21 de abr de 2009

Caterina Volpicelli, santa do Sagrado Coração, será canonizada em 26 de abril


Fundadora das Escravas do Sagrado Coração
Por Carmen Elena Villa
ROMA, segunda-feira, 20 de abril de 2009 (ZENIT.org).- «Senhor, o que queres que eu faça?», era a pergunta constante que a jovem Caterina Volpicelli, ao regressar de espetáculos como o teatro, ou a dança, de que tanto gostava, fazia à imagem do «Ecce Homo», que se encontrava em sua casa e que está hoje na casa central da comunidade das Escravas do Sagrado Coração, fundada por ela.
No próximo domingo, esta mulher será canonizada pelo Papa Bento XVI, junto a outros quatro beatos.
«A Madre», como a chamam hoje as religiosas deste instituto, nasceu em 1839, em Nápoles. Foi uma menina vivaz, inteligente e ao mesmo tempo muito dócil. Fazia parte da alta nobreza de sua cidade. Em sua juventude teve muitos questionamentos sobre qual caminho deveria seguir.
«Viveu uma adolescência muito difícil. Pensava em casar-se, formar uma família. Com suas irmãs frequentava os teatros e as diversões de seu tempo. Conseguiu estudar muitos idiomas», explica à Zenit Carmela Vergara, postuladora da causa de canonização de Caterina e religiosa da comunidade Escravas do Sagrado Coração.
Nessa época houve também uma forte epidemia de cólera em sua cidade. A experiência de dor a fez olhar mais de perto sua vocação de entregar-se inteira ao Senhor.
Em 1855 conheceu o sacerdote franciscano Ludovicco de Casola, hoje beato, que intuiu a vocação de Caterina: «Caterina, o mundo a atrai, mas Deus vence». «Chegará um dia no qual fechará todos os livros e Jesus lhe abrirá seu coração, onde a primeira página, a segunda e as demais não dirão outra coisa que Amor... Amor... Amor.»
Assim, em 1859, Caterina entrou para fazer parte da comunidade das Adoradoras Perpétuas de Jesus Sacramentado, mas em pouco tempo se retirou, por graves motivos de saúde.
Eram anos difíceis para a Igreja em Nápoles: a invasão garibaldina, a perseguição por parte dos maçons e a dispersão dos jesuítas eram alguns desafios para o apostolado neste tempo.
Também se desenvolvia em Roma o Concílio Vaticano (1869-1870), convocado pelo Papa Pio IX. Paralelamente, um grupo de anticlericais realizava o «Anti-concílio de livre pensadores». Foi neste contexto no qual Caterina decidiu começar sua obra, com o acompanhamento espiritual do Pe. Ludovico.
No edifício de Largo Petrone na Saúde, localizado em Nápoles, Caterina começou suas atividades apostólicas. Lá reuniu 12 mulheres com suas mesmas inquietudes, a quem chamou de «zeladoras do apostolado e da oração».
Foram grandes os frutos de seu apostolado. Graças à amizade e aos conselhos de Volpicelli, o hoje beato Bartolo Longo, fundador do santuário de nossa Senhora do Rosário em Pompéia, teve uma conversão radical, após ter-se dedicado durante anos à superstição e ao espiritismo.
«Ele se havia afastado da Igreja, mas com ela conseguiu converter-se, fez a primeira comunhão e da casa de Volpicelli foi para Pompéia, para fundar o santuário», diz Carmela.
Mostrar o coração de Jesus
Em 17 de dezembro de 1867 nasceu o Instituto Volpicelli. As primeiras mulheres que sentiram este chamado iniciaram assim a vida comunitária.
Esta comunidade, em seus inícios, teve de passar por diferentes provas: «era perseguida pelos maçons, porque viam esta mulher que estava rodeada de outras mulheres e pensavam que se reuniam para fazer discursos políticos contra os maçons, mas isto não lhe preocupava, não lhe dava importância, seguia adiante porque cria na obra de Deus», assegura Carmela.
«Ela dizia que deveríamos levar o Coração de Cristo aos corações dos pequenos, dos adultos, dos jovens e a todas as famílias da sociedade e do mundo inteiro», disse.
Escravas, pequenas escravas e agregadas
Hoje são cerca de 300 mulheres que seguem a obra de Caterina. Encontram-se na Indonésia, Itália, Brasil e Panamá. «Nosso carisma é o de encarnar Cristo amor, este amor misericordioso de Deus na dimensão, seja contemplativa ou pastoral, para levá-lo através da imolação, a reparação e o sacrifício», assegura Concetta Liguori, madre geral das Escravas do Sagrado Coração.
Caterina não quis que as irmãs de sua comunidade usassem hábito: «porque nos disse: vosso sinal visível deve ser o testemunho de vida. Deveis adaptar o hábito aos tempos e os lugares», assegura a madre Concetta.
Assim, esta comunidade tem agora três ramos: em primeiro lugar, as Escravas, que são mulheres consagradas que vivem em comunidade a obediência, a castidade e a pobreza.
O segundo ramo são as Pequenas Escravas, consagradas que vivem em meio à sua família. Por último, estão as agregadas, que vivem a espiritualidade de Volpicelli em meio à vocação ao matrimônio.
A beata viajou várias vezes a Roma para encontrar-se com o Papa Leão XIII, que a alentou a que seguisse adiante com este instituto, o qual recebeu sua aprovação pontifícia em 1911, com o Papa São Pio X.
Caterina morreu em 18 de dezembro de 1894, aos 55 anos. «Morreu uma santa, uma santa, uma santa», disse o Papa Leão XIII quando ficou sabendo de sua morte.
Antes de ser chamada à casa do Pai, deixou uma carta a seus familiares, na qual dizia: «Iluminada por Deus bendito, em sua infinita misericórdia, acima da vaidade do mundo e do dever de gastar-me total e unicamente no servir a Deus, meu Criador, Redentor e Benfeitor, segundo seu beneplácito, a Ele consagrei e paguei o ser e o que Ele me deu».

Fonte: Zenit

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