30 de jun de 2016

Terço poderoso das Santas Chagas de Jesus


No Antigo testamento, está escrito em Isaías 53, 4-5(2):
Em verdade, ele tomou sobre si nossas enfermidades, e carregou os nossos sofrimentos: e nós o reputávamos como um castigado, ferido por Deus e humilhado. Mas ele foi castigado por nossos crimes, e esmagado por nossas iniquidades; o castigo que nos salva pesou sobre ele; fomos curados graças às suas chagas.
Esta graça profetizada, associada à Palavra de Jesus Cristo, em todos os Evangelhos (Mt 21,22(3); Mc 11,24(4); Lc 11,9(5) Jo 14,14(6)), de que Ele dará o que Lhe for pedido em oração, nos dá a certeza de que seremos ouvidos e atendidos por Deus neste terço.


Jesus realçou, no Evangelho de Mateus(3) e Marcos(4), que é preciso orar com fé, crendo que se receberá o que está sendo pedido. Sendo assim: devemos rezar este terço confiantes de que Jesus levará ao Pai as nossas preces, através das suas Santas Chagas.


Este terço tem aprovação da Igreja Católica. A veneração da paixão de Cristo, através do Terço das Santas Chagas de Nosso Senhor Jesus Cristo, foi concedida, por decreto da Congregação para a Doutrina da fé, em 23 de março de 1999, às religiosas dos mosteiros da Visitação de Santa Maria(7), com a oração seguinte:
Terço das Santas Chagas de Nosso Senhor Jesus Cristo

Começa-se com o Sinal-da-cruz
Reza-se o Credo:(8)
Creio em Deus, Pai todo-poderoso, Criador do Céu e da Terra; E em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor, que foi concebido pelo poder do Espírito Santo; nasceu da Virgem Maria; padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado; desceu à mansão dos mortos; ressuscitou ao terceiro dia; subiu aos Céus; está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso, de onde há-de vir a julgar os vivos e os mortos.Creio no Espírito Santo; na santa Igreja Católica; na comunhão dos Santos; na remissão dos pecados; na ressurreição da carne; e na vida eterna. Amém.
E, as orações seguintes:
I - Oh! Jesus, Divino Redentor, tende misericórdia de nós e do mundo inteiro.
R./ Amém.
II - Deus Santo, Deus Forte, Deus Imortal, tende piedade de nós e do mundo inteiro.
R./ Amém.
III - Oh! Pai Eterno, tende misericórdia de nós, pelo sangue de Jesus Cristo, Vosso Filho Unigênito; tende misericórdia de nós, Vos suplicamos.
R./ Amém.
Em lugar do Pai-Nosso (nas contas grandes), reza-se:
Pai Eterno, eu Vos ofereço as Santas Chagas de Nosso Senhor Jesus Cristo. R./ Para curar as de nossas almas. (1)
Em lugar de cada Ave-Maria (nas contas pequenas)
Meu Jesus, perdão e misericórdia. R./ Pelos méritos de vossas Santas Chagas.(1)
Ao terminar o Terço, rezar 3 vezes:
Pai Eterno, eu Vos ofereço as Santas Chagas de Nosso Senhor Jesus Cristo. R./ Para curar as de nossas almas. Amém. (1)
Lembre-se, por fim, de agradecer a Deus pela graça que vai receber. E divulgue esta devoção. Jesus, ao se manifestar à irmã Maria Marta Chambon(9), revelou que:
"Concederei tudo quanto me pedirem com a invocação de minhas Chagas. Obtereis tudo, porque o mérito de meu Sangue é de um preço infinito. Com meu Coração e minhas Chagas podeis conseguir tudo.Este Rosário de Misericórdia faz contrapeso à Minha justiça. A cada palavra Eu deixo cair uma gota de Meu Sangue, sobre a alma de um pecador. É necessário propagar esta devoção. "
Notas
  1. Jesus, autor das jaculatórias recitadas no terço
  2. Bíblia Católica, Is 53, 4-5. Disponível em: http://www.bibliacatolica.com.br/biblia-ave-maria/isaias/53/
  3. Bíblia Católica Mt 21,22 Disponível em: http://www.bibliacatolica.com.br/biblia-ave-maria/sao-mateus/21/
  4. Bíblia Católica, Mc 11,24 Disponível em: http://www.bibliacatolica.com.br/biblia-ave-maria/sao-marcos/11/
  5. Bíblia Católica, Lc 11,9 Disponível em: http://www.bibliacatolica.com.br/biblia-ave-maria/sao-lucas/11/
  6. Bíblia Católica, Jo 14,14. Disponível em: http://www.bibliacatolica.com.br/biblia-ave-maria/sao-joao/14/
  7. Ordem da Visitação de Santa Maria, Ir Marie-Marthe:Terço das Santas Chagas de Nosso Senhor Jesus Cristo Chambonhttp http://www.monjasvisitandinas.com.br/mosteiro/ir-martha-chambon/ Acesso em 30/06/2016.
  8. Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, primeira parte, primeira secção, capítulo terceiro, segunda secção. Disponível em: http://www.vatican.va/archive/compendium_ccc/documents/archive_2005_compendium-ccc_po.htmAcesso em 30/06/2016.
  9. Gloria TV, Aparições de Jesus à irmã Marta Chambom (artigo). Disponível em: https://gloria.tv/article/tNBm7LxzYcg21S6RvKNhwKXeh/language/cjiDuzewkqYN2P7CWc7BXyXs4 Acesso em 30/06/2016.
  10. Desconheço a autoria da Imagem

Autoria: Betania Tavares.



29 de jun de 2016

Paulo, o apóstolo do Amor

"A vós, graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e da parte do Senhor Jesus Cristo!"(1)

Hoje, a Igreja Católica celebra a festa solene do apóstolo Paulo. 

Segundo Bento XVI, Paulo "brilha como estrela de primeira grandeza na história da Igreja, e não só da primitiva. São João Crisóstomo exalta-o como personagem superior até a muitos anjos e arcanjos (...). Dante Alighieri, na Divina Comédia, inspirando-se na narração de Lucas feita nos Actos (cf. 9, 15), define-o simplesmente "vaso de eleição" (...), que significa: instrumento pré-escolhido por Deus. Outros chamaram-no o "décimo terceiro Apóstolo" e realmente ele insiste muito para ser um verdadeiro Apóstolo, tendo sido chamado pelo Ressuscitado ou até "o primeiro depois do Único"."(2)

"Sem dúvida, depois de Jesus, ele é o personagem das origens sobre a qual estamos mais informados. De facto, possuímos não só a narração que dele faz Lucas nos Atos dos Apóstolos, mas também um grupo de Cartas que provêm diretamente da sua mão e sem intermediários nos revelam a sua personalidade e o seu pensamento.
"(2) E foi em uma destas cartas, precisamente na primeira carta aos Coríntios, no capitulo 13, que São Paulo deixou para a posteridade o mais belo hino sobre o amor:


"Ainda que eu distribua todos os meus bens
e entregue o meu corpo para ser queimado,

se não tiver amor, de nada me aproveita. 

O amor é paciente,
o amor é prestável,
não é invejoso,
não é arrogante nem orgulhoso,
nada faz de inconveniente,
não procura o seu próprio interesse,
não se irrita nem guarda ressentimento.
Não se alegra com a injustiça,
mas rejubila com a verdade.

Tudo desculpa, tudo crê,
tudo espera, tudo suporta. 


O amor jamais passará.
As profecias terão o seu fim,
o dom das línguas terminará
e a ciência vai ser inútil.
Pois o nosso conhecimento é imperfeito
e também imperfeita é a nossa profecia.
Mas, quando vier o que é perfeito,
o que é imperfeito desaparecerá.

Quando eu era criança,
falava como criança,
pensava como criança,
raciocinava como criança.
Mas, quando me tornei homem,
deixei o que era próprio de criança.

Agora, vemos como num espelho,
de maneira confusa;
depois, veremos face a face.
Agora, conheço de modo imperfeito;
depois, conhecerei como sou conhecido.

Agora permanecem estas três coisas:
a fé, a esperança e o amor;
mas a maior de todas é o amor."
(3)


Essa mensagem paulina toca o coração e nos dá a certeza de que São Paulo tinha o coração repleto de amor, repleto de Deus. Paulo se abriu à ação de Deus e foi por Ele transformado, a ponto de dizer: "Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim."(4) 

Sejamos como Paulo e vivamos a nossa vida em comunhão com o Altíssimo, vivendo plenamente o Seu Mandamento do Amor.

Que "a graça do Senhor Jesus Cristo, o Amor de Deus e a Comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós!"(3) 



Notas


1.Bíblia Sagrada, 1Cor 1,3 Disponível em: http://www.bibliacatolica.com.br/biblia-ave-maria/i-corintios/1/

2.Papa Bento XVIAudiência Geral (25/10/2006): Paulo, perfil do homem e do apóstolo. Disponível em:  https://w2.vatican.va/content/benedict-xvi/pt/audiences/2006/documents/hf_ben-xvi_aud_20061025.html Acesso em 29/06/2016.
3.Bíblia Sagrada, 1Cor 13, 1-13 Disponível em: http://www.bibliacatolica.com.br/biblia-ave-maria/i-corintios/13/ Acesso em 29/06/2016.
4.Bíblia Sagrada, Gal 2,20. Disponível em: http://www.bibliacatolica.com.br/biblia-ave-maria/galatas/2/ Acesso em 29/06/2016.
5. Imagem, autor desconhecido.

Autoria: Betania Tavares


"Pedro, o Apóstolo"

Hoje comemora-se o dia de São Pedro e, para festejá-lo, reproduzo aqui o trecho de uma bela mensagem do Papa Emérito Bento XVI:
"A escola da fé não é uma marcha triunfal, mas um caminho repleto de sofrimentos e de amor, de provas e de fidelidade a ser renovada todos os dias. Pedro, que já tinha prometido fidelidade absoluta, conhece a amargura e a humilhação da renegação: o atrevido aprende à sua custa a humildade. Também Pedro deve aprender a ser frágil e carente de perdão. Quando finalmente perde a máscara e compreende a verdade do seu coração frágil de pecador crente, cai num libertador choro de arrependimento. Depois deste choro ele já está pronto para a sua missão.  
Numa manhã de Primavera esta missão ser-lhe-á confiada por Jesus ressuscitado. O encontro será na margem do lago de Tiberíades.


O evangelista João narra-nos o diálogo que naquela circunstância se realiza entre Jesus e Pedro. Nele revela-se um jogo de verbos muito significativo. Em grego o verbo "filéo" expressa o amor de amizade, terno mas não totalizante enquanto o verbo "agapáo"significa o amor sem reservas, total e incondicionado. Jesus pergunta a Pedro pela primeira vez: "Simão... tu amas-Me (agapâs-me)"com este amor total e incondicionado ( cf. Jo 21, 15)? Antes da experiência da traição o Apóstolo teria certamente respondido: "Amo-Te (agapô-se) incondicionalmente". Agora, que conheceu a amarga tristeza da infidelidade, o drama da própria debilidade, diz apenas: "Senhor... tu sabes que sou deveras teu amigo (filô-se), isto é, "amo-te com o meu pobre amor humano". Cristo insiste: "Simão, tu amas-Me com este amor total que Eu quero?". E Pedro repete a resposta do seu humilde amor humano: "Kyrie, filô-se","Senhor, tu sabes que eu sou deveras teu amigo". Pela terceira vez Jesus pergunta a Simão: "Fileîs-me?", "tu amas-Me?". Simão compreende que para Jesus é suficiente o seu pobre amor, o único de que é capaz, e contudo sente-se entristecido porque o Senhor teve que lhe falar daquele modo. Por isso, responde: "Senhor, Tu sabes tudo; Tu bem sabes que eu sou deveras teu amigo! (filô-se)".Seria para dizer que Jesus se adaptou a Pedro, e não Pedro a Jesus! É precisamente esta adaptação divina que dá esperança ao discípulo, que conheceu o sofrimento da infidelidade. Surge daqui a confiança que o torna capaz do seguimento até ao fim: "E disse isto para indicar o género de morte com que ele havia de dar glória a Deus. Depois destas palavras acrescentou: "Segue-Me"!" (Jo21, 19). 

A partir daquele dia Pedro "seguiu" o Mestre com a clara consciência da própria fragilidade; mas esta consciência não o desencorajou. De facto, ele sabia que podia contar com a presença do Ressuscitado. Dos ingénuos entusiasmos da adesão inicial, passando pela experiência dolorosa da negação e pelo choro da conversão, Pedro alcançou a confiança naquele Jesus que se adaptou à sua pobre capacidade de amor. E mostra assim também a nós o caminho, apesar da nossa debilidade. Sabemos que Jesus se adapta a esta nossa debilidade."
Texto extraído da Audiência do Papa BENTO XVI, do dia 24 de Maio de 2006, sob o título "Pedro, o Apóstolo". Disponível em: https://w2.vatican.va/content/benedict-xvi/pt/audiences/2006/documents/hf_ben-xvi_aud_20060524.html Acesso em 29/06/2016.

Desconheço a autoria da Imagem. 

28 de jun de 2016

Sagrada Escritura, Sagrada Tradição e Magistério



A Escritura, a Tradição e o Magistério são os pilares que sustentam a fé Católica: A Sagrada Escritura é a Palavra de Deus inspirada pelo Espírito Santo, que é conservada e transmitida, ao longo dos séculos, pela Sagrada Tradição; sendo o Magistério “o único intérprete autêntico da Palavra de Deus, escrita ou transmitida”.(1)

A Igreja Católica funda-se “sobre a Palavra de Deus, nasce e vive dela”(2). É enorme a importância da Sagrada Escritura na celebração da Liturgia. Porque é a ela que se vão buscar as leituras que se explicam na homilia e os salmos para cantar; com o seu espírito e da sua inspiração nasceram as preces, as orações e os hinos litúrgicos; dela tiram a sua capacidade de significação as ações e os sinais.(3)

Na Sagrada Escritura, a Igreja encontra continuamente o seu alimento e a sua força(4). Tal como venera o Corpo do Senhor, “a Igreja sempre venerou as divinas Escrituras” . Nunca cessa de distribuir aos fiéis o Pão da vida, tornado à mesa quer da Palavra de Deus, quer do Corpo de Cristo(4)

A Sagrada Tradição, por sua vez, conserva integralmente a Palavra de Deus, confiada aos Apóstolos(4). E a transmite a todas as gerações, seja por sua doutrina, por sua vida, por seu culto(5). Contudo, ela não é a simples transmissão material de quanto foi doado no início aos Apóstolos, mas é a presença eficaz do Senhor Jesus, crucificado e ressuscitado, que acompanha e guia no Espírito a comunidade por ele reunida.(6)

O Papa Emérito Bento XVI destaca esse papel do Espírito Santo na condução da Igreja:

É interessante observar que, enquanto em alguns trechos se diz que Paulo estabelece os presbíteros nas Igrejas (cf. Act 14, 23), noutras partes afirma-se que é o Espírito quem constitui os pastores do rebanho (cf. Act 20, 28). A acção do Espírito e a de Paulo sobressaem profundamente compenetradas. No momento das decisões solenes para a vida da Igreja, o Espírito está presente para a guiar. Esta presença-guia do Espírito Santo sente-se particularmente no Concílio de Jerusalém, em cujas palavras conclusivas ressoa a afirmação: "O Espírito Santo e nós próprios resolvemos..." (Act 15, 28); a Igreja cresce e caminha "no temor do Senhor e, com a assistência do Espírito Santo..." (Act 9, 31).(6)

Referindo-se também a Atos dos Apostolos, a Comissão Teológica Internacional, considera a vida da primeira comunidade como fundamental para a Igreja de todos os tempos:

Eles mostravam-se assíduos ao ensinamento dos apóstolos, à comunhão fraterna, à fração do pão e às orações” (At 2,42; cf.Apoc 1,3). Essa descrição sucinta, (...) destaca vários aspectos essenciais do trabalho contínuo do Espírito na Igreja. Já vem traçada uma antecipação da doutrina e da vida sacramental da Igreja, da sua espiritualidade e de seu compromisso com a caridade. Tudo isso teve início na comunidade apostólica, e a transmissão deste estilo integral de vida no Espírito é a Tradição Apostólica. A lex orandi (a regra da oração), a lex credendi (a regra da fé) e a lex vivendi (a regra de vida) são todos aspectos essenciais dessa Tradição.”(7)

Quando se fala em Tradição da Igreja Católica, é importante destacar que o Concílio Vaticano II distingue «Tradição» com T maiúsculo e as «tradições» com t minúsculo.(7) A «Tradição» com T maiúsculo vem dos Apóstolos. Ela transmite o que estes receberam do ensino e do exemplo de Jesus e aprenderam pelo Espírito Santo. Ela é diferente das «tradições», com t minúsculo, “que pertencem a determinados períodos da história da Igreja, ou a regiões e comunidades específicas, tais como ordens religiosas ou Igrejas locais específicas.”(7)

Para esclarecer melhor essa diferença, vejamos alguns exemplos de Tradição com T maiúsculo, tiradas do Catecismo da Igreja Católica com a respectiva numeração de seus respectivos parágrafos:

120. Foi a Tradição Apostólica que levou a Igreja a discernir quais os escritos que deviam ser contados na lista dos livros sagrados.(8)
707. As teofanias (manifestações de Deus) iluminam o caminho da promessa, dos patriarcas a Moisés e de Josué até às visões que inauguram a missão dos grandes profetas. A Tradição cristã sempre reconheceu que, nestas teofanias, o Verbo de Deus Se deixava ver e ouvir, ao mesmo tempo revelado e «velado», na nuvem do Espírito Santo.(9)
721.Maria, a santíssima Mãe de Deus, sempre virgem, é a obra-prima da missão do Filho e do Espírito na plenitude do tempo. Pela primeira vez no desígnio da salvação e porque o seu Espírito a preparou, o Pai encontra a morada na qual o seu Filho e o seu Espírito podem habitar entre os homens. É neste sentido que a Tradição da Igreja muitas vezes lê, em relação a Maria, os mais belos textos sobre a Sabedoria (Cf. Pr 8, 1 – 9, 6; Ecl 24 ).(9)
1008.A morte é consequência do pecado. Intérprete autêntico das afirmações da Sagrada Escritura (585) e da Tradição, o Magistério da Igreja ensina que a morte entrou no mundo por causa do pecado do homem.(9)
1031. A Igreja chama Purgatório a esta purificação final dos eleitos, que é absolutamente distinta do castigo dos condenados. A Igreja formulou a doutrina da fé relativamente ao Purgatório sobretudo nos concílios de Florença (...) e de Trento (...). A Tradição da Igreja, referindo-se a certos textos da Escritura (...) fala dum fogo purificador.(9)
1124. A liturgia é um elemento constitutivo da Tradição santa e viva.(10)
2154. Seguindo o exemplo de São Paulo (Cf. 2 Cor 1, 23 ), a Tradição da Igreja entendeu a palavra de Jesus como não se opondo ao juramento, quando feito por uma causa grave e justa (por exemplo, diante do tribunal).(12)
2178. A Tradição guarda a lembrança duma exortação sempre actual: «Vir cedo à igreja. aproximar-se do Senhor e confessar os próprios pecados, arrepender-se deles na oração [...], assistir à santa e divina liturgia, acabar a sua oração e não sair antes da despedida [...].(12)
2698. A Tradição da Igreja propõe aos fiéis ritmos de oração destinados a alimentar a oração contínua. Alguns são quotidianos: a oração da manhã e da noite, antes e depois das refeições, a Liturgia das Horas. O Domingo, centrado na Eucaristia, é santificado principalmente pela oração. O ciclo do ano litúrgico e as suas grandes festas constituem os ritmos fundamentais da vida de oração dos cristãos.(13)

Quanto às “«tradições», com t minusculo, podem ser teológicas, disciplinares, litúrgicas ou devocionais.“(8) Vejamos alguns exemplos:

1. exemplo de tradição devocional: “Em 1480, o dominicano Pe. Felice Fabri descreve, em seu relatório de viagem, como Maria Santíssima realizava o percurso da Via-sacra: “partindo do Santo Sepulcro e descendo depois para Jerusalém, pelo mesmo caminho percorrido por Jesus. E quando ela chega aos lugares que recordam os episódios de sua dolorosa viagem, como o Getsêmani, a queda sob a cruz, o encontro com as piedosas mulheres, o pretório de Pilatos, e a casa de Verônica, ela pára, se ajoelha e reza. Como se pode notar, o percurso traçado por Pe. Fabri foi realizado de trás para frente; assim era, portanto, no século XV”.(14)
    2. Um exemplo de tradição litúrgica: As tradições litúrgicas ou ritos, actualmente em uso na Igreja, são: o rito latino (principalmente o rito romano, mas também os ritos de certas igrejas locais, como o rito ambrosiano ou o de certas ordens religiosas) e os ritos bizantino, alexandrino ou copta, siríaco, arménio, maronita e caldeu. «Fiel à tradição, o sagrado Concílio declara que a santa Mãe Igreja considera iguais em direito e dignidade todos os ritos legitimamente reconhecidos e quer que no futuro se mantenham e sejam promovidos por todos os meios»(11)

As tradições, com t minúsculo, devem estar sempre abertas à crítica. Tal crítica procura verificar se uma tradição específica de fato expressa a fé da Igreja em um determinado lugar e tempo; e busca, depois, fortalecê-la ou corrigi-la através do contato com a fé viva de todos os lugares e de todos os tempos. Enquanto que a crítica à “Tradição Apostólica” em si não é adequada.”(7) Segundo Padre Paulo Ricardo, “diante dos fatos constantes na Tradição, o católico deve aceitá-la com a obediência da fé, pois ela não requer argumentos, faz parte do patrimônio sagrado (depositum fidei) e é necessária para alicerçar o edifício da fé católica.“(15)

Sim, a Tradição faz parte do "patrimônio sagrado"(4) da fé, assim como a Sagrada Escritura. E, para que se conservasse, íntegro e vivo na Igreja, esse patrimonio, os Apóstolos deixaram os bispos como seus sucessores, em comunhão com o sucessor de Pedro, o Papa, "entregando-lhes o seu próprio ofício do Magistério", cuja autoridade é exercida em nome de Jesus Cristo.” (...) Todavia, este Magistério não está acima da Palavra de Deus, mas sim ao seu serviço, ensinando apenas o que foi transmitido por mandato divino e, com a assistência do Espírito Santo, a ouve piamente, a guarda religiosamente e a expõe fielmente”(4)

Quando o Magistério da Igreja se pronuncia «infalivelmente», declarando solenemente que uma doutrina está contida na Revelação, não só se deve crer mas também se aderir profundamente à essa verdade como divinamente revelada.(19) Um exemplo desse ato é a declaração da “Assunção corpórea ao céu da Mãe de Deus”, que foi definida como dogma de fé. “É, portanto, verdade revelada por Deus, e por essa razão todos os filhos da Igreja têm obrigação de a crer firme e fielmente”.(16) “Por conseguinte, todos têm a obrigação de evitar quaisquer doutrinas contrárias.“(17)

Quando o Magistério propõe « em modo definitivo » verdades que tocam questões de fé ou de costumes que, mesmo não sendo divinamente reveladas, são porém estreita e intimamente conexas com a Revelação, estas devem ser firmemente aceitas e conservadas.(19) “Opõe-se, portanto, à doutrina da Igreja Católica quem rejeitar tais proposições consideradas definitivas.“(17). Um exemplo de proposta “em modo definitivo” é a reafirmação da doutrina da ordenação sacerdotal reservada exclusivamente aos homens, em 29 de Junho de 1998, pela Congregação para a Doutrina da Fé, em "Documentos do Magistério sobre a "Professio Fidei".(18)

Quando o Magistério, mesmo sem a intenção de emitir um ato « definitivo », ensina uma doutrina para ajudar a uma compreensão mais profunda da Revelação e daquilo que melhor explicita o seu conteúdo, ou para evocar a conformidade de uma doutrina com as verdades de fé, ou enfim para prevenir contra concepções incompatíveis com estas mesmas verdades, é exigida uma religiosa submissão da vontade e da inteligência “.(19) Um exemplo é o documento Dominus Iesus(20), da Congregação para a Doutrina da Fé, que se propôs a “relembrar e esclarecer algumas verdades de fé “ sobre o diálogo entre a fé cristã e as demais tradições religiosas.

E, para servir da melhor forma possível o Povo de Deus, o Magistério também atua tutelando-o "contra desvios e perdas, e garantindo-lhe a possibilidade objetiva de professar sem erros a fé autêntica, em qualquer tempo e nas diversas situações.”(19),ou intervindo para que "a sã investigação teológica não venha a ser vítima de erros ou ambiguidades"(21)como, por exemplo, o Comentário às Respostas a Questões Relativas a alguns Aspectos da Doutrina sobre a Igreja, da Congregação para a Doutrina da Fé.(21)

Assim, Sagrada Escritura, Sagrada Tradição e Magistério, são a base sobre a qual se assenta a fé da Igreja Católica Apostólica Romana. Estes pilares se “unem e se associam de modo que um sem os outros não se mantém, e todos juntos, cada um a seu modo, sob a ação do mesmo Espírito Santo, contribuem eficazmente para a salvação das almas. “(5)



Notas

  1. Congregação para a Doutrina da Fé, Instrução DONUM VERITATIS sobre a Vocação Eclesial do Teólogo” (24/05/1990), parágrafo 21. Disponível em: http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/documents/rc_con_cfaith_doc_19900524_theologian-vocation_po.html Acesso em: 27/06/2016.
  2. Papa Bento XVI, Exortação Apostólica Pós-Sinodal VERBUM DOMINI (30/09/2010), parágrafo 3. Disponível em:http://w2.vatican.va/content/benedict-xvi/pt/apost_exhortations/documents/hf_ben-xvi_exh_20100930_verbum-domini.html Acesso em 26/06/2016.
  3. Concílio Vaticano II, Constituição Conciliar SACROSANCTUM CONCILIUM sobre a Sagrada Liturgia (04/12/1963), parágrafo 24. Disponível em : http://www.vatican.va/archive/hist_councils/ii_vatican_council/documents/vat-ii_const_19631204_sacrosanctum-concilium_po.html Acesso em 26/06/2016.
  4. Catecismo da Igreja Católica, parágrafos 84, 85,86, 103, 104, Disponível em: http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p1s1c2_50-141_po.html Acesso em 26/06/2016.
  5. Concílio Vaticano II, Constituição Dogmática DEI VERBUM Sobre a Revelação Divina (18/11/1965), parágrafos 8, 10. Disponível em: http://www.vatican.va/archive/hist_councils/ii_vatican_council/documents/vat-ii_const_19651118_dei-verbum_po.html Acesso em 26/06/2016.
  6. Bento XVI, Audiência Geral (26/04/2006). Disponível em: https://w2.vatican.va/content/benedict-xvi/pt/audiences/2006/documents/hf_ben-xvi_aud_20060426.html Acesso em 26/06/2016.
  7. Comissão Teológica Internacional, Teologia hoje: Perspectivas, Princípios e Critérios (2012), parágrafos 25, 31. Disponível em: http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/cti_documents/rc_cti_doc_20111129_teologia-oggi_po.html Acesso em: 26/06/2016.
  8. Catecismo da Igreja Católica, primeira parte, primeira secção, capítulo segundo, parágrafos 83, 120. Disponível em: http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p1s1c2_50-141_po.html Acesso: 27/06/2016.
  9. Catecismo da Igreja Católica, primeira parte, segunda secção, capítulo terceiro, parágrafos 707, 721, 891,1008,1031. Disponível em: http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p1s2cap3_683-1065_po.html Acesso: 27/06/2016.
  10. Catecismo da Igreja Católica, segunda parte, primeira secção, capítulo primeiro, artigo 2 item III, parágrafo 1124 . Disponível em: http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p2s1cap1_1076-1134_po.html Acesso: 27/06/2016.
  11. Catecismo da Igreja Católica, segunda parte, primeira secção, capítulo segundo, artigo 2, parágrafo 1203 . Disponível em:http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p2s1cap2_1135-1209_po.html Acesso em 27/06/2016.
  12. Catecismo da Igreja Católica, terceira parte, segunda secção, capítulo primeiro, parágrafos 2154, 2178. Disponível em: http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p3s2cap1_2083-2195_po.html Acesso: 27/06/2016.
  13. Catecismo da Igreja Católica, quarta parte, primeira secção, capítulo terceiro, parágrafo 2698. Disponível em:http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p4s1cap3_2697-2758_po.html Acesso em 27/06/2016.
  14. Rádio Vaticana, A Instituição da devoção paraliturgica da Via sacra (notícia) http://www.radiovaticana.va/portuguese/brasarchi/2004/RV15_2005/04_15_29.htm Acesso em 28/06/2016.
  15. Padre Paulo Ricardo. Programa Christo Nihil Praeponere, Resposta Católica nº 22: Como saber se um fato pertence à Tradição? Disponível em: https://padrepauloricardo.org/episodios/como-saber-se-um-fato-pertence-a-tradicao Acesso em 27/06/206.
  16. Papa Pio XII, Constituição Apostólica MUNIFICENTISSIMUS DEUS, parágrafos 12, 41 (01/11/1950) http://w2.vatican.va/content/pius-xii/pt/apost_constitutions/documents/hf_p-xii_apc_19501101_munificentissimus-deus.html Acesso em: 28/06/2016.
  17. Código de Direito Canônico, promulgado por S.S. JP II. 4ª ed. Revista versão portuguesa. Canon 750 §1 . Disponível em: http://www.vatican.va/archive/cod-iuris-canonici/portuguese/codex-iuris-canonici_po.pdf Acesso em 28/06/2016.
  18. Congregação para a Doutrina da Fé, Documentos do Magistério sobre a PROFESSIO FIDEI Disponível em: http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/documents/rc_con_cfaith_doc_1998_professio-fidei_po.html Acesso em 28/06/2016.
  19. Congregação para a Doutrina da Fé, Instrução DONUM VERITATIS sobre a Vocação Eclesial do Teólogo (24/05/1990), parágrafos 14,17-20, 23, 24, 39, 40. Disponível em http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/documents/rc_con_cfaith_doc_19900524_theologian-vocation_po.html Acesso em 27/06/2016.
  20. Congregação para a Doutrina da Fé, Declaração DOMINUS IESUS sobre a unicidade e a universalidade salvifica de Jesus Cristo e da Igreja (06/08/2000), parágrafo 3. Disponível em:http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/documents/rc_con_cfaith_doc_20000806_dominus-iesus_po.html Acesso em 28/06/2016.
  21. Congregação para a Doutrina da Fé, Comentário às Respostas a Questões Relativas a alguns Aspectos da Doutrina sobre a Igreja (29/06/2007). Disponível em: http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/documents/rc_con_cfaith_doc_20070629_commento-responsa_po.html Acesso em: 28/06/2016.
  22. Imagem: Z. Jabbour.


Autoria: Betania Tavares



25 de jun de 2016

Dicas para leitores


O canal no Youtube "As Travessias" do Bruno Magalhães traz várias dicas sobre leituras. Quero listar aqui os vídeos que encontrei a respeito em seu canal. Segue:




















Para quê você estuda? Dicas práticas de estudo #1



Literatura e Filosofia: a criação artística e o delírio das musas




A escolha dos livros. Dicas práticas dos livros #2



Como aproveitar melhor a leitura. Dicas práticas de estudo #3





Vídeos sobre o livro "A Vida Intelectual"


Irmãos, já escrevi aqui um resumo sobre este magnífico livro "A Vida Intelectual" do Padre Sertilanges que você pode conferir clicando aqui.

Venho agora trazer esta série de vídeos do canal "A Travessia" no Youtube onde Bruno Magalhães esmiúça todo o conteúdo.




















































































































Toda a sequência está aí. Republico neste blog devido à importância deste conteúdo.


"Despojemo-nos das ações das trevas e vistamos as armas da Luz" Rm 13,12