29 de jul de 2009

Em que consiste a Fé Católica: A Pessoa de Jesus

Por João Batista Passos


A Fé é mais do que um sentimento humano, é uma adesão do homem em relação ao seu Criador e um comprometimento com os seus desígnios e à sua Revelação. A Fé Católica consiste totalmente em crer nas Palavras de Jesus, crer e seguir esta pessoa que viveu entre nós, sendo um de nós, que em tudo era como nós, com exceção no pecado (Cf. Hb II, 17).

Então a nossa fé não é algo vindo apenas de um desejo do homem de se voltar rumo ao seu criador desconhecido, mas é a adesão da busca empreendida pelo próprio Criador de se revelar e de nos encaminhar a nossa plena realização. Ele nos criou e Ele nos indica como devemos proceder para que Nele encontremos o nosso fim último, a nossa plena realização e a nossa plena liberdade.

Resumindo, devemos compreender que a nossa fé é a adesão das Palavras reveladas pelo próprio Deus. A Fé católica consiste em uma pessoa, o Kyrios, o Cristo, o Messias, que afirmamos com o coração todo, ser Jesus Cristo de Nazaré, Filho de Deus, nascido do ventre da Santíssima Virgem Maria, descendente de Davi, Rei e Salvador, Senhor de todas as coisas (Cf. Mt XVI, 16).

Por isso, a Fé não é um sentimento pessoal que ganha contornos conforme nossas conveniências e se trata de adesão a Fé proclamada pela Igreja. A Igreja acolhe a Revelação contida nas Sagradas Escrituras, na Sagrada Tradição e nas determinações provenientes do Sagrado Magistério, instituído pelo próprio Cristo, na pessoa dos Apóstolos e seus sucessores, sobretudo na pessoa do Apóstolo Pedro, chamado a confirmar os irmãos (cf. Lc XXII,32) na Fé e aos seus sucessores, os Papas.

Se já falamos que a nossa Fé é a adesão as Palavras Divinas e principalmente as que foram reveladas pelo homem Jesus, pois se tratam da plenitude da Revelação e confirmação de todo o Antigo Testamento, agora precisamos compreender este Homem, quem é Jesus ao qual depositamos toda a nossa Fé, toda a nossa confiança.

Seria impossível ser Cristão se não pela adesão da nossa Fé e razão ao que Cristo vem nos dizer, nos revelar do Pai (Jo I, 18). Então, fica-nos a pergunta: Quem é este Jesus, Filho de Maria, em quem eu deposito toda a minha esperança?

Passamos agora a mergulhar em um horizonte novo, em uma compreensão completa do sentido de nossa existência, vamos além da esperança e passamos a pisar em fatos concretos da proximidade e cumplicidade de Deus em nossa existência, em nossa caminhada rumo ao Bem Eterno, da plena realização do que podemos chamar vida, mas muito mais que apenas vida, mas sim vida em abundância (Jo X, 10).

Então, para confiarmos em Jesus e Nele depositarmos todas as nossas forças e fraquezas, alegrias e sofrimentos, enfim, o nosso respirar e o nosso viver, precisamos compreendê-lo de forma inequívoca e isto se dá de maneira dinâmica e permanente, não adianta querermos compreendê-lo apenas estudando ou lendo sobre Ele, mas é preciso que a cada dia nos relacionemos com Ele, pois Ele abre a nós esta possibilidade (Lc X, 22). Se nos abrirmos a Ele, então o compreenderemos, mesmo que se não de forma completa (pois se trata de um Mistério maior que a nossa capacidade de compreendê-Lo integralmente), o conheceremos e então, com o coração cheio de vigor e coragem poderemos afirmar a verdadeira face de Jesus ao mundo, ao nosso próximo (Jo XV, 26).

Jesus é verdadeiro homem. E assumindo a nossa humanidade em tudo ele é igual a nós. Porém Jesus, como dissemos, assume a nossa inteira humanidade, mas Jesus, o Verbo de Deus já existia antes da criação do mundo, por Ele o mundo foi criado e sem Ele nada foi feito. Ele é a Luz que ilumina a nossa vida (Cf. Jo I) e muitas vezes a tratamos com indiferença e até desrespeito, então, logo não poderemos conhecê-lo, ouvi-lo e muito menos seguir no Caminho, na Verdade e na Vida, que Ele nos propõe seguir, sendo Ele mesmo o Caminho, a Verdade e a Vida (Jo XIV, 6).

Jesus é verdadeiro Deus, conforme o texto do Credo Niceno-Constatinopolitano. Portanto, as Palavras de Vida Eterna (cf. Jo 6,68) que Jesus nos diz derivam não apenas de um entendimento das coisas divinas, mas de Nele estar contido todas as coisas divinas. Jesus é Deus.
Jesus, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro. Esta é a nossa profissão de Fé, na qual devemos avançar em compreensão. Profissão de Fé esta inalterada, intacta desde os princípios, portanto não descuidemos de compreendê-la, recorrendo a Fé e a nossa própria razão, que certifica que a nossa Fé não é inválida ou vã. Pois se não nos sentirmos tocados por e para esta realidade divina de Jesus, nunca poderíamos chamá-lo de Cristo, Senhor, Filho de Deus, Salvador e Rei.

Jesus, verdadeiro Deus e verdadeiro homem. A esta realidade da pessoa de Jesus chamamos de Hipóstase, Dogma de Fé, compreensão irrevogável da natureza de Jesus. Sem esta compreensão, a Fé Cristã se resumiria em mais uma teoria religiosa e não uma experiência de fato e tangível do Divino com o humano. Jesus é uma única pessoa com duas naturezas, completas, únicas e inseparáveis. Isto explica duas coisas, uma a pessoa de Jesus é adorável, por isso os reis do oriente que seguiram a estrela, ao encontrá-lo em um presépio se ajoelharam e O adoraram (Mt II,11).

Outra é que Maria é sim, Mãe de Deus, pois seu Filho Jesus é Deus, Filho de Deus e que existe desde sempre. Jesus, Filho de Maria é o Verbo encarnado em seu ventre e ao mesmo tempo um de nós no ventre de Maria, sem perder a sua essência divina Ele é concebido como homem.

Maria, Mãe de Deus. Nisso também consiste a nossa Fé. Maria recebe o título já na era primitiva da Igreja de Theotokos, ou seja, Mãe de Deus. Afirmamos com Fé firme nisto, não com a intenção de aumentar as glórias de Maria (a ela foram atribuídas as honras por parte do próprio Deus), mas nos faz sim, compreender o maravilhoso Mistério da encarnação. Maria encontrou graça diante de Deus, Maria transborda da Graça Divina (Lc I, 28), é a Arca de Deus, é a escolhida, a eleita e merece todo o nosso amor, toda as nossas honras, como seguindo verdadeiramente o 4º Mandamento da Lei de Deus.

Para confirmarmos isto, de forma Bíblica, basta ouvirmos a saudação de Isabel, sua parenta ao dizer com um maravilhoso e inequívoco impulso “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Donde me vem esta honra de vir a mim a mãe de meu Senhor?” (Cf. Lc I, 42-43)

Não é de menos importância entrarmos no Mistério da Encarnação com vistas na participação fiel e obediente da Santíssima Virgem neste Mistério da Salvação. Se obscurecermos o papel de Maria, sem dúvida resultará num obscurecimento da pessoa do próprio Cristo. A Revelação não se resume nas Palavras de Jesus, mas se fundamenta na pessoa inteira de Jesus. Jesus é o Verbo Divino, a Palavra de Deus encarnada, a Palavra personificada em nós, entre nós. Por isso, é preciso caminhar com Maria, é preciso ir até ela para que compreendamos no que consiste a Fé Católica na pessoa de Jesus Cristo.

Em Maria, o Verbo de Deus se faz homem, um de nós, é Deus conosco. Este um de nós, no ventre de Maria é a nossa única esperança, única possibilidade de alcançarmos a redenção e a liberdade para a qual fomos criados. Por isso, podemos pensar que Maria cuida de cada um de nós Cristãos, cuida da nossa redenção, carrega o Justo em seu ventre maternal, puro e imaculado e nos relaciona com Ele.
A nossa Fé consiste em seguir os passos e ouvir as Palavras do Filho de Deus e de Maria.

A Santíssima Trindade

Deus é uno e Trino. Eis o Mistério da Santíssima Trindade. Um Deus em pessoas três. Aderir a este mistério da Fé é um fundamento basilar de tudo o que temos conhecido, vivido.
“Cremos firmemente e afirmamos simplesmente que há um só Deus eterno, imenso e imutável, incompreensível. Todo-poderoso e inefável, Pai, Filho e Espírito Santo: Três pessoas mas uma só Essência, uma Substância ou Natureza absolutamente simples.” (IV Concílio de Latrão)

Pequena e última reflexão

Bom, passamos rapidamente pelo que consiste a adesão da Fé. Agora paremos um instante e façamos uma reflexão. Jesus é o ponto de partida e de chegada da minha Fé Católica? Ele realmente tem sido o centro das minhas buscas por aumentar a minha Fé, amadurecê-la a ponto de sentir-me alimentado por ela?

É bem verdade que neste pequeno espaço e tempo em que desejamos passar um mínimo dos fundamentos da Fé Cristã, única e santa, não foi possível entrar em tantos outros pontos fundamentais de nossa Fé, mas desejamos que este texto possa significar um pouco de tudo o que é maravilhosamente lindo da Fé que salva. Tudo o que cremos e professamos origina-se e tem sua completude em Jesus Cristo, princípio, meio e fim. Tudo está fundamentado em Cristo. A vida, o amor, a justiça, o perdão, a Fé.

“Vós conheceis a bondade de nosso Senhor Jesus Cristo. Sendo rico, se fez pobre por vós, a fim de vos enriquecer por sua pobreza.” (II Cor VII, 9)




Passos, João Batista. Apostolado Sociedade Católica: ”Em que consiste a Fé Católica: A Pessoa de Jesus”. Disponível em http://www.sociedadecatolica.com.br. Desde 29/06/2009.

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