"Despojemo-nos das ações das trevas e vistamos as armas da Luz" Rm 13,12

24/03/2009

São Clemente Maria Hofbauer

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Considerado o fundador dos redentoristas, perseguido pelo mau clero, destacou-se por seu amor ardente à Igreja e ao Papado e pela argúcia em detectar erros contra a fé.

O futuro apóstolo de Viena nasceu em Tasswitz, na Morávia, então pertencente ao Império Austríaco, no dia 26 de dezembro de 1751. Seus pais, Pedro Paulo e Maria Steer, eram camponeses, cujas riquezas eram a fé em Deus e uma grande família. João, que depois mudou seu nome para Clemente Maria, era o quinto dos doze filhos do casal.

Quando contava seis anos, perdeu seu pai. Sua mãe levou-o diante de um Crucifixo e lhe disse: “De agora em diante, este será teu único pai; procura seguir seus passos e levar uma vida conforme à sua vontade santíssima”.

Ele tinha recebido de Deus um coração extraordinariamente propenso para o bem, reto e sincero. Votava um amor entranhado ao Sacramento da Eucaristia e à Santíssima Virgem, sendo o rosário sua oração predileta. Completou o curso primário na escola local, enquanto ajudava a mãe no campo. Embora sentisse verdadeira vocação para o sacerdócio, a pobreza da mãe não permitiu que continuasse os estudos.

As inúmeras voltas do “rio chinês”

A vida para João, até ordenar-se sacerdote, foi como os rios chineses, que normalmente só chegam ao mar depois de darem muitas voltas. Aos catorze anos tornou-se aprendiz de padeiro. Depois disso, sempre à espera de uma oportunidade para estudar, foi encarregado do refeitório dos padres premonstratenses de Bruck, onde conseguiu fazer o ginásio. Tornou-se eremita perto de Mulfrauen, voltando depois à profissão de padeiro, para retornar à vida eremítica, desta vez em Tivoli, na Itália. De volta à Áustria aos 32 anos de idade, quando parecia que nunca mais realizaria seu sonho, benfeitoras pagaram-lhe o estudo na Universidade de Viena. Mas, devido às leis anticatólicas do “déspota esclarecido” Imperador José II, não podendo ordenar-se na Áustria, voltou para a Itália, ingressando na recém-fundada Congregação do Santíssimo Redentor, ou dos redentoristas, onde por fim recebeu em 1786 a ordenação sacerdotal.

Apostolado na Polônia e luta contra a corrupção

São Clemente, que deveria introduzir a Ordem Redentorista nos países de língua alemã, não podia entretanto exercer seu apostolado na Áustria. O imperador José II, instigado por alguns ministros, baixara vários decretos em detrimento da verdadeira Religião, suprimindo conventos, perseguindo religiosos e impedindo o exercício livre do culto divino. Por isso, atendendo a um pedido do Núncio Apostólico em Varsóvia, São Clemente foi para a Polônia.

O estado social e religioso desse país, afligido por contínuas guerras, era desastroso. A fé estava abalada, os costumes dissolutos, a pobreza reinava. O santo escreveu nessa ocasião: “Escândalos e vícios atingiram seu auge, e é difícil encontrar o caminho mais seguro e o modo mais eficaz de melhorar a situação. Desde o clero até o mais miserável mendigo, tudo encontra-se corrompido. Temo muito que Deus descarregue algum golpe terrível sobre esta nação, que assim despreza suas graças e favores; roguemos para que meus temores não se cumpram”. Mas eles se cumpriram à risca: em 1795 a Rússia, a Áustria e a Prússia repartiram entre si a desventurada Polônia. Em meio ao caos reinante, a Religião quase desapareceu.

São Clemente recebeu o encargo de cuidar da igreja de São Beno, dos alemães, e iniciou seu apostolado. A pobreza em que vivia a população era tão grande que, às vezes, faltava o necessário para a própria subsistência. Nessas horas dirigia-se ele à igreja e batia na porta do sacrário, dizendo: “Senhor, agora é tempo de nos socorrer”. E geralmente, depois desse ato de confiança, vinha o auxílio desejado.

Grande conhecedor da psicologia humana, São Clemente, para atrair os fiéis, empenhou-se sobretudo em exercer as funções litúrgicas com muita pompa. Apesar da dificuldade financeira, mandou fazer paramentos belos e ricos, recorrendo muito freqüentemente à exposição solene do Santíssimo Sacramento, às procissões, novenas e tríduos, para atrair o povo. Dizia ele: “As solenidades públicas atraem por seu esplendor e aos poucos cativam o povo, que ouve mais com os olhos do que com os ouvidos”. Ressuscitou também, ou criou, associações tradicionais de piedade, tanto para homens quanto para mulheres e crianças. Fundou uma espécie de Ordem Terceira dos redentoristas, os “oblatos”, entre os quais figuravam sacerdotes e pessoas de ambos os sexos e de todas as classes sociais.

Apostolado em meio a grandes perseguições

Em pouco tempo, as funções religiosas passaram a ser tão concorridas que, aos domingos, não cabendo na igreja, os fiéis postavam-se no cemitério e ao longo das ruas para, ao menos de longe, assistirem à Missa.

Mas não se detinha nisso o zelo do apóstolo: fundou também escolas para crianças, colocando-as em mãos de hábeis e virtuosos mestres formados sob sua vigilância. Promoveu a boa imprensa, difundindo principalmente as obras de Santo Afonso de Ligório, para o que utilizava os congregados marianos. Em seus fogosos sermões, combatia o jansenismo, o protestantismo e os franco-maçons.

Seu exemplo começou a ser imitado em outras igrejas de Varsóvia, de modo que se pôde afirmar mais tarde que a cidade transformara-se completamente por seu influxo. As pessoas que freqüentavam a igreja de São Beno pareciam viver num convento: faziam todos os dias o exame de consciência e a meditação; por ocasião da quaresma e advento, recolhiam-se à solidão para o retiro espiritual.

Mas os maus – tanto nas fileiras do clero como na sociedade civil – não suportam que o bem se expanda. Uma campanha orquestrada de detração dos redentoristas atingiu seu auge em 1800. Sobre isso escreveu São Clemente: “Os jacobinos espalham contra nós toda sorte de invencionices. Somos escarnecidos nos teatros públicos, o próprio clero está contra nós, exceto o Bispo e alguns cônegos. Somos publicamente ameaçados com a forca. [...] Uns prostravam-se diante de mim para me beijar os pés, outros me cobriam de lama; aqueles exageravam na honra, e estes no desprezo”. [...] Sofri na Polônia coisas que só serão manifestadas no dia do Juízo Final”.

Apóstolo de Viena e promotor do culto divino

A campanha de difamação foi bem sucedida e redundou na expulsão dos redentoristas. Tentando encontrar lugar seguro para fundar o ramo alemão de sua ordem, São Clemente peregrinou de cidade em cidade até chegar a Viena, como última tentativa. Aí foi-lhe imposto o mais rigoroso silêncio, tanto no púlpito quanto no confessionário. Só uma coisa podia fazer, e isso realizou com fervor: rezar!

Nessa época, o ímpio Napoleão, em sua marcha sempre vitoriosa, conquistou a própria capital do império austríaco. Mas ali não se demorou, pois o arquiduque Carlos surgiu em socorro de Viena. São Clemente sabia que daquela batalha dependia a sorte de sua pátria. Correu para junto do tabernáculo e, com os braços em cruz, rezou fervorosamente pela vitória do arquiduque. E sua oração foi ouvida: no último ataque de Napoleão, o desespero apoderou-se da sua tropa. O arquiduque Carlos saltou então do cavalo à frente de seus soldados, empunhou a bandeira austríaca, animando com seu exemplo e valor os seus, que o seguiram entusiasmados. Em pouco tempo o campo de batalha encontrava-se em poder dos austríacos. Foi esta a primeira derrota de Napoleão…

Ora, com as batalhas, os feridos chegavam em massa para a cidade, alastrando-se a febre tifóide. O Arcebispo de Viena convocou o clero para o cuidado espiritual e material dos enfermos, tendo pedido a São Clemente que atendesse principalmente os soldados franceses e italianos.

Quando voltou a normalidade, foi ele nomeado coadjutor da igreja dos italianos, onde pôde exercer plenamente suas funções religiosas. E um número crescente de vienenses começou a agrupar-se em torno de seu confessionário e púlpito.

São Clemente pregava esporadicamente em outras igrejas de Viena, e seu nome começou a ser pronunciado também nas altas rodas da cidade com admiração e amor. Isso tornou-se ainda mais saliente em 1813, quando passou a ser diretor espiritual das Irmãs Ursulinas, de Viena, tendo ficado a seu cargo a igreja de Santa Úrsula.

Como em Varsóvia, ele cercou de esplendor o culto divino: muitas velas, flores, incenso, cânticos e tudo que podia contribuir para o esplendor das funções. Não conhecia economia, quando se tratava de honrar a Deus Nosso Senhor, a Virgem ou os santos. Convidava outros sacerdotes para aumentar o brilho das cerimônias de Santa Úrsula, de sorte que o templo tornou-se pequeno para conter a multidão cada vez maior. Havia muitos anos não se viam mais cerimônias como aquelas.

E assim, sem se importar com as proibições do josefinismo — mesmo porque o próprio irmão do Imperador freqüentava a igreja e participava das cerimônias — o exemplo de Santa Úrsula contagiou outras igrejas da cidade, que passaram a emular-se em esplendor no culto divino. Era o apostolado do belo, que ele fazia de modo exímio.

Influência crescente no Congresso de Viena

Os sermões de São Clemente eram simples. Lia o Evangelho e, entre uma sentença e outra, ia explicando um dogma da fé ou um mandamento. Confrontava então com os princípios do Evangelho os costumes em voga e as idéias do tempo, exortando sempre, com palavras quentes e insinuantes, a que todos se convertessem e praticassem a virtude. Ele não era orador; entretanto empolgava como nenhum outro pregador em Viena, pois a santidade autêntica atrai.

Nesta ocasião, deu-se a convocação do Congresso de Viena para reparar as calamidades provocadas pelas guerras napoleônicas e traçar o futuro da Europa. São Clemente esperava muito desse congresso, porque do seu resultado dependeria a prosperidade da Religião no Velho Continente. Exercia muita influência sobre alguns de seus participantes. Diariamente confabulava com eles, que lhe apresentavam as propostas que iriam fazer naquela assembléia. Até o príncipe da Baviera pedia-lhe conselhos; certa noite, ficou conferenciando com ele das 20h às 2h da madrugada.

Enquanto isso, outros discípulos de São Clemente preparavam a opinião pública por meio de artigos nos principais diários de Viena, expondo com clareza o que dele ouviam.

Ao mesmo tempo, um de seus discípulos recebeu a incumbência de pregar nas igrejas de Viena durante a época do congresso, sobre os pontos religiosos em discussão, orientando o povo e preparando os ânimos. “Se São Clemente não conseguiu tudo o que desejava do Congresso, teve a glória de salvar a Áustria do cisma que a ameaçava, e de destruir por completo os planos de separação excogitados e defendidos pelo poderoso Wessenberg. Essa vitória foi uma das mais gloriosas que São Clemente alcançou em vida”, afirmou um autor.

Devotíssimo da Santíssima Virgem

Uma palavra sobre a devoção a Nossa Senhora, que para São Clemente unia-se à do Santíssimo Sacramento. Em uma época em que até teólogos pré-progressistas julgavam dever impugnar o culto “excessivo” a Maria Santíssima, São Clemente tornou-se conhecido como o “padre que benze terços”. Com efeito, ele chamava o rosário sua “biblioteca”, afirmando que, por essa devoção, conseguia tudo que pedia a Deus. Impôs mesmo aos oblatos o dever de defender sempre o rosário, mormente quando escarnecido pelos hereges ou assemelhados.

São Clemente faleceu no dia 15 de março de 1820, no momento em que os sinos tocavam o Angelus. Foi beatificado por Leão XIII e canonizado por São Pio X, em 20 de maio de 1909.

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Fonte: Catolicismo

Santa Catarina de Ricci

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De influente família de Florença, Catarina foi favorecida desde cedo com graças místicas, participando da Paixão de Nosso Senhor e de seus estigmas.

Alessandra Lucrezia Romola, como foi batizada, nasceu em Florença, então capital do ducado da Toscana, em 23 de abril de 1522. Seu pai, Pedro Francisco de Ricci, pertencia a uma antiga e respeitada família de banqueiros e mercadores. Sua mãe, Catarina de Ricasoli, faleceu pouco depois do seu nascimento. Este triste acontecimento não causou prejuízo à menina, pois tanto o pai –– naqueles bons tempos, até banqueiros eram piedosos! –– quanto a madrasta fizeram todo o possível para que os filhos do primeiro casamento fossem criados no santo temor de Deus. A madrasta observou desde logo em Alessandra uma tendência particular para a piedade, especialmente para a oração solitária, e tudo fez para desenvolver nela essa santa inclinação.

Aos dez anos, Alessandra foi colocada como aluna interna no mosteiro de São Pedro de Monticelli, nos arrabaldes de Florença, onde uma tia paterna, Luísa, era religiosa. Ali começou a dar mostras da eminente santidade a que Deus a havia chamado. Com efeito, o contato com as religiosas despertou em sua alma um nobre afã de emulação, que a levava a observar e a praticar os atos de virtude que nelas via. Era sobretudo atraída por uma imagem de Nosso Senhor na cruz, diante da qual rezava e meditava durante a recreação, vertendo lágrimas de amor e pesar. Desde esse tempo o Senhor lhe inspirou o desejo de meditar em sua sagrada Paixão.

Em convento austero, pobre e mortificado

Não é de surpreender que nela se manifestasse desde muito cedo a vocação religiosa, mas o pai tinha outros planos. Quando completou treze anos, retirou-a do mosteiro e começou a preparar-lhe um casamento com algum jovem da aristocracia florentina. Alessandra tanto insistiu em que queria fazer-se religiosa, que o pai não quis opor-se ao que reconhecia ser vontade divina.

Já desde bastante tempo ela sonhava ingressar em alguma ordem religiosa em que a observância florescesse em todo seu rigor, sem nenhuma mitigação ou dispensa; mas o estado de relaxamento era tão grande naquela época, embora bem menor do que hoje em dia, que ela demorava em decidir-se em que mosteiro ingressar.

Certo dia estava na casa de campo da família, em Prato, quando encontrou-se com duas irmãs leigas do convento vizinho de São Vicente, que pediam esmolas. Conversando com elas, soube que as religiosas daquele convento levavam uma vida muito austera, pobre e mortificada. Pertenciam à Ordem Terceira de São Domingos, e eram enclausuradas. Inspirada por Deus, resolveu tornar-se uma delas.

Assim, em 1535, aos 13 anos de idade, encerrou-se para sempre nesse mosteiro, para viver a vida pobre e esquecida que procurava. No momento de sua entrada, teve um êxtase no qual lhe pareceu que Jesus Cristo e Maria Santíssima a introduziam em um ameno jardim coalhado de flores. Alessandra encontrou no mosteiro um espírito de fervor religioso suficientemente alto para satisfazer o seu exigente ideal. Tomou então em religião o nome de Catarina.

Vítima expiatória pela salvação do mundo

Nos primeiros anos no convento, Catarina viu-se sujeita a humilhantes provas por parte da comunidade, devido à má interpretação de alguns dos altos favores sobrenaturais que ela recebia. Mas aos poucos sua humildade e santidade triunfaram, e ela passou a exercer cargos de direção no convento. Assim, antes que completasse os 20 anos de idade, já lhe confiaram o cargo de mestra de noviças, seguido do de sub-priora; e aos 25 anos o de priora, que manteve até o fim de sua vida.

Alguns anos depois de sua entrada no convento, foi atacada por uma grave, longa e molesta enfermidade, com dores agudas em todo o corpo, que degenerou depois em hidropisia e mal de pedra, acompanhado de asma. Essas doenças duraram dois anos, nada valendo os remédios que lhe receitavam. Sofria com santa resignação todos esses males, pensando nos padecimentos divinos durante a Paixão.

Esse mal piorou tanto no mês de maio de 1540, que ela esteve muitas noites sem poder dormir. Enfim, no dia 22 de maio, que naquele ano era a vigília da Santíssima Trindade, apareceu-lhe um santo da ordem de São Domingos (não diz qual), que lhe fez o sinal da cruz sobre o estômago e a deixou instantaneamente curada, para admiração de todas as irmãs presentes. Daí em diante sua existência, sem sair do âmbito da dor e da vida de vítima expiatória para a salvação do mundo, que escolhera, seria iluminada por êxtases, revelações, profecias e milagres.

Participação na Paixão de Nosso Senhor

A partir de fevereiro de 1542, Catarina começou a experimentar o que denominaram “êxtase da Paixão”, que se renovou semanalmente durante 12 anos. Nesse êxtase ela era raptada desde a quinta-feira ao meio-dia até as 16 horas da sexta-feira. Durante tais êxtases, participava de modo maravilhoso de todos os estágios da Paixão de Nosso Senhor, e também das dores de sua Mãe Santíssima. O corpo parecia suspenso do chão durante horas. O fato foi extensa e cuidadosamente estudado durante esse longo período, apresentando todas as provas de autenticidade. O extraordinário evento atraía tanta gente de todos os níveis sociais, que perturbava a paz e a observância do convento, cessando em resposta às orações de Catarina e de toda a comunidade.

Santa Catarina de Ricci recebeu também os estigmas da Paixão, que se tornavam muitas vezes visíveis. Na Páscoa do ano de 1542, recebeu um anel de noivado místico das mãos do Redentor. Esse anel aparecia aos outros como um círculo vermelho no dedo, mas ela o considerava como um anel de valor inestimável.

Entretanto, os dons de profecia e discernimento dos espíritos foram, sem dúvida nenhuma, os que mais atraíram sobre ela a atenção. Cardeais e bispos, príncipes e grandes senhores chegavam de toda a Itália ao humilde convento, para pedir conselho, receber um aviso, uma palavra de conforto, ou apenas para ouvir a voz daquela que fazia transparecer em si de modo tão eminente a presença de Deus.

Apesar da clausura, mostrava vivo interesse por seus irmãos e pelos numerosos “filhos espirituais” que dirigia. Permancecendo enclausurada em Prato, ela se comunicava milagrosamente à distância com São Felipe Neri, em Roma. Por isso, os dois tinham muita vontade de se ver. Deus concedeu-lhes essa alegria em uma visão, durante a qual puderam conversar. Do mesmo modo esteve em presença de sua conterrânea, Santa Maria Madalena de Pazzi, apesar de nunca terem estado juntas.

Em seus inúmeros êxtases, Catarina pôde contemplar o Céu, o Inferno e o Purgatório. Um dia em que teve conhecimento dos padecimentos de uma alma do Purgatório, foi tomada de tal compaixão, que a viram sofrer as dores mais atrozes, que lhe foram enviadas pelo Céu em expiação das penas que aquela alma merecera.

Extremo amor a Deus e ao próximo

Era de uma sabedoria e prudência consumadas para dirigir almas, no cargo de superiora, conforme diz seu primeiro biógrafo –– o bispo de Fiésole, D. Catani –– que escreveu na sua biografia, dois anos depois de sua morte: “Amava tão ternamente a seu Deus, que tinha sua mente sempre unida a Ele, servindo-se de qualquer coisa como motivo para louvá-lo e bendizê-lo. A caridade que tinha para com o próximo era de tal maneira singular, que por esse motivo se empregava nos ofícios mais baixos e trabalhosos do mosteiro. Quando adoecia alguma de suas monjas, a assistia continuamente em todas suas necessidades, privando-se mesmo do sono para que outras descansassem. Perseverava assim firme em sua assistência, até que a enferma sarasse ou morresse”.

Afirma o mesmo D. Catani: “Eram muitíssimas as penitências que ela fazia, levando sempre uma cadeia de ferro e um áspero cilício sobre seu corpo; jejuava freqüentemente a pão e água, e pelo espaço de quarenta e oito anos não comeu carne nem ovos”.

Enfim, depois de outra longa e dolorosa enfermidade, havendo recebido os últimos sacramentos da Igreja, entregou sua bela alma ao Criador no dia da Purificação da Santíssima Virgem, 2 de fevereiro de 1590, aos 68 anos de idade, 42 dos quais passara no governo de seu mosteiro.

Muitos milagres comprovam santidade

Apesar da fama de santidade que gozava em vida, o processo de beatificação de Catarina sofreu muitas delongas, e ela só foi elevada à glória dos altares em 1732, sendo canonizada apenas 14 anos depois, em 1746, devido aos muitos milagres operados por ela nesse período.

Um deles, aceito para sua canonização, ocorreu com a Sra. Maria Clemência, também florentina, que por espaço de oito anos tinha sofrido continuamente um câncer no peito, do qual já saíam vermes. Reduzida ao extremo, recebeu os últimos sacramentos. Mas, tendo se recomendado com fervorosa oração a Santa Catarina de Ricci, viu-se de um momento para outro inteiramente curada.

O outro milagre também aceito para a canonização teve lugar na cidade de Augusta, com a Irmã Maria Madalena Fabri, religiosa dominicana do convento de Santa Catarina de Siena. Havia três anos que ela padecia de uma grave enfermidade nas juntas, que lhe comprimia os nervos das pernas. Além de padecer continuamente muitas dores, não podia mover-se, e de nada lhe haviam valido os muitos medicamentos que tomava. No dia da beatificação de Catarina de Ricci, a comunidade reuniu-se no coro para cantar um Te Deum de ação de graças. Para isso, carregaram a Irmã Maria Madalena para dele participar. Enquanto as religiosas cantavam, a doente encomendou-se com muito fervor à nova Beata, e no mesmo instante sentiu-se inteiramente curada, tendo recuperado suas forças como se nada houvesse padecido. Ajoelhou-se para rezar, e depois começou a andar com as outras religiosas por todo o convento.

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Fonte: Catolicismo

Liturgia Diária!!!

Terça-feira, dia 24 de Março de 2009
Terça-feira da 4ª semana da Quaresma

Beato Diogo José de Cádiz, religioso, +1801, Santa Catarina da Suécia, virgem, religiosa, +1381



Comentário ao Evangelho do dia feito por
Santo Ambrósio : «Queres ficar são?»

Leituras

Ezeq. 47,1-9.12.
Conduziu-me para a entrada do templo, e eis que saía água da sua parte
subterrânea, em direcção ao oriente, porque o templo estava voltado para
oriente. A água brotava da parte de baixo do lado direito do templo, a sul
do altar.
Fez-me sair pelo pórtico setentrional e contornar o templo por fora, até ao
pórtico exterior oriental; vi rebentar a água do lado direito.
O homem avançou para oriente com o cordel que tinha na mão, e mediu mil
côvados; depois fez-me atravessar a água; ela chegava-me até aos
tornozelos.
Mediu ainda mil côvados e fez-me atravessar a água; ela chegava-me aos
joelhos. Mediu ainda mil côvados e fez-me atravessar a água; chegava-me aos
quadris.
Mediu ainda mil côvados; era uma torrente que eu não conseguia atravessar,
porque a água era tão profunda que era necessário nadar. Efectivamente, era
uma torrente que não se podia atravessar.
E Ele disse-me: "Viste, filho de homem?" E levou-me até à beira da
torrente.
Quando aí cheguei, eis que havia à beira da torrente grande quantidade de
árvores, em cada uma das margens.
Ele disse-me: "Esta água corre para o território oriental, desce para a
Arabá e dirige-se para o mar; quando chegar ao mar, as suas águas
tornar-se-ão salubres.
Por onde quer que a torrente passar, todo o ser vivo que se move viverá. O
peixe será muito abundante, porque aonde quer que esta água chegar,
tornar-se-á salubre; e a vida desenvolver-se-á por toda a parte aonde ela
chegar.
Ao longo da torrente, nas suas margens, crescerá toda a sorte de árvores
frutíferas, cuja folhagem não murchará e cujos frutos nunca cessam:
produzirão todos os meses frutos novos, porque esta água vem do Santuário.
Os frutos servirão de alimento e as folhas, de remédio."


Salmos 46(45),2-3.5-6.8-9.
Deus é o nosso refúgio e a nossa força, ajuda permanente nos momentos de
angústia.
Por isso, não temos medo, mesmo que a terra trema, mesmo que as montanhas
se afundem no mar;
Um rio, com os seus canais, alegra a cidade de Deus, a mais santa entre as
moradas do Altíssimo.
Deus está no meio dela, não pode vacilar; Deus irá em seu auxílio, ao
romper do dia.
O SENHOR do universo está connosco! O Deus de Jacob é a nossa fortaleza!
Vinde e contemplai as obras do SENHOR, as maravilhas que Ele realizou na
terra.


João 5,1-3.5-16.
Depois disto, havia uma festa dos judeus e Jesus subiu a Jerusalém.
Em Jerusalém, junto à Porta das Ovelhas, há uma piscina, em hebraico
chamada Betzatá. Tem cinco pórticos,
e neles jaziam numerosos doentes, cegos, coxos e paralíticos.
Estava ali um homem que padecia da sua doença há trinta e oito anos.
Jesus, ao vê-lo prostrado e sabendo que já levava muito tempo assim,
disse-lhe:«Queres ficar são?»
Respondeu-lhe o doente: «Senhor, não tenho ninguém que me meta na piscina
quando se agita a água, pois, enquanto eu vou, algum outro desce antes de
mim».
Disse-lhe Jesus: «Levanta-te, toma a tua enxerga e anda.»
E, no mesmo instante, aquele homem ficou são, agarrou na enxerga e começou
a andar. Ora, aquele dia era de sábado.
Por isso os judeus diziam ao que tinha sido curado: «É sábado e não te é
permitido transportar a enxerga.»
Ele respondeu-lhes: «Quem me curou é que me disse: 'Toma a tua enxerga e
anda'.»
Perguntaram-lhe, então: «Quem é esse homem que te disse: 'Toma a tua
enxerga e anda'?»
Mas o que tinha sido curado não sabia quem era, porque Jesus se tinha
afastado da multidão ali reunida.
Mais tarde, Jesus encontrou-o no templo e disse-lhe: «Vê lá: ficaste
curado. Não peques mais, para que não te suceda coisa ainda pior.»
O homem foi-se embora e comunicou aos judeus que fora Jesus quem o tinha
curado.
E foi por isto, por Jesus realizar tais coisas em dia de sábado, que os
judeus começaram a persegui-lo.


Da Bíblia Sagrada



Comentário ao Evangelho do dia feito por

Santo Ambrósio (c. 340-397), Bispo de Milão e Doutor da Igreja
Sobre os mistérios, 24s (trad. breviário rev.)

«Queres ficar são?»

O paralítico da piscina de Betzatá esperava um homem [para o ajudar a
descer à piscina]. Quem era esse homem, a não ser o Senhor Jesus, nascido
da Virgem? Com a Sua vinda, Ele não prefigurou apenas a cura de algumas
pessoas; Ele era a própria verdade que cura todos os homens. Por
conseguinte, era Ele que se esperava que descesse, Ele de Quem Deus Pai
disse a João Baptista: «Aquele sobre Quem vires o Espírito descer e
permanecer é que baptiza no Espírito Santo» (Jo 1, 33). [...] Então, por
que desceu o Espírito como uma pomba, se não para que tu a visses e
reconhecesses que a pomba enviada da arca por Noé, o justo, era uma imagem
desta outra pomba, de modo a que nela reconhecesses a prefiguração do
sacramento do Baptismo? [...]

Podes estar ainda na dúvida, quando o Pai proclama para ti de maneira
indubitável no Evangelho: «Este é o meu Filho muito amado, no qual pus todo
o Meu agrado» (Mt 3, 17); quando o Filho o proclama, Ele sobre Quem o
Espírito Santo se manifestou sob forma de pomba; quando o Espírito Santo
também o proclama, Ele que desceu sob forma de pomba; quando David o
proclama: «A voz do Senhor ressoa sobre as águas, o Deus glorioso faz ecoar
o seu trovão, o Senhor está sobre a vastidão das águas» (Sl 28, 3)? A
Escritura atesta também que, às preces de Gedeão, o fogo desceu do céu; e
que, à prece de Elias, o fogo foi enviado para consagrar o sacrifício (Jg
6, 21; 1R 18, 38).

Não consideres o mérito pessoal dos sacerdotes, mas a sua função [...]. Por
conseguinte, acredita que o Senhor Jesus está lá, invocado pela oração dos
sacerdotes, Ele que disse: «Pois, onde estiverem dois ou três reunidos em
Meu nome, Eu estou no meio deles» (Mt 18, 20). Por maioria de razão, onde
está a Igreja, onde estão os mistérios, é lá que Ele se digna conceder-nos
a Sua presença. Desceste ao baptistério. Recorda o que disseste: que crês
no Pai, que crês no Filho, que crês no Espírito Santo. [...] Pelo mesmo
compromisso da tua palavra, quiseste crer no Filho da mesma maneira que
crês no Pai, acreditar no Espírito Santo da mesma maneira que crês no
filho, apenas com a diferença que professas que é necessário crer na cruz
do único Senhor Jesus.




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