16 de mai de 2009

'Anjos e demônios': Um filme-propaganda que 'confirma o fascínio pela Igreja'


"'Anjos e demônios' é um filme inverossímil, leve, que não deve ser levado muito a sério, mesmo que tenha um bom ritmo e seja bem interpretado. Uma tonelada de erros: Galileu deslocado um século para trás, o seu caso falseado. Não é verdade que Pio IX mutilou as estátuas antigas, nem que foram destruídas no final do século XVIII, quando os piemonteses chegavam em Roma durante 30 anos. É mentira que os arquivos vaticanos são inacessíveis, que o secretário pessoal do Papa é também camerlengo e que pode guiar a transição... Só há uma coisa certa: os hábitos. Os uniformes das guardas suíças são impecáveis. Como as vestes dos cardeais. E a sua gestualidade no conclave, os anéis, as cédulas. Muitas coisas são equivocadas, mas não os símbolos. Mais do que representar um perigo, esse filme confirma o fascínio milenar pelo catolicismo. Pela Igreja. Pelo Vaticano".

Pré-estréia mundial, Auditorium de Roma. Quando se acendem as luzes na sala, Gian Maria Vian, diretor do L'Osservatore Romano, sentado não distante de Dan Brown, de Tom Hanks, do diretor Ron Howard e ao lado de outros convidados – Veltroni, Ursula Andress, Bonolis, Barbara Bouchet, Augias, Maria Grazia Cucinotta – está mais irônico do que escandalizado. Em mais de duas horas de filme, debaixo de seus olhos passaram muitas coisas. Em síntese: o Papa é pai (mesmo que não graças à inseminação artificial, como no romance, mas após uma adoção), o filho é o seu secretário; o Pontífice foi assassinado, os quatro papáveis – definidos inacreditavelmente como "Preferidos" – são raptados na véspera do Conclave; a antimatéria, mais perigosa do que a bomba atômica, está escondida nos subterrâneos da Basílica de São Pedro e está por explodir...

"Há muitas bobagens, é verdade – sorri Vian. Mas o filme, de qualquer modo, se sustenta. Marca o retorno aos clássicos dos anos 60, os filmes de 'fanta-Vaticano', dos quais eu gostava muito. Como "As Sandálias do Pescador", com Anthony Queen no papel de Cirilo I, tirado do best-seller homônimo de Morris West: quase a intuição do pontificado de João Paulo II. Com relação a essa tradição, 'Anjos e demônios' paga o pedágio ao público americano. A aproximação histórica é impressionante. Não é verdade que a porta da Capela Sistina é selada durante o Conclave, que os cardeais permanecem fechados noite e dia na capela, que Celestino V tenha sido assassinado, que a lei veta a autópsia do corpo do Pontífice. Não existem 'jatos vaticanos', nem um 'Banco vaticano', nem um 'grande eleitor vaticano'. Nem é plausível a cena em que os arquivos vaticanos se transformam em uma armadilha tecnológica mortal. Em certos traços, parece Indiana Jones".

Porém, revelados os erros e os exageros, Vian vê na grande máquina do filme o enésimo sinal "do fascínio eterno pelo catolicismo. Pela Igreja. Pelo Vaticano. Certamente, não seriam necessários Dan Brown e Ron Howard para lembrar isso". Mas todos os sinais estão presentes: "A Cúpula de Michelangelo. As estátuas de Bernini, mesmo que não tenham conseguido refazer a Santa Teresa em êxtase. As igrejas de Roma. As grutas vaticanas. As guardas suíças, que entre eles falam justamente como no filme, em um alemão de forte acento regional. A Capela Sistina, reconstruída de modo admirável, visto que a Santa Sé não se prestou a dar nenhuma contribuição a essa operação de caixa. De resto, nem os produtores de ficção tiveram permissão, nem mesmo [Luca e Matilde] Berbabei" [produtores do filme "Papa João Paulo II", das redes CBS e Rai], o que já diz tudo.

"Confirma-se novamente a centralidade do Vaticano e a força muito atual da fascinação que a Igreja exerce também em quem não a conhece. E Pierfrancesco Favino tem razão, que também neste filme se confirma um talento interessante, quando mostra que se trata também de uma gigantesca propaganda sobre Roma. A entidade para o turismo da cidade não teria feito melhor...".

Os convidados foram acolhidos por figurantes vestidos de guardas suíços. "Uma palhaçada", comenta Vian. Ele porém anota desde o início como a trama inverte o projeto do filme anti-Vaticano: "Aqui, os depositários do 'segredo' não são as hierarquias eclesiásticas, mas os seus adversários". Isto é, os Illuminati, a misteriosa confraria que roubou a antimatéria do Cern [Organização Europeia para a Investigação Nuclear] e quer usá-la para vingar um insulto ocorrido em 1668 a quatro afiliados, marcados por fogo pela Igreja. "Também esta é uma grave mentira histórica – comenta o diretor do L'Osservatore Romano. Não só pela implausibilidade da pena, quanto ao fato de que é colocada em uma época histórica em que há tempos a Igreja já não é mais inimiga da ciência. Copérnico era um eclesiástico. Se formos ver bem, neste filme também há um padre cientista... Mais em geral, está equivocado o estereótipo de uma Igreja em luta com a modernidade e o progresso. Uma das linhas-guia do pontificado de Bento XVI é justamente o acordo entre fé e razão".

Três dos quatro cardeais raptados tem um final terrível. Um deles é esfaqueado até à morte em uma Praça de São Pedro agitada por uma rixa digna de estádio. Falta muito pouco para a explosão final, o secretário do Pontífice que parecia bom se revela malvado, mas o final obviamente é feliz, e o quarto cardeal se torna Papa. "O filme, em certos detalhes, é melhor do que certas ficções – conclui Vian. De resto, não merece muita publicidade. Não é o caso de se falar em condenações. No fundo, basta ter feito, não digo o Ensino Médio, mas um válido Ensino Fundamental para desmascarar a impostura complexa e as muitas insensatezes específicas. E, depois, Tom Hanks continua sendo um ótimo ator...".

Aldo Cazzullo com tradução de Moisés Sbardelotto.
Fonte: UNISINOS

http://amaivos.uol.com.br/amaivos09/noticia/noticia.asp?cod_noticia=12367&cod_canal=34

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