30 de mar de 2010

Carta aos senadores sobre o PNDH – 3


Estimados senadores,
Dirijo-me a vós com uma cordial e afetuosa saudação e ao mesmo tempo com grande pesar sobre a aprovação do Plano Nacional de Direitos Humanos que atualmente tem sucitado um forte debate na sociedade. Como vós bem o sabeis tal plano do governo tem o dever de zelar pelo bem comum dos cidadãos brasileiros e garantir-lhes o direito à vida. Direito este que não pode ser ab-rogado por nenhum governante, nenhuma instituição e nenhum cidadão. Mas no presente debate vemos, com razão, os ataques feitos ao plano. A defesa da vida sede lugar a falsos interesses pelo povo, que na verdade escondem em si interesses desleais, onde prevalece um jogo político de se manipular os costumes éticos e morais, e tem criado inacessíveis barreiras para um verdadeiro desenvolvimento. Com efeito, de modo algum o respeito pela vida pode ser posto à parte das questões do desenvolvimento dos povos: Só há verdadeiro desenvolvimento quando reconhece-se que este traz em seu bojo o respeito pela dignidade de cada ser humano, dignidade esta que é rompida com o desrespeito pela vida, pela indissolubilidade do matrimônio e pela imoralidade de união entre pessoas do mesmo sexo.
Nunca é sucinto o tema da vida e da dignidade de cada homem e mulher; do contrário: este tem norteado discurssões entre povos, religiões e nações. Tornou-se e tonar-se-á cada dia mais necessário debatê-lo. O Papa Bento XVI, na sua mais recente encíclica Caritas in Veritate, sobre o desenvolvimento humano integral na caridade e na verdade, escreve: “A abertura à vida está no centro do verdadeiro desenvolvimento” (nº 28). Pergunto-me então: como pode o Brasil desenvolver-se se alguns dos nossos governantes tramam planos hediondos na calada da noite, às surdinas, para que o povo não se-lhes torne impecílio? O povo torna-se, então, algo secundário, e o que conta a partir daí são os desejos daqueles que na verdade foram escolhidos para representar a sociedade, e portanto são “empregados do povo”.
78,3% da população é contra o aborto. Várias religiões, inclusive a Igreja Católica, tem se colocado veementemente em defesa da vida. Porém parece-me – a mim e a outros – que o governo pretende impor tais leis. Ora, permanecemos durante 25 anos na ditadura e finalmente chegamos a uma democracia. No entanto parece-nos que está esta a ser destruída aos poucos da sociedade. Estamos sendo tomados por pragas como o aborto, eutanásia, inseminação artificial, manipulação de embriões, uso da “camisinha”, da pílula abortiva do dia seguinte, a união entre pessoas do mesmo sexo, a corrupção. E sabemos que “quando uma sociedade começa a negar e a suprimir a vida, acaba por deixar de encontrar as motivações e energias numéricas para trabalhar a serviço do verdadeiro bem do homem” (idem).
No plano podemos notar que se fala de uma “autonomia”, criada pelo governo, da mulher sobre o seu corpo. Que autonomia é esta que permite a pessoa tonar-se assassíno?
Por isso a Igreja não hesita em afirmar que: “Quem defende o aborto nega sua condição de católico”, proclamava bem alto o Papa João Paulo II (Ev.V 62). Mas poderia expandir estas palavras: “Quem aborta nega a sua condição de ser humano”. Nem mesmo poder-se-á comparar aos animais, já que nem estes abortam seus filhotes.
Aquele que tem verdadeira autonomia do nosso corpo é o Espírito Santo. O nosso corpo nos foi emprestado e logo será devolvido: “Acaso ignorais que vosso corpo é templo do Espírito Santo que mora em vós e que recebestes de Deus? Ignorais que não pertenceis a vós mesmos? De fato , fostes comprados, e por preço muito alto” (1Cor 6,19-20). O “preço” foi o sangue de Jesus derramado pela salvação dos homens. “Portanto, se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá, pois o templo de Deus é santo, e esse templo sois vós” (ibid., 3,17).
Deixemos a prepotência, a arrogância de lado e reconheçamos a voz de Deus que clama incessantemente no mundo de hoje, dizendo: “Não matarás” (Ex 20,13). “Aquele que matar será condenado pelo tribunal” (Mt 5,21). Já não vos peço só como católico, mas também como cidadão indignado com tal Plano.
Mais uma vez reafirmo, em nome dos católicos indignados e da Igreja, que deploramos as leis anti-vida e repletas de imoralidade. Que possam estas leis serem revistas e não empregadas abitrariamente ao povo.
Confiando em novas medidas, peço que o Senhor vos proteja e abençoe.
Ian Farias de Carvalho
Dário Meira, 12 de fevereiro de 2010

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