29 de abr de 2012

1º Encontro de Comunicadores Católicos na Arquidiocese de Vitória - Espírito Santo!

Queremos conclamar todos os blogueiros católicos do Estado do Espírito Santo para nos unirmos neste encontro!

Há algum tempo eu e Cristiano conversávamos sobre promover um encontro para blogueiros de forma e nos unirmos e partilharmos nossas experiências e lutas. Acho que chegou o momento! Venha fazer parte e que possamos nos conhecer pessoalmente e nos unirmos! Vamos aproveitar esta oportunidade em nossa Arquidiocese. Se inscreva e vamos viver este momento de comemoração juntos!


Comunicação em Rede” esse é o tema do 1º Encontro de Comunicadores Católicos da Arquidiocese de Vitória, que será realizado no dia 19 de maio de 2012, no Colégio Agostiniano, Centro de Vitória.

A iniciativa é da Pastoral da Comunicação Arquidiocesana (Pascom) e tem o objetivo de refletir os desafios da comunicação em rede no mundo atual. Segundo o coordenador da Pascom, Gilliard Zuque “é urgente pensarmos sobre o tema, é uma realidade. Os instrumentos para tal estão à disposição e Igreja Católica ainda tem muitas dificuldades de trabalhar este modelo comunicacional proposto”.

O encontro será ainda uma oportunidade de estabelecer contato entre quem, de alguma forma, comunica em nossa Arquidiocese de Vitória, e nos grandes veículos de comunicação locais.

O encontro terá dois momentos: no primeiro, pela manhã, um ciclo de palestras e a tarde, as oficinas temáticas.

Palestras (das 8:30 às 12:00):
Dom Luiz Mancilha Vilela, Arcebispo de Vitória: falará sobre a mensagem do Papa Bento XVI para o dia das comunicações;

Elson Faxina, mestre em Comunicação Social da Universidade do Paraná: falará sobre o tema central, Comunicação em Rede.

Edgard Rebouças, doutor em comunicação e coordenador do Observatório de Mídia local: vai apresentar um levantamento sobre a realidade da comunicação na Arquidiocese de Vitória.

Oficinas (das 13:30 as 16:30):
A ideia é que nas oficinas os participantes trabalhem as diversas modalidades de comunicação de acordo com a linguagem especifica de cada veículo, na perspectiva da Rede.
Estão propostas quatro oficinas: “Notícias: Boletim e Missa” “Twitter e Facebook”, “Site e Blog” e “Mural e Cartaz”. Além do Grupo de Trabalho: “O papel de comunicador católico”, voltando especificamente para os comunicadores que desenvolvem alguma atividade na mídia local.

Inscrições
As inscrições já podem ser feitas no site da Arquidiocese de Vitória (www.aves.org.br). Ao acessar a ficha de inscrição, o interessado deverá optar pela oficina que deseja fazer. A participação será limitada à capacidade do local, na ordem que as inscrições forem recebidas. Os participantes estão automaticamente inseridos na 1ª opção selecionada. Caso as vagas sejam completadas, serão deslocados para a 2º opção. Cada inscrito só poderá fazer uma oficina, pois elas acontecerão simultaneamente.

A previsão é de que mais de 150 pessoas participem do encontro. O valor da inscrição é R$: 20,00 com alimentação incluída e poderá ser pago antecipadamente na Mitra Arquidiocesana ou no dia do evento.
Pessoas de outras dioceses também poderão participar do evento. Não será oferecida hospedagem. Mais informações através do telefone (27) 3025-6288.
Programação
08:00 – Acolhida e Credenciamento
08:30 – Dom Luiz – mensagem do Papa Bento XVI sobre o Dia Mundial das Comunicações.
09:10 – Edgard Rebouçaslevantamento sobre a realidade da comunicação na Arquidiocese de Vitória.
09:40 – Élson Faxina - falara sobre o tema central, Comunicação em Rede.
10:10 Lanche
10:30 – Debate
12:00 – Almoço
13:30 – Oficinas
15:00 – Lanche
15:20 – Apresentação dos trabalhos
16:30 – Oração Final e encerramento.

Dia Mundial das Comunicações
No dia seguinte a realização do encontro, 20 de maio, a Igreja de todo mundo comemora o “Dia Mundial das Comunicações”. Este ano o tema é “Silêncio e Palavra: Caminhos da Evangelização”, tema da mensagem escrita pelo Papa Bento XVI.

Em nossa Arquidiocese ele será lembrando com uma missa na Catedral de Vitória, Cidade Alta, às 6 da noite, presidida pelo nosso Arcebispo Metropolitano, dom Luiz Mancilha Vilela.

A Liturgia da missa pede aos participantes que se possível levem seus instrumentos de trabalho utilizados na missão de comunicar no dia a dia, seja nos grandes veículos de mídia local ou nas paróquias.



CATECISMO PARA JOVENS – YOUCAT


Youcat é o catecismo para os jovens. É um verdadeiro presente de Papa Bento XVI para os jovens, por ocasião da Jornada Mundial da Juventude em Madri, 2011!

O Papa nos esceveu uma carta explicando o que é o youcat, “Hoje, aconselho-vos a leitura de um livro estraordinário”. A intenção é ”traduzir o Catecismo da Igreja Católica na língua dos jovens e fazer penetrar as suas palavras no seu mundo”.
“O Cristianismo como tal não está superado? Pode-se ainda hoje racionalmente ser crente?” Precisamos de uma resposta coerente com a nossa fé para alcançarmos o coração do homem do nosso tempo, você que é jovem católico, com certeza já se deparou com questionamento, interiores e exteriores sobre a fé e é por isto que a Deus nos dá esse grande presente. “Portanto, peço-vos: estudai o catecismo com paixão e perseverança!”

“ESPERO QUE MUITOS SE DEIXEM CATIVAR POR ESTE LIVRO”


Confira as Palavras do Santo Padre, Papa Bento XVI sobre o Youcat:

Queridos jovens amigos! Hoje aconselho-vos a leitura de um livro extraordinário.
É extraordinário pelo seu conteúdo mas também pelo modo em que se formou, que desejo explicar-vos brevemente, para que se possa compreender a sua particularidade. Youcat teve origem, por assim dizer, de outra obra que remonta aos anos 80. Era um período difícil para a Igreja e para a sociedade mundial, durante o qual surgiu a necessidade de novas orientações para encontrar o caminho rumo ao futuro. Após o Concílio Vaticano II (1962-1965) e no mudado clima cultural, muitas pessoas já não sabiam correctamente no que os cristãos deveriam acreditar exactamente, o que a Igreja ensinava, se ela podia ensinar algo tout court e como tudo isto podia adaptar-se ao novo clima cultural.
O Cristianismo como tal não está superado? Pode-se ainda hoje racionalmente ser crente? Estas são as questões que muitos cristãos se formulam até nos nossos dias. O Papa João Paulo II optou então por uma decisão audaz: deliberou que os bispos do mundo inteiro escrevessem um livro com o qual responder a estas perguntas.
Ele confiou-me a tarefa de coordenar o trabalho dos bispos e de vigiar a fim de que das suas contribuições nascesse um livro – quero dizer, um livro verdadeiro e não uma simples justaposição de uma multiplicidade de textos. Este livro devia ter o título tradicional de Catecismo da Igreja Católica e todavia ser algo absolutamente estimulante e novo; devia mostrar no que a Igreja Católica crê hoje e de que maneira se pode acreditar de modo racional. Assustei-me com esta tarefa e devo confessar que duvidei que algo semelhante pudesse ter bom êxito. Como podia acontecer que autores espalhados pelo mundo pudessem produzir um livro legível?
Como podiam homens que vivem em continentes diversos, e não só sob o ponto de vista geográfico, mas inclusive intelectual e cultural, produzir um texto dotado de uma unidade interna e compreensível em todos os continentes?
A isto acrescentava-se o facto de que os bispos deviam escrever não simplesmente como autores individuais, mas em representação dos seus irmãos e das suas Igrejas locais.
Devo confessar que até hoje me parece um milagre o facto de que este projecto no final se realizou. Encontrámo-nos três ou quatro vezes por ano por uma semana e debatemos apaixonadamente sobre cada parte do texto, na medida em que se desenvolvia.
Como primeira atitude definimos a estrutura do livro: devia ser simples, para que cada grupo de autores pudesse receber uma tarefa clara e não forçar as suas afirmações num sistema complicado. É a mesma estrutura deste livro; ela é tirada simplesmente de uma experiência catequética de um século: o que cremos / de que modo celebramos os mistérios cristãos / de que maneira temos a vida em Cristo / de que forma devemos rezar. Não quero explicar aqui o modo como debatemos sobre a grande quantidade de questões, até chegar a compor um livro verdadeiro. Numa obra deste género são muitos os pontos discutíveis: tudo o que os homens fazem é insuficiente e pode ser melhorado, e não obstante, trata-se de um grande livro, um sinal de unidade na diversidade. A partir das muitas vozes pôde-se formar um coro porque tínhamos a comum partitura da fé, que a Igreja nos transmitiu desde os apostólos, através dos séculos até hoje.
Por que tudo isto?
Desde a redacção do CIC, tivemos que constatar que não só os continentes e as culturas das suas populações são diferentes, mas também no âmbito de cada sociedade existem diversos “continentes”: o trabalhador tem uma mentalidade diferente do camponês; um físico de um filólogo; um empresário de um jornalista, um jovem de um idoso. Por este motivo, na linguagem e no pensamento, tivemos que nos colocar acima de todas estas diferenças e, por assim dizer, buscar um espaço comum entre os diferentes universos mentais; com isto tornamo-nos cada vez mais conscientes do modo como o texto exigia algumas “traduções” nos diversos mundos, para poder alcançar as pessoas com as suas mentalidades diferentes e várias problemáticas.

DESDE ENTÃO, NAS JORNADAS MUNDIAIS DA JUVENTUDE (ROMA, TORONTO, COLÓNIA, SYDNEY) REUNIRAM-SE JOVENS DE TODO O MUNDO QUE QUEREM ACREDITAR, QUE ESTÃO EM BUSCA DE DEUS, QUE AMAM CRISTO E DESEJAM CAMINHOS COMUNS. NESTE CONTEXTO PERGUNTÁMO-NOS SE NÃO DEVERÍAMOS TRADUZIR O CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA NA LÍNGUA DOS JOVENS E FAZER PENETRAR AS SUAS PALAVRAS NO SEU MUNDO. NATURALMENTE, TAMBÉM ENTRE OS JOVENS DE HOJE EXISTEM MUITAS DIFERENÇAS; ASSIM, SOB A COMPROVADA GUIA DO ARCEBISPO DE VIENA, CHRISTOPH SCHÖNBORN, FORMOU-SE UM YOUCAT PARA OS JOVENS.

ESPERO QUE MUITOS SE DEIXEM CATIVAR POR ESTE LIVRO.

ALGUMAS PESSOAS DIZEM-ME QUE O CATECISMO NÃO INTERESSA À JUVENTUDE MODERNA; MAS NÃO ACREDITO NESTA AFIRMAÇÃO E ESTOU CERTO DE QUE TENHO RAZÃO. A JUVENTUDE NÃO É TÃO SUPERFICIAL COMO É ACUSADA DE O SER; OS JOVENS QUEREM SABER DEVERAS NO QUE CONSISTE A VIDA. UM ROMANCE POLICIAL É EMPOLGANTE PORQUE NOS ENVOLVE NO DESTINO DE OUTRAS PESSOAS, MAS QUE PODERIA SER TAMBÉM O NOSSO; ESTE LIVRO É CATIVANTE PORQUE NOS FALA DO NOSSO PRÓPRIO DESTINO E PORTANTO REFERE-SE DE PERTO A CADA UM DE NÓS.

POR ISSO, EXORTO-VOS: ESTUDAI O CATECISMO! ESTES SÃO OS MEUS VOTOS DE CORAÇÃO.ESTE SUBSÍDIO AO CATECISMO NÃO VOS ADULA; NÃO OFERECE FÁCEIS SOLUÇÕES; EXIGE UMA NOVA VIDA DA VOSSA PARTE; APRESENTA-VOS A MENSAGEM DO EVANGELHO COMO A “PÉROLA DE GRANDE VALOR” (MT 13, 45) PELA QUAL É PRECISO DAR TUDO.

PORTANTO, PEÇO-VOS: ESTUDAI O CATECISMO COM PAIXÃO E PERSEVERANÇA! SACRIFICAI O VOSSO TEMPO POR ELE! ESTUDAI-O NO SILÊNCIO DO VOSSO QUARTO, LEDE-O EM DOIS, SE SOIS AMIGOS, FORMAI GRUPOS E REDES DE ESTUDO, TROCAI IDEIAS NA INTERNET. PERMANECEI DE QUALQUER MODO EM DIÁLOGO SOBRE A VOSSA FÉ! DEVEIS CONHECER AQUILO EM QUE CREDES; DEVEIS CONHECER A VOSSA FÉ COM A MESMA EXACTIDÃO COM A QUAL UM PERITO DE INFORMÁTICA CONHECE O SISTEMA OPERATIVO DE UM COMPUTADOR; DEVEIS CONHECÊ-LA COMO UM MÚSICO CONHECE A SUA PEÇA; SIM, DEVEIS SER MUITO MAIS PROFUNDAMENTE RADICADOS NA FÉ DO QUE A GERAÇÃO DOS VOSSOS PAIS, PARA PODER RESISTIR COM FORÇA E DECISÃO AOS DESAFIOS E ÀS TENTAÇÕES DESTE TEMPO. TENDES NECESSIDADE DA AJUDA DIVINA, SE A VOSSA FÉ NÃO QUISER ESGOTAR-SE COMO UMA GOTA DE ORVALHO AO SOL, SE NÃO QUISERDES CEDER ÀS TENTAÇÕES DO CONSUMISMO, SE NÃO QUISERDES QUE O VOSSO AMOR AFOGUE NA PORNOGRAFIA, SE NÃO QUISERDES TRAIR OS DÉBEIS E AS VÍTIMAS DE ABUSOS E VIOLÊNCIA.

Se vos dedicardes com paixão ao estudo do catecismo, gostaria de vos dar ainda um último conselho: sabei todos de que modo a comunidade dos fiéis recentemente foi ferida por ataques do mal, pela penetração do pecado no seu interior, aliás, no coração da Igreja. Não tomeis isto como pretexto para fugir da presença de Deus; vós próprios sois o corpo de Cristo, a Igreja! Levai o fogo intacto do vosso amor a esta Igreja todas as vezes que os homens obscurecerem o seu rosto. “Sede diligentes, sem fraqueza, fervorosos de espírito, dedicados ao serviço do Senhor” (Rm 12, 11).
Quando Israel se encontrava no ponto mais obscuro da sua história, Deus chamou em seu socorro não os grandes e as pessoas estimadas, mas um jovem de nome Jeremias; ele sentiu-se chamado a uma missão demasiado grande: “Ah! Senhor Javé, não sou um orador, porque sou ainda muito novo!” (Jr 1, 6). Mas Deus replicou: “Não digas: sou ainda muito novo – porquanto irás aonde Eu te enviar, e dirás o que Eu te mandar” (Jr 1, 7).
Abençoo-vos e rezo cada dia por todos vós.

BENTO PP. XVI

28 de abr de 2012

Bento XVI diz que se deve ler a Bíblia à luz da tradição



Por: Mirticeli Medeiros Da Redação

‘A Palavra de Deus não está presa à escrita’, diz Bento XVI

O Papa Bento XVI enviou nesta sexta-feira, 20, uma mensagem aos membros da Pontifícia Comissão Bíblica, por ocasião da Assembléia Plenária anual promovida pelo referido dicastério vaticano. O evento aconteceu na Casa Domus Sancta Marta de 16 a 20 de abril.

Os participantes refletiram sobre o tema “Inspiração e Verdade da Bíblia”.

O Pontífice explicou que o tema escolhido pelos membros do dicastério vem de encontro à orientação da Igreja, a qual pede que se faça uma leitura da Sagrada Escritura levando em consideração o que está escrito e a própria tradição da Igreja.


http://noticias.cancaonova.com/noticia.php?id=285950

“De fato, uma interpretação dos sagrados textos que desconsidera ou esquece sua inspiração não leva em consideração a sua mais importante e preciosa característica, ou seja, a proveniência de Deus”, destacou.
O Santo Padre também alertou sobre os riscos do fundamentalismo, a partir do qual se faz uma interpretação da Bíblia somente a partir do que está escrito.

“Mas a Palavra de Deus não está presa à escrita. Se, de dato, o ato da Revelação se concluiu com a morte do último apóstolo, a Palavra revelada continuou a ser anunciada pela viva Tradição da Igreja”, salientou.

fonte: alancota.net

27 de abr de 2012

NASA: Asteroide 2012 HM, recém-descoberto se aproxima da Terra


O asteroide 2012 HM, descoberto no início deste ano pela Nasa – a agência espacial americana – se aproximará da Terra no próximo sábado, 28. Ele passará a 1,4 LD (distâncias lunares) do planeta, o que significa aproximadamente 540 mil km. Em termos espaciais, uma distância considerada pequena.
Com diâmetro estimado entre 41m e 92m, o asteroide viaja pelo espaço a 6,45 km/s. O cálculo é feito pelo Jet Propulsion Laboratory (JPL), o órgão que coordena esforços da Nasa para detectar, rastrear e caracterizar asteroides potencialmente perigosos e cometas que se aproximam da Terra.
Pouco mais de duas horas antes de alcançar a menor distância da Terra, ele se aproximará da lua a cerca de 375 mil km. Não há possibilidade de impacto nem com o a Terra nem com a lua. No começo de abril, o asteroide 2012 FA57 passou a cerca de 420 mil km do planeta.
Fonte: Terra noticias

Livro Crimes Satânicos


No dia 08 de setembro de 2009 a Editora Naós lançou o livro Crimes Satânicos -
Eles mataram em nome do diabo.
O livro além de denunciar o rapto organizado de pessoas com objetivo serem sacrificadas em rituais de magia negra dentro e fora do Brasil, apresenta casos que vêm acontecendo em todo o mundo. Os crimes descritos nesse livro são de extrema violência e demonstram a urgencia em serem expostos para que a sociedade se mobilize contra essas práticas ocultas em nosso mundo. O livro também fala da relação entre Serial Killers e cultos satânicos; cita casos famosos como Charles Manson, Richard Ramirez, David Berkowitz, Henry Lee Lucas, Ottis Tole, Condessa Bathory, Richard Ramirez, entre outros.

Entrevista com Léo Montenegro concedida á Gabi do Portal Momento Literário.

1 – Quando você começou a investigação e qual foi a principal motivação que o levou a escrever o livro?

R: Tive acesso as fotos da cena do crime de um ritual satânico envolvendo a morte de criança de cerca de 2 ou 3 anos de idade. Ela foi sacrificada pela própria mãe em uma ritual de magia negra e teve seu coração arrancado e em seguida foi decapitada. Isso me motivou á denunciar esses crimes que estão acontecendo em todo o mundo. Não fazemos idéia do quanto isso é real, pois, a mídia não noticía esses crimes por duas razões: 1- Esses crimes possuem requintes de crueldade extrema á ponto de deixar muitas pessoas em estado de choque. 2- O envolvimento de pessoas influentes da sociedade que estão envolvidas no rapto e morte dessas pessoas.
Crimes Satânicos é em primeiro lugar uma denúncia.

A DURA REALIDADE É QUE O SATANISMO REALMENTE EXISTE.

As autoridades americanas confirmaram ne sta segunda o assassinato de um bebê pela mãe, que o decapitou por “ordem do diabo”, segundo o site de notícias KSLA.
A polícia de San Antonio, no Estado americano do Texas, afirmou que Otty Sánchez, uma mulher de 33 anos, apunhalou e decapitou seu filho no domingo e depois se feriu com uma faca.
A mulher se encontrava em estado crítico com feridas no peito e na barriga, quando a polícia chegou a sua casa e a levou a uma clínica próxima.
Os investigadores disseram que Sánchez admitiu que tinha decapitado a criança, porque “o diabo tinha ordenado”.
O corpo do bebê, identificado como Scott Wesley Buchholtz Sánchez, foi encontrado apunhalado e mutilado em uma dos quartos da casa. A polícia encontrou uma espada, um facão e uma faca de cozinha na casa de Otty.
O porta-voz policial de San Antonio, Joe Ríos, explicou à imprensa que a mulher será acusada de homicídio premeditado. Segundo Ríos, quando a polícia chegou, Otty estava sentada em uma poltrona gritando que tinha matado seu bebê.
“Ela disse que alguém ou algo a pediu que fizesse isto”, afirmou o agente, que explicou que aparentemente a mulher escutava vozes e que pode ter tido algum tipo de crise mental.
“Ela disse que alguém ou algo a pediu que fizesse isto”, afirmou o agente, que explicou que aparentemente a mulher escutava vozes e que pode ter tido algum tipo de crise mental.
Fonte: blog sob nova direção.

2 – Durante as investigações o que mais lhe chamou atenção dentro do assunto?

R: Foram dois anos para concluir o livro Crimes Satânicos e o que mais me assustou foi a multiplicação de casos nesse período. Conforme eu ia escrevendo surgiam novos casos no Brasil e no mundo. O que me espantou foi que na maioria desses casos haviam jovens envolvidos e muitos deles foram criados em um berço cristão mas que com o tempo acabaram se envolvendo com o satanismo. Mas o que mais me chocou foram os vídeos Snuffs, antes de ver isso eu nunca tinha visto uma pessoa morrer e isso me abalou de tal forma que por vários dias eu não consegui dormir á noite, pois fechava os olhos e lá estavam as cenas. Foram os piores dias da minha vida. Sinceramente, eu ainda não sei o quanto isso me afetou.

3 – No livro você fala sobre aliciamento de pessoas para cultos satânicos, de que forma se dá a divulgação dessa religião e como as pessoas são alcançadas por satanistas?

R: O satanismo tem se multiplicado em todo o mundo e esse crescimento se deve principalmente á liberdade que o satanismo conquistou no mundo todo. A internet se tornou sua principal ferramenta de aliciamento. Ela tem alcançado jovens e adultos que pensam ter encontrado no satanismo uma forma de expressar seu ódio contra a família, a igreja e o mundo. A Bíblia Satânica pode ser baixada gratuitamente em milhares de sites no Brasil e no mundo todo e toda essa facilitação somada á curiosidade acaba por contribuir com o crescimento do satanismo no mundo todo. Encontrei até mesmo sites e foruns na internet dedicados á auxiliar jovens cristãos convertidos ao satanismno, dando dicas de como esconder sua nova crença e até mesmo dando instruções de como agir na hora de contar á familia que era um adorador de satan. Muitos dos jovens que comentaram sobre esse tópico eram evangélicos e até filhos de pastores.

4 – Rituais dessa natureza são altamente secretos, como você conseguiu as informações que precisava para o livro?

R: Me infiltrei em muitos fóruns e comunidades relacionadas ao satanismo e tive acesso á muita informação e notícias. Conversei com ex adeptos do satanismo e assisti documentários e artigos sobre o assunto. Porém, através de casos que estão vindo á tona puder somar muitas informações que acabaram sendo importantes para o livro. Minha principal motivação não era atacar uma religião ou crença e sim denunciar os crimes promovidos por alguns cultos satânicos ou com motivação satânica.

5 – Qual a ligação entre a pedofilia e o satanismo?

R: Essa relação existe á muito tempo. Hoje no Brasil temos esse assunto em evidencia graças ao trabalho da CPI da Pedofilia, porém as redes organizadas de pedofilia são muito mais antigas. Nos anos 80 o culto satânico Templo de Set já estava sendo investigado por abusos sexuais de crianças e mesmo com tantas provas colhidas na época, ninguém foi preso. No livro Crimes Satânicos tenho falado sobre essa relação entre satanismo e pedofilia isso devido á facilidade que alguns cultos satânicos tem de raptar crianças, aliada a grande demanda da pedofilia no mundo todo. Alguns cultos raptam as crianças para a produção de vídeos snuff. Algumas dessas crianças são abusadas, torturadas e mortas das piores formas possíveis, tendo tudo isso gravado em vídeo que é em seguida vendido para redes organizadas de pedofilia. Muitas dessas redes são organizadas por cultos satânicos, ou, satanistas que tem como missão abastecer o mercado com esses vídeos snuffs. Estima-se que a pedofilia arrecada anualmente cerca de 5 bilhões de dólares por ano, tendo usado a internet como forma de espalhar esse mal pelo mundo.

6 – O que são os vídeos snuffs, de que forma estão ligados ao satanismo?

R: Vídeos snuffs são vídeos com mortes e assassinatos reais que são filmados ou produzidos com o objetivo de serem comercializados. Quando comecei a pesquisar os cultos satânicos e rituais satânicos encontrei informações que relacionavam os vídeos Snuffs aos cultos satânicos. Desde á Mão da Morte nos anos 70 á 80, os assassinatos em Ciudad Juarez, até casos nos dias atuais apresentavam essa relação. Na internet existem milhares de vídeos de mortes e assassinatos reais, porém só são considerados vídeos Snuffs os vídeos que foram produzidos ou filmados com o objetivo de comercialização. Muitos falsos vídeos snuff tem surgido, tanto que quando comecei a escrever sobre os eles, eram considerados uma lenda. Mas, essa idéia caiu por terra quando eu assisti um vídeo snuff real. No livro Crimes Satânicos eu conto em detalhes a história e descrevo dois desses vídeos reais. Inclusive nesse livro eu busquei apresentar a existência desses vídeos e somente descrevi os reais que assisti isso com o objetivo de mostrar que vídeos snuff não são lendas, pois como reuni muita informação e inclusive um testemunho de uma pessoa de total confiança que viu um vídeo snuff em São Paulo, irei falar mais sobre o assunto em breve.

7 – Muitas das pessoas envolvidas em rituais satânicos saem impunes quando presas ou postas sobre investigação. Esse é o caso de Valentina de Andrade, que continua livre até os dias de hoje e é tratada em seu livro como responsável pela morte de muitas crianças, tanto no Brasil como na Argentina. Por que as investigações dos desaparecimentos de pessoas vítimas desses rituais dificilmente são levadas a sério ou conseguem ter um desfecho justo?

R: Creio que o motivo principal disso seja o envolvimento de “peixes grandes” do cenário político, policial e da infiltração de membros desses cultos no poder público. Um pais como o Brasil é o sonho de todo assassino e pedófilo. Um país onde a justiça tem seu preço e a impunidade é garantida mediante grandes somas de dinheiro, torna-se o paraíso para pessoas como Valentina de Andrade e outros criminosos que vivem do rapto e assassinato de crianças e jovens. Eu gostaria de estar errado, mas para isso alguém teria que me responder a seguinte pergunta: Onde estão as milhares de crianças que somem todo o ano no Brasil?

8 – A ligação entre seriais killers e cultos satânicos é freqüente?

R: Muitos deles como Richard Ramirez são adoradores do diabo e pensam estar a serviços de satan ao cometerem seus crimes. Outros como Henry Lee Lucas faziam parte de cultos satânicos. Cultos como Matamoros acabam sacrificando pessoas ao diabo como forma de conseguir proteção de demônios para não serem presos ou prosperar nos negócios. Mudam as motivações, mas o envolvimento de muitos deles com o satanismo é bastante freqüente.

9 – Fale sobre um dos assassinos citados no livro que está envolvido com práticas de magia negra.

R: Vou falar sobre Ottis Tole, conhecido serial killer americano. Ottis Tole foi iniciado no satanismo por sua avó que o levava junto com ela ao cemitério para fazer rituais satânicos onde entre outras coisas ela comia cadáveres e as vezes levava pedaços deles para rituais. Ottis era chamado por sua avó de A Criança Demônio. Anos mais tarde Ottis começou a matar principalmente crianças que logo após serem violentadas eram canabalizadas por ele. Ele trabalhou para um culto satânico chamado A Mão da Morte; seu trabalho era raptar crianças e jovens para rituais satânicos e para a filmagem de vídeos snuff. Ottis matou centenas de pessoas. O Livro Crimes Satânicos traz uma entrevista com ele, onde conta tudo, inclusive como eram os rituais. Essa parte do livro não deve ser lida por pessoas sensíveis ou cardíacas, bem, creio que todo o livro é desaconselhável para algumas pessoas. No início eu tive medo de chocar as pessoas, mas descobri da pior maneira que é impossível tratar desse assunto sem causar comoção nas pessoas ou até mesmo não gerar polêmica.

10 – O livro Crimes Satânicos gerou uma grande expectativa por conta das denúncias apresentadas e por trazer á tona os crimes envolvendo o satanismo. A editora Naós que está lançando seu livro sentiu algum receio em lançá-lo?

R: Não, de forma alguma. A Editora Naós se mostrou bastante preparada para lançar o livro. A Naós é uma editora que tem um grande compromisso com a verdade e acabou encontrando em Crimes Satânicos um material que busca alertar a sociedade e o povo cristão sobre esse tema que para muitos é um mistério.

11 – Em algum momento enquanto você estava escrevendo Crimes Satânicos, você sentiu medo de sofrer represálias?

R: Sim, recebi um email com ameaças de pessoas ligadas á um dos portais que promoviam o satanismo e que mostrava um ritual satânico. Falo disso no livro. Pensei em parar de escrever por várias vezes, mas o motivo foi a luta espiritual que é falar sobre esse assunto. Muitas pessoas estavam orando por mim e isso me ajudou bastante. A leitura da Bíblia foi algo que me motivou bastante e me fez ver que realmente estamos em uma luta espiritual. Deus me deu forças e me capacitou a terminar esse trabalho.
É relatado no livro entre outros, esse ritual:

Quatro jovens mortos em “rituais satânicos”

“A polícia na cidade russa de Yaroslavl prendeu um grupo de ‘góticos’ acusado dematar e comer quatro adolescentes em um sangrento ritual Satânico. Os oito supostos Satanistas, de 17 a 19 anos, teriam atraído as vítimas a festas na floresta nos limites da cidade de Yaroslavl, antes de induzi-los a beber e então esquartejar seus corpos. Policiais encontraram os braços e pernas das vítimas em uma vala, vestidos com símbolos Satânicos, e investigadores dizem que cada vítima foi esfaqueada 666 vezes – um número considerado um sinal do demônio”.
Trechos do Livro :
“Você come partes de carne humana nos rituais?”Às vezes”.
Que partes são comidas ritualmente? “Nós tínhamos um ritual onde nós comíamos partes genitais”.
Fale sobre isso”As partes das mulheres eram os mamilos e a vagina”.
E sobre os homens?”Você corta o pênis fora, corta os testículos.
É posto em algo como um prato de sopa. O sujeito que cozinha faz isto comouma sopa ou guisado. É uma receita secreta de aproximadamente mil anosatrás”. Culto Satânico a Mão da Morte”Cortamos o pênis, os pés e os dedos das mãos, e ele ainda estava vivo, então lhe abrimos o peito com uma machadada e eu arranquei o coração com as mãos, enquanto ele ainda agonizava”. Culto Satânico Matamoros.
O Satanismo é uma realidade e precisamos enfrentá-lo de frente, sem fechar os olhos e fazer de conta que estas coisas não acontecem de verdade.O mundo Jaz no maligno, mas a Igreja não pode Jazer no Mundo.
Diante do nosso silêncio, as pedras já estão clamando.
Fonte: Oxigêniorecordes.


Repórter de Cristo - Leia mais: http://reporterdecristo.com/livro-crimes-satanicos/ #ixzz1tEyRYRcs

Informativo Cléofas - 25/04/2012


Informativo Cléofas, 11 de abril de 2012- Ano VII- N°214.



Notícias do Site Cléofas
O programa Escola da Fé, é exibido toda quinta-feira às 20h40 na TV Canção Nova (Link)

Para Meditar...
O Sacramento da Reconciliação: Por que assim?
O sacramento da Reconciliação foi até o século VI ministrado de maneira muito rigorosa, que aos poucos foi sendo abran­dada até assumir a forma atual no século XIII. Exerceram influência nes­sa história os monges irlandeses, que no começo do século VI se estabe­leceram no continente europeu. No fim deste artigo é abordada a ques­tão da validade da confissão a um leigo.
Para entender a atual forma de celebração do sacramento da Re­conciliação ou Penitência, é indispensável breve percurso histórico, que ilustre as diversas fases por que passou o rito deste sacramento. O ritual exprime as concepções teológicas respectivas.
A administração do sacramento da Reconciliação foi assumindo diversas formas até o século XIII, quando se fixou nas modalidades do rito atual. Principalmente nos primeiros séculos a documentação relativa a Penitência era esporádica ou não sistemática - 0 que dificulta ao histo­riador a tarefa de reconstituir a história. Como quer que seja, podem-se, com segurança distinguir três fases nessa evolução; 1) até o século VI, a penitência irrepetível, dita "pública"; 2) do século VII ao século XIII, a penitência dita "tarifada", administrada segundo três modalidades; 3) do século XIII aos nossos dias, a penitência estritamente secreta.


Pergunte e Responderemos
A diferença de Cristo na hóstia e sua Segunda Vinda
A presença Eucarística de Jesus é diferente da Segunda Vinda, onde Ele virá glorioso, para derrotar todos os inimigos do Reino, colocar fim na História e julgar para sempre os vivos e os mortos.

A sua presença na Hóstia Sagrada ainda é a sua presença no plano misericordioso do Pai para nos salvar; e não no plano da Justiça, como na Segunda Vinda. No sacrário e no altar Ele está escondido, submisso, preso, para nos salvar...

Sugiro que leia o meu livro: ''O Segredo da Sagrada Eucaristia''

Prof. Felipe Aquino

Blog do Prof. Felipe Aquino
Por que o celibato do sacerdote?
Porque viver a castidade?
Jesus Cristo é o verdadeiro sacerdote e foi celibatário; então, a Igreja vê Nele o Modelo do verdadeiro sacerdote que, pelo celibato se conforma ao grande Sacerdote. Jesus deixou claro a sua aprovação e recomendação ao celibato para os sacerdotes, quando disse: “Porque há eunucos que o são desde o ventre de suas mães, há eunucos tornados tais pelas mãos dos homens e há eunucos que a si mesmos se fizeram eunucos por amor do Reino dos céus. Quem puder compreender, compreenda.” (Mateus 19,12). Nisto Cristo está dizendo que os sacerdotes devem assumir o celibato, como Ele o fez, “por amor ao Reino de Deus”. O  sacerdote deve ficar livre dos pesados encargos de manter uma família, educar filhos, trabalhar para manter o lar; podendo assim dedicar-se totalmente ao Reino de Deus. É por isso que desde o ano 306, no Concilio de Elvira, na Espanha, o celibato se estendeu por todo o Ocidente, ate´ que em 1123 o Concílio universal de Latrão I o tornou obrigatório. Continuar lendo...

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O Glorioso São José

O Papa Pio IX proclamou, em 8 de dezembro de 1870, São José Patrono universal da Igreja, colocando-o sob o seu patrocínio e proteção, naqueles tempos difíceis. Hoje a Igreja atravessa novamente tempos agitados, onde um laicismo anticatólico a ameaça de todos os lados, tentando-a excluir da vida pública e amordaçá-la para que não anuncie a mensagem salvadora de Nosso Senhor Jesus Cristo. As trevas do pecado e da morte, agitadas pelo Inferno, investem contra ela. Mais do que nunca precisamos recorrer a São José; pois, assim como ele soube livrar o Menino Jesus, Cabeça da Igreja, das garras assassinas de Herodes, saberá também proteger o Corpo de Cristo, a Sua Esposa Santa, das perseguições que hoje ela sofre. Precisamos conhecer a vida, as virtudes, a glória e os méritos do glorioso São José; e nos refugiarmos sob a sua poderosa proteção. Como os grandes santos da Igreja é preciso rogar: São José, valei-nos!
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23 de abr de 2012

Os mártires da Igreja II – 2ª parte

3.11. Martírio de Santo Êuplio Diácono, sob Diocleciano, no ano 304
  
  O martírio de Êuplio, diácono de Catânia, aconteceu em 304, como pode ser deduzido da indicação do consulado de Diocleciano e Maximiano, e do fato que o cristão é convidado a sacrificar aos deuses, conforme a ordem do IV edito imperial, emanado naquele ano.

Certamente ainda estava em vigor o edito contra a conservação dos livros sagrados, porque o ponto principal da acusação contra Êuplio refere-se ao evangelho, que o diácono tinha conservado e mostrava com orgulho.
Os Atos que nos chegaram, num breve texto latino, une a ata da prisão e da primeira confissão de Êuplio à do interrogatório pelo qual passou em meio às torturas.

Uma frase do capítulo I: “…estando fora da tenda do escritório do governador, o diácono Êuplio gritou: “Sou cristão e desejo morrer pelo nome de Cristo”", leva a crer que ele não tivesse sido preso, mas que se tivesse denunciado espontaneamente, talvez durante o interrogatório de outros fiéis; a hipótese é confirmada também pelas palavras do juiz que o entrega aos esbirros: “Como é evidente a tua confissão…” (c. I) e parece levado a proceder pela atitude do cristão, mais do que por uma vontade pessoal inquiridora.
“Durante o nono consulado de Diocleciano e o oitavo de Maximiano, na vigília dos idos de agosto, na cidade de Catânia, estando fora da tenda do escritório do governador, o diácono Êuplio gritou: “Sou cristão e desejo morrer pelo nome de Cristo”.
Ouvindo isso, o procurador Calvisiano disse: “Que entre a pessoa que gritou”.
Tão logo Êuplio entrou no escritório do juiz, tendo os evangelhos nas mãos, um dos amigos de Calvisiano, que se chamava Máximo, disse: “Não é lícito ter estes livros, contra a ordem imperial”.
Calvisiano perguntou a Êuplio: “De onde vêm estes livros? Saíram da tua casa?”.
Êuplio respondeu: “Não tenho casa. Sabe-o também o meu Senhor, Jesus Cristo”.
O procurador Calvisiano retomou: “Foste tu quem os trouxestes aqui?”.
Êuplio respondeu: “Eu os trouxe, como tu mesmo vês. Fui encontrado com eles”.
Calvisiano ordenou: “Lê-os”.
Abrindo o evangelho, Êuplio leu: “Bem-aventurados os que sofrem perseguições por causa da justiça, pois deles é o reino dos céus”, e, numa outra passagem: “Quem quiser vir após mim, tome a sua cruz e siga-me”.
Enquanto lia esses e outros passos, Calvisiano perguntou: “O que é isso tudo?”.
Êuplio respondeu: “É a lei do meu Senhor, que me foi confiada”.
Calvisiano insistiu: “Por quem?”.
Êuplio respondeu: “Por Jesus Cristo, Filho do Deus vivo”.
Calvisiano interveio novamente dizendo: “Como é evidente a tua confissão, sejas entregue ao ministro da tortura e interrogado em meio a suplícios”.
Quando foi-lhes entregue, começou o segundo interrogatório, em meio às torturas.
Durante o nono consulado de Diocleciano e o oitavo de Maximiano, na vigília dos idos de agosto, o procurador Calvisiano disse a Êuplio, em meio aos tormentos: “O que repetes agora daquilo que declaraste na tua confissão?”.
Traçando o sinal da cruz sobre si com a mão livre, o mártir respondeu: “Aquilo que disse antes, confirmo-o agora: sou cristão e leio as divinas Escrituras”.
Calvisiano rebateu: “Por que não entregaste estes livros, cuja leitura os imperadores vetaram, mas os mantiveste contigo?”.
Êuplio disse: “Porque sou cristão e não me era lícito entregá-los. É melhor, para um cristão, morrer do que entregá-los; neles está a vida eterna. Quem os entrega perde a vida eterna e, para não perde-la, eu ofereço a minha”.
Calvisiano interveio dizendo: “Seja torturado Êuplio que, infringindo o edito dos príncipes, não entregou as Escrituras, mas leu-as ao povo”. Êuplio disse, em meio aos tormentos: “Agradeço-te, ó Cristo. Protege-me porque sofro tudo isso por ti!”.
Calvisiano exortou-o com estas palavras: “Desiste dessa loucura, Êuplio. Adora os deuses e serás libertado”.
Êuplio respondeu: “Adoro a Cristo, detesto os demônios. Faz de mim o que quiseres, sou cristão. Desejei isto por muito tempo. Faz o que quiseres. Aumenta os meus tormentos. Sou cristão”.
A tortura já durava muito tempo quando Calvisiano ordenou aos carnífices que parassem e disse ao mártir: “Adora os deuses, infeliz! Venera Marte, Apolo e Esculápio!”.
Êuplio respondeu: “Adoro o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Adoro a Santíssima Trindade, fora da qual não existe outro Deus. Pereçam os deuses que não criaram o céu, a terra e tudo o que neles existe. Eu sou cristão”.
O prefeito Calvisiano insistiu: “Sacrifica, se queres ser libertado!”.
Êuplio respondeu: “Justamente agora sacrifico-me a Cristo Deus. Não existe nenhum outro sacrifício que eu deva fazer. Tentas em vão fazer-me renegar a fé. Eu sou cristão”.
Calvisiano ordenou que fosse torturado mais violentamente ainda; durante os tormentos, Êuplio disse: “Rendo-te graças, ó Cristo, socorre-me; Cristo, sofro isto por ti, Cristo!”.
Repetiu muitas vezes estas invocações e, quando faltaram-lhe as forças, já sem voz, dizia apenas com os lábios estas e outras orações.
Entrando no interior do seu escritório, Calvisiano ditou a sentença e, saindo, leu a ata que levara consigo: “Ordeno que Êuplio, cristão, que despreza os editos dos príncipes, blasfema contra os deuses e não se arrepende disso tudo, seja passado a fio de espada. Levai-o ao suplício”.
O evangelho com que fora encontrado no momento da prisão foi pendurado ao pescoço do mártir, e o pregoeiro ia dizendo: “Êuplio, cristão, inimigo dos deuses e dos soberanos”.
Alegre, Êuplio respondia sempre: “Graças a Cristo Deus!”.
Chegando ao lugar da execução, ajoelhou-se e orou longamente. Dando ainda graças ao Senhor, apresentou o pescoço e foi decapitado pelo carnífice.
O seu corpo foi depois recolhido pelos cristãos e embalsamado com perfumes, e sepultado”.
3.12. Os Quarenta Mártires de Sebástia (Armênia menor)
    Temos, sobre estes mártires, alguns discursos dos capadócios Basílio e Gregório de Nissa e outros do sírio Efrém, todos de particular autoridade pela proximidade entre as regiões dos informantes e aquela onde aconteceu o martírio. A “Paixão” tem uma autoridade muito pequena, mas o “testamento” coletivo que redigiram, pouco antes de morrer, deve ser considerado autêntico. O martírio deu-se em 320, durante a perseguição de Licínio.
   “Estavam alistados numa legião de guarda de fronteira: parece certo que fosse a XII legião, a Fulminada, que participara da conquista de Jerusalém no ano 70, e, em seguida, fora deslocada para o Oriente, com sede em Melitene, na Armênia Menor.
    Existia uma espécie de tradição cristã no interior dessa Legião, porque ela tinha contado com cristãos em suas fileiras já no século III, e talvez antes; outras ligações com cristãos, através de amizades e parentela, deviam ter surgido durante a permanência na Armênia, onde eram muitos os cristãos.
O martírio aconteceu ao norte de Melitene, na cidade chamada Sebástia (mais exato do que Sebaste), onde talvez a legião mantivesse um grande destacamento.     Os quarenta eram muito jovens, mais ou menos pelos vinte anos; em seu “testamento”, no qual enviam uma última saudação aos seus caros, só um saúda a mulher com o filhinho e apenas um, a noiva, enquanto os demais saúdam os pais vivos: deveriam estar ainda, em geral, na primeira juventude.
    Quando chegou ao acampamento a ordem de Licínio para que os soldados participassem dos sacrifícios idólatras, eles recusaram-se decididamente; foram presos uns aos outros por uma só corrente, muito longa, e, em seguida, fechados na prisão.
    A prisão prolongou-se por muito tempo, provavelmente porque se esperavam ordens de comandantes superiores ou ainda – dada a gravidade do caso – do próprio Licínio. Os prisioneiros, à espera, prevendo o próprio fim, escreveram o seu “testamento” coletivo pela mão de um deles, um certo Melézio.
    Os destinados à morte exortam, no documento insigne, profundamente cristão, parentes e amigos a se despreocuparem dos bens caducos da terra para preferirem os bens ultra terrenos; cumprimentam em seguida as pessoas que lhes eram mais caras; enfim, prevendo que surgiram disputas entre os cristãos pela posse de seus corpos – como já acontecera no passado com as relíquias dos mártires – eles dispõem que seus restos sejam sepultados todos juntos na vila de Sarein, perto da cidade de Zela. O documento traz, como de costume, os nomes de todos os quarenta testadores, e de aqui os nomes foram recopiados em outros documentos, com pequenas divergências de grafia.
    Chegada a sentença de condenação, os quarenta foram destinados à morte por assideração: deviam ser expostos nus durante a noite, no auge do inverno, sobre um reservatório gelado de água, e aí esperar o próprio fim. O lugar escolhido para a execução parece ter sido um amplo pátio diante das termas de Sebástia, onde os condenados seriam subtraídos à curiosidade e simpatia do público e, ao mesmo tempo, vigiados pelos funcionários das termas.
    Existia no pátio, um amplo reservatório d’água, uma espécie de charco, que estava em comunicação com as termas. Basílio disse que o lugar estava no centro da cidade, e que a cidade era próxima ao reservatório: talvez a reserva d’água a serviço das termas, não fosse senão uma derivação de um verdadeiro lago externo.
    Mais tarde, foi construída uma igreja no lugar do martírio, e parece que justamente nessa igreja Gregório de Nissa tenha recitado os seus discursos em honra dos mártires.
    Na camada gelada, numa temperatura baixíssima, os tormentos dos corpos nus deviam ser assustadores. Para aumentar os espasmos, fora deixada aberta a bela porta de ingresso às termas, por onde saiam, com a luz, os jatos de vapor do calidarium: tratava-se de uma poderosa visão para os que estavam sofrendo, porque bastariam poucos passos para sair dos tormentos e retomar aquela vida que saia aos poucos de seus corpos, minuto a minuto. Havia, porém, no meio, uma barreira insuperável: o Cristo invisível, que eles teriam que renegar.
    As horas passavam terrivelmente monótonas: nenhum dos condenados afastava-se da extensão gelada; o vigia das termas assistia à cena como que sonhando acordado. Num dado momento, um dos condenados, extremado pelos espasmos arrastou-se na direção da porta iluminada: aí, porém, por um normal fato fisiológico, morreu envolvido pelos vapores quentes. Àquela visão, o vigia, num ímpeto de entusiasmo, decidiu substituir o pusilânime, reintegrando o número dos quarenta: livrando-se das roupas, proclamou-se cristão e estendeu-se sobre o gelo entre os outros condenados.
    A manhã do dia seguinte iluminou uma extensão de cadáveres. Um só continuava vivo: era o mais jovem, um adolescente a quem algum documento dá o nome de Melitão. A tenacidade por viver assombrou sua mãe, cristã de fé admirável que esteve presente quando os cadáveres foram carregados sobre o carro para serem levados à cremação: ao ver seu filho deixado de lado porque ainda estava vivo, ela tomou-o entre os braços e levou-o por si mesma ao carro, para que a sua criatura não fosse defraudada do coro comum. Aqueles braços que alguns anos antes o tinham carregado como criança lactante, carregavam-no como agora atleta triunfante. Naquele amplexo materno, o adolescente expirou.    O vigia convertido é chamado Agláios em alguns documentos. Comparações feitas, confrontando os vários testemunhos levaram a suspeitar que o pusilânime que abandonou o combate e morreu às portas das termas, fosse justamente Melézio, o escritor do “testamento”; mas isso é apenas conjectura.
A narração deixa lugar a dúvidas quanto a alguns particulares, mas em seu conjunto pode ser aceita com segurança.

A veneração dos Quarenta Mártires foi muito popular no oriente. Também no ocidente, no final do mesmo século, fala deles Gaudêncio de Bréscia, que era particularmente informado das coisas do oriente. Além disso, em Roma, cenas do martírios deles ainda são conservadas num afresco do século VII-VIII; o afresco está num oratório anexo à igreja de Santa Maria Antiga no Fórum Romano (de Giuseppe Ricciotti, L’Era dei Martiri, Coletti editore, Roma, 1953, pp. 268-70).
3.13. Crucificado também um ancião de 120 anos: martírio de São Simeão
    O martírio de São Simeão, bispo de Jerusalém na Palestina, não se deve à aplicação das disposições do imperador Trajano (“rescrito” de Trajano a Plínio), mas à perseguição judaica. O historiador Hegesipo, testemunha bem informada das coisas da Palestina, informa-nos que, por volta de 117 d.C., o santo bispo foi acusado de pertencer à estirpe de Davi e ser cristão, para mal estar de judeus heréticos. Estes aproveitaram um momento crítico do império em luta contra os Partos, desfrutando o estado de espírito do imperador contrariado pelas veleidades das insurreições judaicas.
    Segundo o testemunho de Eusébio, a perseguição causada sobretudo por tumultos populares atingiu Simeão, filho de Cléofas à idade de 120 anos. O parente do Senhor, como escreve Eusébio – “foi atormentado durante muitos dias com duríssimos tormentos, mas confessou sempre com firmeza a fé em Cristo; fê-lo com tal força que o próprio procônsul Ático e todos os presentes ficaram admirados ao ver como um velho de 120 anos pudesse resistir a tantos tormentos: por sentença do juiz, foi finalmente crucificado” (Eusébio, História eclesiástica, III, 3 2,1-6).
3.14.”Tenho prontas as feras…” – Martírio de São Policarpo
    O martírio de São Policarpo é uma das mais antigas “paixões epistolares”. Discípulo do apóstolo João, Policarpo foi feito bispo de Esmirna, uma das mais importantes comunidades cristãs.

    Em Esmirna (Turquia), no ano 155, a intolerância manifestou-se com o martírio do bispo Policarpo, provocado pela multidão enfurecida. O magistrado Herodes procedeu à prisão do bispo que, entretanto tinha deixado a cidade. Mandou-o levar ao estádio onde procurou convence-lo a renegar a fé:
    - Pensa na tua idade e jura pelo gênio de César, convence-te uma vez por todas a gritar a morte dos ateus.
    - Sim, morram os ateus!
    - Jura e coloco-te em liberdade; amaldiçoa o Cristo.
    - Fazem 86 anos que o sirvo, e ele nada fez de errado para comigo; como posso blasfemar contra o meu Rei e Salvador?
    - Tenho prontas as feras; se não mudas de idéia lanço-te a elas.
    - Chama-as! Nós cristãos não admitimos que se mude, passando do bem ao mal, mas acreditamos que é preciso converter-nos do pecado à justiça.
    - Se não te importam as feras e se continuas a ter a mesma idéia fixa farei com que sejas consumido pelo fogo.
    - Ameaças-me com um fogo que queima por pouco e depois se apaga; vê-se que não conheces aquele do juízo futuro, da pena eterna reservada aos ímpios. Porque queres ser condescendente? Faz o que quiseres.
    Dizia isso com coragem e serenidade, irradiando tal graça do seu rosto, que nem parecia que fosse ele o processado, mas sim o Procônsul. Quando a fogueira foi preparada, amarraram-no com as mãos às costas, como um carneiro de um grande rebanho escolhido para o sacrifício, holocausto aceito por Deus. Elevando os olhos, ele rezou:
- Eu te bendigo, Senhor Deus onipotente, porque me fizeste digno deste dia e desta hora, de ser enumerado entre os mártires, de compartilhar o cálice do teu Cristo, para ressuscitar à vida eterna da alma e do corpo na incorruptibilidade do Espírito Santo.
    Concluída a oração, a fogueira foi acesa; as chamas, porém, dobrando-se em forma de abóbada, como se fosse uma vela inchada pelo vento, circundou o corpo do mártir como um muro. Estava no meio não como corpo que queima, mas como pão que se doura assando ou como ouro e prata que são refinados no cadinho; sentiu-se um perfume como de incenso ou outro aroma precioso. Afinal, um carnífice matou-o com a espada.
3.15. “Porque sorris?” – Martírio de Carpo, Papilo e Agatonice
    Foram martirizados naquele tempo, na cidade de Pérgamo (Ásia Menor), o bispo Carpo, o diácono Papilo e a fiel Agatonice, mãe de família cheia do temor de Deus. Ao processo, Carpo declarou:     “Sou cristão, não posso aderir às vossas práticas”
    Disse o procônsul: “Sacrifica aos deuses, ou o que dizes?”
    Carpo respondeu: “É impossível que eu sacrifique; realmente, jamais sacrifiquei aos ídolos”.
    O procônsul, imediatamente, mandou suspende-lo num poste e esfolá-lo; o mártir gritou: “Sou cristão!”. Esfolado por muito tempo, ficou sem forças e não pode mais falar.
    O procônsul, então, passou ao outro. Diante do convite a sacrificar, Papilo disse com orgulho: “Sempre servi a Deus, desde a juventude; jamais sacrifiquei aos ídolos porque sou cristão; nada existe para mim de maior e mais belo do que me oferecer como vítima ao Deus vivo e verdadeiro”.
    Os tormentos ocupavam os carnífices por turno, mas ele não emitiu qualquer lamento: “Não sinto as torturas – disse -, não existem para mim porque há alguém que sofre em mim; tu não o podes ver”.
    Enfim, tanto o bispo como o diácono foram condenados a queimar vivos. Os servos do mal despiram Papilo de suas roupas e crucificaram-no, depois elevaram o poste; a chama começou a subir, e o mártir rezando serenamente entregou a alma a Deus. Passaram depois a Carpio, e os presentes, vendo-o sorrir, perguntaram-lhe:
    - Porque sorris?
    - Vi a glória do Senhor e enchi-me de alegria. Bendito sejas tu, Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, porque fizeste de mim, pecador, digno da tua morte.
    Havia entre os espectadores um mulher chamada Agatonice, que vendo Carpo em contemplação da glória do Senhor, compreendeu que era um chamado do céu e disse em voz alta:
    - Este banquete está preparado também para mim; eu também devo participar dele; quero degustar esse alimento de glória.
    Gritaram-lhe de todos os lados para que tivesse piedade do filho, mas a santa respondeu:
    - Ele tem Deus que tomará conta dele.
    Tirando o manto, chamou a atenção dos que a olhavam pela sua beleza e, alegre, estendeu-se sobre a fogueira. Os presentes não podiam segurar as lágrimas e diziam: “Terrível juízo e injustos decretos!”.
    Agatonice, lambida pelas chamas, gritou três vezes:
    - “Senhor, Senhor, Senhor, vem em meu auxílio; em ti eu me refugiei!”.
    Em seguida, entregou a alma a Deus e consumou o martírio entre os santos. Os cristãos recolheram às escondidas os seus restos e conservaram-nos para a glória de Cristo e louvor dos mártires.
    Foi também martirizado na Ásia naquele tempo, o bispo de Laodicéia, Sagaris. (Eusébio, História Eclesiástica, l. IV, 26,3.5).
3.16. “Gosto de viver” – Martírio de Apolônio, “santo e nobilíssimo apóstolo de Cristo”
    Apolônio, senador romano, era conhecido entre os cristãos da Urbe pela elevada condição social e profunda cultura. Denunciado provavelmente por um escravo, o juiz convidou Apolônio a justificar-se diante do senado. Ele “apresentou – escreve Eusébio de Cesaréia – uma eloqüentíssima defesa da própria fé, mas foi igualmente condenado à morte.
    O procônsul Perênio, em respeito à nobreza e fama de Apolônio, estava sinceramente desejoso de salvá-lo, mas foi obrigado a emitir a sentença de condenação devido ao decreto do imperador Cômodo (por volta do ano 185).
    Apresentamos algumas passagens do processo, no qual o mártir afirma o seu amor pela vida, recorda as normas dos Cristãos, recebidas do Senhor Jesus, e proclama a esperança de uma vida futura.    Apolônio: Os decretos dos homens não podem suprimir o decreto de Deus; quantos mais crentes matareis, mais será multiplicado o seu número por obra de Deus. Não achamos difícil morrer pelo verdadeiro Deus, porque, por meio dele, somos o que somos; para não morrer de morte ruim, suportamos tudo com constância; vivos ou mortos, somos do Senhor.
    Perênio: Com estas idéias, Apolônio, provas que gostas de morrer!
    Apolônio: Eu gosto de viver, ma é só por amor à vida que não temo realmente a morte; não existe, sem dúvidas, nada mais precioso do que a vida, mas da vida eterna que é imortalidade da alma para quem viveu bem nesta vida terrena.
A palavra de Deus, o nosso Salvador Jesus Cristo, “ensinou-nos a deter a ira, a moderar o desejo, a mortificar a concupiscência, a superar as dores, a ser abertos e sociáveis, a aumentar a amizade, a destruir a vanglória, a não buscar a vingança contra os que nos fazem o mal, a desprezar a morte pela lei de Deus, a não trocar ofensa com ofensa, mas a suportá-la, a crer na lei que ele nos deu, a honrar o soberano, a venerar somente o Deus imortal, a crer na alma imortal, no juízo que virá depois da morte, a esperar no prêmio dos sacrifícios pela virtude, que o Senhor concederá após a ressurreição daqueles que viveram santamente.
    Quando o juiz pronunciou a sentença de morte, Apolônio disse: “Dou graças ao meu Deus, procônsul Perênio, junto com todos os que reconhecem como Deus o seu onipotente e unigênito Filho Jesus Cristo e o Espírito Santo, também por esta tua sentença que é, para mim, fonte de salvação”.
    Apolônio morreu decapitado em Roma no dia 21 de abril de 183. Eusébio comenta assim a morte de Apolônio: ”O mártir, muito amado por Deus, um santíssimo lutador de Cristo, foi ao encontro do martírio com alma pura e coração fervoroso. Seguindo o seu fúlgido exemplo, vivificamos a nossa alma com a fé”.     Sabemos ainda do mesmo Eusébio que o acusador de Apolônio – como mais tarde o do futuro Papa Calisto – foi condenado a ter as pernas despedaçadas. De fato, segundo uma disposição imperial, trazida por Tertuliano (Ad Scap. IV, 3), atribuída a Marco Aurélio, os acusadores dos cristãos deviam ser condenados à morte. Os Atos do martírio de Apolônio, descobertos no século passado, existem também em versão armênia e grega, e em várias traduções modernas.
3.17. As pérolas da Igreja pisadas pelos porcos. Martírio de Piônio
    Em Esmirna (Turquia), Piônio foi preso, com Sabina, Asclepíade, Macedônia e Lino, quando celebrava o aniversário de Policarpo. Estavam concluindo as orações e tinham acabado de tomar o pão consagrado, quando apresentou-se Polemone, guarda dos templos, com os esbirros encarregados de prender os cristãos e levá-los a sacrificar aos ídolos e comer as carnes imoladas.
    - Conheceis sem dúvida – acusou-os Polemone – o decreto do imperador que vos ordena sacrificar aos deuses.
    Piônio respondeu:
    - Nós conhecemos o mandamento de Deus que nos ordena adorar somente a ele. Homens de Esmirna, que, orgulhosos da vossa cidade, vos gloriais de serem incluídos entre os concidadãos de Homero, rides dos Apóstolos, escarneceis dos que espontaneamente vão sacrificar ou não recusam de o fazer porque obrigados, mas deveríeis seguir o conselho de vosso Homero que diz ser uma coisa ímpia burlar de quem está para morrer. É doce viver, mas nós estamos em busca de uma vida melhor. É bela a luz, mas nós desejamos a verdadeira luz! Sei que a terra é bela, mas ela é obra de Deus. Nós não renunciamos a ela por desgosto ou desprezo, mas porque preferimos bens melhores.
    Sabina sorria e, à pergunta de Polemone e de seu séquito, se estava contente, respondeu:
    - Sim, somos cristãos por graça de Deus; aqueles que acreditam em Cristo estão certos de ir para a felicidade eterna.
    E eles: – As mulheres que se recusam a sacrificar devem preparar-se para a casa de prostituição; isso não te desagrada?
    - O Deus de santidade velará por mim – respondeu Sabina.
    Aos que, depois de terem apostatado, foram vê-los na prisão, disse Piônio:
    - Tenho uma tristeza que me destroça o coração, ao ver pisadas pelos porcos as pérolas da Igreja, caídas por terra as estrelas do céu, destruída pelo javali a vinha plantada pela mão direita do Senhor; a Satanás foi permitido abanar-nos como o trigo na peneira, e o Verbo de Deus tem nas mãos um tridente de fogo para limpar a eira; em sua misericórdia, está pronto a acolher-vos novamente.
    Foi levada a lenha, e foram amontoados os feixes ao redor dos condenados; Piônio fechou os olhos, e a multidão pensou que tivesse morrido, mas ele rezava em silêncio; concluída a oração, reabriu os olhos, enquanto a chama subia. Com intensa alegria nos olhos, disse:
    - Amém, Senhor, recebe a minha alma.
    Um leve estertor, e depois expirou sem dor.
3.18. Mártires a não mais acabar Martiri a non finire
    No mesmo ano 250, na Ásia Menor, foi martirizado Acácio, bispo de Antioquia da Psídia, que teria sido enganado pelo legado do imperador Décio:
    - Vives sob a lei romana; amas, então, os nossos príncipes.
    Ninguém ama o imperador mais do que nós - respondeu Acácio – que dirigimos a Deus constantes orações pela sua longa vida de governo justo dos povos na paz; oramos também pela salvação dos saldados e pela prosperidade do império e do mundo, mas o imperador não pode exigir que nós sacrifiquemos.
    Máximo, homem do povo, que exercia o pequeno comércio, preso e lavado diante do procônsul da Ásia, suportou as torturas em nome do Senhor, achando-as doces como bálsamo em relação às eternas:
    - Se fosse infiel aos mandamentos do meu Senhor – dizia – se não seguisse o Evangelho, perderia a minha vida… não sinto nem as chicotadas nem as unhas de ferro nem o fogo, pois está em mim a graça de Cristo.
    Em Nicomédia (ainda na Ásia Menor) entre 250 e 251 foram queimados vivos São Luciano, que, de antigo “perseguidor”, tornara-se “pregador”, e São Marciano, que já havia adorado deuses falsos e se tinha convertido ao culto do Deus verdadeiro.
3.19. Fez sobre si o Sinal da Cruz e entregou a alma a Deus. Martírio de Conão
    Na Panfília (Ásia Menor) foi martirizado o velho Conão, “servo de Cristo, sem malícia, alma simples”.
    O governador: Diz-me, grande homem, de onde és? Quem são os teus pais, e qual o teu nome?
    Conão: Sou de Nazaré da Galiléia, mas não tenho parentela com o Cristo, que nós reconhecemos como Deus do universo e a quem servimos de pai para filho.     O tirano: Se reconheces o Cristo, porque não reconhecer os nossos deuses?
    Conão: Que descaramento blasfemar assim contra o Deus do universo!
    O tirano, então, ordenou que o fizessem correr com os pés presos ao seu carro, enquanto era chicoteado por dois soldados; ele, porém, não opunha resistência, mas cantava as palavras do salmo:
    - Coloquei toda a minha esperança no senhor, que se curva para mim e escuta a minha oração.
    Perdidas as forças, caiu elevando os olhos ao Mestre, enquanto rezava:
    - Senhor Jesus Cristo, recebe a minha alma…
    Depois, fazendo sobre si o Sinal da Cruz, entregou a alma a Deus.
3.20. Martírio dos ascetas Xiamuna e Gurias
    Diocleciano não perturbou a paz da Igreja nos primeiros 19 anos de governo; por instigação de Galério, enfim, decretou que o exército fosse depurado dos cristãos (ano 297), fossem destruídas e queimadas as igrejas e as Escrituras, fossem destituídos dos cargos públicos os nobres cristãos e privados da liberdade os cristãos plebeus (ano 303).
    Houve mártires, porém, desde o ano 289. Os dois ascetasXiamuna e Gurias tiveram que responder em Edessa (Ásia Menor):
    - Obedeceremos ao Rei dos reis que está nos céus e ao seu Cristo, e não faremos a vontade dos pecadores; nãomorreremos mas viveremos se fizermos a vontade daquele que nos criou; se obedecêssemos aos teus príncipes seríamos precipitados na morte… Poucos dias depois, em Antioquia, o governador Misiano de Urai transmitiu ordens precisas:
    - Ordenam os nossos príncipes que deveis sacrificar aos deuses, queimar incenso, derramar vinho diante de Zeus; não vos oponhais à vontade deles porque não tereis força para resistir às torturas que vos esperam.
    Como eles estavam irredutíveis, ordenou a Leôncio que os dependurassem pelos braços e os puxassem cruelmente, deixando-os ali das nove às duas da tarde.     Era surpreendente a resistência deles. Uma vez que os próprios carnífices ficaram cansados, o governador ordenou-lhes que parassem e os levassem à prisão chamada “buraco escuro”, onde ficaram de agosto a meados de novembro.
O governador, então, mandou-os comparecer à sua presença, mas eles insistiam: – Já confessamos a nossa fé, estamos inabaláveis e, quanto a ti, faz o que te foi ordenado; tens poder sobre nossos corpos, não, porém, sobre nossas almas.
    Visto que o governador estava disposto a condená-los à morte, foram invadidos pela alegria e disseram:
    - Seja louvado Aquele que nos julgou dignos de suportar todo tormento pelo nome de Jesus Cristo. Chegando a uma colina, o carnífice mandou-os descer do carro; estavam cheios de alegria ao verem finalmente chegado o dia da coroa. Pediram um pouco de tempo para rezar, e o carnífice permitiu-o dizendo:
    - Rezai também por mim, pelo mal que faço diante de Deus.
    Ambos rezaram enquanto o carrasco e os soldados imploravam a misericórdia do Senhor.
4.Quantos foram os Martires?
    Qual o número dos mártires? È impossível precisá-lo. Foram muitos, antes e depois de Constantino, para que a palavra de Cristo fosse salva ou não fosse dita em vão. Estavam já às portas as perseguições dos persas, que de 309 a 438 fizeram outros mártires, sob Sapor II e Baram V.

Poderíamos acrescentar aos mártires já nomeados dos três primeiros séculos, os que, no ocidente e no oriente, marcaram de maneira particular a história da cruz de Cristo, e poderiam ser propostos como modelo da sua vitória sobre o mundo pagão ou paganizante: as sete virgens da Galácia; Judite, viúva da Capadócia; Zenóbio, médico e sacerdote; Pânfilo, douto e santo; Cassiano, humilde mestre de escola; o homem do povo Taraco e o nobre Próbo; a cortesã convertida Afra e o pobre taberneiro Teódoto de Ancira, etc.
O exemplo deles sirva-nos de estímulo a viver cristãmente a vida, usando dos bens terrenos sem perder de vista os bens celestes, orando pelos perseguidores e irradiando a alegria do Ressuscitado enquanto ainda estão no corpo mortal. Somos chamados a testemunhar o Evangelho, no calvário da doença ou entre as outras cruzes quotidianas.

Em certo sentido, a perseguição sempre esteva ativa. Seja-o também o nosso testemunho de fidelidade a Cristo e à sua Igreja.
5. Conclusão
    Concluindo, e como comentário à leitura dos Atos dos Mártires, apresentamos alguns pensamentos do Papa João Paulo II sobre o significado e o valor do martírio como “testemunho coerente do amor de Cristo e da Igreja e como prova eloqüente da verdade da fé”, e uma reflexão sobre a radicalidade e atualidade do martírio na Igreja das origens e do nosso tempo.
A MEMÓRIA DOS MÁRTIRES 
testemunho perene do amor de Cristo e da Igreja
    ”A Igreja do primeiro milênio – escreveu o Papa João Paulo II na “Tertio Millennio Adveniente” (“Ao aproximar-se do terceiro milênio” – carta apostólica sobre a preparação do Jubileu, 10.11.1994, n. 43) nasce do sangue dos mártires: ‘Sanguis martyrum – semen christianorum… Ao término do segundo milênio, a Igreja tornou-se novamente Igreja de Mártires. É um testemunho que não se deve esquecer”.

Ainda na Bula de proclamação do Grande Jubileu do ano 2000 “Incarnationis mysterium” (“O mistério da Encarnação”), o Papa recorda que “a história da Igreja é uma história de santidade e de martírio... por isso a Igreja em todos os ângulos da terra deverá permanecer ancorada no testemunho dos mártires e defender ciosamente a memória deles”. Apresentamos aqui a passagem da Bula que fala do martírio da Igreja das origens e do nosso século.
     ”Um sinal perene, e hoje particularmente eloqüente, da verdade do amor cristão é a memória dos mártires. O seu testemunho não fique esquecido. Eles anunciaram o Evangelho, dando a vida por amor. Sobretudo nos nossos dias, o mártir é sinal daquele amor maior que contém em si todos os outros valores. A sua existência reflete aquela palavra suprema, pronunciada por Cristo na cruz:
“Perdoa-lhes, ó Pai, porque não sabem o que fazem” (Lc 23, 34). O fiel que tenha considerado seriamente a sua vocação cristã, dentro da qual o martírio aparece como uma possibilidade preanunciada na Revelação, não pode excluir esta perspetiva do horizonte da própria vida. Estes dois mil anos depois do nascimento de Cristo estão marcados pelo persistente testemunho dos mártires.
     Também este século, que caminha para o seu ocaso, conheceu numerosíssimos mártires, sobretudo por causa do nazismo, do comunismo e das lutas raciais ou tribais. Sofreram pela sua fé pessoas das diversas condições sociais, pagando com o sangue a sua adesão a Cristo e à Igreja ou enfrentando corajosamente infindáveis anos de prisão e de privações de todo o gênero, para não cederem a uma ideologia que se transformou num regime de cruel ditadura. Do ponto de vista psicológico, o martírio é a prova mais eloqüente da verdade da fé, que consegue dar um rosto humano inclusive à morte mais violenta e manifestar a sua beleza mesmo nas perseguições mais atrozes.
     Inundados pela graça no próximo ano jubilar, poderemos mais vigorosamente erguer ao Pai o nosso hino de gratidão, cantando: Te martyrum candidatus laudat exercitus (o exército resplandecente dos mártires canta os vossos louvores). Sim, é o exército daqueles que “lavaram as suas vestes e as tornaram cândidas no sangue do Cordeiro” (Ap 7, 14). Por isso, a Igreja espalhada por toda a terra deverá permanecer ancorada ao seu testemunho e defender zelosamente a sua memória.
Possa o povo de Deus, revigorado na fé pelos exemplos destes autênticos campeões de diversa idade, língua e nação, cruzar com confiança o limiar do terceiro milênio. À admiração pelo seu martírio associe-se, no coração dos fiéis, o desejo de poderem, com a graça de Deus, seguir o seu exemplo, caso o exijam as circunstâncias”. (Incarnationis mysterium 13)
6.Os mártires, testemunhas radicais
     “Ser mártir é uma vocação. O Espírito Santo, não o juiz ou carnífice, faz os mártires, isto é, as grandes testemunhas. É o modo como cada vocação exprime uma dimensão da existência cristã que é comum a todos”. É esse o fio condutor da reflexão que segue sobre a necessidade, atualidade e radicalidade do martírio e sobre a sua força de atração, sobretudo para os jovens de hoje. O Papa associou, numa única lembrança, no dia da Páscoa de 1998, as testemunhas evangélicas da ressurreição e os mártires do nosso tempo. Uma das iniciativas para o jubileu é o martirológio do século XX, isto é, o catálogo daqueles que, de 1900 aos nossos dias, foram mortos pela fé. Os Sínodos da África, da América e da Ásia enumeraram o martírio e a memória dos mártires entre os pontos mais importantes da vida cristã atual e da nova evangelização. Da vida e não da história cristã! Os mártires não são apenas “glórias” ou “exemplos”, mas revelação viva de uma dimensão do ser cristão: o testemunho de Cristo e da verdadeira vida.
     Martírio, no sentido original do termo, indicava a deposição de uma testemunha, por escrito e sob juramento, com valor de prova: o máximo, portanto, que se podia pedir de credibilidade, de garantia de verdade.
     O Evangelho aplica a palavra a Jesus que dá testemunho do Pai e da verdadeira vida com a palavra e a ação; mas sobretudo, com a paixão e morte. Ele é a testemunha, o mártir por excelência.
     Aplica-a depois àqueles que narraram a ressurreição de Jesus ou, em seguida, a anunciavam. Isso comportava expor-se à falência e à derisão e também ao risco de morte, como verificou-se já no início da Igreja com o martírio de Santo Estêvão.
     O próprio Jesus associa a confissão de seus discípulos à assistência do Espírito Santo. “Sereis levados aos tribunais… e haverão de torturar-vos… sereis minhas testemunhas diante deles e diante dos pagãos… Não vos preocupeis com o que devereis dizer ou como o direis. Não sereis vós a falar, mas será o Espírito do vosso Pai que falará por vós” (Mt 10,17-18.20).
     Logo e para sempre na história, o martírio tomou o sentido de oferta da vida em morte cruenta como testemunho da fé. O mártir não se defendia com argumentos para demonstrar a própria inocência diante de quem o acusava. Aproveitava para falar de Jesus, declarava o quanto fosse importante para si a fé em Cristo, confessava a sua pertença ao grupo cristão. Tinha até mesmo a coragem de exortar juizes e carnífices a mudar de opinião e ser sensatos.
     Ainda hoje, mata-se por motivo de fé. Prova disso são os sete monges da Argélia e tantos outros, religiosos, religiosas e fiéis leigos, caídos onde grassavam o integralismo ou formas mágicas de religiosidade. Outros morreram e morrem no exercício da caridade ou no esforço de reconciliação durante conflitos étnicos, guerras civis e situações de insegurança geral.
     É mais freqüente, porém, uma razão “humana”, ligada profundamente à fé. Assim, os regimes ideológicos do século XX fizeram massacres de crentes, católicos, protestantes, ortodoxos sob a acusação de oposição ao bem do povo, de subversão, de favorecimento dos inimigos do Estado. Não perguntavam nem sequer se o acusado queria renunciar à fé. Eliminavam-no sem processo. Difamavam-no, muitas vezes, através de uma imprensa poderosa e encenavam tribunais fantoches.
     É interessante ver como realiza-se a palavra de Jesus: esquecemo-nos das montagens acusatórias. Recordamo-nos e somos beneficiados daquilo que os mártires proclamaram com o próprio sofrimento e silêncio: o valor da vida, a dignidade da pessoa chamada à comunhão com Deus e à responsabilidade diante dele, a liberdade de consciência, a crítica contra desvios trágico como o racismo, o integralismo, o poder absoluto do Estado, a discriminação, a exploração dos pobres.     Diz-se que nenhuma causa vai adiante sem os seus mártires, sem aqueles que acreditam nela a ponto de dar a vida pelo que crêem. A fé comporta sempre uma certa violência. Jesus ensina que se chega à vida plena através da morte. Ele chegou à glória através da paixão. Quem quiser a coroa, diz São Paulo, deve suportar a luta, e quem quiser a meta deve agarrar-se à corrida; e treinar com sacrifício.
     Hoje, este pensamento não nos é muito congenial. Há um dom do Espírito Santo que no-lo faz entender e assumir: a fortaleza. Todos precisamos dela. Ninguém, provavelmente, quererá matar-nos em vista da nossa crença religiosa. Existe, porém, toda uma concepção cristã da existência a ser sustentada e opções de vida que exigem lucidez e resistência. E há circunstâncias pessoais, doenças, situações de família e de trabalho, que exigem uma sólida ancoragem na esperança.
     Ser mártir é uma vocação. O Espírito, não o juiz ou o carnífice, faz os mártires, isto é, as grandes testemunhas. E como toda vocação, exprime uma dimensão da existência cristã que é comum a todos. Em Roma, a lembrança dos mártires é familiar. Tem-na viva muitas igrejas, mas sobretudo as catacumbas, que fazem referência às condições precárias da comunidade cristã nos tempos de perseguição, aos acontecimentos nos quais se viram envolvidos indivíduos cristãos por acusações que se referiam à sua religião.
     Pinturas, desenhos, incisões, sarcófagos e ambientes são uma verdadeira catequese, uma reflexão sobre a fé feita em “tempos” de martírio: tempos de minoria, significatividade provocadora, provações, adesões e amor.
     Em outros contextos é uma realidade atual, mas nem sempre se encontra a meditação intensa, rica e articulada que nos impressiona nesses lugares clássicos.      Os pressupostos, as implicações, aquilo que está à base do martírio, é parte não prescindível da formação na fé. Ela é fonte de alegria e de luz, mas não é oferecida de modo “barato”. Isso é-nos recordado pela parábola do “tesouro escondido”, pelo qual o comprador deve vender tudo o que possuía.
     O martírio está relacionado com uma das notas sem as quais o Evangelho perde o seu colorido, o seu sabor, o seu fio, a radicalidade. É uma espécie de dinamismo interno pelo qual se almeja o máximo possível e é típico da fé. Não é integralismo, adesão cega à materialidade das proposições; não é maximização, pretensão e ostentação de coerência nas idéias e exigências. É “gosto” e conhecimento da verdade, adesão de amor à pessoa de Cristo.
     João Paulo II apoiava o seu discurso numa constatação: o nosso tempo escuta mais as testemunhas do que os “mestres”. Existe nos jovens uma fibra que acolhe o convite à radicalidade. Façamo-la vibrar!” (Juan Edmundo Vecchi, Dire Dio ai giovani, LDC, 1999, p. 84-87).
Fim
Reconhecimentos
  1. Os números 1-11 dos Atos dos mártires são tirados, por gentil concessão do Editor, de “Atti dei Martiri”, cuidado por Giuliana Caldarelli, Edizioni Paoline, 1983, p. 783, 2ª ed., reimpressão 1996. Coleta de Atos dos Mártires. Tem um valor particular a ampla introdução sobre as perseguições e os Atos. Estes, mais de cinqüenta, são subdivididos por séculos, enquadrados historicamente e traduzidos dos textos latinos e gregos..
  2. O número 12, de Giuseppe Ricciotti, “L’Era dei Martiri”, Coletti editore, Roma, 1953, p. 398. Obra clássica do douto biblista e historiador da Igreja.
  3. A premissa e os números 13-20, de Calogero Riggi, “Il messaggio dei primi martiri”, Elledici, Leumann-Torino, 1978, p. 33. Libreto de divulgação popular.
  4. “Incarnationis Mysterium”, Libreria Editrice Vaticana, Città del Vaticano, 1998, n. 13.
  5. “Os mártires, testemunhas radicais”, de Juan Edmundo Vecchi, “Dire Dio ai giovani”. Elledici, Leumann-Gorino, p. 1999, p. 140.

"Despojemo-nos das ações das trevas e vistamos as armas da Luz" Rm 13,12