1 de out de 2009

CHAMADOS À SANTIDADE

QUANDO CAMINHAMOS EM BUSCA DA SANTIDADE PERECEBEMOS QUE DEUS VAI PREENCHENDO TODO VAZIO INTERIOR QUE EXISTE EM NÓS, SER SANTO NÃO É ILUSÃO OU FANATISMO, É SIM RESPONDER AO ANSEIO DE FELICIDADE QUE EXISTE EM CADA UM, SÓ É FELIZ QUEM DESCOBRE O VERDADEIRO SENTIDO DA VIDA.





Desde a Antiga Aliança, realizada através dos Patriarcas, Deus chama o povo à santidade:

“Eu sou o Senhor que vos tirou do Egito para ser vosso Deus. Sereis santos porque Eu sou Santo”
(Lv 1,44-45). O desígnio de Deus é claro: uma vez que fomos criados à sua “imagem e semelhança” (Gen 1,26), e Ele é Santo, nós temos que ser santos também. O Senhor não deixa por menos. A medida e a essência dessa santidade é o próprio Deus. São Pedro repete esta ordem dada ao povo no deserto, em sua primeira carta, convocando os cristãos a imitarem a santidade de Deus:

“A exemplo da santidade daquele que vos chamou, sede também vós santos, em todas as vossas ações, pois está escrito: Sede santos, porque eu sou santo” (1Pe 1,15-16). São Pedro exige dos fiéis que “todas as vossas ações” espalhem essa santidade de Deus, já que vós sois, uma raça escolhida, um sacerdócio régio, uma nação santa, um povo adquirido para Deus, afim de que publiqueis o poder daquele que das trevas vos chamou à sua luz maravilhosa” (1Pe 29). Para São Pedro a vida de santidade era uma imediata conseqüência de um povo que ele chamava de “quais outras pedras vivas...materiais deste edifício espiritual, um sacerdócio santo” (1Pe 2,5).

Neste sentido exortava os cristãos do seu tempo a romper com a vida carnal: “luxúrias, concupiscências, embriagues, orgias, bebedeiras e criminosas idolatrias” (1Pe 4,3), vivendo na caridade, já que esta “cobre a multidão dos pecados” (1Pe 4,8).

Jesus, no Sermão da Montanha chama os discípulos à perfeição do Pai:

“Sede perfeitos assim como o vosso Pai celeste é perfeito” (Mt 5,45). Essas palavras fazer eco ao que Deus já tinha ordenado ao povo no deserto: Sede santos, porque eu sou santo” (Lv 11,44). Jesus falava da bondade do Pai, que ama não só os bons, mas também maus, e que “faz nascer o sol tanto sobre os maus, como sobre os bons, e faz chover sobre os justos e sobre os injustos” (Mt 5,45). Jesus pergunta aos discípulos: “Se amais somente os que vos amam, que recompensa tereis?” (46). Para o Senhor, ser perfeito como o Pai celeste, é amar também os inimigos, os que não nos amam. “Amai-vos os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, orai pelos que vos perseguem e vos maltratam” (44). E mais ainda: “Não resistais ao mau. Se alguém te ferir a face direita, oferece-lhe também a outra” (39).

Sem dúvida não é fácil viver essa grande exigência que Jesus nos faz, mas é por isso mesmo que ao cumpri-las vamos nos tornando santos, perfeitos, como o Pai celeste.




Todo o Sermão da Montanha, que São Mateus relata nos capítulos 5,6 e 7, apresenta-nos o verdadeiro código da santidade. É como dizem os teólogos, a “Constituição do Reino de Deus. Santo Agostinho, nos assegura que:

“Aquele que quiser meditar com piedade e perspicácia o Sermão que nosso Senhor pronunciou no Monte, tal como o lemos no Evangelho de São Mateus, aí encontrará, sem sombra de dúvida, a carta magna da vida cristã” (CIC, N° 1966).

É por isso que na festa de todos os santos a Igreja nos faz ler no Evangelho, as Bem aventuranças, que são o início, e como que o resumo, de todo o Sermão do Monte.

É importante perceber que São Paulo começa quase todas as suas cartas lembrando os cristãos do seu tempo de que são chamados à santidade. Aos romanos, logo no início, ele se dirige dizendo: “a todos os que estão em Roma, queridos de Deus, chamados a serem santos...” (Rom 1,7). Aos coríntios ele repete: “à Igreja de Deus que está em Corínto, aos fiéis santificados em Crsito Jesus chamados à santidade com todos...” (1Cor 1,2). Aos efésios ele lembra, logo no início, que o Pai nos escolheu em Cristo “antes da criação do mundo para sermos santos e irrepreensíveis diante de seus olhos” (ef 1,5). Aos filipenses ele pede que: “o discernimento das coisas úteis vos torne puros e irrepreensíveis para o dia de Cristo” (Fil 1,10).

“Fazei todas as coisas sem hesitações e murmurações a fim de serdes irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus íntegros no meio de uma geração má e perversa” (Fil 2,14).

Para o Apóstolo a santidade é a grande vocação do cristão. Ele diz aos efésios:

“Exorto-vos pois (...) que leveis uma vida digna da vocação a qual fostes chamados, com toda humildade, mansidão e paciência” (Ef 4,1). De maneira mais clara ainda ele fala aos tessalonicences sobre o que Deus quer de nós:

“Esta é a vontade de Deus: a vossa santificação; que eviteis a impureza; que cada um de vós saiba possuir o corpo em santificação e honestidade, sem se deixar levar pelas paixões desregradas como fazem os pagãos que não conhecem a Deus” (1 Tess 4,3-5).

É o amor de Deus que nos leva à santidade. Só por amor ao Senhor, que nos criou e nos resgatou, é que seremos impulsionados, por dentro, a buscar uma vida perfeitamente conformada com a sua santa vontade.

Sabemos que “Deus é amor” (1Jo 4,8), e que, portanto, tudo o que ele faz é por amor e para o amor. Assim, o mundo criado com todas as maravilhas dos reinos mineral, vegetal e animal, espelham a sua glória, o seu poder e, acima de tudo, o seu amor para conosco, já que tudo foi feito para nós, criaturas humanas. Tudo o que os nossos olhos vêem, e nos maravilham; tudo o que os nossos ouvidos ouvem, e nos encantam; tudo o que degustamos com prazer, é nos oferecido gratuitamente pelo Senhor, porque nos ama...

Se o amor de Deus por nós se manifesta na criação e na grandeza de cada ser humano, mais ainda esse amor se manifesta no mistério de nossa salvação. Em Jesus, o Verbo de Deus humanado, esse amor atinge o seu auge. Deus não poderia manifestar de maneira mais intensa o seu amor por nós, do que fazendo-se homem, assumindo a nossa carne e a nossa natureza humana. “Cristo veio principalmente, disse S. Agostinho, a fim de que o homem soubesse quanto Deus o ama”. A partir da Encarnação de Deus ninguém mais pode duvidar do seu amor por nós. Como dizia Santo Antonio, o corpo humano de Jesus foi uma “veste de penitência”. Ele a assumiu livremente, por amor, para pagar em si mesmo o preço dos nossos pecados (cf. Hb 9,26-28).

A partir dessa “experiência do amor de Deus”, a resposta de São Paulo a Deus foi uma resposta de amor sem limites: “A minha vida presente, na carne, eu a vivo na fé no Filho de Deus que me amou e se entregou por mim” (Gal 2,20). “Amor só se paga com amor”, ensinam os santos, não há outra moeda.





A santidade é a melhor resposta que damos ao amor de Deus. É esse amor retribuído que levaram os santos a fazerem a vontade de Deus e chegarem à santidade. Também conosco há de ser uma resposta pessoal ao amor com que Deus nos ama, a via da nossa santificação.

(Texto retirado do Livro Sede Santos de Felipe Rinaldo Queiroz de Aquino, págs. 10 a 15, Edições Cleófas, 2ª Edição, Lorena, São Paulo).

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