29 de out de 2010

Manifesto critica Dilma por posição sobre aborto

Em meio à polêmica gerada pela posição da candidata petista, Dilma Rousseff, em relação ao aborto, uma entidade com representantes da CNBB, da Federação Espírita e de grupos evangélicos divulgou uma nota atacando declarações que chama de "oportunistas, ambíguas e eleitoreiras".
Colocado na internet na quinta-feira passada, três dias antes do primeiro turno das eleições, o texto do Movimento Nacional da Cidadania pela Vida (Brasil Sem Aborto) não menciona Dilma explicitamente, mas fala em "candidatos que manifestaram publicamente, com palavras e ações, posicionamento pela descriminalização do aborto".
No site da entidade, um texto deixa claro quem é a destinatária da mensagem. "Movimento questiona posição de petista", diz o título da nota. Um link no Twitter oficial da organização leva a um vídeo com declaração de Dilma, em 2007, favorável a mudanças na lei do aborto.
Em meio à polêmica gerada na reta final do primeiro turno da campanha eleitoral, Dilma foi a público para afirmar que é contrária à descriminalização.
"É estarrecedor que algo tão importante como a defesa da vida, desde a concepção, seja tratado sem a devida explicitação do posicionamento de cada candidato", afirma o manifesto.
Em menção clara à mudança da posição de Dilma, o movimento diz que "a coerência e a clareza de posicionamento, não só nesta conjuntura eleitoral, deve prevalecer junto aos eleitores".
"Entendemos que os eleitores brasileiros não podem ficar à mercê dos "lobos vestidos com pele de cordeiro" cuja intenção é ganhar votos para vencer as eleições e, depois de empossados, mostrar a sua verdadeira face no apoio à cultura de morte", ataca o manifesto em seu trecho mais duro.
A nota faz menção ainda ao terceiro Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH), editado no fim do ano passado, que em sua primeira versão defendia a descriminalização da prática.
Presidente do movimento Brasil Sem Aborto, a professora Lenise Garcia, do departamento de Biologia da Universidade de Brasília (UNB), ataca também o posicionamento de José Serra (PSDB).
"O candidato José Serra chegou a chamar o aborto de "carnificina", de uma forma claramente contrária. Agora, ele também tem no seu histórico uma questão delicada, que é a norma técnica que acabou permitindo que o aborto em caso de estupro fosse realizado no SUS", diz Lenise.
Em 1998, quando era ministro da Saúde, Serra foi responsável pela normatização do aborto nos casos permitidos em lei - estupro e risco de vida para a mulher.
Para as eleições deste ano, o Brasil Sem Aborto divulgou uma lista em seu site com nome de candidatos aos governos estaduais e ao Legislativo contrários à prática. Criado em 2006, o movimento tem representação, hoje, em 15 Estados, mas não sabe precisar o número de seus ativistas. 
Fonte: Estadão

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