16 de ago de 2017

ORAÇÃO DE UM BRASILEIRO





SENHOR,

TENHA PIEDADE DE MIM

QUE PODERIA TER ESTUDADO MAIS

TENHA PIEDADE DE MIM

DEVERIA NA JUVENTUDE TER PODIDO CONHECER MAIS MEU PAÍS

TENHA PIEDADE DE MIM

DEVERIA TER PROCURADO CONHECER AS FALSAS LIDERANÇAS DO MEU PAÍS

TENHA PIEDADE DE MIM

DEVERIA TER DENUNCIADO TODOS AQUELES QUE IMPEDIRAM SORDIDAMENTE NOSSO DESENVOLVIMENTO EM TODAS AS ÁREAS.

TENHA PIEDADE DE MIM


DEVERIA TER TRABALHADO INCANSAVELMENTE CONTRA TODOS OS TRAIDORES DESSA NAÇÃO

TENHA PIEDADE DE MIM

DEVERIA TER ME DEDICADO MAIS EM DIVULGAR PARA O POVO A REALIDADE DO MEU PAÍS

TENHA PIEDADE DE MIM

DEVERIA PRECOCEMENTE TER CRIADO UMA RESISTÊNCIA POLÍTICA PATRIÓTICA CONTRA O ESBULHO DA NAÇÃO

TENHA PIEDADE DE MIM

DEVERIA TER TRABALHADO PARA ESPURGAR OS ALIENÍGENAS DE NOSSA NAÇÃO

TENHA PIEDADE DE MIM

JAMAIS DEVERIA DAR ESPAÇO AOS TRAIDORES DA PÁTRIA

TENHA PIEDADE DE MIM

DEVERIA TER CONHECIMENTO E DENUNCIADO HÁ MUITO MAIS TEMPO OS MÉTODOS DE DOMINAÇÃO DO NOSSO POVO E QUEM OS PRATICOU E PRATICA.

TENHA PIEDADE DE MIM

DEVERIA TER DENUNCIADO OS SETORES DAS IGREJAS, SOCIEDADE E MEIOS DE COMUNICAÇÃO COVARDES QUE PRATICARAM E PRATICAM O CONHECIMENTO NEGADO AO POVO.

PERDÃO SENHOR ,

TENHA PIEDADE DE MIM

ME AJUDE A FAZER COM COMPETÊNCIA TUDO O QUE DEIXEI DE FAZER E AFASTE OS ÍMPIOS E TRAIDORES DO MEU CAMINHO, PARA QUE UM DIA MEUS FILHOS E NETOS TENHAM A HONRA DE DIZER QUE SÃO BRASILEIROS.



DR. RONALDO D. FONTES, MÉDICO.



15 de ago de 2017

Quaresma de São Miguel



Já fizemos várias postagens sobre a quaresma de São Miguel nos anos anteriores. Recomendamos que vejam aqui neste link: http://www.missaocefas.org/search?q=quaresma+de+s%C3%A3o+miguel

A Quaresma de São Miguel Arcanjo tem 40 dias e pode ser rezada durante todo o ano, porém é de costume rezá-la de forma especial do dia 15 de agosto, até o dia 29 de setembro participando da Santa Missa na Festa de São Miguel.

Nesta postagem vou republicar as orações e fazer uma proposta.

PROPOSTA

Além das orações comuns de sempre, gostaria de propor para a quaresma deste ano a leitura diária de um texto para reflexão e meditação. E o texto que vou propor é a leitura da vida de São Padre Pio. Lembremos que Padre Pio conversava diariamente com os anjos, inclusive São Miguel. A origem da quaresma é franciscana, a mesma congregação de Padre Pio, criada por São Francisco de Assis. Então, ao meditar a vida do Padre Pio, suas experiências místicas, sofrimento e milagres, estaremos dentro do mesmo carisma.

Então sugiro a oração do dia e a meditação de um trecho da vida do Padre Pio que estamos publicando diariamente no blog: https://gospepio.blogspot.com.br/

Vou criar no blog lá uma página para facilitar o acesso às orações da quaresma.


ORAÇÕES

A primeira coisa a fazer e não encarar a Quaresma como uma oração supersticiosa, mas como uma poderosa oração de libertação, sobretudo dos pecados e vícios. Antes de começar a Quaresma, analise os propósitos que estão te levando a fazer esta Quaresma, e possível, ao longo dela busque a confissão.

1. O Altar - Na Quaresma de São Miguel Arcanjo, costuma-se fazer um pequeno altar ou oratório com a imagem de Arcanjo (pode ser uma foto também) e se possível no momento da oração acenda uma vela (que simboliza a luz de Cristo). (NÃO É OBRIGATÓRIO).

2. Jejuns e penitências - Durante o período desta oração (40 dias), é indicado que cada pessoa faça uma penitência (abster-se de algo de comer, do cigarro, da bebida, ou até da televisão) e buscar o jejum ao menos às sextas-feiras, dia que a Igreja aconselha a prática.



SÃO MIGUEL ARCANJO

São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate, sede nosso refúgio contra a maldade e as ciladas do demônio. Ordene-lhe Deus, instantemente o pedimos, e vós príncipe da milícia celeste, pelo Divino Poder, precipitai no inferno a Satanás e a todos os espíritos malignos, que andam pelo mundo para perder as almas. Amém.


Sobre esta oração:
Depois de receber em 1884 uma visão terrível de forças diabólicas prestes a serem soltas na Terra, o Papa Leão XIII escreveu de próprio punho a oração a São Miguel, ordenando que ela fosse recitada logo em seguida a todas as Missas rezadas no rito latino. A oração ao Arcanjo tornou-se parte das chamadas "orações leoninas", as quais foram deixadas de lado pela reforma litúrgica da década de 1960. Em 1994, porém, o Papa São João Paulo II fez notar a ausência dessa oração e pediu que ela fosse novamente recitada pelos fiéis: "Ainda que hoje essa oração não seja mais recitada ao término da celebração eucarística, convido todos a não esquecê-la, mas a recitá-la para obter a ajuda na batalha contra as forças das trevas e contra o espírito deste mundo."






AUGUSTA RAINHA DOS CÉUS

Augusta Rainha dos céus, soberana mestra dos Anjos, 
Vós que, desde o princípio, recebestes de Deus 
o poder e a missão de esmagar a cabeça de Satanás, 
Nós vo-lo pedimos humildemente, 
Enviai vossas legiões celestes para que, 
sob vossas ordens, e por vosso poder, 
Elas persigam os demônios, combatendo-os por toda a parte, 
Reprimindo-lhes a insolência, e lançando-os no abismo. 
Quem é como Deus? 
Ó Mãe de bondade e ternura, 
Vós sereis sempre o nosso Amor e a nossa esperança. 
Ó Mãe Divina, 
Enviai os Santos Anjos para nos defenderem, 
E repeli para longe de nós o cruel inimigo. 
Santos Anjos e Arcanjos, 
Defendei-nos e guardai-nos. Amém.


Sobre esta oração:
No dia 13 de Janeiro de 1864, o Bem-aventurado Padre Luís-Eduardo Cestac foi subitamente atingido por um raio da luz divina. Ele viu demônios espalhados por toda a terra, causando uma imensa confusão. Ao mesmo tempo, ele teve uma visão da Virgem Maria. Nossa Senhora lhe revelou que realmente o poder dos demônios fora desencadeado em todo o mundo e que então, mais do que nunca, era necessário rezar à Rainha dos Anjos e pedir a ela que enviasse as legiões dos santos anjos para combater e derrotar os poderes do inferno.
“Minha Mãe", disse o padre, “vós sois tão bondosa, por que então não enviais por vós mesma estes anjos, sem que ninguém vos peça?"
Não", respondeu a Santíssima Virgem, “a oração é uma condição estabelecida pelo próprio Deus para a obter esta graça."
“Então, Mãe santíssima – disse o sacerdote – ensinai-me como quereis que se vos peça!"
Foi então que o Bem-aventurado Luís-Eduardo Cestac recebeu a oração “Augusta Rainha dos céus". “Meu primeiro dever – disse ele – era apresentar esta oração a Monsenhor La Croix, bispo de Bayonne, que se dignou a aprová-la. Cumprido este dever, fiz imprimir 500.000 cópias, e providenciei que fossem distribuídas em todos os lugares. (...) Não devemos esquecer que, da primeira vez que as imprimimos, a máquina impressora chegou a quebrar duas vezes".
Esta oração foi indulgenciada pelo Papa São Pio X no dia 8 de julho de 1908. Recomenda-se que seja aprendida de cor.


LADAINHA À SÃO MIGUEL ARCANJO

Senhor, tende piedade de nós; 
Jesus Cristo, tende piedade de nós; 
Senhor, tende piedade de nós. 
Jesus Cristo, ouvi-nos; 
Jesus Cristo, atendei-nos.
Pai Celeste, que sois Deus, tende piedade de nós; 
Filho, Redentor do Mundo, que sois Deus, tende piedade de nós; 
Espírito Santo, que sois Deus, tende piedade de nós; 
Trindade Santa, que sois um único Deus, tende piedade de nós.

Santa Maria, Rainha dos Anjos, rogai por nós.
São Miguel, rogai por nós; 
São Miguel, cheio da graça de Deus, rogai por nós.
São Miguel, perfeito adorador do Verbo Divino, rogai por nós.
São Miguel, coroado de honra e de glória, rogai por nós.
São Miguel, poderosíssimo príncipe dos exércitos do Senhor, rogai por nós.
São Miguel, porta-estandarte da Santíssima Trindade, rogai por nós.
São Miguel, guardião do Paraíso, rogai por nós.
São Miguel, guia e consolador do povo israelita, rogai por nós.
São Miguel, esplendor e fortaleza da Igreja militante, rogai por nós.
São Miguel, honra e alegria da Igreja triunfante, rogai por nós.
São Miguel, luz dos anjos, rogai por nós; 
São Miguel, baluarte dos cristãos, rogai por nós.
São Miguel, força daqueles que combatem pelo estandarte da cruz, rogai por nós.
São Miguel, luz e confiança das almas no último momento da vida, rogai por nós.
São Miguel, socorro muito certo, rogai por nós.
São Miguel, nosso auxílio em todas as adversidades, rogai por nós.
São Miguel, arauto da sentença eterna, rogai por nós.
São Miguel, consolador das almas que estão no Purgatório, rogai por nós.
São Miguel, a quem o Senhor incumbiu de receber as almas que estão no Purgatório, rogai por nós.
São Miguel, nosso príncipe, rogai por nós; São Miguel, nosso advogado, rogai por nós.

Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, atendei-nos, Senhor; 
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, ouvi-nos, Senhor; 
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós.
Rogai por nós, ó glorioso São Miguel, príncipe da Igreja de Cristo, para que sejamos dignos de Suas promessas.

Oração: Senhor Jesus, santificai-nos, por uma bênção sempre nova e concedei-nos, pela intercessão de São Miguel, esta sabedoria que nos ensina a ajuntar riquezas do céu e a trocar os bens do tempo pelos da eternidade. Vós que viveis e reinais em todos os séculos dos séculos.




14 de ago de 2017

São Maximiliano Maria Kolbe, O Cavaleiro da Imaculada

Um santo para nossos dias: utilizando os progressos técnicos a serviço da Fé, montou um portentoso apostolado pela imprensa para difundir a devoção a Maria. E ainda morreu mártir da caridade, como sempre desejou


Sobre a trágica morte de São Maximiliano Kolbe no campo de extermínio de Auschwitz, muito se sabe e se comenta. Menos conhecida, entretanto, é sua existência cheia de inteligentes e ousados empreendimentos apostólicos, fruto de um espírito de grandes horizontes iluminado por entranhada devoção à Virgem Santíssima.

Talis vita, finis ita,1 diz um conhecido adágio romano. Se Maximiliano teve, no fim da sua existência, o heroico gesto que o conduziria ao martírio, foi porque Maria Imaculada o inspirou. E ele soube corresponder inteiramente, já desde menino, a tão bela e elevada vocação.

Nascido na era do progresso

A Polônia dos anos finais do século XIX e iniciais do XX, como toda a Europa e a América, achava-se em plena prosperidade material. A sociedade de então se deliciava na euforia e no esplendor da Belle Époque, na fartura e no conforto, mais preocupada com o gozo da vida do que com o que se relacionava com a Religião. O laicismo dominava as mentes e os costumes.

Nesse contexto histórico, nasceu Raimundo Kolbe, em 8 de janeiro de 1894, na cidade polonesa de Zdu?ska Wola, recebendo no mesmo dia as águas batismais. Seus pais, Júlio Kolbe e Maria Dabrowska, eram lídimos cristãos e devotíssimos da Virgem Maria. De seus cinco filhos, dois faleceram quando ainda crianças, e os outros três abraçaram a vida religiosa.

Uma visão que deu rumo à sua vida

Criança muito viva e travessa, Raimundo recebeu certo dia uma repreensão de sua mãe que lhe marcou a vida:

– Se aos dez anos você é tão mau menino, briguento e malcriado, como será mais tarde?

Essas palavras calaram fundo na alma do pequeno. Ficou aflito e pensativo. Queria mudar de vida e recorreu a Nossa

Senhora. Ajoelhado aos pés de uma bela imagem da igreja paroquial, perguntou-Lhe:

– Que vai acontecer comigo?

Qual não foi sua surpresa, quando lhe apareceu a Mãe de Deus, trazendo em Suas mãos duas coroas, uma branca e outra vermelha. Sorrindo maternalmente, perguntou-lhe qual escolhia. A branca significava que perseveraria na castidade e a vermelha, que seria mártir. Grande alma, ele escolheu as duas.

A vocação religiosa

Nasceu-lhe, então, por graça da Imaculada, a vocação religiosa. Decidiu ser capuchinho franciscano, e aos 14 anos começou os estudos em ?ód?, no seminário menor dos frades conventuais, junto com seu irmão Francisco.

Aos 16 anos, foi admitido no noviciado, escolhendo o nome de Maximiliano, em honra do grande mártir africano. Quiçá pensasse já em seu futuro…

No ano seguinte, pronunciou os votos simples. Por sua privilegiada inteligência, decidiram os superiores mandá-lo para a Cidade Eterna, a fim de continuar os estudos no Colégio Seráfico Internacional, dos franciscanos, e em seguida cursar filosofia na famosa Universidade Gregoriana.

Ouvindo falar das especiais dificuldades que havia para se manter a pureza na Roma de então, o jovem frade pediu para não ir. Mas, em nome da santa obediência, partiu para a Capital da Cristandade onde, além de completar seus estudos, fez sua profissão solene a 1 de novembro de 1914, acrescentando ao seu nome religioso o de Maria, a Virgem Imaculada.

Começam os anos de luta

Em Roma, Maximiliano chocou-se com a insolência com que os inimigos da Igreja a atacavam, sem a proporcionada reação dos católicos. Resolveu então entrar na luta antes mesmo de receber a ordenação presbiteral. Reunindo em torno de si seis condiscípulos, fundou em 1917 a associação apostólica Milícia de Maria Imaculada, cujos estatutos começavam por declarar seus objetivos: a conversão dos pecadores, inclusive dos inimigos da Igreja, e a santificação de todos os seus membros, sob a proteção de Maria Imaculada. Nela aceitou apenas jovens destemidos e verdadeiramente dispostos a acompanhá- lo nessa empresa, com o título de Cavaleiros de Vanguarda.

Sua sede de almas ficou gravada nas atas de sua ordenação sacerdotal, que se deu em 28 de abril de 1918. Na manhã seguinte, quis celebrar sua primeira Missa no altar da Madonna del Miraccolo, na igreja de Sant’Andrea delle Fratte, porque aí se dera o célebre episódio com Afonso Maria Ratisbonne: ante a aparição da Santíssima Virgem, ajoelhara-se judeu e levantara católico, numa conversão miraculosa e instantânea, em 1842. E na agenda das Missas de seus primeiros dias de sacerdote, o padre Kolbe escreveu que queria celebrar o Santo Sacrifício para “impetrar a conversão dos pecadores e a graça de ser apóstolo e mártir”.2

Progresso a serviço da Fé

Voltando à Polônia em 1919, esteve internado em um sanatório devido a sérios problemas de saúde. Tão logo se restabeleceu, fundou o jornal mensal da sua associação – Cavaleiro da Imaculada – pondo o progresso técnico do seu tempo em matéria gráfica, a serviço da Fé.

Na véspera do lançamento, reuniu os operários, colaboradores e redatores – ao todo 327 pessoas -, e passaram o dia em jejum e oração. Nessa noite, foi organizada uma grande vigília de Adoração ao Santíssimo Sacramento e de oração à Santíssima Virgem, para que abençoassem esse empreendimento. Na noite seguinte, as rotativas imprimiram o primeiro número do jornal, “filho” dessas orações. Um grande impulso à sua obra ocorreu em 1927, quando o príncipe João Drucko-Lubecki cedeu ao padre Maximiliano um terreno situado a 40 quilômetros de Varsóvia. Aí, homem de grandes horizontes, começou ele a construir uma Niepokalanów – Cidade de Maria. Planejava a edificação de um enorme convento e novas instalações de sua obra de imprensa. Com que dinheiro? “Maria proverá – dizia o santo varão – este é um negócio dEla e de seu Filho!”.

E não foi defraudado em sua confiança. Em 1939, o jornal tinha já a surpreendente tiragem de um milhão de exemplares, e a ele se haviam juntado outros dezessete periódicos de menor porte, além de uma emissora de rádio. A Cidade de Maria contava então com 762 habitantes, sendo 13 sacerdotes, 18 noviços, 527 irmãos leigos, 122 seminaristas menores e 82 candidatos ao sacerdócio. Nela habitavam também médicos, dentistas, agricultores, mecânicos, alfaiates, construtores, impressores, jardineiros e cozinheiros, além de um corpo de bombeiros.

O que alimentava o dinamismo de sua obra apostólica era a sólida piedade incutida por ele nos seus discípulos. Sua mola propulsora era o amor entusiasta e militante a Maria Imaculada, da qual ele se sentia, mais do que um escravo, uma simples propriedade. E na Eucaristia estava a fonte da fecundidade de seus empreendimentos. Instituiu a Adoração Perpétua em Niepokalanów, e ele mesmo iniciava todos os seus trabalhos com um ato de Adoração ao Santíssimo Sacramento.

Incursão pelo Oriente

Em seu anelo de expandir por todo o orbe sua obra evangelizadora, decidiu fazer uma incursão pelo Oriente, pois queria editar sua revista nos mais diversos idiomas para atingir milhões de almas em todo o globo. Aspirava ter uma Cidade de Maria em cada país.

De início, conseguiu fundar uma em Nagasaki, no Japão. Em 1930, a Niepokalanów japonesa dispunha já de uma tipografia onde foram impressos os primeiros dez mil exemplares de Cavaleiro da Imaculada no idioma dos samurais. Até os dias de hoje, mantém-se ali sua obra apostólica, com trabalhadores nativos e numerosos sacerdotes.


Mais tarde, antes dos trágicos acontecimentos da Guerra, contou a seus religiosos uma graça mística que recebera em terras nipônicas. Graça quiçá decisiva para sua fortaleza nas atribulações pelas quais teve de passar. No refeitório da Cidade de Maria, depois de um jantar, disse-lhes: “Eu vou morrer e vocês vão ficar. Antes de me despedir deste mundo, quero deixar- lhes uma lembrança […], contando- lhes algo, pois minha alma está transbordando de alegria: o Céu me foi prometido com toda segurança, quando estava no Japão. […] Lembrem-se disso e aprendam a estar prontos para os maiores sofrimentos”.3

A Segunda Guerra Mundial

Quando estourou a Segunda Guerra Mundial, em 1939, a Cidade de Maria ficou muito exposta a riscos, pois se situava nas imediações da estrada de Potsdam a Varsóvia, rota provável de uma eventual invasão das tropas nazistas. Motivo pelo qual a prefeitura de Varsóvia ordenou sua pronta evacuação. Padre Maximiliano conseguiu lugar seguro para todos os irmãos, mas permaneceu ali, com cinquenta de seus colaboradores mais imediatos.

Em setembro, as tropas invasoras levaram-nos presos para Amtitz. Mas na festa da Imaculada, dia 8 de dezembro, foram todos libertados e voltaram para sua Niepokalanów, transformando- a em refúgio e hospital para feridos de guerra, prófugos e judeus.

Retomaram também o labor apostólico, pois os invasores permitiram ao padre Kolbe continuar com suas publicações, à espera de um pretexto para acabar com seu apostolado. Com grande coragem, escreveu ele no último número de Cavaleiro da Imaculada, as seguintes palavras, de admirável honestidade intelectual e integridade de convicções: “Ninguém no mundo pode mudar a verdade. O que podemos fazer é procurá-la e servi-la quando a tenhamos encontrado. O conflito real de hoje é um conflito interno. Mais além dos exércitos de ocupação e das hecatombes dos campos de extermínio, há dois inimigos irreconciliáveis no mais profundo de cada alma: o bem e o mal, o pecado e o amor. De que nos adiantam vitórias nos campos de batalha, se somos derrotados no mais profundo de nossas almas?”.4

A propósito disso, em fevereiro de 1941, a Gestapo irrompeu na Cidade de Maria e levou presos o padre Kolbe e outros quatro frades, os mais anciãos. Na prisão de Pawiak, em Varsóvia, foi submetido a injúrias e vexações, e depois trasladado para o campo de extermínio de Auschwitz.

No campo de Auschwitz

Começaram para o santo mártir as estações de sua via-crucis. Passou a primeira noite numa sala com outros 320 prisioneiros. Na manhã seguinte, foram todos desnudados, lavados com jatos de água gelada e recebendo cada qual uma jaqueta com um número. Coube-lhe o 16.670. Quando o oficial viu seu hábito religioso, ficou irritado. Arrancando com violência o Crucifixo de seu pescoço, gritou-lhe:

– E tu acreditas nisto?

Ante a categórica resposta afirmativa, deu-lhe uma “valente” bofetada! Por três vezes repetiu a pergunta e por três vezes o santo religioso confessou sua Fé, recebendo o mesmo bestial ultraje. A exemplo dos Apóstolos, São Maximiliano dava graças a Deus por ser digno de sofrer por Cristo: “Eles saíram da sala do Grande Conselho, cheios de alegria, por terem sido achados dignos de sofrer afrontas pelo nome de Jesus” (At 5, 41). Maria não o abandonou um instante sequer.

Ao entrar no campo de concentração, os guardas faziam uma revista minuciosa em todos os prisioneiros e lhes tiravam todos os objetos pessoais. Entretanto, o soldado que revistou o padre Kolbe devolveu-lhe o Rosário, dizendo:

– Tome seu Rosário. E vá lá para dentro! – Era um sorriso de Nossa Senhora, como a dizer-lhe que estaria com ele a cada momento.

Martírio no “‘bunker’ da morte”

São bem conhecidos os demais episódios que se deram no campo de Auschwitz: o comportamento do santo sacerdote franciscano, sua incansável atividade apostólica, em cada bloco para onde era mandado, etc.

No final de julho de 1941, foi transferido para o Bloco 14, cujos prisioneiros faziam trabalhos agrícolas. Tendo um deles conseguido fugir, dez outros, escolhidos por sorteio, foram condenados ao “bunker da morte”: um subterrâneo onde eles eram jogados desnudos, e permaneciam sem bebida nem alimento, à espera da morte.

Ante o desespero daqueles infelizes, São Maximiliano ofereceu-se para ficar em lugar de um deles, pai de família, e foi aceito por ser sacerdote. O ódio dos esbirros ao religioso era notório, mas ficaram estupefatos ao verificar até onde pode chegar a coragem, a fortaleza e o heroísmo de um padre católico, em cuja fisionomia se revelava um varão na força do termo. Sem dúvida, movia-o uma autêntica caridade para com seu conterrâneo, entretanto, outra razão também elevada o levou a tomar essa decisão: o desejo de ajudar aqueles condenados a terem uma boa morte, salvando suas almas.

Fechado o bunker, estava para sempre encerrado para eles o contato com o mundo exterior. Naquelas terríveis horas sem outra expectativa que a da morte, tratava-se de cada qual pôr em ordem sua consciência. Pode-se imaginar qual seria o medo da morte, do Juízo, do sofrimento, a tentação de desespero… Em tal situação, que privilégio poder ter por companheiro um sacerdote santo! Graças a ele, o bunker da morte se converteu em capela de oração e de cânticos… com vozes cada dia mais débeis. Três semanas depois, restavam vivos apenas quatro. Julgando que aquela situação se prolongava demasiado, decidiram as autoridades aplicar-lhes uma injeção letal de ácido muriático.

Padre Kolbe foi o último a morrer naquele pavoroso subterrâneo. Estendeu espontaneamente o braço para a injeção. Alguns momentos depois, um funcionário do campo o encontrou morto “com os olhos abertos e a cabeça inclinada. Seu rosto, sereno e belo, estava radiante”.5

Cumprira sua última missão: salvara a si próprio e aos demais. Era o dia 14 de agosto de 1941, véspera da Assunção de Maria.

A inspiração de sua vida foi a Imaculada

E no dia 10 de outubro de 1982, na Praça de São Pedro, uma multidão de mais de duzentas mil pessoas ouvia um Papa, também polonês, declarar mártir esse sacerdote exemplar que não só morreu para salvar uma vida, mas, sobretudo, viveu para salvar muitas almas. Ele que jamais se cansava de dizer: “Não tenham medo de amar demasiado a Imaculada; jamais poderemos igualar o amor que teve por Ela o próprio Jesus: e imitar Jesus é nossa santificação. Quanto mais pertençamos à Imaculada, tanto melhor compreenderemos e amaremos o Coração de Jesus, Deus Pai, a Santíssima Trindade”.6

Pois, como afirmou João Paulo II ao canonizá-lo, “a inspiração de toda a sua vida foi a Imaculada, a quem confiava seu amor a Cristo e seu desejo de martírio”.7  (Revista Arautos do Evangelho, Agosto/2009, n. 92, p. 34 à 37)

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1 Conforme tenha sido a vida, assim também será a morte.
2 LLABRÉS Y MARTORELL, Pere- Joan. San Maximiliano María (Raimundo) Kolbe. Año Cristiano. Madrid: BAC, 2005, vol. 8, p.454.
3 KALVELAGE, FI, Pe. Francis M. Kolbe - Saint of the Inmaculate. Minnesota: Park Press, 2001, p. 77-78.
4 MLODOZENIEC, OFMConv, Fr. Juventino. Conheci o bem-aventurado Maximiliano Maria Kolbe. Exemplar mimeografado no Jardim da Imaculada, Missão Católica de São Maximiliano Kolbe. Cidade Ocidental, Goiás, 1980.
5 LLABRÉS Y MARTORELL, Op. cit., p. 459.
6 Idem, p. 456.
7 Homilia na Missa de canonização, 10/10/1982.


Fonte:
http://revistacatolica.com.br/ensinamentos/historia-dos-santos/sao-maximiliano-maria-kolbe/

8 de ago de 2017

9º dia Novena Meditativa sobre Santa Benedita da Cruz (Edith Stein)


NOVENA MEDITATIVA SOBRE SANTA EDITH STEIN
SANTA TERESA BENEDITA DA CRUZ
9º dia da NOVENA – Hino ao Espírito Santo, de Edith Stein


Num clima místico, poucos meses antes da sua deportação para Auschwitz, nasce uma das mais belas orações de Edith Stein, Santa Benedita da Cruz. Um hino ao Espírito Santo. Foi o seu «último pentecostes».

I

Quem és tu, Doce luz que me preenche e ilumina a obscuridade do meu coração?
Conduzes-me como a mão de uma mãe; E se me soltasses, não saberia nem dar mais um passo.
És o espaço que envolve todo meu ser e o encerra em si. Se Fosse abandonado por ti,
cairia no abismo do nada, de onde tu o elevas ao Ser.
Tu, mais próximo de mim que eu mesmo, e mais íntimo que minha intimidade,
E, sem dúvida, permaneces inalcançável e incompreensível,
E que faz brotar todo nome: Espírito Santo — Amor eterno!

II

Não és Tu, O doce maná,
que do coração do Filho flui para o meu, alimento dos anjos e dos bem aventurados?
Aquele que da morte à vida se elevou, Também a mim despertou a uma nova vida
Do sono da morte. E nova vida me doa
Dia após dia. E um dia me cumulará de plenitude.
Vida de minha Vida. Sim, Tu mesmo,
Espírito Santo, – Vida Eterna!

III

Tu és o raio, que cai do Trono do Juiz eterno
e irrompe na noite da alma, que nunca se conheceu a si mesma?
Misericordioso e impassível, penetras nas profundezas escondidas.
Se ela se assusta ao ver-se a si mesma, Concedes lugar ao santo temor,
princípio de toda sabedoria, que vem do alto,
e no alto com firmeza nos unes à tua obra, que nos faz novos,
Espírito Santo — Raio penetrante!

IV

Tu és a plenitude do Espírito, e da força
com a qual o Cordeiro rompe o selo, do segredo eterno de Deus?
Impulsionados por ti, os mensageiros do Juiz
cavalgam pelo mundo, e com espada afiada separam
o reino da luz do reino da noite. Então surgirá um novo céu
E uma nova terra, e tudo retorna ao seu justo lugar
graças a teu alento: Espírito Santo — Força triunfante!

V

Tu és o mestre construtor da catedral eterna, que se eleva da terra aos céus?
Por ti vivificadas as colunas se elevam, Para o alto e permanecem imóveis e firmes.
Marcadas com o nome eterno de Deus, se elevam para a luz
sustentando a cúpula, que cobre, qual coroa,
a santa catedral, tua obra transformadora do mundo,
Espírito Santo — Mão criadora!

VI

Tu és quem criou o claro espelho, Próximo ao trono do Altíssimo,
como um mar de cristal, aonde a divindade se contempla amando?
Tu te inclinas, sobre a obra mais bela da criação,
e resplandecente te ilumina, com teu mesmo esplendor.
E a pura beleza de todos os seres, Unida à amorosa figura da Virgem,
tua esposa sem mancha: Espírito Santo — Criador do Universo!

VII

Tu és o doce canto do amor, e do santo recato,
que eternamente ressoa, diante do trono da Trindade,
e desposa consigo os sons puros de todos os seres?
A harmonia, que une os membros com a Cabeça,
onde cada um encontra feliz, o sentido secreto de seu ser,
e jubilante irradia, livremente desprendido em teu fluir:
Espírito Santo — Júbilo eterno!


Fonte:





7 de ago de 2017

8º dia Novena Meditativa sobre Santa Benedita da Cruz (Edith Stein)



NOVENA MEDITATIVA SOBRE SANTA EDITH STEIN
SANTA TERESA BENEDITA DA CRUZ
8º dia da NOVENA – «Edith Stein, mestra de espiritualidade» - Entrevista com o carmelita Jesus Castellano


ROMA, sexta-feira, 26 de março de 2004 (ZENIT.org).- Edith Stein (1891-1942), judia, filósofa, mártir, carmelita santa e co-patrona da Europa, considerava-se «uma superlitúrgica». Quem explica isso a Zenit é o padre carmelita Jesús Castellano, ocd, que nesta sexta-feira pela tarde ministra uma conferência sobre liturgia no Centro de Estudos Edith Stein de Lanciano (Itália).

«Era uma contemplativa sumamente ativa, antes e depois de seu ingresso no Carmelo, como demonstra sua atividade e seus escritos», sublinha este professor de espiritualidade na Faculdade Pontifícia Teológica Teresianum de Roma. O padre Castellano é consultor, entre outros organismos vaticanos, da Congregação para a Doutrina da Fé e colabora em diversas revistas de teologia, liturgia e espiritualidade.

--Podemos considerar Edith Stein como precursora da espiritualidade litúrgica do Vaticano II?

Castellano: Podemos afirmar sem dúvidas. Ela vive na alvorada do movimento litúrgico na Alemanha, conhece alguns protagonistas deste despertar eclesial, como Romano Guardini e Odo Casel, tem como pátria espiritual um dos centros propulsores do movimento litúrgico alemão, a abadia de Beuron, onde o abade Rafael Walzer é seu diretor espiritual.

Vive o fervor das celebrações de Natal e Semana Santa. Participa, como ela recorda, das «formas renovadas da piedade da Igreja» de seu tempo. Considera-se «uma superlitúrgica» por sua sensibilidade ante o mistério e o celebrar da liturgia. E contribui com seu livro «A oração da Igreja», um texto clássico sobre a Eucaristia, suas raízes judaicas e sua dimensão espiritual.

--Por que não se conhece a contribuição litúrgica de Edith Stein, ela que esteve na vanguarda com Guardini e com outros grandes mestres da liturgia de seu tempo?

Castellano: Edith é uma figura polivalente. É admirada como fenomenóloga e filósofa como intérprete de São Tomás, de Teresa de Jesus e de João da Cruz. Seus escritos são numerosos.

Este fragmento de sua espiritualidade, que é um fragmento que contém o todo, foi-se descobrindo pouco a pouco, sobretudo quando se tratou de contextualizar seu itinerário espiritual, as raízes de sua educação na liturgia judaica, seus influxos e sua participação na espiritualidade de sua época, e quando se trata de descobrir alguns escritos seus onde se manifesta, sobretudo, sua veia teológica e espiritual. Há ainda textos inéditos e outros não são muito conhecidos como o diário de seu retiro espiritual em preparação para sua profissão perpétua (10-21 de abril de 1938), uma verdadeira jóia de espiritualidade do mistério pascal vivido com Maria.

--Edith, antes de ser uma contemplativa, foi uma mulher de ação. Soube conjugar bem a oração litúrgica com a oração pessoal?

--Castellano: Nela não há dicotomias: tudo o que vive e aborda tem o toque de uma fenomenóloga que vai até o fundo vital da experiência.

Vive isso desde a profundidade de seu ser, mas com toda a participação dos sentidos. Em um escrito de 1930, uma conferência para mulheres de Speyr, sobre a educação à vida eucarística, sublinha a aplicação da espiritualidade da Eucaristia à vida de cada um, tanto para os religiosos como para a mulher casada, como para as que, como ela, vivem só.

E em seu livro «A oração da Igreja» faz uma maravilhosa apologia da imprescindível dimensão da oração pessoal e de seu valor eclesial. Até afirmar que toda oração pessoal é oração eclesial. Era uma contemplativa sumamente ativa, antes e depois de seu ingresso no Carmelo, como demonstra sua atividade e seus escritos.

--É exagero ver em Edith Stein um modelo de espiritualidade litúrgica feminina?

--Castellano: É evidente que toda a experiência de Edith tem o toque de seu olhar de mulher, seu coração e sua empatia feminina, com um toque de delicadeza e de profundidade.

A seu modo, é um modelo de espiritualidade feminina se a entendemos como personificação do feminino da Igreja esposa, de sua atitude mariana, de seu recurso às mulheres santas, e valorizamos algumas expressões de fina poesia e sensibilidade como suas invocações ao Espírito Santo. Em seus escritos sobre a mulher e para a mulher nota-se esta peculiaridade em Edith, sem complexos nem polêmicas, com toda naturalidade.

--O que é a espiritualidade eucarística, segundo Edith Stein?

--Castellano: Algo tão simples como viver como resposta vital ante a consciência do dom que supõe a Eucaristia: ante a presença responder com a oração ante o Santíssimo e a eucaristia diária; ante o dom da comunhão com o agradecimento a quem nos nutre com sua carne e seu sangue «como uma mãe a seu filho», ante o sacrifício eucarístico acolhendo o dom e fazendo-o vida como oferenda espiritual. Trata-se de uma espiritualidade que se alimenta, em Edith Stein, com o exemplo e o testemunho, que se esclarece com o ensinamento e iniciação às riquezas do mistério, e passa pouco a pouco à vida e aos costumes até ser uma existência eucarística que impregna todo o ser e o viver.

--O que ensina Edith Stein a suas irmãs Carmelitas com seu testemunho?

--Castellano: Ensina a sentir com a Igreja totalmente no que se refere à liturgia, sem saudades do passado, com a alegria do presente e do futuro.

Edith é modelo de seriedade na própria vocação contemplativa, tão aberta à liturgia como à contemplação, tão vibrante pela novidade da renovação litúrgica quanto ansiosa de transmitir a todos o viver e sentir com a Igreja. No fundo Edith é, por co-naturalidade, uma discípula de Teresa de Jesus também nisto, pois a Santa, em seu tempo, vibrava com a liturgia da Igreja e sua experiência mística tem páginas belas de comunhão com os mistérios e de entusiasmo pelas festas do Senhor, de Maria e dos Santos, de amor pela liturgia eclesial e pelo decoro das celebrações. Edith Stein contribuiu em tudo isto com a teologia de seu tempo e com a busca da excelência da celebração dos mistérios.

(26 de Março de 2004) © Innovative Media Inc.

Fonte:




6 de ago de 2017

7º dia Novena Meditativa sobre Santa Benedita da Cruz (Edith Stein)



NOVENA MEDITATIVA SOBRE SANTA EDITH STEIN
SANTA TERESA BENEDITA DA CRUZ
7º dia da NOVENA – CARTA DO PAPA SÃO JOÃO PAULO II PROCLAMANDO SANTA EDITH STEIN COMO CO-PADROEIRA DA EUROPA


CARTA APOSTÓLICA
EM FORMA DE "MOTU PROPRIO"
PARA A PROCLAMAÇÃO 
DE SANTA BRÍGIDA DA SUÉCIA, 
SANTA CATARINA DE SENA
E SANTA BENEDITA DA CRUZ 
CO-PADROEIRAS DA EUROPA
JOÃO PAULO PP. II
PARA PERPÉTUA MEMÓRIA

 (...)

8. Com Edith Stein Santa Teresa Benedita da Cruz encontramo-nos num diferente ambiente histórico-cultural. De facto, ela conduz-nos ao centro deste século atormentado, apontando as esperanças por ele acesas, mas também as contradições e as falências que o caracterizaram. Edith não provém, como Brígida e Catarina, de uma família cristã. Nela tudo indica o tormento da procura e a fadiga da "peregrinação" existencial. Mesmo depois de ter alcançado a verdade na paz da vida contemplativa, ela teve de viver o mistério da Cruz até ao fundo.

Nasceu em 1891 de uma família hebraica de Breslau, que nessa época era território alemão. O gosto que ela desenvolveu pela filosofia, abandonando a prática religiosa inspirada pela sua mãe, ter-lhe-ia sugerido, mais que um caminho de santidade, uma vida conduzida pela nota do puro "racionalismo". A graça, porém, aguardava-a nos meandros do pensamento filosófico: tendo percorrido o caminho da corrente fenomenológica, ela soube recolher a instância de uma realidade objetiva que, ao invés de reconduzir ao sujeito, precedia e determinava o conhecimento, devendo ser examinada com um rigoroso esforço de objetividade. É necessário escutá-la, fixando-a sobretudo no ser humano, devido àquela capacidade de "empatia" expressão que lhe era muito querida que permite, de certo modo, incorporar o que é vivido pelos demais (cf. E. Stein, O problema da empatia).

Foi nesta tensão de escuta que ela se encontrou, por um lado com os testemunhos da experiência espiritual cristã oferecida por Santa Teresa de Ávila e de outros grandes místicos, dos quais se tornou discípula e propagadora, e por outro lado com a antiga tradição do pensamento cristão, consolidada no tomismo. Por este caminho ela chegou primeiro ao baptismo e, depois, à escolha da vida contemplativa na Ordem carmelitana. Tudo se desenrolou no contexto de um itinerário existencial bastante movimentado, marcado não só pela busca da vida interior, mas pelo empenhamento no estudo e no ensino, que ela realizou com dedicação admirável. Foi de grande apreço, sobretudo no seu tempo, a sua obra a favor da promoção social da mulher, e são realmente penetrantes as páginas com as quais ela explorou a riqueza da feminilidade e a missão da mulher do ponto de vista humano e religioso (cf. E. Stein, A mulher. A sua tarefa, segundo a natureza e a graça).

9. O encontro com o cristianismo não foi motivo para ela repudiar as suas raízes hebraicas; pelo contrário, ajudou-a a redescobri-las em plenitude. Isto, porém, não lhe poupou a incompreensão por parte dos seus familiares. Sobretudo a desaprovação da própria mãe lhe causou uma dor intensa. Na verdade, todo o seu caminho de perfeição cristã se distinguiu não só pela solidariedade humana para com o seu povo de origem, mas também por uma verdadeira partilha espiritual com a vocação dos filhos de Abraão, designados pelo mistério da chamada e dos "dons irrevogáveis" de Deus (cf. Rm 11, 29).

De modo particular, ela fez próprio o sofrimento do povo judeu, na medida que este aumentava naquela feroz perseguição nazista que permanece, juntamente com outras graves expressões do totalitarismo, uma das mais obscuras e vergonhosas manchas da Europa do nosso século. Sentiu então que, no extermínio sistemático dos judeus, a cruz de Cristo era carregada pelo seu povo, e assumiu-a na sua pessoa com a sua deportação e a execução no tristemente célebre campo de Auschwitz-Birkenau. O seu grito funde-se com o de todas as vítimas daquela horrível tragédia, unido porém ao brado de Jesus, que assegura ao sofrimento humano uma misteriosa e perene fecundidade. A sua imagem de santidade permanece para sempre ligada ao drama da sua morte violenta, ao lado de tantos que a padeceram juntamente com ela. E permanece como um anúncio do evangelho da Cruz, com o qual ela se quis identificar no seu mesmo nome de religiosa.
Hoje, vemos Teresa Benedita da Cruz reconhecer no seu testemunho de vítima inocente, por um lado a imitação do Cordeiro imaculado e a protesta levantada contra todas as violações dos direitos fundamentais da pessoa e, por outro, o penhor daquele renovado encontro de judeus e cristãos, que na linha auspiciada pelo Concílio Vaticano II, está a conhecer uma prometedora fase de abertura recíproca. Declarar hoje Edith Stein co-Padroeira da Europa significa colocar no horizonte do velho Continente um estandarte de respeito, de tolerância e de hospitalidade que convida os homens e as mulheres a entenderem-se e a aceitarem-se, para além das diferenças étnicas, culturais e religiosas, formando assim uma sociedade verdadeiramente fraterna.

(...)

Dado em Roma, junto de São Pedro, a 1 de Outubro de 1999, vigésimo primeiro ano de Pontificado.

 IOANNES PAULUS PP. II

Fonte:




5 de ago de 2017

6º dia Novena Meditativa sobre Santa Benedita da Cruz (Edith Stein)



NOVENA MEDITATIVA SOBRE SANTA EDITH STEIN
SANTA TERESA BENEDITA DA CRUZ
6º dia da NOVENA – HOMILIA DO PAPA JOÃO PAULO II NA CERIMÓNIA DE CANONIZAÇÃO DE EDITH STEIN
11 de Outubro de 1998


“1. Quanto a mim, que eu não me glorie, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo (cf. Gl 6, 14).

As palavras de São Paulo aos Gálatas, que acabámos de escutar, adaptam-se bem à experiência humana e espiritual de Teresa Benedita da Cruz, que hoje é solenemente inscrita no álbum dos santos. Também ela pode repetir com o Apóstolo: Quanto a mim, que eu não me glorie, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo.
A cruz de Cristo! No seu constante florescimento, a árvore da Cruz dá sempre renovados frutos de salvação. Por isso, os fiéis olham com confiança para a Cruz, haurindo do seu mistério de amor a coragem e o vigor para caminhar com fidelidade nas pegadas de Cristo crucificado e ressuscitado. Assim, a mensagem da Cruz entrou no coração de muitos homens e mulheres, transformando a sua existência. Um exemplo eloquente desta extraordinária renovação interior é a vicissitude espiritual de Edith Stein. Uma jovem em busca da verdade, graças ao trabalho silencioso da graça divina, tornou-se santa e mártir: é Teresa Benedita da Cruz, que hoje repete do céu a todos nós as palavras que caracterizaram a sua existência: «Quanto a mim, que eu não me glorie, a não ser na cruz de Jesus Cristo».

2. No dia 1 de Maio de 1987, durante a minha visita pastoral na Alemanha, tive a alegria de proclamar Beata, na cidade de Colónia, esta generosa testemunha da fé. Hoje, a onze anos de distância aqui em Roma, na Praça de São Pedro, é-me dado apresentar solenemente esta eminente filha de Israel e filha fiel da Igreja como Santa perante o mundo inteiro. Assim como nessa data, também hoje nos inclinamos diante da memória de Edith Stein, proclamando o testemunho invicto que ela deu durante a vida e sobretudo com a morte. Ao lado de Teresa de Ávila e de Teresa de Lisieux, esta outra Teresa vai colocar-se no meio da plêiade de santos e santas que honram a Ordem carmelitana.

Caríssimos Irmãos e Irmãs, que vos congregastes para esta solene celebração, dêmos glória a Deus pela obra que realizou em Edith Stein.

3. Saúdo os numerosos peregrinos vindos a Roma, com um particular pensamento para os membros da família Stein, que quiseram estar conosco nesta feliz circunstância. Uma cordial saudação dirige-se também à representação da Comunidade carmelitana, que se tornou a «segunda família» para Teresa Benedita de Cruz. Depois, dou as minhas boas-vindas à delegação oficial da República Federal da Alemanha, chefiada pelo Chanceler Federal resignatário, Helmut Kohl, a quem saúdo com deferente cordialidade. Além disso, cumprimento os representantes das regiões de Nordrhein-Westfalen e Rheinland-Pfalz, bem como o Primeiro Presidente da Câmara Municipal de Colónia. Inclusivamente da minha Pátria veio uma delegação oficial, guiada pelo Primeiro-Ministro Jerzy Buzek. Dirijo-lhe uma cordial saudação. Depois, quero reservar uma especial menção aos peregrinos das dioceses de Vratislávia, Colónia, Monastério, Espira, Cracóvia e Bielsko-Žywiec, presentes com os seus Bispos e sacerdotes. Eles unem-se ao numeroso grupo de fiéis vindos da Alemanha, dos Estados Unidos da América e da minha Pátria, a Polónia.

4. Diletos Irmãos e Irmãs! Porque era judia, Edith Stein foi deportada juntamente com a irmã Rosa e muitos outros judeus dos Países Baixos para o campo de concentração de Auschwitz, onde com eles encontrou a morte nas câmaras de gás. Hoje recordamo-nos de todos com profundo respeito. Poucos dias antes da sua deportação, a quem lhe oferecia uma possibilidade de salvar a vida, a religiosa respondera: «Não o façais! Por que deveria eu ser excluída? A justiça não consiste acaso no facto de eu não obter vantagem do meu baptismo? Se não posso compartilhar a sorte dos meus irmãos e irmãs, num certo sentido a minha vida é destruída».

Doravante, ao celebrarmos a memória da nova Santa, não poderemos deixar de recordar todos os anos também o Shoah, aquele atroz plano de eliminação de um povo, que custou a vida a milhões de irmãos e irmãs judeus. O Senhor faça brilhar o seu rosto sobre eles, concedendo-lhes a paz (cf. Nm 6, 25s.).

Por amor de Deus e do homem, lanço de novo um premente brado: nunca mais se repita uma semelhante iniciativa criminosa para nenhum grupo étnico, povo e raça, em qualquer recanto da terra! É um brado que dirijo a todos os homens e mulheres de boa vontade; a todos aqueles que creem no Deus eterno e justo; a todos aqueles que se sentem unidos em Cristo, Verbo de Deus encarnado. Aqui, todos nós devemos ser solidários: é a dignidade humana que está em jogo. Só existe uma única família humana. É isto que a nova Santa afirmou com grande insistência: «O nosso amor pelo próximo - escrevia - é a medida do nosso amor a Deus. Para os cristãos - e não só para eles - ninguém é "estrangeiro". O amor de Cristo não conhece fronteiras».

5. Estimados Irmãos e Irmãs! O amor de Cristo foi o fogo que ardeu a vida de Teresa Benedita da Cruz. Antes ainda de se dar conta, ela foi completamente arrebatada por ele. No início, o seu ideal foi a liberdade. Durante muito tempo, Edith Stein viveu a experiência da busca. A sua mente não se cansou de investigar e o seu coração de esperar. Percorreu o árduo caminho da filosofia com ardor apaixonado e no fim foi premiada: conquistou a verdade; antes, foi por ela conquistada. De facto, descobriu que a verdade tinha um nome: Jesus Cristo, e a partir daquele momento o Verbo encarnado foi tudo para ela. Olhando como Carmelita para este período da sua vida, escreveu a uma Beneditina: «Quem procura a verdade, consciente ou inconscientemente, procura a Deus».

Embora sua mãe a tenha educado na religião hebraica, aos 14 anos de idade Edith Stein, «consciente e propositadamente desacostumou-se da oração». Só queria contar consigo mesma, preocupada em afirmar a própria liberdade nas opções de vida. No fim do longo caminho, foi-lhe dado chegar a uma surpreendente conclusão: só quem se une ao amor de Cristo se torna verdadeiramente livre.

A experiência desta mulher, que enfrentou os desafios de um século atormentado como o nosso, é para nós exemplar: o mundo moderno ostenta a porta atraente do permissivismo, ignorando a porta estreita do discernimento e da renúncia. Dirijo-me especialmente a vós, jovens cristãos, em particular aos numerosos ministrantes reunidos em Roma nestes dias: evitai conceber a vossa vida como uma porta aberta a todas as opções! Escutai a voz do vosso coração! Não permaneçais na superfície, mas ide até ao fundo das coisas! E quando chegar o momento, tende a coragem de vos decidirdes! O Senhor espera que coloqueis a vossa liberdade nas suas mãos misericordiosas.

6. Santa Teresa Benedita da Cruz conseguiu compreender que o amor de Cristo e a liberdade do homem se entretecem, porque o amor e a verdade têm uma relação intrínseca. A busca da verdade e a sua tradução no amor não lhe pareciam ser contrastantes entre si; pelo contrário, compreendeu que estas se interpelam reciprocamente. No nosso tempo, a verdade é com frequência interpretada como a opinião da maioria. Além disso, é difundida a convicção de que se deve usar a verdade também contra o amor, ou vice-versa. Todavia, a verdade e o amor têm necessidade uma do outro. A Irmã Teresa Benedita é testemunha disto. «Mártir por amor», ela deu a vida pelos seus amigos e no amor não se fez superar por ninguém. Ao mesmo tempo, procurou com todo o seu ser a verdade, da qual escrevia: «Nenhuma obra espiritual vem ao mundo sem grandes sofrimentos. Ela desafia sempre o homem inteiro». A Irmã Teresa Benedita da Cruz diz a todos nós: Não aceiteis como verdade nada que seja isento de amor. E não aceiteis como amor nada que seja isento de verdade!

7. Enfim, a nova Santa ensina-nos que o amor a Cristo passa através da dor. Quem ama verdadeiramente, não se detém diante da perspectiva do sofrimento: aceita a comunhão na dor com a pessoa amada. Consciente do que comportava a sua origem judaica, Edith Stein pronunciou palavras eloquentes a este respeito: «Debaixo da cruz, compreendi a sorte do povo de Deus... Efectivamente, hoje conheço muito melhor o que significa ser a esposa do Senhor no sinal da Cruz. Mas dado que se trata de um mistério, isto jamais poderá ser compreendido somente com a razão». Pouco a pouco, o mistério da Cruz impregnou toda a sua vida, até a impelir rumo à oferta suprema. Como esposa na Cruz, a Irmã Teresa Benedita não escreveu apenas páginas profundas sobre a «ciência da cruz», mas percorreu até ao fim o caminho da escola da Cruz. Muitos dos nossos contemporâneos quereriam fazer com que a Cruz se calasse. Mas nada é mais eloquente que a Cruz que se quer silenciar! A verdadeira mensagem da dor é uma lição de amor. O amor torna o sofrimento fecundo e este aprofunda aquele. Através da experiência da Cruz, Edith Stein pôde abrir um caminho rumo a um novo encontro com o Deus de Abraão, Isaac e Jacob, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. A fé e a cruz revelaram-se-lhe inseparáveis. Amadurecida na escola da Cruz, ela descobriu as raízes às quais estava ligada a árvore da própria vida. Compreendeu que lhe era muito importante «ser filha do povo eleito e pertencer a Cristo não só espiritualmente, mas inclusive mediante um vínculo sanguíneo».

8. «Deus é espírito e aqueles que O adoram devem adorá-Lo em espírito e verdade» (Jo 4, 24). Caríssimos Irmãos e Irmãs, com estas palavras o divino Mestre entretém-se com a Samaritana junto do poço de Jacob. Quanto Ele deu à sua ocasional mas atenta interlocutora, encontramo-lo presente também na vida de Edith Stein, na sua «subida ao Monte Carmelo ». A profundidade do mistério divino tornou-se-lhe perceptível no silêncio da contemplação. Ao longo da sua existência, enquanto amadurecia no conhecimento de Deus adorando-O em espírito e verdade, ela experimentava cada vez mais claramente a sua específica vocação de subir à cruz juntamente com Cristo, de abraçá-la com serenidade e confiança, de amá-la seguindo as pegadas do seu dilecto Esposo: hoje, Santa Teresa Benedita da Cruz é-nos indicada como modelo em que nos devemos inspirar e como protectora à qual havemos de recorrer. Dêmos graças a Deus por este dom. A nova Santa seja para nós um exemplo do nosso compromisso no serviço da liberdade e na nossa busca da verdade. O seu testemunho sirva para tornar cada vez mais sólida a ponte da recíproca compreensão entre judeus e cristãos. Santa Teresa Benedita da Cruz, ora por nós! Amém.

Fonte:




4 de ago de 2017

5º dia Novena Meditativa sobre Santa Benedita da Cruz (Edith Stein)



NOVENA MEDITATIVA SOBRE SANTA EDITH STEIN
SANTA TERESA BENEDITA DA CRUZ
5º dia da NOVENA – 2ª parte da Homilia do Papa São João Paulo II na cerimônia de beatificação da irmã Teresa Benedita da Cruz

 (continuação de ontem...)

6. Teresa, a abençoada pela cruz, este é o nome daquela mulher que iniciou o seu caminho espiritual com a convicção de que não existia absolutamente nenhum Deus. Nos anos da sua juventude e dos seus estudos, a sua vida não tinha ainda sido marcada pela cruz de Cristo; no entanto, esta constituía já o objeto da constante procura e do estudo da sua viva inteligência. Quando tinha quinze anos, na sua cidade natal, Breslávia, Edith, nascida numa família judia, decidiu "deixar de rezar", como ela mesma confessou. Apesar de ter sido profundamente impressionada pela forte fé da sua mãe, transcorreu os anos da juventude e de estudos com espírito ateístico.

Considerava inadmissível a existência de um Deus pessoal.

Nos anos dos seus estudos de Psicologia, Filosofia, História e Filologia germânica em Breslávia, Gotinga e Friburgo, Deus não ocupava nenhum lugar na sua vida. Todavia, professava um "idealismo ético muito elevado". De acordo com o seu grande talento, intelectual, não quis aceitar nada que não fosse provado, nem sequer a fé dos seus pais. Desejava por si mesma ir ao fundamento das coisas.

Por isso busca incansavelmente a verdade. Mais tarde, olhando para essa época de inquietude espiritual, reconheceu esse tempo como uma etapa importante do seu processo de maturação interior, afirmando: "A minha busca da verdade era uma verdadeira e própria oração" – maravilhosa frase de consolo para todos os que têm dificuldade em crer em Deus! A procura da verdade é já no mais íntimo uma busca de Deus.

Sob a forte influência do seu mestre, Husserl, e da sua escola fenomenológica, esta estudante inquieta dedicou-se cada vez mais decididamente à filosofia. Aprendeu sobretudo "a considerar tudo sem preconceitos e a rejeitar todas as viseiras". O encontro com Max Scheler em Gotinga, proporcionou a Edith Stein o primeiro contacto com as ideias católicas. Ela mesma escreve sobre isto: "As barreiras dos preconceitos racionalistas, nos quais eu cresci sem o saber, fecharam-se e o mundo da fé apareceu de repente diante de mim. Dele fazem parte integrante as pessoas, com quem me relacionava diariamente e eram por mim vistas com admiração".

A longa luta para uma decisão pessoal de aderir à fé em Jesus Cristo terminou só em 1921, quando ela começou a ler a "Vida de Santa Teresa de Ávila", livro escrito pela própria Santa e encontrado na casa de uma amiga.

Ficou imediatamente impressionada pela leitura e não a deixou enquanto não chegou ao fim. "Quando terminei à leitura, disse a mim mesma: Esta é a verdade". Esteve a lê-lo durante a noite toda, até ao amanhecer. Naquela noite ela encontrou a verdade; não a verdade da filosofia, mas a Verdade em Pessoa, o "Tu" amoroso de Deus. Edith Stein estava à procura da verdade e encontrou Deus. Sem mais delongas, pediu para ser batizada e recebida na Igreja católica.

7. A recepção do Batismo não significou de modo algum para Edith Stein a ruptura com o seu povo judeu. Pelo contrário, ela afirma: "Quando eu era uma jovem de catorze anos deixei de praticar a religião judaica, e só depois do meu retorno a Deus é que me senti judia". Ela sempre teve a consciência de que "pertencia a Cristo, não só espiritualmente mas também por descendência". Sofreu muito pela grande dor causada à mãe devido à sua conversão, mas continuava a acompanhá-la à Sinagoga e recitava com ela os Salmos. À afirmação da mãe de que também se podia ser piedosa sendo judia, ela respondeu: "Sem dúvida, mas quando não se conheceu outra coisa".

Embora desde o encontro com os escritos de Santa Teresa de Ávila o Carmelo tivesse sido a meta de Edith Stein, ela teve de esperar mais de dez anos, quando então Cristo lhe mostrou na oração o caminho para a entrada no Carmelo. Na sua atividade como mestra e professora, no trabalho escolar e nas tarefas de formação, desempenhada na maior parte em Espira e depois também em Monastério, ela continuou a trabalhar por conciliar ciência e fé. Neste mister queria ser apenas um instrumento do Senhor. "Quem vem a mim, quero conduzi-lo a Ele".

Já nessa atividade ela viveu como uma religiosa, fez os três votos privadamente e tornou-se uma grande e inspirada mulher de oração. Estudando intensamente São Tomás de Aquino, chega à conclusão de que é possível "praticar a ciência como um serviço divino... Só em virtude desta convicção é que pude decidir, em plena consciência, iniciar de novo (depois da conversão) um trabalho científico". Apesar do seu grande apreço pela ciência, Edith Stein vai percebendo com maior clareza que a essência do ser cristão não é o saber mas o amar.

Quando enfim, em 1933, Edith Stein entrou no Carmelo de Colônia, este passo não significou para ela uma fuga do mundo ou das próprias responsabilidades, mas uma participação ainda mais decidida no seguimento da cruz de Cristo. No seu primeiro colóquio com a Priora daquele Carmelo, ela disse: "O que pode ajudar-nos não é a atividade humana, mas a paixão de Cristo.”

O meu desejo é participar nela". Por isso mesmo, no momento da vestição não pôde expressar outro desejo senão o de ser chamada, na vida religiosa, "da Cruz". E, no santinho que recordava a sua profissão perpétua, ela pôs a frase de São João da Cruz: "A minha única missão de agora em diante será amar ainda mais".

8. Queridos irmãos e irmãs. Com toda a Igreja, inclinamo-nos hoje diante desta grande mulher, a quem de agora para o futuro poderemos chamar bem-aventurada na glória de Deus; inclinamo-nos diante desta grande filha de Israel, que em Cristo, o Redentor, descobriu a plenitude da sua fé e da missão para com o Povo de Deus.

Segundo a convicção de Edith Stein, quem entra no Carmelo "não perde os seus, mas os reencontra, pois a nossa vocação é precisamente a de ser para todos diante de Deus. A partir do momento em que começou a entender o destino do povo de Israel "sob o sinal da Cruz", a nossa nova Beata foi desejando cada vez mais assimilar Cristo no seu profundo mistério de Redenção, para se sentir na unidade espiritual com os múltiplos sofrimentos do homem e para expiar as injustiças deste mundo que clamam ao céu. Como "Benedita da Cruz", ela quis levar a sua cruz juntamente com a de Cristo pela salvação do seu povo, da sua Igreja e do mundo inteiro. Ofereceu-se a Deus como "sacrifício expiatório pela paz verdadeira", e sobretudo pelo seu povo oprimido e humilhado. Depois de ter sabido que Deus de novo tinha com força pousado a Sua mão sobre o seu povo, convenceu-se de que "o destino deste povo era também o seu".

Na sua penúltima obra teológica "A ciência da Cruz", que começara a escrever no Carmelo de Echt como Irmã Teresa Benedita da Cruz que todavia não pôde concluir porque teve de empreender o seu caminho da cruz – ela observa: "Quando falamos de ciência da Cruz não entendemos... como pura teoria, mas expressamos uma verdade viva, real e efetiva". Quando vislumbrou sobre ela, como uma nuvem espessa, a ameaça de morte que pesava sobre o seu povo, mostrou-se disposta a testemunhar com a própria vida o que aprendera anteriormente: "Há uma vocação a padecer com Cristo e, como consequência, a colaborar na sua obra de salvação... Cristo continua a viver nos seus membros e neles continua a sua paixão; o sofrimento suportado em união com o Senhor é a Sua paixão, o qual está inserido na grande obra de redenção e mediante ela se torna fecundo".

Com a sua irmã Rosa, a Irmã Teresa Benedita da Cruz percorreu o caminho para o extermínio, unida ao seu povo e "pelo" seu povo. Todavia, não aceitou passivamente o sofrimento e a morte, mas uniu-os conscientemente ao Sacrifício expiatório do nosso Salvador Jesus Cristo. Alguns anos antes, escrevera no seu testamento espiritual: "Desde já aceito a morte que Deus me tem reservada, com alegria e completa submissão à Sua santíssima vontade. Peço ao Senhor que se digne aceitar, o meu sofrimento e a minha morte, para seu louvor e glória, por todas as necessidades... da Santa Igreja". O Senhor escutou esta oração.

A Igreja propõe hoje à nossa veneração e imitação a Beata Mártir Teresa Benedita da Cruz, exemplo de seguimento heroico de Cristo. Abramo-nos à mensagem que ela nos dirige como mulher do espírito e da ciência, que na ciência da Cruz conheceu o ápice de toda a sabedoria; como uma grande filha do povo judeu e uma grande cristã no meio de milhões de irmãos inocentes martirizados. Ela viu que a cruz se aproximava de forma implacável, mas não fugiu atemorizada; pelo contrário, animada pela esperança cristã, abraçou-a com amor e entrega total e penetrada pelo mistério da fé pascal, saudou-a à sua chegada: "Ave Crux, spes unica!".

Como disse na sua breve Carta pastoral o vosso venerado Cardeal Höffner: "Edith Stein é um dom de Deus, uma advertência e uma promessa para a nossa época. Possa ela interceder junto de Deus por nós, pelo nosso povo e por todos os povos!"
9. Queridos irmãos e irmãs. A Igreja do século XX vive hoje um grande dia! Inclinamo-nos profundamente diante do testemunho da vida e da morte de Edith Stein, ilustre filha de Israel e ao mesmo tempo filha do Carmelo, Irmã Teresa Benedita da Cruz; uma personalidade que reúne na sua rica vida a síntese dramática do nosso século. A síntese de uma história cheia de feridas profundas que ainda hoje continuam a fazer sofrer, mas que homens e mulheres com sentido de responsabilidade se esforçaram e continuam a esforçar-se por sanar; síntese ao mesmo tempo da verdade plena sobre o homem, num coração que esteve inquieto e insatisfeito "enquanto não encontrou a paz em Deus".

Ao dirigirmo-nos espiritualmente para o lugar do martírio desta grande judia e mártir cristã, para o lugar daquele acontecimento terrível que hoje se chama "Shoah", escutamos a voz de Cristo, o Messias e Filho do homem, o Senhor e Redentor.

Como mensageiro do mistério insondável de Deus, Ele diz à Samaritana junto do poço de Jacob:
"A salvação vem dos judeus. Mas vai chegar a hora e já chegou, em que os verdadeiros adoradores hão de adorar o Pai em espírito e verdade, pois são esses os adoradores que o Pai deseja. Deus é espírito e os Seus adoradores em espírito e verdade é que O devem adorar" (Jo. 4, 22-24).

Bendita seja Edith Stein, Irmã Teresa Benedita da Cruz, uma verdadeira adoradora de Deus, em espírito e verdade.

Sim, bendita!

Fonte:

Em Colônia, no Rito de Beatificação, publicado no jornal L'Osservatore Romano, edição semanal em português n. 20 (912), 17 de maio de 1987, págs. 5/6 (253/254).



"Despojemo-nos das ações das trevas e vistamos as armas da Luz" Rm 13,12
CEFAS, oriundo do nome de São Pedro apóstolo, significa também um Acróstico: Comunhão para Evangelização, Formação e Anúncio do Senhor. É um humilde projeto de evangelização através da internet, buscando levar formação católica doutrinal e espiritual.