21 de jul de 2009

Autoconhecimento é importante?

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A necessidade de descobrir o sentido da vida

Vivemos mundo mundo que nos incentiva a sermos independentes, de Deus e de todos. Nos incentiva a uma autorealização, que para a grande maioria parece cada vez mais distante, pois trata-se de incentivo a uma vida cada vez fora de nós mesmos, cada vez mais exteriorizada. O resultado disto, é que as pessoas cada vez se preocupam e cuidam menos do seu próprio interior, gerando sentimentos de frustração, de vazio. Cada vez mais encontramos pessoas que sentem um grande vazio interior, uma insatisfação que não consegue sequer dar nomes ao próprio sentimento.

A sabedoria clássica considera o pensamento de Sócrates: “Conhece-te a ti mesmo”, como ponto de partida da filosofia humana. No entanto, este é um caminho muito difícil de ser percorrido para quem não tem um referencial, um modelo de personalidade a ser atingido. Mas, para nós cristãos, que temos este modelo, este referencial, que é Jesus Cristo, precisamos ter a coragem de nos por a caminho e nos conhecer em profundidade. O autoconhecimento é um caminho que nos leva a olhar para dentro de nós mesmos, reconhecer nossos dons e talentos que de Deus recebemos e também os nossos limites, fraquezas, os pontos que precisamos melhorar. "Conhecer-se a si mesmo é uma necessidade e um dever ao qual ninguém pode subtrair-se.

O homem tem necessidade de saber quem é. Não pode viver, se não descobre que sentido tem sua vida. Arrisca-se a ser infeliz, se não reconhecer sua dignidade" (Amarás o Senhor teu Deus - Amadeo Cencini - pág. 8 - Edições Paulinas).

Conhecer-se a si mesmo é uma necessidade é uma fundamental para se ter um conceito correto e real de si próprio, pois somente aquele que descobre seu verdadeiro valor, permite uma aceitação serena de si mesmo e de suas limitações que lhe proporcionará a segurança necessária para viver sua vida e realizar mudanças que podem ser necessárias.

Muitos até acham que se conhecem, mas até que ponto é este conhecimento de si? Para que você possa se verificar até que ponto você se conhece, recomendo um teste simples: escreva em uma folha 10 qualidades que você gosta de si mesmo e que reconhece que possui, e 10 pontos fracos que você percebe que precisa melhorar. O que foi mais fácil para você escrever? As qualidades ou os defeitos.

O autoconhecimento nos leva a uma autoestima e um amor próprio adequados, ou seja, a um olhar para si mesmo e reconhecer-se como criatura de Deus, como obra-prima de Deus, sem exaltações, mas sem degradações.

Sem esta visão adequada, o que é gerado é insegurança, perfeccionismo, dificuldades de lidar com os próprios erros e fraquezas e também com as dos outros, entre muitas outras conseqüências. Santo Agostinho afirmava: “Conhecer-me e Conhecer-Te”, com isto ele nos ensina que quanto mais nos conhecemos, mais conhecemos Aquele que nos criou e que é a luz do mundo, melhor veremos a realidade do nosso ser.

Volte a lista que você fez. Nas qualidades que colocou, marque as alternativas que são relacionadas a fazer, a atitudes externas, e observe. Quantas você colocou de atitudes externas e quantas internas? Assim você poderá perceber não só o quanto você se conhece, mas também o quanto você está voltado para as coisas exteriores.

A Igreja nos dota de uma grande ferramenta de autoconhecimento: o exame de consciência diário. Com ele, nos é possível avaliar bem onde podemos ser atingidos pelo inimigo, os nossos pontos fracos, nossos defeitos, paixões e vícios camuflados. E com isto, voltarmos com confiança em Deus que nos ama e sempre cuida de nós. Apresentando-nos a Ele como somos, sem medo, sem receios, e buscando Nele a força diária para vencermos nossas batalhas interiores. São Francisco afirmava: “Eu sou o que sou diante de Deus, e mais nada!” Deus nos vê como somos, diante Dele não precisamos nos esconder.

Trata-se de uma ferramenta simples, basta dedicarmos poucos e breves minutos do final do nosso dia, com constância, vamos pouco a pouco, conseguindo olhar mais a fundo para o nosso interior, e conhecendo não só nossos limites, como nossas riquezas.

Precisamos entender que as nossas riquezas não estão no nosso exterior, no que fazemos, e sim no nosso interior, naquilo que somos. Somos filhos de Deus, filhos amados de Deus. O nosso principal valor está no ser pessoa.

Precisamos saber quem somos, quais os nossos dons e talentos, o que possuímos de capacidades; precisamos também saber para quem, quais os nossos objetivos no uso de nossos dons, talentos e capacidades. Pois não é somente aquilo que possuímos que decide o nosso valor como pessoa, mas o que “somos” no mais profundo de nossa identidade como seres humanos, como cristãos, como batizados, justificados, filhos de Deus. Esta estima positiva, é um valor que ninguém pode tirar.

Manuela Melo

Foto Manuela Melo
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Missionária da Comunidade Canção Nova, formada em Psicologia, com especialização em Logoterapia e MBA em Gestão de Recursos Humanos.

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