18 de dez de 2010

Evolução biológica: o fim da divisão entre evolucionismo e criacionismo



Há um novo respeito entre ciência e fé, que se reconhecem como caminhos diferentes que levam paralelamente a indagar a mesma realidade. Uma análise complexa do diálogo entre ciência, filosofia e teologia caracterizou o encontro em Milão promovido pela Associação dos Médicos Católicos com o Pontifício Conselho para a Cultura, com o objetivo de chegar à instauração de um respeito recíproco em matéria de evolução biológica, entre criacionismo e evolucionismo.
A reportagem é de Fabio Brenna, publicada no sítio da Rádio do Vaticano, 27-11-2010.
Um respeito que se baseia no reconhecimento da necessidade de abordagens diferentes e legítimas para a interpretação do ser: se a ciência se ocupa das questões de cena, a filosofia e a teologia enfrentam as questões de fundamento, a busca do porquê, as finalidades daquilo que acontece.
Nas conclusões do cardeal Gianfranco Ravasi(foto), presidente do Pontifício Conselho para a Cultura, o reconhecimento dos benefícios do diálogo franco entre as diversas disciplinas.
“A primeira vantagem é a que, em nível popular, principalmente em nível escolar, acaba-se com essa ideia segundo a qual quem afirma a evolução é necessariamente ateu, e que o crente deve necessariamente combater a evolução. São afirmações que são feitas de forma muito primitiva. Isso não acontece mais, em nível alto, entre os cientistas e os teólogos.
A segunda vantagem é que, em nível humano geral, há uma interpretação da realidade que tem necessidade da contribuição de muitas vozes. É uma interpretação conjunta, é uma interpretação sinfônica de mais vozes.
Terceiro: reconhecer a dignidade que todas as grandes disciplinas têm: de um lado, a ciência e, de outro, a teologia e a filosofia, porque são olhares diferentes sobre a realidades e são interpretações que, de ângulos de visão diferentes, permitem entender mais quem somos, como somos e qual meta devemos alcançar”.
O cardeal Ravasi, citando Bento XVI, evidenciou assim como o processo evolutivo pode entrar no projeto divino da criação. Nesse âmbito, também tem início a relação entre fé e razão, que não por acaso – destacou o purpurado – é indicado pelo Papa como o grande desafio da contemporaneidade.
“Hoje, o diálogo entre fé e razão é um diálogo absolutamente reconhecido como necessário, também por aqueles que, à primeira vista – por exemplo, os fundamentalistas do lado da fé, os cientistas, os cientistas polêmicos, de outro lado –, reconhecem que a sua instrumentação é insuficiente para decifrar o mistério da realidade. Não é necessária apenas a fé, a teologia, para compreender mais o homem. Pensemos: pode-se viver sem arte? Pode-se viver sem poesia? Pode-se viver sem música? Essas realidades não pertencem à ciência em sentido estrito: são, ao contrário, irmãs, eventualmente, da teologia e da filosofia. Mas nos dão concepções, interpretações e visões que são de alto perfil e que são também dignas de dignidade”.
É clara a indicação que o cardeal Ravasi deu aos crentes para que respeitem os dados científicos e os dados teológicos sem tentações apologéticas. Enquanto aos não crentes que agem no horizonte científico, o purpurado pediu que se reconheça o não esgotamento do ser e do homem só recorrendo a parâmetros de verificabilidade científica.

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