16 de nov de 2016

Aprendendo a orar como Jesus - 5

Jesus também ensina que a oração pode ser feita tanto para si mesmo quanto para o próximo, seja sozinho ou em grupo.

Oração para si mesmo - Jesus fez oração de petição, suplicando para si mesmo. E fez isso de dois modos diferentes: 
I - exprimindo sua sensibilidade

Segundo Santo Agostinho apud 1: "Cristo, enquanto homem, mostra uma certa vontade particularmente humana, quando diz:  — Passe de mim este cálice; pois, essa era uma vontade humana, a querer uma causa propriamente particular. Mas como quer, com coração reto, ser homem e ser dirigido para Deus, acrescenta — Contudo, não se faça a minha vontade, senão a tua; como se dissesse — considera-te em mim pois, posso querer algo como próprio, embora Deus queira de outro modo.".
Para São Tomás de Aquino 1, " Cristo orou mediante a sua sensibilidade(...) para assim nos dar uma tríplice instrução:
  1. Primeiro, para mostrar que assumiu verdadeiramente a natureza humana, com todos os seus afetos naturais.
  2. Segundo, para mostrar que é lícito ao homem, pelo seu afeto natural, querer o que Deus não quer.
  3. Terceiro, para mostrar que o homem deve sujeitar o seu afeto próprio à vontade divina.".
II - exprimindo-se racionalmente

Um exemplo dessa petição de Jesus é "quando pediu a glória da ressurreição"2 "Pai, é chegada a hora. Glorifica teu Filho, para que teu Filho glorifique a ti; e para que, pelo poder que lhe conferiste sobre toda criatura, ele dê a vida eterna a todos aqueles que lhe entregaste." (João 17, 1-2).
"Cristo quis recorrer ao Pai, na sua oração, para nos dar o exemplo de orar e para nos mostrar, que o seu Pai é o autor de que eternamente procede"2 
Oração pelo próximo - Jesus também orou intercedendo por outras pessoas. Na sua oração humana "partilha tudo quanto vivem os «seus irmãos» (Heb 2, 12); e compadece-Se das suas fraquezas para os livrar delas (Heb 2, 15; 4, 15). Foi para isso que o Pai O enviou. As suas palavras e as suas obras aparecem então como a manifestação visível da sua oração «no segredo»."(CIC 2602)3.

Na intercessão, aquele que ora "não procura seus próprios interesses, mas pensa sobretudo nos dos outros" (Fl 2,4) e reza por aqueles que lhe fazem mal."(CIC 2635)3. Foi assim que Jesus fez. Até pregado na cruz, intercedeu: "Pai, perdoa-lhes; porque não sabem o que fazem."(Lc 23, 34). 

Ao pedir pelas pessoas, Jesus nos mostra que "Ele é o único Intercessor junto do Pai em favor de todos os homens, dos pecadores, sobretudo. Ele é "capaz de salvar de modo definitivo aqueles que por meio dele se aproximam de Deus, visto que Ele vive para sempre para interceder por eles" (Hb 7,25)" (CIC 2634)3. "No tempo da Igreja, a intercessão cristã participa da de Cristo; é a expressão da comunhão dos santos. " (CIC 2635)3.

É importante salientar que oração de petição e de intercessão estão intimamente relacionadas. Segundo São Tomás de Aquino, "A glória mesma que Cristo pedia nas suas orações, era pertinente à salvação dos outros, segundo aquilo do Apóstolo: Ressuscitou para nossa justificação. E por isso, as orações que fazia, por si, de certo modo também redundavam para os outros. Assim como quando pedimos um bem a Deus para o empregarmos em benefício alheio, oramos não só por nós mesmos mas também pelos outros."2

Oração individual e em grupo

A sós com Deus - Em várias passagens dos Evangelhos, Jesus mostra que se deve ter um momento a sós para falar com o Pai: "subiu à montanha para orar na solidão. E, chegando a noite, estava lá sozinho" (Mateus 14, 23); "retirou-se Jesus com eles para um lugar chamado Getsêmani e disse-lhes: Assentai-vos aqui, enquanto eu vou ali orar" (Mateus 26, 36).

Em grupo - A oração comunitária também é valorizada por Jesus: "Num dia em que ele estava a orar a sós com os discípulos" (Lc 9, 18) "Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, e subiu ao monte para orar." (Lc 9, 28).

Nesse orar, Jesus deixa um alerta: "Quando orardes, não façais como os hipócritas, que gostam de orar de pé nas sinagogas e nas esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade eu vos digo: já receberam sua recompensa." (Mt 6, 5). 

Notas

1.São Tomás de Aquino, Suma Teológica, parte III, Tratado do Verbo Encarnado, questão 21 artigo 2. Disponível em: http://permanencia.org.br/drupal/node/3688
2. São Tomás de Aquino, Suma Teológica, parte III, Tratado do Verbo Encarnado, questão 21 artigo 3. Disponível em: http://permanencia.org.br/drupal/node/3689 
3. Catecismo da Igreja Católica, parágrafos 2602, 2635. Disponível em: http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p4s1cap1_2566-2649_po.html 
4. Catecismo da Igreja Católica, índice analítico, I.49.9 Oração de intercessão. Disponível em: http://catecismo-az.tripod.com/conteudo/a-z/h/intercessao.html

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