18 de out de 2010

PROCLAMADOS SEIS NOVOS SANTOS: CONVITE DO PAPA A "REZAR SEM CANSAR-SE"

◊   Cidade do Vaticano, 17 out (RV) - Dezenas de milhares de fiéis e peregrinos, provenientes, em particular, da Espanha, Polônia, Canadá, Austrália e Itália, se reuniram esta manhã na Praça São Pedro, no Vaticano, para participar da missa presidida por Bento XVI, na qual proclamou seis novos santos.

Trata-se de Mary MacKillop, australiana, fundadora da Congregação das Irmãs de São José do Sagrado Coração; do polonês Stanislaw Kazimierczyk, sacerdote da Ordem dos Cónegos Regulares Lateranenses; do canadense André Alfred Bessette, religioso; da espanhola Cándida María de Jesús, que se empenhou na formação cristã das crianças e fundou a Congregação das Filhas de Jesus; da religiosa italiana Giulia Salzano, fundadora das Irmãs Catequistas do Sagrado Coração; e da italiana Battista Camilla de Varano, monja clarissa, autora de vários textos de literatura mística.

"Renova-se hoje, na Praça São Pedro, a festa da santidade": com essas palavras, o Pontífice iniciou a homilia da celebração, dando, em seguida, as boas-vindas aos presentes, muitos dos quais provenientes de muito longe.

Partindo da liturgia deste XXIX Domingo do Tempo Comum, o Santo Padre observou que ela nos oferece um ensinamento fundamental: a necessidade de rezar sempre, sem cansar-se.

Em seguida, o Papa fez uma observação: às vezes nos cansamos de rezar, temos a impressão de que a oração não é tão útil para a vida, de que ela é pouco eficaz. Por isso, somos tentados a dedicar-nos à atividade, a empregar todos os meios humanos para alcançar os nossos objetivos, e não recorremos a Deus. Jesus, ao invés, afirma que é preciso rezar sempre, e o faz através de uma parábola específica (cfr. Lc 18,1-8).

Essa parábola fala de um juiz insensato, que não teme a Deus. Outro personagem é uma viúva. "Na Bíblia, a viúva e o órfão são as categorias mais necessitadas, porque indefesas e sem meios" – observou o Papa. A viúva vai ao juiz e pede-lhe com insistência que lhe faça justiça, a ponto de tornar-se inoportuna, no final, vencendo-o pelo cansaço.

A esse ponto, Jesus faz uma reflexão: se um juiz desonesto se deixa vencer pela insistência de uma viúva, fará muito mais Deus que é bom, pois atenderá quem o invoca.

"De fato, Deus é a generosidade em pessoa, é misericordioso, e, consequentemente, está sempre disposto a ouvir as orações. Portanto, jamais devemos nos desesperar, mas insistir sempre na oração."

A conclusão do trecho evangélico fala de fé: "Mas quando o Filho do Homem voltar, encontrará a fé sobre a terra?" (Lc 18, 8). É uma pergunta que quer suscitar um aumento de fé da nossa parte – explicou Bento XVI. De fato, "é claro que a oração deve ser expressão de fé, do contrário, não é verdadeira oração, se não se crê na bondade de Deus, não se pode rezar de modo verdadeiramente adequado:

"A fé é essencial como atitude de base da oração. Foi o que fizeram os seis novos Santos que hoje são propostos à veneração da Igreja presente no mundo inteiro: Stanisław Sołtys, André Bessette, Cándida María de Jesús Cipitria y Barriola, Mary MacKillop, Giulia Salzano e Battista Camilla Varano."

Em seguida – como faz habitualmente na homilia das missas de canonização – o Santo Padre passou a apresentar os novos santos, traçando o perfil de santidade de cada um deles:

"Santo Stanislaw Kazimierczyk, religioso polonês do Séc. XV, uniu toda a sua vida à Eucaristia. A comunhão foi-lhe "fonte e sinal" da prática do amor ao próximo."

"Frei André Bassette, originário do Québec, no Canadá, e religioso da Congregação da Santa Cruz, que conheceu sofrimento e pobreza, viveu a fé como escolha de "colocar-se livremente, e por amor, à disposição da vontade de Deus"."

O Papa recordou da Madre Cándida María de Jesús, espanhola, que "com a orientação de seus padres espirituais jesuítas escolheu viver somente para o Senhor".

"O corajoso e santo exemplo de zelo, perseverança e oração" da australiana Madre Mary McKillop, levou-a a dedicar-se, desde jovem, à educação dos pobres."

Depois, o pensamento do Papa voltou-se para Giulia Salzano, professora do primário na segunda metade do Séc. XIX, na Campania, região do sul da Itália:

"Madre Giulia compreendeu bem a importância da catequese na Igreja, e, unindo a preparação pedagógica ao fervor espiritual, dedicou-se a ela com generosidade e inteligência, contribuindo para a formação de pessoas de todas as idades e estratificação social."

E referindo-se a Battista Camilla Varano, monja clarissa do Séc. XV que testemunhou plenamente o sentido evangélico da vida, especialmente perseverando na oração, o Papa disse:

"Num tempo em que a Igreja sofria um descuido dos costumes, ela percorreu com decisão o caminho da penitência e da oração, animada pelo ardente desejo de renovação do Corpo místico de Cristo."

Ao término da solene celebração, teve lugar a oração mariana do Angelus. O Santo Padre renovou a saudação aos fiéis e peregrinos presentes para a canonização, falando em diversas línguas.

Em particular, falando em polonês, saudou o Presidente da Polônia, Bronislaw Komorowski, presente na Praça São Pedro, a quem recebera neste sábado em audiência, no Vaticano.

Em italiano, além do pensamento pelas duas santas, fez um apelo significativo no âmbito do tema da ação social e política. O Papa saudou os participantes da 46ª Semana Social dos Católicos Italianos, que se conclui neste domingo, afirmando que o evento "traçou uma agenda de esperança", e fez o seguinte auspício:

"Faço votos de que a busca do bem comum constitua sempre a referência segura para o compromisso dos católicos na ação social e política."

Dirigindo-se aos de língua espanhola, após saudar os fiéis e peregrinos, cardeais e bispos, bem como a delegação oficial da Espanha, o Pontífice disse:

"Confio as Religiosas Filhas de Jesus à intercessão de Santa Cándida, sua Fundadora. Peço a Deus também que os novos santos sirvam de modelo para o povo cristão, particularmente para os jovens, para que sejam cada vez mais numerosos os que acolhem o chamado do Senhor e entregam suas vidas por completo para proclamar a grandeza de seu amor."

O Santo Padre concluiu a celebração concedendo a todos a sua Bênção apostólica. (RL)

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