24 de dez de 2015

Natal

Sobre o Natal!  Vc sabia?

Algo que não é unanimidade entre os Cristãos é o natal e sua data de comemoração, alguns pontos de vistas tem de ser observados e olhados de maneiras isolados para entender o porque de cada um comemorar a santa natividade em datas diferentes!
 Primeiramente, mas algo no inicio do cristianismo até o Século IV, o natal era comemorado no dia 17 de agosto, mas como com sentido igual, nascimento de nosso Senhor, porem porque em agosto, pois bem sendo no hemisfério SUL, da terra a biblia apresenta na leitura do dia que Maria e José se encontravam em uma instalação para colocar os animais e protege-lo do frio, inverno, no nosso hemisferio teria que ser por essa data, e claro a resseção para cadastro esse fato se encontra registrado no dia 17 de Agosto de nossos dias segundo o calendário Juliano(Guardem esse nome), e nesse calendário consta o nome de José vindo da casa de Daví, e toda a sua genealogia, ele se encontra atualmente na biblioteca do Vaticano!
 Uma coisa interessante a ser observadas e relatadas é que não haviam mais vagas em Belém, uma coisa pouco falada mas era quase que para todos, como foi profetizado o Messias nasceria em Belém, um costume muito comum era que as gestantes se mudassem para Belém para ter seus filhos lá, na esperança de que ele fosse o Salvador, por isso, que a cidade que tinha por volta de 11.000 habitantes em um dia teve quase dez vezes mais, não foi só Maria e José que ficaram de fora, mas por sorte Arrumaram a instalação mais chucra que tinham para eles! Por pena de Maria.
 Explicando de maneira simplificada: a Igreja Ortodoxa não aceitou a reforma do calendário promovida pelo Papa católico Gregório, em 1582. A reforma corrigiu a defasagem de 13 dias que havia entre a data do calendário e a data real da mudança das estações – equinócios e solstícios. Assim sendo, os ortodoxos continuam celebrando o Natal em 25 de dezembro, só que pelo calendário Juliano, criado por Júlio César em 45 a.C, enquanto nós adotamos a reforma católica e utilizamos o calendário Gregoriano. ficou aceito que o  Natal seria comemorado dia 6 de Janeiro, já sendo aceito com algumas mudanças, como a festa do Batismo, da circuncição do nosso senhor e da purificação de Maria no mesmo periodo ele não entendia o porque do natal tão longe. E nesse sentido a separação própria dos próprios ortodoxos, alguns diferenciados, como a igreja Copta Etiope, que ainda comemora o natal em agosto, enquanto as demais igrejas Ortodoxas menos a Armena, comemoram no dia 6 de Janeiro a Armena comemora no dia 7!

Feliz vespera de natal para todos!

18 de dez de 2015

O intelectual é um consagrado



Irmãos, estou lendo este maravilhoso livro "A vida intelectual" do Padre Antonin Dalmace Sertillanges. E quero trazer aqui uma série dos melhores trechos que estou selecionando.
Todo o livro é uma preciosidade, mas vou destacar aqui alguns textos que achei impactantes.
Para baixar todo o livro em pdf clique aqui.

Nesta primeira postagem vamos meditar sobre a consagração à vida intelectual.

"Falar de vocação equivale a designar os que pretendem fazer do trabalho intelectual a sua vida, ou porque dispõem de vagar para se entregarem ao estudo, ou porque, no meio de ocupações profissionais, reservam para si, como feliz suplemento e recompensa, o profundo desenvolvimento do espírito. Digo profundo, para descartar a ideia de tintura superficial. Uma vocação não se satisfaz com leituras vagas nem com pequenos trabalhos dispersos. Requer penetração continuidade e esforço metódico, no intuito duma plenitude que responda ao apelo do Espírito e aos recursos que lhe aprouve comunicar-nos.
Este apelo não se deve conjecturar. Quem se aventura a um caminho, que não pode trilhar, com pé
firme, conte de antemão com decepções. O trabalho pesa sobre todos e, após a primeira formação sempre custosa, seria loucura deixar descambar o espírito na primitiva indigência. Uma coisa é a conservação pacífica do que se adquiriu, e outra coisa é retomar pela base uma instrução puramente provisória e que se considera simples ponto de partida. Este último estado de espírito é o de um chamado. Implica uma resolução grave, porque a vida de estudo, sendo austera, impõe duros encargos. Paga, e abundantemente; mas exige uma entrada de capital de que poucos são capazes. Os atletas da inteligência, Como os atletas do desporto, têm de prever privações, longos treinos e tenacidade por vezes sobre-humana. Precisam de se dar de alma e coração à conquista da verdade, visto que a verdade só presta serviços a quem a serve.

Tal orientação deve ser precedida de maduro e longo exame. A vocação intelectual é como as demais vocações: está inscrita nos nossos instintos, nas nossas capacidades, em um não sei que entusiasmo interior sujeito ao exame da razão. As nossas disposições são como as propriedades químicas que determinam, para cada corpo, as combinações em que pode entrar.

Não é coisa que se dê. Vem do céu e da natureza primeira. O ponto está em ser dócil a Deus e a si próprio, depois de ter escutado estas duas vozes.

(...)

O estudo duma vocação intelectual comporta, além da vantagem incalculável de o homem se realizar plenamente a si próprio, um interesse geral a que ninguém pode renunciar.

(...)

Se sois porta-luz, não escondais, debaixo do alqueire, o brilho pequeno ou grande que de vós se espera na casa do Pai de família. Amai a verdade e os seus frutos de vida, para bem vosso e dos outros; consagrai ao estudo e à sua utilização o principal do vosso tempo e do vosso coração.
Todos os caminhos, excepto um, são maus para vós, visto que todos se apartam da direção onde se espera e se requer a vossa ação. Não sejais infiel a Deus, nem a vossos irmãos, nem a vós próprios, rejeitando um apelo sagrado.

Isto supõe que se abraça a vida intelectual com intenções desinteresseiras e não por ambição ou vã
gloríola. Os guisos da publicidade só tentam os espíritos fúteis. A ambição, que quisesse subordinar a si a verdade eterna, ofendê-la-ia. Brincar com as questões que dominam a vida e a morte, com a natureza misteriosa, talhar-se um destino literário e filosófico à custa da verdade ou fora da dependência da verdade, constitui um sacrilégio.

(...)

Sois um consagrado: tendes de querer o que a verdade quer; consenti, por causa dela, em vos mobilizardes, em vos fixardes nos seus domínios, em vos organizardes e, porque vos falta a experiência, em vos firmardes na experiência alheia.

"Ah, se a juventude soubesse!..."; Mais do que ninguém, precisam os jovens deste aviso. A ciência é conhecimento pelas causes; mas ativamente, quanto à sua produção, é criação pelas causas. É preciso conhecer e adotar as causas do saber, depois coaduná-las e não adiar o cuidado de lançar os alicerces até ao momento de assentar o telhado.

(...)

O que digo aplica-se a todos, dum modo especial aos que só sabem dispor duma parte da vida, da
mais fraca, para se entregarem aos trabalhos da inteligência. Mais do que os outros, devem estes ser consagrados. Terão de amontoar, em reduzido espaço, o que lhes não é dado distribuir em vasta extensão. O ascetismo especial e a virtude heroica do trabalhador intelectual deverão ser, para eles, o pão de cada dia.

Se, porém, consentirem nesta dupla oferta de si próprios, não desanimem.
Se para produzir não faz falta o gênio, menos falta ainda faz a plena liberdade, tanto mais que esta
tem armadilhas, e para as vencer pode concorrer imenso o estar adstrito a rigorosas obrigações. 

Uma corrente apertada entre margens estreitas irromperá mais longe. A disciplina do ofício é forte escola que aproveita aos lazeres estudiosos. O homem, quando constrangido, concentra-se mais, aprende a avaliar o tempo, refugia-se com ardor nas horas raras em que, satisfeito o dever, se torna a encontrar o ideal e se goza da calma da ação escolhida, após a ação imposta pela dura existência.

O trabalhador que no esforço novo encontra a recompensa do esforço antigo, que dele faz o seu tesouro, é de ordinário um apaixonado; não há meio de o desapegar do que assim é consagrado pelo sacrifício. O seu andar, na aparência mais lento, dispõe de recursos para ir por diante. Pobre tartaruga laboriosa, não perde o tempo em ninharias, porfia, e ao fim de poucos anos, ultrapassa a lebre indolente, cuja marcha desimpedida lhe causava inveja, enquanto se arrastava lentamente.
Pensai o mesmo do trabalhador isolado, sem dotes intelectuais, nem facilidade de frequentações
que o estimulem, enterrado nalgum canto de província onde parece condenado a estagnar-se, longe das ricas bibliotecas, dos cursos brilhantes, do público vibrante, possuindo-se unicamente a si e obrigado a tudo haurir deste fundo inalienável.

Não desanime. Se tem tudo contra si, guarde-se a si próprio, e que isso lhe baste. Um coração ardente dispõe de maiores probabilidades de vencer, embora em pleno deserto, do que um estúrdio do Bairro latino que não sabe aproveitar as facilidades que tem à mão. Também aqui, da dificuldade pode brotar a força. Sobre a montanha, só nos especamos nas passagens difíceis; nos caminhos planos avançamos folgados, e a folga, não vigiada, depressa se toma funesta.
O querer vale mais do que tudo: querer ser alguém; chegar a ser alguma coisa; ser já, pelo desejo,
esse alguém qualificado pelo ideal. O resto sempre se alcança. Livros, há-os em toda a parte; além disso, poucos bastam. Frequentações, estímulos, encontramo-los em espírito na solidão: as grandes seres estão lá, presentes a quem os invoca, e por detrás do pensador ardente erguem-se os grandes séculos. Os que têm a facilidade de assistir a cursos, ou os não seguem ou os seguem mal, se, em caso de necessidade, não tiverem em si recursos para deles prescindirem. Quanto ao público, por vezes anima-vos, ordinariamente perturba-vos e dispersa-vos. Não vos arrisqueis a perder uma fortuna por uma colher de mel coado. Mais vale a solidão apaixonada, onde qualquer semente rende cem por um e um simples raio de sol doura os frutos do outono.
Quando S. Tomás de Aquino se dirigia a Paris e descobriu ao longo a cidade, disse ao irmão que o
acompanhava: "Irmão, de bom grado trocaria tudo isto pelo comentário de S. João Crisóstomo sobre S. Mateus". 

A quem vive destes sentimentos pouco importa o lugar onde está ou os meios de que dispõe; esse é um eleito do espírito e, como tal, só lhe resta perseverar e entregar-se à vida consoante o Plano divino.

Escuta-me, ó jovem que compreendes esta linguagem e a quem os heróis da inteligência parece
chamarem misteriosamente, mas que receias encontrar-te desprovido.

Tens duas horas por dia? Podes obrigar-te a reservá-las ciosamente, a empregá-las com ardor e,
depois, destinado também de antemão ao Reino de Deus, podes beber o cálice de sabor esquisito e amargo, que estas páginas quereriam dar-te a prova? Se a tua resposta é afirmativa, tem confiança, mais do que isso repousa na certeza.

Obrigado a ganhar a vida, ganhá-la-ás sem lhe sacrificar, como tantas vezes acontece, a liberdade da alma. Entregue a ti, sentir-te-ás atirado com maior violência para os teus nobres fins. A maior parte dos grandes homens exerceu um ofício. Na opinião de muitos, as duas horas, que peço, bastam para talhar um destino intelectual. Aprende a administrar esse pouco tempo; mergulha todos os dias no manancial que, dessedentando, aumenta a sede.

Queres contribuir com a tua quota para perpetuar a sabedoria entre os homens, para recolher a
herança dos séculos, para fornecer ao presente as regras do espírito, para descobrir os factos e as causas, para orientar os olhos inconstantes na direção das causas primeiras e os, corações na dos fins supremos, para reavivar a chama que se apaga e organizar a propaganda da verdade e do bem? É esse um quinhão que vale, sem dúvida, sacrifícios suplementares e o cultivo duma paixão absorvente.

O estudo e a prática daquilo que o P. Gratry chama a Lógica viva, isto é, o desenvolvimento do
nosso espírito, ou verbo humano, pelo contacto direto ou indireto com o Espírito e o Verbo divino, este estudo grave e esta prática perseverante franquear-te-ão a entrada no santuário admirável. Hásde pertencer ao número dos que crescem, adquirem e se preparam para os dons magníficos. Se Deus quiser, também tu encontrarás lugar, um dia, na assembleia dos espíritos nobres."


Leia a continuação clicando aqui:
http://www.missaocefas.org/2016/01/o-intelectual-nao-e-um-isolado-ele.html

13 de dez de 2015

Um amanhã


Se um dia você virar e ver que sua vida não tem sentido, se pensar que a tristeza é o combustivel que faz sua vida ir para frente, então pare! Como seguir pensando que tudo lhe dara errado? É inconcebivel, sera que as horas são como facas que de duplo gume  entra no amago do ser! Para quem pensa assim, desista, no final mesmo na vida temos mais do que apenas duas opções, pode ser chorar a dor de uma perda, ou a tristeza de ver um fim no que se jurava eterno, mas sim a alegria de saber que no final, isso tudo dara certo!
 Não importa o quão grande seja o abismo que sua alma se encontre, o impeto de buscar a felicidade, esse sim deve ser o combustivel de sua vida, se olhar e não achar motivos para seguir ou se os tiver e no final você os achar que não valem, amados, faça-os valer, amados faça-os ser o melhor para sua vida, faça da vitória perdida, da vitória seu único combustivel para o mundo melhor!
 Se mesmo depois disso tudo você achar que ainda vale a pena desistir, e não lutar, lute para deixar esse pensamento para trás! E lute apenas por sua alegria não desista do amanhã, pois se o hoje não tem jeito, não faça o mesmo do próximo dia, afinal o sol brilhará para você!

9 de dez de 2015

LEMBRETES ÀS FILHAS DE MARIA – MODÉSTIA E PUDOR FEMININO



“A beleza se não for temperada pela Modéstia é uma provocadora dos ape­tites animais, que mui facilmente atacam a fortaleza da alma e a derribam em pou­co tempo”(“O Decênio Crítico”, por um Assistente da Ação Católica, Cap. IV, Art. II, a).

Santo Agostinho diz às virgens cristãs: “Fugi da companhia e da palavra das mu­lheres, cuja doutrina não é conforme ao Evangelho e cuja vida é por qual­quer forma digna de censura”.

“Comporta-te com a Modéstia e a reserva que terias se contigo esti­vessem Je­sus e Ma­ria!”(“Imitação de Maria”, por um religioso anônimo, Liv. II, Cap. XXVIII).

“Uma recomendação particular a vós, meninas. Sede sempre modes­tas no ves­tir, no porte e no falar; modestas em tudo, para não serdes nunca motivo de es­cândalo para ninguém. Não imiteis certas jovens descaradas, que, talvez mes­mo sem pensar, le­vam uma vida que, por le­viandade de trato, é inteiramente escanda­losa e causa de tantos pecados”(Teólogo Giuseppe Pe­rardi, “Novo Manual do Cate­quista”, Part. II, n. 199).

“A mais resplandecente pérola de uma jovem é a Modéstia, guardai-vos, pois, no vestir, no olhar, no andar, na cabeça e em todo o corpo, em casa e fora de casa; sempre e por toda a parte res­plandeça em vós esta virtude.

São Paulo, recomendando aos fiéis a Modéstia, diz-lhes: ‘Que a vossa Mo­déstia seja conheci­da de todos os homens, pois o Senhor está junto de vós’.

A donzela vaidosa é uma enviada do Demônio, porque a vaidade é mais que irmã da impu­reza, é sua mãe”(Manual da Pia União das Filhas de Maria, Cap. IV, “5ª regra para todo o tempo”, 5º Ponto, pp. 122-123, traduzido do italiano pelo Côn. Dr. Ana­nias Corrêa do Amaral, 11ª edição, Porto, 1926).

Ao levantar-vos “vesti-vos com toda a Modéstia… À noite… despi-vos com toda a Modéstia, pensando na presença de Deus e do Anjo da Guarda, pois que, essa noite pode­rá ser a última da vossa vida, e perguntai a vós mesma: Onde apa­recerei de manhã? Con­tinuarei neste mundo como até aqui, ou aparecerei na Eter­nidade? E será no Céu ou no In­ferno?“(Manual da Pia União das Filhas de Maria, Cap. IV, “1ª regra para todos os dias”, 2º e 9º Ponto, pp. 114-118, Porto, 1926).

                                         OUVE, Ó FILHA, O QUE TENHO PRA TE DIZER

“Deves, é verdade, apresentar-te em sociedade; mas deves ter o cuida­do de es­tares di­ante dela dignamente. Ao estares em público, cuida que seja com Modés­tia. Apren­de de Mim tão bela virtude, porque ela te será muito necessária.

De tal maneira tratei com as pessoas, que ninguém nunca Me olhou sem edificar-se extra­ordinariamente. Nem fui jamais imodesta nas palavras, nem imode­rada no tom de voz, nem fala­deira, nem licenciosa no andar. Nada, enfim, houve de indecoroso em Meus gestos, nem de car­rancudo em Meu olhar, nem de mal-humo­rado em Meu semblante. Em Meu convívio e conversação brilhou sempre como num espelho o esplendor da Castidade e Formosura da virtude.

A mesma beleza de Meu corpo não foi senão uma irradiação fulgurante do Meu modesto Coração e imagem do decoro.

Nunca ninguém teve nenhum mal pensamento vendo-me passear, re­zar, co­mer ou traba­lhar. Antes, quantos Me viam, moviam-se à edificação e ao lou­vor de Deus.

Minha beleza, que foi extraordinária, exalava inocência e odor de Cas­tidade.

Nunca profiras palavras imorais, porque matam a alma. Deixa de zom­barias e de piadas; de que te serve que os outros dêem risadas, se ofendes a Divi­na Ma­jestade na pessoa do teu ir­mão a quem maltratas?

Não te distraia olhando aqui e acolá, porque isso mostra o vazio e a vaidade de teu cora­ção. Sejas moderada no teu andar, como o fazem as pessoas que vivem na presença de Deus. Não levantes muito a tua voz, nem dê fortes gar­galhadas; mas a graça da Modés­tia envolva sempre o teu semblante.

Corrigirás melhor aos maus com a tua Modéstia do que com a abun­dância de tuas pala­vras. Se tiverdes de falar, sejam as tuas palavras como anzóis com que prendas à pie­dade aos maus que te escutarem. Sede afável com todos, e os ganha­rás a todos para Deus.

Se todos aqueles que te virem se regozijarem e bendizerem ao Eterno Padre que está nos Céus, e os maus se comportarem na tua presença, então crê, fi­lha Mi­nha, que a Modéstia está em ti como a tocha que ilumina e vivifica. Imita-Me”(“De la imitacion de la Bie­naventurada Virgem Maria Nuestra Señora”, por un monje premons­tratense, Cap. III, pp. 176-177, nueva edición, Madrid, 1926).


AO PREPARAR-SE PARA VERTIR-SE


“Ó Deus, meu Deus, vigiando, por Vós suspiro desde o al­vor da luz” (Salm. 62)

“Oh! Se pudesse vestir-me das virtudes que me faltam! Que fiz eu da­quela veste cândida, tão formosa e pura recebida com a inocência batismal? A per­di pelo peca­do! Mi­sericórdia e per­dão, ó meu Deus!

E a preciosa veste da Graça Santificante, como a tenho guardado? Es­tas vestes que trago estão de acordo com meu estado, meu título de Filha de Ma­ria, estão dentro das Leis da Modéstia?

Quando o meu Jesus, depois da cruel Flagelação retomou os seus vesti­dos, que padeci­mento o Seu, recobrindo aquelas Chagas, sofrendo em todo o Seu Cor­po! Ao lem­brar-me disto, poderei ainda ceder à vaidade? Dia virá, no qual, por outrem, hei de ser ves­tida e preparada para a sepultura… e nunca eu penso nis­to… Naquela hora, as vestes as mais simples e modestas me hão de bastar; por que, então, agora tan­ta ambição e vaida­de?

Desejo tanto e procuro que meu traje sejam bons e bem tratados; por que não terei o mes­mo cuidado com as vestes de minha alma? a Graça, o Amor Di­vino, as santas virtu­des?

‘Senhor, purificai-me, lavai-me dessas iniquidades;

libertai-me inteiramente do meu pecado’ (Salm. 50).



Tenho tão grande cuidado com o meu corpo e minhas mãos… quando dei­xarei de manchar a minha alma com o pecado? No Céu estarei pura, resplandes­cente, isenta de qualquer mancha. Que felicidade!

O Rosto do meu Jesus foi conspurcado e tão maltratado durante a Sua Pai­xão; to­mei parte nesses tormentos com os meus pecados contra a santa virtu­de.

Tende compaixão de mim ó meu Deus segundo a Vossa grande misericór­dia e bondade!

Minhas mãos, agora que estais limpas, erguei-vos ao Céu. Meu Deus Vós sois o meu tudo. Ó Maria Santíssima, Rainha concebida sem Pecado Original, ro­gai por nós”(Fr. Antonino do Sagra­do Coração de Maria, O. C. D., “Sursum Corda”, pp. 15-17).

“A Moda é caprichosa e nos seduz, mas é preciso que o bom senso nos guie para não cairmos no ridículo. Se uma moça não quer chamar a atenção sobre si, deve guardar a justa medi­da. A coquetterie demasiada é perniciosa, pois, é a es­tima excessiva de si mesma. Hoje é Moda o artifício e já passou pela censura dos catões mais severos! Fazer-se bela não é pecado, é antes agradável a si e aos ou­tros, o único mal daí é o exage­ro. O exagero desmedido parece uma provo­cação, um cartaz para afixar os encantos que se ostentam! O excesso de artifício tor­na feia a moça, tira-lhe a graça da naturalidade. Se a Moda é contra a Moral Cristã, que é a Moral da socie­dade sã, deve abster-se de usá-la a moça que se pre­za, a que quer ser respeitada. No vestuário, consultem mais a consciência do que o es­pelho. A consciência é amiga, o espelho é sempre lison­jeador”(Maroquinha Ja­cobina Ra­bello, “Carta às Moças”, 5ª Cart., pp. 37-42, 1941).

“A cristã que existe dentro de ti, leitora, tem umas perguntas a te fazer. Po­des respon­der-lhe bem baixinho, mas com toda a sinceridade. Ei-las:

Admites que na tua toilette possa haver um problema moral; que ela inte­ressa não só à modista, mas também à Igreja?

Em caso de intervenções Eclesiásticas, tomas a atitude de filha confi­ante e sub­missa?

Admites que ela, tornando-te mais elegante, pode tornar-te também mais provocan­te, mais tentadora? E assim se converte numa das formas de escân­dalo?

Dá-lhe demasiado tempo e dela fazes uma grande preocupação?

Dá-lhe uma verba roubada à caridade, à justiça (costureiras que não são pagas!), às preci­sões da Religião?

Admites que a liberdade de seguir as Modas tem limites nos quais se en­contra com o pu­dor alarmado?

E − bem baixinho vai à pergunta − quando notas a responsabilidade de que estás perturbando os outros, te desculpas, dizendo: Por que olham para mim?

Não és uma herege da Palavra do Senhor, ao garantir que é impossível agradar a dois se­nhores, ao mesmo tempo, ao mundo e a Deus?” (R. Pe. Geraldo Pi­res de Souza, C. Ss. R., “Audi, Fi­lia!”, Cap. XIX, 6, Ed. Vozes, 1938).

REFLEXÃO PRA ANTES DE DORMIR


“Talvez eu morra esta noite. Quem me assegura o contrário? Quantos que morreram im­previstamente em pecado, e do leito se precipitaram no Inferno? Quem sabe será esta para mim a última noite da minha vida? O que seria de ti, ó minha alma, se tal aconte­cesse? Em que estado de alma te encontras? Na Graça, ou, em pecado mortal?” (Manual da Pia União das Filhas de Maria, ob. cit., Cap. IV, p. 144).


 MEMORIAL DAS DONZELAS CRISTÃS E DE UM MODO ESPECIAL DAS FILHAS DE MARIA

“Será ele para ti, ó donzela, a lâmpada que ao principiar o dia te alumiará para segui­res até Deus, e a voz do Anjo da Guarda, que à noite te dirá: ‘foste fiel, descansa em paz, Deus está contente contigo’, ou talvez: ‘esquecestes os teus deve­res, pede perdão a Deus, des­cansa ainda em paz e amanhã os cumpre melhor’.


 O QUE DEVO FAZER PARA COM DEUS

Orações: Não apressadas, mas com recolhimento e constantes; sossega­das, serenas, resigna­das; simples, humildes, com confiança; sempre respeitosas e o mais possível afetuosas.

Submissão: Ao meu estado e ao meu dever, vêm de Deus e me são im­postos por Deus; me unem a Deus; desprezá-los, é afastar-me do meu Deus.

Ao guia da minha alma, depois de muito bem escolhido e no que a ela res­peita: tem a luz de Deus; vem-lhe de Deus a bondade; mandará em Nome de Deus.

À meus pais: eles têm a Autoridade de Deus.

Aos acontecimentos: são permitidos, preparados e enviados por Deus.

Trabalho: Começado com alegria; continuado constantemente; interrom­pido só por necessidade e logo recomeçado com resignação.

Descanso e cuidado do corpo: Sob a vista de Deus; sob a guarda de Deus.

O QUE DEVO FAZER PARA COM O PRÓXIMO



Dar bom exemplo: Pelo meu porte modesto e simplicidade dos meus vesti­dos, lim­pos e gra­ves, ao mesmo tempo que graciosos, próprios da minha idade e condi­ção, mas nunca respirando qual­quer imodéstia nem vaidade.

Por meus modos afáveis e delicados, mas sempre cautelosos e sempre receo­sos.

Por minha fidelidade em cumprir o que me é ordenado por quem tem autorida­de para isso.

Dizer boas palavras: De zelo, sem afetação; de incitamento à virtude e às obras de Deus; de consolação; de paz; de alegria; de amizade. Tudo isto é possível fazer quase todos os dias.

Fazer boas obras através: Dos serviços prestados; por minhas es­molas; por san­tas ações para fazer o bem, para levar os outros à frequência dos Sacra­mentos; por minha in­fluência, para desviar do vício e fazer praticar a virtude.

Do mal reparado: desculpando, justificando, protegendo, defendendo, ocul­tando faltas e esque­cimentos e, se for possível, reparando-os.

Das alegrias procuradas: ao espírito, por justas e santas consolações espiritu­ais; aocoração, por um efetivo reconhecimento para com Deus; à alma, por uma pa­lavra do Céu.

O QUE DEVO FAZER PARA COM A MINHA ALMA


Devo ter coragem: Nas contrariedades e provações; nos desassos­segos, nas do­enças, nos insucessos, nas humilhações.

Nos aborrecimentos que aparecem sem causa conhecida.

No mau humor que nasce em mim, e que evitarei para não fazer sofrer os ou­tros.

Nas faltas cometidas, para me levantar e as reparar depressa.

Nas tentações, para repeli-las energicamente, mas sem me perturbar.

Devo ter ordem e regularidade: Nas ocupações: cada uma a sua hora.

Nas distrações lícitas, para não gastar nelas demasiado tempo.

Nos objetos materiais que são do meu uso.

Devo renovar constantemente: Os pensamentos piedosos lidos, refleti­dos e al­gumas vezes escritos.

As leituras proveitosas, profundas, elevadas, excitando ao amor do belo por ex­celência e do bem infinito, Deus.

As conversas sobre coisas santas, que reanimem, aumentem e renovem a pie­dade e o fervor.

Os passeios que descansem o espírito, fortificando o corpo”(Manual da Pia União das Filhas de Maria, ob. cit., Cap. IV, pp. 147-150).

ESPELHO DA DONZELA CRISTÃ

Em casa ─ recatada e nunca ociosa.

Na igreja ─ Anjo reverente.

Com o próximo ─ complacente.

Na conversação ─ moderada.

No olhar ─ modesta.

No pensar ─ refletida.

No andar ─ grave e sossegada.

No vestir ─ modesta e humilde.

Nos trabalhos ─ a primeira.

Nas leituras ─ receosa.

Na companhia ─ afável.

Com os homens ─ cautelosa.

Com os Sacerdotes ─ respeitosa.

Com os inferiores ─ aprazível.

Na mesa ─ sóbria.

Na cama ─ composta. 

O BOM GOSTO DA DONZELA CRISTÃ


O vestido mais belo ─ a candura do Batismo.

O melhor alimento ─ a Comunhão.

A melhor bebida ─ a água viva.

O desporto preferido ─ a genuflexão.

O melhor passeio ─ entrar dentro de si.

O meu melhor amigo ─ o meu Anjo da Guarda.

A minha melhor joia ─ o meu terço.

A minha propriedade ─ o meu túmulo.

A minha aspiração maior ─ salvar as almas.

O meu fim ─ Jesus no sacrário.

A minha alegria ─ a Virgem Maria.

A minha tristeza ─ a perda das almas.

O meu melhor perfume ─ o incenso.

As minhas cores preferidas ─ a pureza e o amor.

Em tudo ─ um olhar à Virgem Maria.

DUAS ADVERTÊNCIAS DE SÃO FELIPE NERY


Filha, não te sobrecarregues com muitas devoções; porém, escolhe as que pu­deres desempe­nhar com exatidão.

Filha, por amor do Céu, e se não queres chorar todo o resto da tua vida, escuta: para bem escolheres o teu estado, são necessárias três coisas, a saber: tem­po, con­selho e ora­ção.

Tempo para não fazeres as coisas com precipitação; conselho dos pais e do Confessor, des­confiando sempre das tuas luzes; enfim, oração, porque se trata de um negócio de suma im­portância, do qual depende a tua salvação.

Finalmente, ó filha, procura que em todas as circunstâncias e em todos os tem­pos habi­tem Je­sus e Maria na tua mente, na tua boca e no teu coração (ob. cit., p. 129).

DECÁLOGO DA FILHA DE MARIA

Leis de conduta moral, dadas por S. Em. D. Sebastião Leme,

na Assembléia Geral do “dia da Filha de Maria”

da Arquidiocese do Rio de Janeiro,

em 22 de Agosto de 1937.

1 ─ Piedade e vida interior: A Filha de Maria, onde quer que se apresente, deve ser reconheci­da pelo seu porte exterior de distinção e modéstia, reflexo de uma pie­dade sólida e de vida interior profun­da.

2 ─ Fervor Eucarístico: A piedade e a vida interior da Filha de Maria de­vem ali­mentar-se com a devoção fervorosa à Santíssima Eucaristia, concretizada principalmen­te, pela assistência à Missa e pela Comunhão frequente, e, si possível, diária.

3 ─ Devoção terníssima à Maria: Pela devoção terníssima que deve con­sagrar à sua Mãe do Céu, a Filha de Maria não deixará passar nenhuma Festa de Nossa Se­nhora sem esme­rado preparo e condigna celebração.

4 ─ Devoção dos Sábados: A devoção dos Sábados, tradicionalmente consa­grados pela pieda­de católica ao culto da Virgem Maria, ocupará um lugar de destaque na vida espiritual da Filha de Maria.

5 ─ Ação Católica: No exercício pacífico da Ação Católica, cada Filha de Maria deve procurar obter um lugar de honra, quer pela sua formação primorosa, quer pela in­corporação numa das suas duas organizações fundamentais femininas.

6 ─ O amor à Igreja e ao Papa: A Filha de Maria não cederá a ninguém o prima­do do amor à Igreja e a submissão filial ao Papa e às Autoridades Eclesiásticas.

7 ─ Diversões e Modas: Na sua atitude em face das diversões modernas, das modas e leituras, a Filha de Maria lembrar-se-á sempre das altas exigências de sua emi­nente dignidade cristã.

8 ─ Praias e Banhos: As praias de banho não serão frequentadas pela Fi­lha de Maria em trajes, horas e companhias incompatíveis com a Modéstia Cristã.

9 ─ Cassinos: As responsabilidades de perfeição individual e de bom ex­emplo interdi­zem à Filha de Maria a frequência dos Cassinos e reuniões similares.

10 ─ Rádios: O cuidado com a conservação de suas virtudes exige que a Filha de Maria não sin­tonize para as estações emissoras em horas de programas pouco es­crupulosos e incon­venientes.


A MADRINHA DE SANTA TEREZINHA

A irmã mais velha de Santa Teresinha, Maria Luísa Josefina (Soror Maria do Sagrado Coração), em sua infância e juventude, “sempre ciosa de sua liberdade, não lhe agradava a moda feminina da época; ficava irritada e chorava, até, quando a queriam vestida com esmero;… dizia ela, ‘todavia, nesse desprezo de toda faceirice devia haver orgulho secreto, pois, o orgulho se imiscui em toda parte, mesmo no que parece ser humilhante. Quando punha um vestido novo, isso era para mim um verdadeiro suplício’ (Circular da Madre Inez de Jesus)” (“A Madrinha de Santa Teresinha”, Prefácio, p. 11, Editora Vozes Ltda, 1942)

Fonte: Católicos Tradicionais





1 de dez de 2015

O mistério da iniquidade e a apostasia dos cristãos

Luca Signorelli, capella de San Brizio. 'Predica e punizione do Anticristo'

“...Quando vier o Filho do Homem, acaso achará fé sobre a Terra?"
(Lc 18,8)

OS AFRESCOS DE LUCAS Signorelli sobre o fim do mundo, expostos na capela de São Brizio, na Catedral de Orvieto, traduzem um aspecto dramático da história humana: a atuação do Anticristo. Para a Tradição da Igreja, encontrada de maneira explícita no Didaquê (o primeiro catecismo dos cristãos – leia na íntegra aqui), este ser seria o sedutor do mundo, ou seja, aquele que "aparecerá como o filho de Deus e fará milagres e prodígios; e a Terra será abandonada em suas mãos; e realizará iniquidades como nunca houve" (conforme também Mt 24,24; 2Tes 2,4-9).

De uns tempos para cá, a fé acerca de temas como o Juízo Final, a existência do demônio e, especialmente, a do Inferno, têm se tornado obsoleta. Parece-nos que a maioria absoluta das pregações dá enfoque, – e trata praticamente com exclusividade os temas relacionados ao perdão, à afabilidade de Deus e sua misericórdia. – Desgraçadamente, uma vez que se exclui a Justiça divina e a sedução diabólica da catequese cristã, abre-se caminho à banalização do mal, pois se o cristianismo já não prega sobre o Inferno, e apenas sobre a ternura de Deus, isso significa que já não é mais necessária uma mudança de vida para se enquadrar nos Desígnios divinos. Afinal de contas, se Deus é Amor e a tudo perdoa, concluem muitos, não é preciso se preocupar com pecado e punição?

"Deus não castiga", bradam alguns; "a misericórdia de Deus é infinita", insistem outros. Examinemos rapidamente estas afirmações tão comuns em nossos tempos, para entender se possuem algum lastro na realidade objetiva daquilo que é ser cristão e no ensinamento perene do Evangelho.

Quanto à primeira afirmação, – "Deus não castiga", – está total e simplesmente equivocada. É contrária a toda doutrina cristã e ao Catecismo da Igreja Católica (veja o leitor os nºs 1031; 1038; 2006; 2061 e 2090 do manual cristão), assim como às próprias Sagradas Escrituras (consulte-se as seguintes passagens: Zc 14,19 Ez 14,10; Os 5,9; 2Ts 1,9; Ap 3,19; etc). Sempre que ouvirmos tal afirmação, é dever de todo fiel cristão católico corrigir, com fraterna caridade e de modo suave, a pessoa que o diz; se esta não aceitar a correção, devemos então ignorá-la e advertir aos outros ouvintes, quanto nos for possível, do erro da afirmação. Quanto aos parágrafos do Catecismo e às passagens bíblicas sugeridas acima entre parênteses, é importante consultá-los, compreender seus conteúdos e procurar memorizá-los, tanto quanto possível.

Já a segunda afirmação, – de que a misericórdia de Deus é infinita, – está corretíssima. Todo o conjunto dos livros do Novo Testamento confirma esta verdade fundamental da fé, e apenas a título de exemplo poderíamos citar Ef 2,4; Tt 3,5; Hb 4,16. Todo cristão sabe que a humanidade merecia o castigo, porque pecou, mas Deus enviou seu Filho para nos libertar e salvar para a vida eterna. Logo, Deus é misericordioso. E por que dizemos que a misericórdia de Deus é infinita? A lógica humana pode sugerir que, se há castigo, então a misericórdia divina não é infinita, mas parcial. Existem dois pontos que, se bem analisados, fazem-nos compreender bem esta questão aparentemente complexa ou de difícil compreensão. O primeiro ponto é o fato de que a Misericórdia divina age concomitantemente com a sua Justiça. Deus é Amor; Deus é Justo: ambas as afirmações são precisas, e inclusive se integram e se complementam de muitos modos. Sem justiça dificilmente há verdadeiro amor e verdadeira misericórdia, pois às pessoas que amamos naturalmente desejamos educar na justiça: dar a um filho, por exemplo, a total "liberdade", – inclusive para se drogar, prostituir e se perder nos desatinos da adolescência e juventude, – seria o gesto de um pai que ama verdadeiramente? Por amarmos realmente aos nossos filhos não precisamos às vezes agir com severidade, chamando-lhes a atenção, aplicando castigos, forçando-os a estudar, a cumprir os seus deveres, a respeitar a autoridade, os mais velhos, etc., dando-lhes, enfim, a disciplina que lhes será tão necessária no correr de suas vidas, para que sejam felizes e dignos, e conquistem coisas boas em suas vidas?

Muito bem, este é um ponto para entender porque dizemos que a Misericórdia divina é infinita, mesmo existindo o Castigo para os pecados: em Deus, sua Misericórdia é uma força que age sempre em conjunto com a sua Justiça. Uma coisa não funciona sem a outra.

O outro  ponto é a necessária compreensão de que o pecado contra Deus é um crime de gravidade infinita. Ora, Deus é infinitamente Bom, infinitamente Amoroso e infinitamente Justo. É o sumo Bem e o sumo Ser. Assim sendo, nossos crimes contra Deus são infinitamente graves; logo, merecedores de uma pena proporcional, isto é, sem fim. Portanto, sendo Deus infinitamente Bom, e os crimes contra Ele infinitamente graves e dignos de um castigo proporcional, a misericórdia necessária para perdoá-los também precisa ser absolutamente infinita. Tal realidade se revela de modo ainda mais claro no fato de que Deus volta sempre a nos perdoar, ainda que diariamente, por mais que voltemos a pecar contra Ele (crime de gravidade infinita), todos os dias, sempre que admitimos o nosso erro, arrependemo-nos e confessamos o pecado, pedindo perdão. Não há limite, não há um número de vezes que Deus estabeleça para nos perdoar, até dizer: "Se passarem deste limite, não perdoarei mais, porque a minha misericórdia acaba nesta linha". Ao contrário, Deus perdoa sempre, de novo e de novo, e ainda que tenhamos vivido uma vida inteira de crimes e só de maldades, se nos arrependermos e nos confessarmos no leito de morte, seremos perdoados.

Assim, em resumo, estamos falando de um Bem e uma Bondade infinitas; por isso é que os pecados contra este Bem e contra esta Bondade são de gravidade proporcionalmente infinita; logo, para perdoar pecados de ilimitada gravidade, é necessária a misericórdia sem medidas: infinita misericórdia. Tal é a Misericórdia de Deus para conosco.



Voltando ao triste relativismo que hoje impera no mundo, desgraçadamente inclusive entre os filhos da Igreja, trata-se uma tendência muito em voga nos tempos atuais, sobretudo no que diz respeito aos valores inegociáveis da fé cristã e católica e às perseguições que a Igreja sofre. Ao invés de se indispor com o mundo, prefere-se não tomar partido de nenhum lado, numa tentativa de se agradar a todos, mesmo que isso signifique negar a verdade. O Catecismo da Igreja Católica, mais uma vez, denuncia que essa é uma atitude genuinamente diabólica: “A impostura religiosa suprema é a do Anticristo, isto é, a de um pseudo-messianismo em que o homem glorifica a si mesmo em lugar de Deus e de seu Messias que veio na carne" (CIC 675).


...Quando vier o Filho do Homem, acaso achará fé sobre a Terra?"
(Lc 18,8)

OS AFRESCOS DE LUCAS Signorelli sobre o fim do mundo, expostos na capela de São Brizio, na Catedral de Orvieto, traduzem um aspecto dramático da história humana: a atuação do Anticristo. Para a Tradição da Igreja, encontrada de maneira explícita no Didaquê (o primeiro catecismo dos cristãos – leia na íntegra aqui), este ser seria o sedutor do mundo, ou seja, aquele que "aparecerá como o filho de Deus e fará milagres e prodígios; e a Terra será abandonada em suas mãos; e realizará iniquidades como nunca houve" (conforme também Mt 24,24; 2Tes 2,4-9).

De uns tempos para cá, a fé acerca de temas como o Juízo Final, a existência do demônio e, especialmente, a do Inferno, têm se tornado obsoleta. Parece-nos que a maioria absoluta das pregações dá enfoque, – e trata praticamente com exclusividade os temas relacionados ao perdão, à afabilidade de Deus e sua misericórdia. – Desgraçadamente, uma vez que se exclui a Justiça divina e a sedução diabólica da catequese cristã, abre-se caminho à banalização do mal, pois se o cristianismo já não prega sobre o Inferno, e apenas sobre a ternura de Deus, isso significa que já não é mais necessária uma mudança de vida para se enquadrar nos Desígnios divinos. Afinal de contas, se Deus é Amor e a tudo perdoa, concluem muitos, não é preciso se preocupar com pecado e punição?

"Deus não castiga", bradam alguns; "a misericórdia de Deus é infinita", insistem outros. Examinemos rapidamente estas afirmações tão comuns em nossos tempos, para entender se possuem algum lastro na realidade objetiva daquilo que é ser cristão e no ensinamento perene do Evangelho.

Quanto à primeira afirmação, – "Deus não castiga", – está total e simplesmente equivocada. É contrária a toda doutrina cristã e ao Catecismo da Igreja Católica (veja o leitor os nºs 1031; 1038; 2006; 2061 e 2090 do manual cristão), assim como às próprias Sagradas Escrituras (consulte-se as seguintes passagens: Zc 14,19 Ez 14,10; Os 5,9; 2Ts 1,9; Ap 3,19; etc). Sempre que ouvirmos tal afirmação, é dever de todo fiel cristão católico corrigir, com fraterna caridade e de modo suave, a pessoa que o diz; se esta não aceitar a correção, devemos então ignorá-la e advertir aos outros ouvintes, quanto nos for possível, do erro da afirmação. Quanto aos parágrafos do Catecismo e às passagens bíblicas sugeridas acima entre parênteses, é importante consultá-los, compreender seus conteúdos e procurar memorizá-los, tanto quanto possível.

Já a segunda afirmação, – de que a misericórdia de Deus é infinita, – está corretíssima. Todo o conjunto dos livros do Novo Testamento confirma esta verdade fundamental da fé, e apenas a título de exemplo poderíamos citar Ef 2,4; Tt 3,5; Hb 4,16. Todo cristão sabe que a humanidade merecia o castigo, porque pecou, mas Deus enviou seu Filho para nos libertar e salvar para a vida eterna. Logo, Deus é misericordioso. E por que dizemos que a misericórdia de Deus é infinita? A lógica humana pode sugerir que, se há castigo, então a misericórdia divina não é infinita, mas parcial. Existem dois pontos que, se bem analisados, fazem-nos compreender bem esta questão aparentemente complexa ou de difícil compreensão. O primeiro ponto é o fato de que a Misericórdia divina age concomitantemente com a sua Justiça. Deus é Amor; Deus é Justo: ambas as afirmações são precisas, e inclusive se integram e se complementam de muitos modos. Sem justiça dificilmente há verdadeiro amor e verdadeira misericórdia, pois às pessoas que amamos naturalmente desejamos educar na justiça: dar a um filho, por exemplo, a total "liberdade", – inclusive para se drogar, prostituir e se perder nos desatinos da adolescência e juventude, – seria o gesto de um pai que ama verdadeiramente? Por amarmos realmente aos nossos filhos não precisamos às vezes agir com severidade, chamando-lhes a atenção, aplicando castigos, forçando-os a estudar, a cumprir os seus deveres, a respeitar a autoridade, os mais velhos, etc., dando-lhes, enfim, a disciplina que lhes será tão necessária no correr de suas vidas, para que sejam felizes e dignos, e conquistem coisas boas em suas vidas?

Muito bem, este é um ponto para entender porque dizemos que a Misericórdia divina é infinita, mesmo existindo o Castigo para os pecados: em Deus, sua Misericórdia é uma força que age sempre em conjunto com a sua Justiça. Uma coisa não funciona sem a outra.

O outro  ponto é a necessária compreensão de que o pecado contra Deus é um crime de gravidade infinita. Ora, Deus é infinitamente Bom, infinitamente Amoroso e infinitamente Justo. É o sumo Bem e o sumo Ser. Assim sendo, nossos crimes contra Deus são infinitamente graves; logo, merecedores de uma pena proporcional, isto é, sem fim. Portanto, sendo Deus infinitamente Bom, e os crimes contra Ele infinitamente graves e dignos de um castigo proporcional, a misericórdia necessária para perdoá-los também precisa ser absolutamente infinita. Tal realidade se revela de modo ainda mais claro no fato de que Deus volta sempre a nos perdoar, ainda que diariamente, por mais que voltemos a pecar contra Ele (crime de gravidade infinita), todos os dias, sempre que admitimos o nosso erro, arrependemo-nos e confessamos o pecado, pedindo perdão. Não há limite, não há um número de vezes que Deus estabeleça para nos perdoar, até dizer: "Se passarem deste limite, não perdoarei mais, porque a minha misericórdia acaba nesta linha". Ao contrário, Deus perdoa sempre, de novo e de novo, e ainda que tenhamos vivido uma vida inteira de crimes e só de maldades, se nos arrependermos e nos confessarmos no leito de morte, seremos perdoados.

Assim, em resumo, estamos falando de um Bem e uma Bondade infinitas; por isso é que os pecados contra este Bem e contra esta Bondade são de gravidade proporcionalmente infinita; logo, para perdoar pecados de ilimitada gravidade, é necessária a misericórdia sem medidas: infinita misericórdia. Tal é a Misericórdia de Deus para conosco.



Voltando ao triste relativismo que hoje impera no mundo, desgraçadamente inclusive entre os filhos da Igreja, trata-se uma tendência muito em voga nos tempos atuais, sobretudo no que diz respeito aos valores inegociáveis da fé cristã e católica e às perseguições que a Igreja sofre. Ao invés de se indispor com o mundo, prefere-se não tomar partido de nenhum lado, numa tentativa de se agradar a todos, mesmo que isso signifique negar a verdade. O Catecismo da Igreja Católica, mais uma vez, denuncia que essa é uma atitude genuinamente diabólica: “A impostura religiosa suprema é a do Anticristo, isto é, a de um pseudo-messianismo em que o homem glorifica a si mesmo em lugar de Deus e de seu Messias que veio na carne" (CIC 675).

Cardeal G. Biffi
O perfil do Anticristo, segundo o teólogo Cardeal Giacomo Biffi, apresenta "altíssimas demonstrações de moderação, de desinteresse e de ativa beneficência". Além disso, é um pacifista nato, com grandes preocupações ecológicas e humanitárias. De Cristo, nega peremptoriamente a moral, pois, de acordo com sua concepção, ela seria causa de divisões. Em linhas gerais, ele traz uma falsa promessa de "libertação" e triunfo político, ou seja, um messianismo secularizado, conforme proposto por certas correntes ditas teológicas persistentes, que vêm resistindo incólumes a toda ação do Magistério da Igreja, em especial da parte dos últimos Papas, que condenaram em diversas oportunidades esse falso misticismo. Antes como por exemplo na encíclica Divini Redemptoris do Papa Pio XI (Sumo Pontífice da Igreja de Cristo de 1922 a 1939) sobre o comunismo ateu.

É curioso, – e ao mesmo tempo terrível, – perceber que numa época em que já não se fala mais no Anticristo, no Diabo e no Juízo Final, mas simplesmente em misericórdia e respeito humano, o número de violências, guerras e outros males é absurdamente enorme, em alguns sentidos como nunca antes. C. S. Lewis, autor d"as Crônicas de Nárnia", escreveu em "Cartas de um diabo ao seu aprendiz"que a melhor maneira de o demônio conquistar o mundo é fazendo com que a humanidade não creia nele.

Não está cada vez mais comum encontrar "cristãos" que pregam o "amor", mas que são incapazes de protestar contra o aborto? Pessoas que se indignam, movem campanhas e propõem duras punições para os agressores de animais, mas que sequer se importam com a criança abandonada na porta de sua casa, ou com o idoso largado em um asilo próximo, com quem ninguém se importa ou lembra de visitar?

Não é cada vez mais comum a figura do "católico" que diz amar Jesus e chora com cantos religiosos emotivos, mas é negligente para com os seus pecados, sem perceber que com isso são também responsáveis pelas Chagas de Cristo na cruz?

Denunciou o então Cardeal Joseph Ratzinger, na Via-Sacra de 2005: "Não se pode continuar a banalizar o mal, quando vemos a imagem do Senhor que sofre". Todavia, o mal se pratica hoje por pessoas que se declaram cristãs. Sim, o Anticristo parece estar solto no mundo e tem feito muitos discípulos. São servos do maligno aqueles que relativizam a verdade e propõem a apostasia como alternativa à perseguição à Igreja.

Enquanto os mártires do passado entregaram suas vidas para que a fé católica fosse preservada e professada hoje, muitos seguidores do Anticristo têm servido a Cabeça da Igreja numa bandeja para o
"Príncipe deste mundo" (Jo 16,11). Falam de amor, preocupam-se com a natureza, pregam a paz, mas não se incomodam quando a fé em Jesus Cristo é ultrajada, enquanto a Igreja é profanada pelas hostes infernais. É o "mistério da iniquidade" predito pelo Senhor quando perguntou aos Apóstolos: "Quando vier o Filho do Homem, acaso achará fé sobre a Terra?" (Lc 18, 8).

____
Baseado no artigo 'O mistério da iniquidade e a apostasia dos cristãos', da equipe Christo Nihil Praeponere, disp. em:
https://padrepauloricardo.org/blog/o-misterio-da-iniquidade-e-a-apostasia-dos-cristaos
Acesso 30/11/015www.ofielcato
O perfil do Anticristo, segundo o teólogo Cardeal Giacomo Biffi, apresenta "altíssimas demonstrações de moderação, de desinteresse e de ativa beneficência". Além disso, é um pacifista nato, com grandes preocupações ecológicas e humanitárias. De Cristo, nega peremptoriamente a moral, pois, de acordo com sua concepção, ela seria causa de divisões. Em linhas gerais, ele traz uma falsa promessa de "libertação" e triunfo político, ou seja, um messianismo secularizado, conforme proposto por certas correntes ditas teológicas persistentes, que vêm resistindo incólumes a toda ação do Magistério da Igreja, em especial da parte dos últimos Papas, que condenaram em diversas oportunidades esse falso misticismo. Antes como por exemplo na encíclica Divini Redemptoris do Papa Pio XI (Sumo Pontífice da Igreja de Cristo de 1922 a 1939) sobre o comunismo ateu.

É curioso, – e ao mesmo tempo terrível, – perceber que numa época em que já não se fala mais no Anticristo, no Diabo e no Juízo Final, mas simplesmente em misericórdia e respeito humano, o número de violências, guerras e outros males é absurdamente enorme, em alguns sentidos como nunca antes. C. S. Lewis, autor d"as Crônicas de Nárnia", escreveu em "Cartas de um diabo ao seu aprendiz" que a melhor maneira de o demônio conquistar o mundo é fazendo com que a humanidade não creia nele.

Não está cada vez mais comum encontrar "cristãos" que pregam o "amor", mas que são incapazes de protestar contra o aborto? Pessoas que se indignam, movem campanhas e propõem duras punições para os agressores de animais, mas que sequer se importam com a criança abandonada na porta de sua casa, ou com o idoso largado em um asilo próximo, com quem ninguém se importa ou lembra de visitar?

Não é cada vez mais comum a figura do "católico" que diz amar Jesus e chora com cantos religiosos emotivos, mas é negligente para com os seus pecados, sem perceber que com isso são também responsáveis pelas Chagas de Cristo na cruz?

Denunciou o então Cardeal Joseph Ratzinger, na Via-Sacra de 2005: "Não se pode continuar a banalizar o mal, quando vemos a imagem do Senhor que sofre". Todavia, o mal se pratica hoje por pessoas que se declaram cristãs. Sim, o Anticristo parece estar solto no mundo e tem feito muitos discípulos. São servos do maligno aqueles que relativizam a verdade e propõem a apostasia como alternativa à perseguição à Igreja.

Enquanto os mártires do passado entregaram suas vidas para que a fé católica fosse preservada e professada hoje, muitos seguidores do Anticristo têm servido a Cabeça da Igreja numa bandeja para o
"Príncipe deste mundo" (Jo 16,11). Falam de amor, preocupam-se com a natureza, pregam a paz, mas não se incomodam quando a fé em Jesus Cristo é ultrajada, enquanto a Igreja é profanada pelas hostes infernais. É o "mistério da iniquidade" predito pelo Senhor quando perguntou aos Apóstolos: "Quando vier o Filho do Homem, acaso achará fé sobre a Terra?" (Lc 18, 8).

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Baseado no artigo 'O mistério da iniquidade e a apostasia dos cristãos', da equipe Christo Nihil Praeponere, disp. em:
https://padrepauloricardo.org/blog/o-misterio-da-iniquidade-e-a-apostasia-dos-cristaos
Acesso 30/11/015www.ofielcatolico

"Despojemo-nos das ações das trevas e vistamos as armas da Luz" Rm 13,12