26 de out de 2013

Desmistificando "um tipo" São Francisco que nunca existiu


Por: Eduardo Moreira

Os adeptos do modernismo, da Teologia da Libertação e das correntes de pensamento ligadas à defesa extremada dos animais e da natureza tentam muitas vezes usar figuras populares da Igreja Católica para justificar seus péssimos procedimentos. Dentre esses procedimentos está o hábito de dizer que não se devem usar paramentos litúrgicos luxosos e para defender essa posição alegam que São Francisco, um dos sublimes santos que já existiram, viveu pobre.
Que São Francisco viveu pobre, isso é fato. Coisa bem diferente era sua posição quanto aos paramentos litúrgicos. O que lhe faltava em riqueza própria era dado por ele mesmo ao Santíssimo Sacramento da Eucaristia. Abaixo divulgamos uma carta desse santo aos membros de sua ordem onde ele mesmo defende o uso do luxo no Culto Divino.


Carta de São Francisco aos Custódios da Ordem Franciscana, sobre o Culto Divino.

               “A todos os Custódios dos frades menores que receberem esta carta, Frei Francisco, pequenino servo vosso em Jesus Nosso Senhor, deseja a salvação com os novos sinais do céu e da terra, que, grandes e excelentíssimos aos olhos do Senhor, são contudo tidos em conta de vulgares por muitos religiosos e outros homens.
               Peço-vos ainda com mais insistência do que se pedisse por mim mesmo, supliqueis humildemente aos clérigos, todas as vezes que o julgueis oportuno e útil, que prestem a mais profunda reverência ao Santíssimo Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo bem como a seus santos nomes e palavras escritos, que tornam presente o seu Sagrado Corpo.
               Os cálices e corporais que usam, os ornamentos do altar, enfim tudo quanto se relaciona ao sacrifício, sejam de execução preciosa.
               E se em alguma parte o Corpo do Senhor estiver sendo conservado muito pobremente, reponham-no em lugar ricamente adornado e ali o guardem cuidadosamente encerrado segundo as determinações da Igreja, levem-no sempre com grande respeito e ministrem-no com muita discrição.
               Igualmente os nomes e palavras escritos do Senhor deverão ser recolhidos, se encontrados em algum lugar imundo, e colocados em lugar decente.
               E em todas as pregações que fizerdes, exortai o povo à penitência e dizei-lhe que ninguém poder salvar-se se não receber o Santíssimo Corpo e Sangue do Senhor.                                                                                                                                              .              E quando o sacerdote o oferecer em sacrifício sobre o altar, e aonde quer que o leve, todo o povo dobre os joelhos e renda louvor, honra e glória ao Senhor Deus vivo e verdadeiro.                                                                                                    
               Anunciai e pregai a todo o povo o seu louvor, de modo que a toda hora, ao dobrar dos sinos, o povo todo, no mundo inteiro, renda sempre graças e louvores ao Deus onipotente.                                                                                                                                     
                 E todos os meus Irmãos custódios que receberem esta carta e a copiarem e guardarem consigo e a fizerem copiar para os Irmãos incumbidos da pregação e do cuidado dos Irmãos, e pregarem até o fim o que nela está escrito, saibam que terão a bênção do Senhor Deus e a minha.

               E isto lhes seja imposto em virtude da verdadeira e santa obediência. Amém.
Fonte: http://www.apostoladoscr.com.br/2013/10/desmistificando-um-sao-francisco-que.html


26 de set de 2013

Pornografia é uma das maiores ameaças ao Cristianismo


Shane Morris
21 de novembro de 2012 (Breakpoint.org) — A pornografia está em toda parte por aí, e não vai desaparecer logo. Por isso, para ajudar seus filhos a se guardarem contra ela, você precisa prepará-los. De acordo com Josh McDowell, autor de livros que incluem “Evidência que Exige um Veredicto” e “Mais que um Carpinteiro”, que voltou sua atenção ultimamente para a devastação da pornografia na nossa cultura e na Igreja, considerando-a entre as maiores ameaças ao Cristianismo que já vimos.
Josh McDowell
Explicando o motivo por que ele decidiu tratar da questão da pornografia, Josh disse numa entrevista para John Stonestreet de Breakpoint como ele sentiu uma barreira para seu trabalho apologético que nada tinha a ver com a defesa da fé em si.
“Sou um apologeta”, diz Josh. “Apresento razões positivas por que acreditar, a fim de ver jovens virem a Cristo. Mas cerca de cinco ou seis anos atrás, fiquei sentindo que há um problema em toda parte. Quando eu tinha interação com jovens, algo havia se tornado uma barreira. Percebi que era imoralidade sexual e pornografia intrusiva e generalizada na internet. Como apologeta, a única coisa que pode minar tudo o que ensino não está na área da apologética, mas na área da moralidade. Se você não lida com essa questão, você não cumprirá seu papel como um apologeta bíblico”.
Sean McDowell, filho de Josh, é diretor do departamento bíblico da Faculdade Cristã do Vale de Capistrano. Ele também é autor, palestrante e apologeta em seu próprio mérito, e ele trabalha com jovens em tempo integral. Nesse processo, Sean coletou uma lista interminável de casos tristes de rapazes e moças cristãos que na aparência eram modelos, mas que caíram na armadilha armada contra eles por uma cultura saturada de sexo e lascívia.
E esse é exatamente o problema. Os primeiros pontos que Josh e Sean McDowell esperam comunicar aos pais, pastores e professores é que no mundo de hoje, a maioria das crianças e estudantes não está atrás da pornografia. “A pornografia está atrás deles”, diz Josh. “Dos adolescentes que viram pornografia, entre 75% e 91% não estavam em momento algum atrás dela. Pesquisadores mostram que 38% deles ficarão viciados”.
“Esse problema é muito grande para o corpo de Cristo agora?” pergunta John Stonestreet.
“Veja, as estatísticas que documentei”, explica Josh, “mostram que o problema está aumentando sem parar. Cinquenta por cento dos pastores estão lutando para largar do vício da pornografia. Sessenta e dois por cento dos homens que frequentam igrejas evangélicas regularmente estão lutando para largar da pornografia, e entre 65% e 68% dos adolescentes estão nessa situação. Essa é provavelmente a maior ameaça à causa de Cristo em dois mil anos de história da igreja, pois mina sua vida, sua caminhada com Cristo e suas convicções. Meu temor é que muitos pastores não estejam lidando com esse problema pelo simples fato de que eles mesmos estão envolvidos nele. De certo modo, precisamos fazer com que a liderança no corpo de Cristo trate disso”.
“Dê-nos alguns detalhes”, diz John. “Como é que a pornografia mina os cristãos? Como é que ela mina o crescimento cristão? Como é que ela mina os casamentos?”
“Mesmo deixando de fora a vergonha e a solidão”, explica Josh, “a pornografia produz um questionamento sobre a autoridade das Escrituras, de Cristo, da Ressurreição, da Igreja e dos pais. A pornografia começa a entenebrecer a porta do cérebro para considerar as verdades da fé cristã. Logo que você se envolve na pornografia, ela assume o controle dos seus pensamentos, de seus padrões morais e de sua vida. Você precisa entender: a pornografia simplesmente assume o controle da sua vida. A pornografia assume o controle dos seus relacionamentos — o modo como você vê as pessoas, as mulheres e as crianças. E como consequência, a pornografia não deixa espaço para sua caminhada com Cristo. Não dá para você se envolver com a pornografia e ter uma caminhada saudável com Cristo”.
É por isso, diz Josh, que ele lançou “Just 1 Click Away”, um site dedicado à troca de informações, recursos e ajuda entre velhos e jovens. Sean McDowell dá uma palestra nos Ministérios Summit que ecoa a mensagem de “Just 1 Click Away”. Nele, ele se baseia no trabalho do Dr. Joe McIlhaney Jr. e da Dra. Freeda McKissic Bush em seu livro pioneiro “Hooked” (Viciado), em que eles descrevem como a pornografia e a promiscuidade sexual realmente mudam a estrutura física e a química de nossos cérebros, tornando-os mais difíceis de amar, unir e ter relacionamentos sexuais com nossos cônjuges.
Outra questão crítica que os McDowells buscam tratar com essa nova campanha contra a pornografia é a temida tarefa que os pais têm de educar e preparar seus filhos. Tanto Josh quanto Sean desestimulam qualquer esperança de que nossos filhos estarão entre os poucos sortudos que nunca vão se deparar com a pornografia. Falando em termos estatísticos, dizem os McDowells, esse é um grupo que não existe.
“Seus filhos vão se deparar com a pornografia”, diz Josh. “É muito triste, mas é verdade”. Podemos tirar a internet, a televisão e os smartphones de nossos filhos e estudantes, mas essas medidas mal estancarão a maré de imagens e temas pornográficos que os bombardeiam de outras fontes que não podemos controlar, tais como amigos e colegas de classe. Ainda que isolássemos nossos filhos pequenos e adolescentes do mundo lá fora, eles ainda se tornarão adultos e terão de confrontar de repente a cultura sexual que tentamos sufocar. Nossa tarefa como pais e mentores, acredita Josh, deve agora focar em preparar nossos filhos para responder de forma temente a Deus ao se depararem com a pornografia.
É por isso que no site “Just 1 Click Away” os McDowells buscam não somente expor o problema, mas também fornecer recursos e treinamento para pais e adultos sobre como abrir canais de conversação com seus filhos cedo, como armá-los de antemão para enfrentar as batalhas a frente, e como no final das contas e de forma sistemática dizer “não” à influência desumanizadora e degradante do pior vício de nossa cultura.
Traduzido por Julio Severo do artigo de LifeSiteNews: Porn one of the greatest threats to Christianity: Christian apologist
Leitura recomendada:

16 de set de 2013

Tá chegando o grande dia do Festival Voz e Unção

A cidade de Guarapari-ES. Vai receber um grande festival de musica cristã no mês de outubro de 2013.

A expectativa dos organizadores do evento é de trazer mais de 50 mil jovens para cidade durante os 7 dias de festival, que contará com mais de 50 apresentações musicais de bandas, trios, duplas e solistas, vindos de todas as regiões do Brasil.

“O projeto é muito rico de detalhes, nós pretendemos trazer novos músicos de todos os estados Brasileiros para tocar no festival, fora os que já são conhecidos. E este ano vamos homenagear uma banda que é inspiração para muitos, a banda ‘Anjos de Resgate’, que a tempos veem evangelizando e levando a palavra de Deus para muitos corações.”

“Vamos trazer músicos de todo país que tem ‘ VOZ E UNÇÃO ‘ para levar a palavra que cura, salva e liberta os jovens e os corações feridos e marcados com o sofrimento, pecado e a falta de fé”. Disse ARTUR PEREIRA, diretor geral e organizador do projeto.”

O festival acontecerá na cidade de Guarapari ES, na Praia do Morro, De 06 à 12 de outubro de 2013. Artur disse ainda que é fundamental a ajuda de todos os católicos de Guarapari e região na compra da camisa oficial do festival e nas doações e contribuições, pois o evento será aberto ao publico e as despesas são muito altas.

Ele também convida os empresários da cidade para ajudar na realização do evento, visando a evangelização de nossos jovens. ” Vamos nos unir igreja, pois esse é o ano da Fé, nosso Papa Francisco nos convida a ser missionários e devemos BOTAR FÉ por onde caminharmos.

Nossa cidade, nosso estado tem tudo para ser encharcado pelo Espírito de Deus, agora só depende de nós, vamos abrir nossos corações ao novo e ser ousados e missionários” Enfatizou Artur Pereira.
Mais informações:

www.veu2013.com.br VOZ E UNÇÃO 2013

30 de mai de 2013

O Surgimento da solenidade de Corpus Christi

A Festa de Corpus Christi é a celebração em que solenemente a Igreja comemora a instituição do Santíssimo Sacramento da Eucaristia, que surgiu no século XIII, na diocese de Liège, na Bélgica, por iniciativa da freira Juliana de Mont Cornillon, que recebia visões nas quais o próprio Jesus lhe pedia uma festa litúrgica anual em honra do sacramento da Eucaristia. 

Em 11 de agosto de 1264 o Papa Urbano IV emitiu a bula "Transiturus de mundo", onde prescreveu que na quinta-feira após a oitava de Pentecostes, fosse oficialmente celebrada a festa em honra do Corpo do Senhor. São Tomás de Aquino foi encarregado pelo Papa para compor o Ofício da celebração. Em 1247, aconteceu a primeira procissão em carácter diocesano e depois, em todo o mundo no século XIV, quando o Papa Clemente V confirmou a Bula de Urbano IV, tornando a Festa da Eucaristia um dever canônico mundial.

Em 1317, o Papa João XXII publicou na Constituição Clementina o dever de se levar a Eucaristia em procissão pelas vias públicas. A partir da oficialização, a Festa de Corpus Christi passou a ser celebrada todos os anos na primeira quinta-feira após o domingo da Santíssima Trindade.

“Se, por exemplo, em nome de uma fé secularizada e não mais necessária de sinais sagrados, fosse abolida esta procissão urbana de Corpus Domini, o perfil espiritual de Roma resultaria “esvaziado”, e nossa consciência pessoal e comunitária se tornaria enfraquecida. Também pensamos em uma mãe e em um pai que, em nome de uma fé dessacralizada, privassem seus filhos de qualquer ritual religioso: na realidade terminariam por deixar o campo livre a tantos substitutos presentes na sociedade de consumo, e a outros ritos e a outros sinais, que mais facilmente poderiam se tornar ídolos,” exortou Bento XVI, na homilia da Festa de Corpus Christi, em 2012.

Fonte: Canção Nova

19 de mai de 2013

Na Festa de Pentecostes, Papa explica ação do Espírito Santo e fala sobre unidade e abertura ao 'novo'



Só o Espírito Santo “pode suscitar a diversidade, a pluralidade, a multiplicidade e, ao mesmo tempo, realizar a unidade”, disse Francisco
Kelen Galvan
Da Redação da Canção Nova
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Fiéis lotaram a Praça de São Pedro, no Vaticano, para a Missa de Pentecostes neste domingo, 19 (Foto: L’Osservatore Romano)
Na Festa de Pentecostes, celebrada neste domingo, 19, o Papa Francisco presidiu uma Missa na Praça de São Pedro, no Vaticano, na presença de representantes de movimentos e novas comunidades.
O Santo Padre destacou que a liturgia de hoje é uma grande súplica, que a Igreja juntamente com Jesus eleva ao Pai, para que se renove a efusão do Espírito Santo.
E ressaltou três palavras relacionadas à ação do Espírito: novidade, harmonia e missão.
Francisco comentou que a novidade sempre nos causa um pouco de receio, porque nos sentimos mais seguros com aquilo que já conhecemos, que é possível programar e controlar. Segundo ele, muitas vezes, também agimos assim quando se trata de Deus. “Seguimo-Lo e acolhemo-Lo, mas até um certo ponto; sentimos dificuldade em abandonar-nos a Ele com plena confiança”, disse.
Entretanto, explicou o Papa, em toda a história da salvação, quando Deus se revela, Ele sempre traz novidade, e pede que confiemos totalmente Nele. “Estamos abertos às ‘surpresas de Deus’?”, questionou Francisco, ou estamos fechados, com medo, à novidade do Espirito Santo?
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“O Espírito Santo é a alma da missão”, é Ele que impulsiona a Igreja, que faz os fiéis entrarem no “mistério do Deus vivo, disse o Papa (Foto: L’Osservatore Romano)
O Papa afirmou que “a novidade que Deus traz à nossa vida é verdadeiramente o que nos realiza, o que nos dá a verdadeira alegria, a verdadeira serenidade, porque Deus nos ama e quer apenas o nosso bem”.
A segunda palavra é a “harmonia”. Francisco explicou que, a primeira vista, o Espírito Santo parece criar desordem na Igreja, por trazer a diversidade de dons e carismas, mas isso não é verdade. “Sob a sua ação, tudo isso é uma grande riqueza, porque o Espírito Santo é o Espírito de unidade, que não significa uniformidade, mas a recondução do todo à harmonia”, afirmou.
O Santo Padre falou ainda que se tentarmos fazer a diversidade ou a unidade sem o Espírito Santo, acabamos trazendo a divisão ou a homogeinização. “Se, pelo contrário, nos deixamos guiar pelo Espírito, a riqueza, a variedade, a diversidade nunca dão origem ao conflito, porque Ele nos impele a viver a variedade na comunhão da Igreja”.
“Só Ele pode suscitar a diversidade, a pluralidade, a multiplicidade e, ao mesmo tempo, realizar a unidade”, afirmou o Pontífice.
Por fim, o Papa refletiu sobre a terceira palavra: “missão”.
Francisco explicou que “o Espírito Santo é a alma da missão”, é Ele que impulsiona a Igreja, que faz os fiéis entrarem no “mistério do Deus vivo” e os impele a abrir as portas e sair para anunciar e testemunhar a “vida boa do Evangelho”, comunicar a “alegria da fé, do encontro com Cristo”.
O Santo Padre disse ainda que o Pentecostes ocorrido no Cenáculo em Jerusalém, há quase dois mil anos, não é um fato distante, mas um acontecimento que “nos alcança e se torna experiência viva em cada um de nós”.
“O Espírito Santo é o dom por excelência de Cristo ressuscitado aos seus Apóstolos, mas Ele quer que chegue a todos”, enfatizou Francisco.
E concluiu afirmando que, também hoje, a Igreja o invoca juntamente com Maria: “Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor”!

Fonte:
http://papa.cancaonova.com/na-festa-de-pentecostes-papa-explica-acao-do-espirito-santo/

15 de mai de 2013

O bispo e o padre devem ser pastores e não lobos, disse o Papa



Cidade do Vaticano (RV) - Na manhã desta quarta-feira, um grupo de jornalistas da Rádio Vaticano participou da Santa Missa celebrada pelo Santo Padre na Capela da Casa Santa Marta, no Vaticano.

Na sua homilia, o Papa Francisco, comentando as leituras do dia, falou de modo especial sobre a missão do bispo e do padre, além do carinho que deve existir entre eles e a Comunidade dos cristãos.

Ser padre, ser pastor é ser para os outros. Ninguém é ordenado sacerdote para si mesmo, mas para o Povo de Deus, disse-nos o Pontífice, se referindo à primeira leitura, extraída dos Atos dos Apóstolos.

O bispo e o padre devem ser pastores e não lobos, que não poupam o rebanho. O bispo e o sacerdote poderão ser lobos de dois modos, recordou o Papa, citando Santo Agostinho: quando comem a carne do rebanho ou quando usam a lã, ou seja, comer a carne é se aproveitar dos recursos do rebanho, favorecer-se com os recursos do Povo de Deus; usar a lã é ser vaidoso, querer ser tratado de modo diferente, como centro das atenções, ter privilégios. Em nenhum dos casos o bispo e o padre servem, mas desejam ser servidos. Não são sacerdotes para o povo, mas para eles mesmos.

Francisco nos recordou que Paulo foi tecelão e disse nos Atos que suas mãos proveram suas necessidades e as de seus companheiros.

Encerrando, o Santo Padre voltou a falar do querer bem entre os pastores e o Povo de Deus. Citou os versículos finais dos Atos, quando Lucas escreveu que os cristãos se lançaram ao pescoço de Paulo para abraçá-lo principalmente porque ele havia dito que eles já não o veriam mais.

O Papa recomendou que o Povo reze sempre por seus pastores.
(CAS)





8 de mai de 2013

Frases do Papa Francisco



O Papa Francisco, de maneira inequívoca, tem cumprido o seu papel de confirmar os irmãos na fé. A mensagem evangélica que ele tem apresentado em suas homilias é muito clara e direta. Apresentamos abaixo uma compilação de frases do Santo Padre.
Santa Missa por ocasião do dia das Confrarias e da Piedade Popular
"Caminhai decididamente para a santidade; não vos contenteis com uma vida cristã medíocre, mas a vossa pertença sirva de estímulo, a começar por vós mesmos, para amar mais a Jesus Cristo."
"Amai a Igreja! Deixai-vos guiar por ela! Nas paróquias, nas dioceses, sede um verdadeiro pulmão de fé e de vida cristã, uma aragem fresca! Nesta Praça [de São Pedro], vejo uma grande variedade, antes, de guarda-chuvas e, agora, de cores e de sinais. Assim é a Igreja: uma grande riqueza e variedade de expressões em que tudo é reconduzido à unidade; a variedade reconduzida à unidade e a unidade é o encontro com Cristo."
Santa Missa com Rito da Confirmação
"Olhai! A novidade de Deus não é como as inovações do mundo, que são todas provisórias, passam e procuram-se outras sem cessar. A novidade que Deus dá à nossa vida é definitiva; e não apenas no futuro quando estivermos com Ele, mas já hoje: Deus está a fazer novas todas as coisas, o Espírito Santo transforma-nos verdadeiramente e, através de nós, quer transformar também o mundo onde vivemos."
"Apostai sobre os grandes ideais, sobre as coisas grandes. Nós, cristãos, não fomos escolhidos pelo Senhor para coisinhas pequenas, ide sempre mais além, rumo às coisas grandes. Jovens, jogai a vida por grandes ideais!"
Santa Missa no seu dia onomástico (São Jorge)
"O grande Paulo VI dizia: é uma dicotomia absurda querer viver com Jesus sem a Igreja, seguir Jesus fora da Igreja, amar Jesus sem a Igreja (cf. Exort. ap. Evangelii nuntiandi, 16). E a mesma Igreja Mãe, que nos dá Jesus, dá-nos a identidade, que não é somente um selo: é uma pertença. Identidade significa pertença: a pertença à Igreja. Coisa estupenda!"
"Mas, se queremos caminhar pela estrada da mundaneidade, descendo a pactos com o mundo – como queriam fazer com os Macabeus, que a isso se sentiam então tentados – nunca gozaremos da consolação do Senhor. E se procuramos só consolação, esta será uma consolação superficial, uma consolação humana; não aquela do Senhor. A Igreja caminha sempre entre a Cruz e a Ressurreição, entre as perseguições e as consolações do Senhor. E este é o caminho: quem vai por esta estrada não se engana."
"Se não somos "ovelhas de Jesus", a fé não desponta; é uma fé de "água de cheiro", uma fé sem substância. E pensemos na consolação que teve Barnabé, que é justamente «a doce e consoladora alegria de evangelizar»."
Santa Missa - Ordenações Presbiterais
"Pelo Batismo, fareis entrar novos fiéis no Povo de Deus. Através do sacramento da Penitência, perdoareis os pecados em nome de Cristo e da Igreja. E hoje, em nome de Cristo e da Igreja, eu vos peço: por favor, não vos canseis de ser misericordiosos. Com os santos óleos, dareis alívio aos enfermos e também aos idosos: não vos envergonheis de tratar com ternura os idosos. Ao celebrar os ritos sagrados e elevar ao Céu, nas diversas horas do dia, a oração de louvor e de súplica, tornar-vos-eis voz do Povo de Deus e da humanidade inteira."
"Conscientes de ter sido assumidos de entre os homens e postos ao seu serviço nas coisas de Deus, cumpri, com alegria e caridade sincera, a obra sacerdotal de Cristo, procurando unicamente agradar a Deus e não a vós mesmos. Sede pastores, e não funcionários; sede mediadores, e não intermediários."
Basílica de S. Paulo Fora de Muros - Visitação e Santa Missa
"No grande desígnio de Deus, cada detalhe é importante, incluindo o teu, o meu pequeno e humilde testemunho, mesmo o testemunho oculto de quem vive a sua fé, com simplicidade, nas suas relações diárias de família, de trabalho, de amizade. Existem os santos de todos os dias, os santos «escondidos», uma espécie de «classe média da santidade», da qual todos podemos fazer parte. Mas há também, em diversas partes do mundo, quem sofra – como Pedro e os Apóstolos – por causa do Evangelho; há quem dê a própria vida para permanecer fiel a Cristo, com um testemunho que lhe custa o preço do sangue. Recordemo-lo bem todos nós: não se pode anunciar o Evangelho de Jesus sem o testemunho concreto da vida. Quem nos ouve e vê, deve poder ler nas nossas ações aquilo que ouve da nossa boca, e dar glória a Deus! A incoerência dos fiéis e dos Pastores entre aquilo que dizem e o que fazem, entre a palavra e a maneira de viver mina a credibilidade da Igreja."
"Adorar o Senhor quer dizer dar-Lhe o lugar que Ele deve ter; adorar o Senhor significa afirmar, crer – e não apenas por palavras – que só Ele guia verdadeiramente a nossa vida; adorar o Senhor quer dizer que estamos diante d’Ele convencidos de que é o único Deus, o Deus da nossa vida, da nossa história.
Daqui deriva uma consequência para a nossa vida: despojar-nos dos numerosos ídolos, pequenos ou grandes, que temos e nos quais nos refugiamos, nos quais buscamos e muitas vezes depomos a nossa segurança. São ídolos que frequentemente conservamos bem escondidos; podem ser a ambição, o gosto do sucesso, o sobressair, a tendência a prevalecer sobre os outros, a pretensão de ser os únicos senhores da nossa vida, qualquer pecado ao qual estamos presos, e muitos outros."
Domingo da Divina Misericórdia - Tomada de posse da cátedra de Bispo de Roma
"Talvez algum de nós possa pensar: o meu pecado é tão grande, o meu afastamento de Deus é como o do filho mais novo da parábola, a minha incredulidade é como a de Tomé; não tenho coragem para voltar, para pensar que Deus me possa acolher e esteja à espera precisamente de mim. Mas é precisamente por ti que Deus espera! Só te pede a coragem de ires ter com Ele."
"[...] deixemo-nos envolver pela misericórdia de Deus; confiemos na sua paciência, que sempre nos dá tempo; tenhamos a coragem de voltar para sua casa, habitar nas feridas do seu amor deixando-nos amar por Ele, encontrar a sua misericórdia nos Sacramentos. Sentiremos a sua ternura maravilhosa, sentiremos o seu abraço, e ficaremos nós também mais capazes de misericórdia, paciência, perdão e amor."
Por: Equipe Christo Nihil Praeponere



1 de mai de 2013

O PASTOR FELICIANO E OS PENTECOSTAIS



“Essa rejeição ao pastor Marcos Feliciano deveria ser encarada por todos como juízo divino sobre uma igreja [evangélica] que tem brincado de religião”, afirma o pastor presbiteriano Antônio Carlos Costa, coordenador do movimento Rio de Paz (1).
Conversando com meu amigo pastor Marx Valadão sobre Marcos Feliciano, ele me disse que muitos pentecostais estão envergonhados e aborrecidos por descobrirem agora as pregações escandalosas do pastor Marcos Feliciano. Suas pregações no calor das emoções, sem reflexões sociológicas e sem conteúdo teológico caíram no campo das heresias e do vexame público. Realmente, falo com humildade, como estudioso de Bibliologia, Heresiologia, Sociologia, Teologia e Historia da Igreja, faço uma pergunta: como esse pastor-pregador de tantas boçalidades chegou a onde chegou? E quantos pastores pentecostais e neopentecostais estão pregando coisas piores do que Marcos Feliciano?
Vejamos com muita atenção as pregações heréticas dos pastores neopentecostais na “Televisão Brasileira”:
1. Quem não vive na prosperidade não é filho de Deus. Sacrifique tudo para igreja (seita) e fique um rico abençoado. Fogueira de Israel, Sessão do Descarrego e Correntes dos Pastores para fazer do desesperado e do encostado (com encosto) um milionário. Toda pregação é em cima dos bens matérias e do dinheiro.
2. Quem determina toma posse da bênção. Patrocinar o programa de TV, dizimar, ofertar e doar muito, mais vai receber todos os bens matérias, físicos e espirituais se determinar e amarrar o demônio.
3. O pregador vaqueiro zangado, com seus coices; com seu festival e espetacularização de curas, milagres, exorcismos, esbraveja dizendo que as outras igrejas são frias, fracas, mundanas e mortas, só a dele é a verdadeira porque é a igreja (seita) do apóstolo. Sua toalha com o seu suor vale mais do que a unção dos outros pastores.
4. O pregador carioca da BMW, a prova de fuzil. Diz que ninguém vende mais CDs e DVDs do que ele. Sou é milionário e daí? Pode me criticar babaca, mané, otário... Mesmo assim ele pede dinheiro pra caramba aos seus parceiros. Ele atira para todos os lados. Provoca brigas e processos. Sua soberba triunfalista é evidente em suas palavras como: “vitória, conquista, colheita e prosperidade”. Ele se acha o “CARA” E “VICE-DEUS”. Só não diz que sofre de depressão aguda, que é autoritário e hipócrita. É bom ressaltar que esses “caras”, são ditadores e donos das suas igrejas (empresas).
4. Existe uma rede de TV de uma seita que prega muito sobre o sábado e a lei pra tudo. Quem não guarda o sábado não é cristão, dizem seus pregadores. Tais pregadores-pastores são críticos e debocham de outras igrejas e religiões por não guardarem a lei do Antigo Testamento!
Sincretismo
Notemos as superstições, crendices, misticismo. É uma mistura de conceitos mágicos religiosos, estelionato e esoterismo com autoajuda. Psicologia do condicionamento e da sugestão. Do sofrimento e da dor do fiel, da esperança de tudo pela pregação da fé mágica, materialista e impulsão. Aplica a todo problema o demônio e encostos. E, por tudo responde a herética teologia da prosperidade. Subir o monte, sacrificar, jejuar, sal grosso, galho de arruda, espada de Davi, sabonete, óleo ungido, toalha suada, lenço, roupa e tijolo ungido, fogueira de Israel, arca da libertação, corredor dos milagres, sessão do descarrego, tira encosto, vigílias, campanhas, correntes... Tudo isso faz parte do sincretismo pós-moderno com a pseudociência na arte do engano.
Diz a doutora em Ciências Sociais pela Universidade do Rio de Janeiro e mestre em Sociologia, a professora e pesquisadora Christina Vital: “Atualmente, com a antipatia acentuada em torno dos neopentecostais mesmo fora do Brasil, os riscos podem ser de desgastes políticos e emocionais dos que empreendem estas missões até riscos jurídicos e físicos” (2).
Fraudulentos
O brasileiro com facilidade aceita e se envolve com religião, seitas e heresias devido à mistura infeliz do catolicismo vindo de Portugal e da Espanha, com a matriz da religião africana e indígena. No decorrer da nossa história foi pregado demais o medo do inferno, da morte, do demônio, de “almas penadas”, de feitiço, da inveja, e do “olho-grande”. O povo recebeu uma catequese infantil, medíocre e com uma fé irracional em que tudo pode acontecer a um passe de mágica. Passou para o sincretismo a responsabilidade de solucionar todos os problemas: familiar, de doenças, prosperidade, casamento, social e político. A cultura do povo brasileiro é o imaginário radical de duas coisas sem trabalhar: “Ser feliz no amor e ser rico”. Aqui entram de cheio para enganar esses alienados os falsos pregadores, pais-de-santo, videntes, cartomantes, curandeiros, vigários e vigaristas, profetas malucos. Hoje, para certos líderes fraudulentos e mafiosos os títulos são pomposos: “bispos, apóstolos, patriarcas, apóstolos dos apóstolos e vice Deus”. Todos manipulam os sofredores com promessas de resolver suas dificuldades.
Em certas cidades fincam uma estaca ungida, urina para marcar território e colocam uma placa com os dizeres: “Esta cidade pertence ao Senhor Jesus”. Seu grito de guerra: “Declaramos”...
Vamos meditar nas palavras do renomado Senador Dr. Cristovam Buarque (PDT-DF): “Temos uma sociedade violenta, ineficiente e dependente como nunca do “CAPITAL CONHECIMENTO”. Exige iniciar desde já, uma revolução educacional de que o país precisa” (O Globo, 20/04/2013, p.21).
Contra os falsos mestres e suas heresias, resta tão somente estudar a Sagrada Escritura, Teologia, História da Igreja e Sociologia com profundidade e constante atualização. Quem tem o verdadeiro conhecimento da fé e da espiritualidade jamais será enganado por qualquer forma de falso ensino religioso e de líderes capitalistas das camorras.
Pe. Inácio José do vale
Pesquisador de Seitas
Professor de História da Igreja
Instituto de Teologia Bento XVI
Sociólogo em Ciência da Religião
___________
(1) Cristianismo Hoje, abril-maio de 2013, p. 17.
(2) Idem, p. 46.


Fonte:
http://www.pr.gonet.biz/index-read.php?num=2694

30 de abr de 2013

Mártires do século XX


Por Felipe Aquino


thumb.phpO que é de fato o Martírio?
Dom Estevão Bettencourt, osb, em sua Revista “PERGUNTE E RESPONDEREMOS” (Nº 456, Ano 2000, p.194), publicou uma matéria para explicar o que é de fato, o martírio cristão, que nada tem a ver com os que morrem por simples causas sociais e políticas. Pior ainda, quando alguns consideram mártires pessoas que o Papa nem beatificou.
Vejamos o que ensina Dom Estevão:
A palavra mártir vem do grego martys, martyros, que significa testemunha. O mártir é uma testemunha qualificada que chega ao derramamento do próprio sangue. O Papa Bento XIV assim se exprime:
“O martírio é a morte voluntariamente aceita por causa da fé cristã ou por causa do exercício de outra virtude relacionada com a fé”.
O Catecismo da Igreja Católica § 2473 retoma o conceito:
“O martírio é o supremo testemunho prestado à verdade da fé; designa um testemunho que vai até a morte”.
O Concílio do Vaticano II desenvolve tal noção:
“Visto que Jesus, Filho de Deus, manifestou Sua caridade entregando Sua vida por nós, ninguém possui maior amor que aquele que entrega sua vida por Ele e seus irmãos (cf. 1Jo 3, 16; Jo 15, 13). Por isso, desde o início alguns cristãos foram chamados – e alguns sempre serão chamados – para dar o supremo testemunho de seu amor diante de todos os homens, mas de modo especial perante os perseguidores. O martírio, por conseguinte – pelo qual o discípulo se assemelha ao Mestre, que aceita livremente a morte pela salvação do mundo, e se conforma a Ele na efusão do sangue – é estimado pela Igreja com exímio dom e suprema prova de caridade. Se a poucos é dado, todos, porém, devem estar prontos a confessar Cristo perante os homens, segui-lo no caminho da cruz entre perseguições, que nunca faltam à Igreja” (Lumen Gentium, nº 42).
A propósito deve-se notar o seguinte:
O martírio é uma graça que tem sua iniciativa em Deus. Não compete ao cristão procurar o martírio provocando os adversários da fé. A Igreja sempre condenou esse comportamento, pois seria presunçoso (quem pode ter a certeza que irá suportar corajosamente os tormentos do martírio?); além do quê, seria provocar o pecado do próximo ou dos algozes.
Para que haja martírio propriamente dito, requer-se que o cristão morra livremente, ou seja, aceite conscientemente o risco de morrer por causa da sua fé. A aceitação da morte pode ser explícita, como no caso em que o perseguidor deixa a escolha entre renegar a fé (ou uma virtude relacionada com a fé) e a morte. A aceitação livre pode ser implícita quando a pessoa sabe que o seu compromisso cristão pode levá-la até a morte e, não obstante, é fiel a esse compromisso.
Para que a Igreja declare oficialmente que alguém é mártir da fé, são efetuadas pesquisas a respeito:
-  A verdadeira causa da morte: pode ser que um cristão seja condenado à morte não por ser cristão, mas por estar envolvido em alguma campanha política ou de outra ordem;
-  A livre aceitação da morte por parte da vítima;
- Graças ou milagres obtidos por intercessão do(a) servo(a) de Deus.
O processo é iniciado na diocese à qual pertencia a vítima ou na qual ela foi levada à morte. Continua e termina em Roma, na Congregação para as Causas dos Santos.
O martírio é algo tão antigo quanto a pregação da Palavra de Deus. Já ocorreu na história dos Profetas do Antigo Testamento. No século II a.C. os irmãos macabeus sofreram a morte cruenta por causa da sua fé (cf. 2 Mc 7, 1-42), assim como o escriba Eleazar (cf. 2MC 6, 18-31).
O martírio teve seu ponto alto em Jesus Cristo. Santo Estevão é o primeiro mártir do Cristianismo após Jesus Cristo (cf. At 7, 55-60). No fim do século I, o Apocalipse fala de “imensa multidão”, que ninguém pode numerar, daqueles que lavaram e alvejaram suas túnicas no sangue do Cordeiro” (cf. Ap 7, 9.14). Em síntese, São Paulo afirma que “todos aqueles que quiserem viver com piedade em Cristo Jesus, serão perseguidos” (2Tm 3, 12).


Algo que poucos católicos sabem é que só no século XX houve mais mártires que em todos os 19 séculos anteriores somados. Na celebração do Jubileu do ano 2000, o Papa João Paulo II disse:
“Estes dois mil anos depois do nascimento de Jesus Cristo estão marcados pelo persistente testemunho dos mártires. Também este século, que caminha para o seu ocaso, conheceu numerosíssimos mártires, sobretudo por causa do nazismo, do comunismo e das lutas raciais ou tribais. Sofreram pela sua fé pessoas das diversas condições sociais, pagando com o sangue a sua adesão a Cristo e à Igreja ou enfrentando corajosamente infindáveis anos de prisão e de privações de todo gênero, para não cederem a uma ideologia que se trans­formou num regime de cruel ditadura. Do ponto de vista psicológico, o martírio é a prova mais eloquente da verdade da fé, que consegue dar um rosto humano inclusive à morte mais violenta e manifestar a sua beleza mesmo nas perseguições mais atrozes.
Inundados pela graça no próximo ano jubilar, poderemos mais vigorosamente erguer ao Pai o nosso hino de gratidão, cantando: Te  martyrum candidatus laudat exercitus (o exército resplandecente dos mártires canta os vossos louvores). Sim, é o exército daqueles que “lavaram as suas vestes e as branquearam no sangue do Cordeiro” (Ap 7, 14). Por isso, a Igreja espalhada por toda a terra deverá permanecer ancorada ao seu testemunho e defender zelosamente a sua memória. Possa o povo de Deus, revigorado na fé pelos exemplos destes autênticos campeões de diversa idade, língua e nação, cruzar confiadamente o limiar do terceiro milênio. À admiração pelo seu martírio associe-se, no coração dos fiéis, o desejo de poderem, com a graça de Deus, seguir o seu exemplo, caso o exijam as circunstâncias” (Bula Incarnationis Mysterium nº 13).
O Papa João Paulo II nomeou uma Comissão destinada a recensear e conservar a memória dos mártires do século XX. A tal Comissão foi confiada uma tríplice tarefa:
-  Elaborar um catálogo dos mártires do século XX;
-  Preparar a comemoração desses mártires (marcada para 07/05/2000);
-  Aprofundar a contribuição espiritual que trouxeram à Igreja.
Já existem mais de dez mil relatos de martírio ocorrido nos diversos continentes chegaram a Roma, alguns redigidos em duas linhas, outros em centenas de páginas; chegaram em cerca de dez línguas diferentes, que é preciso traduzir para o italiano e passar para o computador num programa especial de informática. Quanto à procedência desses relatos, 45% vêm de Conferências Episcopais e 40% de Congregações ou Ordens Religiosas.
Coloca-se uma questão nova a propósito do conceito de mártir: será mártir somente quem morre por ódio à fé ou pode ser tido como mártir aquele que passou anos em cárcere ou em campo de concentração, tendo sofrido cruéis tormentos, mas foi posto em liberdade ainda vivo? Houve, na realidade, Bispos, como Monsenhor Velychkovskyj na Ucrânia e Monsenhor Fishta na Albânia, que foram libertados da prisão quando estavam gravemente enfermos por causa das torturas e dos maus tratos e morreram pouco depois; podem ser equiparados aos mártires no sentido clássico?
As respostas enviadas aos questionários emitidos pela Comissão foram assaz diversas. Em setembro de 1998, a Igreja da Espanha tinha mandado 2075 relatórios; a da França, dez. Depois, a França enviou mais cinquenta relatórios e a Espanha mais 2000 novos relatórios; a Coreia, 200; a Polônia, 900. Quanto aos países dominados por governo anticatólico (Vietnam, China, Sudão…), têm-se manifestado timidamente – o que bem se entende, dado o controle das autoridades civis.
É de notar ainda que em Jerusalém existe o Instituto Yad-Vashem, fundado em 1953 para recensear os nomes de pessoas não israelitas que ajudaram ou salvaram judeus perseguidos, com risco para a sua própria vida; esses beneméritos recebem o título de “Justos das Nações”, que “amaram o próximo como a si mesmos”. Na Europa, 12.000 justos foram assim reconhecidos e muitos ainda ficam no anonimato. A justificativa apresentada para a exaltação desses nomes é que “todo aquele que salva uma vida salva o universo todo inteiro”.

martiresOs mártires do comunismo na Albânia
Dom Estevão Bettencourt narra a perseguição e os casos de martírio do comunismo na Albânia dominada pela Rússia. (Revista PR, 456, 200, p. 194). Vejamos o impressionante relato:
Em 1945, a Albânia tornou-se uma República Popular sob a chefia de Enver Hoxha, que empreendeu violenta opressão religiosa contra cristãos e muçulmanos. A Igreja Católica então contava 124.000 fiéis num total de um milhão de habitantes, mas a sua irradiação ia muito além do número de fiéis. A perseguição desencadeou-se primeiramente contra os Bispos, os Religiosos e os missionários estrangeiros; os fiéis que os defendiam, foram presos, torturados e, às vezes, mortos por recusarem denunciar publicamente os pretensos crimes do clero. Essa primeira onda persecutória visava também a cortar o relacionamento do clero com a Santa Sé mediante argumentos e promessas sedutoras. Os clérigos resistiram; então Enver Hoxha, a conselho de Stalin, resolveu eliminar radicalmente a Igreja Católica. Em 1948 só restava um Bispo católico em vida nas montanhas do Norte do país. Ficavam ainda umas poucas dezenas de presbíteros, que procuravam atender à Liturgia dominical, passando de uma paróquia a outra sob a permanente ameaça de encarceramento ou de execução sumária.
A situação em breve se modificou quando o governo albanês rompeu com a Iugoslávia; precisava de se consolidar interiormente; daí travar negociações com a Igreja em busca de um modus vivendi. Em 1951, Enver Hoxha aceitou firmar um tratado com Mons. Shilaku, reconhecendo os laços da Igreja na Albânia com Roma. Todavia o texto oficial publicado pelo governo albanês não correspondeu ao que fora estipulado nas conversações. Houve então protestos da parte de sacerdotes, que foram assassinados ou enviados para campos de concentração. Apesar de tudo, o povo católico não renunciava a viver a sua fé.
Entre 1952 e 1967, a situação se estabilizou entre repressão governamental e resistência dos fiéis. Todos os anos um sacerdote ou uma Religiosa morria em prisão ou em campo de concentração. Quem estava em campo de concentração, era retirado, por vezes, para comparecer a uma sessão de humilhação pública nas ruas das grandes cidades.
Aos 6 de fevereiro de 1967, Enver Hoxha dirigiu um discurso a toda a nação, incitando a juventude albanesa a levar a termo a luta “contra as superstições religiosas”. Os guardas vermelhos da Albânia, à semelhança dos da China, foram encarregados dessa revolução cultural. As igrejas, os conventos, as mesquitas foram tomados de assalto, profanados, saqueados, incendiados, destruídos ou transformados em depósitos, lojas ou apartamentos. Em oito meses, 2169 lugares de culto foram assim extintos. Aos 22 de novembro de 1967, a Gazette, órgão oficial do governo albanês, publicou um decreto que anulava todos os acordos entre confissões religiosas e o Estado. A administração dos sacramentos, os rituais e as preces públicas foram proibidos sob pena de graves sanções. Os últimos membros do clero e os Religiosos foram presos, espancados em público, humilhados, intimados a apostar e, na maioria, enviados para campos de concentração. Não houve, porém, uma única defecção da parte de sacerdotes católicos.
O governo foi mais além… Pôs-se atacar qualquer objeto, símbolo ou gesto que pudesse ter significado religioso até mesmo na intimidade da família. Tenha-se em vista o seguinte caso: os católicos albaneses costumam iniciar suas refeições tomando um copo de raki, sua bebida preferida, e levantando a taça com as palavras: “Louvado seja Jesus Cristo!”. Pois bem, a partir de 1967 tais dizeres podiam custar cinco anos de prisão. Os(as) professores(as) de escolas maternais perguntavam às crianças se sabiam fazer o sinal da cruz; caso alguma criança demonstrasse sabê-lo, os seus genitores eram punidos até com cinco anos de prisão. Era proibido fabricar terços com grãos de girassol, como fazem os camponeses de Albânia. Era interditada a Rádio Vaticana, que todas as noites tinha emissões em língua albanesa. Em 1975, foram excluídos também todos os nomes que pudessem lembrar a religião: Benedito(a), Pedro, Paulo, Maria, Joana…
Não obstante, houve famílias que continuaram a transmitir a fé a seus filhos de maneira secreta. Alguns poucos sacerdotes clandestinos ainda celebravam os sacramentos às ocultas. Nos campos de concentração, os padres batizavam os adultos que o desejassem; caso fossem descobertos, como o foi o Pe. Kurti, eram executados.
Apesar de toda essa repressão religiosa, não se viu surgir o homem novo albanês exaltado pelos discursos de Enver Hoxha; a vida de fé prosseguiu clandestinamente, enquanto o país foi afundando na miséria ainda hoje perceptível.
Uma autêntica filha da Albânia, Madre Teresa de Calcutá via essa realidade com olhos confiantes na Providência Divina. Assim, ao receber o Prêmio Nobel da Paz de 1979, declarou:
“Creio que a Igreja na Albânia está vivendo a experiência de sexta-feira santa, mas nossa fé nos ensina que a vida de Cristo não terminou na sexta-feira santa, e, sim, se consumou na Ressurreição. Nosso povo albanês há de guardar esta verdade na sua mente. Tal é o segredo da paciência cristã…”
Os primeiros sinais de distensão religiosa ocorreram após a morte de Enver Hoxha. Mas somente em novembro de 1990 (um ano após a queda do Muro de Berlim), o Pe. Simon Jubani um dos raros sobreviventes, celebrou a primeira Missa pública após 1967, correndo ainda o risco da própria vida. Em breve, porém, pôde batizar uma centena de adultos. O regime comunista recuou, como nos demais países da Europa, e aos fiéis foi concedida a liberdade de crença.
Com dificuldade a Albânia procura reerguer-se. Ainda há violência no interior do país, agravada em 1998 e 1999 pelas guerras nos Bálcãs.
1.1.    Algumas das vítimas
1)  Cyprian Nika
Cyprian Nika era o padre Provincial dos Franciscanos da Albânia. Após algumas semanas de cárcere e torturas, foi levado à presença de oficiais do Estado para discutir sobre a existência de Deus. Disse-lhes: “Como ser humano pensante, creio que existe algo após esta breve existência na terra, em que o bem e o mal encontrarão a respectiva sanção. Algo que ultrapassa os limites da natureza humana, algo de sobre-humano, de sobrenatural, em que o mal e a injustiça não terão lugar”. Não lhe foi dado acabar o seu discurso, pois os seus interlocutores perderam a paciência e puseram-se a injuriá-lo. Um deles exclamou: “Meu deus é Enver Hoxha!”. O Religioso orou então: “Faça-se a tua vontade!”. Foi fuzilado pouco depois.
2)  Daniel Dajani
Quando andava por uma das ruas da cidade de Shkodër com um dos seus seminaristas, o Pe. Daniel Dajani foi interpelado por agitadores, que o insultaram. Continuou a caminhar sem responder. Mas o jovem seminarista, perturbado, não conseguir recuperar a calma. O Pe. Daniel disse-lhe: “Caro Lazër, eles vieram com espingardas, mas foram embora com amor”. Finalmente o Pe. Daniel Foi preso e testemunhou diante dos seus juízes: “Desde a infância tenho fé e estou pronto a morrer para dar testemunho da minha fé”. Foi então executado juntamente com Mozafer Pipa, o jovem advogado muçulmano que o defendera.
3)  Ded Macaj
Este jovem sacerdote de 28 anos foi condenado à morte após um processo simulado. Declarou diante do pelotão que o executou: “Perante Deus, em cuja presença vou comparecer em breve, e perante vocês, caros soldados, declaro que sou assassinado tão somente por causa do ódio à Igreja Católica. E eu o digo sem amargura nem ódio para com aqueles que me vão fuzilar”.
4)  Mikel Betoja
Este jovem sacerdote clandestino foi depreendido a celebrar a Missa às ocultas numa aldeia. Foi logo condenado a quinze anos de campo de concentração por motivo de “agitação e propaganda”. Professou então sua fé em público. Em conseqüência a sua sentença foi logo trocada pela de condenação à morte. Executaram-no aos 10/02/74.
5)  Ded Malaj
O jovem vigário de Dajc foi fuzilado às margens do lago de Shkodër por Ter continuado a exercer o seu ministério. Os fiéis que o defenderam, foram mandados para campos de concentração. Acontece, porém, que trinta anos depois a aldeia continua fiel à sua fé católica.
6)  Leonardo Shajakaj
Sacerdote de 76 anos de idade, recusou dizer o que ouvira em confissão. Foi executado por causa deste “crime” em 1964.
7)  Mons. Gjergj Volsj
Fora o mais jovem Bispo do Mundo. Recusou-se a romper com Roma. Foi então preso e torturado durante meses. Na véspera de ser executado, recebeu a visita de sua mãe, que chorou. Mas o filho lhe disse: “Mãe, não chores por causa do teu filho; antes, chora por todo o povo”.
Prof. Felipe Aquino







"Despojemo-nos das ações das trevas e vistamos as armas da Luz" Rm 13,12