14 de dez de 2010

Cardeal Cañizares: falta de fé é maior ameaça do nosso tempo

ZENIT
Em sua investidura como "honoris causa" pela Universidade Católica de Valência
VALÊNCIA, segunda-feira, 13 de dezembro de 2010 (ZENIT.org) - "A falta de fé em Deus, a perda do sentido de Deus que lacera nosso mundo, as percebo e vivo como a indigência maior, a ameaça mais grave e de mais desastrosas consequências para nosso tempo", disse o cardeal Antonio Cañizares, prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos ao receber o doutorado honoris causa pela Universidade Católica de Valência, São Vicente Mártir, na última quinta-feira, dia 9 de dezembro.
O prelado comentou no mesmo discurso que considera que a falta de fé "gera uma quebra moral que reclama urgentemente sua reedificação". E assegurou que "não há nada que me faça sofrer tanto nem que preocupe mais que a crise de Deus que a humanidade contemporânea padece; a ausência de Deus camuflada inclusive, às vezes, de religiosidade vazia".
Dom Cañizares intitulou seu discurso "Em defesa do homem e da estrutura da sociedade: a atuação de um bispo", informou a Universidade Católica de Valência.
Em sua fala, lançou um apelo à esperança a partir do reconhecimento realista do que acontece. Mostrou-se convencido de que, "se é verdade que, para uma sociedade como a nossa, fechada ao futuro, faltam fundamentos para a esperança, Deus não nos deixará na mão".
Por isso, prosseguiu, "me chama a ser testemunha e porta-voz de esperança, incentivar a esperança, olhar para o futuro, ajudar a abrir-se ao futuro e mostrar caminhos que conduzam a ele".
"O que os cristãos podemos e devemos oferecer ao mundo, à sociedade, é a Boa Nova da Encarnação-Redenção de Cristo e a verdade do homem que se desvela e verifica na experiência desse acontecimento, vivida na comunhão da Igreja".
"Essa é toda a nossa riqueza e temos que oferecê-la com tanta simplicidade quanto transparência, sabedores por experiência própria que é um bem inestimável e decisivo para a vida das pessoas", acrescentou o cardeal.
O purpurado concluiu seu discurso indicando que "todas as correntes de pensamento de nosso velho continente deveriam considerar a que negras perspectivas poderiam conduzir à exclusão de Deus da vida pública, como último juiz da ética e supremo seguro contra todos os abusos de poder exercidos pelo homem sobre o homem".
Precisamente "nesta fé reside, em última análise, a contribuição da Igreja à necessária estrutura da sociedade".
A cerimônia foi presidida pelo arcebispo de Valência e grão-chanceler da Universidade Católica, Dom Carlos Osoro, que destacou a importância de defender a verdade do homem e sua dignidade.
Participaram do ato diversas autoridades civis, como o presidente da Generalitat Valenciana, Francisco Camps, a presidente das Cortes Valencianas, Milagrosa Martinez, e o líder da oposição autonômica, Jorge Alarte.
Francisco Camps afirmou que, nas sociedades do século XXI, são essenciais "o respeito, a tolerância e a liberdade de todos os cidadãos e de sua dignidade como pessoas para assegurar a convivência e o bem comum".

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