13 de set de 2010

Carta dos bispos do Espírito Santo


Sexta-feira, 10 de Setembro de 2010

A Província Eclesiástica do Espírito Santo esclarece os católicos e pessoas que lutam pelo bem e pela justiça sobre os últimos acontecimentos na campanha eleitoral. Assinam o documento o Arcebispo de Vitória, os bispos de Colatina e S. Mateus e o Administrador Diocesano de Cachoeiro de Itapemirim.


Esclarecimento para as eleições 2010

Nós, bispos da Província Eclesiástica do Espírito Santo, sentimos a necessidade de esclarecer os católicos e pessoas de boa vontade sobre o seguinte:

1. A Igreja não exerce política partidária, portanto, não indica partido ou candidato durante as campanhas políticas. Porém, a Igreja, em seu discurso e ação defende a política do bem comum e a construção da democracia. “A Igreja tem o dever de oferecer, por meio da purificação da razão e através da formação ética, a sua contribuição específica para que as exigências da justiça se tornem compreensíveis e politicamente realizáveis”. “A Igreja não pode nem deve tomar nas suas próprias mãos a batalha política para realizar a sociedade mais justa possível [...]. Mas toca à Igreja, e profundamente, o empenhar-se pela justiça trabalhando para a abertura da inteligência e da vontade às exigências do bem” (Deus Caritas Est 27).

2. Recentemente, foi veiculado durante a propaganda eleitoral do candidato ao Senado, senador Magno Malta, o depoimento de um padre e de um bispo sobre atividades do candidato. Nós não concordamos com a veiculação de imagens de padres e bispos para apoiar um determinado candidato. Mais grave ainda, quando o padre e o bispo afirmam não terem autorizado o uso das imagens para fins eleitorais. Estas atitudes ferem o direito de imagem resguardado pela Constituição Federal.

3. Orientamos todos os católicos que se posicionem criticamente diante desta campanha que coloca o foco na CPI da pedofilia e na CPI do narcotráfico. Estes temas exigem nossa reflexão e atitude, mas não concordamos que a dor, a humilhação e o sofrimento das crianças e adolescentes vítimas de abuso sexual e tráfico de drogas e de armas, sejam transformados em espetáculo para angariar votos.

Caríssimos padres, lideranças católicas e pessoas de boa vontade, mantenhamo-nos dentro de nossos direitos sem violar o direito do outro, mas não nos omitamos nos esclarecimentos que devem ser dados a quem precisa, de forma que o voto seja consciente e responsável. O voto é um compromisso. É uma procuração que cada um dá ao candidato em quem vota.
Não podemos ser coniventes com pessoas que não têm ética na política.

D. Luiz Mancilha Vilela, Arcebispo de Vitória do Espírito Santo
D. Décio Sossai Zandonade, Bispo de Colatina
D. Zanoni Demettino Castro, Bispo de S. Mateus,
Pe. Antonio Tatagiba Vimercat, Administrador diocesano de Cachoeiro de Itapemirim

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