27 de fev de 2013

A última Catequese do Papa Bento XVI



Catequese 
Praça São Pedro
Quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Boletim da Santa Sé
Tradução: Jéssica Marçal

Venerados irmãos no Episcopado e no Sacerdócio!
Ilustres Autoridades!
Queridos irmãos e irmãs!

Agradeço-vos por terem vindo em tão grande número para esta minha última Audiência geral.

Obrigado de coração! Estou realmente tocado! E vejo a Igreja viva! E penso que devemos também dizer um obrigado ao Criador pelo tempo belo que nos doa agora ainda no inverno.

Como o apóstolo Paulo no texto bíblico que ouvimos, também eu sinto no meu coração o dever de agradecer sobretudo a Deus, que guia e faz crescer a Igreja, que semeia a sua Palavra e assim alimenta a fé no seu Povo. Neste momento a minha alma se expande para abraçar toda a Igreja espalhada no mundo; e dou graças a Deus pelas “notícias” que nestes anos do ministério petrino pude receber sobre a fé no Senhor Jesus Cristo, e da caridade que circula realmente no Corpo da Igreja e o faz viver no amor, e da esperança que nos abre e nos orienta para a vida em plenitude, rumo à pátria do Céu.

Sinto levar todos na oração, um presente que é aquele de Deus, onde acolho em cada encontro, cada viagem, cada visita pastoral. Tudo e todos acolho na oração para confiá-los ao Senhor: para que tenhamos plena consciência da sua vontade, com toda sabedoria e inteligência espiritual, e para que possamos agir de maneira digna a Ele, ao seu amor, levando frutos em cada boa obra (cfr Col 1,9-10).

Neste momento, há em mim uma grande confiança, porque sei, todos nós sabemos, que a Palavra de verdade do Evangelho é a força da Igreja, é a sua vida. O Evangelho purifica e renova, traz frutos, onde quer que a comunidade de crentes o escuta e acolhe a graça de Deus na verdade e vive na caridade. Esta é a minha confiança, esta é a minha alegria.

15 de fev de 2013

40 dias e 40 noites com Jesus Cristo: Quaresma



Quaresma é o período de 40 dias de penitência que precedem a festa da Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Como 40 dias se, contando, medeiam 46 entre a Quarta-feira de Cinzas e a Páscoa? Simplesmente porque os domingos não podem ser dias de penitência, de modo que são excluídos da contagem. Cada domingo é uma pequena Páscoa, “dia em que, por tradição apostólica, celebra-se o mistério pascal” (cânon 1.246 do Código de Direito Canônico), devendo ser evitada qualquer atitude que exprima tristeza. Assim, descontados os domingos entre a Quarta-feira de Cinzas e a Páscoa da Ressurreição medeiam 40 dias.

Segundo São Roberto Belarmino e Cornélio a Lápide, foram os próprios apóstolos quem instituíram a Quaresma, para nos prepararmos dignamente a fim de celebrar a Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, a máxima festa do Cristianismo.

Os 40 dias da observância quaresmal são carregados de simbolismo. 40 dias e 40 noites Nosso Senhor passou em rigoroso jejum no deserto (cf. Mt 4,1-2; Mc 1,12-13; Lc 4,1-2). Também por 40 anos o povo de Israel errou pelo deserto, antes de entrar na Terra Prometida (cf. Dt 8,2). 40 é o número das virtudes cardeais (quatro: castidade, paciência, justiça e prudência) e dos evangelistas, multiplicado pelo número dos Dez Mandamentos. A Quaresma é, finalmente, um grande símbolo de nossa vida terrena que, no fim das contas, não passa de uma preparação para a nossa própria Páscoa – «Memento, homo, quia pulvis es, et in pulverem reverteris» (Gn 3,19): "Lembra-te, homem, que és pó, e em pó te hás de tornar".

Assim, a Quaresma é um tempo favorável à prática penitencial da Igreja. Conforme ensina o Catecismo da Igreja Católica (CIC), «esses tempos são particularmente apropriados aos exercícios espirituais, às liturgias penitenciais, às peregrinações em sinal de penitência, às privações voluntárias como o jejum e à esmola, à partilha fraterna (obras de caridade e missionárias)» (CIC, número 1.438). É um tempo de renascimento espiritual e de renovação na fé, no qual se pede aos fiéis maior interesse pelas coisas divinas, uma frequência mais assídua à Santa Missa e aos ofícios litúrgicos, maior correção nas próprias ações e um treinamento no controle de suas próprias paixões e sentimentos.

Lamentavelmente, hoje em dia a palavra “penitência” provoca mal-estar em muita gente. Entretanto, se consultarmos os Evangelhos, veremos que Jesus começou a Sua pregação nos exortando à penitência: «Poenitentiam agite: appropinquavit enim Regnum caelorum» (Mt 4,17) – “Fazei penitência, porque está próximo o Reino dos céus”. Rejeitar a penitência é rejeitar a pregação de Cristo desde o princípio.

A palavra “penitência” significa simultaneamente duas coisas que, embora distintas, estão indissociavelmente ligadas: uma virtude e um sacramento, a virtude da penitência e o sacramento da penitência. Sobre o sacramento da penitência e reconciliação, falaremos em outra oportunidade, se assim Deus o quiser. Pretendemos, hoje, dizer algumas palavras sobre a penitência como virtude, ilustrando o significado do tempo quaresmal.

Quando se fala de penitência, as pessoas logo imaginam práticas exteriores ou pior: coisas como autoflagelação, numa visão totalmente distorcida. Na verdade, a essência da penitência é interior e não se confunde com práticas exteriores como o jejum, a esmola e a mortificação. As práticas exteriores pouco ou nada valem sem a penitência interior. «Rasgai os vossos corações e não os vossos vestidos, convertei-vos ao Senhor vosso Deus, porque Ele é benigno e compassivo» (Jl 2,13). Tampouco a virtude da penitência pode ser confundida com um desejo mórbido de infligir sofrimento a si mesmo. 

A virtude da penitência é uma disposição moral que inclina o pecador a destruir e reparar os seus próprios pecados por constituírem ofensas a Deus. A penitência é uma dor espiritual, interior: é o sofrimento por haver pecado. É um querer não ter pecado, é um querer não ter querido o mal que se quis no passado. O pecado é um ato da vontade humana e só pode ser destruído por um novo ato da vontade que o revogue. É por isso que a virtude da penitência está indissociavelmente ligado ao sacramento de mesmo nome: a validade deste depende da sinceridade daquele. Mas não basta o arrependimento.

A virtude da penitência exige também o propósito de reparar o mal cometido e de não mais tornar a pecar no futuro. Assim, a penitência se projeta nos sentidos do tempo: para o passado, o arrependimento; para o presente, a reparação; e para o futuro, o propósito de emenda. Os hereges protestantes pregam que não é necessário aos que se arrependem reparar o mal que fizeram no passado de sua vida. O fulano mata, rouba, estupra e acha que basta “aceitar Jesus” para ficar com a "ficha limpa". Por isso os protestantes escarnecem da necessidade de penitência. Ora, isso é uma distorção do Evangelho, pois é preciso reparar: quem roubava, deve restituir o que roubou; quem professava publicamente uma falsa doutrina, deve também se retratar em público. 

Tenhamos todos, então, uma boa e santa Quaresma. «Desde então começou Jesus a pregar e a dizer: “Fazei penitência, porque está próximo o Reino dos céus”» (Mt 4,17). E se está próximo, é porque não está distante: «O Senhor está perto de toda pessoa que o invoca» (Sl 144,18). 

Rodrigo R. Pedroso
Fonte:http://www.cancaonova.com/portal/canais/formacao/internas.php?id=&e=13072

Audiência Geral do Papa Bento XVI nesta Quarta Feira de Cinzas


PAPA BENTO XVI
AUDIÊNCIA GERAL
Sala Paulo VI
Quarta-feira, 13 de Fevereiro de 2013

Queridos irmãos e irmãs,
Como sabeis, decidi… – obrigado pela vossa amizade! – decidi renunciar ao ministério que o Senhor me confiou no dia 19 de Abril de 2005. Fi-lo em plena liberdade para o bem da Igreja, depois de ter longamente rezado e ter examinado diante de Deus a minha consciência, bem ciente da gravidade de tal acto mas igualmente ciente de já não ser capaz de desempenhar o ministério petrino com a força que o mesmo exige. Anima-me e ilumina-me a certeza de que a Igreja é de Cristo, o Qual não lhe deixará jamais faltar a sua orientação e a sua solicitude. Agradeço a todos pelo amor e pela oração com que me tendes acompanhado. Obrigado! Nestes dias, não fáceis para mim, senti quase fisicamente a força da oração que me proporciona o amor da Igreja, a vossa oração. Continuai a rezar por mim, pela Igreja, pelo futuro Papa. O Senhor vos guiará.

Queridos irmãos e irmãs,
Hoje, Quarta-feira de Cinzas, iniciamos a Quaresma, tempo de preparação para a Páscoa. Estes quarenta dias de penitência nos recordam os dias que Jesus passou no deserto, sendo então tentado pelo diabo para deixar o caminho indicado por Deus Pai e seguir outras estradas mais fáceis e mundanas. Refletindo sobre as tentações a que Jesus foi sujeito, cada um de nós é convidado a dar resposta a esta pergunta fundamental: O que é que verdadeiramente conta na minha vida? Que lugar tem Deus na minha vida? O senhor dela é Deus ou sou eu? De fato, as tentações se resumem no desejo de instrumentalizar Deus para os nossos próprios interesses, em querer colocar-se no lugar de Deus. Jesus se sujeitou às nossas tentações a fim de vencer o maligno e abrir-nos o caminho para Deus. Por isso, a luta contra as tentações, através da conversão que nos é pedida na Quaresma, significa colocar Deus em primeiro lugar como fez Jesus, de tal modo que o Evangelho seja a orientação concreta da nossa vida.

14 de fev de 2013

Homilia de Bento XVI na Missa de Quarta-feira de Cinzas -13/02/13

Segue abaixo a mensagem profética do Papa à Igreja nesta quarta feira de cinzas, início da quaresma!
Preste atenção e ouça atento a mensagem do nosso pastor a todos nós...


CELEBRAÇÃO DE QUARTA-FEIRA DE CINZAS

Basílica de São Pedro - Vaticano
Quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013



Venerados Irmãos,
caros irmãos e irmãs!

Hoje, Quarta-feira de Cinzas, iniciamos um novo caminho quaresmal, um caminho que se estende por quarenta dias e nos conduz à alegria da Páscoa do Senhor, à vitória da Vida sobre a morte. Seguindo a antiquíssima tradição romana da stationes quaresimais, nos reunimos hoje para a Celebração da Eucaristia. Tal tradição prevê que a primeira statio tenha acontecido na Basílica de Santa Sabina na colina Aventino. As circunstâncias sugeriram reunir-se na Basílica Vaticana. Somos numerosos reunidos ao redor do Túmulo do Apóstolo Pedro também para pedir sua intercessão para o caminho da Igreja neste momento particular, renovando nossa fé no Pastor Supremo, Cristo Senhor. Para mim é uma ocasião propícia para agradecer a todos, especialmente aos fiéis da Diocese de Roma, neste momento em que estou para concluir o ministério petrino, e para pedir especial lembrança na oração.

As leituras que foram proclamadas nos oferecem ideias que, com a graça de Deus, são chamados a se tornarem atitudes e comportamentos concretos nesta Quaresma. A Igreja nos repropõe, antes de tudo, o forte chamado que o profeto Joel dirige ao povo de Israel: “Agora, diz o Senhor, voltai para mim com todo o vosso coração, com jejuns, lágrimas e gemidos” (2,12). Sublinhamos a expressão “com todo o coração”, que significa do centro de nossos pensamentos e sentimentos, das raízes das nossas decisões, escolhas e ações, com um gesto de total e radical liberdade. Mas é possível este retorno a Deus? Sim, porque há uma força que não mora em nosso coração, mas que nasce do coração do próprio Deus. É a força da sua misericórdia. Diz ainda o profeta: “Voltai para o Senhor, vosso Deus; ele é benigno e compassivo, paciente e cheio de misericórdia, inclinado a perdoar o castigo” (v.13). O retorno ao Senhor é possível como 'graça', porque é obra de Deus e fruto da fé que nós depositamos na sua misericórdia. Este retornar a Deus torna-se realidade concreta na nossa vida somente quando a graça do Senhor penetra no íntimo e o toca doando-nos a força de “rasgar o coração”. É ainda o profeta a fazer ressoar da parte de Deus estas palavras: “Rasgai o coração, e não as vestes” (v.13). Com efeito, também em nossos dias, muitos estão prontos a “rasgar as vestes” diante de escândalos e injustiças – naturalmente cometidos por outros -, mas poucos parecem disponíveis a agir sobre o próprio “coração”, sobre a própria consciência e sobre as próprias intenções, deixando que o Senhor transforme, renove e converta.

Aquele “voltai para mim com todo o vosso coração”, é ainda um apelo que envolve não só o particular, mas a comunidade. Ouvimos na primeira Leitura: “Tocai trombeta em Sião, prescrevei o jejum sagrado, convocai a assembleia; congregai o povo, realizai cerimônias de culto, reuni anciãos, ajuntai crianças e lactentes; deixe o esposo seu aposento, e a esposa, seu leito” (vv.15-16). A dimensão comunitária é um elemento essencial na fé e na vida cristã. Cristo veio “para reunir os filhos de Deus dispersos” (cfr Jo 11,52). O “Nós” da Igreja é a comunidade na qual Jesus nos reúne juntos (cfr Jo 12,32): a fé é necessariamente eclesial. E isto é importante recordá-lo e vivê-lo neste Tempo da Quaresma: cada um esteja consciente de que o caminho penitencial não se percorre sozinho, mas junto com tantos irmãos e irmãs, na Igreja.

O profeta, enfim, se detém sobre a oração dos sacerdotes, os quais, com lágrimas nos olhos, se dirigem a Deus dizendo: “Não deixes que esta tua herança sofra infâmia e que as nações a dominem. Por que se haveria de dizer entre os povos: 'Onde está o Deus deles?'” (v.17). Esta oração nos faz refletir sobre a importância do testemunho de fé e de vida cristã de cada um de nós e das nossas comunidades para manifestar a face da Igreja e como esta face seja, muitas vezes, deturpada. Penso especialmente nas culpas contra a unidade da Igreja, nas divisões no corpo eclesial. Viver a Quaresma em uma mais intensa e evidente comunhão eclesial, superando individualismos e rivalidade, é um sinal humilde e precioso para aqueles que estão distantes da fé ou indiferentes.

"É agora o momento favorável, é agora o dia da salvação!” (2 Cor 6,2). As palavras do apóstolo Paulo aos cristãos de Corinto ressoam também para nós com uma urgência que não admite ausências ou omissões. O termo “agora” repetido várias vezes diz que este momento não pode ser desperdiçado, ele é oferecido a nós como uma oportunidade única e irrepetível. E o olhar do Apóstolo se concentra sobre a partilha com a qual Cristo quis caracterizar sua existência, assumindo todo o humano até carregar o pecado dos homens. A frase de São Paulo é muito forte: Deus “o fez pecado por nós”. Jesus, o inocente, o Santo, “Aquele que não cometeu pecado”(2 Cor 5,21), carregou o peso do pecado partilhando com a humanidade o êxito da morte, e da morte de cruz. A reconciliação que nos é oferecida teve um preço altíssimo, o da cruz elevada sobre o Gólgota, sobre a qual foi pendurado o Filho de Deus feito homem. Nesta imersão de Deus no sofrimento humano e no abismo do mal está a raiz da nossa justificação. O “voltar a Deus de todo o coração” no nosso caminho quaresmal passa através da Cruz, o seguir Cristo sobre a estrada que conduz ao Calvário, ao dom total de si. É um caminho no qual se aprende cada dia a sair sempre mais do nosso egoísmo e dos nossos fechamentos, para dar espaço a Deus que abre e transforma o coração. E São Paulo recorda como o anúncio da Cruz ressoa em nós graças a pregação da Palavra, da qual o próprio Apóstolo é embaixador; um chamado para nós para que este caminho quaresmal seja caracterizado por uma escuta mais atenta e assídua da Palavra de Deus, luz que ilumina nossos passos.

Na página do Evangelho de Mateus, que pertence ao assim chamado Discurso da montanha, Jesus faz referência a três práticas fundamentais previstas pela Lei Mosaica: a esmola, a oração e jejum: são também indicações tradicionais no caminho quaresmal para responder ao convite de “voltar a Deus como todo o coração”. Mas Jesus destaca que seja a qualidade e a verdade da relação com Deus o que qualifica a autenticidade de cada gesto religioso. Por isso, Ele denuncia a hipocrisia religiosa, o comportamento que quer aparecer, as atitudes que buscam o aplauso e a aprovaçãoO verdadeiro discípulo não serve a si mesmo ou ao “público”, mas ao seu Senhor, na simplicidade e na generosidade: “E o teu Pai, que vê no escondido, te dará a recompensa” (Mt 6,4.6.18). O nosso testemunho então será sempre mais incisivo quando menos buscarmos nossa glória e formos conscientes que a recompensa do justo é o próprio Deus, o ser unido a Ele, aqui, no caminho da fé, e, ao término da vida, na paz e na luz do encontro face a face com Ele para sempre (cfr 1 Cor 13,12).

Queridos irmãos e irmãs, iniciemos confiantes e alegres o itinerário quaresmal. Ressoe forte em nós o convite à conversão, a “voltar para Deus com todo o coração”, acolhendo a sua graça que nos faz homens novos, com aquela surpreendente novidade que é participação à vida do próprio Jesus. Nenhum de nós, portanto, seja surdo a este apelo, que nos é dirigido também no austero rito, tão simples e ao mesmo tempo tão sugestivo, da imposição das cinzas, que daqui a pouco realizaremos. Nos acompanhe neste tempo a Virgem Maria, Mãe da Igreja e modelo de todo autêntico discípulo do Senhor. Amém!

Papa Bento XVI

13 de fev de 2013

Bento XVI explicou novamente as razões da sua decisão, na audiência geral de hoje

Papa-bento-xvi


Na sua primeira aparição pública desde o anúncio de sua renúncia ao papado, Bento XVI voltou a explicar o motivo de sua decisão. Durante seu discurso na audiência geral de hoje, 13/02, o Papa declarou estar ciente de que não tem mais condições físicas para exercer o ministério petrino.

"Caros irmãos e irmãs, como sabeis, decidi renunciar ao ministério que o Senhor me confiou em 19 de abril de 2005. Eu o fiz com plena liberdade para o bem da Igreja, depois de ter rezado bastante e tendo examinado a minha consciência diante de Deus, bem consciente da gravidade de tal ato, mas ciente também de não ser mais capaz de exercer o ministério petrino com a força que ele requer. Senti quase fisicamente, nestes dias nada fáceis para mim, o amor que tendes por mim. Continuai a rezar por mim, pela Igreja, pelo futuro Papa, o Senhor nos guiará. [...] Me sustenta e ilumina a certeza de que a Igreja é de Cristo, o qual não deixará faltar a sua orientação e o seu cuidado. Agradeço a todos por seu amor e oração com que me tendes acompanhado".
Interrompido por um longo aplauso, Bento XVI agradeceu aos fiéis "por vossa simpatia" e concluiu: "Converter-se significa não fechar-se na busca do próprio sucesso, do próprio prestígio, da sua própria posição, mas fazer, verdadeiramente, que cada dia, nas pequenas coisas, a verdade, a fé em Deus e o amor se tornem as coisas mais importantes. Obrigado".
Estima-se que havia mais 3000 pessoas presentes na Sala Paulo VI - muitas delas com lágrimas nos olhos - para ouvir a mensagem do Santo Padre.
Leia abaixo a mensagem de Bento XVI dirigida ao público de língua portuguesa:
"Queridos irmãos e irmãs,
Hoje, Quarta-feira de Cinzas, iniciamos a Quaresma, tempo de preparação para a Páscoa. Estes quarenta dias de penitência nos recordam os dias que Jesus passou no deserto, sendo então tentado pelo diabo para deixar o caminho indicado por Deus Pai e seguir outras estradas mais fáceis e mundanas. Refletindo sobre as tentações a que Jesus foi sujeito, cada um de nós é convidado a dar resposta a esta pergunta fundamental: O que é que verdadeiramente conta na minha vida? Que lugar tem Deus na minha vida? O senhor dela é Deus ou sou eu? De fato, as tentações se resumem no desejo de instrumentalizar Deus para os nossos próprios interesses, em querer colocar-se no lugar de Deus. Jesus se sujeitou às nossas tentações a fim de vencer o maligno e abrir-nos o caminho para Deus. Por isso, a luta contra as tentações, através da conversão que nos é pedida na Quaresma, significa colocar Deus em primeiro lugar como fez Jesus, de tal modo que o Evangelho seja a orientação concreta da nossa vida.
Amados peregrinos lusófonos, uma cordial saudação para todos, nomeadamente para os grupos portugueses de Lamego e Lisboa, e os brasileiros de Curitiba e Porto Alegre. Possa cada um de vós viver estes quarenta dias como um generoso caminho de conversão à santidade que o Deus Santo vos pede e quer dar! As suas bênçãos desçam abundantes sobre vós e vossas famílias! Obrigado!"
Fonte: padrepauloricardo.org

"Eu sabia da renúncia desde Setembro de 2011"

Bento-xvi-renuncia


Publicamos este interessante artigo do jornalista italiano Antonio Socci que, num furo jornalístico extraordinário, já havia anunciado, há um ano e meio (!), a decisão de Bento XVI de renunciar ao Pontificado.

Antonio Socci | 12 de fevereiro de 2013.
A renúncia de Bento XVI não é somente uma notícia explosiva, mas um evento epocal, sem precedentes (pode-se citar o caso de Celestino V, há setecentos anos, mas foi um acontecimento muito diferente, num contexto bem diverso).
O que está acontecendo diante de nossos olhos é um acontecimento que, pela sua própria natureza planetária e espiritual, faz empalidecer todas as outras notícias de acontecimentos destes dias e certamente não tem relação alguma com elas (a começar com as eleições italianas).
Ontem, Ezio Mauro, na reunião de redação de "República" transmitida no site, e que obviamente foi dedicada ao pontífice, revelou que Bento XVI chegou a esta decisão "depois de uma longa reflexão. Hoje pela manhã – acrescentou Mauro – ele nos disse que já tinha tomado a decisão há tempo e que mesmo assim a manteve no segredo".
Na realidade a decisão foi tomada, pelo menos desde o verão de 2011 e não era mais uma notícia secreta desde 25 de setembro de 2011, quando, neste jornal, eu a trouxe à luz, tendo dela sabido de diversas fontes, todas confiáveis e independentes umas das outras. Naquela ocasião, a entrega do cargo fora pensada, por Ratzinger, para o seu aniversário de 85 anos, ou seja, na primavera de 2012.
O problema é que, dois meses depois do meu artigo, no outono de 2011, começou a eclodir o caso do vazamento de informações do Vaticano (conhecido como Vatileaks) e imediatamente ficou claro – até que não se concluísse o caso – que o Santo Padre não colocaria em prática sua decisão. De fato, no livro de entrevista publicado há alguns anos, "Luz do mundo", com Peter Seewald, analisando a possibilidade de renúncia de forma teórica, explicara que, quando a Igreja se encontra em meio a uma tempestade, um Papa não pode renunciar.
Por isto, no dia 11 de março de 2012, faltando um mês para o aniversário de 85 anos do Pontífice (que é 16 de abril), eu escrevi nesta coluna: "É necessário que se diga que a tempestade que se abateu nestes meses sobre a Cúria vaticana, em particular sobre a Secretaria de Estado, afastou a hipótese da renúncia do Papa, o qual sempre deixou claro que a renúncia deve ser excluída quando a Igreja está em grande dificuldade, pois poderia parecer uma fuga da responsabilidade". A forma como os fatos se desenvolveram posteriormente confirma esta reconstrução. Já que a renúncia do Papa aconteceu, finalmente, passado exatamente um mês da conclusão definitiva do caso Vatileaks, com o perdão concedido ao mordomo Paulo Gabriele.
Sinal de que esta renúncia já havia sido efetivamente pensada no verão de 2011.
Eis as razões apresentadas ontem pelo Papa: "cheguei à certeza de que as minhas forças, devido à idade avançada, já não são idôneas para exercer adequadamente o ministério petrino".
Com sua habitual clareza, o Papa disse a simples verdade e fez a escolha que considera a melhor para o bem da Igreja, escolha esta, aliás, de humildade, que é uma característica importante de sua humanidade e de sua fé.
Nós, no entanto, podemos e devemos observar que quase todos os papas precedentes envelheceram e permaneceram no cargo, embora com forças reduzidas, governando através de seus colaboradores.
Pode-se então levantar a hipótese que Bento XVI não tenha feito esta escolha por julgar não ter colaboradores à altura desta tarefa (com a sua renúncia, decaem os cargos mais importantes da cúria).
Pode-se claramente dizer que Bento XVI foi um grande pontífice e que o seu pontificado foi – ao menos em parte – dificultado por uma Cúria que não estava à sua altura, mas também pela escassa sintonia com o Papa por parte do episcopado.
Joseph Ratzinger, que confirma ser um papa extraordinário também com esta sua saída de cena, certamente carregou a cruz do ministério petrino sofrendo muito e dando tudo de si mesmo (não lhe faltaram nem incompreensões, nem desprezo).
Foi uma pena verificar que o seu esplêndido magistério muitas vezes não foi escutado.
Quando publiquei o meu furo jornalístico, escrevi que teria o desejo de ser desmentido pelos fatos e esperava que nós católicos rezássemos para que Deus nos conservasse este grande Papa por mais tempo.
Infelizmente, muitos crentes, ao invés de escutar este meu apelo à oração se puseram a me atacar, como se fosse crime de lesa majestade dar a notícia de que o Papa estava considerando a renúncia. Uma reação puritana que demonstra um certo clericalismo bem comum. Bento XVI – com a sua constante apologia da consciência e da razão – está entre os poucos que não possuem uma mentalidade clericalista.
Basta recordar que não hesitou em chamar com o seu nome próprio todas as pragas da Igreja e de denunciá-las como jamais se fizera.
Na sua admirável liberdade moral ele não hesitou nem mesmo em desmentir alguns de seus colaboradores mais próximos sobre o "segredo de Fátima". Aconteceu em 2010, quando decidiu fazer uma repentina peregrinação ao santuário português e lá declarou:
"Iludir-se-ia quem pensasse que a missão profética de Fátima esteja concluída [...] Na Sagrada Escritura, é frequente aparecer Deus à procura de justos para salvar a cidade humana e o mesmo faz aqui, em Fátima. [...] Possam os sete anos que nos separam do centenário das Aparições apressar o anunciado triunfo do Coração Imaculado de Maria para glória da Santíssima Trindade".
Uma expressão que certamente faz pensar (o centenário das aparições de Fátima será em 2017), também numa relação com os famosos "dez segredos" de Medjugorje.
Por outro lado, o próprio anúncio da renúncia aconteceu em uma data gloriosamente mariana, o 11 de fevereiro, aniversário (e festa litúrgica) das aparições da Virgem de Lourdes. É fácil prever que agora irão se desencadear explicações fantasiosas, que irão evocar Malaquias, a monja de Dresden e todo o resto.
Permanece, porém, o fato que o Papa, com o peso da decisão epocal que assumiu, coloca toda a Igreja diante da gravidade dos tempos que vivemos. Gravidade que Nossa Senhora enfatizou dolorosamente um todas as aparições modernas, desde La Salette, Lourdes, Fátima e Medjugorje (passando pelo misterioso e milagroso derramamento de lágrimas da imagem de Nossa Senhora em Civittavecchia).
É de se esperar, além do mais, que não se atribua a este nosso amado Papa, aquilo que foi atribuído a um seu predecessor, Pio X, que a Igreja proclamou santo.
É um episódio que tem sido difundido há alguns meses em alguns ambientes católicos e também na Cúria.
Parece que Pio X, em 1909, teria tido uma visão durante uma audiência que o angustiou: "O que vi foi terrível! Serei eu, ou um meu sucessor? Vi o Papa fugir do Vaticano entre os cadáveres de seus padres. Irá refugiar-se em algum lugar, incógnito, e depois morrerá de morte violenta".
Parece que teria voltado a esta visão em 1914, perto de sua morte. Ainda lúcido, transmitiu novamente o conteúdo da visão e comentou: "O respeito a Deus desapareceu dos corações. Deseja-se até mesmo apagar a sua lembrança".
Há algum tempo circula esta "profecia" também porque se diz que Pio X teria igualmente declarado que se trata de "um de meus sucessores com nome igual ao meu". O nome de Pio X era Giuseppe Sarto. Ou seja, José, portanto, Joseph. Desejo ardentemente que se trate de uma falsa profecia ou que não diga respeito aos nossos dias.
Mas a sua divulgação faz ver o quanto o pontificado de Bento XVI – como o de seu predecessor – esteja circundado de inquietações.
Além do mais, foi ele mesmo quem o iniciou pedindo a oração dos fieis para que não fugisse diante dos lobos. O Papa não fugiu.
Sofreu e realizou a sua missão até que pôde e hoje pede à Igreja um sucessor que tenha as forças para assumir este pesado ministério. Além do mais, para todos é evidente que o papado, já faz três séculos, tornou-se um lugar de martírio branco, da mesma forma com que, nos primeiros séculos, significava certamente o martírio de sangue.
De fato, os tempos modernos se abriram com um outro evento místico acontecido com o papa Leão XIII, o papa da "questão social" e da "Rerum novarum". No dia 13 de outubro de 1884 (13 de outubro é também o dia do milagre do sol em Fátima) o pontífice teve uma visão durante a celebração eucarística.
Ficou chocado e abalado. O pontífice explicou que dizia respeito ao futuro da Igreja. Revelou que Satanás, nos cem anos seguintes, chegaria ao cume de seu poder e que faria de tudo para destruir a Igreja.
Parece que ele teria visto também a Basílica de São Pedro assediada por demônios que a faziam tremer.
O fato certo, porém, é que o Papa Leão se recolheu imediatamente em oração e escreveu aquela maravilhosa oração a São Miguel Arcanjo, vencedor de Satanás e protetor da Igreja, que desde então era recitada em todas as igrejas, no fim da Missa.
Esta oração foi abolida com a reforma litúrgica que se seguiu ao Concílio Vaticano II, a reforma litúrgica que Bento XVI procurou tanto reelaborar. Nunca como hoje a Igreja necessita da oração de proteção a São Miguel Arcanjo.
Fonte: antoniosocci.com | Tradução: padrepauloricardo.org



11 de fev de 2013

Notícias e comentários sobre a renúncia do Papa Bento XVI

Algumas notícias e comunicados no mundo sobre a renúncia do Papa Bento XVI:

Bento XVI anuncia renúncia
◊   Cidade do Vaticano (RV) - Bento XVI anunciou esta segunda-feira que renunciará no dia 28 de fevereiro. Eis o texto integral do anúncio:

Caríssimos Irmãos,

convoquei-vos para este Consistório não só por causa das três canonizações, mas também para vos comunicar uma decisão de grande importância para a vida da Igreja. Depois de ter examinado repetidamente a minha consciência diante de Deus, cheguei à certeza de que as minhas forças, devido à idade avançada, já não são idôneas para exercer adequadamente o ministério petrino. Estou bem consciente de que este ministério, pela sua essência espiritual, deve ser cumprido não só com as obras e com as palavras, mas também e igualmente sofrendo e rezando. Todavia, no mundo de hoje, sujeito a rápidas mudanças e agitado por questões de grande relevância para a vida da fé, para governar a barca de São Pedro e anunciar o Evangelho, é necessário também o vigor quer do corpo quer do espírito; vigor este, que, nos últimos meses, foi diminuindo de tal modo em mim que tenho de reconhecer a minha incapacidade para administrar bem o ministério que me foi confiado. Por isso, bem consciente da gravidade deste ato, com plena liberdade, declaro que renuncio ao ministério de Bispo de Roma, Sucessor de São Pedro, que me foi confiado pela mão dos Cardeais em 19 de Abril de 2005, pelo que, a partir de 28 de Fevereiro de 2013, às 20,00 horas, a sé de Roma, a sé de São Pedro, ficará vacante e deverá ser convocado, por aqueles a quem tal compete, o Conclave para a eleição do novo Sumo Pontífice.
Caríssimos Irmãos, verdadeiramente de coração vos agradeço por todo o amor e a fadiga com que carregastes comigo o peso do meu ministério, e peço perdão por todos os meus defeitos. Agora confiemos a Santa Igreja à solicitude do seu Pastor Supremo, Nosso Senhor Jesus Cristo, e peçamos a Maria, sua Mãe Santíssima, que assista, com a sua bondade materna, os Padres Cardeais na eleição do novo Sumo Pontífice. Pelo que me diz respeito, nomeadamente no futuro, quero servir de todo o coração, com uma vida consagrada à oração, a Santa Igreja de Deus.

Vaticano, 10 de Fevereiro de 2013.

BENEDICTUS PP XVI


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Pe. Lombardi sobre renúncia do Papa: grandíssimo testemunho de liberdade espiritual de Bento XVI
◊   Cidade do Vaticano (RV) - "O Papa pegou-nos um pouco de surpresa e, ademais, num dia que é também, digamos, para o Vaticano, um dia festivo. Portanto, tivemos em tempo breve que organizar-nos para esta situação muito importante:" com essas palavras, o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Pe. Federico Lombardi, iniciou a coletiva concedida aos jornalistas durante a qual ofereceu algumas informações acerca da renúncia anunciada pelo Santo Padre.

"Como muitos de vocês sabiam – prosseguiu Pe. Lombardi –, tinha sido convocado para esta manhã o Consistório ordinário público para algumas causas de canonização e, portanto, foi estabelecido o dia da canonização de alguns novos santos. Para esta ocasião são convocados – por isto se chama Consistório público – os cardeais, todos os cardeais que estão em Roma e que podem participar, e, portanto, havia um grande número de cardeais. O Papa escolheu esta ocasião particularmente significativa, com o colégio dos cardeais, para dar um anúncio particularmente importante".

"O Papa – ressaltou o sacerdote jesuíta recordando a declaração do Pontífice – diz ter repetidamente examinado a sua consciência, diante de Deus. Eis, portanto, uma decisão pessoal, profunda, tomada em clima de oração diante do Senhor, do qual recebeu a missão que está realizando."

E chegou à certeza de que as suas forças, devido à idade avançada, já não são mais apropriadas para exercer o ministério petrino de modo adequado. Esse é o motivo fundamental da decisão.

O exame de consciência sobre as suas forças em relação ao ministério, em relação à tarefa a ser desenvolvida. Em suas palavras, o Papa continua dizendo que tem clara consciência de que este ministério, pela sua essência espiritual, deve ser cumprido não somente com as obras e com as palavras, mas, não menos, sofrendo e rezando. Portanto, há também o valor do sofrimento e da oração neste ministério.

"Dentre as motivações da renúncia do Papa, como se nota por suas palavras – acrescentou Pe. Lombardi –, existem as circunstância do mundo de hoje que, em relação ao passado, são particularmente árduas, pela rapidez e pela quantidade dos eventos, dos problemas que se apresentam e, portanto, digamos, a exigência de um vigor talvez maior do que em relação ao passado. Vigor que o Papa afirma ter sentido em si diminuir nos últimos meses."

O diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé observou que é significativa a frase "Bem consciente deste ato, com plena liberdade, declaro renunciar ao ministério de bispo de Roma, sucessor de São Pedro".

Esta é a declaração formal do ponto de vista jurídico importante – explicou Pe. Lombardi. No Código de Direito Canônico, cânon 332, parágrafo 2, lê-se:

"Se acontecer que o Romano Pontífice renuncie a seu múnus, para a validade se requer que a renúncia seja livremente feita e devidamente manifestada, mas não que seja aceita por alguém."

Portanto, "os dois pontos fundamentais são a liberdade e a devida manifestação. Liberdade e manifestação pública, como é de fato o Consistório público, ao qual o Papa manifestou a sua vontade".

Bento XVI – disse Pe. Lombardi – permanece exercendo plenamente as suas funções e o seu serviço até as 20h locais do dia 28 de fevereiro.

A partir daquele momento inicia-se a situação de sé vacante, regulada, do ponto de vista jurídico e canônico, pelos textos que se referem à sé vacante no Código de Direito Canônico e na Constituição Apostólica de João Paulo II Universi dominici gregis, sobre a vacância da sé apostólica.

"A declaração do Pontífice – explicou – é coerente com aquilo que o Papa declarou no livro-entrevista "Luz do mundo" de Peter Seewald, em que há duas perguntas precisas que se referem à hipótese de renúncia.

Seewal perguntara, inicialmente, a propósito de situações difíceis se estas pesavam sobre o Pontificado em andamento e se o Papa havia pensado renunciar. A resposta tinha sido:

"Quando o perigo é grande não se pode fugir, eis o motivo pelo qual este, seguramente, não é o momento de renunciar (referia-se à questão dos abusos e assim por diante), "é justamente em momentos como este que é preciso resistir e superar a situação difícil. Este é o meu pensamento. Pode-se renunciar num momento de serenidade, ou quando simplesmente não se consegue mais, mas não se pode fugir no momento do perigo e dizer 'que outra pessoa cuide disso'."

Portanto, aí o Papa dissera que as dificuldades não eram para ele motivo de renúncia – observou Pe. Lombardi. A segunda pergunta de Seewal:

"Portanto, é imaginável uma situação na qual o senhor considere que o Papa renuncie?" A resposta do Papa foi:

"Sim, quando um Papa alcança a clara consciência de não mais ser capaz fisicamente, mentalmente e espiritualmente de desempenhar o encargo a ele confiado, então tem o direito e, em algumas circunstâncias, também o dever de renunciar."

Quando tiver início a sé vacante – afirmou ainda Pe. Lombardi –, Bento XVI deverá transferir-se primeiro para Castel Gandolfo e, sucessivamente, quando terminarem os trabalhos de restauração, para onde se encontrava a sede do mosteiro das irmãs de clausura, no Vaticano.

Pessoalmente – continuou Pe. Lombardi –, acolhi o anúncio de renúncia do Papa com uma grandíssima admiração pela grande coragem, liberdade de espírito e pela grande consciência da responsabilidade pelo seu ministério.

Bento XVI ofereceu-nos – acrescentou – um grande testemunho de liberdade espiritual, de uma grande consciência dos problemas do Governo da Igreja no mundo de hoje.

Por fim, uma última informação de Pe. Lombardi: daqui até a Páscoa deveremos ter o novo Sucessor de Pedro. (RL)

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Card. Sodano em nome do colégio cardinalício: "Estamos incrédulos"
◊   Cidade do Vaticano (RV) – O anúncio feito por Bento no final do Consistório público para a promulgação da causa de três novos santos, foi como “um trovão em céu sereno”, afirmou o decano do Colégio Cardinalício, Card. Angelo Sodano.

O anúncio foi feito em latim, e ao tomar a palavra, o Card. Sodano disso: “Santidade, recebemos sua mensagem quase que completamente incrédulos. Permita-me dizer-lhe, em nome de todos os seus colaboradores, que estamos mais do que nunca solidários com o senhor, como estivemos nesses luminosos oito anos do seu pontificado”.

O Decano do colégio cardinalício afirma que antes de 28 de fevereiro, dia em que Bento XVI deseja pôr fim a este serviço, “teremos modo de expressar-lhe melhor os nossos sentimentos. Certamente, as estrelas no céu continuam sempre brilhando e assim brilhará sempre em meio a nós a estrela do seu pontificado”.

A essas palavras, seguiu-se um caloroso abraço entre o decano do colégio cardinalício e Bento XVI.

(BF)

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Igreja alemã: o Papa, um exemplo luminoso de autêntico sentido de responsabilidade
◊   Cidade do Vaticano (RV) - "A notícia da renúncia do nosso Santo Padre impressionou-me profundamente: com essas palavras, o arcebispo de Freiburg im Breisgau e presidente da Conferência Episcopal Alemã, Dom Robert Zollitsch, comenta o anúncio da renúncia de Bento XVI.

"O Papa Bento XVI dá ao mundo inteiro um exemplo luminoso de autêntico sentido de responsabilidade e de amor vivo pela Igreja. Cristo, através dos cardeais, confiou-lhe o sólio petrino. No momento em que as suas forças tornam-se insuficientes para desempenhar o serviço exigido pela Igreja, ele se retira com uma decisão tomada diante de Deus. Trata-se de um grande gesto humano e religioso."

Nós, bispos alemães, prossegue Dom Zollitsch, "agradecemos ao Santo Padre pelo serviço prestado no sólio petrino e estamos cheios de grande respeito e admiração por sua decisão".

O arcebispo reitera que Bento XVI é um grande docente da nossa Igreja. Sempre teve um desejo constante, presente em toda a sua vida e as suas obras: reconciliar fé e razão. Bento XVI é um Pontífice a partir de muitos pontos de vista: quis construir pontes entre fé e razão, pontes para se chegar a Deus, pontes entre as confissões e as religiões, para preparar o caminho da paz no mundo e oferecer crescimento ao reino de Deus.

Em seguida, o presidente dos bispos alemães faz uma referência à encíclica "Caritas in veritate", definindo-a "Carta Magna de uma globalização bem sucedida, orientada o mais possível na equidade social e na conservação da criação".

Dom Zollitsch afirma que a Igreja alemã é "profundamente reconhecedora ao Papa Bento por suas obras e por seu incansável empenho. O Papa alemão passará agora o timão da Igreja para outro. Ele nos fará falta. Mas ficará muito dele, porque ele forjou a Teologia e a Igreja de modo duradouro, como construtor de pontes, como pastor do seu rebanho, como cientista e docente".

"Sabemos que continuará colocando a sua força vital a serviço das pessoas – afirma Dom Zollitsc, invocando a bênção de Deus e assegurando as orações dos bispos alemães ao Papa." (RL)

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Cardeal Schönborn: "Renúncia de Bento XVI, passo extraordinário que merece respeito e admiração"
◊   Viena (RV) - "A declaração de renúncia do Papa Bento XVI é um passo extraordinário que merece respeito e admiração." Foi o que disse o Arcebispo de Viena, Cardeal Christoph Schönborn, Presidente da Conferência Episcopal da Áustria, à agência de notícias Kathpress.

"Compreendo a decisão do pontífice, embora este passo tenha me afetado dolorosamente", acrescentou o purpurado. "Exercer a função de Papa requer um trabalho enorme, com eventos públicos, escritos, decisões e consultas. É pesado para um Pontífice de 85 anos. É claro que Bento XVI está em pleno possesso de suas faculdades e desempenha suas funções com clareza mental e espiritual. Basta ouvir suas homilias e discursos. Ao mesmo tempo, tornou-se cada vez mais claro que as forças físicas do Santo Padre estão diminuindo, como ele expressou em sua declaração de maneira corajosa", sublinhou o Cardeal Schönborn.

O purpurado frisou que não há necessidade de se preocupar com a Igreja Católica, porque é Jesus Cristo quem guia a Igreja. (MJ)



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Dom Fouad Twal: "Bento XVI, sabedoria moral e humildade"
◊   Jerusalém (RV) - O Patriarca Latino de Jerusalém, Dom Fouad Twal, com os bispos auxiliares, sacerdotes e fiéis da Terra Santa saúdam com gratidão a coragem, sabedoria moral e humildade de Bento XVI que serviu com dedicação à Igreja por quase 8 anos.

Numa nota, difundida nesta segunda-feira, o patriarcado recorda a viagem do Papa à Terra Santa em 2009 e a Chipre em 2010, "com um forte simbolismo para os cristãos, mas também para judeus e muçulmanos".

"É com grande alegria e esperança que os cristãos da Terra Santa e do Oriente Médio receberam a Exortação Apostólica Ecclesia in Medio Médio. Através dela os cristãos do Oriente Médio apreciaram os conselhos e instruções a fim de serem nesta região e no mundo comunhão e testemunho", ressalta ainda a nota.

O Patriarcado Latino de Jerusalém "com emoção, oração e recolhimento agradece de coração a Bento XVI pelo afeto paterno e compromisso pela paz na Terra Santa e deseja ao Santo Padre que a Virgem Maria o acompanhe nessa decisão e no tempo de descanso que o espera". (MJ)

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Secretário-geral do CMI comenta renúncia de Bento XVI
◊   Nova York (RV) - A renúncia de Bento XVI foi acolhida com respeito e apreço pelo Secretário-Geral do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), Rev. Olav Fykse Tveit.

"Respeitamos totalmente a decisão de Sua Santidade Bento XVI de renunciar", disse o pastor da sede do CMI, em Nova York, onde se encontra em visita.

"Com profundo respeito, vimos como ele assumiu a responsabilidade e o peso de seu ministério em idade avançada, num momento difícil para a Igreja. Manifesto meu apreço pelo seu amor e compromisso com a Igreja e com o movimento ecumênico. Pedimos a Deus que o abençoe neste momento e nesta fase de sua vida e que guie a Igreja Católica neste período importante de transição", sublinhou Tveit.

O secretário-geral do organismo lembrou que Bento XVI conhece bem o CMI por ter sido membro no final dos anos 60 e início dos anos 70 da Comissão "Fé constituição" como professor de teologia na Universidade de Tübingen. (MJ)

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Judeus italianos: "Respeito pela decisão dolorosa e corajosa"
◊   Roma (RV) - "Os judeus italianos manifestaram proximidade e respeito ao Papa Bento XVI pela decisão dolorosa e corajosa tomada neste momento."

Num comunicado, o presidente da União das Comunidades Judaicas Italianas, Renzo Gattegna, recorda como "extremamente significativo, ao longo de seu magistério, os passos dados em favor da aproximação entre judeus e cristãos, na esteira de valores comuns".

Gattegna cita no comunicado a visita oficial do Papa a Israel, a oração pela paz no Muro das Lamentações, as palavras proferidas no Memorial Yad Vashem e o encontro com os judeus romanos no Templo Maior.

"Com seu pontificado ele traçou um caminho rumo ao entendimento, indispensável para todos nós, reforçado pelo pontífice em suas palavras. Esperamos que Bento XVI possa contribuir no futuro para um diálogo baseado nos princípios de dignidades iguais e respeito mútuo"- conclui Gattegna. (MJ)

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Arcebispo de Cantuária sobre renúncia do Papa: "Dignidade, visão e coragem"
◊   Cantuária (RV) - "O Papa Bento XVI nos mostrou o que pode ser concretamente a vocação à Sé de Pedro, um testemunho universal do Evangelho e um mensageiro da esperança."

Estas palavras foram proferidas pelo novo arcebispo de Cantuária, Dr. Justin Welby, primaz da Igreja Anglicana, após a notícia da renúncia de Bento XVI ao pontificado, nesta segunda-feira.

Dr. Welby tomou a palavra para agradecer a Deus, em seu nome e em nome de todos os anglicanos do mundo, "pelo ministério que Bento XVI desempenhou com grande dignidade, visão e coragem".

"Em seus ensinamentos e escritos ele soube abordar com uma mente teológica criativa e significativa as questões de hoje. Nós, que pertencemos à família cristã estamos cientes da importância deste testemunho e nos unimos aos nossos irmãos católicos no agradecimento a Deus pela inspiração e o desafio do ministério do Papa Bento XVI. Rezamos para que Deus o abençoe e lhe conceda saúde e paz no corpo e no coração. Confiamos no Espírito Santo que tem a responsabilidade de eleger seu sucessor", concluiu o novo arcebispo de Cantuária. (MJ)

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Surpresa e humildade: Card. Braz de Aviz comenta renúncia de Bento XVI
◊   Cidade do Vaticano (RV) – “O sentimento é de surpresa, muito grande”: palavras do Prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, Card. João Braz de Aviz, que estava presente no momento do anúncio da renúncia de Bento XVI.

Contatado pela Rádio Vaticano, Card. Braz de Aviz fala da reação de surpresa dos cardeais presentes:

Nós fomos convocados esta manhã às 11h para o Consistório dos cardeais com o programa de aprovação de novos santos para a Igreja. Toda a sessão foi feita em latim, e no final da sessão o papa pessoalmente anunciou esta notícia para nós muito extraordinária. Eu inclusive consultei o cardeal que estava ao meu lado e disse: “O Papa está dizendo que ele está renunciando?” Porque não me parecia verdade. De fato, depois vimos que já estava confirmado e era isso mesmo que ele estava dizendo. Foi uma surpresa para todos nós porque esta atitude da renúncia não é uma atitude muito comum na Igreja. Mas a gente acredita que o Papa, provavelmente ajudado pelos seus médicos, pelas pessoas que lhe estão perto, seguramente ele avaliou isso, e o fez no conjunto da Igreja para o bem da Igreja. É um ato de extrema humildade por parte do Papa, de extremo amor à Igreja e que nos colheu muito de surpresa. Mas nós acreditamos realmente que o Papa o fez por amor à Igreja, por amor à Sé de Pedro, e nós sabemos o quanto ele trabalhou, quanto ele está trabalhando e trabalhará até o dia 28 ainda nesse sentido. O sentimento é de surpresa, muito grande. A gente via na própria sala esta surpresa. Não sabíamos de nada, só da questão do consistório para os santos e não de sua renúncia. Nesse sentido, foi uma grande surpresa. Também a atitude dele: “Continuarei ajudando através da minha oração e do meu testemunho”. Isso é muito bonito da parte do Santo Padre. Da nossa parte, queremos pedir pela Igreja, pedir também pelo novo Conclave e pedir para que o Senhor dê a nós o Pontífice que ele pensou para este momento.
(BF)


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Nota da CNBB sobre anúncio da renúncia de Bento XVI
◊   Brasília (RV) - A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou nota na tarde desta segunda-feira, 11 de fevereiro, sobre o anúncio da renúncia do Papa Bento XVI feito na manhã de hoje. A seguir, a íntegra da nota:

Brasília, 11 de fevereiro de 2013
P. Nº 0052/13

“Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei minha Igreja” (Mt 16,18)


A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB recebe com surpresa, como todo o mundo, o anúncio feito pelo Santo Padre Bento XVI de sua renúncia à Sé de Pedro, que ficará vacante a partir do dia 28 de fevereiro próximo. Acolhemos com amor filial as razões apresentadas por Sua Santidade, sinal de sua humildade e grandeza, que caracterizaram os oito anos de seu pontificado.

Teólogo brilhante, Bento XVI entrará para a história como o “Papa do amor” e o “Papa do Deus Pequeno”, que fez do Reino de Deus e da Igreja a razão de sua vida e de seu ministério. O curto período de seu pontificado foi suficiente para ajudar a Igreja a intensificar a busca da unidade dos cristãos e das religiões através de um eficaz diálogo ecumênico e inter-religioso, bem como para chamar a atenção do mundo para a necessidade de voltar-se ao Deus criador e Senhor da vida.

A CNBB é grata a Sua Santidade pelo carinho e apreço que sempre manifestou para com a Igreja no Brasil. A sua primeira visita intercontinental, feita ao nosso País em 2007, para inaugurar a V Conferência Geral do Episcopado da América Latina e do Caribe, e, também, a escolha do Rio de Janeiro para sediar a Jornada Mundial da Juventude, no próximo mês de julho, são uma prova do quanto trazia no coração o povo brasileiro.

Agradecemos a Deus o dom do ministério de Sua Santidade Bento XVI a quem continuaremos unidos na comunhão fraterna, assegurando-lhe nossas preces.


Conclamamos a Igreja no Brasil a acompanhar com oração e serenidade o legítimo processo de eleição do sucessor de Bento XVI. Confiamos na assistência do Espírito Santo e na proteção de Nossa Senhora Aparecida, neste momento singular da vida da Igreja de Cristo.

Dom Raymundo Damasceno Assis
Arcebispo de Aparecida
Presidente da CNBB

Dom José Belisário da Silva
Arcebispo de São Luís
Vice-presidente da CNBB

Dom Leonardo Ulrich Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário Geral da CNBB

Bento XVI anuncia sua renúncia como Papa

Rádio Vaticano -


O Papa Bento XVI anunciou nesta segunda-feira, 11, que vai renunciar à sua função como Papa no dia 28 de fevereiro. Veja abaixo o texto integral do anúncio: 

Caríssimos Irmãos,

"Convoquei-vos para este Consistório não só por causa das três canonizações, mas também para vos comunicar uma decisão de grande importância para a vida da Igreja. Depois de ter examinado repetidamente a minha consciência diante de Deus, cheguei à certeza de que as minhas forças, devido à idade avançada, já não são idôneas para exercer adequadamente o ministério petrino. Estou bem consciente de que este ministério, pela sua essência espiritual, deve ser cumprido não só com as obras e com as palavras, mas também e igualmente sofrendo e rezando. Todavia, no mundo de hoje, sujeito a rápidas mudanças e agitado por questões de grande relevância para a vida da fé, para governar a barca de São Pedro e anunciar o Evangelho, é necessário também o vigor quer do corpo quer do espírito; vigor este, que, nos últimos meses, foi diminuindo de tal modo em mim que tenho de reconhecer a minha incapacidade para administrar bem o ministério que me foi confiado. Por isso, bem consciente da gravidade deste ato, com plena liberdade, declaro que renuncio ao ministério de Bispo de Roma, Sucessor de São Pedro, que me foi confiado pela mão dos Cardeais em 19 de Abril de 2005, pelo que, a partir de 28 de Fevereiro de 2013, às 20,00 horas, a sede de Roma, a sede de São Pedro, ficará vacante e deverá ser convocado, por aqueles a quem tal compete, o Conclave para a eleição do novo Sumo Pontífice.

Caríssimos Irmãos, verdadeiramente de coração vos agradeço por todo o amor e a fadiga com que carregastes comigo o peso do meu ministério, e peço perdão por todos os meus defeitos. Agora confiemos a Santa Igreja à solicitude do seu Pastor Supremo, Nosso Senhor Jesus Cristo, e peçamos a Maria, sua Mãe Santíssima, que assista, com a sua bondade materna, os Padres Cardeais na eleição do novo Sumo Pontífice. Pelo que me diz respeito, nomeadamente no futuro, quero servir de todo o coração, com uma vida consagrada à oração, a Santa Igreja de Deus".

Vaticano, 10 de Fevereiro de 2013.

Bento XVI



9 de fev de 2013

Um Papa certo para tempos incertos



Pedro fala pela boca de Bento XVI. O legado que deixará à Igreja é um tesouro incalculável, desde a sua teologia a sua humildade cristã.

Nos primeiros séculos do cristianismo, mais precisamente no século III, a Igreja Católica sofreu grandes abalos, ora advindos das perseguições bárbaras e pagãs, ora dos próprios membros da Igreja, com suas heresias acerca da Pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo. Crises como as do Gnosticismo e do Arianismo teriam destruído a Igreja, dada a proporção de seus seguidores, não fosse a providência divina e a assistência do Espírito Santo ter suscitado grandes santos para a defesa de nossa fé, dando cumprimento a promessa de Cristo de que “as portas do Inferno não prevalecerão”.
O ano de 451 foi marcado pelas grandes controvérsias cristológicas. Apartados da fé apostólica, inúmeros bispos passaram a acreditar na heresia monofisista. Essa heresia afirmava que Cristo possuía apenas a natureza divina. Contra isso, levantou-se o Papa São Leão Magno no seu famoso “Tomo a Flaviano”, no qual declarava a união hipostática de Cristo, ou seja, que Jesus é verdadeiro Deus e verdadeiro homem. O discurso do Santo Padre foi aclamado pelos bispos conciliares, reunidos em Calcedônia, sob a célebre frase: “Pedro falou pela boca de Leão”.
A Doutrina Católica ensina que o Papa é o “Servo dos Servos de Cristo”. Sob ele recai o múnus de Vigário de Cristo e de Pastor de toda a Igreja. Por isso, o Santo Padre “é o perpétuo e visível princípio e fundamento da unidade, quer dos bispos, quer da multidão dos fiéis”. Como sucessor de São Pedro, o Sumo Pontífice tem o santo dever de confirmar a todos na fé (Luc. 22, 31-32). Esse carisma da unidade na fé e na caridade fez com que o escritor inglês G.K. Chesterton dissesse uma vez, parafraseando um antigo ditado: “Se o Papa não existisse, seria necessário inventá-lo”.
Assim, se os Bispos de Calcedônia diziam: “Pedro falou pela boca de Leão” – hoje podemos afirmar que Pedro está falando pela boca de Bento XVI. Joseph Ratzinger é o Papa certo para tempos incertos. Num momento em que a Igreja vive uma encruzilhada entre a apostasia do relativismo e o martírio da ridicularização, o testemunho valente do Bispo de Roma tem dado aos católicos, principalmente aos jovens, o impulso necessário para a vivência virtuosa e apostólica da fé cristã.
No final do ano passado, quando todos os prognósticos da mídia certificavam a falência da autoridade papal, devido às corajosas condenações do Papa Bento XVI ao aborto e em defesa do matrimônio, a mensagem do Santo Padre encontrou eco onde menos se esperava: na juventude. Incentivando os fiéis católicos e os homens de boa vontade – até mesmo os de outras religiões – a se unirem em defesa dos princípios inegociáveis da dignidade humana, o Papa pediu que a verdade fosse anunciada sem medo de represálias.
“No diálogo com o Estado e a sociedade, naturalmente a Igreja não tem soluções prontas para as diversas questões. Mas, unida às outras forças sociais, lutará pelas respostas que melhor correspondam à justa medida do ser humano. Aquilo que ela identificou como valores fundamentais, constitutivos e não negociáveis da existência humana, deve defendê-lo com a máxima clareza. Deve fazer todo o possível por criar uma convicção que possa depois traduzir-se em ação política”.
Para surpresa de todos, mas sobretudo daqueles que são inimigos da Igreja Católica, o pedido do Santo Padre foi atendido. As ovelhas ouviram a voz de seu pastor (Jo 10.3). Em todo mundo começaram a surgir movimentos em defesa da vida e da família.
No Reino Unido, mais de mil padres e bispos assinaram uma carta aberta ao Governo contra a união de homossexuais. Na França, 800 mil pessoas foram às ruas de Paris dizer um veemente não ao projeto do governo socialista de legalizar o “casamento” gay. Na Irlanda, 30 mil pessoas marcharam contra a legalização do aborto. E nos EUA, na capital da terra da liberdade, Washington D.C., 650 mil pessoas, na sua maioria jovens, protestaram contra os 40 anos da aprovação do aborto no país . Foi a maior marcha pela vida de toda a história dos americanos.
Há poucos dias, durante outra Marcha pela Vida nos EUA, mas dessa vez em São Francisco, 50 mil pessoas pediram o fim da lei do aborto no Estado americano. Como fez durante a Marcha pela Vida em Washingnton D.C., Bento XVI enviou uma mensagem de apoio aos participantes do protesto. Uma das coordenadoras do evento, Eva Muntean, revelou ter ficado admirada com o silêncio que os manifestantes fizeram para se ouvir as palavras do Santo Padre: “Podia-se escutar um alfinete cair. Estava tão silencioso, todo mundo prestava atenção. Isso foi muito especial para nós”.
Pedro fala pela boca de Bento XVI. Sim, e o legado que esse Papa deixará à Igreja é um tesouro incalculável, desde a sua teologia a sua humildade cristã. Bento XVI é o Papa da Dominus Iesus[01], da certeza de que a única Igreja de Cristo é a Católica. O Papa que desmantelou a Teologia da Libertação[02] e pôs abaixo a babilônia dos teólogos liberais. O Papa que ensinou ao homem que Cristo não veio trazer um mundo melhor, veio trazer Deus. Que desmascarou a “ditadura do relativismo”, mostrando que o único caminho de felicidade para o homem é a verdade de Cristo. Que recordou os povos de que “caridade sem verdade é sentimentalismo”[03]e que “um governo sem princípios morais não passa de uma quadrilha de malfeitores”. Que “Deus é amor”[04] e que somos “Salvos na Esperança”[05]. E, finalmente, que “a porta da fé[06], que introduz na vida de comunhão com Deus e permite a entrada na sua Igreja, está sempre aberta para nós”.
O católico tem um amor natural pelo sacerdote, ainda mais pelo Papa. São Josemaria Escrivá, no seu livro “Caminho”, agradecia a Deus com a seguinte expressão: “Obrigado, meu Deus, pelo amor ao Papa que puseste no meu coração”.
Na Santa Missa “Pro Eligendo Romano Pontifice”[07] - Missa de abertura do Conclave – o Cardeal Joseph Ratzinger encerrou sua memorável homilia rogando a Deus para que mandasse um novo pastor à Igreja, e que este fosse capaz, acima de tudo, de guiar o rebanho “ao conhecimento de Cristo, ao seu amor, à verdadeira alegria”. A festa que se seguiu na Praça São Pedro após o anúncio do Cardeal Medina de que Joseph Ratzinger era o novo Papa só viria a confirmar o pedido do antigo cardeal a Deus. Como bem disse o jornalista Peggy Noonan em um artigo para o The Wall Street Journal, “o primeiro milagre de João Paulo II não foi o da sua beatificação, o primeiro milagre de João Paulo II foi Bento XVI”.
Fonte: padrepauloricardo.org
DEUS NOS GUARDE!



4 de fev de 2013

Vinde e Vede 2013 - Retiro de Carnaval


A Renovação Carismática Católica da Arquidiocese de Vitória realiza o Retiro de Carnaval Vinde e Vede  durante os quatro dias das festividades carnavalescas.

Este ano, o tema é "Se creres verás a glória de Deus!", Jo 11, 40. O retiro terá início no sábado de carnaval, dia 09 de fevereiro, às 07hs da manhã, e se estenderá até a terça-feira, dia 12. O evento será realizado no Pavilhão de Carapina, Serra-ES.

Os jovens do município de Guarapari e região podem contar com a Caravana CEFAS, que fará o transporte com ônibus especial dos que viajarem com eles. O pacote de viagem com todas as comodidades e assistência do CEFAS fica por apenas R$ 80,00 incluindo transporte, casa/hospedagem, café da manhã e jantar nos 04 dias de retiro. Vale a pena viajar com esses missionários do CEFAS!!!

Lá no Pavilhão de Carapina, conduzindo os momentos com a juventude e as famílias estará o pregador Padre Dudu Braga (Arquidiocese de Niterói-RJ); Luiz Carvalho (Comunidade Recado-CE); Roberta Moraes (Coordenadora Música e Artes-ES); Dom Rubens Sevilha (Bispo Auxiliar de Vitória); Padre Anderson Gomes (Diretor Espiritual RCC-Vitória); Padre Jairo de Souza (Arquidiocese de Vitória-ES). Haverá também muita animação, dança e louvores ao som das Bandas Bom Pastor (RJ); DDD – Doidin de Deus (PE); Querubins e Santuário (ES).
Quer participar? Vinde e Vede! Chame a família, amigos, colegas e entre em contato com a Caravana CEFAS (Cris, Munique e Denis: 9733-6662 / 9623-0606), pronto! Depois de reservar a sua vaga faça as malas e lembre-se de incluir na bagagem a Bíblia e 1kg de alimento não perecível para doar as famílias carentes. As mamães podem ficar tranquilas, pois no evento também haverá o “Vinde Vedinho” que é um espaço com suporte e evangelizadores para as crianças de 4 a 12 anos.

Jovem, não fique pela rua vagando de bobeira! Vêm conosco, Vinde e Vede, "Se creres verás a glória de Deus!"! Venha louvar, dançar, ouvir testemunhos, confessar, conhecer um galerão, comer comida boa e o melhor passar 4 dias recebendo o carinho de Jesus Cristo! Chegou a sua vez, este é o seu momento, este é o seu Vinde e Vede!

Eu já fui várias vezes a este evento e a cada ano maravilhas faz o Senhor em minha vida. Ano passado eu fui com as minhas crianças. Levei a minha “filha” na época com 16 anos, a minha “neta” de seis meses, meu sobrinho com 10 anos e duas amigas/vizinhas uma com 15 e a outra com 17 anos de idade. Nossa, foi o meu melhor Vinde e Vede, pois nada é mais gostoso do que está com a família na presença do Senhor! Eu recomendo aos jovens e aos seus familiares que se permitam viver este Retiro de Carnaval, permitam esse agir de Deus no meio de vós! Digo a todos que entre estar aqui fora bebendo, fumando e prostituindo eu escolho Jesus Cristo, eu escolho o Vinde e Vede!!!

Deus o abençoe!

Andréia Amada
Paróquia  São José/Com. Santa Rita de Cássia
Grupo de Oração Nova Jerusalém/Guarapari-ES.

"Despojemo-nos das ações das trevas e vistamos as armas da Luz" Rm 13,12
CEFAS, oriundo do nome de São Pedro apóstolo, significa também um Acróstico: Comunhão para Evangelização, Formação e Anúncio do Senhor. É um humilde projeto de evangelização através da internet, buscando levar formação católica doutrinal e espiritual.