18 de dez de 2009

ADVENTO

Um novo tempo se descortina no cenário da Igreja nestes dias – o Advento. Quando paramos para pensar um pouco a respeito do ADVENTO, logo percebemos a riqueza desse tempo litúrgico. Aliás, também percebemos que na sua espiritualidade e mística este é um tempo de esperança porque Cristo é a nossa esperança como sugere o Apóstolo Paulo em sua primeira carta a Timóteo; esperança na renovação de todas as coisas, na libertação das nossas misérias, pecados, fraquezas, esperança que nos forma na paciência diante das dificuldades e tribulações da vida, diante das perseguições, etc.

Advento tem sua raiz etimológica no latim ad-venio, que significa chegar. Por isso, enquanto se espera a chegada de alguém se toma a atitude de atenção, se fica de prontidão. Mas a quem ou o que estamos aguardando? Atualizamos a nossa espera no Menino Deus que está sendo gestado no seio da condição humana, que vai nascer no solo de nossos corações e irá nos trazer a salvação. Aguardamos no desejo incontido de ver as estradas se transformando, aos poucos, em chegadas revestidas de alegrias, por meio do nascimento do amor – o Verbo Encarnado. Neste processo de espera somos levados à certeza de que nenhuma passagem pode ser sem esforço. É no muito esperar que alcançamos o outro lado do rio, o outro lado da margem, e para tanto é preciso ser sustentados pela âncora da espera e guiados pela bússola da esperança se quisermos fazer tal percurso.

Gosto sempre de pensar também que o Advento embora signifique a espera n’Aquele que vem, é também recordação de sua chegada, isto é, sua presença já começada. Já me explico: A teologia do Advento significa também a presença começada do próprio Deus. Por isso, ela nos recorda duas coisas: primeiro, que a presença de Deus no mundo já começou, e que Ele já está presente de uma maneira oculta tal como o fruto está velado na semente; em segundo lugar, que essa presença de Deus acaba de começar, ainda que não seja total, e está em processo de crescimento e amadurecimento nos solos dos corações, como também acontece com os frutos ao traduzirem seus primeiros sinais de presença no seio da terra. E aqui o interessante é que singular processo se dá com o Menino Deus, porque sua presença já começou, e somos nós, os que abraçamos o Cristianismo que devemos fazê-lo crescer no mundo ao regarmos a semente dessa presença com a água da ESPERANÇA.

Talvez você já tenha percebido também que o segredo de uma boa colheita está no cultivo e na espera. O cultivo por vezes traduz com beleza o fruto que está por vir. E a espera é a concretude de que o fruto que está para chegar de algum modo nos trará algo novo, algo que nos faça contemplar a vida com outras cores e experimentá-la com outros sabores. Advento, portanto, é isso. É tempo de espiritualidade que nos favorece nutrir o cultivo da fé e da esperança no Cristo que nasce em cada coração humano no Natal que sucede a essa espera. Advento, portanto, é também Sacramento, isto é sinal da Esperança. “Spe Salvi facti sumus“ - pois, é na esperança que fomos salvos (Rm 8,24). Que nosso Advento, seja, pois uma oportunidade fecunda de dar sentido a essa esperança n’Aquele que nos redimiu quando veio nos visitar e resolveu fazer morada em nosso coração.


 Grato, Jerônimo Lauricio
    www.jeronimolauricio.com

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Irmão, deixe uma mensagem!!!


"Despojemo-nos das ações das trevas e vistamos as armas da Luz" Rm 13,12
CEFAS, oriundo do nome de São Pedro apóstolo, significa também um Acróstico: Comunhão para Evangelização, Formação e Anúncio do Senhor. É um humilde projeto de evangelização através da internet, buscando levar formação católica doutrinal e espiritual.