MinistroO faisão é uma ave exótica, da família do peru e se parece muito com uma galinha, tem corpo robusto e pernas e asas curtas. É uma ave colorida de penas longas. E por ser uma vedete da alta gastronomia, o preço do quilo da carne de faisão fica em torno de R$ 40,00. Os ovos saem a R$ 30,00 a dúzia.
Quando São Francisco estava doente, um nobre do condado de Sena mandou levar para ele um faisão. Claro que a intenção do nobre era alimentar o santo com a ave. Francisco não era vegetariano, nem ecologinóide, destes que não comem carne em defesa da natureza. Se Francisco não comeu o faisão foi porque de fato, mesmo doente, ele continuava fazendo seus jejuns e penitências e sabemos o quanto ele maltratou o irmão corpo para pagar as penas temporais e se purificar de seus pecados ainda em vida e assim ir do leito de morte direto ao paraíso sem passar pelo purgatório, coisa que todos nós deveríamos aprender com ele, pois, afinal, as dores infligidas nesse local de purificação são “tão intensas que a menor pena do Purgatório ultrapassa a maior desta vida”.
E assim, o faisão foi ficando ali no convívio dos frades. Não porque fossem contra matar a ave para comê-la, mas simplesmente porque o santo jejuava. Francisco havia ganhado o faisão de presente, mas diferente de nós que aprisionamos nossos animais em gaiolas, o santo deixava o faisão livre para ir e vir. Fez até um teste para saber se o faisão queria ficar entre eles. Mandou os frades levá-lo para longe e soltá-lo. E eis que o faisão apareceu à porta deles. Outra vez mandou que o levassem, mas desta vez para mais longe ainda e mesmo assim ele retornou. Isso me faz pensar sobre a liberdade. Que liberdade damos as pessoas que convivem conosco? Temos ciúmes, queremos só para nós e não as deixamos livres para ir e vir.
John Lennon, o músico inglês que foi brutalmente assassinado por um doente mental quando chegava em casa, no edifício Dakota, em Nova Iorque e que nos anos sessenta revolucionou a música popular com os Beatles e é até hoje injustamente difamado por causa de uma jornalista que publicou suas palavras fora de contexto, o que fez com que as pessoas acreditassem que ele teria dito que ele e os outros garotos de Liverpool eram mais populares que Jesus Cristo, disse certa vez: “Amo a liberdade, por isso deixo as coisas que amo livres. Se elas voltarem é porque as conquistei. Se não voltarem é porque nunca as possuí”. O faisão voltou para São Francisco. O filho pródigo voltou para a casa do pai. Se seu filho não está mais indo à missa, não se desespere, tudo tem seu tempo, deixe ele livre para fazer suas escolhas, a sua parte você já fez, ensinando a ele os caminhos do Senhor, se ele voltar para Deus é porque no fundo o coração dele já foi conquistado por Deus. O faisão foi conquistado por Francisco. E de uma forma tão intensa que quando a ave foi dada para um médico que pediu o faisão aos frades, não para come-lo, mas desejando criá-lo por reverência ao santo, o faisão ficou triste e parou de comer. Iria morrer de fome se o médico não resolvesse trazê-lo de volta para o santo. Logo que foi posto no chão, ele olhou para o pai, esqueceu a tristeza e começou a comer com satisfação. Assim também somos nós. Não se aflija se um familiar ou amigo o abandonou por algum motivo. Talvez uma briga, um desentendimento fez com que ele se afastasse de você e ficasse longos anos sem querer vê-lo, sem querer falar com você. Deixe-o. Não insista. Se de fato ele o ama, vai voltar, mas se não voltar, é apenas prova de que nunca te amou.
Que assim seja, amém. Paz e bem!
Rodrigo Hogendoorn Haimann, ofs