31 de mai de 2012

31º DIA - Mês Mariano



31° DIA


O SANTO ROSÁRIO

Em Lourdes e em Fátima, Nossa Senhora apareceu para nos recomendar particularmente o Santo Rosário. Em Lourdes, Ela mesma desfiava a esplêndida coroa enquanto Santa Bernadette recitava as Ave-Marias. Em Fátima, a cada aparição, Maria recomendava a recitação do Santo Rosário. Ainda mais na última aparição, em que Ela se apresentou como Nossa Senhora do Rosário. É verdadeiramente grande a importância que Nossa Senhora deu ao Rosário. Quando em Fátima falou da salvação dos pecadores, da ruína de muitas almas ao Inferno, das guerras e do destino da nossa época, Maria indicou, recomendou como oração salvífica o Rosário. Lúcia dirá uma síntese que "desde que a Virgem Santíssima deu grande eficácia ao Santo Rosário, não existe problema material, espiritual, nacional ou internacional que não se possa resolver com o Santo Rosário e com os nossos sacrifícios."

Salva e santifica

Um episódio de graça. S. José Cafasso, numa manhã, passando pelas ruas de Torino, encontrou uma pobre velha que caminhava toda curva, recitando devagarinho o Rosário. Indagou-a porque rezava tão cedo. Ela disse que estava limpando as ruas. Confuso, pediu que lhe explicasse o que queria dizer. Ela respondeu que naquela noite, nas ruas daquela vila, havia sido noite de carnaval, havendo muitos pecados. Rezando o Rosário, ela perfumava o local manchado pelo pecado. Veja: o Rosário purifica nossa alma das culpas e as perfuma com a Graça. O Rosário salva as almas. S. Maximiliano escrevia na sua agendinha: "Quantas coroas, quantas almas salvas!" Pensamos nisso? Todos poderíamos salvar almas recitando coroas do Rosário. Que caridade de inestimável valor seria esta. O que dizer das conversões dos pecadores obtidos com o Santo Rosário? Deveriam falar S. Domingos, S. Luis Maria Grignon de Montfort, S. Cura d'Ars, S. Pe. Pio de Pieltrecina... O Santo Rosário faz bem a todos: aos pecadores, aos bons, aos santos...
Quando a S. Felipe Néri perguntava qual oração escolher, sem hesitar, respondia: "O Rosário! Recitai-o amiúde!" Também a Pe Pio lhe perguntou um filho espiritual qual oração preferir para toda a vida. Pe Pio respondeu logo: "O Rosário!" Sobretudo os santos demonstraram a eficácia da graça do Rosário. Estes foram verdadeiros apóstolos do Rosário: S. Pedro Canísio, S. Carlos Borromeu, S. Camilo Lélis, S. Antônio Maria Gianelli, S. João Bosco... Entre os maiores, talvez, sobressaia-se S. Pe Pio. No seu exemplo existe um prestigioso grau de sobre humano, pois ele chegou a recitar mais de cem rosários, todos os dias, por muitos anos. Um modelo gigante que garantiu a fecundidade do Rosário para a sua santificação e para a salvação das almas. Quantos milhões de almas não foram misteriosamente atraídas por aquele frade que por horas e horas, dia e noite, desfiava a coroa aos pés de Nossa Senhora entre as mãos sanguinolentas de chagas? Ele demonstrou verdadeiramente que "o Rosário é corrente de salvação pendurada nas mãos do Salvador e da sua Ditosa Mãe e que indica de onde descem a nós as graças e por onde deverá subir de nós cada esperança” (Papa Paulo VI).

Todos os dias a coroa

Toda a oração, toda a ciência e todo o amor de S. Bernadette parecia consistir no Rosário. Sua irmã Tonieta dizia: "Bernadette não faz nada além de rezar. Só sabe desfiar o Rosário". O Rosário é uma oração Evangélica, Cristológica, Contemplativa em Companhia de Maria (Marialis Cultus, n.44-47) . Louvor e impetração cobrem as Ave-Marias fazendo escorregar a mente para o mistério presente na meditação. Que isto seja aos pés do altar ou pela rua, não é um obstáculo para o Rosário. Quando a mente se recolhe dirigindo-se a Maria, pouco importa se estamos na Igreja ou no trem, caminhando ou voando de avião. Esta facilidade que o Rosário oferece a quem quiser recitá-lo aumenta a nossa responsabilidade. É impossível não achar um quarto de hora para oferecer uma coroa a Maria. Em qualquer lugar, a qualquer hora, com qualquer pessoa, sem livros nem cerimônias, em bom tom ou murmurando... Pensemos nos Rosários recitados nos quartos de hospital por S. Camilo de Lelis e por Santa Bertila Boscardin, pelas ruas de Roma por S. Vicente Pallotti; nos trens e nos navios por S. Francisca Xavier Cabrini, no deserto do Sahara por Frei Carlos Foucolad, nos palácios reais pela Venerável Maria Cristina de Savóia, nos campos de concentração e no bunker da morte por S. Maximiliano Maria Kolbe, sobretudo na família da Beata Ana Maria Taigi; pelos pais de S. Teresa, pela mãe de S. Maria Goretti... Não percamos tempo em coisas vãs e nocivas, quando temos um tesouro para valorizar como o Santo Rosário. Digamos e prometamos a Maria a conclusão do mês mariano: cada dia uma coroa do Rosário para Ti, ó Maria.

No Coração Imaculado

Em Fátima, o Rosário foi o dom do Coração Imaculado de Maria. E nós queremos concluir o mês mariano depondo nosso Rosário no Coração da Imaculada com empenho de recitá-lo cada dia. O Rosário e o Coração Imaculado de Maria assinalarão o triunfo final do Reino de Deus para esta época. A devoção ao Rosário e a devoção ao Coração de Maria dizem que as almas devotas do Rosário e do seu Coração Imaculado "Serão prediletas por Deus e como flores serão colocadas por mim junto ao seu Trono". Queira Ela mesma acender e conservar aceso em nós o amor ao Rosário e ao Seu Coraçao Imaculado.

Votos

- Recitar um Rosário em agradecimento;
- Oferecer uma Santa Missa e uma comunhão em agradecimento;
- Consagrar-se ao Coração Imaculado de Maria.

30 de mai de 2012

Oremos! Dom Luiz Bergonzini está na UTI !!!


Irmãos, oremos por Dom Luiz Bergonzini, que é, além de bispo, um profeta!
Ele está mal na UTI e precisa de nossas orações e reconhecimentos!
Conclamamos a todos a se unirem nesta corrente!
Leiam abaixo a postagem dele no seu site:


Dom Luiz Bergonzini
          Continuo na UTI, mas vivo! 
          Fui internado com um quadro de pneumonia, que evoluiu para embolia pulmonar. O pulmão esquerdo foi inundado por sangue, provocando dificuldades de respiração e crises.  A última crise aconteceu no sábado, quando todo o restante do sangue que estava no pulmão foi expelido.  O quadro clínico melhorou, mas a pneumonia persistiu. Os excelentes médicos,  enfermeiros e enfermeiras e as irmãs do Hospital Stella Maris não descuidam um segundo de mim. Sou grato por toda a dedicação que têm a mim e aos outros pacientes da UTI.
         Agradeço, do fundo de meu coração, a todos que estão em oração por mim. Ao Bispo de Guarulhos,  Dom Joaqum Justino Carreira, a todos os padres, seminaristas, religiosos e religiosas e leigos da Diocese. Ao padre Paulo Ricardo,   ao padre Mateus Maria , ao padre Marcelo Gabert Masi, e a todos que os acompanham e os seguem  no twitter, faceboock. google+, agradeço as muitas orações. Agradeço aos Blogueiros e Internautas de Cristo, aos grupos de oração e a todos os que comentaram no blog ou enviaram emails diretamente para meu endereço eletrônico.  Suas preces são imprescindíveis.
         Estou vivo. Vejo, ouço, falo e meu cérebro continua funcionando muito bem. Jesus Cristo me concedeu vários privilégios: o primeiro, de não ter sido abortado e de ter a mãe que jamais cometeria esse assassinato;  o segundo,  de receber a missão sacerdotal; o terceiro, de me conceder a missão episcopal e, por último, a vida longa, de 76 anos, recheada de muito amor e carinho recebido dos muitos amigos, durante toda a minha vida.
          Acho que devo continuar a proclamar o Evangelho, mesmo da UTI, pois sou uma pessoa privilegiada por Jesus Cristo.  Enquanto puder ver, ouvir, falar e estiver lúcido, posso e devo continuar. Até posso, mas não preciso escrever. Posso ditar para alguém, de minha absoluta confiança,  escrever e publicar. O beato Papa João Paulo II não parou de evangelizar em momento algum. Continuou até o último minuto de sua vida. 
          Também quero continuar até o último minuto de minha vida, seja em breve ou daqui a muito tempo. Não quero perder um minuto. A Internet nos proporciona  essa maravilha. Com este post, volto à ativa.  Vou informar a situação de minha saúde e, na medida do possível, terminar e publicar textos já começados. 
          Deus abençoe a todos.
            29.05.2012
Dom Luiz Gonzaga Bergonzini
Bispo Emérito de Guarulhos
Jornalista MTb 123
www.domluizbergonzini.com.br

30º DIA - Mês Mariano



30° DIA


A DEVOÇÃO À NOSSA SENHORA

Muito conhecido, mas sempre belo e significativo este episódio: Uma mãe ensina seu filho como fazer o sinal de cruz. Pega sua mãozinha e leva à testa: "Em nome do Pai, Filho e Espírito Santo. Amém. Repete comigo." "Mas, mãe, onde está a Mamãe?" Comovente intuição. A presença da mãe não é secundária para a vida cristã. Ou seja: a devoção a Nossa Senhora não é absolutamente um ornamento a mais, mas é indispensável. Ao contrário, Jesus obscurece-se quando Maria está à sombra - escreveu o Pe. Faber - ou seja, sem a devoção mariana, decai até o amor a Jesus. Neste sentido, o grande S. Afonso Maria de Ligório queria a presença de Maria em tudo o que fazia. Quando pregava, queria a imagem dEla junto aonde estava pregando. Disse àqueles que estavam perto: "Hoje não fará grande efeito o sermão, porque Nossa Senhora não está aqui". A Igreja ensina que a devoção a Maria é moralmente necessária ao cristão para se salvar, porque é elemento qualificador de piedade genuína da Igreja (Marialis cultus, introdução) E ainda: a piedade da Igreja através da Virgem Maria é elemento intrínseco do culto cristão (Ivi,56.) Nunca poderemos ficar conformes a Jesus se não amamos Maria Santíssima como Ele. Este é o elemento fundamental da vida cristã, dizia o Papa Pio XII. Maria deve ocupar em nossa vida o lugar que a mãe ocupa na família, ou seja, o lugar do centro vital, de coração e de amor. O que é uma família sem mãe?

Ela nos une a Jesus

"Se Deus nos predestinou para sermos conformes ao seu Filho (cf. Rm 8,29), Maria - diz S. Luis Maria Grignion de Montfort - foi a fôrma que formou Jesus e que continuou a formar Jesus em todos os que a Ela se entregam". Esculpir uma estátua exige um grande trabalho; servir-se de uma fôrma é muito mais simples. Por isso os devotos de Maria podem ficar conformes Jesus no modo mais rápido, mais fácil e mais agradável, dizia S. Maximiliano Maria Kolbe. Quando está fora do lugar, a mesquinha preocupação de quem considera a Devoção a Maria com certa suspeição, ou com o metro na mão, porque teme que se possa exceder, comprometendo a plenitude da vida cristã e da mais alta santificação. É próprio todo o contrário. A Igreja o ensina boníssimo. S. Pio X, em uma encíclica mariana, recolhendo a voz dos padres e dos santos, escreve: "Ninguém no mundo, quanto Maria, conheceu fundo Jesus. Ninguém maior é mestre e melhor guia para fazer conhecer Cristo. Por consequência, ninguém é mais eficaz do que a Virgem para unir os homens a Jesus." O Concilio Vaticano II pontualizou que a devoção Mariana não só não impede minimamente o imediato contato com Cristo, mas o facilita (Lumen Gentium, n.0). O Papa Paulo VI acrescentou que Maria não só favorece como tem a missão de unir a Jesus para reproduzir nos filhos os lineamentos espirituais do Filho primogênito (Marialis Cultus, n.57). Que tesouro, então, é uma ardente devoção a Maria!

Ela nos leva ao Paraíso

S. Gabriel de Nossa Senhora das Dores disse ao seu Padre espiritual: "Padre, eu tenho certeza de ir para o Céu." "E como o sabes?" Perguntou o Padre. "Porque já estou lá! Amo Nossa Senhora, então estou no Paraíso!" É assim mesmo! O amor a Maria é sinal de predestinação, garantia do Céu, é amor de Paraíso. Este é ensinamento comum da Igreja. Basta lembrar aqui 3 grandes Doutores da Igreja. S. Agostinho diz que todos os predestinados se acham fechados no seio de Maria, por isso o amor a Maria é um sinal precioso de salvação. S. Boaventura diz que quem é assinalado pela devoção mariana será assinalado no livro da Vida. S. Afonso de Ligório assegura que quem ama Maria pode estar tão certo do Paraíso como se já lá se encontrasse. Se é sinal de predestinação, então a devoção a Maria deve ser como o tesouro escondido no campo do qual fala Jesus no Evangelho (cf. Mt 13,44). E precisamos mesmo tomar cuidado e cultivar mesmo a devoção mariana porque S. Leonardo de Porto Maurício chega a dizer que é impossível que se salve quem não é devoto de Maria. E tem razão. O porquê diz S. Boaventura: "como por intermédio d'Ela, Deus desceu até nós e ascendamos até Deus, e então ninguém pode entrar no Paraíso se não passa por Maria que é a porta". Por isso quando S. Carlos Borromeu fazia pôr a imagem de Nossa Senhora em todas as portas das Igrejas, queria mostrar aos cristãos que não se pode entrar no Templo do Paraíso sem passar pela "Porta do Céu". Como conclusão, se temos a devoção a Maria, devemos guardá-la e cultivá-la com grande amor. Se não a temos, peçamo-la com todas as forças como dom de Graça principal deste mês de maio. Lembremos a esplêndida sentença de S. João Damasceno: "Deus faz a graça da devoção a Maria àqueles que deseja salvar". Que esta graça ocupe todo nosso coração. É uma graça que vale o Paraíso. Tinha razão S. Pe Pio ao dizer que a devoção a Maria vale mais que a teologia e a filosofia, e tinha razão S. Maximiliano ao dizer que o amor a Maria faz viver e morrer felizes.

Votos

- 3 Ave-Marias de manhã e de noite para se entregar a Maria;
- Oferecer o dia para que se propague a devoção a Maria;
- Levar sempre consigo ou ter sob os olhos alguma coisa que lhe lembre Maria.

29 de mai de 2012

29º DIA - Mês Mariano



29° DIA


A CARIDADE

A Caridade é a Rainha das virtudes. A Caridade é a perfeição do homem. A Caridade é a plenitude da vida cristã. Por quê? Porque Deus é Caridade e quem está na Caridade está em Deus e Deus nele (cf. I Jo 4,16). Mas o que ela é? É o amor total de Deus e do próximo. Não amor humano carnal, mas amor Divino, feito de Graça, que vem do Espírito Santo de Amor. É o amor de Deus difundido nos nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado (cf. Rm 5,5). É penoso, por isso, é ilusão pensar de amar a Deus ou ao próximo quando se está em pecado mortal na alma. Igualmente é penoso iludir-se de amar verdadeiramente sem que o impulso do amor venha originalmente do Espírito Santo no coração. Quantas aparências de Caridade fazemos, consciente e inconscientemente. Isso diz S. Paulo com palavras que deveriam voltar a si quem quer que seja sem pose de disponibilidade, de abertura aos outros, de viver para os outros, e não olhe se tudo é feito com a Graça de Deus na alma e se venha da consciente e amorosa união com o Espírito Santo no próprio coração. Se não, mais ainda do que de bem vagas disponibilidades e aberturas aos outros, S. Paulo fala muito concretamente de distribuir todos os bens aos pobres e de dar até o próprio corpo para ser queimado pelos outros, para concluir que tudo isto de nada serve se não procede do amor de Deus no coração (cf. I Cor 13,3). A substância principal da caridade, então, é a Graça de Deus na alma, é o amor de Deus no coração e nas intenções. Sem isto, se fala de caridade batendo no ar (cf. I Cor 9,26).

O amor de Jesus empurra

Quando existe o amor de Deus no coração a Caridade pelo próximo é elevada até ao heroísmo mais puro. S. Francisco de Assis, que não só não fugiu, mas aproximou-se e beijou o leproso; S. Isabel de Hungria que pôs na própria cama um leproso abandonado na rua; os missionários que enfrentam riscos e dores mortais pelos infiéis; S. Tereza que se flagelava 3 vezes por semana e Jacinta que batia as urtigas nas pernas pelos pecadores; e tantos outros santos... Quais heroísmos de caridade material e espiritual não fizeram pelos irmãos empurrados pelo amor de Jesus? Valiam de verdade para eles as palavras de S. Paulo: "O Amor de Cristo nos impele" (cf. II Cor 5,14). Não um amor comum, entende-se, mas um amor de fogo devorador (cf. Dt 9,3) que os levava à perda de si no Amado para ter um só coração e um só querer, prontos para amar sem medidas, até à morte. Assim, só assim se explica todo amor sobre humano dos santos. Quando o S. Cura d'Ars converteu a mulher de um rico hebreu, este chegou todo furioso em Ars. Apresenta-se ao Santo e diz-lhe brutalmente: "Pela paz que destruístes na minha casa eu vim arrancar um olho teu." "Qual dos dois?" Desconcertado, o hebreu respondeu: "O direito!" "Bem, ficará o esquerdo para vos olhar e amar". "E se eu arrancar os dois?" "Ficará meu coração para vos olhar e amar". Transformado, o hebreu caiu de joelhos e chorou, convertido. Eis a potência do amor de Jesus.

Não mais eu, mas Jesus

A Caridade fraterna mais alta e perfeita é aquela que nos faz amar o próximo com o mesmo coração de Jesus. "Tendes em vós os mesmos sentimentos de Cristo" (cf. Fp 2,5): É este o mandamento novo e sublime de Jesus: "Amai-vos como eu vos amei, porque disto reconhecerão que sois meus discípulos, se vos amar uns aos outros" (cf. Jo 13,35). A medida da perfeição do amor é dada pela identificação de amor com Jesus. A caridade mais alta, então, a tem só o Santo, porque só o ser transfigurado em Jesus pela potência do amor e da dor, só através da morte mística do eu chega-se à identificação de amor com Jesus que faz dizer S. Paulo: "Não sou mais quem vive, é Cristo quem vive em mim" (Gl 2,20). O Santo é aquele que ama loucamente Jesus e como Jesus. Ele sabe encontrá-lO, vê-lO, abraçá-lO, onde quer que Jesus esteja: na Eucaristia, no Evangelho, no Papa, nos pobres e enfermos, miseráveis e rejeitados, com os quais Jesus se identificou (cf. Mt 25,31-45). Ama loucamente como Jesus e por isso sabe vender de si mesmo no mercado dos escravos em substituição de outros, como S. Paulino e S. Vicente de Paulo; expõe-se ao contágio de doenças como S. Luiz Gonzaga; enfrenta riscos e trabalhos incomensuráveis para ajudar os irmãos, como S. João Bosco pelos jovens e S. Francisca Xavier pelos emigrantes; sabe fechar-se em confessionários para curar e consolar almas à procura de Graça e Paz, como S. Cura d'Ars e Pe Pio. Quanta bondade e graça no coração dos santos!

A Imaculada: todo amor

Se os santos são maravilhosos, imagine Maria? Ela é Cheia de Graça, de Vida Divina, de Amor Trinitário. Criada Santíssima, Virgem puríssima sempre, Ela é semelhante a um cristal limpidíssimo que espelha luminosamente a Caridade de Deus. Ela chegou ao ponto de nos doar Jesus, seu Divino Filho e Infinito Tesouro do seu Coração, imitando perfeitamente a Deus Pai que tanto amou os homens a ponto de entregar Seu Filho à morte (cf. Jo 3,16). Ó Mãe Divina, como Te agradeceremos pela Tua Caridade sem limites? Que violência transpassou pela tua alma, fizeste Teu coração de Mãe imolar Jesus pela nossa salvação? Mãe divina e doce, tua Caridade não pode ter iguais: é aos confins do infinito. Seja sempre bendita.

Peço de morrer

Quem ama de verdade a Mãe de Deus chega à semelhança com Ela e produz frutos maravilhosos de Graça e virtude, sobretudo no exercício da Caridade. S. Maximiliano tornou-se semelhante a Maria no sacrifício, tão louco era seu amor: imolar sua vida de sacerdote, apóstolo, fundador das cidades da Imaculada, pedindo de morrer em tenebroso bunker para salvar a vida de um pai de família. Soube escolher a morte atroz naquele subterrâneo de Auschwitz, mas o amor cresce gigante entre as dores gigantes. Ele, amando loucamente Maria, feito conforme seu filho (cf. Rm 8,29) na medida máxima do amor proclamado por Jesus: "Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos seus amigos" (cf. Jo 15,13).

Votos

- A cada oração, renovar a intenção de agir só pelo Senhor e não pelos homens (cf. Cl 3,23);
- Pedir a Maria a virtude da caridade;
- Fazer uma visita a qualquer capela ou Igreja dedicada a Nossa Senhora.

28 de mai de 2012

28º DIA - Mês Mariano





28° DIA


A PUREZA

A pureza é a virtude mais límpida de Nossa Senhora. O esplendor da sua Virgindade sempre intacta faz d'Ela a criatura mais radiosa que se possa imaginar: a Virgem mais Celestial, toda "candor de luz eterna" (Sb 7,26). O dogma de fé na Virgindade Perpétua de Maria Santíssima, o dogma de fé na Concepção Virginal de Jesus por obra do Espírito Santo, o Dogma de fé na Maternidade Virginal de Maria: esses 3 dogmas investem a Imaculada de um esplendor virginal que "os céus dos céus não podem conter". (I Re 8,27) E através dos séculos, na Igreja, à ditosa Virgem, se inspiraram as filas angélicas das virgens que começaram já desta terra a viver só de Jesus para seguir o Cordeiro no tempo e na eternidade (cf. Ap 14,4). E se existiram ou existem dementes que querem jogar as sombras das baixezas deles sobre uma verdade de fé tão resplendente como a Virgindade de Maria, além de S. Jerônimo (que desbaratou os heréticos Elvídio e Joviniano) e S. Ambrósio (que escreveu páginas de encanto supremo sobre a Virgindade) toda a Igreja no seu caminho milenar celebrou e glorificou em Maria, a Toda Virgem, a Sempre Virgem na alma e no corpo, a Virgem Santa consagrada divinamente pela presença do Verbo de Deus que n'Ela se encarnou , revestindo-se da mesma Virgindade da Mãe.

A ira de Deus

Se volvermos o olhar para a humanidade, a visão de sonho e de encanto sobre a Virgindade Imaculada de Maria desaparece de modo súbito e brutal. Impureza, luxúria, sensualidade, adultério, pornografia, homossexualidade, nudismo, espetáculos imundos, bailes obscenos, relações pré-matrimoniais, contracepção, divórcio, aborto... Eis o espetáculo nauseabundo que a humanidade oferece aos olhos de todos. Santo Céu! Quantos abismos de torpezas nesta pobre Terra. Pode-se continuar assim sem provocar a ira de Deus? (cf. Ef 5,6). Maria disse pela pequena e inocente Jacinta (ignorante do verdadeiro significado daquilo que dizia) que os pecados que mais mandam almas ao Inferno são os pecados impuros. Quem poderia desmentir esta afirmação observando o teatro das vergonhas que o mundo mostra todos os dias? É verdade que o pecado impuro não é o pior nem o mais grave dos pecados. Mas é o mais frequente e o mais nojento. Isto sem dúvida. Nós conhecemos o valor da pureza proclamada por Jesus: "Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus." (cf. Mt 5,8); conhecemos os dois mandamentos de Deus que nos resguardam da impureza: 6º e 9º; conhecemos até a recomendação mais que enérgica de S. Paulo aos cristãos: "A fornicação e a impureza de toda espécie, não sejam nem nomeadas entre vós, mas o mesmo valha para as vulgaridades e os discursos triviais: todas coisas indecentes." (Ef 5,3-4) Conhecemos o ensinamento nobre do Catecismo da Igreja: "O 6º mandamento nos ordena de ser santos no corpo, portanto, o máximo respeito à própria pessoa e ao próximo, como obras de Deus e templo onde Ele mora com a sua presença e com a sua Graça";conhecemos as firmes chamadas da Igreja com recentes documentos de primordial importância (Humanae Vitae). Conhecemos todas estas iluminosas indicações para abater as seduções do mundo e da carne, mas a humanidade e até a cristandade não faz mais que escorregar continuamente para formas de costumes sempre mais degradantes, como homem animal que não mais compreende o que é espiritual, a favor do mais cego e obtuso ateísmo: quem entra na lúxuria, diz S. Ambrósio, abandona a via da fé! (cf. I Cor 2,14).

Quais são os remédios

A fuga das ocasiões, a oração e os sacramentos. Todo pecado impuro - de ação, desejo, olhar, pensamento, leitura - é pecado mortal. Precisamos nos defender com todas as forças, até à violência, caso precise, porque aquilo a que aspira a carne é morte, mas aquilo a que tende o espírito de vida é paz, porque desejo da carne é inimizade com Deus (cf. Rm 8,-7). Lembremos S. Bento e S. Francisco que se jogaram entre os espinhos para apagar a conscupiscência que atrai e alicia (cf. Tg 1,14). Lembremos S. Tomás de Aquino que se serve de um tição ardente para desvendar uma insídia perigosa. Recordemos S. Maria Goretti que se deixa esfaquear por 14 vezes para salvar sua virgindade. As ocasiões mais comuns de pecado, porém, exigem, sobretudo, a mortificação dos olhos (evitar cinemas, leituras sujas), da língua (evitar as conversas torpes e os discursos licenciosos), dos ouvidos (não escutar canções e piadas vulgares), da vaidade (opor-se às modas indecentes). De tudo isto parece evidente que a vida do homem na terra é uma batalha (cf. Jo 71) e que é necessária a contínua vigilância com a ajuda de Deus (oração e sacramentos) para não se deixar dominar pela concupiscência (cf. I Ts 4,5). É humilhante, mas é esta a nossa real condição: carne e espírito estão sempre em luta cerrada entre eles: "Nos meus membros existe outra lei, que move guerra à minha alma e me torna escravo da lei do pecado que está nos meus membros" (Rm 7,23) S. Domingos Sávio, que rasgava as revistinhas que recebia dos companheiros; S. Luiz Gonzaga, que em público, chama a atenção de quem fala despudoradamente e se impõe penitências terríveis; S. Carlos Borromeu que desde menino se avizinhava amiúde aos Sacramentos; S. Afonso Maria de Ligório tirava os óculos quando o papai o levava ao teatro... São exemplos que deveriam nos convencer a usar todos os modos para guardar a pureza do coração e dos sentidos.

Castidade conjugal

Os problemas morais mais sérios são aqueles que se referem os esposos. A castidade conjugal é um dever de todos os esposos cristãos, e é um dever fecundo de graças e bênçãos. Mas os assaltos do malígno são maciços: contracepção e onanismo, divórcio e abortos estão massacrando os cônjuges cristãos, sem dizer das relações pré-matrimoniais, que são somente uma imunda profanação dos corpos e das almas daqueles noivos, escravos miseráveis da carnalidade. Desejam ter só 2 filhos; usam das pílulas e outros meios para evitarem gravidezes posteriores, profanando por anos e anos as relações matrimoniais que deveriam simbolizar a união entre Cristo e a Igreja (cf. Ef 5, 25) . "A pílula anticoncepcional vem do Inferno, dizia Pe. Pio, e quem usa comete pecado mortal". E ainda: "Para todo bom casamento o número dos filhos é estabelecido por Deus e não pela vontade dos esposos", e ainda: "Quem está na estrada do divórcio, está na estrada do Inferno". Pior ainda para quem cometer o crime do aborto!!! Que abram bem os olhos os esposos cristãos! Profanar o sacramento do matrimônio nunca acontecerá sem castigos e maldições sobre as famílias. Se lembrem bem que com Deus não se brinca! (cf. Gl 6,7).

Votos

- Recitar 3 Aves-Marias em honra da virgindade de Maria;
- Eliminar e destruir qualquer coisa de não modesto que tenha consigo;
- Mortificar bem os sentidos, especialmente a vista.

27 de mai de 2012

27º DIA - Mês Mariano



27° DIA


A HUMILDADE

"Patife! - gritou o demônio a Cura d'Ars, batendo-o contra a parede do quarto - Já me roubastes 80 mil almas este ano! Se existissem 4 sacerdotes como tu, estaria logo acabado o meu reino no mundo." Santo Cura d'Ars era, talvez, o sacerdote menos dotado e mais desprevenindo da França. Entrou no seminário por uma Graça especial de Nossa Senhora: sabia recitar bem o Rosário. Manteve-se sempre na sua humildade, ciente de ser um inepto. Pensou em rezar e fazer penitência com todas as suas forças. O resto o fez Deus. Foram coisas incríveis que mortificaram o Inferno inteiro, impotente de frente a este sacerdote humilde. É a verdade da Palavra de Deus: "Quem se exalta será humilhado; quem se humilha será exaltado". (Lc 14,11) E ainda: "Deus resiste aos soberbos e dá sua Graça aos humildes." (I Pd 5,5) Se pensarmos na grandeza de Nossa Senhora, podemos compreender qual imensidade de humildade devia estar nela: "Exaltada sobre os corações dos Anjos".

A humildade de Maria tem o seu bilhete de apresentação nas primeiras páginas do Evangelho: "Eis aqui a serva do Senhor". Manifesta-se na Visitação a S. Isabel que lhe grita justamente: "A que devo a honra que venha a mim a Mãe do meu Senhor?" Brilha no nascimento de Jesus em uma pobre gruta, porque não tinha lugar para eles na hospedaria (cf. Lc 1,38; 43;2,7). Confunde-se ao profundo silêncio e escondimento nos 30 anos de Nazaré; arde no próprio opróbrio e na ignomínia sobre o Calvário onde Maria está presente como Mãe do Condenado. A humildade de Maria não é nem mais nem menos proporcional à sua excelente realeza. Suprema a exaltação porque foi suprema humilhação. A esta escola devemos ir para aprender a humildade.

A vontade de aparecer

Quem mais do que Nossa Senhora teria motivos para aparecer? Mas ela é misteriosamente silenciosa e escondida em todo o Evangelho. Nós, cheios de bobagens e ricos de misérias, que vontade de aparecer nos queima. Vermos sacrificados, humilhados e valorizados os nossos talentos, ou ser colocados a parte ou nos poder afirmar... Que tortura e quantos ressentimentos. Mas para sermos humildes, devemos reprimir sem piedade os secretos impulsos e as venenosas satisfações do orgulho. Assim faziam os santos. Quem não se lembra de S. Antônio de Pádua, mandado como cozinheiro num convento dos Apeninos? Foi pra lá humilde e manso como sempre. E tinha uma sapiência prodigiosa, tornando-se Dr. da Igreja. Quando S. Vicente de Paulo se sentia louvar, punha em evidência os próprios defeitos e as suas humildes origens. Dizia ser filho de um pobre camponês, ignorante e incapaz. Se acontecia alguma desordem, atribuía-se sempre a culpa. O mesmo para S. Pio X; quando era louvado pelos seus inspirados discursos, transformava tudo em brincadeira, respondendo: "Bobagens... Coisas copiadas não valem!" Qualquer milagre operado por suas mãos, impunha silêncio, dizendo: "É por ordem das Sumas Chaves, eu não tenho nada com isso. É a bênção do Papa. É a fé de quem pede a Graça". S. Gema Galgani soube industriar-se para achar o modo de se humilhar e ser humilhada. Sabido que tinha chegado um couto prelado para interrogar sobre os fenômenos extraordinários que lhe aconteciam, pegou um gato, colocou-o sobre os joelhos e brincava com ele, ignorando as perguntas do prelado. Pouco tempo depois ele foi embora convencido que ela era uma demente. É o modo dos santos: anular-se para fazer resplandecer a grandeza de Deus que opera. "Escolheu o nada para reduzir a nada as coisas que são para que nenhum homem possa gloriar-se junto a Deus" (I Cor 1,28-29).

Uma coisa não sei fazer

A humildade esmaga o demônio. A humilíssima Virgem esmaga a cabeça do diabo, aquele que queria ser semelhante ao Altíssimo (cf. Is 14,14) está com a cabeça sob os pés d'Aquela que quer ser somente 'Serva do Senhor' (cf. Lc 1,38) E quem for humilde participa do poder da Imaculada de esmagar a cabeça do demônio. S. Macário foi um dos grandes padres do deserto. Teve que lutar muito contra o demônio. Um dia o viu chegar com uma forca de fogo na mão. S. Macário ajoelhou-se e humilhou-se junto ao Senhor e a forca caiu da mão do demônio, que exclamou com ódio: "Escuta, Macário: tu tens boas qualidades, mas eu tenho mais; tu comes e dormes pouco, mas eu nunca os faço; tu fazes milagres e eu também faço prodígios; mas uma coisa tu sabes fazer e eu não: Sabes humilhar-te!" Por isto a humildade é uma força infalível contra Satanás. Por isto S. Francisco de Assis ocupa a cadeira de Lúcifer, segundo a visão de Frei Leão. De fato, a quem lhe perguntou o que pensasse de si, S. Francisco respondeu de sentir-se o ser mais repelente da Terra, um verme nojento. Disse ainda que as graças que Deus lhe doou, qualquer um teria dado mais frutos. Esta é a essência da humildade: reconhecer que exclusivamente nós temos somente o pecado. Todo o resto, tudo o que é bom, é de Deus. E cada mínima coisa boa que conseguimos fazer para a vida eterna, nos é possível só pela Graça de Deus (cf. I Cor 4,7; 12,3; II Cor 3,5). Pe Pio disse: "Se Deus nos retirar o que nos deu, nós ficaremos somente com os nossos farrapos".

A humildade é sabedoria

S. Ambrósio dizia que a humildade é o trono da sabedoria. Bem, a Maria devemos pedir esta sabedoria. E queira Ela que nós tenhamos, porque as outras virtudes - diz S. Agostinho - batem à porta do coração de Deus: a humildade abre! Inspiremo-nos nos três episódios evangélicos mais expressivos sobre a humildade. Depois da pesca milagrosa, S. Pedro é transformado pelo prodígio operado por Jesus e não pode controlar-se em prostrar-se e dizer: "Afasta-te de mim, Senhor, porque sou um homem pecador". "Tu serás pescador de homens!" (cf. Lc 5,8-10). Um pobre publicano está no fundo do Templo e não ousa nem levantar o olhar, mas geme humildemente: "Deus, tem piedade de mim, pecador". Jesus nos assegura que ele saiu do Templo purificado, diferente do Fariseu orgulhoso (cf. Lc 18 9-14). No Calvário, o bom ladrão confia-se humildemente ao Inocente: "Jesus, lembra-te de mim quando entrares no Teu Reino". E foi impotentemente investido por uma graça que o dispõe em brevíssimo tempo para poder entrar no Reino dos Céus (cf. Lc 23,43). Somos quase tentados a dizer que até Jesus é débil em frente à humildade. Essa é de verdade uma chave que abre o Coração de Deus. A humilíssima Virgem Maria queira dar-nos esta "chave" do coração de Deus.

Votos

- Ler e meditar os 3 episódios de humildades evangélicos citados no texto;
- Fazer qualquer ato de humildade para reparar tantos pecados de orgulho;
- Pedir a Maria insistentemente esta virtude.

26 de mai de 2012

26º DIA - Mês Mariano







26° DIA


A OBEDIÊNCIA

A obediência é a virtude que nos leva a submeter a nossa vontade à de Deus e dos Superiores que representam Deus. A 1ª obediência devemos a Deus, nosso Pai e Criador. "Do Senhor é a terra e tudo quanto contém" (Sl 23,1) Se somos suas criaturas e seus filhos, devemos a Ele toda a obediência criaturial e filial. "Todas as criaturas Te servem" (cf. Sl 118,91). A obediência a Jesus é ligada à Redenção. Ele nos resgatou com o seu Sangue; por isso lhe pertencemos, somos seus e devemos obedecer aos seus divinos desejos: "Não sois mais vossos, porque fostes comprados a caro preço" (cf. I Cor 6,20) A obediência aos superiores é ligada ao fato que eles são representantes de Deus. Sabemos bem que Deus não nos governa diretamente, mas através dos seus delegados que Ele faz partícipes da sua autoridade. "Não existe autoridade que não venha de Deus" (Rm 13,2). Por isso a desobediência aos superiores é sempre uma desobediência à autoridade de Deus: "Quem resiste à autoridade, resiste ao ordenamento feito por Deus. E aqueles que resistem procuram por si mesmos a danação". (Rm 13,1). Jesus usa uma expressão ainda mais forte e até mais precisa: a obediência aos superiores coloca-nos em relação direta com Ele: "Quem vos escuta, escuta a Mim e quem vos despreza, a Mim despreza". (cf. Lc 10,16) As obediências que operaram milagres e as desobediências que os impediram, confirmam as palavras de Jesus. Quando S. José Cotolengo soube que tinha um grande número de freiras doentes e que não sabia como fazer para o serviço da Pequena Casa, deu ordens precisas que as freiras se levantassem para o serviço da Casa. As Irmãs levantaram- se e acharam-se curadas. Uma só não quis levantar por temor e não se curou, e acabou fora do Instituto. Quando S. Francisco de Assis e S. Teresa d'Ávila recebiam nos êxtases qualquer comunicação, estavam prontos para renunciar tudo se o Superior decidisse de modo contrário, porque na Palavra do Superior existe a presença de Deus sem engano, enquanto na visão ou na locução existe sempre uma margem de incerteza.


Superiores... levados

É claro que os superiores devem exercitar a autoridade só como delegados de Deus e nunca devem mandar o que seja contra a lei de Deus: não podem ser delegados de Deus quando mandassem o pecado ou não o impedissem (mentir, roubar, abortar, blasfemar...). Nestes casos eles são delegados de Satanás e não podem e não devem ser obedecidos. Nos outros casos, precisamos obedecer mesmo quando isso nos pesa ou repugna. Mesmo que aquele que nos manda for odioso ou faccioso: "Servos, obedecei aos Vossos patrões, embora turbulentos." (I Pd 2,18). Na vida de S. Gertrudes lê-se que por um certo período teve uma superiora de humores muito difíceis. A Santa rogou ao Senhor para que a fizesse substituir por outra mais equilibrada. Mas Jesus respondeu-lhe: "Não, porque os seus defeitos a obrigam a humilhar-se todos os dias diante de mim, de outro lado, tua obediência nunca foi tão sobrenatural como neste tempo".

Um mistério de fé

É claro que a alma da obediência é a fé sobrenatural. S. Maximiliano dizia que a obediência é um mistério de fé. Somente quem sabe ver no Superior o representante de Deus sabe obedecer e abraçar a vontade de Deus, mesmo quando custa, sobretudo QUANDO custa, porque a verdadeira obediência é aquela que se exercita no sacrifício: Jesus mesmo! "Aprendeu dos sofrimentos a obediência" (cf. Hb 5,8) Quantas vezes nos custa obedecer em silêncio às coisas dolorosas... Durante a Paixão, Jesus ao invés de se defender, calou-se (cf. Mt 2,63). S. Domingos Sávio, rapaz eficiente e estudante aplicado, foi falsamente acusado diante do mestre de uma travessura feia. O mestre, muito surpreso, foi obrigado a chamá-lo severamente a atenção. Ele não se irou. Quando o mestre descobriu a verdade, chamou-o e perguntou porque não tinha dito a verdade. "Por dois motivos: Por que se tivesse dito quem era o culpado, ele teria sido expulso da escola, já que não era a 1ª vez que estava em delito, enquanto que para mim era a 1ª vez. 2º por que até Jesus calou-se quando acusado injustamente no Sinédrio". Quem não se lembra do último episódio ocorrido a S. Geraldo Majela? Caluniado infamemente, foi castigado severamente por S. Afonso. Suspenderam-lhe a Comunhão, transferiu-0 e trataram-no como um pecador. Ele calava-se e obedecia. Quando a verdade veio à tona, S. Afonso pôde dizer que este episódio bastava para garantir a santidade extraordinária de S. Geraldo. A obediência crucificou Jesus, que "foi obediente até a morte" (cf. Fl 2,8) Ele calava e rezava. A obediência crucificou os santos e eles também se calavam e rezavam como Jesus.

A Virgem obediente

Maria nos deu o exemplo inimitável de Jesus até no obedecer. As primeiras páginas do Evangelho de S. Lucas abrem-se com o "Fiat" de Maria ao Anjo Gabriel (cf. Lc 1,38). Ela obedeceu humildemente ao enviado, ao representante de Deus, aceitando coisas humanamente inconcebíveis - como a Concepção Virginal do Verbo, Filho de Deus e a Maternidade divina - e as coisas dolorosas até a pior tragédia de uma mãe: oferecer o próprio filho ao assassino. Maria foi obediente à ordem de Augusto para o recenseamento, à lei da Apresentação e Purificação; obedeceu ao fugir para o Egito, obedeceu ao voltar do Egito para Nazaré. Encontramos no Calvário Maria obediente onde se cumpriu propriamente: "espada que lhe transpassou a alma" (Lc 2,35, Lc 5,1-15, 21-24,Mt 2,13-15, 19-23). A obediência à vontade, sem reservas: "Faço sempre o que é do seu agrado". (Jo 8,29) Esta é a atitude do verdadeiro obediente, garantido pela obediência dolorosa, amada como aquela jubilosa até entre os sofrimentos naturais: "não a minha, mas a tua vontade se faça". (Lc 22,12).

Caçadores fora

Quando S. José Calasanz foi caluniado e perseguido pelos seus discípulos, quando velho e enfermo foi preso e levado aos tribunais e perto da morte foi expulso da Congregação e viu a Congregação devastada por ordem do próprio Vigário de Cristo. Ele curvou a cabeça e aceitou esta corrente de sofrimentos, murmurando: "Agora e sempre seja bendita a Santíssima vontade de Deus". Quando S. Afonso Maria de Ligório, aos 80 anos, foi caluniado por um dos seus filhos, foi expulso da Congregação pelo próprio Papa, (ele, o grande, apaixonado, o enamorado defensor do Papa) superou o sofrimento mortal gritando a si mesmo, com a testa no chão, aos pés do altar: "O Papa tem razão! Sim, Ele tem razão!" Esta é a obediência que crucifica como crucificou Jesus à Cruz. O Santo é aquele que se deixa crucificar. Nós, quantas desculpas e compromissos, fugas para evitar qualquer peso e aborrecimento que a obediência possa trazer. Mas se assim fizermos, é impossível amar, porque "se me amais - diz Jesus - observais as minhas ordens". (Jo 14, 15) embora dolorosas.

Votos

- Meditar a Paixão e Morte de Jesus
- Oferecer o dia pelos Superiores
- Pedir a Maria a virtude heróica da obediência.


"Despojemo-nos das ações das trevas e vistamos as armas da Luz" Rm 13,12
CEFAS, oriundo do nome de São Pedro apóstolo, significa também um Acróstico: Comunhão para Evangelização, Formação e Anúncio do Senhor. É um humilde projeto de evangelização através da internet, buscando levar formação católica doutrinal e espiritual.