1 de mar de 2012

Coisas que dão medo...



Para quem gosta de escutar podcast e gosta de histórias de terror, assombração, de coisas estranhas, etc; Segue abaixo uma lista de alguns áudios de um bate papo no podcast Monalisa de Pijamas, que é um podcast secular feminino, mas que, de vez em quando, a Mafalda a Phoebe e a Eubalene, que são as autoras, se juntam para conversar sobre coisas estranhas e horripilantes... É a série "Coisas que dão medo". São várias histórias de arrepiar os cabelos...
Verdade ou não...

Aviso: Para os que têm medo... cuidado... Não escutem este áudio...

Para quem lhe dá com cura e libertação e estuda um pouco estas coisas na ótica cristã é muito interessante algumas histórias...

Abaixo listo os links da série para você baixar os mp3s. Eu recomendo escutar primeiro os três últimos episódios (108, 109 e #20), pois são mais brandos, muito engraçados e terminam com bonitas histórias de exemplos de ações dos anjos bons e anjos da guarda na vida de várias pessoas.

Segue abaixo a lista dos links:


Monacast 3- Coisas que dão medo!!









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29 de fev de 2012

Informativo Cléofas - 29/02/2012

Informativo Cléofas, 29 de Fevereiro de 2012- Ano VII- N°208

 

 

 

 

Notícias do Site Cléofas

 

+No Laos, Igrejas são confiscadas e cristãos definidos como "inimigos"

+Clínica de aborto nos EUA é fechada após orações de exorcismo

+Índia americana será canonizada

+ Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos lança olhar de esperança para o "Ano da Fé"

+Asia Bibi, cristã paquistanesa condenada à pena de morte pela lei da blasfêmia

+ Proposta quer liberar aborto a mulher sem 'condição psicológica'

+ Cresce ambiente de repulsa ao mandato abortista nos Estados Unidos

+ Vaticano dá prazo até 8 de abril para que Pontifícia Universidade no Peru seja verdadeiramente católica

+ O Conselho Constitucional da França e o Homossexualismo - Reflexão do Prof. Ives Gandra da Silva Martins

+Uma freira no Oscar!

 

 

O programa Escola da Fé, é exibido toda quinta-feira às 20h40 na TV Canção Nova (Link)


Para Meditar...


Quaresma, a luta contra o pecado

'Se não fizerdes penitência, todos perecereis'

Desde o início do Cristianismo a Quaresma marcou para os cristãos um tempo de graça, oração, penitência e jejum, com o objetivo de se chegar à conversão. Ela nos faz lembrar as palavras de Jesus: “Se não fizerdes penitência, todos perecereis” (Lc 13,3). Se não deixarmos o pecado, não poderemos ter a vida eterna em Deus; logo, a atividade mais importante é a nossa conversão, renunciar ao pecado.
Nada é pior do que o pecado para a vida do homem, da Igreja e do mundo, ensina a Igreja; por isso Cristo veio, exatamente, “para tirar pecado do mundo” (cf. Jo 1, 29). Ele é o Cordeiro de Deus imolado para isso.
São Paulo insiste: “Em nome de Cristo vos rogamos: reconciliai-vos com Deus!” (2 Cor 5, 20); “exortamo-vos a que não recebais a graça de Deus em vão. Pois ele diz: Eu te ouvi no tempo favorável e te ajudei no dia da salvação (cf Is 49,8). Agora é o tempo favorável, agora é o dia da salvação” (2 Cor 6, 1-2).
A Quaresma nos oferece, então, esse “tempo favorável” para deixarmos o pecado e voltarmos para Deus. E para isso fazemos penitência. O seu objetivo não é nos fazer sofrer ou nos privar de algo que nos agrada, mas ser um meio de purificação de nossa alma. Sabemos o que devemos fazer e como viver para agradar a Deus, mas somos fracos; a penitência é feita para nos dar forças espirituais na luta contra o pecado.
A melhor Penitência, sem dúvida, é a do Sacramento que tem esse nome. Jesus instituiu a Confissão em Sua primeira aparição aos discípulos, no mesmo domingo da Ressurreição (cf. Jo 20,22) dizendo-lhes: “A quem vocês perdoarem os pecados, os pecados estarão perdoados”. Não há graça maior do que ser perdoado por Deus, estar livre das misérias da alma e estar em paz com a consciência.
Além do Sacramento da Confissão a Igreja nos oferece outras penitências que nos ajudam a buscar a santidade: sobretudo as recomendadas por Jesus no Sermão da Montanha (cf. Mt 6,1-8): “O jejum, a esmola e a oração”, chamados pela Igreja de “remédios contra o pecado”.
Cristo jejuou e rezou durante quarenta dias (um longo tempo) antes de enfrentar as tentações do demônio no deserto e nos ensinou a vencê-lo pela oração e pelo jejum. Da mesma forma, a Igreja quer ensinar-nos como vencer as tentações de hoje. Vencemos o pecado praticando a virtude oposta a ele. Assim, para vencer o orgulho, devemos viver a humildade; para vencer a ganância devemos dar esmolas; para vencer a impureza, praticar a castidade; para vencer a gula, jejuar; para vencer a ira, aprender a perdoar; para vencer a inveja, ser bom; para vencer a preguiça, levantar-se e ajudar os outros. Essas são boas penitências para a Quaresma.
Todos os exercícios de piedade e de mortificação têm como objetivo livrar-nos do pecado. O jejum fortalece o espírito e a vontade para que as paixões desordenadas (gula, ira, inveja, soberba, ganância, luxúria, preguiça) não dominem a nossa vida e a nossa conduta.
A oração fortalece a alma no combate contra o pecado. Jesus ensinou: “É necessário orar sempre sem jamais deixar de fazê-lo” (Lc 18,1b); “Vigiai e orai para que não entreis em tentação” (Mt 26,41a); “Pedi e se vos dará” (Mt 7,7). E São Paulo recomendou: “Orai sem cessar” (I Ts 5,17).
A Palavra de Deus nos ensina: “É boa a oração acompanhada do jejum e dar esmola vale mais do que juntar tesouros de ouro, porque a esmola livra da morte, e é a que apaga os pecados, e faz encontrar a misericórdia e a vida eterna” (Tb 12, 8-9).
“A água apaga o fogo ardente, e a esmola resiste aos pecados” (Eclo 3,33). “Encerra a esmola no seio do pobre, e ela rogará por ti para te livrar de todo o mal” (Eclo 29,15).
Então, cada um deve fazer na Quaresma um “programa” espiritual: fazer o jejum que consegue (cada um é diferente do outro); pode ser parcial ou total. Pode, por exemplo, deixar de ver a TV, deixar de ir a uma festa, a uma diversão, não comer uma comida de que gosta ou uma bebida; não dizer uma palavra no momento de raiva ou contrariedade, não falar de si mesmo, dar a vez aos outros na igreja, na fila, no ônibus; ser manso e atencioso com os outros, perdoar a todos, dormir um pouco menos, rezar mais, ir à Santa Missa durante a semana… Enfim, há mil maneiras de fazer boas penitências que nos ajudam a fortalecer o espírito para que ele não fique sufocado e esmagado pelo corpo e pela matéria.
A penitência não é um fim em si mesma; é um meio de purificação e santificação; por isso deve ser feita com alegria.

 




Prof. Felipe Aquino


Pergunte e Responderemos

Como é marcada a data da Páscoa?


A Igreja acompanha o modo como os judeus antigos marcavam a Páscoa: o primeiro domingo após a primeira lua depois de 21 de março. Em função dessa data, que é móvel, são marcadas as demais datas, inclusive o carnaval; veja isto em um calendário com as fases da lua.

Prof. Felipe Aquino

 
 


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Blog do Prof. Felipe Aquino

 

Educação dos filhos

O fator mais importante na educação é que os pais saibam conquistar os filhos; não com dinheiro, roupa da moda, tênis de marca, etc., mas com aquilo que eles são; isto é, a sua conduta, a sua moral íntegra, a sua vida honrada e responsável e seu bom exemplo. O filho precisa ter “orgulho” do seu pai, ter “admiração” pela sua mãe, ter prazer de estar com eles, ser seus amigos. Assim ele ouvirá os seus conselhos e as suas correções com facilidade. Mas para conquistar o teu filho você não precisa gastar muito dinheiro com ele, mas terá de gastar muito tempo e dedicação.

Vi certa vez uma frase, em um adesivo de automóvel, que dizia: Adote o seu filho, antes que o traficante o faça. De fato, se não conquistarmos os nossos filhos, com amor, carinho e correção sadia, eles poderão ir buscar isto nos braços de alguém que não convém. É preciso que cada lar seja acolhedor para o jovem, para que ele não seja levado a buscar consolo na rua, na droga, na violência… fora de casa.Sobretudo é primordial o respeito para com o filho; levá-lo a sério, respeitar os seus amigos, as suas iniciativas boas, etc. Se você quer ser amigo do seu filho, então deve tornar-se amigo dos seus amigos, e nunca rejeitá-los. Acolha-os em sua casa.

Muitos pais erram ao mandarem os seus filhos para a casa dos outros para ficarem livres deles, ou para que não façam bagunça em casa; é um grande engano. Deixe que o seu filho traga os seus amigos para a sua casa; então, você os poderá conhecer e evitar as más companhias para eles.[...]




Prof. Felipe Aquino

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Livro da Semana

EM BUSCA DA PERFEIÇÃO


Em busca da perfeição é um livro de meditações semanais, baseada em trechos bíblicos, na oração e na tradição dos santos e doutores da Igreja.

Lendo com fé e com o coração aberto à graça de Deus, este livro irá ajudar o leitor, através da reflexão e da oração, a encontrar o caminho da vida, da alegria, da paz, do amor de Deus, do perdão, da cura, da bênção e da felicidade para si e para sua família.

Ficha Técnica
Editora: Cléofas
ISBN: 85-85592-34-6
Ano: 2007
Edição: 8
Número de páginas: 176
Idioma: Português (BR)
Acabamento: Brochura
Formato: 14x21 cm 

 

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Mandamentos, parte 06: Não pecar contra a Castidade

 

 

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Palestra- Cura e Libertação pela Eucaristia

Palestra- A Fé e a Razão em harmonia

Palestra- A Igreja Mãe e Mestra

Palestra- Como vencer a Depressão?

Coleção Família- Com 9 palestras abordando diversos temas sobre família
2 Cd's-Mp3

Coleção Curso Bíblico- Do Gênesis ao Apocalipse
11 Cd's-Mp3

 

Coleção Catecismo da Igreja Católica
11 Cd´s-Mp3

 


SHOPPING CLÉOFAS

 

Na escola dos Santos Doutores
14x21-216 páginas

Ensinamentos dos santos
14x21-136 páginas

 

A Intercessão e o culto dos santos
14x21-144 páginas

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Editora Cléofas - 2012

 

O Ritual – um filme sobre a Fé

Por Mafalda - do podcast Monalisa de Pijamas.





O filme O Ritual conta a história de  Michael Kovak (Colin O’Donoghue): um rapaz  que para fugir de um pai severo e controlador, resolve entrar no seminário até o momento de “confirmar e jurar os votos”.
Mas antes que ele consiga sair , o  padre superior o manda para a Itália, para fazer um curso sobre Exorcismo no Vaticano.
Chegando lá, o rapaz terá a sua fé colocada a prova, ao presenciar os exorcismos do Pe. Lucas (Anthony Hopkins) e vivenciar situações sobrenaturais.

Baseado em fatos reais presenciados pelo jornalista Matt Baglio, que escreveu a experiência no livro “O Ritual” (The Rite), o filme – de mesmo nome -  não é um clássico filme de terror, que levará o espectador a sustos a cada momento. Trata-se muito mais de um filme sobre a Fé.
Os personagens dos dois padres são também inspirados em pessoas reais. Já a jornalista de Alice Braga foi criada para o filme.
Anthony Hopkins, no papel do padre Lucas, faz um padre meio amalucado, que o espectador  fica em dúvidas se ele tem noção do que está fazendo.
Essa dúvida, essa impressão “de estar tudo no ar” que Pe. Lucas  passa, provavelmente é intencional para mostrar o que vai acontecer com o personagem no meio para o final do filme.
O diretor Mikael Hafström retrata direitinho o que é um exorcismo. E  a história é tratada de forma mais realista, sem pessoas virando monstros e com o jovem padre sempre levantando a questão psicológica e psiquiátrica da pessoa possuída.
Considerando que é um filme inspirado em fatos reais, para quem se interessa pelo tema sobrenatural, vale a pena assistir.
E este filme lembrou-me de duas coisas que já tinha visto antes:
A primeira é este artigo intitulado “As perguntas dos Psiquiatras e as respostas do Pe.Gabriele Amorth” – Famoso Exorcista da diocese de Roma.
E a segunda: o seriado inglês Apparitions . Muito bom! Pena que durou só uma temporada.

As perguntas dos psiquiatras e as respostas do Padre Gabriele Amorth


PADRE GABRIELE  AMORTH
Famoso Exorcista da diocese de Roma.
1ª-Pergunta –Gostaria de saber se, na sua perspectiva, existem traços típicos que caracterizam as pessoas que, mais tarde, apresentam sintomas de possessão; ou seja, se, entre as pessoas por si diagnosticadas como endemoninhadas, existiam anteriormente comportamentos que as tornavam mais vulneráreis? Ou se a possessão atinge as pessoas ao acaso. Pergunto-lhe ainda se estes fenômenos de possessão também se verificam em ateus ou declaradamente ateus. Uma última curiosidade: já li qualquer coisa a respeito de perturbações especificas ligadas a estes fenômenos, como, por exemplo, a glossolalia (capacidade de falar em línguas desconhecidas) ou a levitação. Já observou casos destes?
Resposta –São várias perguntas interessantes. Começo pela última curiosidade. Sim, já encontrei fenômenos de pessoasque durante os exorcismos falavam outras línguas ou línguas estranhas; também presenciei fenômenos delevitação e de força gigantesca. Mas estes fenômenos sozinhos não são suficientes para poder se afirmar se o caso é de possessão diabólica;são necessárias condições especiais e a integração com outros elementos de avaliação.
Um exorcista está habituado a ver fenômenos estranhos em grande quantidade e de tal maneira que se não os tivesse visto não acreditaria neles. Como, por exemplo, pessoas que durante os exorcismos cospem pregos, vidros, madeixas de cabelos, as mais variadas coisas.
Ou, então, a presença, em travesseiros ou colchões, de ferros retorcidos, de cordas com nós, de trançados muito apertados em forma de terço, de animais pré-históricos feitos de material semelhante ao plástico… O caso mais grave que estou acompanhando é o de uma pessoa de quem o demônio disse que fará vomitar um aparelho de rádio; já vomitou quase dois quilos de material.
Destaco que os objetos vomitados se materializam no instante em que saem da boca.Observei isso claramente num jovem que cuspiu pregos na mão; até o último instante tive sempre a impressão de que cuspia saliva. Assim se explica por que razão a pessoa nunca tem danos físicos, mesmo quando cospe pedaços de vidro grosso e cortante. São fenômenos paranormais. É importante levar em conta a modalidade;certos objetos que encontramos nos travesseiros são sinais evidentes de feitiços, ou seja, são resultados de malefícios.
Respondo agora à primeira pergunta:todas as pessoas podem ser atingidas pela possessão diabólica de manifestação,principalmente os descrentes, os ateus, os não praticantes, porque se encontram mais indefesos.
E o exorcista pode exorcizar quem quer que seja: aos meus serviços, por exemplo, já recorreram muçulmanos, budistas, pessoas sem qualquer tipo de credo religioso. Naturalmente, ao pediram a cooperação necessária, me adapto de acordo com a pessoa que tenho à minha frente: recomendo a cada qual que siga com fidelidade a própria fé religiosa ou as suas convicções morais.
Não existem predisposições dependentes, por exemplo, a fragilidade do sistema nervoso ou a hereditariedade. Pelo contrário,existe o perigo de que uma pessoa se exponha à possessão diabólica, por exemplo, freqüentando sessões de espiritismo ou seitas satânicas.É importante saber que a possessão diabólica não é um mal contagioso: não existe perigo algum, nem para os familiares, nem para os lugares que freqüentam. Pode se casar, ter filhos, sem nenhum perigo de contágio. Podemos dizer, de um modo geral, que o demônio não pode nos fazer nada sem o nosso consentimento.
Por exemplo, veio me procurar uma moça que,por pura curiosidade, tinha assistido a uma missa negra. Não conseguia estudar, se concentrar e tinha crises repentinas de violência, como nunca havia acontecido antes.Neste caso, a causa era evidente e erauma causa culpável.
A respeito da culpabilidade, excetua-se o campo dos malefícios, em que agora não me aprofundarei por ser um campo bastante vasto e que foge do nosso tema principal. Diga-me se respondi suficientemente a todas as suas questões.
Pessoa que formulou a pergunta
-Sim, sinto-me satisfeito. (Esta é sempre a gentil declaração que ouço após as minhas respostas, por isso, de agora em diante não voltarei a repeti-la. Digo apenas, com a fraqueza que me é habitual, que encontrei mais interesse e mais crédito ao falar a estes grupos de psiquiatras, do que quando falo a grupos de sacerdotes.)
2ª-PerguntaSobre algumas coisas, admito que estou de acordo com o padre Amorth. Mas já não concordo em considerar equivalente, num certo sentido,a Igreja e o manicômio: o primeiro, como lugar do exorcismo contra o demônio, o outro, como lugar da cura da loucura. Concordo que ambos trabalhem em função do homem.
Procedo do positivismo médico; sou um descrente. Mas acredito no homem, por isso, de um ou de outro modo, trabalhamos para o mesmo fim; o senhor, padre, com o exorcismo e nós, de outra maneira.
Os psiquiatras, por vezes, foram acusados de não saberem fazer a distinção entre uma alucinação, um efeito paranormal e um estado de êxtase. É sempre bom esclarecermos, porque ninguém tem o monopólio do saber. Vem à minha mente a frase de Hamlet: “Existem mais coisas entre a terra e o céu do que as que sonha a nossa vã filosofia”. Por isso que é sempre necessário muita humildade.
Tenho que destacar a prudência que o padre Amorth demonstra. Eu tenho uma paciente que foi ao seu encontro porque supunha que estava possuída pelo demônio. Percorrendo o itinerário que a tinha levado ao exorcista, tive dificuldade em perceber por que razão o padre Amorth não a tinha exorcizado, enviando-a, ao contrário, a um psiquiatra.
Depois, lentamente, fui percebendo a razão: existem duas estradas a percorrer.A sua tarefa é a de expulsar os demônios, a minha é a de reconstruir a pessoa.Esta pessoa, que não é psicótica nem neurótica, teve necessidade de passar pelo padre Amorth antes de chegar até mim.E compreendo tambéma importância da fé.Todos nós poderemos constatar que temos extrema facilidade emcurar pessoas que têm fé.
Alguns dos casos mais difíceis que tratei foram, precisamente, de casos depadres deprimidos. Gostaria de concluir dizendo que existem seguramente pontos de contato entre o exorcista e o psiquiatra, mas também entre o psiquiatra e o médico tradicional.
Resposta –Obrigado pela sua intervenção.Realmente é necessário mútua compreensão para sermos ainda mais úteis para os doentes.Descobrem-se mundos novos. Coisas difíceis de acreditar. Certo dia, o padre Cândido estava exorcizando uma moça, estudante universitária, que apresentava sintomas certos de possessão diabólica, mas também sinais certos de desequilíbrio psíquico.
O padre Cândido pediu ajuda a um amigo e marcaram um encontro. O psiquiatra tinha uma escrivaninha que era muito grande e, por isso, a moça estava sentada à sua frente mas ainda bastante distante. No fim da conversa, o psiquiatra disse a ela: “Menina, vou receitar estes medicamentos para você”, e começou a escrever a receita.
Nesse momento, aconteceu um fato estranho. Sem se mexer da cadeira, a moça esticou o braço, que ficou muito comprido sob o olhar estupefato do psiquiatra (“quase dois metros”, dirá ele mais tarde), pegou a receita que o médico estava preenchendo, rasgou-a e atirou-a para o cesto de lixo dizendo com voz profunda:“Esta porcaria não me serve para nada”. O padre Cândido ria muito ao contar do susto que tinha passado o seu amigo médico, que nunca mais quis saber nada da moça, nem de nenhum outro paciente do exorcista.
São fatos perante aos quais um exorcista não se espanta, pois está constantemente acostumado a lidar com eles. Mas é bom que também o psiquiatra os conheça para poder intervir no âmbito que é de sua competência.
3ª- Pergunta-Antes de mais nada, quero agradecer ao padre Gabriele Amorth por tudo o que nos disse. A minha pergunta é estritamente técnica a respeito da função do psiquiatra nesses casos. Gostaria de saber qual a responsabilidade individual destas pessoas, que interesses tem o demônio; as causas que levam uma pessoa ficar possuída pelo demônio.
Resposta –São três perguntas muito interessantes e sinto ter de resumir as respostas em tão pouco tempo. Começo pela última pergunta, que também esclarece a primeira. São quatro as causas que podem levar à possessão diabólica ou a perturbações de natureza maléfica; duas causas são inculpáveis; por isso não existe responsabilidade; duas causas são culpáveis; por isso a responsabilidade humana é evidente.
A)Pode se tratar de simples permissão de Deus, do mesmo modo como Deus pode permitir uma determinada doença.A finalidade é dar à pessoa uma oportunidade de purificação e de méritos.Poderia apresentar uma longa lista de santos e de bem-aventurados que sofreram períodos de possessão diabólica (Santa Gemma Galgani, a bem-aventurada Ângela de Foligno, o bem-aventurado Padre Calábria…). Pode se tratar apenas de perturbações maléficas, tais como pancadas, quedas ou coisas semelhantes; temos exemplos famosos deste tipo de fenômenos navida do Santo d’Ars e do Santo Padre Pio.
B)A causa pode ser dada por um malefício de qual se é vítima:não há culpa por parte da vítima, mas existe culpa por parte de quem o provoca. Até mesmo a pessoa mais inocente (por exemplo, um bebê ainda no seio materno) pode ser atingida por um maléfico, que é definido como:fazer mal por meio do demônio.
E pode ser colocado em prática de muitas maneiras: feitiço, pactos, maldições, mau-olhado, macumba… Aqui entramos no grande campoda magia e da bruxaria, que nos levaria para longe do nosso tema. Limito-me a dizer que Deus criou o homem livre;livre até de fazer mal às outras pessoas. Assim como posso pagar a um assassino para que mate uma determinada pessoa, do mesmo modo posso pagar a um indivíduo ligado ao demônio para que faça um malefício contra alguém.
C)Freqüentar pessoas e lugares perigosos.Quem consulta magos, cartomantes, bruxos; quem participa em sessões de espiritismo ou faz parte de seitas satânicas; quem se dedica ao ocultismo, à necromancia (mesmo sob a forma de psicografia, atualmente muito difundida):todas estas pessoas se expõem ao risco(embora na maior parte das vezes não sofra as conseqüências) de receber influências maléficas e mesmo a possessão. É evidente nestes casos aplena responsabilidade do indivíduo,por vezes provocada com absurda vontade:por exemplo, no caso do pacto de sangue com o diabo.
D)Também a quarta causa implica plenamente a responsabilidade do indivíduo. Pode-se cair em malefícios pela persistência, em culpas graves e múltiplas.Creio que é o caso evangélico de Judas,de quem se diz no fim:“Satanás entrou nele”. Tive casos de jovens usuários de droga e sobretudo culpados de delitos e perversões sexuais, culpas graves e persistentes queos tornaram escravos do demônio. Também já experimentei a grande dificuldade que é libertar mulheres que, para além de outros motivos que tinham provocado a possessão, tinham realizado abortos.
Respondo, enfim, a segunda questão:que interesse tem o demônio. Nenhum interesse,mas age por pura perfídia.É a verdadeira falsidade demoníaca, que quer o mal pelo mal, mesmo em próprio dano. Certo dia, interroguei um demônio: “Você paga com um aumento de penas eternas todos os sofrimentos que provocas a estas pessoas. Tem todo o interesse em ir embora o mais rápido possível”. Respondeu-me:“Não me interessam as penas que tenho de sofrer; me basta fazer sofrer esta pessoa e destruí-la”.
Nós podemos compreender, mesmo desaprovando, o delinqüente que mata um homem para o derrubar. Mas nunca chegaremos a compreender a perfídia do demônio que se encarniça contra o homem, eventualmente com o objetivo de desprezar Deus, travando os seus planos de felicidade e bem, mas em dano próprio.
4ª- Pergunta –Na minha longa experiência sempre me abstive de fazer investigação como curioso; procurei sempre, pelo contrario, manter-me atualizado. Hoje vim aqui a convite do prezado Doutor Tamino; e, no entanto, comecei a anotar muitas coisas e a surgirem muitas dúvidas. Vou apresentar apenas algumas.
Antes de tudo, está fora de questão que o psiquiatra, mais do que todos os outros, tem de terconsciência dos enormes limites da ciência. Lembro-me de um grande estudioso francês que falava das vantagens da ignorância, ou seja, de considerar-se ignorante;quando uma pessoa se considera sábia não aprende mais nada.
Gostaria que me dissesse mais alguma coisa a respeito da possessão e dos malefícios. E também a respeito dacolaboração que se requer do endemoninhado para que seja curado, o que isso significa? Já tive experiência destas possessões e gostaria de saber, também, a opinião dos outros: é que entre as formas que já encontrei na minha vida profissional e as que hoje aqui foram relatadas, há bem pouco em comum.
Resposta –Muito obrigado. Certamente que o pouco tempo disponível não permite responder completamente a questões tão profundas. Aquilo que relatei não combina com a sua experiência. Seria interessante fazer uma comparação, porém, limito-me a uma observação: os fatos naturais são caracterizados por uma certa repetição que, no fim das contas, permite a formulação de leis, de critérios, também em campo médico.
Deste modo, a partir da experiência, nasce a ciência. Mas aqui não. Não existem dois casos iguais. Mesmo entre exorcistas, as experiências são de tal maneira diferente que por vezes é difícil entendermos.
Mais algumas palavras a respeito da possessão,que é a forma mais grave.O demônio é puro espírito, na realidade, é uma força demoníaca que se apodera de uma pessoa e fala ou age servindo-se dos órgãos desta pessoa, mas valendo-se do seu conhecimento e força. Por isso pode revelar coisas ocultas; pode falar todas as línguas ou línguas que desconhecemos; pode manifestar uma força extraordinária, impossível, humanamente falando.
Um amigo, exorcista em Roma há muito tempo, estava exorcizando um jovem numa Igreja. A certa altura, este jovem levantou-se e começou a subir, a subir até que a sua cabeça tocou no teto da Igreja. Imaginem o terror que experimentaram os que presenciaram a cena, o medo de que o seu familiar caísse de repente e se arrebentasse no chão. O exorcista fez um gesto para tranqüilizá-los e continuou firme com o exorcismo, como se nada de mais estivesse acontecendo.
Mais para o fim das orações, aquele jovem começou a descer lentamente e, no final do exorcismo, já estava de novo sentado. Não percebeu nada.São fenômenos que ocorreram, e que não podem ter explicação natural. Mais difícil é verificar a relação com os malefícios.
Já a Bíblia diz, no livro do Êxodo, quando descreve que os fatos prodigiosos que Moisés realiza perante o Faraó, por ordem de Deus e com a força de Deus, tambémsão realizados pelos magos, com a força do demônio:transformar a água em sangue, o bastão em serpente, provocar a invasão de rãs…O demônio também tem o poder de provocar doenças.
Jesus curou muitos surdos e mudos, que tinham sido atingidos por malefícios; certa vez, curou um surdo-mudo expulsando o demônio que tinha se apoderado dele:neste caso, o mal era resultante de uma presença demoníaca.
O padre Cândido, com seus exorcismos, curou muitas doenças e, até, tumores no cérebro.Já me aconteceu, várias vezes, fazer desaparecer cistos dos ovários, na véspera de uma operação.Naturalmente quesão fatos que ocorrem apenas a pessoas já afetadas por malefícios.
O Evangelho sugere o critério:a árvore é conhecida pelos frutos.Até os médicos, muitas vezes, fazem experiências com os medicamentos e percebem que, se um dá resultado positivo, prosseguem com esse tratamento; caso contrário, substituem-no.Eu costumo ser abrangente na administração dos exorcismos e, depois, para avançar,me prendo ao efeito provocado.
Uma palavra também sobre a colaboração que se espera de uma pessoa possessa.Estamos em um campo no qual a cura é a oração, é a intervenção divina. Por isso, pedimos a quem é vítima de malefícios que se reconcilie com a lei de Deus (freqüentemente o ponto de partida é uma boa confissão), que intensifique a oração e a freqüência aos sacramentos, que aprofunde a própria cultura religiosa. E estes meios comuns da graça não são apenas de ajuda; por vezes, são suficientes para fazerem cessar as perturbações.
5ª-Pergunta –Existem possessões mais ou menos graves? O demônio pode dar poderes, benefícios?
Resposta –Existe umavasta série de possessões diabólicas, diferentes em intensidade e em manifestações. Existe diferença de intensidade.
Veio me procurar, uma jovem de 15 anos, que há alguns diastinha ido assistir, por curiosidade, a um ritual satânico. De volta para casa,ficou furiosa, dava pontapés e arranhava os familiares que procuravam detê-la, cuspia neles.
Foram suficientes poucos minutos de exorcismospara que fosse completamente libertada. Outras vezes, somam-sevárias causas, em diferentes idades da vida, e quando a pessoa vem procurar o exorcistaé necessário sanar toda uma série de feridas, exigindo, deste modo, um tratamento de muitos meses, freqüentemente muitos anos, para atingir a plena libertação.
Existemtambémgrandes diferenças nas manifestações externas. Cito dois casos extremos. Há pessoas que se tornam furiosas, com uma força sobre-humana, gritam e procuram se atirar contra os presentes; contudo,também já tive casos de absoluta imobilidade e silêncio, com uma total falta de reações externas, que exigiram grande esforço e a colaboração de muitos elementos para compreender que setratava realmente de uma possessão diabólica. Entre estes casos extremos, há espaço para uma série de variações intermediarias.
Outra situação é a de quem consegue realizar completamente os seus compromissos profissionais e familiares, e afazeresde modo que ninguém tome conhecimento do seu mal; diferente é a condição de quem não é capaz de fazer nada, de quem tem necessidade de assistência contínua e, por isso,sente um tédio mortal para com a vida.
Passando à outra pergunta:sim, o demônio pode dar poder e benefícios.É o que faz, por exemplo,com todos os magos e bruxos:o poder da adivinhação e de provocar perturbações; pode tambémdar vantagens materiais de riqueza, sucesso, prazeres.
Mas uma vez que o demônio apenas pode fazer mal e querer o mal, combina sempre estes dons com grandes sofrimentos. Por isso, aqueles que pedem dons a satanás fazem um péssimo negócio: vivem o inferno já nesta terra e, se não se converterem, irão vive-lo na outra vida também.
6ª-Pergunta –Vamos dar um exemplo: uma pessoa possuída pelo demônio recebe um mal físico que exige intervenção cirúrgica; quais são as conseqüências?
- Pode haver conflito entre um exorcista e um médico, com evidente prejuízo ao paciente, se o exorcista considerar que se encontra diante de um malefício, que pode ser curado com o exorcismo, e o médico considerar, pelo contrário, que se trata apenas de um mal natural, que deve ser curado por via médica?
Resposta –São possíveis surpresas, mas não são possíveis conflitos entre médicos e exorcistas. Esta, pelo menos, é minha experiência pessoal e dos exorcistas que conheço.
Surpresas: tive alguns casos nos quais o cirurgião, dando continuidade aos preparativos para a operação,não encontrou nada daqueles males que as análises, a ecografia, a TAC e a ressonância magnética revelaram. Em todos os casos, havia um mal (por exemplo, cistos), mas que surgiram imediatamente após a operação. Mas são casos muito raros.
Já no que diz respeito à possibilidade de conflito entre médicos e exorcistas, nunca tive conhecimento de nenhum.Isto porque, fundamentalmente, trabalham em campos diferentes. Jamais me senti no direito de dizer a um médico o meu parecer, ou de interferir nas decisões dele. Na maior parte das vezes, tive casos emque suspeitava de malefíciose esperavaque se evitassem determinadas intervenções cirúrgicas; e, de fato, ocorriam mudanças nos dados das análises, o que levava os cirurgiões a decidirem não intervir.
Posso dizer que me encontrei muitas vezes a colaborar, indiretamente, com os médicos, sem que nunca nos encontrássemos e sem que eles soubessem da minha existência ou do fato que o paciente recebia exorcismos realizados por mim.Creio que este também é um importante ponto de encontro, embora inconsciente:o respeito mútuoque faz com que cada qual atue na própria área de intervenção;e o encontro é dado pelas vantagens que o doente recebe, sendo beneficiário tanto dos cuidados médicos como da intervenção dos exorcistas.
7ª- Pergunta –Uma curiosidade pessoal. Gostaria de saber com que critérios de escolha é que chegou a este tipo de atividade, e se sofreu danos pessoais. E, antes ainda, gostaria de saber da cultura, do ambiente onde vive; por exemplo, a comparação de alguém que vive em Londres com alguém que vive em uma tribo africana.
Resposta –Considero muito importantefazer estas distinções.
A cultura pessoal e o ambiente, mais ou menos avançado, em que se vive,não têm nenhuma influência nem sobre as eventuais perturbações, não têm nenhuma influência nem sobre as eventuais perturbações, nem sobre os remédios que as pessoas procuram nos exorcistas ou nos magos e nos bruxos.
Tanto nós, como eles, somos visitados por operários, agricultores, domésticas, profissionais liberais, industriais, políticos… Tive o caso de um engenheiro eletrônicoque tinha pago vinte mil euros por um amuleto(um saquinho com um cordel cheio de nós),que devia tê-lo libertado de todos os seus problemas.
O progresso técnico e a cultura não têm qualquer influência; verificamos a existência deste fato por todo o lado: tanto na Inglaterra como em Portugal, nos Estados Unidos como na África ou na Índia.
Também a religião tem pouca influência e convive tranquilamente com asvárias formas de superstição,embora as combata como pecados de idolatria.As pessoas vão à igreja e depois à bruxaria, com a maior naturalidade.
Sabemos que no mundo tecnicamente mais evoluído, a página dos jornais diáriosmais lida é a do horóscopo; foram feitas estatísticas bem precisas a este respeito.
Não esqueçamos que aluta contra o demônio e contra os espíritos maléficosfoi sempre conduzida, junto de todos os povos,ainda antes que existisse o povo judeu; naturalmente que cada qual seguia as convicções e os métodos do seu ambiente cultural.
O surgimento do cristianismoe de outras grandes religiõestiveram escassa influência na mudança da mentalidade.
Agora respondo à pergunta sobre como me tornei exorcista. Foi por acaso; não foi uma escolha minha. Tinha ido visitar o Cardeal Hugo Poletti, para cumprimentá-lo e alegrá-lo um pouco com a minha maneira brincalhona de ser, quando no meio da conversa surgiu o nome dopadre Cândido Amantini: Você conhece o padre Cândido:Doente como está precisa mesmo de alguém que o ajude”.
Começou a escrever numa folha (evidentemente que me conferia a condição de exorcista), sem prestar atenção aos meus protestos. Acrescento também que danos à minha pessoa nunca sofri;trato o demônio com a autoridade porque é ele que tem medo de mim e de qualquer homem, criado à imagem de Deus.Muito mais, tem medo de um cristão, que a partir do Batismo ficou com o selo da Santíssima Trindade.
8ª- Pergunta –Muitas pessoas falam demais sobre os demônios. Porque não falar, igualmente, dos espíritos bons, já que também existem?
RespostaVocê tem razão.O demônio sempre se fez notícia; os anjos, pouco. Recordo-me daquele provérbio chinês, que agora também está de moda entre nós:“Faz mais barulho uma árvore que cai do que uma floresta que cresce”.
Os anjos existem,são muito mais ativos do que os demôniose,na outra vida, poderemos verificar de quantos perigos nos defenderam;até de perigos materiais.
Quando penso, por exemplo, nas imprudências e nos riscos que consegui superar em quarenta anos da carta de habilitação, conduzindo nem sempre da maneira mais correta,tenho mesmo que agradecer ao meu anjo da guarda.
Mas tomar consciência do bem é mais difícil do que percebermos o mal. Até no campo dos males físicos: lamentamo-nos se temos um mal (por exemplo, dor de dentes) e não pensamos em todos os nossos órgãos que funcionam bem.
Agradeço à pergunta que me apresentou porqueme permite recordar que os anjos existem;defendem-nos dos perigos, dão-nos boas inspirações, ajudam-nos nas nossas atividades, apóiam-nos na adversidade. É realmente injusto não falar mais sobre eles.
9ª-PerguntaMais uma pergunta sobre a ação do demônio. Certamente que não tem interesse algum em encontrar-se com um exorcista. Gostaria de saber se os endemoninhados vêm ao seu encontro espontaneamente ou a força.
RespostaA pessoa endemoninhada sofre,e deseja ir ao encontro do exorcista para ser curada, ou seja, libertada. Mas é verdade que encontra dificuldades, especialmente no último momento. Em muitos casos,se os atingidos não forem ajudados não conseguem chegar ao exorcista.
Durante os exorcismos o demônio fica mais feroz do que em qualquer outro momento. E então,antes de começar o exorcismo, começam as perturbações. Há quem chegue até mim serenamente e não apresente dificuldades iniciais; há quem chegue até mim em estado de transe, tendo sido mesmo arrastado a força durante a última parte do trajeto; há quem gostaria de fugir enquanto espera pelo exorcismo, e fugiria mesmo se não fosse agarrado. E há quem sai de casa para vir se encontrar comigo, mas depois não consegue mudar a direção.
Depois, e de um modo geral, no fim do exorcismo as pessoas regressam as suas casas, serenas, contentes por terem vindo; em todo o caso, mesmo percebendo as vantagens do exorcismo, sentem tantas dores durante o desenrolar do ritual que acabam até dizendo: “Aqui é que eu não volto mais!”Mas, pelo contrário, são as pessoas mais fieis em regressar.
Acrescento que é muito importante o auxílio que depois o possuído dá a si próprio (através da oração, da freqüência aos sacramentos…) ou que recebe dos outros:bênçãos, orações de libertação, etc.
10ª- Pergunta –Mas é assim, tão importante, a colaboração da pessoa endemoninhada? Se há uma presença externa que não depende dela, deveria poder ser libertada.
RespostaSim, a colaboração é muito importante. Eu costumo dizer, dado que já quase toda gente tem experiência destas coisas, que é um pouco como libertar um toxicodependente:se colaborar pode chegar à cura,caso contrário, não.Digo-o também ao interessado:a luta e a vitória contra o demônio é você quem a conduz; é você que se liberta, eu apenas posso lhe ajudar.Porque aqui é necessário a ajuda de Deus: quem liberta é o Senhor.E obtém-se auxílio quando se reza e quando se afastam os obstáculos a ação da graça: por uma injustiça grave que deve ser reparada.Para obter o auxílio de Deus a oração é fundamental.Digo muitas vezes que o maior obstáculo que nós exorcistas encontramos é apassividade das pessoas, apretensão de ser libertado sem o esforço próprio.
11ª- Pergunta –Gostaria de voltar à tipologia de fenômenos de que se falou, como a glossolalia, a levitação, etc. São fatos que me impressionam porque já pude observá-los em outro contexto completamente diferente do da possessão diabólica; encontramos exemplos destes fenômenos na literatura psicanalítica.
Carl Jung fala a este respeito e dá uma explicação em que formula a hipótese de forças e energias que se libertam.Parece-me que o Padre Amorth faz a distinção entre fenômenos demoníacos, fenômenos paranormais e fenômenos psiquiátricos.Esta distinção baseia-se numa evidentediferenciação fenomenológicaque, porém, possui igual substancialidade energética, ou trata-se de uma diferenciação substancial em que se liberta uma energia totalmente diferente, de outra natureza?
RespostaA diferença é substancial porquehá uma substancial diferençade causa.Nos fenômenos denatureza maléfica,a causaé a presença do demônioe aeventual energia que se liberta provém do demônio.Por isso,só a oração e os exorcismos não são eficazese os males continuam, quer dizer quea causaé diferente:psíquica ou parapsicológica.Por isso, não se trata de energias de intensidade diferente, mas de energias de natureza diferente, de proveniência diferente.
12ª- Pergunta –No caso que citou, do levantamento de um grande peso, pareceu-me entender que na sua perspectivanão existe uma diferente intensidade de força, mas trata-se apenas de um fenômeno de natureza diferente.
RespostaExato. Neste momento, estamos perante a dificuldade que existe em catalogar determinados fenômenos.Porque mesmo que a fenomenologia seja idêntica,a causa pode ser substancialmente diferente.
Foi por este motivo que citei o exemplo bíblico de Moisés que, com a força de Deus,realizava os mesmos prodígiosquedepois dos magos egípcios realizavam com a força do diabo. Podemos-nos encontrar perante dois fenômenos idênticos:um de caráter maléficoe o outro de caráter paranormal.
Como podemos distinguir a causa que os diferencia?Antes de mais a modalidade de manifestação.Por exemplo,se uma pessoa manifesta uma força anormal apenas durante o exorcismo.E, mais,se existem, eventualmente, outros fenômenos suspeitos. Por exemplo, se a mesma pessoa, durante os exorcismos, quando é aspergida com água-benta, reage como se estivesse a ser queimada.
Certamente queisto não acontece com pessoas que estão experimentando certos fenômenos de caráter parapsicológico. Acrescento ainda:a eficácia dos meios de cura.
Se uma pessoa age sob a influência de poderes maléficos, os exorcismo produzem efeito na pessoa, enquanto que as outras curas de índole natural não produzem efeitos.
A ciência médica e os poderes parapsicológicos(como a pranoterapia, por exemplo)influem sobre os poderes naturais, mas não produzem qualquer efeito sobre os maléficos.Também por isto se vê que a diferença é substancial e não apenas fenomenológica.


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"Despojemo-nos das ações das trevas e vistamos as armas da Luz" Rm 13,12