. Somos escarnecidos nos teatros públicos, o próprio clero está contra nós, exceto o Bispo e alguns cônegos. Somos publicamente ameaçados com a forca. [...] Uns prostravam-se diante de mim para me beijar os pés, outros me cobriam de lama; aqueles exageravam na honra, e estes no desprezo”. [...] Sofri na Polônia coisas que só serão manifestadas no dia do Juízo Final”.

Apóstolo de Viena e promotor do culto divino

A campanha de difamação foi bem sucedida e redundou na expulsão dos redentoristas. Tentando encontrar lugar seguro para fundar o ramo alemão de sua ordem, São Clemente peregrinou de cidade em cidade até chegar a Viena, como última tentativa. Aí foi-lhe imposto o mais rigoroso silêncio, tanto no púlpito quanto no confessionário. Só uma coisa podia fazer, e isso realizou com fervor: rezar!

Nessa época, o ímpio Napoleão, em sua marcha sempre vitoriosa, conquistou a própria capital do império austríaco. Mas ali não se demorou, pois o arquiduque Carlos surgiu em socorro de Viena. São Clemente sabia que daquela batalha dependia a sorte de sua pátria. Correu para junto do tabernáculo e, com os braços em cruz, rezou fervorosamente pela vitória do arquiduque. E sua oração foi ouvida: no último ataque de Napoleão, o desespero apoderou-se da sua tropa. O arquiduque Carlos saltou então do cavalo à frente de seus soldados, empunhou a bandeira austríaca, animando com seu exemplo e valor os seus, que o seguiram entusiasmados. Em pouco tempo o campo de batalha encontrava-se em poder dos austríacos. Foi esta a primeira derrota de Napoleão…

Ora, com as batalhas, os feridos chegavam em massa para a cidade, alastrando-se a febre tifóide. O Arcebispo de Viena convocou o clero para o cuidado espiritual e material dos enfermos, tendo pedido a São Clemente que atendesse principalmente os soldados franceses e italianos.

Quando voltou a normalidade, foi ele nomeado coadjutor da igreja dos italianos, onde pôde exercer plenamente suas funções religiosas. E um número crescente de vienenses começou a agrupar-se em torno de seu confessionário e púlpito.

São Clemente pregava esporadicamente em outras igrejas de Viena, e seu nome começou a ser pronunciado também nas altas rodas da cidade com admiração e amor. Isso tornou-se ainda mais saliente em 1813, quando passou a ser diretor espiritual das Irmãs Ursulinas, de Viena, tendo ficado a seu cargo a igreja de Santa Úrsula.

Como em Varsóvia, ele cercou de esplendor o culto divino: muitas velas, flores, incenso, cânticos e tudo que podia contribuir para o esplendor das funções. Não conhecia economia, quando se tratava de honrar a Deus Nosso Senhor, a Virgem ou os santos. Convidava outros sacerdotes para aumentar o brilho das cerimônias de Santa Úrsula, de sorte que o templo tornou-se pequeno para conter a multidão cada vez maior. Havia muitos anos não se viam mais cerimônias como aquelas.

E assim, sem se importar com as proibições do josefinismo — mesmo porque o próprio irmão do Imperador freqüentava a igreja e participava das cerimônias — o exemplo de Santa Úrsula contagiou outras igrejas da cidade, que passaram a emular-se em esplendor no culto divino. Era o apostolado do belo, que ele fazia de modo exímio.

Influência crescente no Congresso de Viena

Os sermões de São Clemente eram simples. Lia o Evangelho e, entre uma sentença e outra, ia explicando um dogma da fé ou um mandamento. Confrontava então com os princípios do Evangelho os costumes em voga e as idéias do tempo, exortando sempre, com palavras quentes e insinuantes, a que todos se convertessem e praticassem a virtude. Ele não era orador; entretanto empolgava como nenhum outro pregador em Viena, pois a santidade autêntica atrai.

Nesta ocasião, deu-se a convocação do Congresso de Viena para reparar as calamidades provocadas pelas guerras napoleônicas e traçar o futuro da Europa. São Clemente esperava muito desse congresso, porque do seu resultado dependeria a prosperidade da Religião no Velho Continente. Exercia muita influência sobre alguns de seus participantes. Diariamente confabulava com eles, que lhe apresentavam as propostas que iriam fazer naquela assembléia. Até o príncipe da Baviera pedia-lhe conselhos; certa noite, ficou conferenciando com ele das 20h às 2h da madrugada.

Enquanto isso, outros discípulos de São Clemente preparavam a opinião pública por meio de artigos nos principais diários de Viena, expondo com clareza o que dele ouviam.

Ao mesmo tempo, um de seus discípulos recebeu a incumbência de pregar nas igrejas de Viena durante a época do congresso, sobre os pontos religiosos em discussão, orientando o povo e preparando os ânimos. “Se São Clemente não conseguiu tudo o que desejava do Congresso, teve a glória de salvar a Áustria do cisma que a ameaçava, e de destruir por completo os planos de separação excogitados e defendidos pelo poderoso Wessenberg. Essa vitória foi uma das mais gloriosas que São Clemente alcançou em vida”, afirmou um autor.

Devotíssimo da Santíssima Virgem

Uma palavra sobre a devoção a Nossa Senhora, que para São Clemente unia-se à do Santíssimo Sacramento. Em uma época em que até teólogos pré-progressistas julgavam dever impugnar o culto “excessivo” a Maria Santíssima, São Clemente tornou-se conhecido como o “padre que benze terços”. Com efeito, ele chamava o rosário sua “biblioteca”, afirmando que, por essa devoção, conseguia tudo que pedia a Deus. Impôs mesmo aos oblatos o dever de defender sempre o rosário, mormente quando escarnecido pelos hereges ou assemelhados.

São Clemente faleceu no dia 15 de março de 1820, no momento em que os sinos tocavam o Angelus. Foi beatificado por Leão XIII e canonizado por São Pio X, em 20 de maio de 1909.

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Fonte: Catolicismo

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