16 de nov de 2016

Aprendendo a orar como Jesus - 3


Agora, vamos ver como deve ser praticada a oração à exemplo de Jesus.


Ore continuamente - Em Lc 18,1, Jesus propõe uma parábola "para mostrar que é necessário orar sempre sem jamais deixar de fazê-lo. E em Mc 14,38, diz: "Vigiai e orai, para que não entreis em tentação. Pois o espírito está pronto, mas a carne é fraca.".

"Cristo, que tudo assumiu para resgatar tudo, é glorificado pelos pedidos que oferecemos ao Pai em seu Nome. E com essa garantia que Tiago e Paulo nos exortam a orar em todo tempo. (CIC 2633).


Segundo são Tomás de Aquino, esse orar sempre pode ser encarado "à dupla luz: em si mesma e na sua causa"1:

Na sua causa, o orar deve ser contínuo, pois a virtude do orar "permanece em tudo o que fazemos por caridade, porque, como diz o Apóstolo, elevemos fazer tudo para a glória de Deus. E, assim, a oração deve ser contínua.".
Considerada em si mesma, porém, a oração não pode ser contínua, porque temos ele nos ocupar com outras obras. Mas, no mesmo lugar, Agostinho diz o seguinte: Rogamos a Deus por certos intervalos de horas e de tempos, para por meio desses sinais sensíveis, nos advertirmos a nós mesmos; darmos a conhecer a nós mesmos quanto progredimos nesse desejo e nos excitarmos a nós próprios, mais fortemente, a continuar no mesmo caminho."
Jesus tinha um horário para orar diariamente - Jesus ora "preferentemente de noite" (CIC 2602)2
Sua oração à tarde e pela manhã são vistas nos versículos: "Após a multiplicação dos pães e dos peixes, Jesus "forçou seus discípulos a embarcarem (...) foi à montanha para orar. Ao cair da tarde, o barco estava no meio do mar"(Mc 6, 46-47); "De manhã, tendo-se levantado muito antes do amanhecer, ele saiu e foi para um lugar deserto, e ali se pôs em oração" (Mc 1,35).

E quanto à duração da oração?
Ela é proporcional ao fervor do espírito. 

"Este fervor incansável só pode vir do amor. "(CIC 2742)3. São Tomás de Aquino lembra que: 

"convém à oração durar tanto quanto for útil para despertar o fervor do desejo interno. E quando exceder essa medida, de modo a não poder durar sem nos causar tédio, não devemos protrai–la. Por isso, nota Agostinho: Disse que os padres no Egito fazem orações frequentes, mas, brevíssimas e em forma de rápidas jaculatórias; a fim de que aquela contenção de espírito, que devemos manter com vigilância e é tão necessária a quem ora, não se desvaneça pela duração muito prolongada e nem se embote. E por aí também mostram suficientemente que, se não podemos forçar essa contenção quando ela não vinga perdurar, também não devemos interrompê–la inopinadamente, enquanto perdura. E se temos de proceder assim, em se tratando da nossa oração particular, relativamente à nossa contenção de espírito, o mesmo se há de fazer na oração em comum relativamente à devoção do povo."1.
Segundo Santo Agostinho:
"orar longamente não consiste em pronunciar muitas palavras. Uma coisa é o multilóquio e outra o perdurar do afeto. Pois, do próprio Senhor foi escrito que pernoitou na oração e orou mais prolongadamente para nos dar o exemplo. E em seguida acrescenta: Que não haja na oração muitas palavras, mas oremos tanto quanto durar a nossa fervorosa contenção de espírito. Pois, orar usando de muitas palavras é fazer o necessário com palavras supérfluas. Porque, muitas vezes, esse ato nós o praticamos mais com gemidos de que com palavras."apud 1.
São Tomás de Aquino também afirma que: "A longura da oração não consiste em pedirmos muitas coisas mas, na continuidade do afeto, desejando um só objeto."1.

E, na hora do sofrimento, a oração deve ser mais intensa pois é ela que trará a fortaleza. "Ele entrou em agonia e orava ainda com mais instância, e seu suor tornou-se como gotas de sangue a escorrer pela terra." (Lc 22, 44).

Por fim, "a Tradição da Igreja propõe aos fiéis ritmos de oração destinados a alimentar a oração contínua. Alguns são quotidianos: a oração da manhã e da noite, antes e depois das refeições, a Liturgia das Horas. O Domingo, centrado na Eucaristia, é santificado principalmente pela oração. O ciclo do ano litúrgico e as suas grandes festas constituem os ritmos fundamentais da vida de oração dos cristãos."(CIC 2698)3.

Notas
1. São Tomás de Aquino, Suma Teológica, Parte IIa IIae, Tratado sobre a Justiça, questão 83, artigo 14. Disponível em: http://permanencia.org.br/drupal/node/3984
2. Catecismo da Igreja Católica, parágrafo 2602. Disponível em: http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p4s1cap1_2566-2649_po.html
3. Catecismo da Igreja Católica, capítulos 2698, 2742. Disponível em: http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p4s1cap3_2697-2758_po.html

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"Despojemo-nos das ações das trevas e vistamos as armas da Luz" Rm 13,12