22 de mar de 2011

O sexo é um dom de Deus, afirma pesquisador

 

Fonte: http://www.cristoatividade.com//noticia.php?id=423

Gracielle Reis
Da Redação


Arquivo
Christopher West é membro do Instituto Teologia do Corpo, palestrante, autor de livros. Ele e a esposa Wendy têm cinco filhos e vivem nos EUA
“O sexo é um evento religioso”. É desta forma que o pesquisador e docente do Instituto Teologia do Corpo*, Christopher West, define a relação sexual no matrimônio, em seu livro Good News About Sex and Marriage: Answers to Your Honest Questions About Catholic Teaching (tradução livre: “A Boa Nova sobre o sexo e o casamento: Respostas às suas perguntas sinceras sobre o Magistério da Igreja Católica”). 


O autor afirma que o “sexo não é um assunto periférico”, pois, é através dele, que o homem e a mulher expressam o amor matrimonial, numa entrega gratuita, fiel e total. Ele ressalta ainda que o sexo faz com que os esposos participem da vida e do amor divino, uma vez que a relação torna visível e concreto o mistério do amor de Deus.
 
“Deus nos deu o desejo sexual como um instrumento para aprendermos como Ele nos ama, para participarmos de sua vida divina e alcançarmos o sentido da nossa existência”, explica.
 
A assessora do setor pré-matrimonial da Pastoral Familiar, na Arquidiocese do Rio de Janeiro, Tatiana Melo, enfatiza, a partir do escritos do Papa João Paulo II, que o corpo tem valor e que este é não uma “carapaça” que impede o ser humano de viver as coisas celestes. “O nosso corpo é parte da nossa identidade, do nosso ser. Com o nosso corpo, masculino ou feminino, nós somos chamados a amar como Deus nos ama”, elucida.
 


Ela destaca ainda que a prova de que o corpo humano tem valor é a encarnação de Jesus Cristo. Ao recordar as palavras do futuro beato quando destaca que o “Verbo Divino se fez carne e habitou no meio de nós”, a assessora enfatiza que a teologia precisou “abrir as portas” para o corpo humano entrar e transmitir a toda a Igreja que, com o corpo, homens e mulheres podem viver na dignidade de filhos de Deus. 
 
Christopher West reforça a ideia de que o sexo é algo sagrado, criado por Deus e, por isso, o casamento não pode ser visto como algo “relativo”, em que as pessoas escolhem como ele deve ser. “Para que haja, de fato, o matrimônio, é preciso que ele esteja de acordo com a vontade de Deus e não com as minhas vontades”, defende.
 
E para conceituar o que é verdadeiramente o casamento e se distanciar de qualquer lógica relativista, o docente se utiliza das palavras de João Paulo II:
 
“O sacramento (do matrimônio), como sinal visível, é constituído da masculinidade e da feminilidade. O corpo, e somente o corpo, é capaz de tornar visível o que é invisível: o espiritual e o divino. Ele foi criado para transferir para a realidade visível do mundo o mistério escondido pela eternidade em Deus e do qual é sinal”. 
 
Como elucida a assessora da Pastoral Familiar, quando o sexo é vivido da forma certa, ele representa uma prévia do que vai se experimentar no céu: “Nós estamos repetindo, começando a experimentar o que é um pouco desse gozo divino, que é esse casamento místico que Deus quer fazer com todos nós”.
 

Arquivo pessoal
Tatiana e o marido Ronaldo Melo são assessores na Pastoral Familiar da Arquidiocese do Rio desde 2009
Sexualidade humana


Tatiana Melo, explica que a sexualidade é a capacidade que todo ser humano tem, com suas característica psicológicas, biológicas e espirituais, de expressar o amor e de se relacionar com os outros. Ela acrescenta ainda que, para os cristãos, a sexualidade deve ser sempre associada à virtude da castidade, pois é esta que vai ordenar e equilibrar a outra. 
 
“A Igreja sempre nos orienta que, fora do casamento, a castidade requer a abstinência, e no casamento requer fidelidade a todas as promessas que o casal faz, no momento do Sacramento do Matrimônio, aos pés do altar”, complementa. 
 
A assessora destaca também que a palavra "sexo" não é um verbo, mas um substantivo, isto é, é algo que o ser humano “é”, faz parte da sua identidade, da essência criada por Deus: “Deus, aos nos criar homem ou mulher, não nos criou só enquanto indivíduo, mas enquanto seres complementares, que precisam um do outro para exercitar essa capacidade de amar, não só espiritualmente, não só em alma, mas também fisicamente, através do nosso corpo”. 
 
Homossexualidade
 
“[Deus] nos olha com amor, no momento da concepção, e é Ele quem escolhe de que forma a nossa sexualidade vai nos levar à salvação". É o que ressalta Tatiana, ao afirmar que, no ato da criação, Deus criou o homem e a mulher e foi Ele quem fez esta opção e estabeleceu a união entres eles através do sexo no casamento.

De acordo com o Catecismo da Igreja Católica, "[a sexualidade] só se realiza de maneira verdadeiramente humana se for parte integrante do amor com o qual homem e mulher se comprometem totalmente um para com o outro até à morte" (CIC 2361).

Deste modo, como também explica o Diácono e teólogo Paulo Lourenço, a homossexualidade não estaria associada a esta essência criada por Deus. "[Esta prática], não está regulada à preservação da dignidade da pessoa humana. Portanto, a relação homossexual, denigre a pessoa humana, criada à imagem e semelhança de Deus", explica.

Ainda segundo o Catecismo da Igreja, os atos de homossexualidade, em caso algum, são aprovados pois seriam "intrinsecamente desordenados. São contrários à lei natural, fecham o ato sexual ao dom da vida, não procedem de uma complementaridade afetiva e sexual verdadeira" (CIC 2357).

Contudo, o documento enfatiza:

"[Os homens e as mulheres com tendências homossexuais] devem ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza. Evitar-se-á, em relação a eles, qualquer sinal de discriminação injusta. Estas pessoas são chamadas a realizar na sua vida a vontade de Deus e, se forem cristãs, a unir ao sacrifício da cruz do Senhor as dificuldades que podem encontrar devido à sua condição" (CIC 2358).
 
A Teologia do Corpo - A "revolução sexual" em João Paulo II
 
O Papa João Paulo II dedicou o primeiro grande projeto de ensino de seu pontificado - 129 palestras curtas entre setembro de 1979 e novembro de 1984 - à sexualidade humana e relação sexual no matrimônio. Assim, o projeto foi intitulado por ele "teologia do corpo", em que o Santo Padre busca levar a Igreja e os fiéis ao entendimento da relação íntima entre o sexo e o mistério cristão. 
 
Os estudos sobre o tema também foram evidenciados pelo Sínodo dos Bispos em 1980 sobre a família. Ao fim do Sínodo, os padres conciliares pediram a criação de centros teológicos dedicados ao estudo dos ensinamentos da Igreja sobre matrimônio e família. João Paulo II, de acordo com a proposta, respondeu com o estabelecimento do Instituto Superior para Estudos de Matrimônio e Família e o Conselho Pontifício para a Família.
 
O Instituto foi fundado, portanto, em 13 de maio de 1981, em Roma, pelo Pontífice, e busca ser o líder na formação de especialistas nas áreas de conhecimento relacionadas à pessoa, matrimônio e família. O organismo oferece programas acadêmicos que contam com uma sólida base filosófica e antropológica, aliando-se aos conhecimentos de psicologia, pedagogia, ciências médicas, bioética, Direito Familiar e outras ciências sociais.
 
Com a "teologia do corpo" do Papa, como explica Tatiana Melo, os cristãos são chamados a viver uma verdadeira “revolução sexual”, passando de uma sexualidade “reprimida” para uma “redimida”. Ou seja, Cristo ao se entregar na carne pela humanidade fez uma entrega total e, assim, ensina que os esposos são chamados a imitá-Lo, numa doação total, livre e fecunda de si ao outro. 




* Entidade dos Estados Unidos, sem fins lucrativos, cujo objetivo é promover a Teologia do Corpo, a nível popular e nas culturas seculares. Através de cursos de pós-graduação e programas de formação do clero, o Instituto procura penetrar e permear a cultura com uma verdadeira visão da sexualidade, educando homens e mulheres a entender, viver e promover o plano de Deus para a sua sexualidade. Além disso, tem também o objetivo de garantir que os ensinamentos de João Paulo II sejam divulgados com fidelidade e eficácia.

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