16 de abr de 2010

Bento XVI, o mártir da imprensa

Repórter: mariocodu
A imprensa  progressista anticatólica aprendeu uma grande lição com o saudoso Papa João Paulo II: é muito mais difícil destruir uma imagem pública quando ela já foi consolidada no imaginário coletivo.As grandes empreitadas de João Paulo II contra o comunismo, contra as guerras, contra os abusos dos direitos humanos, suas viagens a lugares esquecidos até então, seu perdão a Ali Agca entre outras inúmeras ações memoráveis, solidificaram em muito pouco tempo uma imagem moral tão inabalável e tão enraizada na mente das pessoas, que quando este mesmo papa se posicionava a favor da vida, da família, da fidelidade, a mídia não conseguia ser tão eficiente na tentativa de fazê-lo parecer um lunático contraditório. Demorou mais de 15 anos para que essa mesma mídia começasse a ter algum sucesso ao associar insistentemente a imagem antes revolucionária do Papa João Paulo II, à de um irracional medieval.
Por isso desde antes do último conclave, a impressa anticatólica começou um forte trabalho de especulação dos possíveis papáveis com imediatas taxações a cada um deles, incluindo o então Cardeal Ratzinger, identificando e avaliando sob o prisma da dialética progressista/conservador os melhores/piores, respectivamente. Tudo na tentativa de pegar o possível novo papa na ante-mão e iniciar antes dele o trabalho da formação da opinião-pública da sua imagem.
Lição aprendida, agora é colocada na prática. Quando a fumaça branca indicou a eleição de um novo papa e quando aquele “ultra-conservador” saiu da janela superior da basílica de São Pedro acenando ao povo, começou dalí mesmo os disparos da metralhadora giratória sensacionalista, o movimento jornalístico contra um homem que acreditava que o mundo deveria se moldar a Deus e não o contrário.Se até hoje as pessoas não tem uma boa impressão deste santo homem, isso é de total responsabilidade da imprensa de massa, total, já que este homem sempre foi discretíssimo e anônimo para a maioria das pessoas a ponto de nem ser notado nas ruas de Roma. Como é possível ter antipatia instantaneamente a um homem que passou boa parte de sua vida dentro de salas de aula e de escritórios sem alguém muito mal intencionado fazendo o papel de língua suja?
Desde então, se fosse possível, a imprensa anticatólica (ou seja, toda a grande imprensa de massa) reviraria de ponta cabeça a lata de lixo do Papa Bento. Nem guardanapo passaria batido. Se fosse possível, a imprensa colocaria escutas dentro do seu quarto, ou mesmo, câmera escondida em algum jornalista à paisana. Tudo para tentar encontrar alguma prova, algum furo, algum fato contra ele. É, mas não conseguem. Então fazem o que podem: caneta grifo na mão, leitura dinâmica em palavras chaves e voulá! Uma nova manchete no jornal.
E aqui vale tudo. Se o papa faz um discurso numa universidade aonde censura a violência e propõem um caminho de fraternidade e de diálogo com todos os homens de todas as religiões, pronto. O que dá para grifar? Menos de 10% do discurso, algo sobre a religião muçulmana. Qual o contexto? Não importa. Quem começa a pancadaria? BBC, agência de notícias Britânica. Numa manchete traduzida para as línguas árabe, parsi, turco, urdu e malaio (próprias das comunidades islâmicas) vem o primeiro golpe: “O discurso do Papa excita a ira muçulmana”.
Detalhe: até aquele momento, absolutamente ninguém havia realmente lido o discurso da aula magna proferida pelo Papa em Rastibona nas línguas orientais. Seu discurso não fora traduzido para essas línguas. Era impossível que muçulmanos estivessem irados efetivamente com as palavras do Papa; na realidade tais palavras para eles ainda nem existiam. Sendo assim, todas as condenações feitas pela comunidade muçulmana às palavras de Bento XVI, todas, foram baseadas nos trechos narrados pelas agências de notícias a partir do que a BCC narrou. A partir daí foi o alvoroço mundial: “Já existe ódio religioso de sobra no mundo. Por isso é particularmente inquietante que o Papa Bento XVI tenha insultado os muçulmanos ” (NYT) [1] ;”Bento 16 disse que o Cristianismo está estreitamente ligado à razão, em oposição aos que tentam espalhar a fé pela espada” (Reuters). Face a essa mesma notícia da agência Reuters, a máxima autoridade do Islâ na Turquia, confessou que estava horrorizado com o discurso do Papa, não pelo que ele efetivamente falou, mas pelo que foi noticiado [2].
Depois que o discurso foi disponibilizado para mais línguas e as palavras do Papa puderam ser avaliadas dentro do contexto denso e intelectual a que proferiu, depois que as pessoas que se deram ao trabalho de ler seu discurso na íntegra viram que suas idéias estavam completamente na direção contrária do que fora divulgado, na direção da paz e da rejeição radical da violência, vieram alguns mea-culpas: “Na opinião da Comissão Européia, qualquer reação deve estar baseada no que foi dito efetivamente, e não sobre citações extrapoladas, inclusive deliberadamente” [3]. Depois vem o prêmio da Acadêmia de literatura da Alemanha para o melhor discurso do ano. Mas assim é a imprensa anticatólica, primeiro condene, depois verifique.
Se o Papa publica um documento sobre a eucaristia que nada mais é do que um resumo de um sínodo dos Bispos sobre o tema em forma de exortação, que trata de mais de 90 tópicos sobre o assunto, e em um dado momento se refere ao segundo casamento como um espinho doloroso, uma chaga do contexto social, pronto, grifo na mão, até para o que não foi escrito: “Papa Bento XVI chama segundo casamento de praga social”, diz o jornal o Estado de São Paulo na matéria de capa, num peso tão grande que pode ser comparado ao que acabei de dar; “Dê a sua opinião sobre a declaração polêmica do papa” pergunta inúmeros veículos de comunicação; “Enquete: você concorda com o papa de que o segundo casamento é uma praga?”; artigos de protesto, manchetes em telão, elevador, celular…e por aí vai.
Resolví enfatizar a chamada de capa do jornal o Estado aumentando tanto o tamanho da fonte, porque no momento de se retratar, o que a imprensa brasileira fez foi exatamente o contrário; resolveu se encolher bem encolhido, como uma criança arteira que foge das consequências de seus atos. A edição de 16 de maio de 2007 da revista Veja sintetizou bem esse comportamento irreponsável e inconsequente da nossa imprensa, quando dedica 10cm2 para fazer um pequeno comentário editorial, o qual reproduzo aqui com o mesmo peso dado pela revista, ou seja, de entrelinhas: “…quando usou a palavra piaga em março, ao falar do segundo casamento…estava querendo dizer chaga, ferida, e não “praga” como a imprensa tupiniquim traduziu indevidamente”.
Em sua visita para a Inauguração da Conferência Espicopal Latino Americana em Aparecida, tudo é assunto, menos aquilo que o Papa veio efetivamente fazer, que é canonizar Frei Galvão e iniciar as atividades do CELAM. Quer dizer, tudo é assunto dentro do ponto de vista negativista, aquele em que se excluem quaisquer valores passíveis de serem admirados pelo público assim como possíveis ideais em convergência com a opinião-pública liberal. Para isso abrem-se as gavetas das queridinhas do jornalismo progressista, cheias daquelas primícias capazes de taxar rapidamente uma pessoa a partir da dialética conservador/ mal, liberal/ bom: aborto; ordenação de mulheres; camisinha; anticoncepcionais; células-tronco; homossexualidade.
Os maiores exemplos foram os jornais Estado e Folha de São Paulo que veicularam em manchete de capa no dia da chegada do Papa, que este vinha ao Brasil para frear o aborto, punir os políticos, restaurar a união da Igreja com o Estado. Dedicaram para isso um sem números de artigos e opiniões de inimigos assumidos da Igreja, partes interessadíssimas em denegrir sua imagem, como teólogos da libertação, “falsas católicas pelo direito de decidir”, ministro da saúde etc. O mesmo de sempre. A idéia é essa mesma, vencer pelo cansaço. No fim, não fica nem uma pálida sombra do Papa que suplica pela paz, que indaga a ausência de Deus nos campos de concentração, que afirma que Deus é amor, que rejeita a violência fundamentada na religião e que pede a eliminação da miséria. Fica o Papa “linha-dura”, “mão de ferro”, o “rotweiller de Deus”. Como disse o canal de notícias Band-News na noite do dia 10, “o Papa do Não, Não, Não”, e também “o Papa das contradições”.
Tudo vale quando se trata de fazer esse homem parecer ultrapassado, retrógrado, cavaleiro da idade-média, inquisitor. O portal de notícias Terra, por exemplo, no dia da chegada do Papa ao Brasil chegou ao cúmulo da falta de respeito quando lançou uma enquete insinuando ao público a possibilidade do Papa Bento mentir quando disse que sua visita tinha uma missão unicamente religiosa: “você acredita que o Papa veio para o Brasil unicamente por razões religiosas? “. Faça-me o favor!
O intuito? Descredibilizar, rebaixar, diminuir, porque na realidade, seus críticos não suportam o fato de não conseguirem sustentar qualquer opinião contrária a dele em altura digna, sem cairem no “achismo” e na posição sem fundamento. Sabem que este Papa é uma figura humana e intelectual capaz de vencê-los em qualquer assunto de moral e fé, e em muitos outros. Se limitam a discordar sem nunca sequer refutar qualquer um de seus argumentos ou buscar entender sua razão disponível em algum de seus livros ou escritos. Não o conhecem e na verdade querem distância, porque o preconceito já é mais confortável do que a imparcialidade. O que possuem de mais latente é o medo, que no final das contas, é da própria verdade, que liberta e que compromete.
Mas São Francisco estava certo, a verdade se prova por si só, não precisa ser defendida. Com efeito Bento XVI não precisou de uma única palavra para se defender quando chegou ao Brasil, de todas as ofensas e notícias tendenciosas divulgadas a seu respeito; bastou unicamente sua eloquência e autoridade de quem vive o que prega, para que um clima de receptividade e carinho alcançasse a todas as pessoas de boa vontade desse país. Saindo na chuva e na noite mais fria do ano, os paulistanos o acolheram com amor e um baita sorriso nos rostos.
Então penso que o mais insuportável para essa militância toda é o fato de que apesar de todo o esforço que fazem para transformar Bento XVI em um tirano, as pessoas ainda assim o amam, o buscam!Sim, eu estava lá! Pude ver com meus olhos mais de 50 mil jovens provenientes de todo o mundo atravessar uma noite toda de viagem e de espera, unicamente para ver e ouvir no estádio do Pacaembú a presença deste Papa Alemão. Pude ouvir com meus ouvidos um ensurdecedor “Não ao aborto, sim a vida!”, um encantador “Papa eu te amo”, uma calorosa salva de palmas a castidade e ao matrimônio, ver com meus olhos as lágrimas de emoção de toda aquela juventude quando o Papa os saudou, quando disse que gostaria de dar em cada um, um grande abraço bem brasileiro e que desejara ardentemente ter se encontrado com eles, sentir com profundidade o calor e a vibração daqueles corações que se expressavam em cânticos de amor e compromisso a Deus através do Vigário de Cristo. Num ambiente assim ninguém arrisca encomendar uma pesquisa sobre o que o jovem católico acredita acerca de preservativos, matrimônio, aborto etc.
Na manhã seguinte, entre uma atividade de trabalho e outra, pude escutar um comentarista da Rede Globo que cobria a missa de canonização de Frei Galvão, que o Papa Bento XVI havia mudado sua imagem de frio e distante pelo seu esforço em acolher o povo, quebrando o protocolo e aparecendo mais de 10 vezes na sacada de seu quarto, sorrindo integralmente em todas as atividades e sempre caloroso e amável para com cada pessoa que chamava o seu nome. Na verdade o que esse comentarista fazia era isentar a classe jornalística de responsabilidade na construção dessa imagem dura e monstruosa do Papa, justamente agora que não dava mais jeito, que o povo já havia entendido que tudo não passava de uma grande besteira. Lavou as mãos e jogou nas mãos do Papa a sutil insinuação de que havia mudado para agradar. Besteira! Na verdade, o que o Papa Bento XVI fez aqui no Brasil não foi nada diferente do que fez em Colônia com os jovens, do que fez na Turquia, na Itália e na Polônia. É que agora com ele tão próximo não dava mais para esconder. Mais do que se mostrar como o homem que sempre foi, de mostrar com sua vida a verdade mais íntima de seu ser, o Papa Bento XVI provou pelo sentir que tem algo de especial e que merece ser ouvido.
Ao final da missa ele beija o altar, como sinal dos primeiros cristãos que se renegavam a beijar os pés dos imperadores romanos e preferiam a morte à retroceder na sua fé. O faz nos dias de hoje como aquele que não irá se curvar a cultura da morte, a idolatria do prazer, ao materialismo ateu. Para Bento XVI, assim como para esses primeiros cristãos, sofrer pela fé e pela verdade é verdadeira alegria, é delicioso manjar. E ao passar pela cruz da humilhação pública, ao suportar calúnias, distorções, difamações, cusparadas e agressões, ao ter sua vida examinada, ao ser crucificado moralmente todos os dias, entre tantas outras injustiças, este Papa torna-se assim muito maior do que simplesmente o líder da religião católica. Torna-se também num arquétipo. Em um sumo exemplo. Num sinal do que todo católico, daquele que crê em céu e inferno, em pecado e salvação, deve necessariamente passar para provar e vencer a sua fé nos dias modernos. Transforma-se por último numa luz santa que brilha esplendorosamente, livre, feliz, transcendente, arrastando e convencendo de que vale a pena sofrer pela causa do Reino dos Céus, de que o que importa é antes agradar a Deus, e não aos homens.
A militância anti-católica não entendeu é nada.
Silvio L. Medeiros. Apostolado Veritatis Splendor: Bento XVI, o mártir da imprensa.

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