19 de jan de 2016

Resumo do livro "A Vida Intelectual"



Irmãos, já falei aqui a respeito do livro do Padre Antonin Dalmace Sertillanges onde pude trazer o capítulo 1 em duas postagens que você pode ler aqui e aqui.

Gostaria de relatar algo: eu tive acesso a este livro gratuitamente via pdf (eu coloquei o link para baixar na primeira postagem) e procurei ler devido a indicação de algumas pessoas e ter ouvido sobre ele ter mudado a vida de muitas pessoas. Ao começar a ler em pdf eu fiquei vislumbrado pela santidade das palavras e como eram profundas! Tive a certeza de que estava diante de um clássico (como um "imitação de Cristo" para estudiosos)! Desde então procurei imediatamente comprar um livro físico pois sei que seria importantíssimo este livro para mim.

Gostaria aqui de fazer um resumo dos tesouros que encontrei neste livro. Um livro de grande envergadura. Grandioso por tudo que diz. Tem uma linguagem que exige muita atenção, mas valeu à pena ler bem devagar, degustando, mastigando cada palavra, cada ensinamento, cada lição. E que lições!!! Como aprendi e como Deus falou ao meu coração e também como me tocou os sábios e ensinamentos da sabedoria. Recomendo a todos que amam a leitura que leiam este livro. Ele é essencial para todos os que estudam, lêem e buscam o conhecimento, a sabedoria.

A introdução do livro é surpreendente. Gostaria de digitar aqui algum dia.

O capítulo primeiro fala sobre a vocação do intelectual, como ele é um consagrado. Nossa! Pra mim isto foi uma revelação! Sempre tive uma sede muito grande de conhecimento, sempre falo que sou um viciado pelo saber, uma curiosidade sem fim, um desejo contínuo de aprender. E neste livro eu tive certeza de que isso se trata de um chamado de Deus, que faz parte de uma missão, um desejo do Grande Autor da Vida de que eu fizesse algo neste sentido nesta vida breve que passa. Como isto foi algo que me impactou, pois sempre fui corrigido por irmãos desinformados de que eu não devia buscar tanto conhecimento assim, de que isto não agradaria a Deus, de que Deus é simples, etc. Vários jargões que falam erroneamente de que humildade é sinônimo de ignorância atribuindo tudo a uma ação milagrosa de Deus, como se Deus só pudesse agir através da nossa ignorância.

Este livro reacendeu em mim o desejo pelo conhecimento, tudo aquilo que aprendi na Sagrada Escritura pelos livros sapienciais, e em alguns textos fenomenais como a carta do Papa S.João Paulo II, "A razão e a fé". Nas duas postagens que citei acima eu trago um resumo com uma seleção dos textos tirados diretamente do primeiro capítulo do livro. Vale muito a pena ler.

No capítulo dois ele nos fala das virtudes de um intelectual cristão. Como que precisamos cuidar de trabalhar nossas virtudes e combater os defeitos e vícios. E como que se não cuidarmos bem destas coisas estaremos atrofiando o desenvolvimento saudável da nossa vida intelectual. Um intelectual que não trabalha suas virtudes e não combate os vícios é um mal intectual, ou melhor não pode ser chamado de intelectual pois "a ciência depende de nossas tendências passionais e morais", ele diz ainda: "a verdade e o bem não só estão interligados como são idênticos".

No capítulo três, intitulado de "A organização da vida", ele nos fala com maestria de como devemos viver esta vida de estudos e leitura com dedicação máxima mas sem descuidar das pessoas que amamos, dos amigos, da família e das nossas obrigações gerais. Como devemos nos portar. O que devemos realmente evitar, abandonar e valorizar o que é necessário. A importância da solidão, do silêncio mas também o valor de se estar com as pessoas e com cumprir fielmente nossas ações e atividades de nossa obrigação.

No capítulo quatro ele nos fala do tempo dedicado ao trabalho da intelectualidade. Em todo tempo ele chama de 'trabalho' a busca por conhecimento e a transmissão do mesmo (se posso resumir assim, pois é muito mais que isso). Ele fala da importância da oração e de como ela tem muita similaridade pela busca da sabedoria. E de como devemos dedicar todo o tempo à busca pela sabedoria, pela vida intelectual, como um bom cristão deve ser fiel à sua vocação. Ele fala da importância de certa dedicação pela manhã e pela noite. Ele fala também de como devemos estar atentos durante todo o tempo e de que todas as realidades que nos cercam são fonte de reflexão, de conhecimento, de aprendizado e de como Deus fala de formas diversas buscando nos formar, nos fazer crescer no aprendizado.

No capítulo cinco ele vai tratar do campo do trabalho intelectual. De que todas as ciências estão interligadas. Nenhuma sobrevive sozinha. De que necessitamos estudar um pouco de todas as ciências e não apenas nos especializarmos numa só específica. Mas não exagerar nisso, é apenas um breve conhecimento necessário. Mas nas temáticas de que precisamos aprender, devemos aprender corretamente. Ele fala da importância maior das ciências da filosofia e da teologia. E neste campo ele recomenda enormemente o estudo da vida e dos escritos de São Tomás de Aquino. Ele fala que nossos campos de estudo escolhidos exigem-se o sacrifício de abandonar todo o universo dos outros campos. Que é preciso ter os pés no chão para saber que não se pode saber tudo. Que se deve saber o necessário daquilo que nos propomos a buscar e não sabê-los pela metade. Não ter pressa, mas buscar profundidade fazendo seu melhor em cada tempo e campo específico.

No capítulo seis ele nos diz sobre o espírito do trabalho intelectual. A submissão e humildade que devemos ter à verdade. A dedicação que devemos ter à pesquisa, a concentração que devemos nos aplicar com fidelidade máxima. Ele cita São Tomás: "Ninguém, por mais sábio que seja, deve rejeitar a doutrina de um outro, por pequeno que ele seja". O alargamento dos temas estudados abrange muito mais do que podemos propor. Devemos contemplar a grandeza e conexão das verdades e buscar a profundidade, largura e altura dos mistérios aprendidos. Ele diz: "A letra mata: que a leitura e o estudo sejam espírito e vida".

No capítulo sete ele discursa sobre a preparação do trabalho intelectual. Ele aprofunda os três grandes e importantes passos: 1) A leitura; 2) A organização da memória; 3) As anotações. Fala, entre muitas coisas, sobre ler com qualidade. Não adianta ler com excesso se não puder dar tempo para absorver o conhecimento e fazer dele uma produção positiva para sua vida e dos demais. Escolher com cuidado o que ler, sem rejeitar facilmente livros de pessoas alheias ao seu meio. Fala de como São Tomás tirou dos filósofos antigos aprendizados que excedem tudo aquilo que estes disseram. Que não devemos rejeitar nada. Explica também as quatro espécies de leitura: a leitura de formação, a ocasional, a edificante e a de lazer. E como devemos conciliar todo o trabalho de leitura. Ele nos fala no segundo item sobre o que é preciso memorizar, a ordem e como fazer para isso. E no último subitem ele nos dá preciosas dicas sobre como fazer eficientes anotações durante o estudo e a leitura. A importância de fazer anotações claras e lúcidas, sem exageros e que resumem os melhores conceitos estudados. Que devemos fazer um resumo do livro (este é o motivo deste post) à medida que se avança tendo à memória toda a estrutura do tema estudado. Olhando um ponto específico sem perder de vista o todo, como enxergar toda a 'arvore' à vista do conhecimento para não se perder diante das coisas aprendidas. E pensar na utilidade prática para si e para os outros das anotações, dos trechos marcantes e do resumo.

No capítulo oitavo a abordagem é sobre o trabalho criador. Fala sobre a importância de se escrever, de se produzir conteúdo. De que todo leitor e estudante precisa repassar o que aprende e que isso o dignifica mais e respalda também a razão do aprendizado. Que mesmo que a pessoa não tenha costume de escrever que se deva começar e que começar é o mais importante, o resto virá por si mesmo. Fala sobre o estilo da escrita que deve ser original próprio de cada um, que não devamos copiar dos outros, fala também de que se deve ser transparente e genuíno, nada de escrever aquilo que não vem do coração, do íntimo de si mesmo. Que não se deve escrever só pelo retorno financeiro nem para acariciar tendências de moda. Que o escritor deve estar inserido no mundo mas não se deixar dominar por ele. Estar nele, mas fora dele. Que se deve ter um olhar crítico sobre o próprio trabalho, ser coerente e sincero. Fala sobre a necessidade de três virtudes: constância em se focar no trabalho e não desistir, não se deixar distrair pelas várias coisas ao redor que costumam roubar nossa atenção; paciência, pois que o cérebro sempre nos prega peças, que passaremos por várias tribulações e dificuldades para prosseguir e terminar o trabalho, mas que isso não pode ser razão de preguiça ou desistência; e perseverança: terminar é importantíssimo; que não terminar é amigo íntimo do inimigo que combateu o trabalho o tempo todo. Por isso ele termina o capítulo explanando muito bem sobre a necessidade primordial de terminar o trabalho, custe o que custar e sobre o reconhecimento dos limites. Quem não se conhece e não conhece seus limites será inimigo de si mesmo.

No nono e último capítulo, cujo tema é o trabalhador e o homem', ele nos falará da necessidade do lazer, do descanso e que eles fazem parte de uma pausa muito necessária para melhor produção do intelectual. Ele também vai falar da grande riqueza da apreciação das artes como um meio para um relaxamento e ao mesmo tempo aprofundar-se em uma alta cultura. Fala da necessidade de um verdadeiro descanso físico e/ou mental e que muitas vezes pensamos que estamos descansando quando na verdade o tipo de lazer nos estressa ainda mais e não contribui para a verdadeira pausa necessária para retomar com frutos o trabalho. Fala também do truque da diversidade, pois muitas vezes quando diversificamos a atividade nós descansamos de outra atividade sem necessitar parar totalmente. Ele diz também que não devemos trabalhar com excesso e nem trabalhar pela metade, o mesmo também serve para o descanso: não descansar demais e não descansar pela metade. Para isso é preciso planejar bem o descanso: o tipo, o local, a duração, etc. Fala também das provações com que passará o intelectual e das perseguições, das quais, é louvável, que ele não retruque os ataques, mas busque a humildade, pois a verdade sempre vence no final e que quando Deus é por nós quem pode nos resistir? A verdade sempre prevalece no final. E o livro termina falando da necessidade de apreciar as alegrias, tirar prazer do que faz, fazer com amor e dedicação. Os frutos do trabalho virão, mesmo que não se veja claramente e que é preciso confiar no Senhor que faz a semente germinar no tempo certo e o fruto também. Nem sempre o que semeia é o que colhe.

Este é um livro extraordinário. Riquíssimo e profundo. Não é possível ler ele com pressa e proveito. Leia devagar, mastigando e meditando os ricos ensinamentos.
Que Deus o abençoe com esta excelente leitura!

Se você chegou até aqui lendo as três postagens sobre este importante livro e se sente chamado a essa vida intelectual, recomendo a leitura do meu post "Chamados à Vida Intelectual", onde eu falo sobre os desafios concretos, dou uma série de dicas e links e no final faço um chamado a nos reunirmos, nos juntarmos para uma ação mais eficaz.

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