22 de jun de 2016

Prosseguindo decididamente


As olimpíadas estão chegando e elas nos fazem pensar sobre a importância da preparação visando a conquista do prêmio final. Assim é no esporte. Assim é na vida cristã. A busca da perfeição pelo corpo e pela alma tem processos assemelhados: Começa com a convocação; depois vem o treinamento diário, com renúncias e sofrimentos, regido por normas e com punições aos que não as cumprem; e por fim a recompensa aos que perseverarem até o fim.

Os atletas que participarão da Rio 2016 foram escolhidos. E, para isso, a confederação de cada esporte definiu critérios para selecionar os esportistas de altíssimo rendimento e/ou as melhores equipes. Quanto aos cristãos, eles disseram sim ao convite feito por Jesus, aceitando as seguntes condições: renuncie a si mesmo e tome sua cruz cada dia.”(1).

Começa então o treinamento. Os atletas buscam a perfeição do seu desempenho físico. Os cristãos buscam a “plenitude da vida cristã e a perfeição da caridade”(12), pois são chamados pelo Senhor “à perfeição do Pai”(12).

Como nenhum prêmio é conquistado sem esforço e dedicação, é necessário treino diário. Dia-a-dia, os atletas praticam seu esporte intensamente, seja sozinhos, seja em equipe, enquanto que os cristãos empregam “as forças recebidas, segundo a medida em que as dá Cristo, (...), seguindo as Suas pisadas e conformados à Sua imagem, obedecendo em tudo à vontade de Deus.”(12)

Nesse treino, é importante que tanto atletas quanto cristãos cumpram corretamente o papel que lhes foi confiado, sem perder de vista sua importância dentro do contexto de nacionalidade e/ou de Povo de Deus. E é desejável que, tanto no esporte coletivo como na vida em comunidade, se faça o melhor para que o companheiro também consiga obter o máximo resultado.

A renúncia é constante. Os atletas renunciam às coisas que prejudicam o desempenho máximo de seus corpos. Evitam beber álcool e dormir pouco, bem como restringem o consumo de certos alimentos e de certas diversões. Os seguidores de Cristo renunciam a si mesmos(1), isto é, imitam Jesus, que não veio “para ser servido, mas para servir”(7). Quem segue Cristo “ não avalia as coisas tendo como base a sua própria vantagem. Considera a vida vivida em termos de dom e gratuidade, e não de conquista e de posse.”(5)

Nesse processo, a dor é inevitável. O sofrimento acontece como consequência da superação dos próprios limites, do enfrentamento de adversidades, e é necessário enfrentá-lo. Os atletas fazem tratamento médico, fisioterápico, psicológico, na tentativa de estimular o corpo a restabelecer a performance. Os cristãos praticam jejum, oração e esmola. “Essas três formas de penitência são um remédio para o combate das doenças espirituais, sendo que o jejum auxilia no combate à gula, a oração no combate ao orgulho e à soberba, e a esmola no combate à avareza.“, diz Padre Paulo Ricardo.(2)

Procura-se limitar o sofrimento e lutar contra ele, mas não se pode eliminá-lo. É necessário encarar episódios dolorosos, “carregar a cruz”(1). Bento XVI nos diz que “a grandeza da humanidade determina-se essencialmente na relação com o sofrimento e com quem sofre. Isto vale tanto para o indivíduo como para a sociedade”(3). “Não é o evitar o sofrimento, a fuga diante da dor, que cura o homem, mas a capacidade de aceitar a tribulação e nela amadurecer, de encontrar o seu sentido através da união com Cristo, que sofreu com infinito amor.“(3)

Então, para suportar esse sofrimento e ser capaz de cumprir a missão que lhes é confiado, é necessária a fortaleza. A dos atletas, vem da preparação física e psicológica. A dos cristãos, vem da ação do Espírito Santo. São João Paulo II nos ensina que é o Espírito Santo que, “do sofrimento, faz emergir o eterno amor salvífico”, “que sabe sofrer”(4). E Papa Francisco nos diz que é o Espírito Santo que liberta o terreno do coração “da tibieza, de incertezas e medos”(6) e cuja ação é “ uma verdadeira ajuda”(6) pois dá “confiança mesmo nas circunstâncias mais difíceis” da vida.”.(6)

Como os atletas estão inseridos num evento esportivo e os cristãos, numa comunidade de fé, é necessário haver normas, com suas ordenações e suas proibições, para manter a paz e haver justiça. E, consequentemente, é preciso existir obediência às autoridades e humildade no agir. Não há esporte sem regras nem Amor sem Mandamentos. “A “desobediência” significa precisamente “passar além” daquele “limite”“(4), transgredir uma proibição, e isso gera punições. A penalidade é como uma cicatriz, seja no currículo dos atletas, seja na alma dos cristãos. Os atletas não têm como apagá-la. Já os Cristãos têm. Eles podem chegar à total purificação da pena através de “Uma conversão que procede de uma ardente caridade (…) de tal modo que não haja mais nenhuma pena”.(9)

As semelhanças  dos processos de busca da perfeição, pelo corpo e pela alma, no esporte e na vida cristã, nos fazem perceber que o caminho trilhado é desafiador desde o momento da convocação, o treinamento é difícil, mas, a vitória final sempre permitirá a constatação de que todo o esforço vai ter valido a pena.


E, para que esta mensagem possa produzir frutos em sua vida, eu deixo aqui o pensamento de dois vencedores:

Michael Phelps, nadador norte-americano, maior medalhista olímpico da História, 22 medalhas no total, incluindo 18 ouros:
Não me lembro o último dia em que eu que não treinei.”(10)

São Paulo, maior propagador do cristianismo depois de Cristo. É uma das pessoas mais interessantes e modernas de toda a literatura grega, e a sua Carta aos Coríntios é das obras mais significativas da humanidade:
Anseio pelo conhecimento de Cristo e do poder da sua Ressurreição, pela participação em seus sofrimentos, tornando-me semelhante a ele na morte, com a esperança de conseguir a ressurreição dentre os mortos. Não pretendo dizer que já alcancei (esta meta) e que cheguei à perfeição. Não. Mas eu me empenho em conquistá-la, uma vez que também eu fui conquistado por Jesus Cristo. Consciente de não tê-la ainda conquistado, só procuro isto: prescindindo do passado e atirando-me ao que resta para a frente, persigo o alvo, rumo ao prêmio celeste, ao qual Deus nos chama, em Jesus Cristo. Nós, mais aperfeiçoados que somos, ponhamos nisto o nosso afeto; e se tendes outro sentir, sobre isto Deus vos há de esclarecer. Contudo, seja qual for o grau a que chegamos, o que importa é prosseguir decididamente.”(11)


Notas
  1. Bíblia Sagrada: Lc 9,23
  2. Padre Paulo Ricardo, Programa Christo Nihil Praeponere
    Resposta Católica 71. Formas de penitência e suas razões. In:
  3. Papa João Paulo II, Carta Encíclica DOMINUM ET VIVIFICANTEM, 36,40. In: http://w2.vatican.va/content/john-paul-ii/pt/encyclicals/documents/hf_jp-ii_enc_18051986_dominum-et-vivificantem.html
  4. Papa João Paulo II, MENSAGEM DO PAPA JOÃO PAULO II PARA O XVI DIA MUNDIAL DA JUVENTUDE 2001, 3, 4, 5. In: http://w2.vatican.va/content/john-paul-ii/pt/messages/youth/documents/hf_jp-ii_mes_20010215_xvi-world-youth-day.html
  5. Bíblia Sagrada: Mateus 10,45. In: http://www.bibliacatolica.com.br/biblia-ave-maria/sao-mateus/10/
  6. Bíblia Sagrada: Marcos 9,35. In: http://www.bibliacatolica.com.br/biblia-ave-maria/sao-marcos/9/
  7. Catecismo da Igreja Católica, parágrafo 1472. In: http://catecismo-az.tripod.com/conteudo/a-z/p/pecado.html
  8. Concílio Vaticano II, Constituição Dogmática Lumen Gentium, 11, 40. In: http://www.vatican.va/archive/hist_councils/ii_vatican_council/documents/vat-ii_const_19641121_lumen-gentium_po.html
  9. Imagem: autoria desconhecida.
Autoria do texto: Betania Tavares

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