16 de nov de 2017

HMC8 - O #BARROCO



Irmãos, mais um capítulo da "Nova História da Música", uma pequena introdução ao Barroco:

"Acreditamos saber, depois de tantas discussões, o que é barroco; também na música. Os teóricos da música do século XVII confirmam nossos conceitos ou preconceitos. (...)

... Pensando nas artes plásticas e na literatura do Barroco, podemos esperar da sua música as mais ricas complexidades polifônicas e a expressão de uma religiosidade mística. Mas então, os fatos nos decepcionam totalmente. O gênero musical dominante do século XVII não tem nada que ver com religiosidade mística: é a ópera. E em vez das complicações polifônicas, espera-nos o canto do solista, a homofonia, a ária. O gênio com que, na música, abre o século é o operista homofônico Monteverde.

O espetáculo é desconcertante. O século XVII é, nas artes plásticas, o de Bernini e Rembrandt, El Greco e Vermeer, Velazquez e Caravaggio; é, na literatura, o de Cervantes e Shakespeare, Donne e Molière, Calderón e Racine. Mas na música, o século XVII só produziu algumas poucas obras-primas de experimentadores geniais como Monteverde, Schuetz e Purcell. Os resultados definitivos— a música de Alessandro e Domenico Scarlatti, de Vivaldi, Bach e Handel—pertencem ao século XVIII; e não se parecem com os inícios.

Evidentemente, o problema do Barroco na música é diferente do mesmo problema nas outras artes. Será melhor adiar a discussão das teorias para examinar, antes, os fatos.


AS ORIGENS DA ÓPERA E DO BAIXO CONTÍNUO

Arte Clássica—Arte Barroca: eis os dois conceitos contraditórios a cujo antagonismo o grande Heinrich Woelfflin subordinou toda a história das artes plásticas. Parecem irreconciliáveis, na retrospectiva. Rafaelo e Bernini são polos opostos, para a crítica moderna. Aos contemporâneos, a diferença não parecia menor, mas antes gradual do que essencial. Os clássicos e os barrocos, estes e aqueles acreditavam ter feito o melhor para ressuscitar a arte grega antiga; e a um crítico do século XVII não se afigurava paradoxal a ideia de que Bernini não passava de um Rafaelo mais “intenso” e de maiores recursos técnicos. A Renascença, pensavam, não tivesse atingido completamente o grande objetivo de ressuscitar as artes da Antiguidade; o estilo barroco não foi sentido como viravolta revolucionária, mas como progresso.

Quanto mais se estudavam os testemunhos literários da Antiguidade, tanto mais se fortaleceu a opinião de que os gregos, na poesia e no teatro, tinham empregado os recursos da palavra e do canto, juntamente, para dar expressão aos sentimentos. Mas a música da Renascença não estava em condições de realizar esse ideal. Pois só admitia, na música sacra e no madrigal, o canto a capela, polifônico, de várias vozes contrapontisticamente combinadas.

E pode-se imaginar o papel de Orestes ou o de Electra, personagens de tragédia, cantado por um pequeno coro misto? Essa impossibilidade foi demonstrada por Orazio Vecchi (1550-1605), polifonista erudito que contribuiu com a maior eficiência para destruir o ideal da polifonia vocal. Na sua peça Anfiparnasso commedia harmônica, os atores no palco fazem apenas os gestos; seus papéis são cantados, nos bastidores, por coros de 4 e 5 vozes. O efeito é irresistivelmente cômico. A obra teria sido deliberadamente parodística? Em todo caso, mostrou indiretamente o caminho para o canto homófono, individual. O Anfiparnasso, escrito em 1594, ano da morte de Orlandus Lassus e de Palestrina, foi publicado em 1597. No mesmo ano de 1597 recitou-se em Florença a primeira ópera.

As origens da ópera florentina são literárias. Em torno do mecenas Bardi reuniu-se um grupo de eruditos e literatos, entre eles Vincenzo Galilei, o pai do astrônomo, para estudar os motivos do fracasso, dos poetas trágicos italianos do século XVI em imitar a tragédia grega. Tinham sido muitos os equívocos com respeito à arte de Sófocles e Eurípides. Sobretudo, os poetas italianos não tinham prestado atenção ao fato bem testemunhado de que os papéis, na tragédia antiga, foram ditos numa espécie de "recitativo”, de "parlando”, isto é, declamação que se aproxima do canto. Para conseguir o verdadeiro efeito trágico—assim se pensava em Florença—seria necessário juntar aos versos a música. A ópera nasceu, portanto, de um equívoco filológico. Pois nada no mundo se parece menos com uma tragédia de Sófocles ou de Eurípides do que uma ópera de Monteverde ou de Alessandro Scarlatti.

Os primeiros libretos foram escritos pelo poeta Ottavio Rinuccini: Dafne (1597) e Euridice (1600); a música escreveu-a o maestro Jacopo Peri (1561-1633). Outra música para a mesma Euridice foi escrita em -1600 pelo cantor Giulio Caccini (1550-1618), autor de um volume de Nuove Musiche, isto é, canções novas porque para uma voz só: um verdadeiro revolucionário.

Entre a música de Peri e a de Caccini há diferenças evidentes: aquele declama o texto; este enfeita-o de melodias. O princípio é, porém, o mesmo: o canto é “homófono” (“monódico”). É a vitória do indivíduo sobre o coro; é o individualismo na música.

Mas aos ouvidos acostumados à polifonia a capela e aos acordes vocais soava a voz individual como insuficiente, como que precisando de um complemento. Devia acompanhá-la um instrumento, com preferência um instrumento de teclas, um dos precursores do nosso piano, porque nestes instrumentos se podem tocar acordes, substituindo uma multidão polifônica inteira. Mas não houve intenção nenhuma de desviar a atenção, do cantor para o instrumentalista. Este último limitou-se a fornecer a "harmonia”, completando continuamente os sons cantados, tocando acordes mais em baixo: é o baixo continuo.

O novo gênero institui a soberania do cantor: é ele, o indivíduo, que está no centro, em vez do coro. Parece-se com o monarca absoluto, esse outro personagem central do Barroco, podendo dizer: "La musique c’est moi.” Em seu torno gira a corte toda de arquitetos e maquinistas de que se precisa para encenar o espetáculo.

Os instrumentalistas que tocam o “baixo-contínuo”, representam o povo, ficando na sombra, mas apoiando o edifício que cairia sem seu trabalho incessante. Contudo, o instrumentalista também guarda certa liberdade. O baixo continuo não foi completamente escrito pelos compositores: os acordes foram apenas notados em espécie de linguagem cifrada, em números que indicam os intervalos, e que podem ser interpretados de maneiras diferentes. Ao “baixista” ficava larga margem de improvisação.

A esse respeito, também é soberano, assim como o súdito do monarca absoluto guardava, no foro íntimo, a liberdade da consciência. O canto monódico e o baixo-contínuo: eis os elementos da música barroca.



10 de nov de 2017

São Leão Magno, Papa e Doutor da Igreja


Hoje é dia de São Leão Magno, papa e Doutor da Igreja. Publicamos aqui uma novena meditativa em preparação à sua festa que você pode acessar aqui: , , , , , , , e dia.

Abaixo trago a audiência do Papa Bento XVI nos falando sobre este grande santo.


PAPA BENTO XVI
AUDIÊNCIA GERAL
Sala Paulo VI
Quarta-feira, 5 de Março de 2008

São Leão Magno
Queridos irmãos e irmãs!
Prosseguindo o nosso caminho entre os Padres da Igreja, verdadeiros astros que brilham de longe, no nosso encontro de hoje falamos sobre a figura de um Papa, que em 1754 foi proclamado por Bento XIV Doutor da Igreja: trata-se de São Leão Magno. Como indica o apelativo que depressa lhe fora atribuído pela tradição, ele foi verdadeiramente um dos maiores Pontífices que honraram a Sede romana, contribuindo muitíssimo para fortalecer a sua autoridade e prestígio. Primeiro Bispo de Roma com o nome de Leão, adoptado depois por outros doze Sumos Pontífices, é também o primeiro Papa do qual chegou até nós a pregação, por ele dirigida ao povo que o circundava durante as celebrações. É espontâneo pensar nele também no contexto das actuais audiências gerais de quarta-feira, encontros que nos últimos decénios se tornaram para o Bispo de Roma uma forma habitual de encontro com os fiéis e com muitos peregrinos provenientes de tantas partes do mundo.
Leão era originário da Túscia. Tornou-se diácono da Igreja de Roma por volta do ano 430, e com o tempo adquiriu nela uma posição de grande realce. Este papel de relevo levou em 440 Gala Placídia, que naquele momento regia o Império do Ocidente, a enviá-lo para a Gália a fim de resolver uma situação difícil. Mas no Verão daquele ano o Papa Sisto III cujo nome está ligado aos magníficos mosaicos de Santa Maria Maior faleceu, e na sucessão foi eleito precisamente Leão, que recebeu a notícia quando estava a desempenhar a sua missão de paz na Gália. Tendo regressado a Roma, o novo Papa foi consagrado a 29 de Setembro de 440. Tinha assim início o seu pontificado, que durou mais de 21 anos, e que foi sem dúvida um dos mais importantes na história da Igreja. Quando faleceu, a 10 de Novembro de 461, o Papa foi sepultado junto do túmulo de São Pedro. As suas relíquias estão conservadas ainda hoje num dos altares da Basílica Vaticana.
Os tempos nos quais viveu o Papa Leão eram muito difíceis: o repetir-se das invasões barbáricas, o progressivo enfraquecimento no Ocidente da autoridade imperial e uma longa crise social tinham imposto que o Bispo de Roma como teria acontecido com evidência ainda maior um século e meio mais tarde, durante o pontificado de Gregório Magno assumisse um papel de relevo também nas vicissitudes civis e políticas. Isto não deixou, obviamente, de aumentar a importância e o prestígio da Sé romana. Permaneceu célebre sobretudo um episódio da vida de Leão. Ele remonta a 452, quando o Papa em Mântua, juntamente com uma delegação romana, encontrou Átila, chefe dos Unos, e o dissuadiu de prosseguir a guerra de invasão com a qual já tinha devastado as regiões norte-orientais da Itália. E assim salvou o resto da Península. Este importante acontecimento tornou-se depressa memorável, e permanece como um sinal emblemático da acção de paz desempenhada pelo Pontífice. Infelizmente não foi de igual modo positivo, três anos mais tarde, o êxito de outra iniciativa papal, contudo sinal de uma coragem que ainda nos faz admirar: de facto, na Primavera de 455 Leão não conseguiu impedir que os Vândalos de Genserico, tendo chegado às portas de Roma, invadissem a cidade indefesa, que foi saqueada durante duas semanas. Contudo o gesto do Papa que, inerme e circundado pelo seu clero, foi ao encontro do invasor para implorar que se detivesse impediu pelo menos que Roma fosse incendiada e obteve que do terrível saque fossem poupadas as Basílicas de São Pedro, de São Paulo e de São João, nas quais se refugiou uma parte da população aterrorizada.
Conhecemos bem a acção do Papa Leão, graças aos belíssimos sermões deles estão conservados quase cem num latim maravilhoso e claro e graças às suas cartas, cerca de cento e cinquenta. Nestes textos o Pontífice manifesta-se em toda a sua grandeza, dirigido ao serviço da verdade na caridade, através de uma prática assídua da palavra, que o mostra ao mesmo tempo teólogo e pastor. Leão Magno, constantemente solícito pelos seus fiéis e pelo povo de Roma, mas também pela comunhão entre as diversas Igrejas e pelas suas necessidades, foi defensor e promotor incansável da primazia romana, propondo-se como herdeiro autêntico do apóstolo Pedro: disto se mostram bem conscientes os numerosos Bispos, em grande parte orientais, reunidos no Concílio de Calcedónia.
Tendo sido realizado em 451, com os trezentos e cinquenta Bispos que nele participaram, este Concílio foi a mais importante assembleia até então celebrada na história da Igreja. Calcedónia representa a meta certa da cristologia dos três Concílios ecuménicos precedentes: o de Niceia de 325, o de Constantinopla de 381 e o de Éfeso de 431. Já no século VI estes quatro Concílios, que resumem a fé da Igreja antiga, foram de facto comparados com os quatro Evangelhos: é quanto afirma Gregório Magno numa famosa carta (I, 24), na qual declara "acolher e venerar, como os quatro livros do Santo Evangelho, os quatro Concílios", porque sobre eles explica ainda Gregório "como sobre uma pedra quadrada se eleva a estrutura da santa fé". O Concílio de Calcedónia ao recusar a heresia de Eutiques, que negava a verdadeira natureza humana do Filho de Deus afirmou a união na sua única Pessoa, sem confusão e sem separação, das duas naturezas humana e divina.
Esta fé em Jesus Cristo verdadeiro Deus e verdadeiro homem era confirmada pelo Papa num importante texto doutrinal dirigido ao Bispo de Constantinopla, o chamado Tomo a Flaviano, que, lido em Calcedónia, foi recebido pelos Bispos presentes com uma eloquente aclamação, da qual é conservada notícia nas actas do Concílio: "Pedro falou pela boca de Leão", prorromperam em uníssono os Padres conciliares. Sobretudo desta intervenção, e de outras feitas durante a controvérsia cristológica daqueles anos, sobressai com evidência como o Papa sentia com particular urgência as responsabilidades do Sucessor de Pedro, cujo papel é único na Igreja, porque "a um só apóstolo está confiado o que a todos os apóstolos é comunicado", como afirma Leão num dos seus sermões para a festa dos santos Pedro e Paulo (83, 2). E o Pontífice soube exercer estas responsabilidades, no Ocidente e no Oriente, intervindo em diversas circunstâncias com prudência, firmeza e lucidez através dos seus escritos e mediante os seus legados. Mostrava deste modo como a prática da primazia romana fosse necessária então, como também hoje, para servir eficazmente a comunhão, característica da única Igreja de Cristo.
Consciente do momento histórico no qual vivia e da transformação que se estava a verificar num período de profunda crise da Roma pagã para a cristã Leão Magno soube estar próximo do povo e dos fiéis com a acção pastoral e com a pregação. Incentivou a caridade numa Roma provada pelas carestias, pela afluência dos prófugos, pelas injustiças e pela pobreza. Contrastou as superstições pagãs e a acção dos grupos maniqueus. Relacionou a liturgia com a vida quotidiana dos cristãos: por exemplo, unindo a prática do jejum com a caridade e com a esmola sobretudo por ocasião das Quatro têmporas, que marcam no decorrer do ano a mudança das estações. Em particular Leão Magno ensinou aos seus fiéis e ainda hoje as suas palavras são válidas para nós que a liturgia cristã não é a recordação de acontecimentos do passado, mas a actualização de realidades invisíveis que agem na vida de cada um. É quanto ele ressalta num sermão (64, 1-2) a propósito da Páscoa, que deve ser celebrada em todos os tempos do ano "não tanto como algo do passado, mas como um acontecimento do presente". Tudo isto se insere num projecto determinado, insiste o santo Pontífice: de facto, como o Criador animou com o seu sopro da vida racional o homem plasmado com o pó da terra, depois do pecado original, enviou o seu Filho ao mundo para restituir ao homem a dignidade perdida e destruir o domínio do diabo com a vida nova da graça.
Eis o mistério cristológico para o qual São Leão Magno, com a sua carta ao Concílio de Éfeso, deu uma contribuição eficaz e essencial, confirmando para todos os tempos através desse Concílio quanto disse São Pedro em Cesareia de Filipe. Com Pedro e como Pedro confessou: "Tu és Cristo, o Filho do Deus vivo". E por isso Deus e Homem juntos, "não alheio ao género humano, mas contrário ao pecado" (cf. Serm. 64). Em virtude desta fé cristológica ele foi um grande portador de paz e de amor. Mostra-nos assim o caminho: na fé aprendemos a caridade. Aprendemos portanto com São Leão Magno a crer em Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, e a realizar esta fé todos os dias na acção pela paz e no amor ao próximo.



9 de nov de 2017

9º Dia - NOVENA MEDITATIVA A SÃO LEÃO MAGNO






10 Ensinamentos de São Leão Magno


Este santo mostrou-se digno de receber o título de “Magno”, que significa Grande, isto porque é considerado um dos maiores Papas da história da Igreja, grande no trabalho e na santidade.

Ele nos deixou riquíssimos ensinamentos. Aproveitemos o dia de hoje, em que a Igreja celebra sua memória litúrgica, para conhecer alguns desses ensinamentos e meditá-los:

1-“Ele se fez filho do homem para que pudéssemos ser filhos de Deus”.

2-“Se somos o templo de Deus e o Espírito Santo habita em nós (1Cor 3,16), cada fiel guarda em sua alma mais do que tudo que se admira no firmamento”.

3-“A verdadeira paz consiste em não se afastar da vontade de Deus e só se comprazer naquilo que Deus ama”.

4-“Há muitos que, aferrados às suas ideias e mais prontos para ensinar do que para aprender o que ainda não compreenderam, naufragaram na fé (1Tm 1,19)”.

5-“Que não vos detenham as coisas deste mundo, pois os bens do céu vos esperam”.

6-“A prática da sabedoria cristã não consiste em profusão de palavras, nem em sutileza de raciocínios ou na ambição dos louvores e glória, mas na humildade sincera e voluntária que o Senhor Jesus Cristo, desde o seio de sua mãe até o suplício da cruz, escolheu e apontou como a plenitude da força (Mt 18,1-4)”.

7-“Cristo ama a infância que ele assumiu de início em sua alma como em seu corpo. Cristo ama a infância, mestra da humildade, norma de inocência, modelo de mansidão”.

8-“São grandes os méritos e a eficácia das esmolas. Sem dúvida, beneficiamos a nossa própria alma cada vez que socorremos por misericórdia a indigência alheia”.

9-“Deposita no céu o seu tesouro quem alimenta a Cristo no pobre”.

10-“Não seja um homem desprezível a seu semelhante, nem se menospreze aquela natureza que o Criador de todas as coisas fez sua”.



(Felipe Aquino)

8 de nov de 2017

8º Dia - NOVENA MEDITATIVA A SÃO LEÃO MAGNO

O encontro assombroso entre São Leão Magno e Átila, o famigerado líder dos hunos


A região europeia dos Bálcãs, bem próxima da Itália, estava sendo invadida e saqueada pelos hunos, um povo bárbaro, extremamente violento, liderado por Átila. Para se ter uma ideia de quem era Átila, seu apelido era “a Praga de Deus” ou “o Flagelo de Deus“. Uma das suas frases mais célebres é:

“Onde eu passar, a grama não crescerá novamente”.

Eram desse nível os guerreiros que se dirigiram ao norte da Itália para saquear Milão no ano de 452. O imperador Valentiniano III achou por bem fugir para Roma…

Diante das circunstâncias, o povo romano e o próprio imperador pediram que o papa, São Leão Magno, fosse pessoalmente ao encontro dos bárbaros nas proximidades de Mântua.

E o papa foi mesmo.

Acompanhado de clérigos e paramentado com as vestes pontifícias, o Santo Padre pediu aos hunos que não invadissem Roma e retornassem aos Alpes. Qual era a chance de que alguém como Átila atendesse a tal pedido de um líder religioso no qual ele nem acreditava?

Pois Átila obedeceu.

De acordo com Próspero da Aquitânia, Átila teve, durante o encontro com o papa Leão, uma visão de ninguém menos que São Pedro e São Paulo brandindo espadas – visão esta que consta no Breviário Romano.

A pintura do grande artista italiano Rafael Sanzio retrata o momento:


Depois desse milagre, São Leão Magno pediu que o povo orasse em agradecimento, mas os romanos logo se entregaram novamente às suas frivolidades e vícios. Não muito tempo depois, outro povo bárbaro, o dos vândalos, chegou a Roma sob o comando de Genserico.

E lá foi São Leão novamente ao encontro deles…

O papa lhes pediu para que não houvesse saques e que a vida do povo fosse respeitada. Os vândalos obedeceram só à metade do pedido: durante quinze dias, saquearam Roma, mas nenhum cidadão foi morto. Depois disto, São Leão reconstruiu a cidade e proferiu tristemente as seguintes palavras sobre a imoralidade do povo:

“Meu coração está cheio de tristeza e invadido por um grande temor, porque há grande perigo quando os homens são ingratos a Deus, quando se esquecem de suas mercês e não se arrependem depois do castigo, nem se alegram com o perdão”.

Afinal, se o povo não colabora, o papa sozinho não pode resolver tudo.

São Leão fez a sua parte. Além de cuidar dos cidadãos em Roma, ele também enviou missionários para interceder pelos prisioneiros dos vândalos no norte da África, entre outros muitos gestos pastorais.

São Leão Magno morreu em 10 de novembro do ano de 461, deixando uma rica coleção de cartas, sermões e escritos graças aos quais ele foi reconhecido, no século XVIII, como Doutor da Igreja.

Uma de suas grandes lições, seguida por papas como São João Paulo II, Bento XVI e Francisco, é a de ir ao encontro dos inimigos com as armas da palavra e da fé na Cruz de Cristo – o sinal no qual venceremos.

Texto de Aleteia.

7 de nov de 2017

7º Dia - NOVENA MEDITATIVA A SÃO LEÃO MAGNO



Sermões de São Leão Magno sobre a divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo – parte 2


Texto extraído do livro "Sermões" de São Leão Magno da Editora Paulus.


(...) Desce, portanto, do reino celeste às íntimas regiões deste mundo Jesus Cristo, Filho de Deus, sem se afastar da glória paterna, gerado em ordem nova, em novo nascimento. Nova ordem, porque invisível no que lhe é próprio, fez-se visível no que é nosso; incompreensível quis ser apreendido; sendo antes dos tempos, começou a existir no tempo. O Senhor do universo assumiu a condição de servo, velando a imensidão de sua majestade. Dignou-se o Deus impassível tornar-se homem passível e o imortal submeter-se às leis da morte.

Vem à luz por novo nascimento, porque a virgindade inviolada, que ignorava a concupiscência, ministrou-lhe a matéria corporal.

Recebeu o Senhor de sua mãe a natureza, mas isenta de culpa. A natureza humana de nosso Senhor Jesus Cristo, nascido do seio da virgem, não difere da nossa por ter tido ele admirável natividade.

Sendo verdadeiro Deus, é também verdadeiro homem. Nesta unidade não há mentira, pois mutuamente se coadunam humildade humana e grandeza divina.

Como Deus não se altera por tal misericórdia, o homem não desaparece, absorvido pela dignidade divina. Age cada uma das naturezas em consonância com a outra, quando a ação é peculiar a uma delas. O Verbo opera o que lhe é próprio, e a carne executa o que lhe compete. Uma resplandece pelos milagres, enquanto a outra é sujeita aos opróbrios. Como não se aparta o Verbo da igualdade da glória paterna, a carne não perde a natureza do gênero humano. Um e o mesmo, convém repeti-lo, é verdadeiramente Filho de Deus e verdadeiramente filho do homem.
Deus, porque no princípio era o Verbo e o Verbo estava junto de Deus, e o Verbo era Deus (Jo 1,1). Homem, porque o Verbo fez-se carne e habitou entre nós (ib. 1,14).

Deus, porque todas as coisas foram feitas por meio dele, e sem ele, coisa alguma foi feita de quanto existe (ib. 1,3). Homem porque nascido de mulher, nascido sob a lei (Gl 4,4).

O nascimento carnal é manifestação da natureza humana; o parto da Virgem, indício do poder divino.

A humilhação do presépio denota a infância do menino (Lc 2,7); as vozes dos anjos declaram a grandeza do Altíssimo (Lc 2,13).

Assemelha-se aos homens em seus primeiros dias aquele que Herodes tenta impiamente matar (Mt 2,16). Mas, é Senhor de todos, aquele que, suplicantes, os magos alegram-se de adorar.
Quando procurou o batismo de João, seu precursor (Mt 3,13), para ser patente que o véu da carne encobria a divindade, veio do céu a voz do Pai que dizia: Este é o meu Filho amado, no qual ponho as minhas complacências (Mt 3,17).

Enquanto a astúcia do diabo tenta-o, como se fosse apenas homem, serve-o o exército dos anjos, como sendo Deus (Mt 4,1; 11).

Ter fome, ter sede, estar cansado e dormir evidentemente é humano. Mas, saciar com cinco pães cinco mil homens (Jo 6,12) e dar à samaritana a água viva (Jo 4,10), que não deixa mais ter sede quem a beber, andar sobre as ondas do mar a pé enxuto (Mt 14,25) e acalmar o furor dos vagalhões, falando imperiosamenre à tempestade (Lc 8,24) é indubitavelmente divino. Omitindo muitos fatos, digamos apenas: não é próprio de uma só e mesma natureza chorar por comiseração o amigo morto (Jo 11,35) e após a remoção da pedra do sepulcro de um defunto de quatro dias, despertá-lo redivivo, somente emitindo uma ordem (ib. 43); ou pender do lenho e transformar o dia em noite, fazendo tremer todos os elementos; ou ser transpassado pelos cravos e abrir as portas do paraíso ao ladrão por causa de sua fé (Lc 23,43).

Do mesmo modo não provém da mesma natureza dizer: “Eu e o Pai somos uma só coisa” (Jo 10,30) e afirmar: “O Pai é maior do que eu” (Jo 14,28). Embora seja nosso Jesus Cristo uma só Pessoa, Deus e homem, difere contudo a proveniência para as duas naturezas do opróbrio comum a ambas e da glória comum. Pelo que recebeu de nós, a humanidade, ele é menor do que o Pai; do Pai lhe vem a igualdade com o Pai, a divindade.

5. Por causa desta unidade de pessoa em duas natu-rezas lemos ter o Filho do homem descido do céu, quando o Filho de Deus, da Virgem da qual nasceu, assumiu um corpo. E novamente diz-se que o Filho de Deus foi crucificado e sepultado, ao sofrer tudo isso, não na própria divindade, pela qual o Unigênito é co-eterno e consubstancial ao Pai, mas na fraqueza da natureza humana.
Todos nós, confessamos, por isso, no Símbolo, que o Unigênito Filho de Deus foi crucificado e sepultado, segundo o dito do Apóstolo: “Se, de fato, tivessem conhecido, não teriam ao certo crucificado o Senhor da glória” (1Cor 2,8).

O próprio nosso Senhor e Salvador, querendo esclarecer a fé dos discípulos, por meio de suas interrogações, interpelou-os: “Quem dizem os homens que é o Filho do homem?” E como eles referissem as várias opiniões dos outros: “E vós”, perguntou-lhes, “quem dizeis que eu sou?” (Mt 16,13-15). Quem dizeis que eu sou, eu, o Filho do homem, que vedes na condição de servo e na realidade da carne? São Pedro, divinamente inspirado, numa confissão benéfica para todos os povos, disse: “Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo” (Mt 16,16). Foi digno, então, de ser chamado bem-aventurado pelo Senhor. Recebeu da pedra principal a virtude e o nome aquele que por revelação do Pai confessou identificar-se o Filho de Deus e Cristo. Aceitar um sem o outro não aproveita para a salvação. Igual perigo seria crer que o Senhor Jesus Cristo é Deus só sem ser homem, ou apenas homem e não Deus.

Qual a finalidade do prazo de quarenta dias após a ressurreição do Senhor (de seu verdadeiro corpo, porque ressuscitou aquele mesmo que fora crucificado e morto), a não ser libertar a integridade de nossa fé de qualquer obscuridade?

Conversou com seus discípulos, esteve na mesma casa e comeu com eles (At 1,4). Permitiu que o tocassem com diligência e curiosidade os que estavam ansiosos pela dúvida. Entrava com as portas fechadas onde estavam os discípulos; com seu sopro comunicava-lhes o Espírito Santo (Jo 20,22) e dando as luzes do entendimento, revelava os segredos das Sagradas Escrituras. E ainda mostrava a chaga do lado, as perfurações dos cravos e todos os sinais da paixão recente, dizendo: “Vêde as minhas mãos e os meus pés, sou eu mesmo; apalpai-me e observai que um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho” (Lc 24,39). Assim, reconheceriam os discípulos que nele as propriedades da natureza divina e humana permaneciam intatas, e saberíamos nós que Verbo e carne não se identificaram e que o único Filho de Deus é Verbo e carne.

(...) “Todo o espírito que confessa a Jesus Cristo encarnado, vem de Deus, e todo o espírito que não confessa a Jesus não vem de Deus. Tal é o fato do anticristo” (1Jo 4,2-3).

(...) Ouça o bem-aventurado apóstolo Pedro pregar que a santificação do Espírito se faz pela aspersão do sangue de Cristo, e não leia superficialmente as palavras do mesmo apóstolo: “Sabendo que não fostes resgatados dos vossos costumes fúteis, herdados dos vossos antepassados, a preço de coisas corruptíveis, como a prata e o ouro, mas pelo sangue precioso de Cristo, como de um cordeiro sem defeito e sem mancha” (1Pd 1,18).

Não resista também ao testemunho do apóstolo são João que diz: “O sangue de Jesus Cristo, seu Filho, purifica-nos de todo o pecado” (1Jo 1,7). E ainda: “Esta é a arma invicta que vence o mundo: a nossa fé” (1Jo 1,7). “E quem é que vence o mundo senão quem crê que Jesus é o Filho de Deus? Este é que veio por água e sangue: Jesus Cristo; não só na água, mas na água e no sangue; e é o Espírito que dá testemunho, porque o Espírito é a verdade. Três são os que dão testemunho: o Espírito, a água e o sangue, e os três são unânimes” (1Jo 5,4-8). Isto é, o Espírito de santificação e o sangue da redenção e a água do batismo. Os três são uma só coisa, e permanecem indivisíveis, sem nenhuma separação, desta sua conexão.

A Igreja católica vive de tal fé e nela progride: Não há em Cristo Jesus humanidade sem verdadeira divindade, nem divindade sem verdadeira humanidade.




6 de nov de 2017

6º Dia - NOVENA MEDITATIVA A SÃO LEÃO MAGNO



Sermões de São Leão Magno sobre a divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo – parte 1


Texto extraído do livro "Sermões" de São Leão Magno da Editora Paulus.


(...) Creio em Deus Pai todo poderoso e em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor, concebido pelo poder do Espírito Santo e nascido da Virgem Maria.
Estes três artigos destroem as invenções de quase todos os hereges.

Quem crê em Deus, onipotente e Pai, demonstra ser o Filho sempiterno como ele, em nada diferente do Pai, porque Deus de Deus, onipotente do onipotente, nasceu coeterno do eterno. Não é posterior no tempo, nem inferior em poder, nem desigual em glória, nem separado quanto à essência.

O mesmo sempiterno Filho unigênito de um sempiterno Genitor nasceu pelo poder do Espírito Santo e de Maria Virgem. Tal nascimento temporal em nada diminuiu sua eterna e divina natividade, nada lhe acrescentou.

Entregou-se totalmente em prol da redenção do homem que fora seduzido, a fim de vencer a morte e destroçar por sua própria virtude o diabo que possuía o império da morte. Não poderíamos vencer o pecado e o autor da morte a não ser que assumisse nossa natureza e a fizesse sua, aquele a quem o pecado não pôde contaminar, nem a morte reter.
Visto que foi concebido por virtude do Espírito Santo no seio da Virgem Mãe, esta o deu à luz conservando intata a virgindade, como seu detrimento da virgindade o concebera.

(...) “Eis a virgem que concebe e dá à luz um filho ao qual dará o nome de Emanuel, que quer dizer ‘Deus conosco’ (Is 7,14; Mt 1,23). Com fé teria lido as palavras do mesmo profeta: “Eis nasceu-nos um menino, um filho nos foi dado, sobre cujos ombros está o principado e cujo nome é: Admirável conselheiro, Deus forte, Pai perpétuo, Príncipe da paz” (Is 7,5). Não proferiria palavras vãs afirmando que o Verbo se fez carne de sorte que Cristo nascido do seio da Virgem tivesse a condição externa de homem, mas não a verdadeira carne da mãe. Acaso julgou que nosso Senhor Jesus Cristo não era de nossa natureza porque o anjo enviado à bem-aventurada sempre Virgem Maria disse: “virá sobre ti o Espírito Santo e a potência do Altíssimo te recobrirá, e por isso também o santo que há de nascer será chamado Filho de Deus” (Lc 1,35).

Assim a concepção da Virgem teria sido obra divina, mas a carne concebida não era da natureza de quem a concebeu.

Mas, essa geração singularmente maravilhosa e maravilhosamente singular não deve ser entendida como se, por uma nova espécie de criação, fossem supressas as qualidades do gênero humano.

O Espírito Santo deu fecundidade à Virgem, no entanto, a constituição do corpo originou-se do corpo (virginal). Ao “construir a Sabedoria sua casa para si” (Pr 9,1), o “Verbo fez-se carne e habitou entre nós” (Jo 1,14), isto é, no corpo assumido de uma carne humana ao qual animou com o sopro de vida racional.




5 de nov de 2017

O CORDÃO DE SÃO JOSÉ




Repasso este excelente texto que encontrei na internet.


ORIGEM, FINALIDADE, MODO DE USAR E BENEFÍCIOS


A devoção ao Cordão de São José teve a sua origem na cidade de Anvers, na Bélgica, em 1659, em conseqüência de uma cura milagrosa feita pelo uso deste precioso cinto. Nessa época vivia lá uma freira agostiniana de grande piedade, chamada Irmã Elizabeth, que vinha sofrendo há três anos com lancinantes dores ocasionadas por uma enfermidade cruel (mal das pedras - cálculo renal). Ela chegou a tal estágio que os médicos, não vendo nenhuma possibilidade de reverter o quadro, declararam sua morte como inevitável e iminente. Irmã Elizabeth se voltou para o Céu e tendo sempre sido particularmente dedicada a São José, ela pediu-lhe sua intercessão junto a Nosso Senhor por sua recuperação. Ela tinha um cordão abençoado por um Sacerdote em honra do santo e cingiu-se com ele. Alguns dias depois (10 de junho de 1659), quando rezava diante da imagem de São José, ela sentiu-se subitamente livre da dor. Aqueles que estavam familiarizados com a doença declararam sua recuperação milagrosa. Um ato de autenticidade foi elaborado por um notário público, e o médico, que era um protestante, concordou. O milagre foi registrado e publicado em Verona, na Igreja de São Nicolau, por ocasião dos piedosos exercícios do mês de São Paulo, e Roma, entre 1810-42. Durante o mês de março de 1842, a devoção ao Cordão veio a se tornar conhecida, causando grande repercussão e muitas pessoas enfermas cingiram-se com o cordão bento e experimentaram o valioso auxílio do Glorioso Patriarca, o Santíssimo José.

O uso do Cordão de São José foi crescendo cada vez mais e, hoje, ele é procurado não só para alívio das enfermidades corporais, mas, também, e com igual sucesso, para os perigos da alma. Devemos, também, salientar que, o Cordão de São José é utilizado como uma arma poderosa, contra o demônio da impureza.

Em 14 de janeiro de 1859, o Bispo de Verona peticionou junto à Sagrada Congregação dos Ritos, a qual, em 19 de setembro seguinte, aprovou a fórmula da Bênção do Cordão de São José. Devido à sua comprovada eficácia contra os males corporais, espirituais e morais, a Santa Sé autorizou a Devoção do Cordão de São José, permitindo que fosse usado privada e solenemente. Permitiu, também, a Santa Sé a fundação (1865) da Confraria e Arquiconfraria do Cordão de São José, em Verona, elevando uma delas à categoria de PRIMÁRIA. Outras confrarias nasceram depois na Itália e na Europa. O Papa Pio IX enriqueceu esta fácil e benéfica devoção, com várias indulgências plenárias e parciais, que veremos a seguir.


GRAÇAS ASSOCIADAS AO USO DO CORDÃO

Preciosas graças para a devoção dos servos de São José estão ligadas ao uso de este cordão. Eles são:
1. Proteção especial de São José;
2. Pureza da alma;
3. A graça da castidade;
4. Perseverança final;
5. Assistência especial na hora da morte.



NATUREZA DO CORDÃO DE SÃO JOSÉ E FORMA DE USÁ-LO


O Cordão de São José deve ser de linho ou algodão. A pureza e a alvura desses materiais nos hão de indicar a candura e a virginal pureza de São José, castíssimo esposo da Virgem Maria, Mãe de Deus. Numa das extremidades, o Cordão tem sete nós, que representam as sete tristezas e as sete alegrias do Glorioso São José. Ele é usado como um cinto para indicar a pureza ou castidade e humildade e ao redor dos ombros para indicar a obediência.

Deve ser abençoado por um padre com as faculdades para esta bênção. Pio IX aprovou uma fórmula especial para a bênção do Cordão de São José [Veja no Ritual Romano, infelizmente não temos um aqui].

QUANDO VOCÊ RECEBE SEU CORDÃO, SERÁ UM CORDÃO LONGO, COM UM NÓ EM CADA EXTREMIDADE. DE UM LADO, VOCÊ DEVE FAZER 6 NÓS, PARA ADICIONÁ-LOS AO QUE JÁ ESTÁ LÁ. ESTA É A PARTE DO CORDÃO QUE PENDE LIVRE DEPOIS DE AMARRAR NA CINTURA OU NO OMBRO.

O Cordão de São José, desde que esteja bento, também pode ser usado das seguintes formas: Usá-lo cingido à cintura sob a roupa ou nos ombros (o cordão maior), no pulso (o cordão menor) ou tê-lo bem guardado para ser usado por ocasião de dores e sofrimentos físicos, aplicando-o com fé na parte enferma do corpo, como costumamos fazer com medalhas do Senhor Jesus e de Nossa Senhora, rezando, então, a São José, sete vezes o Glória ao Pai. Pode, também, ser usado no carro, nos livros escolares, na carteira de documentos, na carteira de motorista, no travesseiro etc. Pode, também, ser colocado na cabeceira do doente e no pulso. O Cordão de São José pode e deve ser usado pelas gestantes que o levarão cingido à cintura, protegendo-as do perigo de aborto, nos partos difíceis etc, como comprovam centenas de fatos.

As pessoas que usarem, habitualmente, o Cordão de São José terão a graça da boa morte. Aqueles que o trouxerem, constantemente, consigo, terão proteção, especialmente, na guarda e na defesa da sublime virtude da castidade, em qualquer de seus três graus e categorias.



INDULGÊNCIAS

CONDIÇÕES PARA A AQUISIÇÃO AS INDULGÊNCIAS

1. Seja verdadeiramente contrito, confessar-se e comungar no dia de investidura ou quando for usá-lo pela primeira vez.
2. Se possível, visitar a Igreja da Associação ou um outro oratório, se não; e rezar pela paz entre os príncipes cristãos ou governantes, pela extirpação das heresias, pela exaltação da Santa Madre Igreja.
3. Deve ser filiado à Igreja de San Rocco, em Roma. [não sei como se faz isso.]

Todas as indulgências são aplicáveis às Santas Almas.



DIAS NOS QUAIS SE LUCRAM INDULGÊNCIAS PLENÁRIAS TRAZENDO CONSIGO O CORDÃO


No dia do recebimento do Cordão;
No dia da entrada na Associação;
No Natal (25/12);
Na festa de Nossa Senhora Mãe de Deus e Circuncisão (01/01);
Na festa de Reis (06/01);
No dia da Festa dos Esponsais da Virgem e São José (23/01)
Na Festa de São José (19/03) e em um dos sete dias que imediatamente se seguem ;
Na festa de São José Operário (01/05);
Nas festas da Páscoa, da Ascensão, de Pentecostes e na festa de Corpus Christi;
Na festa do Patrocínio de São José (3 º domingo depois da Páscoa); Na Festa do Sagrado Coração de Jesus;
Na festa do Imaculado Coração de Maria (22/08);
Na Festa da Assunção de Nossa Senhora (15/08);
Em perigo de morte;
Na hora da morte de membros da Associação que são verdadeiramente penitente, tenham confessado seus pecados e recebido o Sagrado Viático, ou não sendo capaz de fazê-lo, tendo invocado pela boca ou no coração, o Nome de Jesus.


ORAÇÕES ASSOCIADAS AO USO DO CORDÃO

Deve-se rezar diariamente sete Glórias ao Pai em honra das sete dores e das sete alegrias de São José, junto com a seguinte oração, que é a ORAÇÃO PARA A PUREZA:

Ó Guarda das Virgens, Pai São José, a cuja fiel proteção foram confiados Jesus Cristo, a própria Inocência, e Maria, Virgem das Virgens, em nome de Jesus e de Maria, esse duplo depósito que tão caro vos foi, vos rogo e suplico que me conserveis isento(a) de toda a impureza, para que, com espíritoe coração puro e corpo casto, sempre sirva fielmente a Jesus e a Maria. Amém.


SOMOS TAMBÉM INCENTIVADOS A MEDITAR SOBRE AS SETE DORES E SETE ALEGRIAS, ACRESCENTANDO UM PAI NOSSO, AVE MARIA, E GLÓRIA APÓS CADA MEDITAÇÃO:

1) Ó Esposo puríssimo de Maria Santíssima, glorioso São José, assim, como foi grande a amargura de vosso coração na perplexidade de abandonardes a vossa castíssima Esposa, assim foi indizível a vossa alegria quando pelo Anjo vos foi revelado o soberano mistério da Encarnação.
Por esta tristeza e por esta alegria, vos pedimos a graça de consolardes agora e nas extremas dores, a nossa alma, com a alegria de uma vida justa e de uma santa morte, semelhante à vossa, assistidos por Jesus e por Maria.
Pai Nosso, Ave Maria e Glória.

2) Ó felicíssimo Patriarca, glorioso São José, que fostes escolhido para ser o Pai adotivo do Verbo emanado, a tristeza que sentistes ao ver nascer em tanta pobreza o Deus menino, se vos mudou em júbilo celeste ao ouvirdes a Angélica harmonia e ao contemplardes a glória daquela brilhantíssima noite.
Por esta tristeza e por esta alegria, vos suplicamos a graça de nos alcançardes que, depois da jornada desta vida, passemos a ouvir os angélicos louvores e a gozar os resplendores de glória celeste.
Pai Nosso, Ave Maria e Glória.

3) Ó obedientíssimo executor das divinas Leis, glorioso São José, o sangue preciosíssimo que na Circuncisão derramou o Redentor-Menino vos transpassou o coração, mas o nome de Jesus vo-lo reanimou, enchendo-o de contentamento.
Por esta tristeza e por esta alegria, alcançai-nos viver sem pecado, a fim de expirar cheios de júbilo com o nome de Jesus no coração e na boca.
Pai Nosso, Ave Maria e Glória.

4) Ó fidelíssimo Santo, que tivestes parte nos mistérios de nossa Redenção, glorioso São José, se a profecia de Simeão a respeito do que Jesus e Maria teriam de padecer, vos causou mortal angústia, também vos encheu de suma alegria pela salvação e gloriosa ressurreição que, igualmente, predisse teria de resultar para inumeráveis almas.
Por esta tristeza e por esta alegria, obtende-nos que sejamos do número daqueles que, pelos méritos de Jesus e pela intercessão da SS. Virgem, sua Mãe, têm de ressuscitar gloriosamente.
Pai Nosso, Ave Maria, Glória.

5) Ó vigilantíssimo custódio, íntimo familiar do Filho de Deus encarnado, glorioso São José, quanto sofrestes para alimentar e servir o Filho do Altíssimo, particularmente na fuga com Ele para o Egito. Mas, qual não foi também vossa alegria o por terdes sempre convosco o mesmo Deus e por verdes cair por terra os ídolos egípcios.
Por esta tristeza e por esta alegria, alcançai-nos que, afastando para longe de nós o infernal tirano, especialmente, com a fuga das ocasiões perigosas, sejam extirpados do nosso coração todos os idílios de afetos terrenos e que, inteiramente dedicados ao serviço de Jesus e de Maria, para eles somente vivamos e, na alegria do seu amor, expiremos.
Pai Nosso, Ave Maria e Glória.

6) Ó anjo da terra, glorioso São José, que cheio de pasmo vistes o Rei do Céu submisso a vossos mandados, se a vossa consolação, ao reconduzi-lo do Egito, foi turbada pelo temor de Arquelau, contudo, sossegado pelo Anjo, permanecestes alegre em Nazaré com Jesus e Maria.
Por esta tristeza e por esta alegria, alcançai-nos a graça de desterrar do nosso coração todo temor nocivo, de gozar a paz da consciência, de viver seguros com Jesus e Maria e também de morrer assistidos por eles.
Pai Nosso, Ave Maria, Glória.

7) Ó exemplar de toda santidade, glorioso São José, que perdeste, sem culpa vossa, o Menino Jesus, e com grande angústia houvestes de procurá-lo por três dias até que, com sumo júbilo, gozastes do que era vossa vida, achando-o no Templo entre os doutores.
Por esta tristeza e por esta alegria, vos suplicamos, com o coração nos lábios, que interponhais o vosso valimento para que nunca se suceda perder a Jesus por culpa grave; mas, se por desgraça o perdermos, com tão grande dor o procuremos que o achemos favorável, especialmente em nossa morte, para passarmos a gozá-la no céu e lá cantarmos convosco suas divinas misericórdias.
Pai Nosso, Ave Maria e Glória.

Rogai por nós, Santíssimo José. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo. Oremos: Ó Deus, que por Vossa inefável Providência Vos dignastes escolher o bem-aventurado São José para Esposo de Nossa Mãe Santíssima, concedei-nos que aquele mesmo que na terra veneramos como protetor, mereçamos tê-lo no céu por nosso intercessor. Vós que viveis e reinais por todos os séculos dos séculos. Assim seja.


 
CORDÕES DE DEVOÇÃO

Além do Cordão de São José, há outros em honra do Senhor, de Nossa Senhora, De Sçao Francisco de Paula, de São Francisco de Assis, de São Tomás de Aquino etc. Diferentemente do cordão litúrgico, são chamados de cordões de devoção, dos quais o Ritual dá fórmulas de benção.


Fonte:
http://verdadeiraresistencia.blogspot.com.br/2013/09/o-cordao-de-sao-jose.html

5º Dia - NOVENA MEDITATIVA A SÃO LEÃO MAGNO



Sermões de São Leão Magno sobre a importância de combater e denunciar os hereges e heresias.


Texto extraído do livro "Sermões" de São Leão Magno da Editora Paulus.

(...) É prova de grande compromisso desvelar os esconderijos dos ímpios e de combater neles o diabo a quem servem. É preciso, na verdade, caríssimos, que toda a terra e toda a Igreja espalhada em todos os lugares, empunhe contra eles as armas da fé; mas vossa entrega a Deus deve transcender nesta missão...

(...) Não permitamos que fiquem escondidos homens que não crêem na lei deixada por Moisés, através da qual Deus se mostrou autor do universo; eles contradizem os profetas e o Espírito Santo, ousam rejeitar com impiedade condenável os salmos de Davi cantados fervorosamente pela Igreja inteira; negam o nascimento do Cristo Senhor, segundo a carne; dizem que sua paixão e sua ressurreição foram simuladas, não verdadeiras; o batismo, eles o despojam de toda a graça e eficácia, o batismo de regeneração. Para eles, nada é santo, nada íntegro, nada verdadeiro. É preciso evitá-los para que não façam mal a ninguém; é preciso denunciá-los...

(...) Caríssimos, o dever dos médicos competentes e experimentados é prevenir, com remédios, as doenças às quais está exposta a fraqueza humana e indicar os meios de evitar o que prejudica a saúde; do mesmo modo, o nosso ministério pastoral deve velar para que a deturpação da heresia não prejudique o rebanho do Senhor e mostrar como evitar a astúcia dos lobos e ladrões. Com efeito, a impiedade dos hereges nunca pôde ocultar-se tão bem que não fosse descoberta por nossos santos Padres e justamente condenada.

(...) Sobre o espírito ou a intenção que anima a audácia deles não podemos ter nenhuma hesitação: depois que eles se afastaram da verdade do Evangelho e seguiram as mentiras do diabo, eles querem que outros sejam companheiros de sua perdição.

Em nossa solicitude paterna e fraterna, exortamo-vos, pois, a rejeitar todo assentimento e todo acordo de pensamento a esses adversários da fé católica, a esses inimigos da Igreja, a esses negadores da encarnação do Senhor, a esses homens que estão em oposição ao símbolo estabelecido pelos santos apóstolos. Com efeito, diz o Apóstolo: “Quanto ao herege, depois de uma primeira e de uma segunda admoestação, evita-o. Tal homem, tu o sabes, é um desviado e um pecador que se condena a si mesmo”.

(...) Portanto, caríssimos, desses, dos quais estamos falando, fugi como de veneno mortal, execrai-os, desviai-vos deles e se, advertidos por vós, não quiserem corrigir-se, evitar conversar com eles, porque, como está escrito, “a palavra deles é como a gangrena, que corrói”. Àqueles que por um justo julgamento foram rejeitados da unidade da igreja não se deve nenhuma comunhão, comunhão que eles perderam não por ódio nosso, mas por seus crimes.

(...) Poderá haver coisa mais iníqua do que alimentar idéias ímpias e não assentir ao parecer dos mais sábios e doutos? Em tal insipiência caem os que, ao depararem com alguma obscuridade na busca da verdade, não recorrer às palavras dos profetas, nem às escrituras dos apóstolos, nem à autoridade dos Evangelhos, mas a si mesmos. São mestres do erro, porque não quiseram ser discípulos da verdade. Que instrução teve do Novo e do Antigo Testamento quem não compreendeu sequer o início do Símbolo?




4 de nov de 2017

Coleção Patrística


Pessoal, gostaria de recomendar aqui esta fantástica coleção da editora Paulus sobre os escritos dos Santos Padres da Igreja, ou também chamado de Patrística.

SINOPSE
Por volta dos anos 1940, surgiu na Europa, especialmente na França, um movimento de interesse voltado para os antigos escritores cristãos conhecidos como “Padres da Igreja” ou “Santos Padres”. Esse movimento, liderado por Henri de Lubac e Jean Daniélou, deu origem à coleção Sources Chrétiennes, hoje com centenas de títulos. Com o Concílio Vaticano II, ativou-se em toda a Igreja o desejo e a necessidade de renovação da liturgia, exegese, espiritualidade e teologia a partir das “fontes” do cristianismo. No Brasil, em termos de publicação das obras desses autores antigos, pouco se fez. Porém, nunca é tarde ou fora de época para rever as fontes da fé cristã e da doutrina da Igreja, especialmente no senti do de buscar nelas inspiração atuante e transformadora do presente. A Paulus Editora quer oferecer ao público de língua portuguesa – leigos, clérigos, religiosos, estudiosos do cristianismo primevo – uma série de títulos, cuidadosamente traduzidos e preparados, dessa vasta literatura cristã do período patrístico. Cada obra traz uma introdução breve, com dados biográficos do autor e um comentário sucinto dos aspectos literários e do conteúdo da obra, sufi cientes para uma boa compreensão do texto. A preocupação principal da Coleção PATRÍSTICA é possibilitar ao leitor o contato direto com os textos dos “Pais e Mães da Igreja”.

Abaixo está a lista dos livros da coleção:

  • Clemente Romano | Inácio de Antioquia | Policarpo de Esmirna | O pastor de Hermas | Carta de Barnabé | Pápias | Didaqué - Vol.1
  • Carta a Diogneto | Aristides de Atenas | Taciano, o Sírio | Atenágoras de Atenas | Teófilo de Antioquia | Hermias, o filósofo - Vol. 2
  • I e II Apologias | Diálogo com Trifão - Vol. 3
  • Contra as Heresias - Vol. 4
  • Explicação do símbolo (da fé) | Sobre os sacramentos | Sobre os mistérios | Sobre a penitência - Vol. 5
  • Sermões - Vol. 6
  • A Trindade - Vol. 7
  • O Livre-Arbítrio - Vol. 8
  • Comentário aos Salmos (1-50) - Vol. 9/1
  • Comentário aos Salmos (51-100) - Vol. 9/2
  • Comentário aos Salmos (101-150) - Vol. 9/3
  • Confissões - Vol. 10
  • Solilóquios e a vida feliz - Vol. 11
  • A Graça (I) - Vol. 12
  • A Graça (II) - Vol. 13
  • Patrística - Homilia sobre Lucas | Homilias sobre a origem do homem | Tratado sobre o Espírito Santo - Vol. 14
  • História Eclesiástica - Vol. 15
  • Dos Bens do Matrimônio | A Santa Virgindade | Dos bens da viuvez: Cartas a Proba e a Juliana - Vol. 16
  • A doutrina cristã - Vol. 17
  • Contra os pagãos | A encarnação do Verbo | Apologia ao imperador Constâncio | Apologia de sua fuga | Vida e conduta de S. Antão - Vol. 18
  • A verdadeira religião | O cuidado devido aos mortos - Vol. 19
  • Contra Celso - Vol. 20
  • Comentário ao Gênesis - Vol. 21
  • Tratado sobre a Santíssima Trindade - Vol. 22
  • Da incompreensibilidade de Deus | Da providência de Deus | Cartas a Olímpia - Vol. 23
  • Contra os Acadêmicos | A Ordem | A grandeza da Alma | O Mestre - Vol. 24
  • Explicação de algumas proposições da carta aos Romanos | Explicação da carta aos Gálatas | Explicação incoada da carta aos Romanos - Vol. 25
  • Examerão - Vol. 26
  • Comentário às cartas de São Paulo - Vol. 27/1
  • Comentário às cartas de São Paulo - Vol. 27/2
  • Comentário às cartas de São Paulo - Vol. 27/3
  • Regra Pastoral - Vol. 28
  • A criação do homem | A alma e a ressurreição | A grande catequese - Vol. 29
  • Tratado sobre os princípios - Vol. 30
  • Patrística - Apologia contra os livros de Rufino - Vol. 31
  • A fé e o símbolo | Primeira catequese aos não cristãos | A disciplina cristã | A continência - Vol. 32
  • Patrística - Demonstração da pregação apostólica - Vol. 33
  • Homilias sobre o Evangelho de Lucas - Vol. 34
  • Cipriano de Cartago - Obras Completas I - Vol. 35/1
  • Patrística - O Sermão da Montanha e Escritos Sobre a Fé - Vol. 36
  • Patrística - A Trindade, Escritos éticos, Cartas - Vol. 37



Para acessar a página da Paulus para adquirir os livros é só clicar aqui:
http://www.paulus.com.br/loja/patristica_c_113_114.html
Ou aqui:
http://www.paulus.com.br/loja/kit-colecao-patristica-41-volumes_p_4350.html

Abaixo segue um vídeo sobre a coleção:



4º Dia - NOVENA MEDITATIVA A SÃO LEÃO MAGNO



Sermões de São Leão Magno sobre as coletas – parte 2


Texto extraído do livro "Sermões" de São Leão Magno da Editora Paulus.


(...) Na verdade, existe alguma coisa de mais aproveitável para a fé, alguma coisa que convenha melhor à piedade do que ajudar a pobreza dos indigentes, de se preocupar com o cuidado dos doentes, de atender as necessidades dos irmãos e de nos lembrar da nossa própria condição, percebendo as necessidades dos outros? Nesse trabalho aquilo que cada um pode fazer e aquilo que não pode fazer só pode ser verdadeiramente conhecido por aquele que sabe o que doou e a quem. Na realidade, não só temos bens espirituais e dons celestiais porque nos são dados por Deus, como também, as riquezas terrestres e materiais provém de sua própria magnanimidade, de tal modo que, por algum mérito, se poderia perguntar a razão destes bens que ele nos concedeu mais para distribuí-los do que para possuí-los. É preciso, pois, usar esses dons de Deus com justiça e sabedoria, para que a matéria das boas obras não se torne causa de pecado. Com efeito, as riquezas consideradas tanto externamente quanto nelas mesmas, são boas e muito úteis à sociedade humana, desde que estejam em mãos benevolentes e generosas e que não sejam administradas por esbanjador ou por avaro que as dissimule, fazendo-as desaparecer ou escondendo-as de forma que sejam dilapidadas estupidamente.

(...) Embora seja louvável fugir da intemperança e evitar os males que causam desejos vergonhosos, de outra parte muitas grandes personagens não se importam de ocultar os seus recursos, e nadando na fortuna, detestam uma economia vil e sórdida; no entanto, a abundância deles não é feliz, nem digna de aprovação à frugalidade dos outros, se os seus bens servem apenas a eles mesmos; se, por suas riquezas nenhum pobre é socorrido, nenhum doente reconfortado; se pela abundância de suas grandes posses o prisioneiro não experimenta a libertação nem o peregrino o conforto; nem o exilado o auxílio. Desta forma, os ricos são mais miseráveis do que todos os miseráveis. Eles perdem, pois, o retorno que poderiam tornar eterno e, enquanto se entregam à uma alegria passageira e nem sempre livre, não são alimentados por nenhuma justiça nem premiados por nenhuma misericórdia; resplandecentes por fora, são trevas por dentro; ricos em bens temporais, pobres dos bens eternos: tornam, com efeito, sua própria alma faminta e a desonram pela nudez porque eles não conseguiram colocar nada nos tesouros celestes daquilo que guardaram nos celeiros da terra.

Mas pode ser que se encontre algum rico que mesmo não tendo o hábito de socorrer os pobres com a riqueza de seus recursos, observa, no entanto, outros mandamentos de Deus e, dentre os diversos méritos de sua fé e de sua honestidade, acreditam que a falta de uma só virtude lhes será facilmente perdoada. No entanto, esta é tão grande que sem ela todas as outras, até reais, não podem ser úteis. Com efeito, embora alguém possa ser fiel, casto, sóbrio e dotado de outras insígnias mais importantes, se entretanto não for misericordioso, não merece misericórdia: pois, assim fala o Senhor: “Bem-aventurados os misericordiosos porque alcançarão misericórdia” (Mt 5,7). Quando, portanto, vier o filho do homem em sua majestade e sentar-se no trono de sua glória, e todas as nações estiverem reunidas, realizar-se-á a separação dos bons e dos maus, porque os que estiverem à direita serão louvados por seus serviços de amor que Jesus Cristo olhará como feitas a ele mesmo? Pois ele que fez sua a natureza do homem, não se distinguiu em nada da humilde condição humana. Mas, o que ele reprovará aos que estiverem à esquerda senão ter negligenciado o amor, a dureza da humanidade e ter recusado a misericórdia aos pobres? Como se à direita não houvesse outras virtudes e à esquerda não houvesse outras ofensas. Na hora deste grande e supremo julgamento será levada em conta tanto a benignidade daquele que reparte seus bens como a impiedade daquele que é insensível, de modo que será considerada como plenitude de todas as virtudes e a outra a suma de todas as omissões, e assim alguns serão introduzidos no reino por causa de um só bem e outros serão mandados para o fogo eterno por causa deste único mal.

(...) Caríssimos, que ninguém se engrandeça se lhe faltarem obras de caridade; nem esteja seguro da pureza de seu corpo, aquele que não se lavar com as esmolas que purificam. Com efeito, as esmolas apagam os pecados, destroem a morte e extinguem a pena do fogo eterno, mas, aquele que estiver vazio de seus frutos, permanecerá estranho à indulgência do retribuinte, de acordo com o que afirma Salomão: “Quem tapa o ouvido ao clamor do pobre também clamará e não terá resposta” (Pr 21,13). Tobias também, ensinando a seu filho os princípios da piedade, dizia: “Toma de teus bens para dar esmola. Nunca afastes de algum pobre a tua face, e Deus não afastará de ti a sua face” (Tb 4,7). Esta virtude torna proveitosas todas as outras; sua presença vivifica a própria fé, da qual o justo se alimenta e sem as obras é considerada morta; porque da mesma forma que as obras encontram sua razão de ser na fé, a fé demonstra sua força através das obras. Como diz o Apóstolo: “por conseguinte, enquanto temos tempo, pratiquemos o bem para com todos, mas, sobretudo para com os irmãos na fé. Não desanimemos na prática do bem, pois, senão desfalecermos, a seu tempo colheremos” (Gl 6,10.9). Assim, a vida presente é tempo de semeadura e o dia da retribuição, o tempo da colheita, quando cada qual receberá os frutos dos grãos de acordo com a quantidade que tiver semeado. Que ninguém se iluda quanto ao rendimento desta colheita, porque aí serão levadas em conta mais as intenções do que as distribuições; e, será dado pouco por pouco como muito por muito.

E, assim, caríssimos, curvemo-nos às instituições dos apóstolos. Como domingo será o próximo dia de coleta, preparai-vos para uma generosidade voluntária, a fim de que cada um, de acordo com suas possibilidades, participe da sagrada oferenda.

As próprias esmolas e aqueles que serão ajudados por elas implorarão por vós, de modo que possais estar sempre prontos para toda boa obra, em Jesus Cristo, nosso Senhor, que vive e reina pela infinitude dos séculos. Amém.

(...) Com efeito, é o fato de um coração muito duro não se comover por qualquer miséria que seja dos que sofrem, e, aquele que tendo possibilidade de amenizar, não socorre o aflito, é tão injusto quando não socorre o aflito quanto o que oprime o enfermo; que esperança, então pode restar ao pecador se ele não é misericordioso de modo a também ele receber misericórdia?

Caríssimos, eis porque aquele que não é bom para os outros é, antes, mau para si mesmo, prejudicando sua própria alma, não socorrendo a daquele que ele poderia socorrer.

(...) chore com os que choram e junte seus gemidos aos gemidos dos doentes; que ele divida com os pobres suas riquezas; que ele use seu corpo sadio para se inclinar sobre o doente que está possuído pelo mal; separe entre os seus alimentos, uma parte para os famintos e que ele possa aquecer aqueles que tremem de frio. Aquele que, com efeito, ameniza a miséria temporal do sofredor se livra do suplício eterno do pecador.

(...) E, porque “Deus ama aquele que dá com alegria” (2 Cor 9,7), ninguém se obrigue a dar além de sua possibilidade. Que cada um seja juiz equilibrado entre si e os pobres. Que uma comiseração alegre e segura descarte qualquer falta de confiança; e, aquele que ajuda ao indigente compreenda que está dando a Deus a esmola que distribui. Todas as riquezas, cuja medida não é uniforme, podem ter o mesmo valor se, apesar de quantidades diferentes, o amor não for menor. Com efeito, Deus, que não faz diferença entre as pessoas, recebe igualmente o dom do rico e do pobre: ele sabe o que outorgou ou não a cada um: no dia da recompensa não é a medida das riquezas que será julgada, mas a qualidade das intenções. Por Cristo, nosso Senhor.




3 de nov de 2017

3º Dia - NOVENA MEDITATIVA A SÃO LEÃO MAGNO



Sermões de São Leão Magno sobre as coletas – parte 1


Texto extraído do livro "Sermões" de São Leão Magno da Editora Paulus.

“(...) aquele que alimenta o Cristo presente no pobre, constrói seu tesouro no céu. Reconhece, pois, neste fato, a bondade e o favorecimento da ternura divina que desejou te cumular de bens para que, graças a ti, o outro não passe necessidade e pelo serviço de tuas boas obras o indigente não se preocupe demasiado com sua pobreza, e tu próprio sejas libertado dos teus múltiplos pecados. Ó admirável providência e bondade do Criador que, com uma só ação, quis socorrer a um e a outro.

(...) Exorto-vos e advirto vossa santidade para que cada um de vós se lembre dos pobres e de vós mesmos e que, na medida de vossas possibilidades, reconheçais o Cristo nos indigentes; ele, com efeito, nos recomendou de tal modo os pobres que declarou ser vestido, acolhido, alimentado neles. Ele, o Cristo, nosso Senhor, que vive e reina com o Pai e o Espírito Santo, pelos séculos dos séculos.

(...) qualquer culpa contraída durante a permanência terrestre é apagada pelas esmolas. Com efeito, as esmolas são obras de caridade e sabemos que “a caridade cobre uma multidão de pecados” (1Pd 4,8).

(...) , a generosidade dos fiéis não é medida pelo peso do dom, mas pela intensidade da boa vontade. Que os pobres também tenham ganho neste intercâmbio de misericórdia e, que eles, sem serem prejudicados, escolham do pouco que possuem alguma coisa que possam dar aos indigentes. Que o rico seja mais generoso em sua oferta, sem que o pobre se sinta inferior em sua disposição. Na verdade, embora se espere maior rendimento de uma semente maior, pode resultar também de semeadura fraca numerosos frutos da justiça. Com efeito, nosso juíz é justo e veraz: não priva ninguém da recompensa devida aos méritos. Assim, ele quer que nós cuidemos dos pobres, a fim de que, no exame da retribuição final, o Cristo nosso Deus outorgue a misericórdia prometida aos misericordiosos. Ele que vive e reina com o Pai e o Espírito Santo, pelos séculos dos séculos. Amém.

(...) Caríssimos, por causa das artimanhas do antigo inimigo, a bondade inefável de Cristo quis que soubéssemos como será o julgamento da humanidade inteira, no dia da retribuição, de modo que, oferecendo no tempo presente os remédios legítimos, não recusando oferecer a reparação aos que caíram, permitindo-lhes, àqueles que há muito eram estéreis, pudessem finalmente tornar-se fecundos, ele decide desta forma prevenir o exame decretado por sua justiça, não permitindo jamais que a imagem do julgamento divino se afaste dos olhos do coração. Com efeito, o Senhor virá na glória de sua majestade, como ele mesmo predisse, e, uma multidão incontável de legiões angélicas o acompanhará, radiante de esplendor. Os povos de todas as nações serão reunidos diante do trono de seu poder e todos os homens nascidos ao longo dos séculos sobre a face da terra se prostrarão na presença do juíz. Os justos serão separados dos injustos; os inocentes, dos culpados; os filhos da misericórdia receberão o reino preparado para eles, apuradas as suas boas obras, enquanto será recriminada aos injustos a dureza de sua esterilidade; e os da esquerda, nada tendo a ver com os da direita, serão enviados, pela condenação do juíz todo-poderoso, ao fogo preparado para os tormentos do diabo e de seus anjos: eles serão associados à pena daquele de quem escolheram fazer a vontade. Portanto, quem não temeria participar destes tormentos eternos? Quem não teria medo dos males que jamais terminarão?

Mas, a severidade uma vez anunciada para que se procure a misericórdia, compete a nós, nos dias atuais, exercer esta misericórdia com generosidade para que cada um, retomando a prática das boas obras, depois de perigosa negligência, torne possível libertar-se desta sentença. Com efeito, é pelo poder do juíz, pela graça do Salvador que o ímpio abandona seus caminhos e que o pecador se afasta do hábito da sua maldade. Que sejam misericordiosos com os pobres aqueles que querem para si o perdão de Cristo. Que estejam prontos para alimentar os pobres, aqueles que desejam chegar à sociedade dos bem-aventurados. Que o homem não seja vil perante outro homem, nem em algum deles seja desprezada aquela natureza que o Criador fez sua. A qual dos necessitados é permitido negar aquilo que Cristo afirma que é dado a ele mesmo? Ajuda-se o companheiro de trabalho e é o Senhor quem diz obrigado. O alimento dado ao pobre é o preço do reino dos céus e aquele que distribuir os bens temporais, torna-se herdeiro dos eternos.

(...) o peso das obras é obtido pela balança da caridade e que quando o homem ama aquilo que agrada a Deus merece ser elevado ao reino daquele de quem ele assume os sentimentos?

(...) Assim, nós exortamos vossa santidade a trazer (...) para as igrejas de vossas regiões, dentre vossos recursos aquilo que aconselha a possibilidade e a vontade, para a distribuição da misericórdia, para que possais merecer a felicidade da qual gozará sem fim “quem pensa no fraco e no indigente” (Sl 40,1). E para percebê-lo, caríssimos, é preciso estar atento com uma incansável caridade, a fim de que possamos encontrar aquele que esconde sua modéstia ou que retém sua vergonha. Com efeito, existem aqueles que coram ao solicitar publicamente aquilo de que precisam e que preferem sofrer mais, em silêncio, sua indigência do que serem confundidos por um pedido público. É preciso pois, percebê-los e satisfazer suas necessidades ocultas a fim de que eles tenham maior alegria nisto do que com a descoberta de sua pobreza e de seu pudor.

Mas, teremos razão de reconhecer no indigente e no pobre a própria pessoa de nosso Senhor Jesus Cristo que, como diz o Apóstolo, “embora fosse rico, para vos enriquecer com sua pobreza, se fez pobre” (2Cor 8,9). E para que sua presença não nos pareça faltar ele acomodou de tal forma o mistério de sua humildade e de sua glória que nós podemos alimentá-lo nos pobres, ele que nós adoramos como Rei e Senhor, na majestade do Pai: isto nos conseguirá no dia mau a liberação da condenação perpétua, e pelo cuidado dado ao pobre que nós percebemos, seremos admitidos a participar do reino celeste.




2 de nov de 2017

2º Dia - NOVENA MEDITATIVA A SÃO LEÃO MAGNO




Os escritos e a doutrina de São Leão Magno


Texto extraído do livro "Sermões" de São Leão Magno da Editora Paulus.

“Os escritos de Leão Magno são de três gêneros distintos: sermões, cartas e textos litúrgicos, embora não se saiba provar, precisamente quais destes últimos lhe pertencem. Os sermões são quase sempre ligados ao contexto litúrgico enfatizando o aspecto soteriológico da cristo-logia, falando da presença de Cristo, Senhor e Salvador.

O Sacramentum leonianum (chamado também veronense, por se encontrar em Verona) é obra de colecionador elaborada pelos fins do século VI. Tomando por referência básica um calendário romano, o autor reuniu os formulários de orações provindas dos séculos V e VI, de diversos livros litúrgicos dos sacramentos, usados nas igrejas romanas. Atribui-se a ele a supressão da confissão pública, substituindo-a pela confissão secreta e a extensão do celibato aos subdiáconos. Na carta dirigida aos bispos da Itália, ordena “que não confiram o batismo a não ser na Páscoa e no Pentecostes, salvo em caso de emergência” (Epist. 168,1). Quanto à penitência, julga que a mediação da Igreja só é necessária para os “culpados de pecado mortal”. Na Carta 168,2, repreende os abusos introduzidos em algumas igrejas de manifestar, publicamente, até mesmo os pecados secretos, sem o consentimento dos penitentes públicos. Mostra-se contra a proclamação dos pecados confessados em segredo, especialmente, antes da imposição da penitência pública. Quanto ao primado do bispo de Roma, diz, na Carta 65,2, que “por causa de Pedro, o bem-aventurado príncipe dos apóstolos, a santa Igreja romana possui a primazia (princi-patus) sobre todas as Igrejas do mundo inteiro”. Assim, destaca o ministério universal do bispo de Roma, vigário e herdeiro de Pedro, garante da integridade da Igreja, tanto no plano da comunhão dos sacramentos quanto no da sociedade dos santos (cf. Epist. 80,2; 108,20; 14,11; 5,2; 6,1; 12,2). O poder e a autoridade conferidos a Pedro, segundo Leão, estão ativos e vivos “in sede sua” (i. é, na Igreja romana) e esta dignidade não é diminuída nem mesmo num sucessor indigno. Para Leão Magno, o papa é concebido como herdeiro legítimo de Pedro, unido de modo singular a Cristo. Por isso só ele garante a integridade da Igreja. A partir desse princípio, desenvolve, à maneira romana, a doutrina concernente à trilogia Cristo-Pedro-Papa. Esta é, sem dúvida, a razão de suas referências freqüentes, em contexto litúrgico, da presença de Cristo, Senhor e Salvador, na Igreja, unido intimamente a ela. Esta é a “comunhão dos santos” construída e alimentada pelos sacramentos.

Entre suas Cartas, deve-se destacar a Epístola 28, conhecida como Tomus ad Flavianum, de 449.6 Nela repudia o monofisismo de Êutiques e expõe a doutrina de uma só pessoa e duas naturezas, em Cristo. O bispo de Constantinopla, Flaviano, havia condenado Êutiques. Mas em 449, em desacordo com Flaviano, reuniu-se, em Êfeso, um concílio em favor de Êutiques. Como o papa já havia tomado posição contra Êutiques, exposta justamente no Tomo a Flaviano, chamou ele este concílio de “Concílio de ladrões”. Estes acontecimentos provocaram a convocação do concílio de Calcedônia, em 451, o qual adotou as fórmulas de Leão Magno expostas no Tomo a Flaviano, isto é, proclamou como dogma de fé a unidade de pessoa e dualidade de natureza, em Cristo. A doutrina básica do papa assumida pelo concílio de Calcedônia é de que as duas naturezas, a divina e a humana, existem em Cristo sem mistura alguma. A unidade de pessoa permite, em Cristo, a comunicação dos idiomas: o Senhor é, portanto, “visível” e “invisível”, “compreensível” e “incompreensível”, “passível” e “impassível”.

Nas Cartas 102-106 e 114, Leão Magno felicita as autoridades orientais e os Padres que participaram do concílio. Na Carta 124, adverte os monges palestinenses a que aceitem plenamente as decisões do concílio de Calcedônia e, na Carta 165, além de defender as decisões conciliares, mostra que elas estão conforme a fé de Nicéia e a tradição católica.

Das 173 Cartas, 20 mais ou menos são apócrifas. A maior parte delas consiste em documentos da chancelaria romana revelando as inúmeras medidas e decisões do papa sobre o governo da Igreja. Das Cartas, só publicamos aquela dirigida ao bispo de Constantinopla, Flaviano, que de-terminou, na história da teologia, a dogmática cristológica.

Dos 96 Sermões, escolhemos aqueles que julgamos mais representativos do pensamento de São Leão Magno, para este volume. A disposição seqüencial dos sermões obedece ao ciclo litúrgico anual, em que foram proferidos.

O Sermão era, no cristianismo antigo, um dever dos bispos. Diferente da Homilia, que é mais um comentário dos textos das Escrituras lidos nas assembléias e nas celebrações litúrgicas, o Sermão é uma pregação dirigida aos fiéis com o fim de lhes transmitir um ensinamento dogmático ou moral, exortando-os a segui-lo. Freqüentemente, Leão Magno aproveita os Sermões para esclarecer os fiéis sobre as discussões teológicas do momento, ora sobre o maniqueísmo, ora sobre os priscilianistas, ora sobre o monofisismo, ora sobre os pelagianos. Após 529, os sacerdotes receberam autorização para pregar os Sermões. Nos séculos XI e XII, monges, eremitas e cônegos tinham também o poder de pregar, no que foram seguidos, no século XII, pelos frades menores franciscanos e pelos frades pregadores, dominicanos, que se especializaram na pregação das Quaresmas, dos Adventos e das festas religiosas, especialmente as da Virgem Maria. Mais tarde, em face à Reforma protestante, para a qual todo cristão é sacerdote, eliminando a distinção efetiva entre clero e leigo e todos os batizados podem pregar a Palavra de Deus, o Concílio de Trento (1564) fixou a obrigação dos párocos de instruir os fiéis todos os domingos e dias de festas, explicando-lhes o Evangelho do dia. No século XIX, Lacordaire renovou a pregação das Quaresmas da catedral Notre-Dame de Paris dando-lhes a forma de conferência. Em nosso século, o concílio Vaticano II (1962-1965) recomenda a homilia como explicação das leituras bíblicas que são lidas nas celebrações, expondo aos fiéis os mistérios de fé e das normas da vida cristã.

Os Sermões de São Leão Magno I têm ainda muito daquele querigma isto é, da proclamação da Boa-nova difundida pelos apóstolos, anunciando que Cristo interveio em nosso favor, trazendo a misericórdia, o perdão e a salvação. O querigma não é um simples anúncio histórico de um evento acontecido outrora. É esse mesmo evento (morte e ressurreição de Cristo) apresentado e vivido na fé pela comunidade como realidade presente: ação salvífica de Deus, em Cristo, por obra do Espírito Santo que está presente na “palavra” anunciada pelo apóstolo. Por isso, os ouvintes do querigma não podem permanecer indiferentes. São convidados a se converter e a crer. É esse mesmo apelo veemente que sai dos Sermões. Por esta razão, são Leão se preocupa em apresentar a doutrina de maneira clara, mas firme, sempre de acordo com a tradição dos antepassados. Faz-se defensor ferrenho da cristologia das duas naturezas na unidade de pessoa.”




"Despojemo-nos das ações das trevas e vistamos as armas da Luz" Rm 13,12
CEFAS, oriundo do nome de São Pedro apóstolo, significa também um Acróstico: Comunhão para Evangelização, Formação e Anúncio do Senhor. É um humilde projeto de evangelização através da internet, buscando levar formação católica doutrinal e espiritual.