26 de jul de 2009

Shalom – a Paz que é tão sonhada.

É interessante como o tempo todo nos percebemos em marcha à procura da Paz. Nossa história anda no compasso desta procura. Não precisa ir muito longe para confirmar este pressuposto; basta olharmos um pouco para nós mesmos, e percebermos quantas vezes sofremos uma espécie de divisão e guerra interior. É a condição humana revelando-se em seus limites de conflitos. É pensando nisso, e também a partir das reflexões da CF – 2009 que me permitir debruçar no seio da Paz e inclinar-me no seio da Shalom, a fim de colher dos seus ensinamentos.

Gosto sempre de explorar o universo das palavras, ainda que nos meus limites, porque acredito que elas nos possibilitam uma gama de significados acerca das coisas e do seu fim último. E, etimologicamente, por exemplo, o significado mais profundo do vocábulo “SHALOM” não é paz, como costumeiramente acreditamos. Shalom significa muito mais que a ausência de guerra, violência. Em hebraico a palavra Shalom tem sua raiz numa outra chamada “SHALEM” – que significa “estar inteiro”, completo. Isso é muito rico e revelador, porque a partir desta compreensão, concluímos que muitas pessoas não estão em paz, porque não estão inteiras, estão divididas “em si e entre si”. Para alcançarmos a paz em nossos espaços, lugares, no seio da nossa família e por conseguinte em toda humanidade, é preciso portanto, que cada um esteja “inteiro”.

É fascinante minha gente trilharmos os caminhos sugeridos a partir desta compreensão sobre a Shalom com a inteireza, porque os desdobramentos desta relação tem sua gênesis em Deus, já me explico: Verificamos nos textos Sagrados a tentativa humana de se estabelecer a paz, e ao mesmo tempo a incapacidade humana de conseguir e mantê-la. Deste modo, fica-nos evidenciado que a última garantia para a paz não reside tão somente em Instituições humanas, mas em Deus. Um exemplo disso encontramos no Profeta Isaías 54, 10 em que a promessa de Deus a seu povo é bem clara: "As montanhas podem desaparecer, os montes podem se desfazer, mas o meu Amor por você não acabará nunca, e a minha aliança de PAZ como você nunca será quebrada." Eis que a promessa se cumpre com o Messias, porque ainda segundo o Autor Sagrado, "Aquele que será enviado para nós será chamado Conselheiro Admirável, Deus Poderoso, Príncipe da Paz" ( Is 9, 6 ss).

Observemos que é do coração de Deus, portanto, que brota a verdadeira Paz, a Shalom esperada, isto é, a bonita possibilidade de nos tornamos inteiros em Deus, em nós mesmos e no outro. O cultivo deste broto se dá em Jesus, porque "Ele de fato é a nossa paz: do que era dividido, Ele fez uma unidade" (Ef 2, 14). E é bonito como Ele próprio, o Príncipe da Paz, nos convence disso ao afirmar com docilidade: "Deixo-vos com vocês a Paz. É a minha Paz que eu lhes dou; não lhes dou a Paz como o mundo a dá. Não fiquem aflitos, nem tenham medo" (Jo 14, 27). "Eu digo isso para que, por estarem unidos a mim, vocês tenham a Paz" (Jo, 16, 33 a).

Muito mais teriámos a refletir sobre a Shalom. A reflexão em Deus nunca sem esgota. A cada dia contemplamos novos horizontes. Todavia, de tudo isso resta-nos a certeza que precismos nos nutrir da Paz que está enraizada em Jesus; precisamos o tempo todo nos dispor dela e cultivá-la naqueles momentos em que ficamos fragmentados, divididos, separados, a fim de que em nós o "homem inteiro" se manifeste e "triunfe em nossos corações a Paz de Cristo, para a qual fomos chamados" (Cl 3, 15 a). Shalom!!!



Grato, Jerônimo Lauricio
www.jeronimolauricio.com

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