23 de jan de 2016

Tempos difíceis exigem almas fortes



Irmãos, gostaria de indicar aqui o excelente o podcasts “Fala aí”, do pessoal da Canção Nova. E quero focar aqui no excelente episódio número 33 da segunda temporada com o tema: “Maranatha, o Rei está vindo”. Indico muito que você escute. Clique aqui para baixá-lo ou ouvi-lo.

Este episódio foi gravado durante o advento de 2015 onde aborda discussões relacionadas a Parusia, a escatologia universal, isto é, sobre a volta de Jesus.

Recomendo a escuta deste excelente episódio. Eles falam do termo Maranatha, uma saudação dos judeus cristãos entre si que significa “o Senhor voltará” ou “Vem, Senhor”: uma afirmação ou pedido. Falam também sobre a nova era e os males da sociedade moderna.

Gostaria de partilhar aqui as reflexões que tive ao escutar este excelente podcast:
O Catecismo da Igreja Católica nos diz: “A partir da Ascensão, o advento de Cristo na glória é iminente, embora não nos "caiba conhecer os tempos e os momentos que o Pai fixou com sua própria autoridade" (At1,7). Este acontecimento escatológico pode ocorrer a qualquer momento, ainda que estejam "retidos" tanto ele como a provação final que há de precedê-lo.” (673)

Devemos nos preparar para a volta de Jesus, esta é uma verdade de fé cristã desde os inícios e a Igreja sempre confirmou esta crença. O carisma da Canção Nova é preparar o povo para receber Jesus. Faz parte da missão da Canção Nova esta expectativa da volta de Jesus.

Temos que ter cuidado para não cair na grande tentação do messianismo em que os judeus caíram. Os judeus esperavam um messias político, um rei secular que resolveria todos os problemas do mundo e restauraria um período de paz. Às vezes caímos nesta tentação quando queremos que Jesus volte logo para resolver os problemas da humanidade que todos nós produzimos e que muitas vezes, ao invés de procurar participar para melhoria do mundo, cruzamos os braços e queremos e julgamos e exigimos que os outros resolvam por nós. E ainda queremos exigir que Deus volte logo para limpar a bagunça toda.

Deus, às vezes tarda, porque Ele tem o tempo dele, dentro dos mistérios de sua ação e vontade que não cabe a nós cobrar. Quando Ele tarda ele busca salvar mais almas. Por isso nosso papel deve ser extremamente focado em “preparar o caminho do Senhor”. Temos que nos dedicar todos na evangelização. Isso é uma exigência cristã de todo batizado! Infelizmente a maioria dos batizados não contribuem em nada na evangelização. E às vezes atrapalham...

É preciso estarmos atentos para o perigo de tirar Jesus da evangelização com a desculpa de poder atingir mais pessoas com uma mensagem benéfica que esvaziada do personagem principal, o Filho de Deus, deixa de ser evangelização. Ocultar verdades essenciais cristãs é um roubo da verdadeira mensagem de Jesus, da missão e da vida cristã.

Assim o conhecimento das verdades de Cristo, da fé está cada vez mais se tornando superficial. Essa superficialidade, fruto do relativismo acaba se tornando cultural e alguns deturpam tanto que chegam a dizer que esta ignorância e superficialidade das verdades teológicas é um aspecto de uma pretensa “humildade” ...

Os cristãos mais cultos e que buscam viver a raiz (radical) do evangelho são tachados de ‘falsos cristãos’, que não refletem a mensagem extremamente caridosa do ‘novo jesus’ desta sociedade secularizada.

Muitos cristãos estão caindo nesta artimanha do inimigo para esvaziar todo o poder da Palavra de Deus, das verdades de Cristo e do Evangelho. Se o demônio consegue retirar o senso de pecado da pessoa, ela não tem do que se arrepender, não pede perdão e aí está com sua salvação gravemente comprometida. Pronto! O diabo conseguiu o que queria de forma sorrateira, sem alarde, sem grandes tentações, sem lutas, sem vexações, simplesmente invertendo o sentido das coisas.

O nome disso é heresia. E hoje o politicamente correto tem defendido os hereges contra uma inventada “igreja assassina” baseada em mentiras montadas do período da inquisição ou dos templários.

Outra grave ação é a manipulação da imagem do Papa. Empolgados, os modernistas esperavam que o Papa fosse aprovar todos os absurdos que a sociedade depravada atual gostaria que fosse liberado. Como não conseguiram e viram que o Papa busca ser fiel à doutrina católica de sempre, como todos os outros papas anteriores, eles estão fazendo uma abordagem diferente. Está-se criando midiaticamente a imagem de um outro Papa, diferente do atual. Estão constantemente deturpando as palavras do Papa, aumentando demais certas expressões e diminuindo ou ocultando outras. Quando não espalham em redes sociais textos falsos dizendo ser de autoria do Papa. Mostrando um Papa bonzinho, mansinho que ama tudo e aceita tudo...

Tudo com objetivo de manipular a fé católica que é o maior empecilho para o avanço da nova era e dos projetos ardis da revolução marxista, entre outros.
Estamos vivendo numa sociedade sentimentalista, um povo exageradamente sentimental. 

Abandonaram a razão. Vale tudo se tiver prazer, alegria ou algum sentimento bom. Outra coisa é o imediatismo. Tudo vale se for hoje, não importa o futuro. O amanhã não existe. Só existe o hoje. Claro que isso não deixa de ter um fundo de verdade. O problema é que levam isso para o campo moral onde o prazer é tratado como algo muito mais superior do que os valores. Caçoam das verdades eternas do julgamento, do céu, inferno e purgatório. E se por acaso existir um Deus, ele é bom demais para nos castigar...

Assim justificam tudo e não há mais a adesão de uma alma às verdades cristãs, mas uma salada de crenças selecionadas pela pessoa que escolhe a seu bel prazer. Uma religião do self-service, onde o “criador” está a serviço da criatura e não o contrário.

A depressão é a doença do século. O ser humano, na enxurrada de idolatria do sentimento não está sabendo lhe dar consigo mesmo. A partir do momento que a emoção predomina a razão, a loucura se estabelece. O sentimento não pode sobreviver sadiamente sem a razão. Deve-se haver um equilíbrio entre os dois, com a razão sempre predominando: isto é o que nos diferencia dos animais.
A exigência da acentuada carga emotiva na sociedade atual é tão grande que estamos vendo pessoas que não se contentam mais com as mais elementares satisfações, até então num passado recente tão bem aproveitadas.

Não se detém a admirar mais uma bela paisagem, um boa música, um bom texto, uma reflexão profunda. Só se procura entretenimento barato, fácil e inútil. Uma piada é muito mais valorizada do que um pensamento profundo. Um “batidão” vende mais do que uma música que tem melodia, ritmo e letra trabalhada, harmoniosa e complexa. A produção bem trabalhada dá mais trabalho para ser percebida e contemplada e nem sempre serve para fins promíscuos, afinal a promiscuidade é a nova deusa da sociedade moderna que exige ser adorada...

Graças a Deus há um movimento bem contrário a essa maré de lixo começando a se levantar. Há cérebros que não estão se sujeitando a serem gado de abate... E esse movimento vem de todas as partes, independentemente do local, religião ou partido. Isso é uma grande alegria e tudo que pudermos fazer para levantar, divulgar e enaltecer o valor desta linha de pensamento de valorização do belo, do inteligente e do que é arte bem trabalhada é muito louvável. A verdade e o bem deve prevalecer sobre a máscara e a manipulação.

Ajude a levantar uma nova geração que faz mais por si e pelo mundo ao redor. Não se rebaixe aos ditames do politicamente correto ou de uma moda ridícula. Critique e mexa-se. Não basta só assistir. Participe. Não se limite a apenas orar. Isso é importantíssimo, é até o mais importante. Mas se não houver a parte da ação, seria como uma fé sem obras: morta. Ore mas aja! Ora+ação.

Como agir? Pergunte, critique, se informe, expresse sua opinião. Se errar conserte, volte atrás e faça certo. Mas participe. Não cruze os braços. Não ignore os assuntos que impactam diretamente a vida de todos, principalmente a política e a Igreja.

Fazendo assim você estará participando e contribuindo com sua parte, mesmo que pequena, mas altamente necessária aos olhos de Deus, para a construção do Reino, para que “...seja feita Vossa vontade assim na terra como é nos céus...”.

Por isso há esperança de lutarmos por um mundo melhor. Para isso precisamos de almas fortes que permanecem na rocha e não se abalam por qualquer vento de doutrina ou moda corrompedora. A expectativa da volta de Jesus precisa ser uma espera de alegria, pois nosso Deus nos trará libertação. Devemos manter acesa sempre a esperança. Nunca se desesperançar seja qual for a tribulação. Deus é nossa força e ele nunca nos abandona. Se a cruz está pesada olhe para o Cristo e retome as esperanças e lute com fé.

Vamos juntos lutar por uma sociedade santa, uma “Civilização do Amor”, como disse São João Paulo II.

Termino com um texto do Catecismo da Igreja Católica sobre o Fim dos Tempos (675 a 677):
“Antes do advento de Cristo, a Igreja deve passar por uma provação final que abalar a fé de muitos crentes. A perseguição que acompanha a peregrinação dela na terra" desvendará o "mistério de iniquidade" sob a forma de uma impostura religiosa que há de trazer aos homens uma solução aparente a seus problemas, à custa da apostasia da verdade. A impostura religiosa suprema é a do Anticristo, isto é, a de um pseudo-messianismo em que o homem glorifica a si mesmo em lugar de Deus e de seu Messias que veio na carne.
Esta impostura anticrística já se esboça no mundo toda vez que se pretende realizar na história a esperança messiânica que só pode realiza-se para além dela, por meio do juízo escatológico: mesmo em sua forma mitigada, a Igreja rejeitou esta falsificação do Reino vindouro sob o nome de milenarismo, sobretudo sob a forma política de um messianismo secularizado, "intrinsecamente perverso”.
A Igreja só entrará na glória do Reino por meio desta derradeira Páscoa, em que seguirá seu Senhor em sua Morte e Ressurreição. Portanto, o Reino não se realizará por um triunfo histórico da Igreja segundo um progresso ascendente, mas por uma vitória de Deus sobre o desencadeamento último do mal, que fará sua Esposa descer do Céu. O triunfo de Deus sobre a revolta do mal assumirá a forma do Juízo Final depois do derradeiro abalo cósmico deste mundo que passa.”




Nenhum comentário:

Postar um comentário

Irmão, deixe uma mensagem!!!


"Despojemo-nos das ações das trevas e vistamos as armas da Luz" Rm 13,12