29 de jul de 2011

PAPA PEDE QUE, NO MÊS DE AGOSTO, SE REZE PELOS JOVENS PARTICIPANTES DA JMJ 2011

◊   Cidade do Vaticano, 29 jul (Rádio Vaticano) – “Para que a Jornada Mundial da Juventude de Madri encoraje a todos os jovens do mundo a radicar e fundar as suas vidas em Cristo”. Essa é a intenção geral de oração lançada pelo Papa para o mês de agosto. Bento XVI, portanto, convida todos a rezarem pelos jovens que participarão da Jornada, e, por isso, a Rádio Vaticano conversou com o responsável da Pastoral Juvenil da Conferência Episcopal Italiana, o Pe. Nicolò Anselmi.

Ele ressaltou que, segundo a vontade do beato João Paulo II, retomada por Bento XVI, a Jornada é primeiramente uma peregrinação missionária. “É o Papa que chama os jovens – missionários junto com ele – a acompanhá-lo na sua viagem apostólica à Espanha”, disse o sacerdote.

“A Igreja conta com vocês” é um convite feito pelo Papa aos jovens, para que – explicou Pe. Nicolò – eles não sejam somente os destinatários da obra pastoral da Igreja, mas também os protagonistas. Afirmou ainda que, na prática, isso já acontece muito, pois os jovens empenham-se bastante nas associações, nos oratórios, nos grupos juvenis, nas catequeses, na animação litúrgica.

Pe. Nicolò ressaltou ainda o surgimento de um renovado empenho sócio-político por parte dos jovens. O Papa e também os nossos bispos têm incentivado a formação de políticos católicos, de uma juventude comprometida com o social, afirmou o sacerdote, que completou: “acredito que, do ponto de vista dos sacerdotes e de toda a comunidade cristã, se possa fazer algo para dar, nas nossas comunidades cristãs, um espaço adequado aos jovens, talvez ouvindo as suas experiências, exigências, linguagem, o seu modo de traduzir o evangelho para as próprias vidas”. (ED)

28 de jul de 2011

Lançamento do Novo CD do Ministério Água Viva

O problema do mal

SALVADOR, terça-feira, 26 de julho de 2011 (ZENIT.org) - "Você acredita em Deus?" Com essa pergunta, a jornalista terminava uma longa entrevista com um conhecido esportista nacional. A resposta que ele lhe deu chamou minha atenção, porque expressa o que muita gente pensa a respeito do problema do mal. O drama e a angústia do esportista são a angústia e o drama de inúmeras pessoas, em situações, épocas e lugares diferentes: "É difícil dizer que acredito em Deus. Quanto mais desgraças vejo na vida, menos acredito em Deus. É uma confusão na minha cabeça; não encontro explicação para o que acontece. Por que é que meu filho nasce em berço de ouro, enquanto outro, infeliz, nasce para sofrer, morrer de doença, e há tudo isso de triste que a gente vê na vida? É uma coisa que não entendo e, como não tenho explicação, é difícil de acreditar em um Ser superior."

O mal, o sofrimento e a doença fazem parte de nosso cotidiano. As injustiças, a fome e a dor são tão frequentes em nosso mundo que parecem ser normais e obrigatórias. Fôssemos colocar em uma biblioteca todos os livros já escritos para tentar explicar o porquê dessa realidade, ficaríamos surpresos com sua quantidade.

Para o cristão, mais do que um culpado, o mal tem uma causa: a liberdade. Fomos criados livres, com a possibilidade de escolher nossos caminhos. Podemos, pois, fazer tanto o bem quanto o mal. Se não tivéssemos inteligência e vontade, não existiria o mal no mundo; se fossemos meros robôs, também não. Por outro lado, sem liberdade não haveria o bem e nem saberíamos o que é um gesto de amor. Também não conheceríamos o sentido de palavras como gratidão, amizade, solidariedade e lealdade.

O mal nasce do abuso da liberdade ou da falta de amor. Nem sempre ele é feito consciente ou voluntariamente. Quanto sofrimento acontece por imprudência! Poderíamos recordar os motoristas que abusam da velocidade ou que dirigem embriagados, e acabam mutilando e matando pessoas inocentes. Não é da vontade de Deus que isso aconteça. Mas Ele não vai corrigir cada um de nossos erros e descuidos. Não impedirá, por exemplo, que o gás que ficou ligado na casa fechada asfixie o idoso que ali dorme. Repito: Deus não intervém a todo momento para modificar as leis da natureza ou para corrigir os erros humanos.

O que mais nos angustia, talvez pela gravidade das consequências, é o mal causado pela violência, pelo ódio e egoísmo. Os assassinatos e roubos, os sequestros e acidentes, as guerras e destruições são como que pegadas da passagem do homem pelo mundo. O mal acontece porque usamos de forma errada nossa liberdade ou não aceitamos o plano de Deus, expresso nos mandamentos. Quando nos deixamos levar pelo egoísmo e seguimos nossas próprias ideias, construímos o nosso mundo, não o mundo desejado por Deus para nós.

Outro imenso campo de sofrimento é o das injustiças. Quantos se aproveitam de sua posição e de seu poder para se enriquecer sempre mais, à custa da miséria dos fracos e do sofrimento dos indefesos! Terrível poder o nosso: podemos fechar-nos em nosso próprio mundo e contemplar, indiferentes, a desgraça dos outros.

Não se pode, também, esquecer o mal causado pela natureza, quando suas leis não são respeitadas. Com muita propriedade, o povo diz: "Deus perdoa sempre; o homem, nem sempre; a natureza, nunca!" A devastação das florestas e a contaminação das águas fluviais trazem consequências inevitáveis, permanentes e dolorosas para a vida da humanidade. Culpa de Deus?...

Diante do mal, não podemos ter uma atitude de mera resignação. Cristo nos ensina a lutar, combatendo o mal em suas causas. O bom uso da liberdade e a prática do bem nos ajudarão a construir o mundo que o Pai sonhou para nós. Descobriremos, então, que somos muito mais responsáveis por nossos atos do que imaginamos. Fugir dessa responsabilidade, procurando fora de nós a culpa de nossos erros é uma atitude cômoda, ineficiente e incoerente. Assumirmos a própria história, colocando nossas capacidades a serviço dos outros, é uma tarefa exigente, sim, mas que nos dignifica e nos realiza como seres humanos e filhos de Deus.

***

Por Dom Murilo Krieger
arcebispo de Salvador da BA

Dicionário de Política: Liberalismo

Posted: 26 Jul 2011 09:42 AM PDT
Enaltecimento da liberdade como valor supremo, destituído de sentido teleológico, mantendo-se este, por vezes, nos liberais moderados. No dizer de Dante (1265-1321), o maior dom que Deus concedeu ao homem, criando-o, foi della volontà la liberta (Divina CommediaParadiso, canto V). E Cervantes (1547-1616), no Don Quijote (parte II, c. 58), assim se exprime a respeito da liberdade: com ella no pueden igualarse los tesoros que encierra la tierra ni el mar encubre. Isso não quer dizer que a liberdade seja um valor absoluto, pois os homens, exercendo-a, devem ordená-la para o bem, conformando-se à ordem moral e jurídica, sem o que a liberdade pode transformar-se em licenciosidade desenfreada. Cada um de nós é livre enquanto domina a si mesmo, é senhor de seus atos; do contrário, expõe-se a ser dominado e escravizado pelas paixões. Esse dom sublime, expressão do livre arbítrio (a liberdade do querer decorre de um juízo da inteligência, que esclarece a vontade), só o conseguimos exercer na sua plenitude mediante um esforço, uma luta, uma conquista. Luta não só contra os que nos querem tirar a liberdade, mas contra nós mesmos, dado que a podemos perder em vista das más inclinações, antes as quais cumpre estar vigilante. É de se lembrar o conhecido dito de Ovídio (43 a.C. – 17 d.C.): video meliora proboque, deteriora sequor (vejo o que é melhor e aprovo, mas sigo o pior).

O liberalismo, porém — considerando a liberdade um valor supremo —, centra-se numa concepção do homem e da sociedade decorrente de pressupostos antropológicos e metafísicos. Não é, pois, o liberalismo apenas um sistema econômico ou um regime político. Desde fins do século XVIII, passou a constituir uma ideologia, dinamizada pela Revolução Francesa (1789), cujas sequelas se fizeram sentir em vários países do Velho e do Novo Mundo.

A ideologia do liberalismo tem seu ponto de partida na falsa afirmação inicial de Rousseau (1712-1778) em Du contrat social: L’homme est né libre, et partout Il est dans fers (o homem nasceu livre, e por toda a parte está agrilhoado). É evidente que o homem nasce com uma série de dependências, e não há nenhuma liberdade na criancinha, que, entregue a si mesma e sem a devida proteção, perecerá. Quanto à segunda parte da aludida proposição, ela insinua que toda autoridade, sendo coercitiva, se opõe à liberdade. Daí uma antinomia radical entre autoridade e liberdade, implícita nas conclamações e nos discursos revolucionários de 1789, ao verem no poder um inimigo nato da liberdade, quando é certo que, para serem garantidas, as liberdades precisam da proteção do poder. Não se confunda o poder que tem legitimidade enquanto promove o bem comum, numa ordem de justiça, com o poder que se corrompe na tirania e nas arbitrariedades ditatoriais. O liberalismo elaborou-se ideologicamente à base de um antiautoritarismo libertário, mas acabou levando à destruição da liberdade, o que não é de admirar, pois, sendo a liberdade sem freio e não devidamente ordenada para o bem, nada impede que os mais fortes, exercendo-a sem medida, esmaguem os mais fracos, como observou Lacordaire (1802-1861).

Assim se compreende a passagem das democracias liberais para as democracias totalitárias, bem explicada por J. L. Talmon (1916-1980), professor da Universidade Hebraica de Jerusalém (The Origins of Totalitarian Democracy, Secker & Warburg, London, 1951) e Michel Schooyans, da Universidade de Louvain (La dérive totalitaire du libéralisme, Éditions Universitaires, Paris, 1991).

Como absolutização da liberdade — entendida numa autossuficiência e considerada fim de si mesma, sem se subordinar a uma finalidade transcendente —, o liberalismo, imanentista e secularizador, faz chegar ao extremo o antropocentrismo naturalista da Renascença. Eis o sentido mais profundo dessa ideologia da Revolução Francesa, revolução esta que foi, no dizer de Paolo Calliari, uma revolta contra Deus  (1789 révolte contre Dieu, Les Éditions du Cèdre, Paris, 1976).

Nota Louis Salleron que nunca o poder havia sido menos coercitivo que no século XVIII. “Mas as ‘luzes’ conscientizam os indivíduos. Eles querem governar-se a si mesmos. O que eles aceitam cada vez menos é o princípio de autoridade” (Libéralisme et socialisme du XVIIIe siècle à nos jours, C. I. C., Paris, 1977, pp. 10-11). E o mesmo autor lembra o seguinte trecho de Le Curé de village de Balzac (1799-1850), que foi um dos primeiros a empregar o termo “liberalismo” para designar a doutrina dos liberais, trecho reproduzido no Grande Dicionário Robert: “Somos obrigados a fazer milagres numa cidade industrial onde o espírito de sedição contra as doutrinas religiosas e monárquicas criou raízes profundas, onde o sistema nascido do protestantismo e que se chama hoje liberalismo se estende a todas as coisas”.

Antes de aparecer o termo “liberalismo” — que parece datar de 1821, vindo o nome muito depois da coisa —, já se tinha posto em prática o liberalismo, com as leis d’Allarde e Chapelier, de 1791, dissolvendo as corporações de ofício e inaugurando uma era de plena liberdade de trabalho para os indivíduos. A partir da Revolução Francesa e por muito tempo, se desconheceria a liberdade de associação, até que os sindicatos começassem a ser reconhecidos legalmente.

O individualismo acompanha, como traço característico, tanto o liberalismo político quanto o econômico. Este, como escola ou corrente doutrinária, é anterior a 1791 e remonta ao tempo dos fisiocratas. Em 1767, Dupont de Nemours publicava o livroPhysiocratie, significando com esse termo o “governo da natureza”. Para ele, como para Quesnay (1694-1793) e Mercier de la Rivière (1720-1793), há leis naturais que regem a vida econômica, cuja espontaneidade deve ser respeitada pelos governos, daí resultando ampla liberdade de produção, de trabalho, de comércio. Cabe observar que, paradoxalmente, os fisiocratas apoiaram o despotismo esclarecido daquela época, fornecendo-lhe subsídios programáticos. Isso se explica por considerarem que os governos devem atuar fortemente para impor as leis naturais, e, além disso — propagando as “luzes” —, preparar, pela instrução, as novas gerações para conhecê-las e submeter-se a elas (donde a expressão despotismoesclarecido). As leis que aboliram as corporações foram atos despóticos de uma assembleia democrática, anunciando, desde os alvores da Revolução, o deslize do liberalismo para o totalitarismo. Antes os indivíduos a se defrontarem em regime de livre concorrência sem restrições e de liberdade de trabalho sem garantias para o operário, pois tinham desaparecido as autoridades sociais ou corporativas, ficava só a autoridade do Estado como árbitro exclusivo.
Consequências do individualismo liberal, em meio às novas condições de trabalho na indústria, foram, entre outras, a sobrecarga de trabalho nas fábricas, o desemprego, os salários vis, dando origem aos conflitos entre o capital e o trabalho (questão social), caldo de cultura para o desenvolvimento do socialismo.

Grandes teóricos da economia liberal foram os da escola inglesa: Adam Smith (1721-1790), Malthus (1766-1834), David Ricardo (1772-1823) e Stuart Mill (1806-1873). Estes economistas apresentam entre si algumas diferenças nas suas concepções, mas se distinguem todos dos liberais franceses da fisiocracia, que apontavam na terra a fonte principal da riqueza, ao passo que os mencionados autores britânicos viam esta fonte no trabalho urbano, através do comércio e principalmente da indústria. Por isso mesmo seus ensinamentos eram recebidos favoravelmente nos ambientes do capitalismo industrial. A economia liberal tem as suas fases: da primazia da agricultura (fisiocratas) à maior importância da indústria e do comércio (economistas ingleses); da produção à troca; do produto ao valor; do bem ao dinheiro. Eis aí o capitalismo.

Gide (1847-1932) e Rist (1874-1956), na sua conhecida Histoire des doctrines économiques (Recueil Sirey, Paris, 1926-1929), consideram Adam Smith o verdadeiro criador da economia política moderna. Em seu famoso livro sobre a riqueza das nações (An Inquiry into the Nature and Causes of the Wealth of Nations), ele afirma estar no interesse pessoal a mola da economia, acentua o caráter espontâneo e instintivo dos fenômenos econômicos e não usa a expressão “leis naturais” com a significação que lhe dava Quesnay, que submetia aqueles fenômenos a estas leis numa espécie de ordem providencial. Depois de Smith vêm Malthus, célebre pelos seus estudos sobre a população, e Ricardo, em cuja obra se pode ver a súmula do capitalismo liberal e, com a teoria do valor-trabalho, uma antecipação de Marx (1818-1883). John Stuart Mill encerra esta série dos clássicos do liberalismo na Inglaterra e encaminha-se francamente para o socialismo. É liberal no concernente à produção, mas, tendo em vista a realização da justiça, é socialista no tocante à repartição da riqueza.

O neoliberalismo do século XX tenta corrigir o cunho marcadamente individualista das concepções liberais, dando-lhes certo conteúdo social, e vem ganhando algum terreno após as duas grandes guerras. A de 1914 trouxe um primeiro rude golpe para a economia liberal. Até então, liberalismo e capitalismo, que haviam dominado no século XIX, eram passivamente aceitos pela maioria. Daí em diante passaram a ser objeto de repulsa e de inúmeras críticas. A intervenção do Estado, contra as normas do liberalismo, era inelutável ante as necessidades do tempo de guerra e a crise econômica. Surgiu a economia dirigida e começaram a multiplicar-se os planejamentos socializantes. Ora, observa Salleron, “da economia liberal à economia dirigida não há senão uma diferença de grau” (obra citada, p. 112). Com efeito, a economia liberal nunca chegou a ser um regime de liberdade absoluta — a não ser em tese, e nos seus pressupostos ideológicos —, mesmo porque um tal regime supõe ausência do Estado e de uma ordem jurídica positiva; ela é de certo modo uma economia dirigida.

Em nossos dias, Friedrich Hayek (1899-1992) e Milton Friedman aparecem como defensores categorizados e acérrimos dos princípios fundamentais do liberalismo econômico, especialmente visando a garantir a liberdade de mercado em face do intervencionismo estatal, típico da realidade atual. Vale observar que Hayek chegou a rejeitar a expressão “justiça social”, embora preconizando uma “rede de segurança para os desvalidos”, enquanto Friedman advoga a “garantia de renda mínima para os mais pobres”.

O liberalismo econômico (que não deve ser confundido com a legítima e necessária liberdade econômica) pretendia, através da liberdade absoluta, chegar à autorregulação do mercado, mas acabou gerando extensas áreas de miséria entre os trabalhadores, condições iníquas de trabalho, injustiças gritantes na distribuição de renda. Estava aí o quadro propício, para, em nome da igualdade, implantar-se o dirigismo estatal, tanto mediante o instrumental democrático (como tem acontecido frequentemente em muitos países) quanto com as planificações ditatoriais (como é próprio dos regimes totalitários).

Nos países capitalistas, o liberalismo econômico e o liberalismo político sempre estiveram em estreita simbiose. Até mesmo porque ambos têm servido à maravilha aos interesses da classe burguesa que, desde a derrubada da nobreza, se instalou no poder usando a retórica da “soberania do povo”.

Não se perca de vista o itinerário de desenvolvimento do liberalismo. Começou a germinar com o humanismo renascentista, que pretendeu valorizar o homem como princípio e fim de si mesmo, encerrando-o num individualismo radical. Quase simultaneamente, trouxe-lhe grande reforço o liberalismo religioso que, com o protestantismo, fez da “livre interpretação” da Bíblia o instrumento de autoafirmação superior da razão e da vontade, tornando o indivíduo o juiz supremo do próprio destino. Modalidades do liberalismo religioso manifestam-se, também, no século XIX, com o “catolicismo liberal” e, no século XX, com o modernismo, o progressismo e algumas formas de democracia cristã.

O liberalismo aprofundou suas raízes quando, no campo da filosofia, o cogito ergo sum de Descartes (1596-1650) lançou as bases do subjetivismo racionalista do homem moderno, que foi encontrando, daí para a frente, especialmente no pensamento político, as ideias de Locke (1632-1704), Rousseau e Kant (1724-1804), entre outros, a desaguarem no individualismo da vontade absoluta. Para que as liberdades individuais viessem a subsistir, implantaram-se instituições fundadas numa visão da sociedade considerada mera multidão de indivíduos, nela devendo existir, um mínimo de poder, ou, se possível, nenhum poder. Nesse sentido, esperava-se que a separação de poderes, segundo a teoria de Montesquieu (1689-1755), conjuminada com a proclamação dos direitos individuais, trouxesse a garantia das liberdades.

Ao longo dos duzentos e poucos anos de aplicação dos princípios do liberalismo político, a crise do Estado moderno veio revelando, além de odiosas iniquidades, extenso cortejo de insegurança e intranquilidade na vida social, da qual não têm estado ausentes trágicos e longos períodos de esmagamento da liberdade, cujo apogeu é o Estado totalitário gerado no ventre da anarquia liberal.

Presentemente, estimulados pela queda do “socialismo real”, ventos revisionistas vêm soprando sobre correntes diversas de pensamento, levando-as, por vezes, a significativo contorcionismo ideológico, tanto do lado socialista quanto do lado liberal. Além do pretendido “socialismo democrático”, veio a apregoar-se certo “socialismo liberal” em que a proposta é conciliar uma igualdade social desejável com uma liberdade individual dita possível. Mas dado o fracasso do socialismo [mesmo quando rerotulado, no pós-Segunda Guerra Mundial (1939-1945), de socialdemocracia: na Alemanha, na Suécia, na França, na Espanha), vêm-se sobressaindo, presentemente (1996), liberais de várias tendências, que intentam reelaborar as ideias do liberalismo, especialmente na área econômica. Mais próxima do liberalismo do laissez-faire, laissez passer é a já mencionada concepção de Hayek e Friedman, corifeus do neoliberalismo, cuja proposta é a de um Estado mínimo, em que a lei da livre-concorrência constitui a expressão do exercício amplo das liberdades individuais. Já um “social-liberalismo” aponta para uma “liberdade vigiada” em que o Estado garante a livre-iniciativa, mas intervém para reprimir abusos do poder econômico que ferem a liberdade de mercado e levam ao monopólio e ao lucro arbitrário. O “social-liberalismo” pretende uma organização social em que a economia de mercado esteja aberta às exigências da justiça social, norteada pelo princípio de solidariedade.

Os propugnadores dessas novas versões do liberalismo — voltadas, mormente, para a função do Estado na vida sócio-econômica — mantêm-se, no entanto, estritamente fieis aos princípios do liberalismo político originários da Revolução Francesa.

Dicionário de Política, José Pedro Galvão de Sousa, Clovis Lema Garcia e José Fraga Teixeira de Carvalho; T. A. Queiroz editor, São Paulo, 1998.

27 de jul de 2011

Informativo Cléofas- 27/07/2011

Informativo Cléofas, 27 de julho de 2011 - Ano VI - Número 180

Notícias do Site Cléofas

+ Saudação aos avós

+ Cadê a Indignação?

+ Compromisso com jovens

+ Casado se prepara melhor para a velhice

+ Diocese de Lorena inicia Ano Jubilar no próximo dia 31 de julho

+ É esforço, esperteza ou dom?

+ Mulher canadense com morte cerebral desperta depois que sua família se recusa a doar órgãos dela

+ "Frankenstein": Cientistas da Inglaterra alertam sobre pesquisas secretas de híbridos de seres humanos com animais

+ O problema do mal

+ Igreja deve aprender linguagem dos jovens

+ Pílula anticoncepcional dobra o risco de contrair AIDS

O programa Escola da Fé, é exibido toda quinta-feira às 20h40 na TV Canção Nova (Link)


Para meditar...

 

A importância da disciplina

As pessoas mais produtivas são aquelas que se organizam

O Papa João Paulo II disse – na Carta às Famílias, escrita em 1994 –, que “o ato de educar o filho é o prolongamento do ato de gerar”. O ser humano só pode atingir a sua plenitude, segundo a vontade de Deus, se for educado; e essa missão é, sobretudo, dos pais. É um direito e uma obrigação deles ao mesmo tempo. É pela educação que a criança aprende a disciplina, por isso os genitores não podem se descuidar dela, deixando-a abandonada a si mesma. Se isso ocorrer, essa criança será como um terreno baldio onde só nasce mato, sujeira, lixo e bichos venenosos. Sem disciplina não se consegue fazer nada de bom nesta vida.

Muitas pessoas não conseguem vencer os problemas e vícios pessoais porque não são disciplinadas. Muitas não conseguem ser perseverantes em seus bons propósitos porque lhes falta essa virtude [disciplina]. Para vencer um vício ou para dominar um mau hábito é preciso disciplina. É por ela que aprendemos a nos dominar. Vale mais um homem que se domina do que o que conquista uma cidade, diz a Bíblia.

A disciplina depende evidentemente da força de vontade; e esta é fortalecida pela graça de Deus. São Paulo diz que é Deus “ que opera em nós o querer e o fazer” (cf. Fl 2,13). As grandes organizações, fortes e duradouras, como, por exemplo, a Igreja, apoiam-se em uma rígida disciplina. É isso que lhes dá condições de superar os modismos e as ameaças de enfraquecimento. Também as grandes empresas fazem o mesmo.

Em primeiro lugar, é preciso organizar a sua vida. Defina e marque, com clareza, todas as suas atividades; sejam elas profissionais, religiosas ou de lazer. Deve haver um tempo definido para cada coisa; o improviso é a grande causa da perda de tempo e de insucesso. As pessoas mais produtivas são aquelas que se organizam. Essas fazem muitas coisas em pouco tempo. Não deixam para depois o que deve ser feito agora.

Não adianta você ter muitos livros se eles não estiverem arrumados por assunto, assim você não vai encontrar um livro que desejar. Não adianta você ter muitos artigos guardados se eles não estiverem classificados e indexados. No meio da bagunça não se pode achar nada, e perde-se muito tempo. Então, aprenda a arquivar tudo com capricho. O povo diz que um homem prevenido vale por dois. Então, seja prudente, cauteloso, previdente. Se você sabe que a sua memória falha, então carregue com você uma caneta e papel, e anote tudo o que deve fazer durante do seu dia, ou sua ida à cidade.

Muitos fracassam em seus projetos porque não sabem fazer um bom planejamento, com critérios, organização e método, porque não são disciplinados. A pressa atropela o planejamento, por falta de disciplina; é um perigo. Sem disciplina não se consegue fazer um bom planejamento. Muitas obras são construídas repletas de defeitos, e custam mais, porque faltou planejamento, disciplina e ordem. Lembre-se: é muito mais fácil, rápido e barato, fazer uma obra planejada, do que fazer tudo às pressas e depois ter que ficar remendando os erros cometidos.

Foi muito feliz quem escreveu em nossa bandeira: “Ordem e Progresso”. Disciplina significa você fazer tudo com ordem, critério, método e organização. Então, disciplina é uma virtude que se adquire desde a infância, em casa com os pais, na escola, na Igreja, no trabalho…

Sem disciplina gastamos muito mais tempo para fazer as coisas e pode-se ficar frustrado de ver o tempo passar sem acabar o que se pretendia fazer. Por isso, é preciso aprender a organizar a vida, o armário e a casa, arrumar a mesa de trabalho, a agenda de compromissos, etc. A disciplina se adquire com o hábito. Habitue-se a fazer tudo com planejamento, ordem, capricho, etapa por etapa, sem atropelos. Deus nos dá o tempo certo e suficiente para fazer o que precisamos fazer.

São Paulo disse aos coríntios que “os atletas se impõem todo tipo de disciplina. Eles assim procedem, para conseguir uma coroa corruptível. Nós o fazemos por um coroa incorruptível”(1Cor 9,25).
Nenhum atleta vence uma competição sem muita disciplina, treinos, regimes, horários rígidos, etc. Ora, na vida espiritual, pela qual desejamos ganhar a “coroa incorruptível”, a disciplina é mais necessária ainda. Ninguém cresce na vida espiritual sem disciplina: horário para rezar, meditar, trabalhar, etc. Estabeleça para você uma rotina de exercícios espirituais diários, e cumpra isto rigorosamente.
Assim Deus vai lentamente ocupando o centro de sua vida, como deve ser com cada cristão. Sem isto você será um cristão inconstante e tíbio.

É preciso insistir e persistir no objetivo definido. Não recue e não abandone aquilo que decidiu fazer. Para isto, pense bem e planeje bem o que vai fazer; não faça nada de maneira afoita, atropelada, movido pelo sentimentalismo ou apenas pela emoção. Não. Só comece uma atividade, física ou espiritual, se tiver antes pensado bem e estiver convencido de que precisa e quer de fato realizá-la. Peça a graça de Deus antes de iniciar a atividade; e prometa a você mesmo não recuar e não desanimar. Cada vez que você começa uma atividade de maneira intempestiva, e logo desiste dela, enfraquece a sua vontade e deixa a indisciplina ganhar espaço em sua vida.


Sem disciplina não se pode chegar à santidade. São Paulo chegou a dizer: “Castigo o meu corpo e o mantenho em servidão, de medo de vir eu mesmo a ser excluído depois de eu ter pregado aos outros” (I Cor 9,27).

 

Prof. Felipe Aquino


Blog do Prof. Felipe Aquino

 

Por que não reagimos?

O jornalista Fernando de Barros e Silva, escreveu na Folha de SP, de 29 de junho de 2011, o artigo que tem o título acima.

(http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz1907201103.htm)

Em poucas palavras ele explicou bem claro porque a corrupção campeia no Brasil e o povo continua sem reagir, como se tudo estivesse bem. Entre outras coisas ele diz:

“Por que os brasileiros não reagem à corrupção? Por que a indignação resulta apenas numa uma carta enviada à Redação ou numa coluna de jornal? Por que ela não se transforma em revolta, não mobiliza as pessoas, não toma as ruas? Por que tudo, no Brasil, termina em Carnaval ou em resmungo?

A pergunta inicial não foi feita por um brasileiro – o que é sintomático. Foi Juan Arias, correspondente do jornal “El País” no Brasil, quem a formulou num artigo recente. “

“Es que los brasileños no saben reaccionar frente a la hipocresía y falta de ética de muchos de los que les gobiernan?”. Y entonces???

Não existe resposta simples aqui. Em primeiro lugar, a vida de milhões de brasileiros melhorou nos últimos anos, mesmo sob intensa corrupção, e apesar dela. Ninguém que leve o materialismo a sério pode desconsiderar esse dado básico.

 

+Leia mais


Livro da Semana

FAMÍLIA, SANTUÁRIO DA VIDA

A família é o “Santuário da Vida”, como disse o Papa João Paulo II, na Carta às Famílias (n. 11).

Após o seu livro “Sereis uma só carne”, que já ajudou a tantos casais a reencontrarem o sentido da vida conjugal, o prof. Felipe Aquino, pregador de Retiros de Aprofundamento para Casais, em todo o país, apresenta agora um estudo profundo sobre a realidade da família no mundo moderno, com as ameaças que tem sofrido de todos os lados.

Toda esta reflexão e estudo está baseada rigorosamente nos ensinamentos da Igreja — “coluna e sustentáculo da verdade” (1 Tm 3,15) — de acordo com o Sagrado Magistério, com as Sagradas Escrituras e com a Sagrada Tradição.

Aqui são enfocados, tanto a vida conjugal (namoro, harmonia conjugal e sexual, diferenças pessoais e demais problemas do casal), bem como os aspectos da educação dos filhos, em face dos graves males que atingem os jovens, fruto da desagregação moral e familiar: violência, drogas, tentativas de suicídio, músicas alienantes, bebidas, ociosidade…

É apresentado ainda um estudo das causas que podem levar a Igreja a reconhecer a nulidade de um matrimônio, segundo as normas do Código de Direito Canônico.


Ficha Técnica


Editora: Cléofas
ISBN: 978-85-88158-59-7
Ano: 2011
Edição: 19
Número de páginas: 232
Idioma: Português (BR)
Acabamento: Brochura


 


* Caso não deseje mais receber a newsletter, entre em contato e escolha o assunto "Newsletter - REMOVER".
Lançamento



OS DOGMAS DA FÉ

14x21 cm - 392 páginas


Shopping Cléofas



POR QUE SOU CATÓLICO?

14x21 cm - 192 páginas



UMA HISTÓRIA QUE NÃO É CONTADA

16x23 cm - 272 páginas


_______________________________

EVENTOS

Acampamento para Casais

TEMA: "Quando a Família Reza"


29 à 31 de julho de 2011

Rincão - (Canção Nova Cachoeira Paulista)

Presenças de:

Pe.Ivan, Pe.Vicente,Pe.José Augusto,Diácono Nelsinho Corrêa e Márcia, Eliana e Ricardo Sá, Prof.Felipe Aquino

Realização:



© 2011 - Editora Cléofas

Fórum para a Família

A Deus não se dá o tempo que sobra

“O Catecismo da Igreja Católica nos lembra que nós não damos resto a Deus. A Deus não se dá o tempo que sobra, mas se separa tempo para dar a Deus.Todos os nossos dias nós temos tempo pra almoçar, temos hora pra chegar pontualmente no trabalho (…), todos nós temos hora pra dormir, todos nós temos hora para nos alimentar… E hora pra rezar? Será que todos nós temos essa hora pra rezar? Se nós deixamos a vida de oração simplesmente na espontaneidade, nós não teremos vida interior, nós não encontraremos a Deus. (…) Ah, se sobrar um tempinho hoje, eu rezo o meu terço. Se sobrar um tempinho hoje, eu vou ler e meditar as Sagradas Escrituras. Não! Coloque na tua agenda diária um horário fixo pra rezar.”
(…)
“Nós, se quiséssemos marcar audiência com alguém importante, com algum chefe de Estado, com algum diretor de uma grande empresa, nós teríamos que esperar talvez dias, meses, para conseguir um lugar na agenda de algum personagem desses principais. Mas, se quisermos falar com o Senhor do Céu e da Terra, com o Criador de tudo o que existe, nós não precisamos marcar audiência com Ele. Que grande dom o dom da oração! Que grande presente podermos dirigir-nos a Deus, como um amigo fala com seu amigo, e a qualquer hora do dia, e em qualquer lugar… nós podemos falar com Deus. A oração é um grande tesouro que o Senhor confiou a nós e não podemos desperdiçar esse dom.
Pe. Demétrio em Corra ao encontro de Deus
22 de julho de 2011

21 de jul de 2011

Governo suíço satisfeito com sistema anti-corrupção

21/7/2011 4:20,  Por swissinfo.ch - O portal suíço de notícias
A Suíça dispõe, desde o início do ano, de um sistema de denúncia anônima para funcionários públicos.
Um dos responsáveis faz um balanço positivo, lembrando que várias denúncias incluíram infrações penais e má gestão dos recursos públicos.
Desde o início do ano, os 35 mil empregados do governo federal na Suíça (n.r.: o status de funcionário público com estabilidade foi abolida em todo o país através de um plebiscito popular em 2000) estão convocados a denunciar casos de corrupção ou irregularidades constatadas no seu serviço. Como resultado, as denúncias aumentaram, mas os casos importantes não são mais numerosos do que anteriormente.

Os denunciadores (“whistleblowers”, na expressão inglesa) podem dirigir-se de forma anônima, caso desejado, ao Controle Federal das Finanças. Desde o início de 2011, data em que entrou em vigor a nova lei sobre o funcionalismo do governo federal helvético, esse órgão responsável pela supervisão do aparato público, já registrou aproximadamente quarenta casos, como revelou na quarta-feira (20/07) o diretor-adjunto Armin Vuillemin.

Até então, os funcionários faziam de 10 a 15 denúncias por ano. “Mas eram de certa importância”, ressaltou Vuillemin. Nos últimos seis meses foram relatados mais casos. Dentre as denúncias irrisórias, o diretor-adjunto cita, por exemplo, o empregado que denuncia alguém para vingar-se, pois não estava satisfeito com a sua avaliação de trabalho.

Algumas denúncias são infrações penais. Nesses casos, elas foram transmitidas às instâncias competentes como o Departamento Federal de Polícia ou às autoridades judiciais. Outras denúncias revelaram situações de má gestão dos recursos públicos.
Balanço positivo 
Mesmo se o número de casos julgados “sérios” não chegou a aumentar verdadeiramente, Armin Vuillemin faz um balanço positivo do novo instrumento. “É bom ter essa possibilidade. Nós levamos à sério todas as denúncias. E por uma questão de credibilidade, é muito importante que o anonimato seja garantido.”

As novas disposições são igualmente aplicáveis às estatais como os Correios Suíços (Die Post) ou a Companhia Suíça de Trens (SBB, na sigla em alemão) ou entidades federais descentralizadas, cujos funcionários não estão submetidos à Lei do funcionalismo público.

Órgãos de controle como a FINMA (Autoridade de controle dos mercados financeiros), ASR (Autoridade Federal de Supervisão em Questões de Revisão), Swissmedic (Instituto Suíço de Produtos Terapêuticos) ou a Inspeção Federal em Questões de Segurança Nuclear não foram incluídas na lei. Essa lacuna é criticada em relatório elaborado por um grupo de trabalho que o governo federal aprovou em abril.
Denúncia via internet 
Os Correios Suíços, por sua vez, criaram na metade de março um site na internet para encorajar seus empregados a denunciar “desordens de conduta” e outros delitos, em particular econômicos. Dentre os casos possíveis detectados dentro da empresa incluem-se corrupção, conflitos de interesse, lavagem de dinheiro, uso fraudulento de dados ou falsificação de documentos.

O site é administrado por uma empresa externa especializada. Apenas o órgão interno de controle dos Correios tem acesso e não pode, em nenhuma hipótese, revelar o nome do informante.

Em quatro meses, o site já recebeu uma quinzena de denúncias, explica Mariano Masserini, porta-voz dos Correios. “O procedimento foi bem compreendido pelos empregados, pois não houve casos de falsa denúncia com objetivo de vingança”, revela.
Oferta complementar 
O site internet destina-se a complementar a linha de emergência “Segurança na empresa” criada há alguns anos e que recebe, em média, 16 chamadas por dia, ou seis mil por ano.

A linha trata de crimes mais clássicos como roubos, danos à propriedade ou ameaças contra colaboradores. Devido à dificuldade de fazer denúncias anônimas por telefone, o site internet oferece agora essa possibilidade. “Foi uma boa ideia ter criado essa oferta adicional, direcionada”, afirma Masserini.
Desde 2007 na SBB 
A Companhia Suíça de Trens também dispõe de regras específicas para denúncias anônimas, como explica o porta-voz Frédéric Revaz. O objetivo é proteger os empregados que denunciam os casos de abuso ou casos de corrupção.

A diretriz interna indica que departamento as irregularidades devem ser anunciadas e detalha as medidas de proteção dos empregados que dão o “sinal de alarme”. O anonimato é garantido.
swissinfo.ch com agências
Adaptação: Alexander Thoele

20 de jul de 2011

Informativo Cléofas- 20/07/2011**

Informativo Cléofas, 20 de julho de 2011 - Ano VI - Número 179

Notícias do Site Cléofas

+ Papa convida a usar o escapulário

+ "Jesus, o que foi que eu fiz?" a experiência traumática da estrela do rock Steve Tyler com o aborto

+ Comissão Interamericana de Direitos Humanos rejeita direito à vida de bebês em gestação

+ Expectativas ilusórias: "casamento" gay e fidelidade

+Não vos canseis de praticar o bem

+Vaticano publica importante documento sobre a confissão

+ Levar Cristo à internet

+ Hoje ainda se pode falar em pudor?

+ Igreja se encontra com a arte; talentos estragados

+ Somos filhos de um Pai grande e bom, afirma Papa

 

O programa Escola da Fé, é exibido toda quinta-feira às 20h40 na TV Canção Nova (Link)


Para meditar...

 

INDE A PRIMIS- O CULTO DO PRECIOSÍSSIMO SANGUE DE CRISTO

 
 

Carta Apostólica do Papa João XXIII

Aos veneráueis irmâos patriarcas, primazes, arcebispos, bispos e outros ordinários do lugar em paz e comunhão com a Sé Apostólica.

Veneráveis Irmãos, saudação e Bênção Apostólica,

1. Desde os primeiros meses do nosso serviço pontifício aconteceu-nos muitas vezes – e não raro a palavra foi precursora ansiosa e inocente do nosso próprio sentir – convidar os fiéis, em matéria de devoção viva e cotidiana, a se volverem com ardente fervor para a expressão divina da misericórdia do Senhor sobre as almas individuais, sobre a sua Igreja santa e sobre o mundo inteiro, dos quais todos Jesus continua sendo o Redentor e o Salvador. Queremos dizer a devoção ao Preciosíssimo Sangue.

2. Esta devoção foi-nos instilada no próprio ambiente doméstico em que floresceu a nossa infância, e sempre recordamos com viva emoção a recitação das ladainhas do Preciosíssimo Sangue que os nossos velhos pais faziam no mês de julho.

3. Lembrados da salutar exortação do Apóstolo: “Estai atentos a vós mesmos e a todo o rebanho: nele o Espírito Santo vos constituiu guardiães, para apascentardes a Igreja de Deus, que ele adquiriu para si pelo sangue de seu próprio Filho” (At 20,28), cremos, ó Veneráveis Irmãos, que entre as solicitudes do nosso universal ministério pastoral, depois da vigilância sobre a sã doutrina deve ter um lugar privilegiado aquela que diz respeito ao reto desenvolvimento e ao incremento da piedade religiosa, nas manifestações do culto litúrgico e privado. Parece-nos, portanto, particularmente oportuno chamar a atenção dos nossos diletos filhos para o nexo indissolúvel que deve unir as duas devoções, já tão difundidas no seio do povo cristão, isto é, o ss. Nome de Jesus e o seu sacratíssimo Coração, aquela que pretende honrar o Sangue Preciosíssimo do Verbo encarnado, “derramado por muitos em remissão dos pecados” (cf. Mt 26,28).

4. Com efeito, se é de suma importância que entre o Credo católico e a ação litúrgica da Igreja reine uma salutar harmonia, visto que “a norma do acreditar define a norma de rezar”, e nunca sejam consentidas formas de culto que não brotem das fontes puríssimas da verdadeira fé, é justo, outrossim, que floresça harmonia semelhante entre as várias devoções, de modo que não haja contraste ou dissociação entre as que são consideradas como fundamentais e mais santificantes, e que, ao mesmo tempo, sobre as devoções pessoais e secundárias tenham o primado na estima e na prática aquelas que melhor realizam a economia da salvação universal operada pelo “único mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus homem, aquele que deu a si mesmo em resgate por todos” (1Tm 2,5-6). Movendo-se nesta atmosfera de reta fé e de sã piedade, os féis estão seguros de sentir com a Igreja, ou seja de viverem em comunhão de oração e de caridade com Jesus Cristo, fundador e sumo sacerdote dessa sublime religião que dele recebe, com o nome, toda a sua dignidade e valor.

5. Se agora detivermos um rápido olhar aos admiráveis progressos que a Igreja católica tem operado no campo da piedade litúrgica, em salutar consonância com o desenvolvimento da sua fé na penetração das verdades divinas, indubitavelmente será consolador verificarmos que nos séculos próximos a nós não faltaram, da parte desta Sé Apostólica, claros e repetidos atestados de consentimento e de incentivo para todas as três devoções supra mencionadas; devoções que foram praticadas desde a Idade Média por muitas almas piedosas, e depois foram difundidas em várias dioceses, ordens e congregações religiosas, mas que aguardavam da Cátedra de Pedro o cunho da ortodoxia e a aprovação para a Igreja universal.

6. Baste-nos recordar que os nossos predecessores desde o século XVI enriqueceram de favores espirituais a devoção ao ss. Nome de Jesus, da qual no século precedente se fizera apóstolo infatigável, na Itália, S. Bernardino de Sena. Em honra desse ss. Nome foram, antes de tudo, aprovados o ofício e a missa, e em seguida as Ladainhas. Nem foram menos insignes os privilégios concedidos pelos pontífices romanos ao culto para com o Sacratíssimo Coração de Jesus, em cuja admirável propagação tamanha parte tiveram as revelações feitas pelo Sagrado Coração a Santa Margarida Maria Alacocque. E tão alta e unânime tem sido a estima dos pontífices romanos a esta devoção, que eles se comprazeram em lhe ilustrar a natureza, defender a legitimidade, e inculcar a prática com muitos atos oficiais, aos quais puseram coroamento três importantes encíclicas sobre este assunto.

7. Mas também a devocão ao Preciosíssimo Sangue de Jesus, da qual foi propagador admirável no século passado o sacerdote romano S. Gaspar del Bufalo, teve o merecido consentimento e o favor desta Sé Apostólica. Com efeito, importa recordar que, por ordem de Bento XIV, foram compostos a missa e o ofício em honra do Sangue adorável do divino Salvador; e que Pio IX, em cumprimento de um voto feito em Gaeta, quis que a festa litúrgica fosse estendida à Igreja universal. Finalmente, foi Pio XI, de feliz memória, quem, em lembrança do 19° centenário da redenção, elevou a sobredita festa a rito duplo de primeira classe, a fim de que, pela acrescida solenidade litúrgica, mais intensa se tornasse a própria devoção, e mais copiosos se entornassem sobre os homens os frutos do Sangue redentor.

8. Seguindo, portanto, o exemplo dos nossos predecessores, com o fim de favorecer ulteriormente o culto para com o precioso Sangue do Cordeiro imaculado, Cristo Jesus, aprovamos-lhe as ladainhas, segundo a ordem compilada pela Sacra Congregação dos ritos, incentivando outrossim a reza das mesmas em todo o mundo católico, quer em particular quer em público, com a concessão de indulgências especiais. Possa este novo ato do cuidado por todas as Igrejas (cf.lCor 11,28), próprio do pontificado supremo, em tempo das mais graves e urgentes necessidades espirituais, acordar no ânimo dos crentes a convicção do valor perene, universal, sumamente prático das três louvadas devoções.

9. Por isto, ao aproximar-se a festa e o mês dedicados ao culto do Sangue de Cristo, preço do nosso resgate, penhor de salvação e de vida eterna, façam-na os fiéis objeto de meditações mais devotas e de comunhões sacramentais mais freqüentes. Iluminados pelos salutares ensinamentos que promanam dos Livros sagrados e da doutrina dos padres e doutores da Igreja, reflitam no valor superabundante, infinito desse Sangue verdadeiramente preciosíssimo, do qual uma só gota pode salvar o mundo todo de toda culpa”,  como canta a Igreja com o Angélico Doutor, e como sabiamente confirmou o nosso predecessor Clemente VI.

10. Porquanto, se infinito é o valor do Sangue do Homem-Deus, e se infinita foi a caridade que o impeliu a derramá-lo desde o oitavo dia do seu nascimento, e depois, com superabundância, na agonia do horto (cf. Lc 22,43), na flagelação e na coroação de espinhos, na subida ao Calvário e na crucifixão, e, enfim, da ampla ferida do seu lado, como símbolo desse mesmo Sangue divino que corre em todos os sacramentos da Igreja, não só é conveniente, mas é também sumamente justo que a ele sejam tributadas homenagens de adoração e de amorosa gratidão por parte de todos os que foram regenerados nas suas ondas salutares.

11. E ao culto de latria a ser prestado ao cálice do Sangue do Novo Testamento, sobretudo no momento da sua elevação no sacrifício da Missa, é sumamente conveniente e salutar que se siga a comunhão com esse mesmo Sangue, indissoluvelmente unido ao corpo do nosso Salvador no sacramento da eucaristia. Em união, então, com o sacerdote celebrante, poderão os fiéis com plena verdade repetir mentalmente as palavras que ele pronuncia no momento da comunhão; “Tomarei o cálice da salvação e invocarei o nome do Senhor… O sangue de Cristo me guarde para a vida eterna. Amém”. Desse modo os fiéis que dele se aproximarem dignamente receberão mais abundantes os frutos de redenção, de ressurreição e de vida eterna que o Sangue derramado por Cristo “por impulso do Espírito Santo” (Hb 9,14) mereceu para o mundo inteiro. E, nutridos do corpo e do sangue de Cristo, tornados participantes do seu poder divino, que fez surgir legiões de mártires, eles irão ao encontro das lutas cotidianas, dos sacrifícios, até mesmo do martírio, se preciso, em defesa da virtude e do reino de Deus, sentindo em si mesmos aquele ardor de caridade que fazia S. João Crisóstomo exclamar: “Saímos daquela mesa quais leões expirando chamas, tornados terríveis ao demônio, pensando em quem é o nosso Chefe e quanto amor teve por nós… Esse Sangue, se dignamente recebido, afasta os demônios, chama para junto de nós os anjos e o próprio Senhor dos anjos… Esse Sangue derramado purifica o mundo todo… Este é o preço do universo, com ele Cristo redime a Igreja… Tal pensamento deve refrear as nossas paixões. Até quando, com efeito, ficaremos apegados ao mundo presente?Até quando ficaremos inertes?Até quando descuraremos pensar na nossa salvação? Reflitamos sobre os bens que o Senhor se dignou de nos conceder, sejamos-lhe gratos por eles, glorifiquemo-lo não só com a fé, mas também com as obras”.

12. Oh! se os cristãos refletissem mais freqüentemente no paternal aviso do primeiro papa: “Portai-vos com temor durante o tempo do vosso exílio. Pois sabeis que não foi com coisas perecíveis, isto é, com prata ou ouro que fostes resgatados…, mas pelo Sangue Precioso de Cristo, como de um cordeiro sem defeito e sem mácula” (1Pd 1,1719); se eles dessem mais solícito ouvido à exortação do apóstolo das gentes: “Alguém pagou alto preço pelo vosso resgate; glorificai, portanto, a Deus em vosso corpo” (l Cor 6,20). Quanto mais dignos, mais edificantes seriam os seus costumes, quanto mais salutar para a humanidade inteira seria a presença, no mundo, da Igreja de Cristo! E, se todos os homens secundassem os convites da graça de Deus, que os quer todos salvos (cf. 1Tm 2,4), porque ele quis que todos fossem remidos pelo Sangue de seu Unigênito, e chama todos a serem membros de um só corpo místico, do qual Cristo é a Cabeça, então quanto mais fraternas se tornariam as relações entre os indivíduos, os povos, as nações, e quanto mais pacífica, quanto mais digna de Deus e da natureza humana, criada a imagem e semelhança do Altíssimo (cf. Gn 1,26), se tornaria a convivência social!

13. Era a contemplação desta sublime vocação que s. Paulo convidava os fiéis provenientes do povo eleito, tentados de pensar com saudade num passado que fora apenas uma pálida figura e o prelúdio da nova aliança: “Mas vós vos aproximastes do monte Sião e da cidade de Deus vivo, a Jerusalém celestial, e de milhões de anjos reunidos em festa, e da assembléia dos primogênitos cujos nomes estão inscritos nos céus, e de Deus o juiz de todos, e dos espíritos dos justos que chegaram à perfeição, e de Jesus, mediador de uma nova aliança, e do sangue da aspersão mais eloqüente que o de Abel” (Hb 12,22-24).

14. Plenamente confiamos, ó veneráveis irmãos, que estas nossas paternais exortações, pelo modo como julgardes mais oportuno tornadas por vós conhecidas ao clero e aos fiéis a vós confiados, serão de bom grado postas em prática, não só salutarmente, mas também com fervoroso zelo, em auspício das graças celestes e em penhor da nossa particular benevolência, com efusão de coração concedemos a bênção apostólica a cada um de vós e a todos os vossos rebanhos, e de modo particular aos que generosa e piedosamente responderem ao nosso convite.

Dado em Roma, junto a S. Pedro, no dia 30 de junho de 1960, vigília da Festa do Preciosíssimo Sangue de N. S. J. C., segundo ano do nosso Pontificado.

 JOÃO PP. XXIII


Blog do Prof. Felipe Aquino

 

Desentendimentos no namoro

Há muitos motivos para desentendimentos nos namoros; às vezes uma pequena atitude de um dos dois pode gerar uma briga entre eles. Uma palavra inconveniente dita na hora errada, um atraso sem explicação, e outras coisas. Mas sempre será possível reconquistar a paz e o bom relacionamento se houver maturidade e boa vontade por parte de ambos; se houver amor verdadeiro. Esse tipo de desentendimento acontece na vida dos namorados e faz parte do conhecimento recíproco que um deve ter do outro. Nesta hora é preciso haver compreensão, reconhecimento do erro quando for o caso, pedido de perdão e reconciliação; não é motivo para se terminar um namoro. Sabemos que é nas crises que nós crescemos quando sabemos examiná-las e aprender com nossos erros.

Mas há namoros complicados que se prolongam por muitos anos sem uma definição, havendo às vezes várias separações e voltas, sem que o relacionamento amadureça e chegue ao casamento. Então, é preciso examinar bem as razões pelas quais já se separaram tantas vezes. Os problemas que geraram as separações foram resolvidos, ou será que ambos “tamparam o sol com a peneira”? Se os motivos das separações foram importantes e eles souberam resolver em cada caso os problemas em suas raízes, e isto serviu até para uni-los mais, tudo bem, o namoro deve continuar. Mas, se os problemas são os mesmos, se repetem, e eles não conseguem resolvê-los, então é preciso pedir a ajuda de alguém que os oriente, no sentido de se tomar uma decisão.

+Leia mais


Livro da Semana

OS PECADOS E AS VIRTUDES CAPITAIS

Jesus veio a nós para tirar o pecado do mundo (Jo 1,29). E deixou a Igreja para continuar esta missão. Ela nos ensina que os piores pecados são aqueles que denomina de capitais, uma vez que são como que pais e mães de outros. Por isso é preciso uma atenção toda especial para combatê-los em nossa vida, a fim de que não impeçam a nossa santificação.

Aqui você tem uma reflexão profunda sobre cada um deles; bem como sobre as virtudes que lhes são opostas, a fim de que possamos vivê-las, com a graça de Deus.


Ficha Técnica
Editora: Cléofas
ISBN: 978-85-88158-31-3
Ano: 2010
Edição: 8
Número de páginas: 128
Idioma: Português (BR)
Acabamento: Brochura
Formato: 14x21 cm

 


* Caso não deseje mais receber a newsletter, entre em contato e escolha o assunto "Newsletter - REMOVER".
Lançamento



OS DOGMAS DA FÉ

14x21 cm - 392 páginas


Shopping Cléofas



MARANATHÁ

14x21 cm - 80 páginas



ENTRAI PELA PORTA ESTREITA

14x21 cm - 200 páginas


_______________________________

 


© 2011 - Editora Cléofas


"Despojemo-nos das ações das trevas e vistamos as armas da Luz" Rm 13,12