17 de out de 2017

HMC 4 - O #OUTONO DA IDADE MÉDIA

HMC = História da Música Católica






O #OUTONO DA IDADE MÉDIA

"A primeira grande época da música ocidental, a da polifonia vocal, costuma ser chamada "medieval”. Mas esse adjetivo não é exato. Medieval é a Ars Antiqua. Medieval é a Ars Nova. Mas as obras fundamentais sobre aquela grande época tratam também e sobretudo de Josquin Des Près e de Orlandus Lassus, de Palestrina, Victoria e dos dois Gabrieli, um pouco indistintamente: toda a música dos séculos XV e XVI é chamada, desde os começos da historiografia musical na época do romantismo, de "música antiga”, em relação à “nova”, isto é, desde o início do século XVIII. Nessa perspectiva confundem-se a Idade Média, a Renascença e parte do Barroco. Mas, na verdade, a Idade Média propriamente dita já não faz parte da grande época na qual predomina a polifonia vocal.

(...)

A música da Borgonha do século XV corresponde à pintura dos Van Eyck, Roger van der Weyden, Hugo van der Goes e Memling; à poesia de Eustache Deschamps e Villon ; à arquitetura flamboyante, último produto do espírito gótico já em decomposição.

É a época à qual o grande historiador holandês Jan Huizinga deu o apelido inesquecível de “Outono da Idade Média”.

É uma civilização caracterizada pelas requintadas formas de vida de uma corte, a da Borgonha, na qual o feudalismo já perdeu sua função política, social e militar, fornecendo apenas regras de jogo como num grande espetáculo pitoresco. O fundo é menos requintado: a grosseria popular invade os costumes aristocráticos; na arte, ela aparece como espécie de folclorismo sabiamente estilizado, na poesia de Villon. Os costumes são brutais. Mas por esses pecadores rezam e cantam os monges e as beguinas, vozes da angústia religiosa de uma época de agonia espiritual. As formas musicais dessa civilização são a Missa e o Motete cantados, a capela, isto é, sem acompanhamento instrumental.

Parecem-se com as construções do gótico flamboyant, os paços municipais de Louvain e Audenarde, feitos como de rendas de pedra: arabescos e ornamentos infinitamente complexos. A ciência contrapontística dos mestres “flamengos” constrói catedrais sonoras, de complexidade sem-par em qualquer época posterior. A escritura é rigorosamente “linear”, "horizontal”, isto é, as vozes procedem com independência (enquanto na música “moderna” se sucedem acordes, "colunas verticais” de sons). É essa independência das vozes que, quando coincidem eufonicamente, produz a impressão de coros angélicos. Mas como temas musicais, que dão os nomes às Missas dos compositores, servem canções populares da época: Uhomme arme, Malheur me bat, Fortuna desperata... Se la face..., canções eróticas e até obscenas. Esse “populismo” não ilude. Não se trata de arte popular. Nas cidades flamengas e francesas está em plena decomposição o corporativismo medieval. Os mestres "flamengos” não são artesãos. São cientistas da música, exercendo uma arte que só o músico profissional é capaz de executar e compreender. As incríveis artes contrapontísticas de escrever até em 36 e mais vozes independentes, de inversão e reversão de temas, em “escritura de espelho” em “passo de caranguejo”, nem sempre parecem destinadas ao ouvido; a complexidade da construção só se revela na leitura. É música que menos se dirige aos sensos do que à inteligência. É arte abstrata.

O mar que banha aquela região franco-flamenga é o canal da Mancha. Do outro lado da Mancha, do país do cânon e "Sumer is i-cumen in", veio o primeiro grande contrapontista, o inglês John Dunstable (c. 1370-1453), ao qual já se atribui maior liberdade de invenção melódica que aos mestres da Ars Nova; que os leitores julguem conforme seu motete Quam pulchra es, que foi gravado em disco. Dunstable esteve esquecido durante séculos. Mas em seu tempo passava por compositor de grande categoria e mestre dos mestres “flamengos”. O primeiro verdadeiro ‘‘flamengo” é GuiNaume Dufay (c. 1400-1474) natural de Chimay, que esteve na Itália, como membro da capela papal; sua música corresponde, ao Norte dos Alpes, à Renascença do Quattrocento italiano. É contemporâneo dos Van Eyck; e certas obras recentemente reeditadas, como a Missa Se la face, seriam—pode-se imaginar— a música que os anjos cantam na parte superior do altar dos Van Eyck, na catedral de St. Bavo em Gent. Mas é uma ilusão.

Aqueles quadros ainda hoje têm o mesmo brilho de cores como no tempo em que foram pintados; sua importância não é só histórica, porque são de uma infinita riqueza espiritual. A música de Dufay é "mais rica” só em comparação com a dos seus predecessores; mas dá impressão de estranho, às vezes de bizarro. O mestre já domina as regras todas; ainda não sabe aproveitá-las para comunicar-nos sua emoção religiosa; ou então, nós outros já não sabemos apreciar-lhe os modos de expressão.

O mestre de todos os “flamengos” posteriores foi Johannes Ockeghem (c. 1430-1495), maestro da capela da catedral de Antuérpia e, depois, na corte do rei da França. Parece ter sido um grande professor; depois da sua morte, todos os músicos em posições de responsabilidade, na Bélgica, França e Itália, dedicaram elegias à sua memória; famosa é a Déploration d’Ockeghem, de Josquin Des Près. Elogiaram-lhe, sobretudo, a Missa cuiusvis toni, que pode ser transposta para todas as tonalidades, e o motete Deo gratias, para nada menos que 36 vozes. Foi um mestre de artifícios eruditos, de irregularidades inesperadas, de soluções novas. Sua música nos impressiona como sendo ainda mais arcaica que a dos Dunstable e Dufay, dir-se-ia mais gótica; afinal, foi ele que regia o coro naquele milagre de arquitetura gótica que é a Saint-Chapelle em Paris.

Chegamos a sentir mais vivamente com a arte de Jakob Obrecht (c. 1430-1505), regente de coro na catedral de Utrecht e, depois, na corte do Duque Ercole d’Este, em Ferrara. Sua Missa Fortuna desperata é obra que realmente lembra os Van Eyck; à arquitetura em torno do altar corresponderia seu gigantesco motete Salve crux, arbor vitae, uma catedral sonora em gótico flamboyant. Mas não convém exagerar. Toda essa música dos Dufay, Ockeghem, Obrecht só tem interesse histórico. Não poderá ser revivificada. O primeiro mestre ainda “vivo” na história da música ocidental é Josquin.

Josquin Des Près (c. 1450-1521) é, na música, o representante do Quattrocento. A historiografia romântica, confundindo as diversas fases da Renascença, gostava de compará-lo a Rafaelo, a Andrea dei Sarto, a Correggio, comparações que se encontram em escritos musicológicos da primeira metade do século XIX, em Fétis e em Ambros. Mas Josquin não tem nada de italiano; sua Renascença é nórdica, a das cidades de Flandres, Gent, Bruges; região de tão intensa vida estética como a Florença e Veneza do Quattrocento, mas inspirada por mais profunda religiosidade. A propósito da Ave Maria de Josquin, a 4 vozes, não nos ocorrem Rafaelo nem Correggio, mas as virgens humildes e secretamente extáticas de Memling; o De Projundis e o sombrio e incomparavelmente poderoso Grande Miserere nos lembram os anjos pretos que, nos quadros de Roger van der Weyden, voam como grandes aves da morte em torno da Cruz erigida em Gólgota. No entanto, Josquin esteve na Itália; mas não para aprender e, sim, para ensinar.

Ali, assim como na França, foi chamado de “Princeps musicae”; sua posição, no fim do século XV, parece ter sido a de Beethoven em nosso tempo. Mas comparações dessas nunca se referem ao estilo nem sequer ao valor. Pois este último não nos é completamente acessível. Essa música, com suas requintadíssimas artes contrapontísticas, com seus artifícios audaciosos na inversão e imitação das vozes por outras vozes, com as suas complexidades que não podem ser ouvidas, mas que só se percebem na leitura, essa música nos é permanentemente estranha. Já se aventuraram hipóteses: de que parte dessas obras não estaria destinada à execução, mas ao ensino; ou então, de que só poderiam ser executadas com acompanhamento do órgão, porque sem isso, os coros ficariam desorientados, caindo na confusão. Podemos admirar infinitamente obras como a complicadíssima Missa L’Homme armé, o salmo In exitu Israel, os grandiosos motetes Praeter rerum seriem (6 vozes), Hic in sidereo e Qui habitat in adjutório (24 vozes), que parecem dizer de um outro mundo, inefável. Mas para a nossa vida musical, na igreja ou na sala de concertos, só poucas obras de Josquin ainda têm atualidade: aqueles De Profundis e Ave Marta; a Missa Pange lingua, provavelmente a obra-prima de Josquin, de beleza angélica; a gloriosa Missa Une musique de Biscaye já ressuscitada em disco (Renaissance Chorus de Nova Iorque); e o sereno Stabat Mater (5 vozes), que está definitivamente reincorporado ao repertório das grandes associações corais. São obras de complexidade algo menor, que os coros modernos podem executar em puro estilo a capela, isto é, sem qualquer apoio das vozes humanas por instrumentos; e que revelam melhor o elemento novo da arte de Josquin: sua música comunica emoção religiosa, talvez já um pouco subjetiva. Mas não exageremos. O compositor não pode nem pretende exprimir musicalmente o conteúdo todo das palavras litúrgicas; pois as muitas vozes cantam, ao mesmo tempo, textos diferentes, dos quais um é quase sempre profano; e todas as palavras ficam incompreensíveis, como devoradas pelas colossais ondas sonoras. Na verdade, as palavras não significam nada para o compositor; são apenas o fundamento da arquitetura, construída com vozes humanas. É arte abstrata.

Muitos outros “flamengos” poder-se-iam citar, entre os contemporâneos e sucessores de Josquin; Fevin, La Rue, Gombcrt, Clemens non papa, Vaet, Hollander. Mas não adiantaria. Fora do círculo limitado dos musicólogos, são apenas nomes. Pelo menos, não será esquecido o do inglês Thomas Tallis (c. 1505-1585), compositor insular que ainda cultiva o estilo de Josquin quando já o tinham abandonado no continente europeu. Mas já são palestrinianas suas imponentes Lamentationes Jeremiae. Seu niotete Spem in alium e o Miserere (40 vozes) são imensas construções góticas, pedras de toque, até hoje, para a arte de cantar a capela dos coros ingleses".


As músicas estão lá no Telegram, no nosso canal específico sobre a História da Música.

15 de out de 2017

História da Música Católica (HMC) 3 - Origens - Século XIV




Para falar da maioria dos fatos da música cristã católica, pelo menos até por volta do século XX, vamos utilizar o livro "Uma nova história da música" de Otto Maria Carpeaux. Abaixo trago trechos do capítulo inicial com o nome de 'ORIGENS':



UMA NOVA HISTÓRIA DA MÚSICA - Otto Maria Carpeaux

ORIGENS

"Nossa literatura, nossas artes plásticas, nossa filosofia seriam incompreensíveis sem o conhecimento dos seus fundamentos greco-romanos. Mas não acontece o mesmo com a nossa música. Esse produto autônomo da civilização ocidental moderna não tem suas origens na Antiguidade que se costuma chamar clássica.

Quando muito, alguns germes da evolução posterior ficam escondidos num outro fenômeno musical, à maneira de documentos sepultados nos fundamentos de uma catedral ou outra construção multissecular. Esse fenômeno, de importância realmente fundamental, é o Coral Gregoriano, o cantochão, o canto Litúrgico da Igreja Romana. (P. Wagner, Emfuehrureindie Gregorianischen Melodien, 3 vols., Freibure, 1911-1921; J. P. Schmit, Geschichte des gregorianischen Choralgesanges, T rier, 1952).

Sem dúvida, escondem-se nas melodias do cantochão fragmentos dos hinos cantados nos templos gregos e dos salmos que acompanhavam o culto no Templo de Jerusalém. Não podemos, porém, apreciar a proporção em que esses elementos entraram no cantochão. Tampouco nos ajuda, para tanto, o estudo das liturgias que precederam a reforma do canto eclesiástico pelo Papa Gregório I: das liturgias da Igreja oriental; da liturgia galicana, já desaparecida; da liturgia ambrosiana, que se canta até hoje na arquidiocese de Milão; e da liturgia visigótica ou mozárabe que, por privilégio especial, sobrevive em algumas igrejas da cidade de Toledo. A única música litúrgica católica que conta para o Ocidente, é o Coral Gregoriano, a liturgia à qual Gregório I o Grande (590-604) concedeu espécie de monopólio na Igreja Romana.

O Coral Gregoriano não é obra do grande Papa. A atribuição a ele só data de 873 (Johannes Diaconus). Então, o que se cantava na Schola Cantorum de Roma já não era exatamente o mesmo como no fim do século VI. O cantochão sofreu, durante os muitos séculos de sua existência, numerosas modificações, quase sempre para o pior. Aos monges do mosteiro de Solesmes e a outros beneméritos da Ordem de São Bento deve-se, porém, em nosso tempo, o restabelecimento dos textos originais. São estas as melodias litúrgicas que se cantam, diariamente, em Solesmes e em Beuron, em Maria Laach e em Clervaux e em todos os conventos beneditinos do Velho Mundo e do Novo; e se cantarão, esperamos, até a consumação dos séculos. É a mais antiga música ainda em uso.

As. qualidades características do Coral Gregoriano são a inesgotável riqueza melódica, o ritmo puramente prosódico, subordinado ao texto, dispensando a separação dos compassos pelo risco, e a rigorosa homofonia: o cantochão, por mais numeroso que seja o coro que o executa, sempre é cantado em uníssono, a uma voz.

Nossa música, porém, é muito menos rica em matéria melódica; procede rigorosamente conforme o ritmo prescrito; e, a não ser a música mais simples para uso popular ou das crianças, sempre se caracteriza pela diversidade das vozes, sejam linhas melódicas polifonicamente coordenadas, sejam acordes que acompanham uma voz principal. Nossa música é, em todos os seus elementos, fundamente diferente do cantochão, que parece pertencer a um outro mundo. Realmente pertence, histórica como teologicamente, a um outro mundo; é a música dos céus e de um passado imensamente remoto.

Outra força “subversiva” foi a presença da música profana: a poesia lírica aristocrática dos Troubadours, cantada nos castelos, e a poesia lírica popular, cantada nas aldeias. Uma canção popular inglesa, guardada num manuscrito do começo do século XIII, o Cuckoo-Song ("Sumer is i-cumen in...”), é um cânone a 6 vozes, isto é, as 6 vozes entram sucessivamente, à distância de poucos compassos, com a mesma melodia. Evidentemente havia mais outras canções assim: ao cantochão Gregoriano, rigorosamente homófono, opõe o povo a polifonia; e esta entrará nas igrejas.

Aquele cânone é, não por acaso, uma canção de verão. Assim como nos célebres murais do Campo Santo de Pisa os eremitas e ascetas saem dos seus cubículos para respirar um ar diferente, assim começa também na música contemporânea o verão da alta Idade Média.

Essa música foi, mais tarde, chamada de Ars Antiqua. Mas "antiga” ela só é em relação a outra, posterior: a Ars Nova. No século XIII, Ars Antiqua era nova; é a arte que pertence à chamada "Renascença do século XIII”, florescimento das cidades e construção das catedrais, vida nova nas Universidades, tradução de Aristóteles e de escritos árabes para o latim e elaboração da grande síntese filosófica de São Tomás de Aquino.

Houve, dentro do Coral Gregoriano, o germe de uma evolução: a contradição entre a obrigação de acompanhar fielmente o texto litúrgico, à maneira de recitativo, e, por outro lado, a presença de tão rica matéria melódica, os “melismos” que se estendem longamente quase como coloraturas, sem consideração do valor da palavra. Essa contradição levaria à divisão das vozes: uma, recitando o texto: outra, ornando-o melodicamente. São essas as origens das primeiras tentativas de música polifônica, do Organum e do Discantus, detidamente estudados e descritos pelos historiadores; mas não nos preocuparão.

Os primeiros textos da Ars Antiqua foram encontrados na biblioteca da igreja de Saint-Martial, em Limoges. Mas o desenvolvimento dessa nova arte realizou-se na Schola Cantorum da catedral Notre-Dame de Paris. Registra-se a atividade de um magister Leoninus. Mas o grande nome da Ars Antiqua é seu discípulo e sucessor na direção daquela escola parisiense por volta de 1200, o magister Perotinus; na história da nossa música, é o primeiro compositor que sai da obscuridade do anonimato.

Várias obras de Perotinus encontram-se no manuscrito H196 da biblioteca da Faculdade de Medicina de Montpellier e no Antiphonarium Mediceum da Biblioteca Laurenziana em Florença. São obras de uma polifonia rudimentar, blocos sonoros rudes como as pedras nas fachadas românicas de catedrais que mais tarde foram continuadas em estilo gótico. A impressão pode ser descrita como “majestosamente oca”. A ligação rigorosa da segunda voz à melodia gregoriana não permite a diversidade rítmica. Algumas dessas peças curtas, Quis tibi, Christe e Sederunt príncipes, foram modernamente gravadas em discos.

O "imobilismo” da Ars Antiqua explica-se pela insuficiência do sistema de notação, atribuído ao monge Guido (ou Guittone) de Arezzo: todas as notas tinham o mesmo valor, a mesma duração, sem possibilidade de distinguir breves e longas. O primeiro grande progresso da Ars Nova, dos séculos XII e XIV, é o sistema mensurai, que já se parece com o nosso sistema de notação: permite distinguir notas longas e menos longas, breves e mais breves; permitiu maior e, enfim, infinita diversidade do movimento melódico nas diferentes vozes. É um progresso que lembra as descobertas, naquela mesma época, da ciência matemática, pelas quais são responsáveis eruditos como Oresmius e outros grandes representantes do nominalismo, dessa última e já meio herética forma da filosofia escolástica.

A Ars Nova não é, simplesmente, o equivalente do estilo gótico na arquitetura. Precisava-se de séculos para construir as grandes catedrais. Quando estavam prontas (ou quando as construções foram, incompletas, abandonadas), já tinha mudado muito o estilo de pensar e o estilo de construir. A Ars Nova já corresponde à elaboração cada vez mais sutil do pensamento filosófico e das formas góticas. Os grandes teóricos da Ars Nova, o Bispo Philippus de Vitry e os outros, elaboram com precisão matemática as regras da arte de coordenar várias vozes diferentes sem ferir as exigências do ouvido por dissonâncias mais ásperas. São as regras do contraponto.

Eis a teoria. Na prática da Ars Nova influiu muito a música profana, inclusive a italiana do Trecento, de interesse histórico, mas sem possibilidades de ser hoje revivificada. O grande compositor da Ars Nova é Guillaume de Machaut (c. 1310-1377), que foi dignitário eclesiástico em Verdun e Reims, enfim na corte do Rei Charles V da França. Seu nome só figurava, durante séculos, na história literária da França: como poeta fecundo, autor de ballades, rondeaux e outras peças profanas. Machaut também escreveu para essas poesias a música: a 3 ou 4 vozes, da mesma maneira e no mesmo estilo em que escreveu inotetes para 3 ou 4 vozes sobre textos litúrgicos. Uma obra de vulto e importância excepcionais é sua Messe du Sacre, escrita em 1367 para a coroação daquele rei na catedral de Reims. É uma data histórica. Machaut foi, parece, o primeiro que escolheu cinco partes fixas do texto da missa para pô-las em música: Kyrie, Gloria, Credo, Sanctus (com Benedictus) e Agnus Dei. Criou, dessa maneira, um esquema, uma forma musical de que os compositores se servirão, durante séculos, com a mesma assiduidade com que os músicos do século XIX escreverão sinfonias e quartetos. A Missa, naquele sentido musical, é a primeira grande criação da música ocidental; e a Messe du Sacre de Machaut é o primeiro exemplo do gênero. É a obra exemplar da Ars Nova, empregando as regras complicadas da arte contrapontística, sem evitar, porém, certas discordâncias sonoras que nos parecem, hoje, arcaicas ou então estranhamente modernas. É uma arte medieval, na qual se descobrem, porém, os germes de arte renascentista: é uma música que será autônoma. E o começo do ciclo de criação que em nossos dias acaba".

Para baixar e escutar as músicas relacionadas entre no nosso canal já citado nos posts anteriores relativos a este estudo da história da música católica.

14 de out de 2017

História da Música Católica 2 - Idade Antiga (Patrística)



Em continuação ao post anterior sobre a música nas Escrituras, trazemos agora a música no período Patrístico:

Os primeiros cristãos, como vimos, tinham o costume de cantar nas reuniões. Assim se seguiu em toda a história da Igreja. No período da Patrística também tivemos este aspecto marcante na vida dos cristãos primitivos. Vários relatos mostram que os mártires cantavam enquanto eram martirizados. Após o Edito de Milão em 313, que trouxe maior liberdade de culto aos cristãos, houve maior organização litúrgica e desenvolvimento da música entre os cristãos.

As influências da cultura grega resulta no oriente, o canto bizantino (grego), e no ocidente, o canto gregoriano (latim). Entre os padres da Igreja marcados pela música temos Santo Ambrósio de Milão, Santo Agostinho, São Gregório de Nazianzeno, São Basílio, São João Crisóstomo, entre outros.

Santo Agostinho reconhece a importância da música. Lembra das lágrimas que lhe caíam na catedral de Milão por causa dos cantos “não pelos seus acentos mas pelas palavras moduladas, pela sua justa expressão, pela pureza da voz”. Em outro momento ele diz que “cantar é próprio de quem ama”.

São Basílio ao falar do canto dos Salmos bíblicos, diz que a melodia é uma espécie de mel que Deus uniu ao medicamento (escritos bíblicos) para tornar mais fácil tomá-lo. Ele também fala que o ensinamento que se aprende de má vontade dificilmente permanece e o que se aprendeu com gozo e suavidade dura com mais firmeza em nosso espírito. E que o gozo melódico une-se à força da Palavra de Deus para fortalecer o cristão e levantar o homem caído. A música cristã neutraliza a força da música pagã. A música só traz benefícios à propagação do conhecimento da Palavra de Deus. A comunhão com o próximo é um dos frutos dos cantos na comunidade em oração: “o canto do salmo restabelece a amizade, reúne os que estavam desavindos, converte em amigos os que mutuamente se hostilizavam. Quem será ainda capaz de considerar como inimigo aquele com quem elevou uma só voz para Deus?

São João Crisóstomo em seus sermões diz que “os cantos são um grande atrativo para a nossa natureza, a ponto de secarem as lágrimas e calarem o pranto dos meninos de peito”. A respeito do poder da música ele diz que “Deus, vendo a indiferença de grande número de homens, que não têm afeição alguma à leitura das coisas espirituais e não podem suportar o trabalho sério do espírito que elas requerem, quis tornar-lhes este esforço mais agradável e tirar-lhes, inclusive, a sensação de fadiga”. O canto também imita e participa do louvor dos anjos na corte Divina. O canto coral gera comunhão e harmoniza diferenças sociais. São João Crisóstomo diz: “não há escravo, nem livre, nem rico, nem pobre, nem príncipe, nem súdito. Longe de nós essas desigualdades sociais: formamos todos um só coro, todos tomamos igualmente parte nos cânticos sagrados e a terra imita o céu”. Sobre o Salmo ele nos diz: "Cada verso dos salmos é suficiente para nos elevar a uma sabedoria eminente, reformar as nossas ideias e adquirir os maiores bens e, se meditamos atentamente sobre cada uma das palavras que o compõem, recolheremos disso frutos mais abundantes". "Tomai as palavras deste salmo como outras tantas pérolas para as conservar e meditá-las cuidadosamente em vossas casas. Repeti-o aos vossos amigos e às vossas esposas e, se a tribulação se apoderar da vossa alma, se sentis despertar em vós outro sentimento condenado pela razão, tende na vossa boca as palavras deste cântico divino".

Santo Atanásio também escreveu sobre a ação do Salmo no leitor orante: "a recitação repetida do salmo opera uma estruturação profunda do espírito do cantor, que contempla nas palavras dos salmos refletidos, como em espelho, os desejos e sentimentos do seu espírito".

Pseudo-Dionísio escreveu que “os cantos põem-nos em sintonia, primeiro como o nosso eu mais profundo; depois entre nós mesmos, e com os participantes na assembleia litúrgica; e desse modo, constituídos em um coro único de homens santificados, abrimo-nos aos mistérios sagrados”. No “uníssono dos cantos divinos, estamos em sintonia, não só com as realidades divinas, mas também conosco próprios, de tal modo que já não formamos senão um único e homogêneo corpo de homens santos”.

São Clemente de Alexandria escreveu que Deus "ordenou o próprio universo por medida e submeteu a dissonância dos elementos à disciplina do acorde, para se fazer do mundo inteiro uma harmonia". Também disse que Deus criou o homem e fez "entrar o seu sopro neste belo instrumento". Em outro momento escreveu que "toda a nossa vida cristã é sempre um dia de festa e por esse motivo trabalhamos nos campos cantando hinos e entoamos cantos de louvor ao Senhor enquanto navegamos".

O canto nas assembleias deve ter o sentido de comunhão, ressaltando o conhecimento das Escrituras e influenciando nos comportamentos morais, isto é, na vida de santidade e conversão. Os santos Padres corrigem desvios e dão orientações. Denunciam ritualismos exagerados, falta de entusiasmo celebrativo e ensinam que não se pode juntar ao belo e santo canto a estridente vivência dos maus costumes.

São Basílio diz que os fornicadores, ladrões, etc, “estes, parece que cantam, mas na realidade não cantam”. Antônio José Ferreira no seu artigo complementa: “O verdadeiro canto é o interior: o canto exterior é o seu rosto”. E cita São Basílio que diz: “Sem voz também é possível cantar desde que, internamente, vibre o espírito. Cantamos, não para os homens, mas para Deus que pode escutar os nossos corações e penetrar na intimidade da nossa alma”. Ao explicar a passagem de Efésios 5,19, São João Crisóstomo diz “O que significa ‘em vossos corações’? Significa com a inteligência. Não suceda que, enquanto a boca está a dizer as palavras, a mente divague por qualquer parte: para que a língua seja escutada pela alma”. Sobre a agitação ele diz que alguns “vêem-se num estado de contínua agitação, dir-se-ia com acessos de loucura; pelo menos, pode dizer-se que mostram costumes impróprios de um lugar sagrado (...). O vosso espírito está preocupado com o que ouvis e vedes nos teatros e trazeis para os ritos da Igreja o que lá se pratica. Esta é a origem desses gritos exagerados que nada significam... Será que as vossas mãos concorrem para a vossa súplica, quando as agitais em todos os sentidos, sem descanso? A que propósito vêm esses gritos violentos, que bem podem mostrar a força dos vossos pulmões mas nada significam? Ousais misturar as diversões demoníacas com os hinos dos anjos que glorificam a Deus?”.

São Basílio diz em outro momento: “A língua cante e a mente trate de conhecer o sentido das palavras cantadas, para cantares com o espírito e também com a tua mente". Há uma prioridade da palavra e do canto interior sobre a melodia e a voz. Santo Agostinho disse: "A voz que se dirige aos homens é o som; a voz que se dirige a Deus é a piedade". Em outro momento escreveu: "não podereis experimentar a verdade do que cantais, se não começardes a praticar o que cantais".

Os Santos Padres denunciam o poder sedutor da música idolátrica e a imoralidade dos cantos pagãos. Antônio José Ferreira no seu artigo 'As fontes bíblico-patrísticas da música litúrgica' escreve: "Embora muitos cristãos frequentassem os espetáculos e teatros pagãos, contra a vontade dos pastores, recebendo uma influência prejudicial que se repercutia na vida cristã e na própria liturgia, não se pede aos cristãos que abandonem o canto, mas que o acolham como eco existencial da Palavra de Deus. São João Crisóstomo convida os pais e as mães a ensinarem os salmos aos filhos e a utilizá-los em casa. O canto como que permite ruminar a Palavra, prolongando a celebração nas diferentes situações da vida, tornando-se um 'estímulo eficaz para o culto existencial do cristão'. Os Padres fazem recomendações aos cantores e insistem nas atitudes pessoais de atenção e assimilação. Salientam 'com expressões musicais de grande beleza a existência como lugar primordial do culto cristão, assim como a necessária conexão entre liturgia e vida'. Canto interior e canto exterior exigem-se mutuamente".

Segundo Basurko, Santo Ambrósio de Milão e São Gregório de Naianzeno dizem que "são precisamente os salmos cantados entusiasticamente por toda a assembleia que convertem as largas horas das vigílias noturnas em momentos de verdadeiro prazer espiritual".

Diante de tudo isso vemos a importância do canto do povo, um canto que sai da alma para melhor mergulho nos mistérios divinos. Terminamos com uma frase de Santo Ambrósio que diz que o canto litúrgico é "bênção do povo, louvor de Deus, celebração da assembleia, harmonia universal, expressão de todos, profissão harmoniosa da fé, devoção magnífica, alegria da liberdade, grito de festa, explosão de alegria".

13 de out de 2017

História da Música Católica 1 - A Música nas Escrituras


Irmãos, vou começar aqui a publicar uma seção somente sobre a história da música católica. Somente alguns textos principais. Porém quem quiser acompanhar mais de perto entre no nosso canal no Telegram criado especificamente para isso que lá vamos publicar bem mais coisas junto com áudios das músicas, vídeos e outros materiais que julgarmos necessário. Para entrar no canal no Telegram, esse é o link: https://t.me/joinchat/AAAAAEQ6bx2TPo2AIkdvYA. Qualquer problema com esse link, me contata no Telegram pelo @alessandroger. Vamos ao texto inicial:

O ser humano é intrinsecamente religioso. Não existiu na história dos povos antigos nenhum registro de algum povo “ateu”. Todos tinham seus mitos e religião. Deus colocou no coração do homem o desejo de buscá-lo.

A música sempre cumpriu um papel importantíssima no culto, na religião, na adoração. Todo cristão verdadeiro busca crescer espiritualmente. Se ama a Deus sinceramente busca conhece-lo, saber quem é esse Deus, como ele pensa, como agradá-lo. Quem ama sai do seu egoísmo e busca servir o amado. Para isso, o cristão tem que iniciar sua aventura em busca de subir o monte da contemplação para alcançar graus altos de espiritualidade e contemplação mística. É a busca do humilde. O soberbo põe desculpas e isola-se na sua mediocridade. O humilde busca transcender-se e alcançar o Deus que o chama. A música sempre teve parte na busca de um verdadeiro culto a Deus na história.

Encontramos indícios do uso da música desde mais ou menos 3.500 anos antes de Cristo (a.C.) em países como a China, Palestina, Pérsia, Egito e Babilônia. Pranchas de argila encontradas em tumbas antigas revelam um pouco da história da música. Se houvessem nos restado documentos antigos, que infelizmente são destruídos pela ação do tempo, talvez constataríamos que a música tem a mesma idade da raça humana. O mais antigo instrumento musical encontrado até o momento é a Flauta de Hohle Fels com datação aproximada de 35.000 anos atrás.

Na bíblia temos mais de 600 referências musicais. Listo aqui somente algumas observações mais importantes sobre a música na bíblia:


  • O relato da criação que abre o Gênesis é um texto de uma música sagrada cantada na sinagoga judaica.
  • No livro de Gênesis, capítulo 4, versículo 21 lemos que Jubal era o pai de todos aqueles que tocavam a cítara e os instrumentos de sopro.
  • Houveram músicas quando Moisés, Arão e Miriã conduziram o povo hebreu em sua saída do Egito (Êxodo 15).
  • Débora e Baraque cantaram a vitória que o Senhor os havia concedido (Juízes 5).
  • Em Samuel e seu discipulado profético havia o cultivo da música (1 Samuel 10,4).
  • Em 1 Crônicas há pormenores que revelam a função primordial da música no serviço no templo.
  • Com o Rei Davi, chamado de “o suave cantor de Israel”, a música alcança grande prestígio. O livro dos Salmos são cânticos bíblicos expressando toda a alma do povo de Deus e a ação de Deus na história.
  • Há vários cânticos espirituais no antigo e no novo. Os mais conhecidos são o Magnificat da Virgem Maria e o Benedicto do pai de São João Batista.
  • Os anjos ao anunciarem o nascimento de Cristo entoaram cantos.
  • Jesus e os discípulos entoavam cantos. Cantaram ao sair do Monte das Oliveiras. Paulo e Silas cantaram na prisão.
  • São Paulo nos deixou escrito: “É o que se dá com os instrumentos inanimados de música, por exemplo a flauta ou a harpa: se não produzirem sons distintos, como se poderá reconhecer a música tocada? Se a trombeta só der sons confusos, quem se preparará para a batalha? Assim também vós: se vossa língua só profere palavras ininteligíveis, como se compreenderá o que dizeis? Sereis como quem fala ao vento. (...) Então que fazer? Orarei com o espírito, mas orarei também com o entendimento; cantarei com o espírito, mas cantarei também com o entendimento. (...) Em suma, que dizer, irmãos? Quando vos reunis, quem dentre vós tem um cântico, um ensinamento, uma revelação, um discurso em línguas, uma interpretação a fazer - que isto se faça de modo a edificar" (1Cor 14,7-9.15); "Recitai entre vós salmos, hinos e cânticos espirituais. Cantai e celebrai de todo o coração os louvores do Senhor. Rendei graças, sem cessar e por todas as coisas, a Deus Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo!” (Ef 5,19-20); “A palavra de Cristo permaneça entre vós em toda a sua riqueza, de sorte que com toda a sabedoria vos possais instruir e exortar mutuamente. Sob a inspiração da graça cantai a Deus de todo o coração salmos, hinos e cânticos espirituais. Tudo quanto fizerdes, por palavra ou por obra, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai.” (Col 3,16-17).
  • São Tiago em sua carta nos exorta: “Alguém entre vós está triste? Reze! Está alegre? Cante.” (Tg 5,13).
  • No Apocalipse temos o relato de grandiosos cânticos na glória celestial: Harpas, trombetas, vários instrumentos, coros celestiais de anjos e santos (Apocalipse capítulos 5, 14, 19, e outros). O silêncio algumas vezes é visto como sinal de luto, tristeza, justiça divina e destruição (Ap 18, 21-22). Vários textos apocalípticos do antigo testamento e dos evangelhos também falam de sinais sonoros e música no Dia do Senhor ou Volta de Cristo.


No próximo post traremos a música na visão dos Santos Padres da Igreja. E no nosso canal no Telegram já vamos publicar várias músicas. Grande abraço.

9 de out de 2017

Ciclo Temporal Católico



Irmãos, poucos sabem mas o católico possui um ciclo temporal de meditação, vivência e oração. Esse ciclo varia entre ciclos anuais, mensais, semanais e até em horas do dia. O tempo da Graça, o Kairós, deve ser vivido de forma atenta. Descuidar do tempo é enterrar o principal talento que Deus nos deu. O tempo é o talento que deve ser posto em ação para gerar mais frutos e é dele que prestaremos contas no julgamento particular.

Devido a essa importância, venho listar aqui algumas informações sobre o ciclo temporal de vivência de um católico.



ANUAL/MENSAL

A primeira observação é com relação ao ciclo de três anos em que nossa liturgia percorre para leitura de todos os livros da Bíblia: ANO A, ANO B e ANO C. 2017 é um ano predominantemente no ciclo ANO A, 2018 ANO B, 2019 ANO C, 2020 volta para o ANO A e assim sucessivamente...

Temos os tempos litúrgicos que são tempos fortes de mergulho nos mistérios da nossa salvação. Abaixo segue uma figura que resume de forma bem simples o ano litúrgico:


Junto ao ano litúrgico, popularmente, foi-se construindo temáticas mensais para meditação e reflexão popular. Abaixo eu listo algumas temáticas que reuni e que será muito útil para quem deseja viver tempos fortes de reflexão e oração nos principais temas cristãos:






SEMANAL/DIÁRIO

Também popularmente houve uma certa cultura popular que unida à algumas recomendações da Igreja, definiu-se temáticas semanais para sua devoção particular. Abaixo segue um quadro sobre os dias da semana:




HORAS DO DIA

Durante ao longo do dia também nos é proposto algumas horas específicas para oração. A liturgia das horas é uma fonte rica de oração baseada em textos oriundos da Sagrada Tradição e das Sagradas Escrituras, especialmente os Salmos. Abaixo segue uma descrição dos horários e o nome específico de cada:


  • Ofício das Leituras: Pode ser rezado em qualquer horário do dia, mas geralmente faz-se de manhã junto com a Laudes. Aqui temos leituras bíblicas e da Tradição, salmodia e algumas orações.
  • Laudes: É a primeira oração do dia. Geralmente ao nascer do sol. Oração de louvor agradecendo a Deus mais um dia e começo do trabalho.
  • Horas Médias: As horas médias são compostas de três horários distintos com seus nomes específicos: 1)Hora Terça que é rezada às 09:00h; 2) Hora Sexta que é rezada às 12:00h; e 3)Hora Nona ou Noa que é rezada às 15:00h, costumeiramente chamada hora da paixão.
  • Vésperas: São as orações do fim da tarde e início da noite, geralmente recomendada para o pôr do sol. Agradecimento pelo fim do dia.
  • Completas: Para ser rezada à noite em preparação para dormir. Faz-se o ato de contrição entre outras orações.



Temos alguns sites e aplicativos de celular que disponibilizam a liturgia das horas para consulta os quais vou colocar os links no final deste post. Quero focar aqui em dois canais que te será muito útil para te notificar para as horas de oração, lembretes para os temas da semana e os temas mensais:



  • Twitter Liturgia das Horas: https://twitter.com/OficiodasHoras; Perfil no Twitter onde você pode seguir e acionar o sininho das notificações para ser avisado em cada publicação para não perder as horas de oração, as principais orações das horas em mp3, liturgia do dia, santo do dia e lembretes dos temas diários e mensais para meditação.

  • Bot "Orações Diárias" no Telegram: https://telegram.me/orar_bot; Ferramenta privada no Telegram para você receber as mesmas notificações do perfil do Twitter mencionado acima e ainda você pode solicitar o terço em latim e outras coisas mais que vamos implementando devagar.



Pessoal, estes dois canais que citei acima é uma evolução do caminho que estamos trilhando para viver a vida de oração que a Igreja e os santos recomendam e compartilhar isso com vocês. Qualquer dúvida, crítica ou sugestão podem entrar em contato comigo no Telegram: https://telegram.me/alessandroger.

Deus te abençoe! Shalom!







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Obs.: Segue abaixo alguns canais para a liturgia das horas:
Ibreviary
Arquivos em pdf
Comunidade Liturgia das Horas
Festas Litúrgicas
Oração de Hora fixa
Sobre o Ofício Divino
O tempo de uma vida em pedaços





6 de out de 2017

Brevíssima história do Rosário




Dia 7 de Outubro é o dia de Nossa Senhora do Rosário. Por isso fiz um levantamento para quem desejar conhecer a história desta santa devoção. Abaixo trago um texto com um brevíssimo resumo da história e no final indico alguns links e livros para quem deseja aprofundar. O Rosário foi construído ao longo de anos de tradição mística, não nasceu completo como o conhecemos hoje num dia só, por uma única pessoa. Conhecer sua história é valorizar a riqueza da nossa Santa Tradição.




Por João César das Neves (Professor UCP):

"O Nascimento do Rosário O Rosário é uma oração cuja origem se perde nos tempos. A tradição diz que foi revelado a S. Domingos de Gusmão (1170-1221), numa aparição de Nossa Senhora, quando ele se preparava para enfrentar a heresia albigense. Parece não haver muitas dúvidas de que o Rosário nasceu para resolver um problema importante dos novos frades mendicantes. De facto, os franciscanos e dominicanos estavam a introduzir um novo tipo de ordem religiosa no século XII, em alternativa aos antigos monges, sobretudo Beneditinos e Agostinhos. Estes, nos seus mosteiros, rezavam todos os dias os 150 salmos do Saltério. Mas os mendicantes não o podiam fazer, não só por causa da sua pobreza e estilo de vida, mas também porque em grande parte eram analfabetos. Assim nasceu, nos dominicanos, o Rosário, o “saltério de Nossa Senhora”, a “Bíblia dos pobres”, com 150 Avé-Marias.

Mas é preciso dizer que, nessa altura, não havia ainda a Ave Maria. Já desde o século IV se usava a saudação do arcanjo S. Gabriel (Lc 1, 28) como forma de oração, mas só no século VII ela aparece na liturgia da festa da Anunciação como antífona do Ofertório. No século XII, precisamente com o Rosário, juntam-se as duas saudações a Maria, a de S. Gabriel e a de S. Isabel (Lc 1, 42), tornando-se uma forma habitual de rezar. Em 1262 o Papa Urbano IV (papa de 1261-1264) acrescenta-lhes a palavra “Jesus” no fim, criando assim a primeira parte da nossa Ave Maria. Só no século XV se acrescenta a segunda parte de súplica, tirada de uma antífona medieval. Esta fórmula, que é a actual, torna-se oficial com o Papa Pio V (1566-1572). Grande reformador no espírito do concílio de Trento (1545-1563), S. Pio V é o responsável pela publicação do Catecismo, Missal e Breviário Romanos surgidos do Concílio, que renovam toda a vida a Igreja. Foi precisamente no Breviário Romano, em 1568, que aparece pela primeira vez na oração oficial da Igreja a Avé-Maria.

A Batalha de Lepanto e a festa de Nossa Senhora do Rosário O contributo de S. Pio V, um antigo dominicano, para a história do Rosário não se fica por aqui. O grande reformador criou também o último grande momento da antiga Cristandade, a unidade dos reinos cristãos à volta do Papa. Os turcos otomanos, depois do cerco e queda de Constantinopla em 1453, o fim oficial da Idade Média, e das conquistas de Suleiman, o Magnífico (1494-1566, sultão desde 1520), estavam às portas da Europa. Dividida nas terríveis guerras entre católicos e protestantes, a velha Europa não estava em condições de resistir. O perigo era enorme. Além de apelar às nações católicas para defender a Cristandade, o Papa estabeleceu que o Santo Rosário fosse rezado por todos os cristãos, pedindo a ajuda da Mãe de Deus, nessa hora decisiva. Em resposta, houve um intenso movimento de oração por toda a Europa. Finalmente, a 7 de Outubro de 1571 a frota ocidental, comandada por D. João de Áustria (1545-1578), teve uma retumbante vitória na batalha naval de Lepanto, ao largo da Grécia. Conta-se que nesse mesmo dia, a meio de uma reunião com os cardeais, o Papa levantou-se, abriu a janela e disse “Interrompamos o nosso trabalho; a nossa grande tarefa neste momento é a de agradecer a Deus pela vitória que ele acabou de dar ao exército cristão”. A ameaça fora vencida. Este foi o último grande feito da Cristandade. Mas o Papa sabia bem quem tinha ganho a batalha. Para louvar a Vitoriosa, ele instituiu a festa litúrgica de acção de graças a Nossa Senhora das Vitórias no primeiro domingo de Outubro. Hoje ainda se celebra essa festa, com o nome de Nossa Senhora do Rosário, no memorável dia de 7 de Outubro.

A partir de então, o Rosário aparece em múltiplos momentos da vida da Igreja. Já no fresco do Juízo Final, pintado por Miguel Ângelo (1475-1564) na Capela Sistina do Vaticano de 1536 a 1541, estão representadas duas almas a serem puxada para o céu por um Terço. São as almas de um africano e de um asiático, mostrando a universalidade missionária da oração".

A Imaculada Conceição rezou o Terço com Bernadette Soubirous (1844-1879) nas aparições de Lourdes em 1858. O Papa Leão XIII, “Papa do Rosário”, (como lhe chama a recente Carta Apostólica Rosarium Virginis Mariae do Papa São João Paulo II, n.º 8) dedicou mais de 20 documentos só ao estudo desta oração, incluindo 11 encíclicas.

O Beato Bártolo Longo (1841-1926) é um os grandes divulgadores do Rosário, como o refere a recente Carta Apostólica (n.º 8, 15, 16, 36, 43). Antigo ateu, espírita e sacerdote satânico, depois da sua conversão viu na intercessão de Nossa Senhora a sua única hipótese de salvação. Sendo advogado, em 1872 deslocou-se à região de Pompeia por motivos profissionais e ficou chocado com a pobreza, ignorância, superstição e imoralidade dos habitantes dos pântanos. Entregou-se a eles para o resto da vida. Arranjou um quadro da Senhora do Rosário, que fez vários milagres e criou em 1873 a festa anual do Rosário, com música, corridas, fogo de artifício. Construiu uma igreja para essa imagem, que se veio a tornar no Santuário de Nossa Senhora do Rosário de Pompeia. Fundou uma congregação de freiras dominicanas para educar os órfãos da cidade, escreveu livros sobre o Rosário e divulgou a devoção dos «Quinze Sábados» de meditação dos mistérios.

Outro grande momento da divulgação do Terço é, sem dúvida, Fátima. “Rezar o Terço todos os dias” é a única coisa que a Senhora referiu em todas as suas seis aparições. A frase repete-se sucessivamente, quase como uma ladainha, manifestando bem a sua urgência e importância. Na carta do Dr. Carlos de Azevedo Mendes, num dos primeiros documentos escritos sobre Fátima, afirma-se “Como te disse examinei ou antes interroguei os três em separado. Todos dizem o mesmo sem a mais pequena alteração. A base principal que de tudo, o que me dizem, deduzi é «que a aparição quer que se espalhe a devoção do Terço»”

A história do Rosário não pode terminar sem referir um momento decisivo desta evolução. A escolha do Papa João Paulo II de celebrar as suas bodas de prata pontifícias com o Rosário, acrescentando-lhe os cinco mistérios luminosos, é um marco importante na devoção. Mas a ligação do Papa a esta oração não é de hoje, como ele mesmo diz na Carta: “Vinte e quatro anos atrás, no dia 29 de Outubro de 1978, apenas duas semanas depois da minha eleição para a Sé de Pedro, quase numa confidência, assim me exprimia: «O Rosário é a minha oração predilecta. Oração maravilhosa! Maravilhosa na simplicidade e na profundidade.»”(n.º 2)"


(Fonte: http://www.agencia.ecclesia.pt/noticias/dossier/uma-breve-historia-do-rosario-da-virgem-maria/)



Para um maior aprofundamento recomendo:

O Rosário - A sua origem e a sua intenção primordial - Site dos monges Cartuxos

Livro "A História do Rosário" - Anne Vail - Edições Loyola

Livro "História do Rosário" - Emanuele Giulietti - Editora Paulus

Capítulo sobre uma breve história do Rosário do livro "O Rosário de Nossa Senhora" do Padre João Medeiros Filho

Carta Apostólica Rosrium Virginis Mariae





30 de ago de 2017

A verdade em ser Igreja





PAPA SÃO JOÃO PAULO II


São João Paulo II: “Devemos defender a verdade a todo custo, mesmo que voltemos a ser somente doze.”




PAPA BENTO XVI


Jornalista: "O senhor está preocupado com a perda de fiéis pela Igreja nos últimos anos?”

Papa Bento XVI: “A Igreja não perdeu nenhum fiel. Aqueles que se foram nunca foram fiéis católicos realmente. Não se pode perder o que nunca se teve. Os que deixaram a Igreja eram indecisos, curiosos ou pessoas que estavam apenas ‘cumprindo uma obrigação’ passada por seus pais ou avós. Os que vêm e vão não pertencem ao Corpo Místico de Cristo, que é a Igreja na Terra. Da mesma maneira, os que são católicos mas ainda não estão na Igreja, infalivelmente chegarão ou retornarão a ela no devido tempo. A Igreja, Casa e Família de Deus, surgiu como um pequeno grupo; não importa a quantidade, e sim a qualidade dos seus filhos, como cristãos conscientes e santificados.”






29 de ago de 2017

Literatura, cultura e a alma ocidental



No mundo atual, entrar na Ortodoxia é como se converter da mediocridade para a plenitude, da superficialidade para a profundidade, da impostura para uma realidade tão rica e tão vasta que, às vezes, ficamos na dúvida se é possível que a Igreja e o mundo “real” possam existir juntos e ao mesmo tempo.
Esta conversão ocorre não sem certo desconforto, pois a conciliação dos aspectos exteriores da vida moderna com o pensamento profundo e interior da Ortodoxia parece-nos algo impossível. A Ortodoxia se apresenta a nós como uma realidade muito mais intensa e transcendente. Esta impressão origina-se do fato de que quase sempre trazemos conosco uma parte da mediocridade, da superficialidade e da impostura da vida moderna. Esta superficialidade aos poucos corrói a vida espiritual -- a despeito de nossas boas intenções --, e em pouco tempo chegamos à conclusão de que há algo de muito errado conosco.
No entanto, quem acha que todas as coisas ocidentais são ruins está muito enganado. Viver pensando desse jeito é simplesmente impossível. Somos ocidentais: afinal, nossas almas foram forjadas pela psicologia e pela mentalidade ocidental. O esforço freqüentemente doloroso de conhecermos a nós mesmos só poderá ser bem-sucedido se compreendermos as forças que nos moldaram.
Ao invés de ficarmos fugindo de nossa própria cultura, ou de tentarmos negar o poder que ela exerce em nós, seria muito melhor se a encarássemos com honestidade e sinceridade a fim de compreendermos sua essência e origem. Este é o primeiro passo para a formação de uma cosmovisão ortodoxa, e esta é a tarefa número 1 que nos aguarda. Se lograrmos êxito nessa tarefa, então seremos capazes de distinguir aquilo que é culturalmente útil daquilo que é culturalmente desprezível. Talvez ainda mais importante do que isso, seremos capazes de alcançar o autoconhecimento, ou seja, de alcançarmos a profundidade de alma que nos permitirá vislumbrar o caminho para que nos tornemos bons cristãos.
Na verdade, não herdamos a cultura ocidental coisa nenhuma. Este é o grande problema. Nós fomos educados e aculturados nas ruínas dessa cultura. Não vivemos no Ocidente, mas na memória pálida e moribunda do Ocidente. A “cultura” contemporânea é uma cultura inexistente, um vácuo que contrai a alma e asfixia o espírito. Antes de tentar mergulhar o espírito nas águas profundas da Ortodoxia, o homem contemporâneo faria melhor se primeiro nutrisse sua alma, pois a má-nutrição paralisa toda e qualquer tentativa de desenvolvimento espiritual. O homem ocidental moderno é como uma planta de raízes superficiais: ela jamais conseguirá crescer de maneira vigorosa e sustentável. O espírito do homem moderno é incapaz de se elevar, pois um espírito elevado exige uma alma profunda, que tenha maturidade e sensibilidade suficientes para perceber a nobreza das coisas e para ser enobrecida por elas.
Os Padres sempre ensinaram que a parte mais elevada e espiritual da natureza humana funda-se sobre o primeiro nível da alma, que é justamente o nível que melhor responde aos estímulos produzidos pelas coisas virtuosas, nobres e belas. As capacidades humanas, distorcidas pela Queda, devem ser restauradas à sua normalidade, e somente depois que essa normalidade estiver restabelecida é que conseguiremos progredir nas coisas espirituais. A “percepção superior”, que São João Clímaco chamava de “atributo” da alma, é “esbofeteada” pelo pecado, e por isso temos de nos treinar melhor. O redirecionamento e a elevação da alma é a tarefa essencial de todos os cristãos ortodoxos.
Ao contemplar o belo e o nobre contidos nas obras de arte, o cristão terá a chance de restabelecer em si a sensibilidade para um tipo muito especial de ternura e de simpatia. A inclinação para o belo e para o nobre vem de Deus, mas essa capacidade foi obscurecida pela própria negligência humana. O crescimento espiritual autêntico só será possível depois que o primeiro nível da alma tiver sido elevado e purificado. Do contrário, será extremamente difícil atingir a sobriedade, a fertilidade, a autenticidade e a profundidade na vida espiritual. A alma incultivada raramente possui o discernimento e o equilíbrio para enxergar com clareza e honestidade, nem a sensibilidade para sentir com profundidade, nem a inspiração para esforçar-se intensamente, nem o idealismo para alcançar incondicionalmente o que há de melhor e mais verdadeiro. A sensibilidade e a intensidade não são em si atributos espirituais. No entanto, servem de prelúdio às coisas espirituais.
É psicologicamente impossível que, de uma hora para outra, nos tornemos “não-ocidentais”, mesmo que isso fosse uma coisa desejável. A rejeição pura e simples dos frutos de centenas de anos de cultura cristã, na esperança de escaparmos da mácula do “ocidentalismo”, é uma postura intelectualmente irresponsável. A recusa em nos nutrirmos daquilo que é edificante e elevado inevitavelmente implicará em nos nutrirmos daquilo que não é edificante nem elevado: a cultura pop americana, repleta de superficialidade e falsidade, infiltra-se dia após dia em nossos corações desprotegidos. Se não reagirmos, se recusarmos a escolher as coisas sublimes, então nossas almas serão inapelavelmente asfixiadas pelo artificialismo e pela baixeza. Seremos perpetuamente contaminados pela imundície mortal do mundo -- e por nossa própria imundície --, e jamais seremos capazes de tocar o fundo de nossos corações, nem responder as necessidades de nossos próximos.
Observe o exemplo da Igreja primitiva. Quando a Igreja denunciava a cultura pagã, ela denunciava somente os aspectos que se fundavam no demonismo da religião pagã e no hedonismo da arte pagã. No entanto, os aspectos da cultura helênica que eram úteis e saudáveis não foram rejeitados e denunciados pela Igreja, mas, pelo contrário, foram transmutados por ela em declarações missionárias profundamente convincentes.
Ontem como hoje, muitas pessoas negavam que a arte e a cultura seculares poderiam ser utilizadas como instrumentos para cultivar e educar a alma, e o faziam lançando mão da exortação do Apóstolo: “Tende cuidado, para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo” (Colossenses 2:8).
Os Padres da Igreja, ao lidarem com esta questão, formularam a resposta que se tornaria a postura ortodoxa por excelência, a resposta registrada nas obras de homens como São Clemente de Alexandria, São Basílio e São João Damasceno.
Em seu Stromateis, São Clemente ensina que a exortação do Apóstolo aplica-se somente aos casos em que a pessoa abandona as coisas espirituais para abraçar as coisas do mundo, ou seja, quando ela abandona a verdade altíssima do Cristo para abraçar a verdade parcial da cultura secular, pois “a filosofia é extremamente rudimentar se comparada ao Cristianismo, e serve tão-somente de treino preparatório para a verdade”. (Stromateis, VI, 7).
É bem verdade que os estudos da poesia, da história, da arte e da ficção são “extremamente rudimentares”. Não são estudos espirituais. Mas nós, inseridos na realidade do mundo moderno, precisamos demais desses rudimentos; precisamos não apenas de vida espiritual, mas de humanidade pura e simples. O Apóstolo exorta-nos a não confundirmos a vida inferior da alma com a vida superior do espírito, e pede para que não abandonemos a plenitude do Cristo para abraçarmos a vacuidade do mundo. Porém, notem que ele não pede para ignorarmos o desenvolvimento da alma.
São Clemente não foi o único que percebeu a necessidade e a utilidade de coisas tão “mundanas” como a poesia. São Basílio, em seu “Discurso aos jovens sobre o uso correto da literatura grega”, demonstra claramente a relevância da cultura secular para a vida espiritual:
"Devemos depositar nossas esperanças nas coisas transcendentes; preparem-se para a vida eterna fazendo aquilo que nós fazemos. As Escrituras apontam para a vida eterna; elas ensinam com palavras divinas. Porém, na medida em que nossa imaturidade nos impede de entender seus [das Escrituras] pensamentos profundos, exercitemos nossas percepções espirituais com obras seculares, as quais não são completamente distintas [das Escrituras] e nas quais percebemos a verdade como em sombras e espelhos... Conseqüentemente, devemos conversar com os poetas, com os historiadores, com os oradores, em verdade, com todos os homens que possam auxiliar a salvação de nossas almas... [Devemos] preservar os recursos, sem deixar de revirar nenhuma pedra...de onde devemos extrair toda ajuda... A virtude é o único e verdadeiro tesouro, o tesouro que permanece conosco na vida e na morte, [e] já que temos de alcançar a vida futura mediante a virtude, nossa atenção deve apegar-se aos trechos das obras dos poetas, dos historiadores e especialmente dos filósofos nos quais a virtude é enaltecida, [pois] aqueles que foram instruídos nos exemplos pagãos não considerarão impraticáveis os preceitos cristãos... Portanto, nós devemos agir com sabedoria e extrair dos livros pagãos tudo aquilo que é benéfico e aliado da verdade, e ignorar o resto".
Similarmente, São João Damasceno, na Exposição da Fé Ortodoxa, exorta aos cristãos ortodoxos que têm “sede de conhecimento” a “deleitarem-se” nas Escrituras, “pois [elas] contêm a graça que jamais se exaure. Porém, se somos capazes de lucrar com outras fontes, então isto não nos será proibido. Sejamos, pois, bons banqueiros: coletemos o ouro puro e genuíno e rejeitemos o que é espúrio. Aceitemos as boas doutrinas, mas atiremos aos cães os deuses ridículos e as fábulas insanas, pois daquelas extrairemos grande força contra estas”. (Iv. 17)
Adotando, pois, esta postura, a Igreja batizou a cultura pagã; os dejetos foram expurgados e o restante foi elevado. Essa cultura batizada era precisamente a cultura ocidental. Por onde a Igreja passou na Europa, ela sempre adotou esta mesma postura. Na Irlanda ou na Gália, na Bretanha ou na Espanha, a Igreja preservou tudo o que era bom e verdadeiro nas artes e na literatura popular, na natureza e na sociedade. A cultura pagã da Europa pré-cristã encontrou no Cristo a realização para suas mais sublimes aspirações, e foi assim que a Europa floresceu.
Por conseguinte, gerações de homens e mulheres desenvolveram suas mais profundas aspirações construindo, cantando, criando e vivendo. Eles regozijaram-se em Deus, nas maravilhas de Suas obras e de Seu mundo, e o legado que nos deixaram manifestam essa alegria. Eles criaram uma época cujas maravilhas e belezas estão praticamente esquecidas, onde a poesia corria solta no sangue e a castidade não era vergonhosa, mas corajosa, onde o escárnio e a superficialidade não eram sinais de fortaleza e as lágrimas não eram sinônimo de fraqueza, um mundo gentil e cortês, honrado e preciso, nobre e íntegro.
Este era o nosso mundo. A imundície da publicidade e das novelas nem sempre fez parte do mundo. Houve um tempo em que o júbilo, a nobreza e a alegria faziam parte do mundo ocidental. Se formos incapazes de enxergar esses aspectos, então jamais conheceremos a nós mesmos. Se não enxergarmos a objetividade bela e cristalina da mente medieval -- por exemplo, a visão profunda e humilde que tinham do cosmo como um grande baile real --, e tivermos olhos tão-somente para as provas de Anselmo e para a auto-exaltação papal, daremos a demonstração mais cabal possível do entorpecimento de nossos corações. O homem medieval contemplava o céu noturno e chorava, sentindo-se enclausurado nas duplas trevas da separação física e moral de Deus. Mas ele também acreditava que as estrelas eram buracos no chão do céu: aqueles pontos de luz vinham de um mundo onde o dia era perpétuo e onde todas as coisas dançavam jubilando-se pela criação e brilhando na luz imutável de Deus.
O homem medieval valorizava a hierarquia porque, para ele, a hierarquia era uma lembrança de Deus. O mundo inteiro era como que um desvelamento incessante, uma alegoria intrincada da majestade e do amor de Deus. Ele exultava-se em júbilo na obediência e caminhava temeroso na humildade da autoridade, porque ambas eram imagens de profundas realidade espirituais. Ele alegrava-se pelas cores e pela beleza do mundo físico, porque elas eram prenúncios dos esplendores ainda maiores do Reino de Deus.
Ele poderia empenhar sua vida inteira na construção de uma catedral, e jamais se esquecer da transiência do mundo temporal. A literatura, a didática, a moral, tudo o fazia lembrar da beleza da virtude e da nobreza e da brevidade da vida. A poesia entoava o esplendor do mundo criado e o temor de Deus. A sociedade lhe ensinava a sentir a realidade e a proximidade do reino espiritual de maneira quase tão intensa quanto o mundo físico. As igrejas – resplandecentes, delicadas, formosas – elevavam a alma e o espírito a grandes alturas.
O ímpeto apostólico impulsionou este mundo por quase mil anos. O alimento fornecido por mil anos de Ortodoxia formaram a base espiritual sobre a qual cresceram tudo o que há de melhor na arte e na cultura ocidentais. Esse ímpeto permaneceu praticamente intacto até o Iluminismo, mas foi intensamente corroído durante a Era Romântica e, por fim, ruiu inteiramente em nossa época. O que de melhor foi feito, foi feito neste espírito e vem deste mundo. A comunidade de sentimentos e intenções que marcam os melhores escritores, artistas e músicos vem desta fonte. A despeito das mudanças sociais, políticas e religiosas, Shakespeare e Dickens, Bach e Mozart, Donne e Hugo compartilham deste mundo, e é para este mundo que os cristãos ortodoxos devem se voltar a fim de moldarem suas almas. Há lições que temos de aprender com o passado antes que possamos alimentar esperanças quanto ao futuro.
Os Padres recomendavam o estudo das artes e letras pagãs como instrumentos para treinar a alma. Nós, que temos a nosso dispor os produtos da cultura ocidental fundados no Cristianismo, não apenas não devemos temer o uso destes produtos, mas não temos desculpas para ignorá-los. Pensar que tudo o que é ocidental é ipso factosuspeito revela uma profunda insegurança, um legalismo mais rígido do que qualquer seita, um escolasticismo mais árido do que qualquer summa.
Temos de recuperar os sentimentos e sensibilidades que outrora fizeram parte de todos os povos civilizados. As obras de arte, a literatura e a música pré-modernas portam valores essenciais para nós. Elas podem nos ensinar coisas que nada do que se produz hoje poderia nos ensinar: o que é nobreza, o que é virtude, o que é honra, o que é pureza, o que são sacrifício e lealdade, o que é digno e o que não é. Poesia, música, arte, ficção: nada disso é alimento espiritual, mas tudo isso é leite e pão de que precisamos a fim de ganharmos força para vivermos da carne do espírito.
A visão, o som e a sensação do sublime são coisas que perdemos. Para recuperá-las, devemos retornar a um tempo onde a moral nebulosa e arenosa ainda não havia dominado o mundo: um tempo onde a visão do homem ainda era suficientemente clara e sua alma suficientemente apurada. Se não dominarmos os planaltos da alma, dificilmente conseguiremos alcançar os píncaros do espírito. Embrutecidos pelo zunido e pela cacofonia moral do mundo, os corações permanecem frios e as consciências entorpecidas. Estamos insensíveis à piedade, à honra, à nobreza, à pureza, porque quase nunca as vemos. Até mesmo pela beleza não somos mais movidos, uma vez que já nem mais sabemos o que é beleza. Assim como a maioria dos termos de valor, “beleza” tornou-se uma palavra vazia, sem conteúdo, desprovida de sentido absoluto. Hoje em dia, beleza é aquilo que nós gostamos, ou o que quer que nos digam que é bonito. A arte passou a ser aquilo que decidimos que é arte. Já não podemos mais dizer que um monte de calotas enferrujadas e canos retorcidos não é “arte” da mesma maneira que Rembrandt é “arte”.
A apreciação artística tornou-se algo inteiramente pessoal apenas recentemente. A beleza, assim como os demais aspectos da arte, era outrora um aspecto da Verdade absoluta, que era Deus. Portanto, uma coisa era bela proporcionalmente à fidelidade com que refletia alguma parte da imagem e da verdade de Deus. Ora, como o coneito de Verdade está totalmente perdido, não mais somos capazes de expressas o conceito verdadeiro de Beleza, e nutrimo-nos de mediocridade, feiúra, de anti-beleza, anti-heroísmo, anti-arte, daquilo que zomba Deus e o homem.
Temos de reaprender o que é beleza. Temos de aprender a sermos arrebatados pelo furor de uma fuga, a sermos enebriados pela loucura de Lear, a sermos consumidos pela sanidade de Quixote. Temos de ser renovados pela saúde e caridade de Dickens, iluminados pela clareza e pela percepção de Hugo, fortalecidos pela gravidade sóbria e pela esperteza oblíqua de Johnson, tocados pelo fogo de Donne, tranquilizados pela flora primaveril de Chaucer.
Temos de sentir de novo a dor da saudade, a alegria amarga de quase tocar, mas nunca apreender, de quase ouvir, mas nunca compreender Aquele cuja Beleza torna a arte bela. Em seu sentido mais profundo e verdadeiro, é exatamente isto o que a arte faz: precisamos dela precisamente porque ela nunca sacia. Ela sempre estimula a sede, ela sempre nos lembra da fome que nunca é saciada. Ela nos leva aos pontos mais altos da experiência humana, para depois nos deixar com saudades não sabemos exatamente do quê. Neste ponto, o espírito estará pronto para prosseguir, para encontrar seu verdadeiro lar em Deus. A alma inculta, informe, não sentirá a verdadeira profundeza e dor da saudade, nem saberá como remediá-la. Se quisermos sentir fome e sede suficientes para buscar a Deus com diligência e comprometimento, temos de moldar a alma com cuidado e persistência.
E temos de moldar as almas de nossos filhos. A criança que nasce e cresce nos dias de hoje encontra-se em desvantagem ainda maior do que seus pais. Sem o esforço e a preocupação constantes, os pais não conseguirão evitar que seus filhos cresçam aleijados de alma e atrofiados de espírito. É importante que os adultos lutem pela elevação e pela pureza de suas almas; ainda mais urgente é instilar o idealismo, a agilidade espiritual, a simplicidade e a amabilidade nas almas das crianças. As crianças que são criadas em meio à boa música, boa leitura e boa arte desenvolverão a genuinidade instintiva, a acuidade do ouvido espiritual, as quais serão valiosíssimas para suas vidas. Elas não serão enganadas pela futilidade, e jamais se esquecerão das imagens de pureza, cavalheirismo, integridade e beleza que ganharam quando leram e ouviram aquilo que de melhor o coração e a mente humana puderam produzir. Quando suas almas forem bem formadas, elas serão capazes de resistir às muitas ilusões e divertimentos tolos que os aguardam pelo mundo afora.
Se quisermos servir a Deus de todo o coração e mente e alma, temos de garantir que nossas almas sejam verdadeiras e retas, que sejam bem treinadas para pelo menos reconhecer a nobreza e a integridade, mesmo que a debilidade da carne impeça que as pratiquemos. Portanto, é o ensinamento ortodoxo das necessidades da alma que demonstra a utilidade espiritual da cultura e da literatura.

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FONTE:

St. Xenia Skete, The Orthodox Word, Vol. 19, nº 1 e 2, 1983, St. Herman of Alaska Brotherhood, Platina, CA, EUA.

Extraído de: «The Intellectual Life» e https://www.ecclesia.com.br/biblioteca/fe_crista_ortodoxa/literatura-cultura-e-a-alma-ocidental.html e http://avidaintelectual.blogspot.com.br/2010/06/literatura-cultura-e-alma-ocidental.html

16 de ago de 2017

ORAÇÃO DE UM BRASILEIRO





SENHOR,

TENHA PIEDADE DE MIM

QUE PODERIA TER ESTUDADO MAIS

TENHA PIEDADE DE MIM

DEVERIA NA JUVENTUDE TER PODIDO CONHECER MAIS MEU PAÍS

TENHA PIEDADE DE MIM

DEVERIA TER PROCURADO CONHECER AS FALSAS LIDERANÇAS DO MEU PAÍS

TENHA PIEDADE DE MIM

DEVERIA TER DENUNCIADO TODOS AQUELES QUE IMPEDIRAM SORDIDAMENTE NOSSO DESENVOLVIMENTO EM TODAS AS ÁREAS.

TENHA PIEDADE DE MIM


DEVERIA TER TRABALHADO INCANSAVELMENTE CONTRA TODOS OS TRAIDORES DESSA NAÇÃO

TENHA PIEDADE DE MIM

DEVERIA TER ME DEDICADO MAIS EM DIVULGAR PARA O POVO A REALIDADE DO MEU PAÍS

TENHA PIEDADE DE MIM

DEVERIA PRECOCEMENTE TER CRIADO UMA RESISTÊNCIA POLÍTICA PATRIÓTICA CONTRA O ESBULHO DA NAÇÃO

TENHA PIEDADE DE MIM

DEVERIA TER TRABALHADO PARA ESPURGAR OS ALIENÍGENAS DE NOSSA NAÇÃO

TENHA PIEDADE DE MIM

JAMAIS DEVERIA DAR ESPAÇO AOS TRAIDORES DA PÁTRIA

TENHA PIEDADE DE MIM

DEVERIA TER CONHECIMENTO E DENUNCIADO HÁ MUITO MAIS TEMPO OS MÉTODOS DE DOMINAÇÃO DO NOSSO POVO E QUEM OS PRATICOU E PRATICA.

TENHA PIEDADE DE MIM

DEVERIA TER DENUNCIADO OS SETORES DAS IGREJAS, SOCIEDADE E MEIOS DE COMUNICAÇÃO COVARDES QUE PRATICARAM E PRATICAM O CONHECIMENTO NEGADO AO POVO.

PERDÃO SENHOR ,

TENHA PIEDADE DE MIM

ME AJUDE A FAZER COM COMPETÊNCIA TUDO O QUE DEIXEI DE FAZER E AFASTE OS ÍMPIOS E TRAIDORES DO MEU CAMINHO, PARA QUE UM DIA MEUS FILHOS E NETOS TENHAM A HONRA DE DIZER QUE SÃO BRASILEIROS.



DR. RONALDO D. FONTES, MÉDICO.



15 de ago de 2017

Quaresma de São Miguel



Já fizemos várias postagens sobre a quaresma de São Miguel nos anos anteriores. Recomendamos que vejam aqui neste link: http://www.missaocefas.org/search?q=quaresma+de+s%C3%A3o+miguel

A Quaresma de São Miguel Arcanjo tem 40 dias e pode ser rezada durante todo o ano, porém é de costume rezá-la de forma especial do dia 15 de agosto, até o dia 29 de setembro participando da Santa Missa na Festa de São Miguel.

Nesta postagem vou republicar as orações e fazer uma proposta.

PROPOSTA

Além das orações comuns de sempre, gostaria de propor para a quaresma deste ano a leitura diária de um texto para reflexão e meditação. E o texto que vou propor é a leitura da vida de São Padre Pio. Lembremos que Padre Pio conversava diariamente com os anjos, inclusive São Miguel. A origem da quaresma é franciscana, a mesma congregação de Padre Pio, criada por São Francisco de Assis. Então, ao meditar a vida do Padre Pio, suas experiências místicas, sofrimento e milagres, estaremos dentro do mesmo carisma.

Então sugiro a oração do dia e a meditação de um trecho da vida do Padre Pio que estamos publicando diariamente no blog: https://gospepio.blogspot.com.br/

Vou criar no blog lá uma página para facilitar o acesso às orações da quaresma.


ORAÇÕES

A primeira coisa a fazer e não encarar a Quaresma como uma oração supersticiosa, mas como uma poderosa oração de libertação, sobretudo dos pecados e vícios. Antes de começar a Quaresma, analise os propósitos que estão te levando a fazer esta Quaresma, e possível, ao longo dela busque a confissão.

1. O Altar - Na Quaresma de São Miguel Arcanjo, costuma-se fazer um pequeno altar ou oratório com a imagem de Arcanjo (pode ser uma foto também) e se possível no momento da oração acenda uma vela (que simboliza a luz de Cristo). (NÃO É OBRIGATÓRIO).

2. Jejuns e penitências - Durante o período desta oração (40 dias), é indicado que cada pessoa faça uma penitência (abster-se de algo de comer, do cigarro, da bebida, ou até da televisão) e buscar o jejum ao menos às sextas-feiras, dia que a Igreja aconselha a prática.



SÃO MIGUEL ARCANJO

São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate, sede nosso refúgio contra a maldade e as ciladas do demônio. Ordene-lhe Deus, instantemente o pedimos, e vós príncipe da milícia celeste, pelo Divino Poder, precipitai no inferno a Satanás e a todos os espíritos malignos, que andam pelo mundo para perder as almas. Amém.


Sobre esta oração:
Depois de receber em 1884 uma visão terrível de forças diabólicas prestes a serem soltas na Terra, o Papa Leão XIII escreveu de próprio punho a oração a São Miguel, ordenando que ela fosse recitada logo em seguida a todas as Missas rezadas no rito latino. A oração ao Arcanjo tornou-se parte das chamadas "orações leoninas", as quais foram deixadas de lado pela reforma litúrgica da década de 1960. Em 1994, porém, o Papa São João Paulo II fez notar a ausência dessa oração e pediu que ela fosse novamente recitada pelos fiéis: "Ainda que hoje essa oração não seja mais recitada ao término da celebração eucarística, convido todos a não esquecê-la, mas a recitá-la para obter a ajuda na batalha contra as forças das trevas e contra o espírito deste mundo."






AUGUSTA RAINHA DOS CÉUS

Augusta Rainha dos céus, soberana mestra dos Anjos, 
Vós que, desde o princípio, recebestes de Deus 
o poder e a missão de esmagar a cabeça de Satanás, 
Nós vo-lo pedimos humildemente, 
Enviai vossas legiões celestes para que, 
sob vossas ordens, e por vosso poder, 
Elas persigam os demônios, combatendo-os por toda a parte, 
Reprimindo-lhes a insolência, e lançando-os no abismo. 
Quem é como Deus? 
Ó Mãe de bondade e ternura, 
Vós sereis sempre o nosso Amor e a nossa esperança. 
Ó Mãe Divina, 
Enviai os Santos Anjos para nos defenderem, 
E repeli para longe de nós o cruel inimigo. 
Santos Anjos e Arcanjos, 
Defendei-nos e guardai-nos. Amém.


Sobre esta oração:
No dia 13 de Janeiro de 1864, o Bem-aventurado Padre Luís-Eduardo Cestac foi subitamente atingido por um raio da luz divina. Ele viu demônios espalhados por toda a terra, causando uma imensa confusão. Ao mesmo tempo, ele teve uma visão da Virgem Maria. Nossa Senhora lhe revelou que realmente o poder dos demônios fora desencadeado em todo o mundo e que então, mais do que nunca, era necessário rezar à Rainha dos Anjos e pedir a ela que enviasse as legiões dos santos anjos para combater e derrotar os poderes do inferno.
“Minha Mãe", disse o padre, “vós sois tão bondosa, por que então não enviais por vós mesma estes anjos, sem que ninguém vos peça?"
Não", respondeu a Santíssima Virgem, “a oração é uma condição estabelecida pelo próprio Deus para a obter esta graça."
“Então, Mãe santíssima – disse o sacerdote – ensinai-me como quereis que se vos peça!"
Foi então que o Bem-aventurado Luís-Eduardo Cestac recebeu a oração “Augusta Rainha dos céus". “Meu primeiro dever – disse ele – era apresentar esta oração a Monsenhor La Croix, bispo de Bayonne, que se dignou a aprová-la. Cumprido este dever, fiz imprimir 500.000 cópias, e providenciei que fossem distribuídas em todos os lugares. (...) Não devemos esquecer que, da primeira vez que as imprimimos, a máquina impressora chegou a quebrar duas vezes".
Esta oração foi indulgenciada pelo Papa São Pio X no dia 8 de julho de 1908. Recomenda-se que seja aprendida de cor.


LADAINHA À SÃO MIGUEL ARCANJO

Senhor, tende piedade de nós; 
Jesus Cristo, tende piedade de nós; 
Senhor, tende piedade de nós. 
Jesus Cristo, ouvi-nos; 
Jesus Cristo, atendei-nos.
Pai Celeste, que sois Deus, tende piedade de nós; 
Filho, Redentor do Mundo, que sois Deus, tende piedade de nós; 
Espírito Santo, que sois Deus, tende piedade de nós; 
Trindade Santa, que sois um único Deus, tende piedade de nós.

Santa Maria, Rainha dos Anjos, rogai por nós.
São Miguel, rogai por nós; 
São Miguel, cheio da graça de Deus, rogai por nós.
São Miguel, perfeito adorador do Verbo Divino, rogai por nós.
São Miguel, coroado de honra e de glória, rogai por nós.
São Miguel, poderosíssimo príncipe dos exércitos do Senhor, rogai por nós.
São Miguel, porta-estandarte da Santíssima Trindade, rogai por nós.
São Miguel, guardião do Paraíso, rogai por nós.
São Miguel, guia e consolador do povo israelita, rogai por nós.
São Miguel, esplendor e fortaleza da Igreja militante, rogai por nós.
São Miguel, honra e alegria da Igreja triunfante, rogai por nós.
São Miguel, luz dos anjos, rogai por nós; 
São Miguel, baluarte dos cristãos, rogai por nós.
São Miguel, força daqueles que combatem pelo estandarte da cruz, rogai por nós.
São Miguel, luz e confiança das almas no último momento da vida, rogai por nós.
São Miguel, socorro muito certo, rogai por nós.
São Miguel, nosso auxílio em todas as adversidades, rogai por nós.
São Miguel, arauto da sentença eterna, rogai por nós.
São Miguel, consolador das almas que estão no Purgatório, rogai por nós.
São Miguel, a quem o Senhor incumbiu de receber as almas que estão no Purgatório, rogai por nós.
São Miguel, nosso príncipe, rogai por nós; São Miguel, nosso advogado, rogai por nós.

Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, atendei-nos, Senhor; 
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, ouvi-nos, Senhor; 
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós.
Rogai por nós, ó glorioso São Miguel, príncipe da Igreja de Cristo, para que sejamos dignos de Suas promessas.

Oração: Senhor Jesus, santificai-nos, por uma bênção sempre nova e concedei-nos, pela intercessão de São Miguel, esta sabedoria que nos ensina a ajuntar riquezas do céu e a trocar os bens do tempo pelos da eternidade. Vós que viveis e reinais em todos os séculos dos séculos.





"Despojemo-nos das ações das trevas e vistamos as armas da Luz" Rm 13,12
CEFAS, oriundo do nome de São Pedro apóstolo, significa também um Acróstico: Comunhão para Evangelização, Formação e Anúncio do Senhor. É um humilde projeto de evangelização através da internet, buscando levar formação católica doutrinal e espiritual.