26 de nov de 2016

O Céu

Você sabe o que é o Céu, segundo a Doutrina Católica?
Se você respondeu não, leia a catequese de São João Paulo II (transcrita abaixo) para aprender.
Se você respondeu sim, leia a catequese do Santo Papa para confirmar se você sabe mesmo.
"O «céu» como plenitude de intimidade com Deus

Queridos irmãos e irmãs,
1. Quando tiver passado a figura deste mundo, aqueles que acolheram Deus na sua vida e se abriram com sinceridade ao seu amor pelo menos no momento da morte, poderão gozar daquela plenitude de comunhão com Deus, que constitui a meta da existência humana. Como ensina o Catecismo da Igreja Católica, «esta vida perfeita, esta comunhão de vida e de amor com a Santíssima Trindade, com a Virgem Maria, com os anjos e todos os bem-aventurados chama-se "Céu". O Céu é o fim último e a realização das aspirações mais profundas do homem, o estado de felicidade suprema e definitiva» (n. 1024).
Queremos hoje procurar captar o sentido bíblico do «céu», para podermos compreender melhor a realidade a que esta expressão remete.
2. Na linguagem bíblica o «céu», quando está unido à «terra», indica uma parte do universo. A respeito da criação, a Escritura diz: «No princípio, Deus criou os céus e a terra» (Gn 1, 1).
No plano metafórico o céu é entendido como habitação de Deus, que nisto se distingue dos homens (cf. Sl 104, 2 s.; 115, 16; Is66, 1). Do alto dos céus Ele vê e julga (cf. Sl 113, 4-9), e desce quando é invocado por nós (cf. Sl 18, 7.10; 144, 5). Contudo, a metáfora bíblica faz bem entender que Deus nem Se identifica com o céu nem pode estar encerrado no céu (cf. 1 Rs 8, 27); e isto é verdadeiro, apesar de nalgumas passa- gens do primeiro livro dos Macabeus «o Céu» ser simplesmente um nome de Deus (1 Mac 3, 18-19.50 e 60; 4, 24-55).
À representação do céu, como habitação transcendente de Deus vivo, acrescenta-se a dum lugar ao qual também os crentes podem chegar por graça, como no Antigo Testamento emerge das vicissitudes de Henoc (cf. Gn 5, 24) e de Elias (cf. 2 Rs 2, 11). Assim, o céu torna-se figura da vida em Deus. Neste sentido, Jesus fala de «recompensa nos céus» (Mt 5, 12) e exorta a «acumular tesouros no céu» (Ibid.,6,20;cf. 19, 21).
3. O Novo Testamento aprofunda a ideia do céu também em relação ao mistério de Cristo. Para indicar que o sacrifício do Redentor adquire um valor perfeito e definitivo, a Carta aos Hebreus afirma que Jesus «atravessou os céus» (Hb 4, 14) e «não entrou num santuário feito por mão de homem, figura do verdadeiro, mas no próprio Céu» (Ibid., 9, 24). Os crentes, depois, enquanto são amados de modo especial por parte do Pai, ressuscitam com Cristo e tornam-se cidadãos do céu. Vale a pena escutar quanto o apóstolo Paulo nos comunica a respeito disso num texto de grande intensidade: «Deus, que é rico em misericórdia, pelo grande amor com que nos amou, estando nós mortos pelos nossos delitos, deu-nos a vida juntamente com Cristo. É pela graça que fostes salvos. Com Ele nos ressuscitou e nos fez sentar lá nos Céus, em Cristo Jesus, para mostrar aos séculos futuros a extraordinária riqueza da sua graça, pela bondade que teve para connosco em Cristo Jesus» (Ef 2, 4-7). A paternidade de Deus, rico em misericórdia, é experimentada pelas criaturas através do amor do Filho de Deus crucificado e ressuscitado, o qual como Senhor está sentado nos céus à direita do Pai.
4. A participação na completa intimidade com o Pai, depois do percurso da nossa vida terrena, passa portanto através da inserção no mistério pascal de Cristo. São Paulo ressalta com viva imagem espacial este nosso caminhar rumo a Cristo nos céus, no fim dos tempos: «Depois nós, os vivos que ficamos, seremos arrebatados juntamente com eles sobre nuvens; iremos ao encontro do Senhor nos ares, e assim estaremos para sempre com o Senhor. Consolai-vos, portanto, uns aos outros, com estas palavras» (1 Ts 4, 17-18).
No contexto da Revelação sabemos que o «céu», ou a «bem-aventurança» na qual nos encontraremos, não é uma ideia abstrata, nem sequer um lugar físico entre as nuvens, mas uma relação viva e pessoal com a Santíssima Trindade. É o encontro com o Pai que se realiza em Cristo ressuscitado, graças à comunhão do Espírito Santo.
Deve-se manter perenemente uma certa sobriedade ao descrever estas «realidades últimas», dado que a sua representação permanece sempre inadequada. Hoje, a linguagem personalista consegue dizer de maneira menos imprópria a situação de felicidade e de paz em que nos estabelecerá a comunhão definitiva com Deus.
O Catecismo da Igreja Católica sintetiza o ensinamento eclesial acerca desta verdade, afirmando que «pela sua morte e ressurreição, Jesus Cristo "nos abriu" o céu. A vida dos bem-aventurados consiste na posse, em plenitude, dos frutos da redenção operada por Cristo, que associa à sua glorificação celeste aqueles que n'Ele acreditaram e permaneceram fiéis à sua vontade. O Céu é a comunidade bem-aventurada de todos os que estão perfeitamente incorporados n'Ele» (n. 1026).
5. Esta situação final pode, entretanto, ser antecipada de algum modo hoje, quer na vida sacramental, cujo centro é a Eucaristia, quer no dom de si mediante a caridade fraterna. Se soubermos gozar de maneira ordenada dos bens que o Senhor nos concede cada dia, já experimentaremos aquela alegria e paz de que um dia haveremos de fruir plenamente. Sabemos que nesta fase terrena tudo está sob o sinal do limite, contudo o pensamento das realidades «últimas» ajuda-nos a viver bem as realidades «penúltimas». Estamos conscientes de que enquanto caminhamos neste mundo somos chamados a buscar «as coisas lá do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus» (Cl 3, 1), para estarmos com Ele na realização escatológica, quando no Espírito Ele reconciliar totalmente com o Pai todas as coisas, «tanto as da terra como as do céu» (Ibid., 1, 20)."1

Notas
1. Papa João Paulo II, Audiência: O «céu» como plenitude de intimidade com Deus (21 de Julho de 1999). Disponível em:  http://w2.vatican.va/content/john-paul-ii/pt/audiences/1999/documents/hf_jp-ii_aud_21071999.html
 2. O negrito é de minha autoria para realçar o conteúdo do ensinamento papal.

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