26 de mai de 2009

Viver de Amor...



Por Matheus Silva de Paula


"Em verdade vos declaro: ninguém há que tenha abandonado, por amor do Reino de Deus, sua casa, sua mulher, seus irmãos, seus pais ou seus filhos, que não receba muito mais neste mundo e no mundo vindouro a vida eterna." (Lc 18,29-30).

"Como o Pai me ama, assim também eu vos amo. Perseverai no meu amor." (Jo 15,9).

Viver de amor é exercitar a fé. Quando a alma se sente inválida por que não se doa, ela arde até se entregar totalmente a Deus e aos irmãos. Esta sensibilidade mostra que a alma está na direção certa, pois se sofre pelo verdadeiro amor, seu fim não será outro senão o encontro com o Pai, o maior dos desejos da alma. Ela busca então, de todas as formas, perseverar na vida reta, na fé e no amor, a fim de que queira, nesta vida, o Reino de Deus e a sua justiça (cf. Mt 6,33), e não os bens materiais, prazeres carnais ou glórias. Uma alma que vive de amor consegue não mais se preocupar com as coisas deste mundo: ela espera e aguarda a ação de Deus. Ela se doa sem medida, sem esperar salário; apenas confia em seu Senhor. Esta confiança é o que rege o seu caminhar.


É custoso para o homem ser simples; a carne exige o brilho, o prazer, a glória. A alma, no entanto, necessita esquecer a si mesma, e buscar apenas a vontade de Deus. O que a carne deseja é, na verdade, um veneno para a alma, mesmo quando esta já esteja imensamente enegrecida pela mancha do pecado. Tal condição, no entanto, não impossibilita a ação do Espírito Santo, basta que esta alma deseje verdadeiramente voltar ao primeiro amor. Deus jamais lhe negaria a reconciliação. Jesus perdoou todos os pecados da mulher pecadora que lhe ungiu os pés na casa de um fariseu por que ela demonstrou muito amor (cf. Lc 7,47). Assim também a misericórdia de Cristo se estende a todos os que demonstram este amor; necessário é, no entanto, que nos aproximemos do Salvador, que banhemos seus pés com beijos, lágrimas e perfume. E como fazer tais coisas? "Assim, pois, qualquer um de vós que não renuncia a tudo o que possui não pode ser meu discípulo." (Lc 14,33).

É na renúncia que encontramos os meios de nos aproximarmos do Senhor Jesus, e, tal como aquela mulher, termos nossa vida transformada pela misericórdia inenarrável do Cordeiro de Deus. É também através da doação e do serviço que recebemos a enorme graça de ajudarmos ao próprio Jesus, através do próximo: "...Em verdade eu vos declaro: todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes." (Lc 25,40).

Em meio às provações, aos desertos da vida, vamos nos afastando gradualmente do amor de Deus, à medida que não lutamos para trilhar a santidade nestas situações. Parece mais prático parar de remar contra a maré, e deixarmo-nos levar por ela. Deus, é claro, nunca desampara seus filhos. Não interfere, porém, em suas escolhas: o homem é livre. Ele recebe, porém, conforme sua escolha. Se o homem opta por Cristo, deve viver conforme Cristo deseja que seus discípulos vivam, a fim de que, cada um a seu tempo, receba sua recompensa. Façamos aqui apenas a vontade de Deus; vivamos de amor. "Como o Pai me ama, assim também eu vos amo. Perseverai no meu amor. Se guardardes os meus mandamentos, sereis constantes no meu amor, como também eu guardei os mandamentos de meu Pai e persisto no seu amor." (Jo 15,9-10).

Viver perseverando neste amor é banhar-se no Preciosíssimo Sangue de Cristo derramado na cruz para que nós, pecadores imundos, fôssemos lavados pela salvação e graça. É querer seguir este Cristo, passo a passo no caminho do Calvário, olvidando a nós mesmos, deixando de lado nossas dores, como Jesus que não lamentou o peso da Cruz, mas consolou e alertou as mulheres que por Ele choravam... "Filhas de Jerusalém, não choreis sobre mim, mas chorai sobre vós mesmas e sobre vossos filhos." (Lc 23,28).

Todas as formas de trilhar o caminho da santidade se centram na imitação do Salvador, do Esposo Adorado. A busca da santidade é a busca da perfeição, perdida pelo pecado de Adão e Eva, e recuperado pelo Sim de Maria, e pelo cumprimento da missão do Verbo Encarnado, Jesus. A alma deve se fazer pequena, para atingir a humildade de Cristo, e tal como Ele, viver uma vida de serviço (cf. Jo 13,14), obediência (cf. Mt 26,42) e renúncia (cf. Mt 16,24), e assim, viver do Verdadeiro Amor.



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Para citar:

PAULA, Matheus Silva de
. Apostolado Sociedade Católica: Viver de Amor. Disponível em: http://www.sociedadecatolica.com.br/modules/smartsection/item.php?itemid=483 Desde 07/05/2009

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