"Despojemo-nos das ações das trevas e vistamos as armas da Luz" Rm 13,12

17/04/2009

Podemos mudar nossa história

Formações

Imagem de Destaque

Podemos mudar nossa história

Não é preciso temer o sofrimento

Sim, esse título não é uma sugestão, mas uma concreta e alegre afirmação. É possível, é sempre possível mudar nossa história!

Percebo que o conformismo e a acomodação são dois grandes parasitas que perspassam o DNA de muita gente em nosso tempo, tempo por vezes tão confuso, que em várias situações acaba instaurando nas pessoas uma intensa letargia e um profundo sentimento de incapacidade.

Sim. Incapacidade diante dos problemas, das fraquezas, diante de fatos dolorosos que desejam – levianamente – definir o curso de nossa história.

É necessário que se creia que não se é aquilo que se sente, e que mesmo quando a tristeza e a incapacidade quiserem nos aprisionar, podemos e devemos resistir, acreditando na força que existe dentro de cada um de nós, no poder de superação, que muitos já definiram como: “Força dinâmica que anima a vida”.

Ao contrário do que muitos pensadores contemporâneos afirmaram, o homem não é um nada atirado no vazio da exitência, sem um “porquê” de existir, e sem “uma finalidade na existência”. O homem é um ser prenhe de significado, um ser que porta uma enorme capacidade de se superar e se autotranscender em cada instante de sua vida.

As contrariedades que enfrentamos não têm o poder de definir aquilo que seremos, nem mesmo nossos erros e fragilidades o têm. Tudo isso pode se tornar matéria-prima para realizarmos uma bela e contínua resignificação em nossa história, superando dores e conquistando vitórias. A vida se torna amiga de quem sabe observá-la...

Basta atentamente perceber o movimento presente na existência para compreender que dificuldades nem sempre são inimigas, mas, na maioria das vezes, elas vêm à luz com o intuito de fazer a vida ser mais e não menos. O sofrimento traz consigo uma força de novidade que infunde no coração capacidades que antes nem eram imaginadas por aquele que o vivencia.

Não é preciso temer o sofrimento, mas é preciso saber como reagir, como responder a ele. Ele pode e deve sempre formar e ensinar, e não se tornar uma muleta, na qual nos escondamos a vida toda. Ele tem o dom de nos fazer compreender a vida de uma forma como nunca a entenderíamos antes. Ele nos purifica e tira de nós o melhor. Por isso, diante de qualquer dor e derrota, o importante é sempre nutrir a certeza: “É possível mudar minha história!”, é possível crescer com as dores sempre aprendendo com elas.

Por maior que sejam as muralhas que se levantaram contra nós, essa esperança deve sempre povoar nosso coração: "Sou um vencedor, possuo em mim essa Força dinâmica de superação, que anima minha vida; posso vencer, pois essa Força de Deus habita em mim".

E mesmo quando somos nós os culpados, mesmo quando padecemos por conta de nossos próprios erros e fraquezas, é necessário entender que em Deus misericórdia não é passatempo, mas verdade eterna e derramada como perene possibilidade de recomeço e novidade, em qualquer fase ou circunstância da vida.

Quando se entende que a vida não pode ser subtraída a momentos isolados de limitação e que ela nasceu para sempre ser mais, para sempre crescer, a esperança pode fixar morada – mesmo em meio ao cansaço dos dias – naquele que caminha, alimentando-o com sua primavera e dando sabor e alegria a cada fragmento de tempo e presença que nessa terra empregamos.

Enfim, podemos mudar nossa história!, aliados à Graça, sempre poderemos!

Foto Adriano Zandoná
artigos@cancaonova.com
Seminarista e missionário da Comunidade Canção Nova. Reside atualmente na missão de Palmas (TO). É formado em Filosofia e está cursando Teologia. Apresenta o programa "Contra-maré" pela rádio Canção Nova do Coração de Jesus, aos sábados das 16h às 18h. Através do site www.arquidiocesedepalmas.org.br também é possível acompanhar aos sábados toda a programação ao vivo .

Jejum, o alimento que sacia a fome de Deus

Formações

Imagem de Destaque

Jejum, o alimento que sacia a fome de Deus

O autodomínio acaba sendo também uma vitória

Até há alguns anos, todos os católicos aprendiam, quando crianças, os cinco mandamentos da Igreja. Um deles tem a seguinte formulação: “Jejuar e abster-se de carne conforme manda a Santa Mãe Igreja”. Escrevi “até há alguns anos”, porque após as reformas litúrgicas acontecidas na segunda metade do século passado, a situação não ficou sempre clara na mente de muitos católicos. A maioria que ainda acredita no valor da penitência, pensa que os dias de jejum e abstinência de carne foram reduzidos a apenas dois: Quarta-feira de Cinzas e Sexta-feira Santa. Jejum, para quem está entre os 18 e os 60 anos; abstinência, para os que superaram os catorze anos.

Contudo, não é bem isso que prescreve o Código de Direito Canônico, sancionado pelo Papa João Paulo II, em 1983: «Os dias e tempos penitenciais, em toda a Igreja, são todas as sextas-feiras do ano e o tempo de Quaresma» (Cân. 1250).

Em 1986, a “Legislação Complementar” ao Código de Direito Canônico, redigida pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, retomou e detalhou a orientação dada pela Santa Sé: «Toda sexta-feira do ano é dia de penitência, a não ser que coincida com solenidade do calendário litúrgico. Os fiéis, nesse dia, se abstenham de carne ou outro alimento, ou pratiquem alguma forma de penitência, principalmente obra de caridade ou exercício de piedade. A Quarta-feira de Cinzas e a Sexta-feira Santa, memória da Paixão e Morte de Cristo, são dias de jejum e abstinência. A abstinência pode ser substituída pelos próprios fiéis por outra prática de penitência, caridade ou piedade, particularmente pela participação, nestes dias, na Sagrada Liturgia».

Qual o sentido e o valor de normas como estas, em pleno século XXI? A resposta é simples: aumenta cada vez mais o número de médicos e psicólogos que olham para o jejum e a abstinência como uma das melhores terapias para a saúde física e mental. Não apenas a obesidade, mas principalmente a ansiedade e a depressão crescem e matam quando se tenta superar o vazio existencial pelos três ídolos da modernidade: o ter, o prazer e o poder.

Quem realiza o ser humano é sempre e somente o amor, o qual, quando verdadeiro, vem de Deus, é gratuito, busca o bem da pessoa amada e liberta quem o vive. Em contrapartida, ele não passa de uma máscara se não se percorre um caminho de conversão e santidade. É precisamente esta a função da penitência, do jejum e da abstinência. Com eles, o que se verifica é um salto de qualidade na vida da pessoa, libertando-a das amarras e dos pesos que a impedem de captar os apelos de Deus e dos irmãos. Se o alimento sacia a fome do corpo; o jejum sacia a fome da alma.

Como toda disciplina, o autodomínio na comida e na bebida acaba sendo também uma vitória sobre a cultura do consumo e do materialismo – que, aliás, não é de hoje, se já o salmista a detectava em seu tempo: «Não dura muito tempo o homem rico e poderoso; é semelhante ao gado gordo que se abate. Este é o fim do que espera estultamente, o fim daqueles que se alegram com sua sorte: são um rebanho recolhido ao cemitério, e a própria morte é o pastor que os apascenta; são empurrados e deslizam para o abismo» (Sl 49,13-15).

O verdadeiro jejum, porém, vai muito além... da comida e da bebida. Se «a lei e os profetas se resumem no amor a Deus e ao próximo» (Mt 22,40), para o jejum não é diferente. É o que assevera o próprio Deus, através do profeta Isaías: «O jejum que prefiro é este: acabar com as prisões injustas, libertar os oprimidos, romper com a escravidão, repartir o pão com o faminto, acolher os pobres e peregrinos, vestir os nus e não se fechar à própria gente. Se assim você fizer, a sua luz brilhará como a aurora, suas feridas sararão rapidamente, e quando você invocar o Senhor, ele o atenderá; você pedirá socorro e ele dirá: Eis-me aqui» (Is 58, 6-9).

Para acolher e viver o amor de Deus, o coração precisa estar limpo e livre. É esse o papel que Santo Agostinho atribui ao jejum: «O vazio precisa ficar cheio. Você conseguirá se encher de bens se se esvaziar do mal. Suponha que Deus queira enchê-lo de mel. Se você estiver cheio de vinagre, onde ficará o mel? É preciso jogar fora o conteúdo do jarro e limpá-lo, ainda que com esforço, esfregando-o, para que possa servir a outro fim. Pode ser mel, ouro, vinho, tudo o que dissermos e quisermos, mas, no fundo, há sempre uma realidade indizível, que se chama Deus. Dizendo Deus, o que dissemos? Esta única sílaba é toda a nossa expectativa. Tudo o que conseguimos dizer, fica sempre aquém da realidade. Dilatemo-nos para Ele, e Ele, quando vier, encher-nos-á. Seremos semelhantes a Ele, porque O veremos como Ele é».

Dom Redovino Rizzardo, cs
domredovino@terra.com.br

Liturgia Diária!!!

Sexta-feira, dia 17 de Abril de 2009
6ª-FEIRA NA OITAVA DA PÁSCOA

6ª feira na oitava de Páscoa
Beata Catarina Tekakwitha, índia, mártir, +1680



Comentário ao Evangelho do dia feito por
São Gregório de Narek : «Ao romper do dia, Jesus apresentou-Se na margem»

Leituras

Actos 4,1-12.
Estando eles a falar ao povo, surgiram os sacerdotes, o comandante do
templo e os saduceus,
irritados por vê-los a ensinar o povo e a anunciar, na pessoa de Jesus, a
ressurreição dos mortos.
Deitaram-lhes as mãos e prenderam-nos até ao dia seguinte, pois já era
tarde.
No entanto, muitos dos que tinham ouvido a Palavra abraçaram a fé, e o
número dos crentes elevou-se a cerca de cinco mil.
No dia seguinte, os chefes dos judeus, os anciãos e os escribas reuniram-se
em Jerusalém
com o Sumo Sacerdote Anás, e ainda Caifás, João, Alexandre e todos os
membros das famílias dos sumos sacerdotes.
Mandaram comparecer os Apóstolos diante deles e perguntaram-lhes: «Com que
poder ou em nome de quem fizestes isso?»
Então Pedro, cheio do Espírito Santo, disse-lhes: «Chefes do povo e
anciãos,
já que hoje somos interrogados sobre um benefício feito a um enfermo e
sobre o modo como ele foi curado,
ficai sabendo todos vós e todo o povo de Israel: É em nome de Jesus
Nazareno, que vós crucificastes e Deus ressuscitou dos mortos, é por Ele
que este homem se apresenta curado diante de vós.
Ele é a pedra que vós, os construtores, desprezastes e que se transformou
em pedra angular.
E não há salvação em nenhum outro, pois não há debaixo do céu qualquer
outro nome, dado aos homens, que nos possa salvar.»


Salmos 118(117),1-2.4.22-24.25-27.
Louvai o SENHOR, porque Ele é bom, porque o seu amor é eterno.
Diga a casa de Israel: «O seu amor é eterno.»
Digam os que crêem no SENHOR: «O seu amor é eterno.»
pedra que os construtores rejeitaram veio a tornar-se pedra angular.
Isto foi obra do SENHOR e é um prodígio aos nossos olhos.
Este é o dia da vitória do SENHOR: cantemos e alegremo-nos nele!
SENHOR, salva-nos! SENHOR, dá-nos a vitória!
Bendito o que vem em nome do SENHOR! Da casa do SENHOR nós vos abençoamos.
SENHOR é Deus; Ele tem-nos iluminado! Entrançai as ramagens de festa até às
hastes do altar.


João 21,1-14.
Algum tempo depois, Jesus apareceu outra vez aos discípulos, junto ao lago
de Tiberíades, e manifestou-se deste modo:
estavam juntos Simão Pedro, Tomé, a quem chamavam o Gémeo, Natanael, de
Caná da Galileia, os filhos de Zebedeu e outros dois discípulos.
Disse-lhes Simão Pedro: «Vou pescar.» Eles responderam-lhe: «Nós também
vamos contigo.» Saíram e subiram para o barco, mas naquela noite não
apanharam nada.
Ao romper do dia, Jesus apresentou-se na margem, mas os discípulos não
sabiam que era Ele.
Jesus disse-lhes, então: «Rapazes, tendes alguma coisa para comer?» Eles
responderam-lhe: «Não.»
Disse-lhes Ele: «Lançai a rede para o lado direito do barco e haveis de
encontrar.» Lançaram-na e, devido à grande quantidade de peixes, já não
tinham forças para a arrastar.
Então, o discípulo que Jesus amava disse a Pedro: «É o Senhor!» Simão
Pedro, ao ouvir que era o Senhor, apertou a capa, porque estava sem mais
roupa, e lançou-se à água.
Os outros discípulos vieram no barco, puxando a rede com os peixes; com
efeito, não estavam longe da terra, mas apenas a uns noventa metros.
Ao saltarem para terra, viram umas brasas preparadas com peixe em cima e
pão.
Jesus disse-lhes: «Trazei dos peixes que apanhastes agora.»
Simão Pedro subiu à barca e puxou a rede para terra, cheia de peixes
grandes: cento e cinquenta e três. E, apesar de serem tantos, a rede não se
rompeu.
Disse-lhes Jesus: «Vinde almoçar.» E nenhum dos discípulos se atrevia a
perguntar-lhe: «Quem és Tu?», porque bem sabiam que era o Senhor.
Jesus aproximou-se, tomou o pão e deu-lho, fazendo o mesmo com o peixe.
Esta já foi a terceira vez que Jesus apareceu aos seus discípulos, depois
de ter ressuscitado dos mortos.


Da Bíblia Sagrada



Comentário ao Evangelho do dia feito por

São Gregório de Narek (c. 944-c. 1010), monge e poeta arménio
O Livro de orações, n° 66 (trad. SC 78, p. 411 rev)

«Ao romper do dia, Jesus apresentou-Se na margem»

Deus misericordioso, muito compassivo, amigo dos homens (Sab 1, 6) [...],
quando Tu falas, nada é impossível, mesmo o que parece impossível ao nosso
espírito: és Tu que dás um fruto saboroso em troca dos duros espinhos da
nossa vida [...].

Senhor Cristo, sopro da nossa vida (Lam 4, 20) e esplendor da nossa beleza
[...], luz e dador da luz, Tu não encontras prazer no mal, não queres a
perdição de ninguém, não desejas nunca a morte (Ez 18,32). Não és abalado
pela perturbação, nem estás sujeito à cólera; não és intermitente no Teu
amor, nem modificas a Tua compaixão; jamais alteras a Tua bondade. Não
voltas as costas, não desvias a face, mas és totalmente luz e vontade de
salvação. Quando queres perdoar, perdoas; quando queres curar, és poderoso;
quando queres vivificar, és capaz; quando concedes a Tua graça, és
generoso; quando queres devolver a saúde, és prodigioso [...]. Quando
queres renovar és criador; quando queres ressuscitar, és Deus [...].
Quando, antes mesmo de nós o pedirmos, queres estender a Tua mão, não
faltas com nada [...]. Se me queres fortalecer, a mim que sou inseguro, és
rochedo; se queres dar-me de beber, a mim que estou sequioso, és fonte; se
queres revelar o que está escondido, és luz [...].

Tu, que para minha salvação, combateste com coragem [...], tomaste sobre o
Teu corpo inocente todo o sofrimento das punições que merecíamos, a fim de,
ao tornares-Te exemplo, manifestares em acto a compaixão que tens por nós.




Gerir directamente o seu abono (ou a sua subscrição) neste endereço : www.evangelhoquotidiano.org