31 de jul de 2017

1º dia Novena Meditativa sobre Santa Benedita da Cruz (Edith Stein)



NOVENA MEDITATIVA SOBRE SANTA EDITH STEIN
SANTA TERESA BENEDITA DA CRUZ

1º dia da NOVENA – Biografia de Santa Edith Stein, considerada padroeira dos universitários – O texto abaixo é a Parte 1 do artigo de Renê Courtois

FINDAVA O INVERNO DE 1945

“A pequena cidade de Echt, no Limburgo holandês, encolhida de frio, ansiava pela primavera próxima para curar suas feridas. Pouca gente nas ruas. Trânsito quase nenhum nesta manhã de libertação. Um automóvel militar que atravessava a cidade atraiu a atenção dos habitantes. Tinha sido reconhecido o Padre Superior do Carmelo de Geleen, acompanhado do Rev. Padre van Bréda, professor da Universidade de Louvain. O carro parou diante de um montão de ruínas, o antigo Carmelo, destruído pelos bombardeios. Os habitantes ficaram surpresos de ver estes dois eclesiásticos descerem, abrirem caminho penosamente nos escombros, e iniciar a procura de papéis esparsos e enlameados. Quando tiveram certeza de não encontrar mais nenhum fragmento de papel, reuniram com grande cuidado o fruto de seu trabalho e partiram.
Que interesse poderia ter este resto de papéis? Tratava-se de folhas manuscritas de uma importante obra de filosofia, abandonada na sua cela por uma carmelita, bruscamente deportada para o Leste em agosto de 1942. L´être fini et l´être éternel (A criatura mortal e o Ser eterno) assim se chamava esta obra filosófica, a mais importante da vida da irmã Thérèse-Bénédicte de la Croix.
Este nome religioso era o de Edith Stein. Judia convertida, discípula preferida do grande filósofo Edmundo Husserl, célebre no mundo intelectual alemão antes de abraçar a religião, ela foi, segundo o testemunho de Dom Walzer, abade de Beuron, uma das mulheres mais eminentes de nossa época.
Sua vida e sua conversão são um admirável canto de fidelidade à luz da graça. Tudo parecia separá-la do cristianismo seu meio natal, a educação judia que recebeu, o estudo aos pés de um mestre eminente, cuja filosofia devia seduzir fortemente sua grande inteligência, a perspectiva de uma carreira universitária que se prenunciava das mais brilhantes. Passo a passo ela soube responder ao chamado de Deus, triunfando sucessivamente de todos os obstáculos que a separavam d´Ele.


FILHA DE ISRAEL

12 de outubro de 1891. Havia festa na família Stein. A grande casa da rua Saint-Michel, em Breslau, de aspecto geralmente severo, parecia sorrir neste dia. As seis crianças do casal Stein se acrescentava uma menina, que se chamaria Edith. Para termos uma idéia da atmosfera deste lar israelita, é necessário visualizar certas águas fortes de Rembrandt, onde o artista nos transmitiu, com fidelidade, a fisionomia dos interiores judeus do ghetto de Amsterdam.
Desde seus primeiros passos, a pequena Edith estava enquadrada em um clima do Antigo Testamento. Tudo lhe falava do Povo de Deus. As imagens da Bíblia nas paredes da casa, os motivos gravados sobre as arcas de carvalho, as preces tradicionais recitadas em hebreu, os ritos do Talmude fielmente observados e sobretudo o admirável exemplo de uma mãe profundamente religiosa, mulher forte da Escritura Sagrada, cuja extraordinária energia e zêlo infatigável vão se desenvolver sem descanso, a partir da morte de seu esposo.
Edith Stein tinha três anos quando seu pai morreu subitamente, em uma viagem de negócios. Sem hesitação, a mãe chamou tudo a si: o importante comércio de madeiras e a educação das sete crianças. Ela fez prosperar a ambos. Zelosa antes de tudo da educação de seus filhos, ela jamais deixou de conduzi-los à sinagoga, nos dias de sabat. Ela conservou sempre aos olhos de seus filhos a autoridade indiscutível, diante da qual se inclinavam com amor e respeito. Edith Stein escreverá dela mais tarde:
‘Ainda crianças, podíamos ler, no exemplo de nossa mãe, a verdadeira maneira de nos comportar. Quando ela dizia: Isto é um pecado, nós sabíamos que ela se referia a algo de odioso e indigno.’
Edith era-lhe particularmente cara. Frequentemente a mãe sonhava com um grande futuro para sua filha predileta. Seu desejo deveria se realizar, mas de que maneira tão diferente! Graciosa e delicada, Edith era tratada carinhosamente por seus irmãos e irmãos que viam nela uma criança singularmente dotada. De um espírito muito receptivo, de inteligência viva e precoce, foi para ela uma alegria entrar na escola primária, no outono de 1897. Assim começava uma vida de estudos que ela não abandonaria mais até sua morte.


OS CAMINHOS DA VERDADE

Escola primária, ginásio, universidade: Edith Stein seguia o curso normal dos estudos, na sua cidade natal de Breslau. Bem cedo revelou talento excepcional. Uma de suas colegas de ginásio nos diz:
“Embora várias alunas fossem bem dotadas, Edith Stein eclipsava a todas pela sua inteligência e pelos seus conhecimentos. Aplicada, ela não mostrava nenhuma inveja, e eu conservo sua lembrança como a de uma moça silenciosa, muito interior e muito cativante... Fora de sua vida de estudos, ela tomava parte em todas as nossas reuniões e jamais era uma desmancha-prazeres. Podíamos nos dirigir a ela em todas as dificuldades. Sempre pronta a prestar um serviço e a dar um conselho, seu julgamento era refletido e seguro.”
O interesse vivo que Edith mostrava por seus estudos não deixou de inquietar uma mãe vigilante como a sua. Inquietação bem fundada, aliás. Os estudos de filosofia prejudicavam a piedade da moça. Sempre acompanhando sua mãe à sinagoga, seu espírito se abria a outros horizontes. Pouco a pouco, ela se desligava de toda crença profunda em um Deus pessoal. Nós não devemos, entretanto, aceitar sem reservas, o que ela disse um dia: que permaneceu atéia até vinte e um anos. Como se ela não tivesse também escrito: A sede da verdade era a minha única prece.
Esta lúcida paixão da verdade não era já uma homenagem inconsciente ao verdadeiro Deus?
Deixando Breslau, ela irá seguir em Gottingen os notáveis ensinamentos do grande pensador Edmundo Husserl. Em Gottingen deu livre curso a sua paixão dos estudos e se mostrou de imediato como uma das adeptas mais brilhantes da fenomenologia husserliana. Esta nova escola filosófica, com a sua volta à objetividade, sua lógica precisa, sua aspiração à pureza integral das coisas, respondia bem ao temperamento da jovem judia.
Cedo ela se tornou uma das figuras de primeiro plano de um pequeno grupo de discípulos de Husserl, alguns dos quais adquiriram mais tarde fama mundial, como Dietrich von Hildebrand, Hans Lipps, o russo Alexandre Koyré, o canadense John Bell, o francês Jean Hering, etc. O professor Adolphe Reinach, israelita como Husserl e vários de seus alunos, reunia-os na sua casa. Os debates, por vezes apaixonados, prolongavam-se até altas horas da noite. Nesta época, passa por Gottingen o professor Max Scheler. Uma série de conferências religiosas que proferiu tiverem profunda repercussão. Todo um movimento de conversões se delineou. Dietrich von Hildebrand entrou na Ordem Terceira de S. Francisco. Koyré e sua mulher se aproximaram fortemente da Igreja católica. Adolphe Reinach abraçou o cristianismo durante a guerra de 1914-1918. Só Edith Stein permanecia inabalável. No seu quarto de estudante, os livros se empilhavam. Mais inflexível que nunca, ela se encarniçava na procura de seu único ideal: a verdade na ciência. Mas, sempre aberta à vida, dos outros, ela permanecia a companheira encantadora e devotada a quem todos podiam recorrer.
Agosto de 1914. A guerra. Nem por um instante, Edith Stein hesitou para interromper seus caros estudos e engajar-se na Cruz Vermelha. Durante dois anos devotou-se ao serviço dos feridos, no hospital militar de Mahrisch-Wisskirchen. Nesse meio tempo, em 1916, o professor Husserl acabava de ser nomeado para a Universidade de Fribourg-en-Brisgau. Considerando Edith Stein como sua discípula predileta, convidou-a para assistente particular. Encarregada de classificar e organizar os manuscritos do mestre, ela adquiriu desta maneira um conhecimento muito profundo de sua doutrina. Em 1917, doutorou-se com a maior distinção, defendendo um tese sobre o problema da imanência.
Seu desejo de encontrar a Deus era cada vez mais forte. Seu culto intransigente da verdade encaminhava-a pouco a pouco para a claridade total. Um estudo publicado pouco depois da guerra sobre a Alma das plantas, A Alma dos animais, A Alma dos Homens, revelava um singular aprofundamento e talvez até uma conversão interior.
Magnífico exemplo de um itinerário rigorosamente filosófico que, em vez de afastar a alma de Deus como alguns o pensam, leva-a infalivelmente para Ele.
Amanhã continua...
Fonte:




4 comentários:

  1. Muito bom o texto, mas a tese que Edith Stein defendeu foi um 1916e o tema não era a "imanêncua", mas versava sobre o problema da empatia. A tese foi publicada em 1917! Como se chama esse estudo sobre as almas das plantas, animais e dos seres humanos publicado logo após a guerra? Não estou conseguindo idrntificá-la. Qual foi a fonte dessa informação?

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    1. Não estudei a fundo tais temas. A fonte está no final de toda publicação.

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  2. Passei a novena para meus paroquianos. Eles me pediram os outros dias da novena.obrigado

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    1. É só acompanhar, irmão(ã), que vamos lançar dia a dia todos os textos que selecionei. Estamos fazendo também uns 90 dias de meditação sobre toda a Vida do São Padre Pio, se quiser acompanhe pelo outro blog: https://gospepio.blogspot.com/

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