22 de abr de 2009

Bispo explica postura eclesial sobre preservativo

Rebate as acusações de ignorância de um jornal contra o Papa


SAN LUIS, terça-feira, 21 de abril de 2009 (ZENIT.org).- Diante das desqualificações vertidas por um jornal argentino contra o Papa Bento XVI, acusado de «ignorância que afetaria fatalmente a saúde da população», o bispo de San Luis, Jorge Luis Lona, foi ao seu encontro com uma mensagem titulada «Triste Ignorância».

Na mensagem, de 18 de abril, enviada à Zenit, o bispo Lona afirma que «utilizando um estilo agressivo, o órgão de imprensa que representa em San Luis o pensamento oficial, acusou o Papa Bento XVI e a Igreja Católica de uma ignorância que afetaria fatalmente a saúde da população».

Tal acusação, formulada no editorial jornalístico do Domingo de Ramos, «obviamente não era um tema para ser tratado durante o curso da Semana Santa, que continua sendo um tempo especialíssimo de culto, oração e testemunho de fé», aponta o bispo de San Luis.

Passada a Semana Santa, o bispo se propõe «considerar o tema de maneira objetiva e conciliadora, para o bem de todos».

Em primeiro lugar, o bispo considera que o «Jornal» parece ter se deixado influenciar pela ignorância manifestada pelo Ministério de Educação da Nação, ao definir o preservativo como «o único método existente para prevenir o vírus da AIDS».

O bispo responde que «não só não é o único método, mas os organismos internacionais e nacionais mais importantes do mundo colocam o preservativo no terceiro ou quarto lugar, antepondo-se precisamente, em primeiro e segundo lugar, as práticas preventivas que a Igreja recomenda: retardar o começo da atividade sexual (abstinência) e fidelidade mútua; abstinência da atividade sexual e relação sexual mutuamente monógama» (Onusida e Center for Disease Control, EUA).

O arcebispo aponta que estes importantes organismos oficiais não propõem esses critérios em adesão à Igreja Católica e a seu Magistério, mas «pelas evidências científicas acumuladas através de mais de 20 anos de campanhas mundiais de prevenção da AIDS».

Por isso, assegura Dom Lona, «os numerosos parágrafos em que o editorial do ‘Jornal’ se refere às propostas da Igreja em tom irônico e até depreciativo, encontram sua desculpa em uma triste – mas supomos involuntária – ignorância».

Em segundo lugar, o bispo afirma que «é necessário compreender por que a distribuição e propaganda do preservativo pode agravar a difusão da AIDS».

E sublinha que «esta afirmação do Papa Bento XVI durante sua recente viagem à África foi firmemente apoiada pelo Dr. Edward Green, principal pesquisador do tema na Universidade de Harvard, com ampla experiência naquele continente».

O bispo informa que é «um destacado cientista não-católico, que fundamenta sua opinião em dados objetivos dos quais foi testemunha. Trata-se do fenômeno conhecido como ‘desinibição do comportamento’, pelo qual a pessoa assume maiores riscos em sua conduta sexual, ao crer-se a salvo da doença».

Em terceiro lugar, explica o bispo de San Luis, «o grande problema do preservativo em relação à prevenção da AIDS é sua baixa eficiência de uso. Para diminuir o contágio da AIDS, o preservativo deveria ser de perfeita qualidade, e utilizado com precauções especiais. Só assim poderia conseguir-se o que tecnicamente se denomina ‘uso consistente’. Mas essa consistência de uso não se conseguiu nunca no conjunto de uma população afetada».

Tudo o que disse, segundo o prelado argentino, tem valor científico e «foi necessário para enfrentar a acusação de que a Igreja ignora os progressos da ciência experimental.

Mas, acrescenta, «há outra ciência mais alta: a verdadeira filosofia, que se anima a indagar sobre o mistério do ser humano em todas as suas dimensões e se nega a reduzi-lo a um animal de inexplicável inteligência e carente de liberdade».

«Sob essa luz – sublinha –, a Igreja continua proclamando a verdade da Criação. Deus nos criou para amar-nos e para que, respondendo ao seu amor, chegássemos a ser capazes de amar-nos entre nós como Ele nos ama. Por isso nos criou parecidos com Ele, à sua imagem e semelhança, com um querer inteligente e livre. E nos criou homem e mulher. O sexo humano tem como chave, realização e destino a entrega do amor para o próprio bem e o bem dos demais. Tudo o que poderá ter de autenticamente recriacional e libertador virá disso.»

Dom Lona conclui afirmando que Deus não quer «o sexo egoísta, capaz de destruir a própria vida e causar terrível dano aos demais» e, «em Cristo ressuscitado, Ele nos convida e continuará nos convidando a renovar, e também a recuperar se o perdermos, o dom de vida que pôs em cada um de nós. Ele quer iluminar toda ignorância. Ele quer que brilhe em nossas vidas o resplendor da Verdade».

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