29 de jul de 2016

Chamados à Vida Intelectual




IMPORTÂNCIA

Irmãos, hoje, mais do que nunca, a necessidade de sabedoria neste mundo louco é urgente. Já diz as Sagradas Escrituras: "meu povo se perde por falta de conhecimento" (Oséias 4,6). O conhecimento da Verdade é uma busca fundamental da vida cristã. Sobre essa verdade essencial que todo cristão deve buscar sugiro ler o post "O Conhecimento da Verdade é tudo que precisamos".

Após eu ter descoberto a importância espiritual e mental da Vida Intelectual através do livro do Padre Sertillanges, grande estudioso de São Tomás de Aquino, e mais: que a Vida Intelectual é um chamado, uma vocação, confesso que meus olhos se abriram para muitas coisas que antes não enxergava devido a minha ignorância e conceitos tortos aprendidos desta sociedade pagã...

Chamo a todos pregadores, formadores e líderes que também se sentem chamados, mesmo que ainda veladamente, ainda que não entendam este chamado de forma plena, pois eu também não, pois estou ainda na busca e descoberta, convido a todos que comecem a empreender desde já uma busca sobre o que é essa tal 'Vida Intelectual', que é tão valorizada por muitos santos, doutores da igreja, filósofos, místicos e incentivada pelas Sagradas Escrituras.

Para isso quero compartilhar aqui uma série de informações essenciais aos que querem entender melhor tudo isso e aos que já se sentem chamados à vocação sublime da Vida Intelectual.



ATAQUES MALICIOSOS

Mas antes vou fazer um pequeno comentário introdutório a respeito do atual ataque àqueles que se esforçam sincera e diligentemente pela busca ao verdadeiro conhecimento:

Infelizmente a Vida Intelectual é muitas vezes "criminalizada" no Brasil.
Exagero? Me explico: quantas vezes ouvi dentro das igrejas críticas constantes e gratuitas às pessoas que possuem alguma bagagem de conhecimento... São muitas vezes rotuladas como pessoas isoladas ou soberbas sem nenhuma prova concreta de tais vícios... Como se o conhecimento fosse sinônimo de orgulho e prepotência. Nada mais mentiroso. Aprendi com Santo Agostinho, Santo Tomás de Aquino e Albert Einstein que quanto mais conhecimento, mais há Deus e mais humildade, por se reconhecer a miséria que somos diante de tanto conhecimento disponível. E quanto menos conhecimento, estudo parco,  mais há soberba e menos Deus...

As Sagradas Escrituras se expressam diversas vezes da importância do estudo, da sabedoria, do conhecimento, da ciência. Recomendo ver a série de textos selecionados que fiz aqui no blog sobre a Sabedoria no livro do Eclesiástico parte 1, 2 e 3.

Concordo que há sim pessoas que ao adquirirem algum conhecimento podem se achar superior a outras, mas isso é totalmente relativo e perigoso de se julgar. Como sabemos das intenções secretas do coração de uma pessoa? Como sabemos que ela se acha superior? Só por ter expressado um conhecimento que alguns ao redor dele não possui? Isso é soberba? Ou a verdadeira soberba não estaria nos que não possuem tal conhecimento, e ao invés de se colocarem em atitude de aprendizado, se fecham na sua arrogância invejosa e acusam o outro de não ser melhor que ele? Quem é melhor que alguém? Conhecimento define isso? O conhecimento é para ser partilhado ou oculto por medo de me acharem soberbo?

Lembremos que entre as obras de misericórdia espirituais, muito incentivadas pela Igreja neste ano da Misericórdia, estão estas três primeiras:
1)Ensinar os ignorantes
2) Dar bom conselho
3) Corrigir os que erram

Lembro que fui ensinado no início da minha caminhada sobre a importância da "exortação", que São Paulo insiste em citar nas suas cartas. Foi me ensinado que é obrigação por zelo de ajudar o irmão o fato de corrigi-lo quando ele erra e principalmente quando ele acha que está certo, quando na verdade está indo contra o que ensinou o Senhor. Aprendi que temos que exortar, mesmo que o irmão não aceite. Que é melhor sofrermos por alertar da verdade do que carregar o pecado da omissão ou cumplicidade no mal. Mas hoje o "politicamente correto" tão entranhado nas igrejas nos impedem de ir contra os erros que se espalham em nosso meio.

Orgulho, prepotência, soberba são coisas bem diferentes de conhecimento, sabedoria, ciência e intelectualidade. A primeira família é composta de vícios capitais e são pecados, enquanto a outra família é composta por dons do alto, dons do Espírito Santo.

Na verdade estas críticas, infelizmente, vem muitas vezes de pessoas preguiçosas de dedicação ao estudo ou invejosas de quem o pode ou paga o preço pela busca da sabedoria, como nos diz a Sagrada Escritura. Há outras pessoas que simplesmente não são chamadas a esta vocação intelectual e tenho certeza que não precisam se prestar a criticar quem a tem, mas admiram e incentivam tal dom nos seus irmãos. Às vezes concordo com o que Tom Jobim dizia: "No Brasil, sucesso é ofensa pessoal".



PROPOSTAS PARA CONHECER O QUE É A VIDA INTELECTUAL

Mas passado este comentário introdutório, vamos ao objetivo desta postagem. Gostaria de colocar aqui uma lista de materiais que acho imprescindível que chegue ao conhecimento de quem se sente chamado a desbravar a busca pela sabedoria e conhecimento, quem se sente chamado à pregação, à formação própria e de outros.

Tenho pesquisado bastante e o que vou listar aqui é só um começo, peço que quem tem outros links e materiais a propor que me passe para eu acrescentar nesta lista.

A primeira e fundamental orientação que quero propor é a leitura e estudo da magnânima obra do Padre Antonin Dalmace Sertillanges, o livro "A Vida Intelectual". Eu fiz um resumo da obra e publiquei dois textos do livro aqui neste blog: "O intelectual é um consagrado" e "O intelectual não é um isolado, ele pertence a seu tempo".

Recomendo a leitura destes excelentes artigos da Bruna Luiza:
Como iniciar sua vida intelectual
Vida intelectual: o que é, e por que buscá-la?
Vida intelectual: aprendendo a gostar de estudar
Vida intelectual: guia de organização para iniciantes

Interessante esta coletânea de frases:
Frases marcantes do livro "A Vida Intelectual"

Sugiro também os artigos do Eduardo Costa:
Meu modelo de estudos para a autoeducação
Minuciando meu modelo de estudos (parte 1)
Minuciando meu modelo de estudos (parte 2)

Sugiro os seguintes artigos do Filósofo Olavo de Carvalho:
O poder de conhecer
Educação ao contrário
Espírito e personalidade

Acho um tesouro o curso "Princípios e métodos da auto-educação":
Princípios e métodos da auto-educação

Sugiro estes dois links com vários vídeos que publiquei neste blog mesmo:
Vídeos sobre o livro "A Vida Intelectual"
Dicas para leitores

E aqui algumas dicas sobre a leitura de livros:
Os quatro níveis de leitura e a maneira ideal de ler um livro, segundo Mortimer Adler
A leitura analítica e as 15 regras para ler um livro, segundo Mortimer Adler

Esses materiais todos são de uma riqueza enorme. Guarde este post nos seus favoritos e se organize para ler e estudar todos estes materiais, pois são essenciais para introdução na Vida Intelectual. Espero, com este post, ter ajudado alguém que está iniciando, conhecendo este caminho abençoado da busca pela verdade e o desejo de aprofundar no conhecimento dela.


28 de jul de 2016

Anjos: Características


Hoje, continuamos a nossa jornada catequética sobre os anjos, iniciada com o post "Anjos, segundo a Doutrina Católica". E o assunto deste dia é a natureza dos anjos, isto é, o que caracteriza essa criatura divina como anjo.

O Catecismo da Igreja Católica (CIC) nos ensina que os anjos são “criaturas puramente espirituais”(CIC 330)1, “não-corporais “(CIC 328)1, "invisíveis"(Compendio CIC 60)2, “dotados de inteligência e vontade: são criaturas pessoais (Cf. Pio XII, Enc. Humani generis: DS 3891) e imortais”(CIC 330)1.

Vejamos, então, mais detalhadamente, cada uma dessas características dos Anjos:

1) São criaturas – Os Anjos começaram a existir a partir de um momento. Eles foram criados por Deus. Constatamos isso na Bíblia, por exemplo, em Neemias 9,6: "Sois vós, Senhor, vós somente, que fizestes o céu dos céus e todo o seu exército..."3

2) São puramente espirituais -  Os anjos são puro espírito e, por isso, são as criaturas que mais se assemelham ao modelo divino 5, pois "Deus é espírito" (Jo 4,24). E estão mais próximos de Deus do que as criaturas materiais. A Sagrada Escritura “oferece uma evidência bastante explícita desta máxima proximidade a Deus dos anjos, dos quais fala, com linguagem figurada, como o "trono" de Deus, os seus "exércitos" de seu "céu"."4

3) São invisíveis - João Paulo II nos explica que os anjos não são "próprios do mundo visível, embora estejam presentes e ativos no mesmo."4  Em certas circunstâncias "se manifestam sob formas visíveis por causa de sua missão a favor dos homens."7, como, por exemplo, em Atos dos Apóstolos, "quando o anjo de Deus liberta os Apóstolos da prisão (cf. Atos 5, 18-20), e acima de tudo Pedro , que estava ameaçado de morte pela mão de Herodes (cf. Atos 12, 5-10 )."7

4) São incorpóreos - Segundo São Tomás de Aquino, “os anjos não são corpos, nem estão naturalmente unidos a estes (...) às vezes, assumem corpos". 

A alguns que disseram que "os anjos nunca assumem corpos, e tudo o que se lê na divina Escritura sobre aparições angélicas, aconteceu em visão profética"6, isto é, somente na imaginação do vidente,  Tomás de Aquino contraargumenta dizendo que, na Divina Escritura,  "aparecem, por vezes, anjos vistos igualmente por todos" - os anjos aparecidos a Abraão foram vistos por ele, por toda a sua família, por Lote e pelos habitantes de Sodoma; semelhantemente, o anjo aparecido a Tobias foi visto por todos -  E a visão corpórea do anjo estava fora do vidente e consequentemente foi vista por todos.6


Além disso, o Doutor Angélico também nos ensina que "o fato de terem os anjos assumido corpos, no Velho Testamento não foi senão o indício figurativo de que o Verbo de Deus haveria de assumir um corpo humano; pois, todas as aparições do Antigo Testamento foram ordenadas a essa aparição, pela qual o Filho de Deus se manifestou encarnado."6

É interessante comentar que, quando os anjos assumem a corporalidade humana, eles não realizam as ações vitais que os corpos dos serem humanos realizam como comer, por exemplo. E a prova disso está em Tobias 12, 19, quando o arcanjo Rafael diz:” Parecia-vos que eu comia e bebia convosco, mas o meu alimento é um manjar invisível, e minha bebida não pode ser vista pelos homens.”

Uma consequência dessa não corporalidade dos anjos é que eles são incorruptíveis. Quando o ser humano morre, há a “separação da alma e do corpo”8. Diz-se, então, que o corpo daquele individuo "cai na corrupção”8, sendo que “a alma vai ao encontro de Deus, ficando à espera de ser novamente unida a seu corpo"8, no dia da ressurreição dos mortos. Isso não ocorre com os anjos, pois eles não têm um corpo corruptível. São puramente espirituais. 

São Tomás de Aquino ensina que “a imaterialidade do anjo é a razão de ser ele incorruptível por natureza.”9 Papa João Paulo II confirma isso, dizendo que os anjos “não estão sujeitos à lei da corruptibilidade que une todo o mundo material. O próprio Jesus, referindo-se à condição angélica, disse que na vida após a morte o ressuscitado "(não) pode morrer e são como os anjos (Lc 20, 36)”.7

5) São seres pessoais e, como tais, também criados à "imagem e semelhança" de Deus. "A Sagrada Escritura refere-se aos anjos usando também apelativos não só pessoais (como os nomes próprios de Rafael, Gabriel, Miguel), mas também "coletivos" (como as classificações de: serafins, querubins, tronos, potestades, dominações, principados), assim como faz uma distinção entre anjos e arcanjos."7

Como os anjos não tem corpos unidos a eles naturalmente, "só o intelecto e a vontade, dentre as faculdades humanas, podem lhes convir.", observa Tomás de Aquino.10  
Vejamos primeiro a inteligência. Os anjos são "puras inteligências"12. Eles apreendem as realidades sem precisar raciocinar. 14. Eles não são como os seres humanos, que necessitam dos órgãos dos sentidos do corpo para ter conhecimento. Contudo “ o intelecto angélico, como qualquer outro intelecto criado, é deficiente, em comparação com a eternidade divina”.11 E é finito “pelo limite que é inerente a todas as criaturas”.7

Associada à inteligência, está o livre-arbítrio. Para Tomás de Aquino, "só o ser inteligente pode agir com livre juízo, conhecendo a noção universal do bem, pela qual poderá julgar boa tal ou tal coisa. Por isso, onde houver intelecto, haverá livre arbítrio. E daí resulta que o livre arbítrio, bem como o intelecto, existe nos anjos, e mesmo de maneira mais excelente que nos homens."13 

Contudo, diferentemente do livre arbítrio dos homens, que é flexível 16, isto é, pode escolher entre o bem e o mal, tanto antes como depois do pecado original, o livre-arbítrio dos anjos só foi flexível, quanto aos opostos, no primeiro instante de sua criação. Imediatamente após esse instante, quando fizeram sua primeira escolha, tornou-se inflexível17Dessa forma, "no primeiro instante, todos foram bons; no segundo, distinguiram-se os bons dos maus."17. 

Os anjos bons tornaram-se "bem-aventurados"18, vendo a "essência de Deus"18, que é é "a essência mesma da bondade"18, e passaram a estar em "união perfeita"18 com Deus, e consequentemente "de nenhum modo"18 podem pecar. Os anjos maus não podem mais voltar ao bem, depois de sua queda, pois eles mesmos não querem voltar-se para Deus
Depois dessa primeira escolha, a vontade dos anjos não muda mais quanto ao querer para sempre. A "vontade dos bons anjos está confirmada no bem e a dos demônios obstinada no mal"16. Embora, eles tenham vontade própria como, por exemplo, ao se comunicarem, quando um anjo ordena um conceito de sua mente só para um outro anjo e não para todos.

Além disso, se submetem à vontade de Deus. Constatamos isso, por exemplo, na Bíblia, em:
Salmos 102, 20-21: "Bendizei ao Senhor todos os seus anjos, valentes heróis que cumpris suas ordens, sempre dóceis à sua palavra. Bendizei ao Senhor todos os seus exércitos, ministros que executais sua vontade."; 
Tobias 12,18, em que o Anjo Rafael diz:"Quando eu estava convosco, eu o estava por vontade de Deus: rendei-lhe graças, pois, com cânticos de louvor.";
Mateus 4,10-11: "Respondeu-lhe Jesus: Para trás, Satanás, pois está escrito: Adorarás o Senhor teu Deus, e só a ele servirás (...). Em seguida, o demônio o deixou, e os anjos aproximaram-se dele para servi-lo.";
Lucas 4,35: "Mas Jesus replicou severamente: Cala-te e sai deste homem. O demônio lançou-o por terra no meio de todos e saiu dele, sem lhe fazer mal algum.".
6) Imortais - Por fim, terminando esta caracterização dos anjos, temos que eles não estão sujeitos à morte (Lc 20,35-36). São imortais, mas não são eternos. A eternidade é só de Deus. Só Deus é "aquele que é, que era e que vem"(Apoc 1,8) simultaneamente. Quando se diz que se vai ter vida eterna é por uma participação na eternidade de Deus. Os anjos são intermediários entre a eternidade de Deus e o tempo a que estão sujeitos as outras criaturas de Deus. Os anjos são eviternos, ou seja, uma existência que tem princípio (foram criados e começaram a existir a partir de um momento), e tem duração infinita, porque não tem limites no tempo.15

7) AparênciaPseudo Dionísio19  faz uma importante observação sobre as imagens associadas a esses seres puramente espitituais:
"É necessário que elevemos a nossa compreensão a partir das alegorias com as quais as inteligências celestes nos são representadas nas Sagradas Escrituras, a fim de não deduzirmos como pensaria qualquer pessoa desprevenida, que as inteligências celestes têm vários pés e vários rostos, que elas se assemelham ao gado como os bois, que apresentam o aspecto selvagem do leão, o bico curvo da águia, ou ainda, que possuem asas e penas como as aves. Não devemos imaginá-las como rodas inflamadas girando no céu, como guerreiros a cavalos armados de lanças, nem sob outras formas que as Sagradas Escrituras nos transmitem através de uma variedade de símbolos reveladores.
Se os teólogos aplicaram essa imaginação poética às inteligências celestes foi porque tiveram em conta o caráter humano da nossa inteligência, a fim de nos proporcionarem um meio de elevação espiritual adaptado a nossa natureza.(...)
Se é necessário dar figura ao desfigurado, dar forma ao que está sem forma, não é somente porque somos incapazes de contemplar diretamente essas realidades, mas porque convém às passagens místicas das Sagradas Escrituras ocultar sob a forma de enigmas, a santa e misteriosa unidade dessas inteligências que não pertencem a esse mundo".
Na próxima postagem, o assunto será a hierarquia dos anjos.
Até lá.

Notas

1. Catecismo da Igreja Católica, parágrafos 311, 328, 330. Disponível em: http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p1s2c1_198-421_po.html
2. Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, parágrafo 60. Disponível em: http://www.vatican.va/archive/compendium_ccc/documents/archive_2005_compendium-ccc_po.html
3. Bibia Sagrada, Neemias 9,6. Disponível em: http://www.bibliacatolica.com.br/biblia-ave-maria/neemias/9/
4.Papa João Paulo II, Audiência; "Criador das coisas visíveis e Invisíveis" (09 de julho de 1986). Disponível em: http://w2.vatican.va/content/john-paul-ii/es/audiences/1986/documents/hf_jp-ii_aud_19860709.html
5. Papa João Paulo II, Audiência: "Criador das coisas invisíveis: os anjos" (30 de julho de 1986). Disponível em: http://w2.vatican.va/content/john-paul-ii/es/audiences/1986/documents/hf_jp-ii_aud_19860730.html
6. São Tomás de Aquino, Suma Teológica, parte I, Tratado dos anjos, questão 51, artigos 1 e 2. Disponível em: http://permanencia.org.br/drupal/node/810
7. Papa João Paulo II, Audiência: "A participação dos anjos na história da salvação" (06 de agosto de 1986). Disponível em: http://w2.vatican.va/content/john-paul-ii/es/audiences/1986/documents/hf_jp-ii_aud_19860806.html
8. Catecismo da Igreja Católica, Índice Analítico, M: Morte, M.48.20.9, parágrafo 997. Disponível em: http://catecismo-az.tripod.com/conteudo/a-z/m/morte.html
9. São Tomas de Aquino, Suma Teológica, parte I, Tratado dos Anjos, questão 50, artigo 5. Disponível em: http://permanencia.org.br/drupal/node/809
10. São Tomas de Aquino, Suma Teológica, parte I, Tratado dos Anjos, questão 54 artigo 5 solução. Disponível em: http://permanencia.org.br/drupal/node/827
11. São Tomas de Aquino, Suma Teológica, parte I, Tratado dos Anjos, questão 57 artigo 3. Disponível em: http://permanencia.org.br/drupal/node/839
12. São Tomas de Aquino, Suma Teológica, parte I, Tratado dos Anjos, questão 59, artigo 1. Disponível em: http://permanencia.org.br/drupal/node/851
13. São Tomas de Aquino, Suma Teológica, parte II, Tratado dos Anjos, questão 59 artigo 3 solução. Disponível em: http://permanencia.org.br/drupal/node/853
14. São Tomas de Aquino, Suma Teológica, parte II, Tratado dos Anjos, questão 58 artigo 3. Disponível em: http://permanencia.org.br/drupal/node/845
15. São Tomás de Aquino. Suma Teológica, parte I, Tratado dos Anjos, questão 10, artigo 5. Disponível em:http://permanencia.org.br/drupal/node/196
16. São Tomás de Aquino. Suma Teológica, parte I, Tratado dos Anjos, questão 64, artigo 2. Disponível em: http://permanencia.org.br/drupal/node/2513
17. São Tomás de Aquino. Suma Teológica, parte I, Tratado dos Anjos, questão 63, artigo 6. Disponível em: http://permanencia.org.br/drupal/node/2475
18. São Tomás de Aquino. Suma Teológica, parte I, Tratado dos Anjos,questão 62, artigo 8. Disponível em http://permanencia.org.br/drupal/node/2346
19. Pseudo Dionísio, Da Hierarquia Celeste. Disponível em: http://www.fatheralexander.org/booklets/portuguese/hier_celeste_s_dinis.htm


Autoria do texto: Betania Tavares

Autoria da imagem: desconhecida

27 de jul de 2016

O Conhecimento da Verdade é tudo que precisamos


Irmãos, poucos se põe a meditar na importância do Conhecimento da Verdade e do conhecimento de Deus. Tal matéria é a essência da Vida Eterna, como o próprio Jesus nos diz e vamos ver abaixo. É a essência do nosso relacionamento com Deus.

A palavra "conhecimento" na bíblia significa uma intimidade profunda, um conhecimento íntimo, uma união de conhecimento mútuo e amor partilhado.

Deus é a verdade. O próprio Jesus insistiu que Ele é a Verdade e que sua missão é dar testemunho dela:

"Jesus lhe respondeu: Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim."
João 14,6

Jesus nos disse sobre sua missão e quais são os que o ouvem:

"Sim, Eu sou rei. É para dar testemunho da verdade que nasci e vim ao mundo. Todo o que é da verdade ouve a minha voz."
João 18,37





Infelizmente muitos cristãos ignoram ou rejeitam a importância da Verdade nos dias atuais. Falam muito de amor e caridade, mas se esquecem que o fundamento do verdadeiro amor tem que ser construído na verdade. Qualquer amor que for fundamentado na mentira não será mais verdadeiro amor, mas corrupção de toda espécie. Portanto o filtro da verdade é essencial para viver e experimentar a genuína Misericórdia, o genuíno amor. Nesta ditadura do relativismo no qual estamos absorvidos a verdade tem sido cada vez mais "caçada" como algo proibido.




Claríssimo é a conclusão de São Paulo:

"Isto é bom e agradável diante de Deus, nosso Salvador, o qual deseja que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade."
1 Timóteo 2,3-4



Buscando a Deus encontraremos a verdade. Mas o contrário também é verdadeiro: buscando a verdade, encontraremos Deus.

Veja o que nos diz a Santa Edith Stein, (Santa Benedita da Cruz), Filosofa e padroeira da Europa:
"Quem procura a verdade, consciente ou inconscientemente, procura a Deus"

Conhecer a verdade é conhecer a Deus...

E conhecer a verdade, conhecer a Deus é o nosso fim último, nossa vida eterna...

Isso é tão, tão, tão verdade irmãos, que veja o que mais nos diz o próprio Jesus em oração ao Pai:

"Dei-lhes a tua palavra, mas o mundo os odeia, porque eles não são do mundo, como também eu não sou do mundo. Não peço que os tires do mundo, mas sim que os preserves do mal. Eles não são do mundo, como também eu não sou do mundo. Santifica-os pela verdade. A tua palavra é a verdade."
João 17,14-17



"Ora, a vida eterna consiste em que conheçam a ti, um só Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo que enviaste."
João 17,3

E o livro de Sabedoria explica numa oração tudo isso de forma simples e clarissimamente:

"Porque conhecer-vos é a perfeita justiça, e conhecer vosso poder é a raiz da imortalidade."
Sabedoria 15,3



O mundo se perde por falta de conhecimento e por esquecimento dos ensinamentos do Senhor:

"Ouvi a palavra do Senhor, filhos de Israel! Porque o Senhor está em litígio com os habitantes da terra. Não há sinceridade nem bondade, nem conhecimento de Deus na terra. Juram falso, assassinam, roubam, cometem adultério, usam de violência e acumulam homicídio sobre homicídio. Por isso, a terra está de luto e todos os seus habitantes perecem; os animais selvagens, as aves do céu, e até mesmo os peixes do mar desaparecem. Entretanto, ninguém poderá acusar (o povo), nem o repreender, mas eu censuro a ti, ó sacerdote. Tu tropeçarás em pleno dia, assim como o profeta durante a noite. Far-te-ei perecer, porque meu povo se perde por falta de conhecimento; por teres rejeitado a instrução, excluir-te-ei de meu sacerdócio; já que esqueceste a lei de teu Deus, também eu me esquecerei dos teus filhos."
Oséias 4,1-6



O mais importante para Deus é o conhecimento Dele:

"...eu quero o amor mais que os sacrifícios, e o conhecimento de Deus mais que os holocaustos."
Oséias 6,6

O Senhor prometeu há centenas de anos antes que, em Jesus, nos prepararia o coração para melhor conhecê-lo:

"Dar-lhes-ei um coração capaz de conhecer-me e de saber que sou eu o Senhor. Eles serão o meu povo, e eu serei o seu Deus porque de todo o coração se voltarão a mim."
Jeremias 24,7

E quem O conhece não se engana:

"Eu sou o bom pastor. Conheço as minhas ovelhas e as minhas ovelhas conhecem a mim, como meu Pai me conhece e eu conheço o Pai."
João 10,14-15

Para terminar cito aqui este versículo em que fica claramente exposto que a missão de Jesus foi nos colocar predispostos para conhecer a verdade e que nisto se resume a vida eterna e o verdadeiro Deus:


"Sabemos que somos de Deus, e que o mundo todo jaz sob o Maligno. Sabemos que o Filho de Deus veio e nos deu entendimento para conhecermos o Verdadeiro. E estamos no Verdadeiro, nós que estamos em seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna."
1 João 5,19-20


Hoje mais do que nunca precisamos de Guerreiros da Verdade neste mundo mal e mentiroso...















26 de jul de 2016

Santos do Dia: São Joaquim e Sant'Ana - avós de Jesus


Hoje, a Igreja católica celebra a memória dos pais de Nossa Senhora e, portanto, avós de Jesus. Por isso, o dia de hoje é também chamado "Dia dos avós".


"Joaquim é um nome de origem a partir do hebraico Jehoiachim, composto da união dos elementos Yahweh, que sign​ifica "Jeová”, “Deus" e quwm que quer dizer "estabelecer""1. "O nome Ana vem do original em hebraico Hannah, mais tarde do latim Anna, que quer dizer "graciosa, cheia de graça""


Joaquim e Ana foram um elo no projeto de salvação da humanidade. Papa Francisco 2 nos diz que: "São Joaquim e Sant’Ana fazem parte de uma longa corrente que transmitiu a fé e o amor a Deus, no calor da família, até Maria, que acolheu em seu seio o Filho de Deus e o ofereceu ao mundo, ofereceu-o a nós". Por isso, celebramos com alegria a memória dos avós de Jesus.


O Cardeal Tarcisio Bertone 3, em sua homilia, na Festa Liturgica dos santos pais de Nossa Senhora, em 26 de julho de 2007, na Paróquia de Santa Ana no Vaticano,  falou belamente sobre Joaquim e Ana. E eu compartilho, com vocês, trechos da homilia dele:

"O motivo que nos congrega em redor do altar desta igreja paroquial do Vaticano, dedicada a Santa Ana, é a festa patronal. Ana e Joaquim, esposos judeus exemplares, viveram uma época crucial da história da Igreja da salvação, no momento em que estava para ser cumprida a promessa de Deus a Abraão, e a humanidade estava prestes a receber a resposta esperada pelos justos do Antigo Testamento, que aguardavam a consolação de Israel.(...)
Sem dúvida, Ana e Joaquim pertenciam ao grupo daqueles judeus piedosos que esperavam a consolação de Israel, e precisamente a eles foi dada uma tarefa especial na história da salvação: foram escolhidos por Deus, para gerar a Imaculada que, por sua vez, é chamada a gerar o Filho de Deus.
Conhecemos os nomes dos pais da Bem-Aventurada Virgem através de um texto não canónico, o Protoevangelho de Tiago. Eles são citados na página que precede o anúncio do Anjo a Maria. Esta sua filha não podia deixar de irradiar aquela graça totalmente especial da sua pureza, a plenitude da graça que a preparava para o desígnio da maternidade divina.
Podemos imaginar quanto receberam dela estes pais, ao mesmo tempo que cumpriam o seu dever de educadores. O quadro que predomina sobre o altar desta igreja faz-nos intuir algo daquele que pode ter sido o relacionamento entre Santa Ana e Maria, também no que se refere à Palavra de Deus revelada. Mãe e filha estavam unidas não apenas por laços familiares, mas também pela comum expectativa do cumprimento das promessas, pela recitação multiforme dos Salmos e pela evocação de uma vida entregue a Deus.
Teremos nós os olhos e os ouvidos abertos para reconhecer um mistério tão excelso?
Peçamos a Santa Ana e a São Joaquim não só para ver e ouvir a mensagem de Deus, mas inclusive para participar com amor pelas pessoas com as quais nos encontrarmos, no seu amor, em particular transmitindo luz e esperança a todas as nossas famílias. Confiemos de maneira especial a Santa Ana as mães, sobretudo as que são impedidas na defesa da vida nascente ou que encontram dificuldades para criar e educar os seus filhos. (...)
Existe mais um aspecto, que gostaria de ressaltar: Santa Ana e São Joaquim podem ser tomados como modelo também pela sua santidade vivida em idade avançada. Em conformidade com uma antiga tradição, eles já eram idosos quando lhes foi confiada a tarefa de dar ao mundo, conservar e educar a Santa Mãe de Deus.
Na Sagrada Escritura, a velhice é circundada de veneração (cf. 2 Mac 6, 23). O justo não pede para ser privado da velhice e do seu peso; ao contrário, ele reza assim: "Vós sois a minha esperança, a minha confiança, Senhor, desde a minha juventude... Agora, na velhice e na decrepitude, não me abandoneis, ó Deus, para que eu narre às gerações a força do vosso braço, o vosso poder a todos os que hão-de vir" (Sl 71 [70], 5-18).
Com a sua própria presença, a pessoa idosa recorda a todos, e de maneira especial aos jovens, que a vida na terra é uma "curva", com um início e com um fim: para experimentar a sua plenitude, ela exige a referência a valores não efémeros nem superficiais, mas sólidos e profundos.  
Infelizmente, um elevado número de jovens do nosso tempo estão orientados para uma concepção da vida em que os valores éticos se tornam cada vez mais superficiais, dominados como são por um hedonismo imperante. O que mais preocupa é o facto de que as famílias se desagregam na medida em que os esposos atingem a idade madura, quando teriam maior necessidade de amor, de assistência e de compreensão recíproca.
Os idosos que receberam uma educação moral sadia deveriam demonstrar, mediante a sua vida e o próprio comportamento no trabalho, a beleza de uma sólida vida moral. Deveriam manifestar aos jovens a profunda força da fé, que nos foi transmitida pelos nossos mártires, e a beleza da fidelidade às leis divinas da moral conjugal. 
Há tempos, dirigiu-se-me um grupo de católicos japoneses, desejosos de constituir uma Pia Associação, inspirada em Joaquim e Ana, que reúne casais da chamada "terceira idade", dedicadas precisamente à promoção dos ideais de vida que acabei de expor.
Para terminar, desejo propor a todos vós aqui presentes, a oração que eles recitam diariamente: 
Ó São Joaquim e Santa Ana protegei as nossas famílias desde o início promissor até à idade madura repleta dos sofrimentos da vida e amparai-as na fidelidade às promessas solenes.Acompanhai os idosos que se aproximam do encontro com Deus.Suavizai a passagem suplicando para aquela hora a presença materna da vossa Filha ditosa a Virgem Maria e do seu Filho divino, Jesus!Amém."
Muito bonito, não é mesmo?
Para finalizar, registro aqui as sábias palavras do Papa Emérito Bento XVI 4, ao fim do Angelus de 26 de julho de 2009:
"Esta celebração faz pensar no tema da educação, que ocupa um lugar importante na pastoral da Igreja. Em particular, convida-nos a rezar pelos avós, que na família são os depositários e muitas vezes as testemunhas dos valores fundamentais da vida. A tarefa educativa dos avós é sempre muito importante, e torna-se ainda mais quando, por diversos motivos, os pais não são capazes de assegurar uma presença adequada ao lado dos filhos, na idade do crescimento. Confio à salvaguarda de Santa Ana e de São Joaquim todos os avós do mundo, concedendo-lhes uma bênção especial. A Virgem Maria, — que segundo uma bonita iconografia aprendeu a ler as Sagradas Escrituras no colo da mãe Ana, os ajude a alimentar sempre a fé e a esperança nas fontes da Palavra de Deus."
São Joaquim e Sant'Ana, rogai por nós!

Nota
1. Dicionário de nomes próprios. Disponível em: https://www.dicionariodenomesproprios.com.br/
2. Papa Francisco, Angelus, na XXVIII Jornada Mundial da Juventude (26 de julho de 2013). Disponível em: http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/angelus/2013/documents/papa-francesco_angelus_20130726_gmg-rio.html
2. Cardeal Tarcisio Bertone, homilia (26 de julho de 2007). Disponível em: http://www.vatican.va/roman_curia/secretariat_state/card-bertone/2007/documents/rc_seg-st_20070726_sant-anna_po.html
3. Papa Bento XVI, Angelus (26 de julho de 2009). Disponível em: http://w2.vatican.va/content/benedict-xvi/pt/angelus/2009/documents/hf_ben-xvi_ang_20090726.html

Desconheço a autoria da imagem.
Autoria do texto: Betania Tavares

A Sabedoria em Eclesiástico - parte 3



Esta é a terceira parte de uma série de três artigos sobre a Sabedoria. Os textos são do livro do Eclesiástico, livro da Sagrada Escritura.

Se ainda não leu as outras postagens clique aqui para ler a Parte 1 e aqui para ler a Parte 2.

Que Deus nos ilumine e nos agracie com o dom majestoso da Sabedoria!




ECLESIÁSTICO 33

7.Por que um dia prevalece sobre outro dia, uma luz sobre outra luz, um ano sobre outro ano, (provindo todos) do mesmo sol?

8.Foi a ciência do Senhor que os diferenciou, quando criou o sol que atende às suas leis;

9.ele distinguiu os tempos e os dias de festa, nos quais os homens celebram pontualmente as solenidades.

10.Entre eles há alguns que Deus elevou e consagrou; a outros pôs no número dos dias comuns. Foi assim que Deus tirou todos os homens do solo e da terra de que foi formado Adão.

11.Em sua grande sabedoria, o Senhor os distinguiu, e diversificou os seus caminhos.

12.Entre eles, alguns foram abençoados e exaltados, outros foram santificados, e ele os tomou para si. Entre eles, alguns foram amaldiçoados e humilhados, os quais ele expulsou de seu lugar de exílio.

13.Como o barro está nas mãos do oleiro, que o molda e o dispõe,

14.dando-lhe todas as formas que deseja, assim é o homem na mão de quem o criou, e que lhe retribuirá segundo o seu juízo.

15.Diante do mal está o bem; diante da morte, a vida, assim também diante do justo está o pecador. Considera assim todas as obras do Altíssimo; estão sempre duas a duas, opostas uma à outra.



ECLESIÁSTICO 37

21.Uma palavra má transtorna o coração; dela vêm quatro coisas: o bem e o mal, a vida e a morte; sobre estas quem domina de contínuo é a língua. Há homem hábil que ensina a muita gente, mas que é inútil para si mesmo.

22.Outro é esclarecido e instrui a muitos, e é agradável a si próprio.

23.Aquele que afeta sabedoria nas palavras é odioso; ficará desprovido de tudo.

24.Não recebeu o favor do Senhor, pois é desprovido de toda a sabedoria.

25.Há um sábio que é sábio para si mesmo, e os frutos de sua sabedoria são verdadeiramente louváveis.

26.O sábio ensina o seu povo, e os frutos de sua sabedoria são duradouros.

27.O homem sábio será cumulado de bênçãos. Aqueles que o virem o louvarão.

28.A vida do homem conta poucos dias, mas os dias de Israel são inúmeros.

29.O sábio herdará a honra no meio do povo, e o seu nome viverá eternamente.

30.Meu filho, experimenta tua alma durante tua vida; se o poder lhe for nefasto, não lho dês,

31.pois nem tudo é vantajoso para todos, e todos não se comprazem nas mesmas coisas.

32.Nunca sejas guloso em banquete algum; não te lances sobre tudo o que se serve,

33.pois o excesso no alimento é causa de doença, e a intemperança leva à cólica.

34.Muitos morreram por causa de sua intemperança, o homem sóbrio, porém, prolonga sua vida.



ECLESIÁSTICO 38


25.A sabedoria do escriba lhe vem no tempo do lazer. Aquele que pouco se agita adquirirá sabedoria.

26.Que sabedoria poderia ter o homem que conduz a charrua, que faz ponto de honra aguilhoar os bois, que participa de seu labor, e só sabe falar das crias dos touros?

27.Ele põe todo o seu coração em traçar sulcos, e o seu cuidado é engordar novilhas.

28.Igualmente acontece com todo carpinteiro, todo arquiteto, que passa no trabalho os dias e as noites. Assim sucede àquele que grava as marcas dos sinetes, variando as figuras por um trabalho assíduo; que aplica todo o seu coração na imitação da pintura, e põe todo o cuidado no acabamento de seu trabalho.

29.Assim acontece com o ferreiro sentado perto da bigorna, examinando o ferro que vai moldar; o vapor do fogo queima as suas carnes, e ele resiste ao ardor da fornalha.

30.O barulho do martelo lhe fere o ouvido de golpes repetidos; seus olhos estão fixos no modelo do objeto.

31.Ele aplica o seu coração em aperfeiçoar a sua obra, e põe um cuidado vigilante em torná-la bela e perfeita.

32.O mesmo sucede com o oleiro que, entregue à sua tarefa, gira a roda com os pés, sempre cuidadoso pela sua obra; e todo o seu trabalho (visa a produzir) uma quantidade (determinada).

33.Com o seu braço dá forma ao barro, torna-o maleável com os pés,

34.aplica o seu coração em aperfeiçoar o verniz, e limpa o forno com muita diligência.

35.Todos esses artistas esperam (tudo) de suas mãos; cada um deles é sábio em sua profissão.

36.Sem eles nenhuma cidade seria construída,

37.nem habitada, nem freqüentada; mas eles mesmos não terão parte na assembléia,

38.não se sentarão nas cadeiras dos juízes, não entenderão as disposições judiciárias, não apregoarão nem a instrução nem o direito, nem serão encontrados a estudar as máximas.

39.Entretanto, sustentam as coisas deste mundo. Sua oração se refere aos trabalhos de sua arte; a eles aplicam sua alma, e estudam juntos a lei do Altíssimo.



ECLESIÁSTICO 39

1.O sábio procura cuidadosamente a sabedoria de todos os antigos, e aplica-se ao estudo dos profetas.

2.Guarda no coração as narrativas dos homens célebres, e penetra ao mesmo tempo nos mistérios das máximas.

3.Penetra nos segredos dos provérbios, e vive com o sentido oculto das parábolas.

4.Exerce o seu cargo no meio dos poderosos, e comparece perante aqueles que governam.

5.Viaja pela terra de povos estrangeiros, para reconhecer o que há do bem e do mal entre os homens.

6.Desde o alvorecer aplica o coração à vigília para se unir ao Senhor que o criou, e ora na presença do Altíssimo.

7.Abre sua boca para orar, e pede perdão de seus pecados,

8.pois se for da vontade do Senhor que é grande, ele o cumulará do espírito de inteligência.

9.Então ele espargirá como uma chuva palavras de sabedoria, e louvará o Senhor em sua oração.

10.O Senhor orientará seus conselhos e seus ensinamentos, e ele meditará nos mistérios (divinos).

11.Ensinará ele próprio o conhecimento de sua doutrina. Porá sua glória na lei da aliança do Senhor.

12.Muitos homens louvarão sua sabedoria: jamais cairá ela no esquecimento.

13.A sua memória não desaparecerá; seu nome será repetido de geração em geração.

14.As nações proclamarão sua sabedoria, a assembléia apregoará seu louvor.

15.Enquanto viver, terá maior nome que mil outros, e, quando repousar, será feliz.



ECLESIÁSTICO 47

14.Depois dele, apareceu seu filho, cheio de sabedoria; por causa dele o Senhor derrubou todo o poder dos inimigos.

15.Salomão reinou em dias de paz. Deus submeteu a ele todos os seus inimigos,

16.a fim de que ele construísse uma casa ao nome do Senhor, e lhe preparasse um santuário eterno. Quão bem foste instruído na tua juventude! Foste cheio de sabedoria como um rio. Tua alma cobriu toda a terra.

17.Encerraste enigmas em sentenças, teu nome foi glorificado até nas ilhas longínquas, e foste amado na tua paz.

18.Por teus cânticos, provérbios, parábolas e interpretações, foste admirado por toda a terra.

19.Em nome do Senhor Deus, que é chamado o Deus de Israel,

20.ajuntaste montes de ouro como se fosse bronze, amontoaste prata como se faz com o chumbo.

21.Entregaste teus flancos às mulheres, saciaste teu corpo,

22.maculaste tua glória, profanaste tua raça, atraindo assim a cólera sobre teus filhos, e o castigo sobre tua loucura,

23.causando com isso um cisma no reino, e fazendo sair de Efraim uma dominação rebelde.

24.Mas Deus não esqueceu a sua misericórdia, não destruiu nem aniquilou as suas obras; não arrancou pela raiz a posteridade de seu eleito, não exterminou a raça daquele que ama o Senhor.

25.Ao contrário, deixou um resto a Jacó, e a Davi um rebento de sua raça.

26.E Salomão teve um fim semelhante ao de seus pais.

27.Deixou depois de si um filho que foi a loucura da nação,

28.um homem desprovido de juízo, chamado Roboão, que transviou o povo por seu conselho.

29.E Jeroboão, filho de Nabat, que fez Israel pecar, e abriu para Efraim o caminho da iniqüidade. Houve entre eles uma profusão de pecados,

30.que os expulsaram para longe de sua terra.

31.Procuraram todos os meios de fazer o mal, até que veio a vingança, que pôs um termo às suas iniqüidades.



ECLESIÁSTICO 51


18.Quando eu era ainda jovem, antes de ter viajado, busquei abertamente a sabedoria na oração:

19.pedi-a a Deus no templo, e buscá-la-ei até o fim de minha vida. Ela floresceu como uma videira precoce

20.e meu coração alegrou-se nela. Meus pés andaram por caminho reto: desde a minha juventude tenho procurado encontrá-la.

21.Apliquei um pouco o meu ouvido e logo a recolhi.

22.Encontrei em mim mesmo muita sabedoria, e nela fiz grande progresso.

23.Tributarei glória àquele que ma deu,

24.pois resolvi pô-la em prática; fui zeloso no bem e não serei confundido.

25.Lutou minha alma para atingi-la, robusteci-me, pondo-a em prática.

26.Levantei minhas mãos para o alto, e deplorei o erro do meu espírito.

27.Conduzi minha alma para ela, e encontrei-a, ao procurar conhecê-la.

28.Desde o início, graças a ela, possuí o meu coração; eis por que não serei abandonado.

29.Minhas entranhas comoveram-se em procurá-la, e assim adquiri um bem precioso.

30.O Senhor deu-me como recompensa uma língua, e dela me servirei para louvá-lo.

31.Aproximai-vos de mim, ignorantes, reuni-vos na casa do ensino.

32.Por que tardais? Que direis a isto? Vossas almas estão violentamente perturbadas pela sede.

33.Abri a boca e falei: Buscai a sabedoria sem dinheiro!

34.Dobrai a cabeça sob o jugo, receba vossa alma a instrução, porque perto se pode encontrá-la.

35.Vede com os vossos olhos o pouco que trabalhei, e como adquiri grande paz.

36.Recebei a instrução como uma grande soma de prata, e possuireis nela grande quantidade de ouro.

37.Que vossa alma se regozije na misericórdia (de Deus)! E não sereis humilhados quando o louvardes.

38.Cumpri vossa tarefa antes que o tempo (passe) e, no devido tempo, ele vos dará a recompensa.






25 de jul de 2016

A Sabedoria em Eclesiástico - parte 2



Vamos continuar a refletir sobre a importância da Sabedoria, Conhecimento e Ciência, dons do Espírito Santo, através das Sagradas Escrituras no livro do Eclesiástico.

Esta postagem é a segunda numa série de três. Se ainda não leu a primeira parte, clique aqui.


Deus nos ilumine e esclareça:


ECLESIÁSTICO 19

19.O hábito de praticar o mal não é sabedoria; o modo de agir dos pecadores não é prudência.

20.Há uma malícia hábil que é execrável, e há uma estupidez que é apenas falta de sabedoria.

21.Mais vale o homem que tem pouca sabedoria, e a quem falta o senso, mas que tem o temor (de Deus), do que o homem que possui uma grande inteligência, e que transgride a lei do Altíssimo.

22.Há uma habilidade que não falha o alvo, mas que é iníqua.

23.Há quem fale com segurança e só diz a verdade, e há quem se humilhe maliciosamente, cujo coração está cheio de embuste.

24.Há quem se rebaixe com excesso em profunda humilhação, e quem abaixe a cabeça, fingindo não ver o que está oculto.

25.Se a fraqueza o impede de cometer o mal, não deixará de pecar, logo que houver ocasião.

26.Pelo semblante se reconhece um homem; pelo seu aspecto se reconhece um sábio.

27.As vestes do corpo, o riso dos dentes, e o modo de andar de um homem fazem-no revelar-se.

28.Há uma falsa correção na cólera de um insolente; há um modo de julgar que muitas vezes não é justo; e aquele que se cala dá prova de prudência.



ECLESIÁSTICO 21

9.Quem constrói a sua casa às custas de outrem, é como aquele que amontoa pedras para (construir) no inverno.

10.A reunião dos pecadores é como um amontoado de estopas: seu fim será a fogueira.

11.O caminho dos pecadores é calçado de pedras unidas, mas ele conduz à região dos mortos, às trevas e aos suplícios.

12.Aquele que guarda a justiça penetrará o espírito dela.

13.A sabedoria e o bom senso são a consumação do temor a Deus.

14.Jamais tornar-se-á hábil aquele que não é sábio no bem,

15.pois há uma sabedoria que produz muito mal. E o bom senso não está onde está a amargura.

16.A ciência do sábio espalha-se como a água que transborda, e o conselho que ele dá permanece como fonte de vida.

17.O coração do insensato é como um cântaro lascado, nada retém da sabedoria.

18.Qualquer palavra sábia que ouça o homem sensato, ele a louvará e dela se aproveitará. Que a ouça um voluptuoso, e ela lhe desagradará, e ele a arremessará para trás de si.

19.A conversa do insensato é como um fardo para carregar, mas o encanto se acha nos lábios do homem sensato.

20.A conversação do homem prudente é procurada na sociedade; todos relembrarão suas palavras em seus corações.

21.A sabedoria é para o insensato como uma casa arruinada; a ciência do insensato é feita de palavras incoerentes.

22.A instrução é para o insensato como peias nos pés e como algemas nas mãos.

23.O insensato eleva a voz quando ri, mas o homem sábio sorri discretamente.

24.Para o homem prudente a ciência é um ornato de ouro, uma pulseira que traz no braço direito.

25.O insensato põe facilmente os pés na casa do vizinho, mas aquele que tem educação hesita em visitar um poderoso.

26.O insensato olha dentro de uma casa pela janela; o homem bem educado permanece fora.

27.É sinal de loucura escutar a uma porta; o homem prudente indigna-se com tal grosseria.

28.Os lábios dos imprudentes só proferem tolices, mas as palavras do sábio têm peso na balança.

29.O coração dos insensatos está na boca, a boca dos sábios está no coração.

30.Quando o ímpio amaldiçoa o adversário, amaldiçoa-se a si mesmo.

31.O delator macula-se a si próprio, e é odiado por todos; o que mora com ele será odioso, mas o homem sensato que se cala será honrado.



ECLESIÁSTICO 24

1.A sabedoria faz o seu próprio elogio, honra-se em Deus, gloria-se no meio do seu povo.

2.Ela abre a boca na assembléia do Altíssimo, gloria-se diante dos exércitos do Senhor,

3.é exaltada no meio do seu povo, e admirada na assembléia santa.

4.Entre a multidão dos eleitos, recebe louvores, e bênçãos entre os abençoados de Deus.

5.Ela diz: Saí da boca do Altíssimo; nasci antes de toda criatura.

6.Eu fiz levantar no céu uma luz indefectível, e cobri toda a terra como que de uma nuvem.

7.Habitei nos lugares mais altos: meu trono está numa coluna de nuvens.

8.Sozinha percorri a abóbada celeste, e penetrei nas profundezas dos abismos. Andei sobre as ondas do mar,

9.e percorri toda a terra. Imperei sobre todos os povos

10.e sobre todas as nações.

11.Tive sob os meus pés, com meu poder, os corações de todos os homens, grandes e pequenos. Entre todas as coisas procurei um lugar de repouso, e habitarei na moradia do Senhor.

12.Então a voz do Criador do universo deu-me suas ordens, e aquele que me criou repousou sob minha tenda.

13.E disse-me: Habita em Jacó, possui tua herança em Israel, estende tuas raízes entre os eleitos.

14.Desde o início, antes de todos os séculos, ele me criou, e não deixarei de existir até o fim dos séculos; e exerci as minhas funções diante dele na casa santa.

15.Assim fui firmada em Sião; repousei na cidade santa, e em Jerusalém está a sede do meu poder.

16.Lancei raízes no meio de um povo glorioso, cuja herança está na partilha de meu Deus; e fixei minha morada na assembléia dos santos.

17.Elevei-me como o cedro do Líbano, como o cipreste do monte Sião;

18.cresci como a palmeira de Cades, como as roseiras de Jericó.

19.Elevei-me como uma formosa oliveira nos campos, como um plátano no caminho à beira das águas.

20.Exalo um perfume de canela e de bálsamo odorífero, um perfume como de mirra escolhida;

21.como o estoraque, o gálbano, o ônix e a mirra, como a gota de incenso que cai por si própria, perfumei minha morada. Meu perfume é como o de um bálsamo sem mistura.

22.Estendi meus galhos como um terebinto, meus ramos são de honra e de graça.

23.Cresci como a vinha de frutos de agradável odor, e minhas flores são frutos de glória e abundância.

24.Sou a mãe do puro amor, do temor (de Deus), da ciência e da santa esperança,

25.em mim se acha toda a graça do caminho e da verdade, em mim toda a esperança da vida e da virtude.

26.Vinde a mim todos os que me desejais com ardor, e enchei-vos de meus frutos;

27.pois meu espírito é mais doce do que o mel, e minha posse mais suave que o favo de mel.

28.A memória de meu nome durará por toda a série dos séculos.

29.Aqueles que me comem terão ainda fome, e aqueles que me bebem terão ainda sede.

30.Aquele que me ouve não será humilhado, e os que agem por mim não pecarão.

31.Aqueles que me tornam conhecida terão a vida eterna.

32.Tudo isso é o livro da vida, a aliança do Altíssimo, e o conhecimento da verdade.

33.Moisés deu-nos a lei com os preceitos da justiça, a herança da casa de Jacó e as promessas feitas a Israel.

34.(Deus) prometeu a seu servo Davi que faria sair dele um rei muito poderoso, o qual se sentaria eternamente num trono de glória.

35.(A lei) faz transbordar a sabedoria como o Fison, e como o Tigre na época dos frutos novos;

36.ela espalha a inteligência como o Eufrates, e uma inundação como a do Jordão no tempo da colheita.

37.É ela quem derrama a ciência como o Nilo, soltando as águas como o Geon no tempo da vindima.

38.Foi ele quem primeiro a conheceu perfeitamente, essa sabedoria impenetrável às almas fracas.

39.O seu pensamento é mais vasto do que o mar, e seu conselho, mais profundo do que o grande abismo.

40.Eu, a sabedoria, fiz correr os rios.

41.Sou como o curso da água imensa de um rio, como o canal de uma ribeira, e como um aqueduto saindo do paraíso.

42.Eu disse: Regarei as plantas do meu jardim, darei de beber aos frutos de meu prado;

43.e eis que meu curso de água tornou-se abundante, e meu rio tornou-se um mar.

44.Pois a luz da ciência que eu derramo sobre todos é como a luz da manhã, e de longe eu a torno conhecida.

45.Penetrarei em todas as profundezas da terra, visitarei todos aqueles que dormem, e alumiarei todos os que confiam no Senhor.

46.Continuarei a espalhar a minha doutrina como uma profecia, e deixá-la-ei aos que buscam a sabedoria, e não abandonarei seus descendentes até o século santo.

47.Considerai que não trabalhei só para mim, mas para todos aqueles que buscam a verdade.






24 de jul de 2016

Anjos, segundo a Doutrina Católica


Os anjos são um tema polêmico. Há os que acreditam neles, há os que negam sua existência (ex.: saduceus) e até os que exageram a sua importância. Muito se tem dito sobre eles, mas nem tudo está em conformidade com a Doutrina da Igreja Católica. E o Católico deve saber distinguir o que faz parte de sua fé e o que não pertence a ela.

Para facilitar esse discernimento, postarei aqui, no 'Missão Cefas', uma série de postagens sobre os Anjos, fundamentados na Bíblia Católica, no Catecismo da Igreja Católica(CIC), em documentos papais, em livros de Santos Doutores da Igreja e de Santos Padres da Igreja. Assim, fica mais claro saber o que a Igreja Católica Apostólica Romana nos ensina sobre estes seres angelicais.

Comecemos, então, nossa jornada catequética:

Para a Igreja Católica, “a existência dos seres espirituais, não-corporais, a que a Sagrada Escritura habitualmente chama anjos, é uma verdade de fé. O testemunho da Escritura é tão claro como a unanimidade da Tradição."(CIC 328)2.

Santo Agostinho (cf. CIC 329)diz que “Anjo é nome de ofício, não de natureza. Desejas saber o nome da natureza? Espírito. Desejas saber o do ofício? Anjo. Pelo que é, é espírito: pelo que faz, é anjo.”.

Segundo São Tomás de Aquino15, "Anjo significa núncio. Logo, todos os espíritos celestes, como manifestadores das ordens divinas, chamam-se anjos. Mas os anjos superiores têm, nessa manifestação, certa excelência (...) enquan­to que a ordem ínfima dos anjos não acrescenta nenhuma excelência à manifestação comum;
e, por isso é denominada pela simples manifesta­ção.". Assim, essa ínfima ordem angélica é denominada de Anjo. O "nome comum aplica-se a ela, como nome próprio."15.


A criação dos seres puramente espirituais aparece "claramente nos símbolos da fé, especialmente no Credo Niceno-Constantinopolitano: Creio em um só Deus, o Pai Todo-Poderoso, Criador do céu e da terra, de todas as coisas (ou seja, entidades ou seres) "visíveis e invisíveis"”
3. Visíveis " como este mundo, onde se desenrola nossa vida passageira"4 e invisíveis "como são os puros espíritos, que também chamamos anjos“4 Assim, Deus criou, “do nada5 simultaneamente5 e desde o princípio do tempo"(CIC 293)2, “ambas as realidades: a espiritual e a corporal, o mundo terreno e o mundo angélico."6. E em seguida, criou a criatura humana, formada de “espírito e corpo”5 O ser humano "goza de dentro da criação de uma posição única, graças ao seu corpo que pertence do mundo visível, enquanto a alma espiritual que anima o corpo, é quase na fronteira entre a criação visível e invisível.”7.

Desta criação divina, os anjos “excedem em perfeição todas as criaturas visíveis. O esplendor da sua glória assim o atesta.”
(CIC 330)2. Sendo criaturas puramente espirituais, são "uma especial realização da "imagem de Deus", Espírito perfeitíssimo (...) Os anjos são, sob este ponto de vista, as criaturas mais próximas do modelo divino.".10

Os anjos são maiores que o ser humano em “força e poder”.8 Esse potência angelical está expressa na Bíblia: "vi descer do céu outro anjo que tinha grande poder e a terra foi iluminada por sua glória."(Apocalipse 18,1); "um anjo do Senhor apareceu no campo dos assírios e feriu cento e oitenta e cinco mil homens."(II Reis 19,35 e Isaías 37,36); "o Senhor enviou um anjo sobre Jerusalém para destruí-la."(2 Samuel 24.16); "quatro Anjos que se conservavam em pé nos quatro cantos da terra, detendo os quatro ventos da terra"(Apocalipse 7,1).

São João Paulo II, ao comentar o versículo "fizeste-o por um pouco de tempo inferior aos anjos, coroaste-o de glória e de honra" (cf. Salmos 8,6; Hebreus 2,7-9), nos ensina que o uso desse verbo “inferiorizar” não é apropriado para os homens comuns porque eles “não foram "inferiorizados" em relação aos anjos, dado que nunca foram superiores a eles. Mas para Cristo, o verbo é exato, porque, sendo Filho de Deus, ele era superior aos anjos e foi diminuído quando se fez homem.“9.

"Cristo é o centro do mundo dos anjos (angélico). Estes pertencem-Lhe: «Quando o Filho do Homem vier na sua glória, acompanhado por todos os [seus] anjos...» (Mateus 25, 31). Pertencem-Lhe, porque criados por e para Ele: «em vista d'Ele é que foram criados todos os seres, que há nos céus e na terra, os seres visíveis e os invisíveis, os anjos que são os tronos, senhorias, principados e dominações. Tudo foi criado por seu intermédio e para Ele» (Colossenses 1, 16), E são d'Ele mais ainda porque Ele os fez mensageiros do seu plano salvador: «Não são eles todos espíritos ao serviço de Deus, enviados a fim de exercerem um ministério a favor daqueles que hão-de herdar a salvação?» (Hebreus 1, 14)."(CIC 331)2.

O mundo dos anjos é o céu, que é o "«lugar» das criaturas espirituais"(CIC 326)2, onde os anjos "rodeiam Deus."(CIC 326)2, contemplam a Sua face “sem cessar “(Mateus 18, 10), glorificam-nO (Apocalipse 7,11), servem-nO (Hebreus 1,14) . A proximidade dos Anjos em relação a Deus varia de acordo com o seu grau de perfeição e as tarefas que esses seres puramente espirituais têm. Assim, há uma hierarquia entre as criaturas celestes. Existem serafins (Isaías 6), querubins (Gênesis 3,24; Êxodo 25,22; Ezequiel 10,1-20), tronos, dominações, potestades e principados (Colossenses 1,16), virtudes (Efésios 1,21), arcanjos (1 Tessalonicenses 4,15-16; Judas 9) e anjos (Gênesis 16,7-9; Êxodo 23,20-22; Apocalipse 7 a 22 e muitas outras passagens). [Por ser um assunto amplo, a hierarquia terá uma postagem exclusiva aqui, no 'Missão Cefas'.]

Contudo, nem todos os anjos estão no Céu. Numerosos seres espirituais foram expulsos do mundo celestial, por Deus, porque, por "livre opção destes espíritos criados"(CIC 392)2, eles "irrevogavelmente recusaram Deus e o seu Reino"(CIC 392)2. E, assim, dividiu-se o mundo dos espíritos puros em bons e maus. Aos bons, "chamamos anjos de Deus"13, aos maus, "anjos do Diabo ou ainda demônios.".13 O orgulho "transformou os anjos em diabos", diz o Papa Francisco12. "Deus não poupou os anjos que pecaram, mas os precipitou nos abismos tenebrosos do inferno onde os reserva para o julgamento." (II São Pedro 2, 4)8. [O pecado dos anjos, sua queda e a ação de Satanás terão também um post próprio aqui no 'Missão Cefas', devido a relevância do tema].

Os anjos bons são dignos de veneração. Mas, a adoração é só a Deus. Em Apocalipse 19,10, o anjo proíbe João de adorá-lo dizendo:“ Não faças isso! Eu sou um servo, como tu e teus irmãos, possuidores do testemunho de Jesus. Adora a Deus.” O mesmo acontece em Apocalipse 22,9 :”Não faças isto! Sou um servo como tu e teus irmãos, os profetas, e aqueles que guardam as palavras deste livro. Prostra-te diante de Deus.".

"A Igreja Católica venera os anjos, que a ajudam na sua peregrinação terrestre e protegem todo o gênero humano."(CIC 352)2.  E a honra prestada às imagens "é uma «veneração respeitosa», e não uma adoração, que só a Deus se deve."(CIC 2132)
11. "A arte sacra verdadeira leva o homem à adoração, à oração e ao amor de Deus Criador e Salvador, Santo e Santificador.".14



Em sua liturgia, a Igreja associa-se aos anjos para adorar a Deus três vezes Santo, "invoca a sua assistência (como na oração "In paradisum deducant te angeli – conduzam-te os anjos ao paraíso" da Liturgia dos Defuntos"(CIC 335)2 e festeja os arcanjos São Miguel, São Gabriel, São Rafael e os Anjos da Guarda. 

No próximo post desta série, o assunto é a natureza dos anjos

Até lá!

Autoria do texto: Betania Tavares
Autor da Imagem: John Bartosik

Notas


  1. Biblia Católica Ave Maria, atos-dos-apostolos/23.  Disponível em: http://www.bibliacatolica.com.br/biblia-ave-maria/atos-dos-apostolos/23/
  2. Catecismo da Igreja Católica, parágrafos 293,328, 329, 331, 335, 336, 352. Disponível em: http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p1s2c1_198-421_po.html
  3. Papa João Paulo II, Audiência Geral: "Criador das coisas visíveis e invisíveis" (09 de Julho de 1986). Disponível em: http://w2.vatican.va/content/john-paul-ii/es/audiences/1986/documents/hf_jp-ii_aud_19860709.html
  4. Papa Paulo VI, Motu Próprio (30 de Junho de 1968). Disponível em: http://w2.vatican.va/content/paul-vi/pt/motu_proprio/documents/hf_p-vi_motu-proprio_19680630_credo.html
  5. Concílio Vaticano I, Constituição Dogmática DEI FILIUS , Sessão III, paragrafo 1783), (24-04-1870). Disponível em: https://pt.scribd.com/doc/62815900/Constituicao-Dogmatica-DEI-FILIUS
  6.  Papa João Paulo IIAudiência Geral: "A participação dos anjos na história da salvação" (06 de agosto de 1986). Disponível em: http://w2.vatican.va/content/john-paul-ii/es/audiences/1986/documents/hf_jp-ii_aud_19860806.html
  7. Papa João Paulo IIAudiência Geral: "Criador das coisas visíveis e invisíveis" (09 de julho de 1986). disponível em:http://w2.vatican.va/content/john-paul-ii/es/audiences/1986/documents/hf_jp-ii_aud_19860709.html
  8. Biblia Católica Ave Maria, 2 Pedro 2, 4-11. Disponível em: http://www.bibliacatolica.com.br/biblia-ave-maria/ii-sao-pedro/2/
  9.  Papa João Paulo IIAudiência Geral (24 de Setembro de 2003). Diisponível em: http://w2.vatican.va/content/john-paul-ii/pt/audiences/2003/documents/hf_jp-ii_aud_20030924.html
  10. Papa João Paulo IIAudiência Geral: "Criador das coisas "invisíveis": os anjos". Disponível em: http://w2.vatican.va/content/john-paul-ii/es/audiences/1986/documents/hf_jp-ii_aud_19860730.html
  11. Catecismo da Igreja Católica, parágrafo 2132. Disponível em: http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p3s2cap1_2083-2195_po.html
  12. Papa Francisco, Discurso (22 de dezembro de 2014). Disponível em: http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/speeches/2014/december/documents/papa-francesco_20141222_dipendenti-santa-sede-scv.html
  13. Santo Agostinho, A Cidade de Deus, volume I, 5ª edição, página 489. Edição da Fundação Calouste Gulbenkian, 2016.
  14. Catecismo da Igreja Católica, índice analítico, adoração (A.18.3), parágrafo 
  15. São Tomás de Aquino, Suma Teológica, questão 108, artigo 5. Disponível em: http://permanencia.org.br/drupal/node/2048


"Despojemo-nos das ações das trevas e vistamos as armas da Luz" Rm 13,12
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